Os EUA, banqueiros do mundo, se tornaram o fundo de hedge do mundo.

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1 Pensamento do Dia Economistas analisam a Economia, o Brasil e o mundo, na mídia diária Valor Econômico - 19/08/2010 Dívida e declínio americanos Por Mario Margiocco Os EUA, banqueiros do mundo, se tornaram o fundo de hedge do mundo. Os EUA foram credores do mundo até , quando se tornaram novamente, nação devedora. Nas duas décadas seguintes a dívida americana ficou em US$ 3 trilhões Italianos e outros europeus têm graves problemas para normalizar suas dívidas nacionais, públicas e privadas, de modo que pode parecer atrevimento um europeu debater o crescente e grave problema da dívida dos EUA. Mas a realidade fiscal nos dois lados do Atlântico é, hoje, muito semelhante, e somente a persistência da confiança na promessa dos EUA mantém viva a esperança, entre alguns europeus, de que algum grande golpe teatral americano resolverá a sombria situação da dívida do país. Naturalmente, muitos americanos reconhecem a escala da carga da dívida do país. O almirante Mike Mullen, chefe de Estado Maior e, portanto, maior posto militar nos EUA, disse recentemente que o "maior perigo para a segurança americana vem da dívida nacional". Quatro em cada dez americanos concordam com ele, ao passo que menos de três em dez consideram mais perigoso o terrorismo ou o Irã. O status de grande potência dos EUA sempre foi vinculado a seu nível de endividamento. Na verdade, foi a ausência de endividamento que marcou a ascensão dos Estados Unidos à condição de potência mundial entre 1914 e Os EUA deviam US$ 3 bilhões (principalmente à Grã-Bretanha) e passaram a credores líquidos de um montante aproximadamente igual, graças a US$ 6 bilhões em créditos de guerra concedidos aos aliados ocidentais. Outros US$ 3 bilhões em créditos para a reconstrução no pós-guerra europeu cimentaram o status americano de maior nação credora do mundo, com um superávit equivalente a cerca de 8% do PIB, à época. Essa mudança mostrou que os EUA tinham essencialmente substituído o Reino Unido como coração do sistema financeiro e monetário mundial. Antes, graças ao padrão-ouro e à estabilidade política britânica, a City londrina tinha sido fonte essencial de capital e de garantias financeiras no mundo por mais de um século.

2 A nova era começou subitamente em janeiro de 1915, quando, após alguns meses de profunda incerteza, ouro começou a ser enviado a Nova York, em quantidades crescentes. Poucos meses antes, Henry Lee Higginson, veterano financista de Boston tinha esboçado, numa carta ao presidente Woodrow Wilson, qual deveria ser a nova estratégia dos EUA. "Essa é nossa chance de assumir o primeiro lugar", escreveu ele. A casa financeira americana tinha de ser posta em ordem, todas as dívidas tinham de ser pagas e, como Londres havia feito durante muito tempo, a confiança tinha de ser mantida, o que significava garantir a conversibilidade do dólar em ouro. Sozinho, entre as grandes nações do mundo, os EUA conseguiram garantir a conversibilidade do dólar durante toda a Grande Guerra. Com a paz, o dólar e Wall Street tornaram-se a força dominante no cenário financeiro mundial. As regras do mercado financeiro estabelecidas após 1933 pelo New Deal do presidente Franklin Roosevelt permitiram ao dólar substituir a libra esterlina no centro do sistema internacional. O papel dos EUA como banqueiro do mundo permaneceu inconteste nos 40 anos seguintes, até Richard Nixon desacoplar o dólar do ouro. No entanto, mesmo sem o padrão-ouro, o poderio econômico dos EUA, juntamente com a reciclagem dos petrodólares, manteve o dólar por cima. Os EUA continuaram sendo uma nação credora do mundo até , quando tornaram-se, novamente, nação devedora. Nas duas décadas seguintes a dívida americana ficou em US$ 3 trilhões, aumentando ou diminuindo com a taxa de câmbio do dólar. A partir de 1990, os EUA começaram a importar cada vez mais capital, particularmente da Ásia. Na década de 2000, a China se tornou a principal fonte de financiamento de dívida, e os americanos estavam felizes, pois isso permitiu que o Federal Reserve (Fed banco central dos EUA) mantivesse as taxas de juro baixas. Houve alguns que anteviram o perigo. O economista sueco Axel Leijonhufvud anteviu uma inflação nos preços dos ativos - das casas, em particular - e uma piora da qualidade do crédito. Inovações financeiras logo fizeram essa previsão tornar-se realidade. Basta lembrar que em 2008 havia apenas 12 empresas públicas em todo o mundo com pontuação de crédito "AS" porém mais de 60 mil produtos financeiros estruturados - em sua maioria americanos - eram consideradas "triplo-a". Os EUA, banqueiros do mundo, tinham se transformado no fundo de hedge do mundo. Com essa mudança, o imperativo tradicional dos banqueiros - manter fidelidade e confiança - para "manter a fé", como disse Higginson - foi esquecido. E é na dívida pública dos EUA que se acumulam os destroços de promessas descumpridas por seu sistema financeiro, assim como a enorme dívida pública italiana reflete o esbanjamento nacional passado. Os números, para os EUA, são estarrecedores. A dívida pública inclui não apenas os US$ 13,2 trilhões devidos pelo governo federal, como outros US$ 3 trilhões devidos pelos Estados, condados e cidades americanas. Além disso, há os US$ 3,9 trilhões em dívidas de agências de financiamento habitacional bancadas pelo governo americano (Fannie Mae, Freddie Mac e outras), que atualmente garantem mais de 90% de todas as hipotecas habitacionais nos EUA. Como resultado, a dívida pública dos EUA chegou a aproximadamente 140% do PIB. O Congresso americano tem clara consciência do que prenunciam esses números, mas seus membros preferem não encará-los de frente. Com efeito, o presidente não é mais

3 obrigado a apresentar a previsão usual de cinco anos para a posição fiscal do país. A perspectiva de um ano é agora considerada suficiente. Então, onde é que isso deixa a economia mundial? Não há nenhuma grande potência emergente capaz de assumir a responsabilidade de financiar o mundo, como houve em Naquela época, Wall Street estava pronta para assumir o encargo. Algum dia, Xangai e Hong Kong poderão estar prontas, mas essa possibilidade é de pouca ajuda agora. Mario Margiocco é autor de "Il disastro americano. Riuscirà Obama uma cambiare Wall Street e Washington?" (O desastre americano: conseguirá Obama mudar Wall Street e Washington?) O Estado de S.Paulo - 19/08/2010 O enganoso superávit primário Roberto Macedo Quando surgiu, o conceito de superávit primário do setor público teve sua utilidade. Mas há tempos se revela enganoso e não mais serve como bom parâmetro para aferir periodicamente a situação das contas públicas. Serve a governos que mentem ao apresentá-lo como medida de um miraginal esforço fiscal. Mal entendido, e não questionado pela mídia, a mensagem enganosa é difundida mensalmente e contribui para desinformar os cidadãos. Começando pelo conceito, é um procedimento contábil pelo qual é calculado o resultado das contas do setor público, excluídas as despesas com os juros de sua dívida. Há tempos esse resultado é positivo ou superavitário, mas o resultado final, que leva em conta esses gastos com juros, sempre foi negativo ou deficitário. O que interessa mesmo é esse resultado final, conhecido internacionalmente como déficit fiscal. Lá fora o conceito de resultado primário raramente é utilizado, mesmo entre especialistas, e também não me lembro de vê-lo utilizado pelo noticiário geral, ou mesmo pelo especializado, como o da revista The Economist. Em encontros com economistas de outros países, quando falo do superávit primário brasileiro, usualmente me perguntam o que é isso, companheiro economista. Aqui, com a invenção do resultado primário, o déficit final ou fiscal é usualmente chamado de resultado ou déficit nominal. No Brasil o resultado primário ganhou espaço no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, quando houve até um déficit desse tipo em 1997, mostrando então a gravidade do problema fiscal, pois indicava que, avaliado por esse conceito, o governo gastava toda a sua receita e mais alguma coisa com despesas que não os juros, sem que sobrassem recursos para cobrir sequer uma parte deles. Essa avaliação serviu para justificar aumentos da carga tributária para gerar superávits primários. Na época houve alguma contenção de despesas, e o programa de privatizações também contribuiu para aliviar a situação fiscal do setor público. Depois de superado esse período de maior dificuldade, o superávit primário federal passou a gravitar em torno de 2% do produto interno bruto (PIB) e continuou apontado como medida do seu "esforço fiscal" para pagar ao menos uma parte dos juros.

4 Essa conversa de esforço fiscal perdeu substância ao longo do tempo, mas continuou a ser enganosamente propalada pelo governo e também pela mídia, esta tanto enganada como difusora da mistificação. A razão foi que a carga tributária continuou crescendo vigorosamente como porcentagem do PIB, e o setor público manteve o mesmo nível de superávit primário, significando que passou a gastar aceleradamente com outras despesas que não os juros. Em números, e olhando novamente o governo federal, no qual o espaço para gastar é maior, sua carga tributária aumentou de 17,7% para 24% do PIB entre 1993 e 2008, ou seja, mais de 6% do PIB, enquanto o superávit primário continuou perto de 2% do PIB. Assim, a carga tributária adicional foi usada principalmente para mais gastos que não juros. E mais: praticamente nada foi para investimentos, com o maior aumento ocorrendo nos gastos de previdência e assistência social. Em síntese, quem de fato fez e faz esforço fiscal é o contribuinte, que continuamente se aperta para pagar mais impostos, enquanto governo federal vive um conforto fiscal. Este "economizou" mesmo foi ao conter investimentos, mas aí em prejuízo do crescimento da economia. Passando à mídia como difusora do embuste, sugiro ao leitor acompanhar as próximas reportagens sobre os resultados das contas públicas. Em geral, o superávit primário é apresentado como "a economia que o governo faz para pagar os juros da dívida". Ora, já mostramos que quem se esforça mesmo é o contribuinte. Segundo, assim entendido, o superávit primário dá a impressão de que os juros são pagos com essa economia. Ora, a primeira coisa que o governo faz é pagar todos os juros de sua dívida, senão quebraria. Assim, não se percebe que o resultado primário é apenas um procedimento contábil. Conceito por conceito, seria possível, por exemplo, chegar a outro resultado primário, excluídas outras despesas que não os juros, como as da Previdência Social. É tudo um bolo só. É por isso que o relevante é o resultado final. E há outros problemas. No noticiário, o déficit fiscal ou nominal, sempre recorrente, fica em segundo plano relativamente ao artefato contábil dado pelo superávit primário. É como um espetáculo de fogos de artifício, em que a beleza das luzes deixa em segundo plano o som da explosão que vem com elas. Ademais, pelo rádio já escutei jornalistas que ignoram o adjetivo primário ao falar do respectivo superávit, em razão do que a coisa vem assim: "Governo teve novo superávit no mês passado." Na mídia impressa, esse adjetivo às vezes também some nas manchetes, pois uma com superávit primário nem sempre cabe no espaço disponível. Como não se pode sacrificar o substantivo, sacrifica-se o adjetivo, para deleite do governo e desinformação dos leitores. É preciso, assim, mudar o enfoque de avaliação das contas públicas, que deve centrar-se no déficit final. Ademais, como o calcanhar de aquiles da economia brasileira é sua baixa taxa de investimentos relativamente ao PIB, em particular a do setor público, e levando também em conta que a do setor privado sofre com a carga tributária e com o endividamento governamental, que reduz o espaço para o privado, uma lei deveria estabelecer que 1) todo aumento da carga de impostos será revertido mediante desonerações tributárias; 2) o déficit final do setor público não será maior que seus investimentos; e 3) a dívida pública será mantida no seu valor atual como proporção do PIB. Aí estariam criadas as condições para o governo fazer, de fato, um verdadeiro esforço fiscal. ECONOMISTA (UFMG, USP E HARVARD), PROFESSOR ASSOCIADO À FAAP, É VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO

5 Valor Econômico - 19/08/2010 O BNDES e a eficácia da política monetária Antonio José Alves Junior Expansão do crédito direcionado impulsiona a economia rumo ao crescimento acelerado e não inflacionário Os economistas Márcio Nakane e Alexandre Andrade, em artigo publicado em 04/08, trouxeram à baila a importante e recorrente discussão acerca da influência do crédito direcionado, em geral, e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em particular, sobre a eficácia da política monetária. Segundo os autores, como as taxas de juros cobradas pelos empréstimos do BNDES não são formadas no mercado, mas por decisão de política econômica, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) decide elevar a taxa Selic, ocorre "... o deslocamento das operações de crédito do segmento livre para as linhas do BNDES". A partir desse argumento, fundamentado em estudo sobre a demanda de crédito no Brasil, concluem que a recente expansão dos empréstimos do BNDES, motivada pela necessidade de combater os efeitos da crise internacional, reduz, em contrapartida, a eficácia da política monetária ao enfraquecer o canal do crédito. Por essa razão, o Banco Central (BC) se vê obrigado, neste momento, a afixar maiores aumentos na taxa Selic do que o necessário caso não houvesse o efeito substituição entre o crédito livre e o direcionado. Essa é uma conclusão viesada, precisamente pela pressuposição de que há um efeito substituição relevante entre as linhas do BNDES e do segmento livre. Como se sabe, o BNDES atua primordialmente no financiamento de longo prazo. Não seria correto dizer, então, que o BNDES concorre com as linhas de crédito livres dos bancos comerciais privados, que as tem canalizado, historicamente, para as operações de curto prazo. É claro que se deve reconhecer que, durante o ano de 2009, como os bancos privados mostraram-se reticentes em realizar quaisquer operações de crédito, até mesmo as de curto prazo, coube ao setor público sustentar o volume total de crédito. Por essa razão, o BNDES ampliou fortemente o financiamento ao investimento; e os demais bancos públicos aumentaram a escala de seus empréstimos para a habitação e agricultura, com créditos direcionados, e para as demais operações, com créditos livres. No entanto, o ponto é que, em regra, a fatia do crédito direcionado em geral, e do BNDES, em particular, não concorre com os segmentos de interesse do setor bancário privado na aplicação do crédito livre. Essa configuração especial do sistema financeiro brasileiro, em que o crédito livre tem sido direcionado primordialmente para operações de curto e curtíssimo prazo, implica que o aumento da taxa Selic reflete-se, fundamentalmente, no custo do financiamento das operações de curto prazo. Já o custo do financiamento de operações de longo prazo, com crédito direcionado, pode ser mantido estável por decisão política. Essa distinção entre as funções econômicas do crédito direcionado e do crédito livre é crucial para interpretar os efeitos da atual política monetária e permite mesmo argumentar, como se faz em seguida, que a política de crédito direcionado vigente favorece a eficácia da política monetária.

6 No regime de metas de inflação, o BC emprega a fixação da taxa de juros básica, a Selic, para regular o compasso entre demanda e oferta agregada. Quando identifica pressões consistentes do lado da demanda, o BC aumenta a Selic. Espera, com isso, encarecer o custo do crédito, reduzindo o crescimento da demanda até adequá-lo ao crescimento da oferta. Quanto mais facilmente atinge esse objetivo, mais eficaz é a política adotada. É claro que esse ajuste não é trivial, especialmente nos momentos de pouca clareza quanto ao futuro da economia, tal como o que vivemos hoje. Caso o aumento da Selic impactasse todas as operações de crédito, os investimentos poderiam ser mais duramente afetados do que as decisões de consumo e de produção. Isso porque a efetivação do investimento depende da conjugação das decisões dos banqueiros, de financiar a longo prazo, e dos empresários, de contrair dívida para investir e ampliar sua capacidade produtiva. Ambas as decisões, normalmente presididas pela incerteza, especialmente neste momento em que a economia mundial se mostra bastante combalida, poderiam ser duramente atingidas pela elevação da taxa Selic. Assim sendo, não fosse a atual política de crédito direcionado, que mantém estáveis os custos do financiamento do investimento, o aumento da Selic prejudicaria desproporcionalmente a formação de capital. Isso precisamente no momento em que há uma unanimidade em torno do objetivo de ampliar a participação dos investimentos no PIB. É claro que a demanda agregada poderia sofrer maior contração caso os investimentos também sofressem maior redução, mas o ritmo de crescimento da oferta seria duramente desacelerado bem como seria elevado o desemprego. A política de controle da inflação, dessa forma, comprometeria a recuperação da atividade econômica, condenando o crescimento da economia brasileira a um futuro decepcionante. No entanto, ao fortalecer as instituições financeiras públicas e determinar a expansão do crédito direcionado com taxas estáveis, o governo preserva as condições de financiamento da agricultura, do saneamento, da construção habitacional e, mais especificamente, no caso do crédito do BNDES, do investimento em máquinas, equipamentos e instalações produtivas. Todos reconhecem que essa política foi fundamental para a rápida recuperação da economia brasileira diante da crise financeira internacional. Mas, além disso, deve-se sublinhar que a expansão do crédito direcionado contribui também para o ajustamento mais rápido e perene entre a demanda e a oferta agregadas ao tornar o custo financeiro do investimento mais independente da política monetária. O efeito do aumento da Selic, ao ser canalizado pelo crédito livre, pode ser empregado para ajustar os gastos em bens de consumo, cujos preços formam o IPCA, enquanto o crédito direcionado, ofertado em condições estáveis, contribui para a manutenção do nível dos investimentos. Dessa forma, a expansão do crédito direcionado, neste momento de incerteza, impulsiona a economia brasileira rumo ao crescimento acelerado e não inflacionário. Antonio José Alves Junior é professor do Departamento de Economia da UFRuralRJ e Chefe do Departamento de Relações com o Governo do BNDES

7 O Estado de S.Paulo - 19/08/2010 A brincadeira do PIB chinês Alberto Tamer Saiu o PIB da China no segundo trimestre. Passou o Japão e agora é a segunda economia mundial. Não é que a China cresceu mais, foi o Japão que cresceu menos. Mesmo assim, a diferença entre ambos é simbólica. China US$ 1,33 trilhão, Japão, US$ 1,28 trilhão. Mas nada disso é importante, mesmo porque a diferença entre a segunda economia mundial em relação à primeira - os US$ 14 trilhões dos Estados Unidos - é imensa. A China representa hoje 2,4% do PIB mundial e os Estados Unidos, 24,6%. Não há razão para tanta festa. O que importa é que a China vem mantendo esse ritmo de crescimento mesmo com recessão mundial. Avança menos, mas continua avançando 9% enquanto os outros ainda não reagem. Tudo mais, comparações com o PIB do Japão, da Alemanha, é puro marketing. Bem aproveitado pelo governo chinês que acordou e está iniciando um belo trabalho de relações públicas no cenário internacional. Mas vai passar os EUA! Essa é outra armadilha estatística (resisti muito à palavra brincadeira) Exercícios de futurologia nos quais até alguns economistas do FMI caíram. Em 2030, o PIB da China será maior que o dos EUA e da União Europeia! A coluna entrou nesse jogo estatístico e chegou à conclusão que se os EUA crescerem 2% o ano e a China mantiver o ritmo atual, de 10%, em 31 anos... Brincadeira por quê? Simplesmente porque o crescimento da China depende do crescimento das exportações para os EUA e a UE seus principais mercados. No primeiro semestre, as exportações da China para o mercado mundial aumentaram em 35% e as importações 52%. Principal mercado, EUA, US$ 290 bilhões. Ou seja, 25% das exportações chinesas! A mesma proporção com os 27 países da UE. É um número menos representativo, certo, pois teríamos de levar em conta também as importações. Mas, mesmo assim confirma que o crescimento da China no ritmo atual ainda está diretamente ligado ao crescimento do mercado e da economia mundial. O socorro do governo. Isso ficou comprovado no ano passado, quando a recessão afetou o fluxo comercial e só foi superada pela China com um vigoroso pacote de estímulo fiscal de US$ 600 bilhões. Representou cerca de 12% do PIB desse ano. Mesmo assim, o mercado interno contribuiu com apenas 8,7% do crescimento do PIB em Antes da crise, representava 12%. Não dá para repetir a dose? Não, pelo menos na mesma proporção. O governo começou a criar nos últimos dois anos um novo modelo de economia voltado para o mercado, com o potencial de pelo menos 500 milhões de novos consumidores. Pelo menos 10 milhões migram por ano para as cidades, mas com as repercussões da crise mundial sobre a ocupação da mão de obra, grande parte está voltando para suas cidades. Há crédito demais, que beneficiou muito o setor imobiliário. No ano passado, a alta nas bolsas passou de 80%, o mercado imobiliário cresceu mais de 40% em área construída e cerca de 80% em valor por metro quadrado. O governo chinês vem aplicando com êxito a terceirização de parte da produção em países vizinhos, a custos menores. Há ainda a vantagem de obter matéria-prima nos países africanos e, agora, também de olho no Brasil. E o tal segundo lugar? Isso não tem importância. O que importa é que a China continue crescendo no ritmo atual, que seu PIB dobre em alguns anos, que importe mais. Sem isso, a recuperação da economia mundial continuará ameaçada. Não se pode contar com

8 os outros emergentes - Brasil, Índia. Pesam pouco no mercado mundial. O que pesa são os mais de 500 milhões de chineses que ainda não consomem o que o mundo precisa produzir. Tema para próximas colunas. Tudo mais, essa história de passar o Japão é simples brincadeira estatística Estadão Online 18/08/2010 Títulos japoneses Paul Krugman Houve um momento no fim do ano passado em que a administração Obama poderia ter injetado uma ajuda muito mais significativa na economia, com uma chance razoável de conseguir algum resultado com isso. Mas a administração vacilou em grande parte, acredito, por acreditar nas advertências de que os invisíveis vigilantes de bônus estavam prestes a atacar. E houve muita falação na época sobre o Japão, que estava supostamente perdendo a confiança dos investidores. Como sempre, pura especulação foi noticiada como fato: Para investidores nervosos, o mar de dívida crescente do Japão é motivo para pesadelos: a possibilidade de uma eventual crise da dívida soberana, em que o país seria incapaz de pagar os detentores de seus títulos, ou um colapso desestabilizador do valor do iene. A única evidência oferecida foi um elevação súbita das taxas dos bônus de 10 anos para a apavorante cifra, acreditem, de 1,4%. Eis o que realmente ocorreu com esses rendimentos de lá para cá: Sim, a dívida japonesa de longo prazo está pagando hoje menos de 1%. Oh, e o spread dos CDS (Credit Debt Swap) é mais ou menos comparável ao de outros países do G-7, exceto a Itália.

9 Estamos diante de uma catástrofe em câmera lenta porque os formuladores de políticas públicas estavam com medo das coisas erradas Valor Econômico - 19/08/2010 Compassos e descompassos do BC Maria Clara R. M. do Prado Pode-se atribuir às incertezas naturais de anos de eleição as diferenças entre o fazer e o dizer do Banco Central A celeuma sobre o compasso ou o descompasso entre as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) e as informações divulgadas em atas e relatórios serve para colocar luz sobre alguns falsos dogmas relacionados com a política monetária. Primeiro, não há e nunca houve, em tempo algum, formas cravadas em pedra de gerenciamento da estabilidade da moeda. A administração monetária deve ter o único objetivo de manter a moeda protegida contra os efeitos da inflação. Como se sabe, nenhum Banco Central (BC) do mundo tem o poder de controlar todos os fatores que aumentam ou diminuem o comportamento dos preços na economia. Apenas tem sob sua responsabilidade direta a definição do nível da taxa de juros básica e, em alguns países, a tarefa de monitorar a política cambial. Ressalte-se: modalidades de instrumentais a serviço do gerenciamento monetário - como metas de inflação, limites em agregados monetários, fixação do câmbio, sua livre flutuação ou o meio termo das bandas cambiais - variam ao longo do tempo, ao sabor de decisões econômicas maiores. Por exemplo, o recurso à meta de inflação com vistas à estabilidade monetária jamais faria sentido em uma economia fechada e, menos ainda, se o mundo não estivesse globalizado. Segundo, por não ser estática, monolítica, nem cravada em pedra, não há administração monetária, em nenhuma parte do planeta, que esteja totalmente imune aos efeitos do que acontece no contexto mais amplo do mundo da política. Deste, fazendo parte o governo, as instituições que sustentam o Estado e os rituais democráticos que garantem a alternância de partidos e políticos no poder. Portanto, é falsa a noção de que a política monetária é algo que se esgota em si mesma. E, tão falso quanto, os discursos que glorificam a adoção deste ou daquele instrumental de política monetária sem considerar meios, condições e épocas que os justifiquem. Por isso mesmo, não há, entre as várias e diferentes formas de administração monetária até aqui testadas, uma que seja tão permeável aos fatos econômicos, sociais e políticos do que o regime de metas de inflação. E há um bom motivo para isso. É que funciona em sua essência com a administração de expectativas. O Banco Central define a taxa de juros, para dada projeção de câmbio, com os olhos mirando na taxa de inflação que quer alcançar dentro de um ou dois anos. O regime de meta de inflação pressupõe que o BC atue no sentido de induzir a sociedade a se comportar em linha com o objetivo da estabilidade. Portanto, de nada valeria ao regime se esse "enxergar adiante" ficasse enclausurado dentro das paredes dos gabinetes dos diretores do BC. Ora, se a estabilidade de preços é pretensamente garantida pela perseguição a uma meta de inflação e se isso, para dar certo, depende do comportamento de políticos, donas de casa, trabalhadores em geral, empresários, etc...,

10 parece claro que períodos de campanha eleitoral são justamente aqueles em que se está mais sujeito a ruídos e até mesmo a estrondos. Pode-se, portanto, atribuir às incertezas naturais que alimentam as expectativas em anos de eleição o descompasso entre o fazer e o dizer do BC e, deste, com as projeções de acadêmicos e analistas do mercado. O aumento de 0,50% na taxa Selic em julho, em desalinho com 0,75% esperado pelo mercado, representou um ruído no regime de meta de inflação. Mas já houve ocasião de total desalinhamento. Em meados do ano eleitoral de 2002, o BC baixou a taxa Selic sem sequer desconfiar que colocou o país em uma cilada. A especulação alimentada pela difusão de expectativas ruins - diante da hipótese de Lula vencer o pleito - custaram alto preço em perda de divisas e inflação. Estrondos como aquele não tendem a se repetir porque o país tem avançado em termos de estabilidade política. É a prova de que a função do administrador monetário resulta melhor, quando tudo o mais caminha melhor. Mas isso não deve servir de consolo ao BC. Sobre ele repousa, inequivocamente, ontem, hoje e sempre, a responsabilidade pela capacidade de entender o significado dos indicadores econômicos, de suas conjugações e as possibilidades que dali apontam para o futuro. Homenagem - Faço aqui um parêntesis para render tributo ao economista Dionísio Dias Carneiro, falecido em 29 de julho. Não tive a sorte de Edmar Bacha (ver coluna de ontem, pág. A12) e de outras pessoas que conviveram com Dionísio. Não fui sua aluna. Nunca trabalhamos juntos. Poucas vezes nos encontramos. Mas não é menor o respeito que sempre senti pela lucidez e pela integridade com que Dionísio analisava as questões econômicas. Sem nunca ter trabalhado no Banco Central, era, entre poucos, um dos que mais entendia de política monetária e de sua relação com o mundo. Não precisou de cargos públicos para se projetar. A dedicação ao estudo, desprendida de preconceitos acadêmicos, guiou a trajetória deste que pode ser considerado um grande economista. Maria Clara R. M. do Prado, jornalista, é sócia diretora da Cin - Comunicação Inteligente O Globo - 19/08/2010 Prometem cidadãos, entregam maus alunos Carlos Alberto Sardenberg Há algum tempo, em visita ao Brasil, um diretor do Ministério da Educação da China alinhava as razões pelas quais seu país logo seria a segunda potência econômica do mundo. Além dos motivos clássicos - rápido crescimento, elevado nível de poupança e investimento, muita pesquisa em novas tecnologias, escola de qualidade - acrescentou um que chamou a atenção: na China, dizia, com orgulho, há 300 milhões de jovens estudando inglês, bom inglês. E isso é igual à população dos Estados Unidos, onde nem todo mundo fala inglês, acrescentava, com satisfeita ironia. Quantos jovens estudam inglês a sério no Brasil? E quantos nas escolas públicas? Em compensação, nos últimos três anos, conforme leis aprovadas no Congresso, os alunos do ensino básico brasileiro passaram a ter aulas de filosofia, sociologia, artes, música, cultura afro-brasileira e indígena, direitos das crianças, adolescentes e idosos, educação para o trânsito e meio ambiente.

11 Como não aumentaram o número de horas/aula nem o número de dias letivos, é óbvio que o novo currículo reduz as horas dedicadas a essas coisas banais como português, matemática e ciências. Vamos falar francamente: isto não tem o menor sentido. É um sinal eloquente de como estão erradas as agendas brasileiras. Dirão: mas nossas escolas precisam formar cidadãos conscientes, não apenas bons alunos. Está bem. Então vai aqui a sugestão: dedicar os sábados e talvez algumas manhãs de domingo para essa formação. Não há melhor maneira de conhecer a cultura indígena do que visitar aldeias, aos sábados, um passeio educativo. Artes plásticas? Nos museus e nas oficinas. Música? Que tal orquestras e bandas que ensaiariam aos sábados ou durante a semana depois das aulas? Meio ambiente? Visitas às florestas e parques. Consciência de trânsito? Um sábado acompanhando os funcionários pelas cidades. E assim por diante. Como aliás se faz nos países asiáticos, conhecidos pela qualidade de seu ensino. Mas é mais complicado, exige organização, um pouco mais de dinheiro, mais trabalho, especialmente nos fins de semana, e professores e instrutores mais qualificados e entusiasmados com as funções, obviamente com boa remuneração. Em vez disso, determina-se a inclusão de algumas aulas no currículo e está completa a enganação: ninguém vai aprender a sério nenhuma dessas "disciplinas do cidadão", assim como a maioria não aprende a contento português, matemática e ciências. Inglês então, nem se fala, porque aí tem um componente ideológico. É a língua do imperialismo. (Embora seja provável que dentro em pouco seja a língua do imperialismo chinês). Mas reparem que, quando se trata de estudar mesmo, nem essa ideologia esquerdolatina ajuda. Diz o pessoal: como estudar inglês se somos todos latino-americanos, bolivarianos e amamos Chávez? Vai daí que vamos ensinar o espanhol a sério? Já seria uma grande ajuda, mas esquece. Até já se disse que o espanhol seria obrigatório, mas não vingou. Talvez porque o espanhol seja a língua dos colonizadores? Não se espantem se alguma emenda mandar que todos aqui estudem as línguas dos índios. A sério: todos os testes, nacionais e internacionais, mostram que nossos alunos vão mal em português, matemática e ciências. Todos os estudos mostram que isso cria um enorme problema para as pessoas e para o país. Para as pessoas, porque não conseguem emprego numa economia da era do conhecimento. E para o país, porque, com uma mão de obra não qualificada, perde a batalha crucial dos nossos dias, a da produtividade tecnológica. Reparem: isso é sabido, provado e demonstrado. E fica por isso mesmo. Por isso mesmo, não. Tiram tempo de português para incluir uma rápida enganação de cultura afro. A agenda equivocada atravessa todo o ensino brasileiro. Nada contra as ciências sociais e as artes, mas, responda sinceramente, caro leitor, cara leitora, é normal, é razoável que a PUC-Rio tenha formado, no ano passado, 27 bacharéis em cinema, três físicos e dois matemáticos? É normal que, em 2008, as faculdades de todo o Brasil tenham formado físicos, matemáticos e modistas? Como comentou o cineasta e humanista João Moreira Salles, em evento recente da Rádio CBN, nem Hollywood tem emprego para

12 tantos cineastas quanto os que são formados por aqui. E sobre 128 cursos superiores de moda no Brasil: "Alimento o pesadelo de que, em alguns anos, os aviões não decolarão, mas todos nós seremos muito elegantes." Duvido. As escolas de moda precisariam ser eficientes, o que está longe da realidade. Na verdade, há aqui uma perversidade sem tamanho. As pessoas das classes mais pobres e os pais que não estudaram já estão convencidos que seus filhos não vão longe sem estudo. Tiram isso, com sabedoria, de sua própria experiência. E fazem um sacrifício danado para colocar os filhos nas escolas e levá-los até a faculdade, particular, paga, na maior parte dos casos. Quando conseguem, topam com a perversidade: os rapazes e as moças pegam o diploma superior, mas não estão prontos para o trabalho qualificado. Com o diploma, caro, guardado em casa, fazem concurso para gari, por exemplo. Uma injustiça com as famílias pobres, um custo enorme para o país e a desmoralização do estudo. Se tivessem planejado algo para atrasar o país, não teriam conseguido tanto êxito. CARLOS ALBERTO SARDENBERG é jornalista Valor Econômico - 19/08/2010 Uma decisão que dará o perfil do gasto Ribamar Oliveira Até dezembro, o presidente eleito terá que definir a nova política para o salário mínimo Uma decisão que deverá ser tomada pelo futuro presidente da República antes mesmo de assumir o cargo poderá definir o perfil da política fiscal dos próximos anos. Até dezembro, o presidente eleito terá que definir a nova política para o salário mínimo. Isto porque a lei de diretrizes orçamentárias (LDO) não fixou o valor do mínimo que entrará em vigor a partir de janeiro de Apenas determinou que a política de aumento real do piso salarial será definida pelo governo em articulação com as centrais sindicais. Como entrará em vigor no dia da posse, o valor do piso salarial para 2011 terá que ser fixado por medida provisória a ser assinada pelo presidente Lula. Parece razoável acreditar que uma decisão dessa natureza será tomada por Lula depois de ouvir o novo mandatário, mesmo porque as despesas decorrentes desta decisão serão pagas por aquele que ocupará o Palácio do Planalto nos próximos quatro anos. A proposta orçamentária que será encaminhada pelo Ministério do Planejamento ao Congresso no próximo dia 31 de agosto terá um valor para o piso salarial apenas com a correção da inflação (medida pelo INPC) do período, sem aumento real. O relator da LDO, senador Tião Viana (PT-AC), chegou a anunciar que o mínimo em 2011 seria de R$ 550, o que representaria um aumento nominal de 7,8%. O governo achou o valor elevado demais para caber no orçamento do ano que vem, principalmente depois que o senador Paulo Paim (PT-RS) e o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) tentaram incluir na LDO um aumento real também para os aposentados que ganham mais do que

13 o piso salarial. Para evitar esse novo gasto, o líder do PT na Comissão Mista de Orçamento do Congresso, deputado Gilmar Machado (MG) propôs uma redação genérica sobre o aumento real do mínimo e das aposentadorias, condicionando a decisão às negociações com as centrais sindicais. Na verdade, se a regra de reajuste do salário mínimo que valeu para todo o segundo mandato do presidente Lula fosse utilizada, o salário mínimo não teria aumento real em A regra, negociada por Lula com as centrais sindicais, previa que o piso teria um aumento real igual ao crescimento real da economia de dois anos antes. Como em 2009, o Produto Interno Bruto PIB) brasileiro registrou uma queda real de 0,2%, segundo o IBGE, o aumento real do mínimo seria de zero em O senador Tião Viana propôs nova fórmula, que previa um aumento real para o mínimo igual à média do crescimento real da economia de 2008 e 2009, que não foi aprovada. A nova regra será definida, portanto, em negociação com as centrais. É preciso observar que, em 2007, o presidente Lula comprometeu-se com uma política de valorização do salário mínimo até Lula definiu também que haveria uma avaliação da política executada até agora. Tudo indica que o principal ponto dessa avaliação será saber se o ritmo da recuperação do salário mínimo que predominou durante o governo Lula será mantido no próximo governo. De acordo com o DIEESE, o aumento real do salário mínimo de 2003 a 2010 foi de 53,67%, com ritmo mais acelerado durante o segundo mandato do presidente Lula, como mostra a tabela abaixo. Essa trajetória de recuperação do salário mínimo modulou o perfil do gasto público durante o governo Lula, em que as transferências de renda para as famílias absorveram uma parcela substancial do crescimento da arrecadação do governo federal no período. O aumento do piso salarial tem um forte impacto sobre o gasto público, pois repercute sobre as despesas da Previdência Social e dos programas de assistência social, que têm o salário mínimo como referência. Dados do Ministério da Fazenda mostram que as transferências de renda para as famílias cresceram 2,4 pontos percentuais do PIB de 2003 a O aumento foi maior pois nesse cálculo a Fazenda não incluiu os benefícios previdenciários para os servidores públicos federais. As despesas com os benefícios previdenciários do regime geral, mais conhecido como INSS, aumentaram 1,18 pontos percentuais do PIB no mesmo período. Os benefícios assistenciais (Loas e renda mensal vitalícia) subiram 0,6 ponto percentual do PIB, o abono e seguro desemprego subiram 0,3 ponto percentual e o Bolsa família, 0,3 ponto percentual. As demais despesas do governo, incluindo educação e saúde, subiram muito pouco, em proporção do PIB. Ou seja, a marca do governo Lula foi a transferência de renda às famílias. Ao definir a política de recuperação do salário mínimo que valerá para os próximos quatros anos, o futuro presidente decidirá se a marca de seu governo continuará sendo a transferência de renda às famílias ou se a prioridade passará a ser educação, saúde e investimento público. Tudo indica que, qualquer que seja o futuro presidente, o ritmo de recuperação do mínimo será reduzido. Ribamar Oliveira é repórter especial e escreve às quintas-feiras

14 O Estado de S.Paulo - 19/08/2010 "É a economia, idiota!" Celso Ming Os analistas políticos dedicam-se agora a buscar as razões para o surpreendente mau desempenho do candidato da oposição, José Serra, nas pesquisas de intenção de voto. As avaliações se sucedem. Focam a demora fatal do candidato na formação de alianças, especialmente nos Estados; ou, então, o menosprezo inicial dedicado à candidatura de Dilma Rousseff, considerada "o poste" à espera de transferência de votos do chefe; os sucessivos descarrilamentos na escolha do vice; a excessiva centralização das decisões de campanha; e, até mesmo, os seguidos atrasos no atendimento a compromissos que deixam os outros esperando horas a fio. Essas razões e outras mais da mesma natureza não ajudam a empurrar o candidato. No entanto, é preciso encontrar explicação mais satisfatória em outro departamento, principalmente no comportamento da economia e seus efeitos sobre a vida do eleitor. O presidente Lula fez lá suas bobagens, mas nenhuma chegou a ser tão grande a ponto de comprometer irremediavelmente o desempenho da economia. Depois do vacilo que proveio dos tempos em que o PT pregava "a ruptura com o modelo neoliberal praticado por FHC"e após as denúncias insistentes da "herança maldita", o governo Lula se dedicou a manter e, até mesmo, a incrementar o tripé que construiu o edifício econômico pós Plano Real: observância (até 2008) do superávit primário de 3,8% do PIB; sistema de metas de inflação e câmbio flutuante. O aprofundamento da previsibilidade da economia que daí proveio desembocou no relativo controle da inflação, na valorização do poder aquisitivo do trabalhador, na expansão da massa salarial, no avanço do crédito e do consumo, no aumento do investimento, na redução da economia informal, no crescimento do emprego e no desenvolvimento de políticas de assistência social. As pessoas mais simples não conseguem recompor todas as relações de causa e efeito, mas mantêm a percepção de que a vida melhorou. Essa sensação de um presente confortável e de um futuro provavelmente melhor é compartilhada por todas as camadas de poder aquisitivo e se reflete positivamente para o governo nas manifestações de intenção de voto. Em 1992, quando disputou com o então presidente George Bush (pai) a Presidência da República dos Estados Unidos, o candidato do Partido Democrata, Bill Clinton, adotou um slogan intrigante engendrado pelos seus marqueteiros: "É a economia, idiota!" Foi a frase que, na época, sintetizou o desconforto geral com o desempenho sofrível da economia e de seu impacto sobre a vida do cidadão comum americano. Por motivos opostos, a atual campanha eleitoral do Brasil começa produzindo efeito semelhante. É a população que espontaneamente manifesta sua relativa satisfação com os resultados da política econômica adotada desde os tempos da administração Fernando Henrique. E esse parece ser o fator mais importante que até aqui vinha sendo ignorado pela oposição. Serra também não perdia oportunidade para proclamar que estava tudo errado na economia: é o sucateamento da indústria, o câmbio fora do lugar e os juros escorchantes

15 impostos por um Banco Central com perfil de "Santa Sé". Fica mesmo difícil mudar esse discurso e sustentar que basta que ele chegue ao governo para tudo melhorar. Em alta Aí você tem a trajetória dos preços das commodities a partir de um dos mais importantes índices internacionais, o CRB. A economia dos países ricos continua patinando e, no entanto, a demanda por commodities vai puxando os preços para cima. Demanda asiática Por trás desse rali está o avanço da economia asiática (e não só da China). É mais ou menos generalizada a percepção de que os preços continuarão cavalgando nos próximos 12 meses, especialmente dos alimentos: trigo, soja, milho e açúcar Correio Braziliense - 19/08/2010 A euforia no fim Antônio Machado Simulações mostram PIB já crescendo no patamar de 4% anual, com a indústria perdendo gás Na fotografia instantânea da situação brasileira, tudo é alegria, paz e crescimento. Na leitura mais para adiante, começa a surgir algum desconforto quanto à continuidade do ritmo do crescimento, especialmente da indústria. A perda de pique da produção é fato. Tal movimento não está corroborado pelo movimento do comércio e do crédito. Mas seria questão de tempo. O momento está mais para observação que para tendências acachapantes, razão de até o Banco Central passar a recomendar cautela com os cenários de inflação. A se confirmar um quadro de desaceleração da economia maior que o projetado pelo aumento da Selic a partir de abril, que a rigor não produziu ainda efeito real sobre a demanda, afora o de influenciar as expectativas de esfriamento da atividade para 2011, muita coisa deve mudar e não apenas quanto à extensão do arrocho dos juros. No mercado financeiro, haverá perdas para quem apostava em Selic a 12% ou mais até dezembro ou começo de 2011 (está hoje a 10,75%), com repercussões sobre as posições a termo formadas com ingressos externos, o chamado cupom cambial. E também nas operações de CDI (Certificados de Depósito Interfinanceiro) instrumento baseado na Selic e negociado pelos bancos na troca de excedentes de caixa, além de funcionar como indexador de aplicações financeiras. Tais impactos, segundo Sidnei Nehme, da corretora NGO, explicam porque não cessam as vozes contrárias à possibilidade de o Copom interromper os aumentos da Selic. Muitas análises por aí expressam mais razões do bolso que o sentimento sobre a conjuntura. Na economia, implicará alguma revisão sobre as causas da retomada rápida do crescimento após o mergulho recessivo entre setembro de 2008 e meados do segundo semestre de 2009, refletindo-se sobre as confabulações em torno dos ajustes da política

16 econômica a partir de outubro. No arraial de Dilma Rousseff, as discussões já estão a toda, precipitadas pela sua ascensão nas pesquisas eleitorais. Fato é que está difícil saber o que move a economia brasileira hoje em dia, como diz o economista Gray Newman, diretor de estudos para a América Latina, em Nova York, do Banco Morgan Stanley. Não é diferente a angústia sobre para onde vai a economia global. A visão continua sendo absolutamente de curto prazo e as reações decorrem de fatores pontuais, diz Nehme. O humor é mutante, já que não há tendência, se os indicadores e resultados econômicos se revelam díspares entre si. O que se constata é que os desacertos nos EUA, Europa e Japão continuam graves, China tem problemas nada simples, e a questão é como o Brasil se insere nesse rolo. A produção estagnada Newman, do Morgan Stanley, resume a perplexidade. De um lado, há os indicadores de produção industrial e as medidas antecedentes do Produto Interno Bruto (PIB) calculado pelo BC sugerindo estagnação da atividade econômica no segundo trimestre. De outro, as empresas listadas em bolsas vieram com fortes lucros no trimestre. Talvez mais importante, os indicadores de muitas empresas projetam outro semestre novamente muito forte, diz. Por que essa contradição? Primeiro, diz Newman, tais resultados contam um momento que já se foi. No encadeamento mês a mês da indústria, a produção caiu 0,8% em abril, 0,2% em maio e 1% em junho. Na variação do PIB simulado pelo BC como prévia da medida trimestral do IBGE, houve queda de 0,1% em maio sobre abril e modesto crescimento de 0,2% em junho. De volta ao ramerrão Noutra medida similar do PIB feita pela área econômica do Itaú, a economia recuou 0,6% em junho sobre maio. E, no 2º trimestre, deve ter crescido 0,6% sobre o período anterior e 7,8% frente a Para o ano inteiro, graças à forte expansão do último trimestre de 2009 até o 1º de 2010, o crescimento do PIB estará entre 6% e 7%, segundo o consenso das previsões. Mas em base corrente, neste semestre, a economia já está de volta ao ritmo de expansão de 4% ao ano, segundo Gray Newman, parte pelo cenário do Morgan Stanley em que o crescimento meia boca dos países avançados repercute sobre o mundo emergente, contrariando outra vez a tese do descolamento será antecipado Na projeção do Itaú, a economia cedeu, mas já estaria em retomada mais forte, puxada pelo emprego, confiança elevada, investimentos e crédito em alta. Newman considera tais dados e admite que possa estar errado. Mas é menos otimista. A surpresa do crescimento de volta à taxa de 5% a 6% dos últimos anos, diz, pode ser desafiada por mais pressão inflacionária e desequilíbrios significativos das contas externas. Definitivamente, 2011 está começando mais cedo. Entendendo a retomada A reflexão do economista do Morgan Stanley sobre o que provocou o surto de superaquecimento do consumo no início do ano é questão a ser aprofundada. O consenso

17 é que os descontos de IPI e o crédito facilitado tiraram a economia da crise. Em seu entender, foi isso, mas não explica plenamente porque a taxa de crescimento anualizada de 11% no começo do ano desabou para perto do zero. A resposta estaria na recomposição de estoques pelas empresas, na partida, e o seu oposto, na mão contrária, devido a receios com as expectativas sobre a economia global. Tal hipótese reduz o peso do mercado interno na recuperação. Se confirmada, é preocupante. Ela adiciona riscos, caso a slowdown da economia global se acentue O Globo - 19/08/2010 Na era digital Míriam Leitão No tempo das mídias sociais, a sua audiência tem audiência, e isso pode ir ao infinito, explicou o especialista e escritor Brian Solis no Congresso Digital Age 2.0. Ou seja, os que te seguem no Twitter são seguidos por outros. "Quem está tuitando agora?", perguntou Brian e recebeu respostas majoritárias do plenário. Ao fim da palestra dele, me isolei para ver na web o debate dos presidenciáveis. No meio do debate da Folha Uol, o jornalista Fernando Rodrigues informou que aquele era o assunto mais falado na internet no mundo, naquele instante. Ou seja, o hashtag #debatefolhauol era o primeiro na lista mundial. Entre as pessoas que sigo, uma jornalista portuguesa informou que o Brasil está usando a internet no seu Censo Enquanto ouvia o debate, expliquei para ela como funcionava o censo brasileiro. Há quem considere que todo esse mundo é para um grupo pequeno de histéricos dependentes de novidades tecnológicas e há quem veja nisso o presente do futuro. Sou do segundo grupo. Quanto um bom debate virtual influencia uma eleição? Isso será respondido depois, mas a ideia de Solis ajuda a alargar a visão. Não são apenas tuiteiros mandando informações para seus seguidores, mas para pessoas que seguem e são seguidas, que conversam com você, seu público e o público deles. Que depois vão trocar impressões com quem nem se dá ao trabalho de acessar alguém ou algum site. A tribo digital e a tribo analógica vão trocar impressões, com uma influenciando a outra, na mesa do jantar, nos bares, nas conversas cotidianas. A jornalista Cora Ronai disse, numa entrevista recente, que Twitter é todo mundo numa praça gritando. Imaginei uma enorme Ágora do século XXI, em que todos podem ter direito a palavra. Mundo novo. Velhas questões em debate: investimento público, falta de saneamento, os votos do PT contra tudo e todos, o ensino profissionalizante, alianças com políticos obsoletos e reformas não feitas. A pergunta que sempre fica no ar: quem ganhou o debate? A resposta será sempre subjetiva, cada um deve ficar com a sua avaliação. Acho mais estimulante ressaltar o que houve de novo no debate. Os candidatos estavam mais à vontade do que na televisão. Foram mais parecidos com eles mesmos, e disseram algumas verdades. Dado o controle asfixiante dos marqueteiros sobre a fala dos candidatos, momentos breves de sinceridade devem ser comemorados. José Serra e Dilma Rousseff trocaram mais farpas do que nunca. Serra acusou o PT de ser o campeão do "quanto pior, melhor", e lembrou os votos do PT: votou contra Tancredo Neves, expulsou quem votou a favor, votou contra a Constituinte, o Plano Real,

18 a Lei de Responsabilidade Fiscal, o saneamento dos bancos, o Fundef, as OS. Dilma respondeu: - Reconhecemos que votamos errado. Pois é. Isso até seria mérito, se não fosse o fato de que votaram errado durante quase duas décadas. Serra atacou os vazamentos de informações do Enem. Dilma respondeu que até nos Estados Unidos, na guerra do Afeganistão, houve vazamentos. - Esses dados cadastrais, 31 instituições têm acesso - disse Dilma reagindo à acusação de que o fato tenha desmoralizado o Enem. Nesse ataque inicial, Dilma foi vingada por Marina, que atacou Serra em dois pontos difíceis de responder: - Ontem, estive numa favela em São Paulo onde há esgoto a céu aberto e vivem 10 mil pessoas - disse. Antes, Marina havia criticado dados educacionais de São Paulo, perguntando se aquilo era o melhor que o PSDB podia apresentar depois de governar o estado por 16 anos. Dilma perguntou a Marina sua opinião sobre a ampliação da internet. Ela deu resposta genérica e Dilma aproveitou para elogiar o governo no Programa Nacional de Banda Larga (PNBL). Marina poderia ter perguntado por que oito anos não foram suficientes para usar o dinheiro, que foi deixado no cofre pelo governo anterior, para um programa de universalização dos serviços de telecomunicações. Marina acusou Serra e Dilma de serem iguais, nas qualidades e nos defeitos. Qualidades: bons gerentes; defeitos: pensamento econômico desatualizado. Uma grande tacada dela: "Estão querendo infantilizar os brasileiros com essa história de mãe e pai." Esse é o tipo de frase que se estivesse no Twitter, eu retuitaria. Dilma disse de forma dura, e não foi respondida, que havia no governo Fernando Henrique na área de saneamento o que ela chamou de "fila burra". Uma empresa que estivesse sem documentação necessária para um projeto de financiamento não era substituída pela segunda da fila. Tudo ficava paralisado. Marta Suplicy, entrevistada no intervalo, disse que ficou ruim para Serra o tom duro contra Dilma: "ela é mulher, não deve ser atacada assim." Para uma feminista, essa explicação é meio ridícula. Aquele era um debate de iguais. Mauro Paulino, do Datafolha, entrevistado no intervalo, disse que a maior probabilidade continua sendo de vitória de Dilma Rousseff, mas lembrou que a campanha está começando. Se Brian Solis, com todo o seu conhecimento de mundo digital, tiver razão, o que foi dito lá foi além dos que acompanhavam tudo pela web, porque hoje a audiência de cada jornalista, blogueiro, tuiteiro, internauta tem sua própria audiência. A informação se espalha de forma viral. De noite, Serra e Marina foram para um debate com diretores de recursos humanos de empresas de todo o Brasil. Três mil inscritos no congresso da ABRH. Dilma não foi. Foi um encontro do mundo físico

19 Folha de S.Paulo - 19/08/2010 Para onde vai o dinheiro grosso Vinicius Torres Freire OS NEGÓCIOS COM recursos naturais, commodities, estão em fase de mania de novo. Não tanto no que diz respeito à especulação com o preço dos produtos, como em meados de 2008, logo antes da explosão final da crise. Mas, sim, nas operações de fusões e aquisições de empresas. O dinheiro envolvido nos negócios de fusões e aquisições (F&A) nunca foi tão grande no Brasil como no primeiro semestre deste 2010: R$ 84,8 bilhões. O balanço foi divulgado ontem pela Anbima, a Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais. Em valores, a maior parte das operações ocorreu no setor do agronegócio (23,8%). Depois vêm metalurgia e siderurgia (20,2%) e química e petroquímica (16,8%), também ligadas ao setor de recursos naturais, esteio da economia brasileira. O dinheiro grosso corre para aquilo que certa corrente de economistas, desde as polêmicas sobre industrialização, nos anos , insiste ser a "vocação manifesta" da economia do país: recursos naturais. Na verdade, tal vocação aflora, submerge ou ressuscita de acordo com as andanças da economia mundial, cujo vetor agora é a China. Mas, goste-se ou não, o dinheiro de investimentos, exportações ou fusões cresce no setor de commodities, derivados e agregados. Note-se de passagem que a maior parte do total do dinheiro envolvido nessas transações (67,6%) veio de empresas brasileiras, que compraram estrangeiras (46,6%) ou outras empresas nacionais (21%). Cresce de maneira significativa a participação de empresas asiáticas no bolo de dinheiro usado na compra de firmas brasileiras, informa a Anbima. As ações da siderúrgica US Steel subiram ontem com os boatos de que a indiana ArcelorMittal pretende comprá-la. Também ontem, uma das três maiores mineradoras do mundo e concorrente da brasileira Vale, a australiana BHP, reafirmou sua proposta de compra da canadense Potash, a maior do mundo na fabricação de fertilizantes. A oferta é agora hostil, um negócio de quase US$ 39 bilhões (R$ 68 bilhões) e que pode ficar ainda maior. Segundo cálculos da agência de notícias e serviços para a finança Bloomberg, baseados em seu banco de dados, os negócios de fusões e aquisições deste ano no setor de commodities podem superar o recorde de No ano seguinte, pouco antes da crise, os preços de recursos naturais iriam à Lua. Já são US$ 362 bilhões (R$ 637 bilhões) em F&A, ante os US$ 576 bilhões (R$ 1 trilhão) de 2007, cerca de 28% do total do dinheiro empregado em aquisições pelo mundo. Nos últimos dez anos, a participação média de commodities e químicos nesses negócios era a metade da registrada até agora neste ano. Os preços de recursos naturais e bens mais diretamente derivados voltaram a subir depois do colapso de 2009, em particular devido à China e a "emergentes". O dinheiro para financiar as aquisições está barato, os juros estão muito baixos devido ao colapso das finanças dos países centrais do Ocidente, EUA e eurozona. As grandes empresas podem crescer gastando menos -em vez de "crescimento orgânico", por meio de novos empreendimentos, preferem abocanhar concorrentes.

20 No Brasil, o BNDES dá uma mãozinha às empresas nacionais. No mundo inteiro, é hora de cartéis e oligopólios de recursos naturais Valor Econômico - 19/08/2010 Proteção ou aposta na compra de NTN-B? Eduardo Campos Mercado vê aumento de demanda por títulos ligados à inflação, mas não há consenso sobre a causa desse movimento O recente aumento na demanda por títulos atrelados a inflação levantou algumas teorias. Uma delas sugere que, embora o mercado compre o cenário traçado pelo Banco Central (BC) de inflação convergindo à meta e juros menores, não deixa de fazer algum seguro contra uma possível alta nos preços no futuro. O sinal disso, segundo o analista econômico da Mercatto Investimento, Gabriel Goulart, é que os agentes apostam em Selic mais baixa via mercado de juros futuros (Depósito Interfinanceiro), mas buscam algum tipo de proteção comprando Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), título atrelado ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o especialista, o raciocínio do investidor, nesse caso, é o seguinte: juro menor resulta em crescimento maior, o que eleva o risco de inflação mais à frente. Tal preocupação também ganha algum respaldo no calendário eleitoral. Afinal, não se sabe que tipo de gestão fiscal e monetária o país terá a partir de O vice-presidente de tesouraria do banco WestLB, Ures Folchini, não descarta completamente que esse aumento na demanda por NTN-B tenha caráter de proteção contra uma disparada na inflação. Afinal, o Banco Central é reacionário a um ciclo de alta de preços, então o investidor está protegido. No entanto, pondera o especialista, essa compra de NTN-B também pode ser vista como um sinal de aposta em um Brasil que está melhorando, com juros reais cada vez menores. Então, esse agente tenta aproveitar o ganho que o papel ainda oferece, considerando o cupom mais a variação da inflação. Com avaliação diferente, o trader de renda fixa e câmbio do Banco Modal, Luiz Eduardo Portella, não acredita que o mercado esteja mostrando algum tipo de preocupação com a inflação. Sinal claro disso é o comportamento dos contratos de juros futuros, que continuam caindo de forma acentuada na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). "A curva longa segue perdendo prêmio de risco. Isso não é sinal de um mercado que acredita que o BC vá errar." Ainda de acordo com o especialista, o mercado começa a mostrar que o ciclo de alta de juros já foi de fato encerrado e que o BC não estaria muito disposto a elevar a Selic em 2011.

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