Produção de conhecimento: uma característica das sociedades humanas

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1 1 Produção de conhecimento: uma característica das sociedades humanas Os seres humanos sempre buscaram formas de compreender os fenômenos que ocorrem em seu dia a dia, de modo a procurar soluções para os problemas existentes. A partir do século XVIII, com a contestação às explicações religiosas que até então garantiam a aceitação do poder dos monarcas e da instituição da servidão, passou-se a considerar os fenômenos sociais como produtos da ação humana e a reconhecer a possibilidade de transformação social. As Revoluções Industrial e Francesa foram marcos históricos, que acarretaram mudanças nos campos político e econômico, contribuindo para a transformação das sociedades ocidentais em objeto de investigações científicas. O conhecimento científico propõe formas de análise da realidade social que vêm se somar a outras formas de conhecimento mais antigas, como a religião e a Filosofia. A Sociologia, diferentemente da religião e da Filosofia, pretende estudar os conflitos, as permanências e as transformações das sociedades modernas e contemporâneas por meio da aplicação de métodos científicos.

2 2 Conhecimento científico, religioso e filosófico Todos somos capazes de produzir conhecimento, mas existem diferenças na forma como esse conhecimento é produzido. Conhecimento científico: baseado em métodos rigorosos de investigação, caracteriza-se por ser passível de crítica, correção e refutação, podendo absorver inovações e expandir permanentemente sua área de atuação. Conhecimento religioso: sustenta-se na crença em uma realidade exterior ao mundo, transcendente, que influencia a percepção e a explicação da realidade social. Conhecimento filosófico: busca a compreensão do significado e da origem das coisas valendo-se do pensamento racional e lógico, porém sem a preocupação de validar cientificamente o conhecimento que produz. Embora muitos defendam a aproximação entre essas formas de conhecimento, explicações religiosas, filosóficas e científicas podem apresentar leituras divergentes sobre um mesmo fenômeno.

3 3 Ciência e senso comum: opostos ou complementares? O senso comum é um conhecimento baseado na experiência e naquilo que nos é transmitido nas relações cotidianas, manifestando-se nas opiniões, ideias e concepções que prevalecem em determinado contexto social. BiBlioteca NacioNal da FraNça, Paris O conhecimento científico busca explicar os fenômenos naturais e sociais por meio da aplicação rigorosa de um método de investigação. Há uma linha de pensamento que considera a ciência como um conhecimento neutro e racional, hierarquicamente superior ao senso comum (que seria necessariamente irracional e acrítico). Esta perspectiva pode ser associada à corrente de pensamento conhecida como Positivismo, segundo a qual a ciência seria o único conhecimento válido a ser produzido pela humanidade, e tem suas origens no Iluminismo, movimento que se baseou nas luzes da ciência para questionar as práticas obscuras do Antigo Regime. Por outro lado, há aqueles que consideram a ciência e o senso comum como conhecimentos complementares, defendendo uma aproximação entre ambos, de modo a tornar a primeiro cada vez mais crítica, e o segundo, mais acessível e inteligível a todos. Frontispício da Enciclopédia ou Dicionário Racional das Ciências, das Artes e das Profissões, organizada pelos filósofos iluministas Denis Diderot ( ) e Jean d Alembert ( ) e publicada em meados do século XVIII em Paris.

4 4 A contribuição da Sociologia para a interpretação da sociedade contemporânea Diferentes métodos desenvolvidos por cientistas sociais considerados clássicos têm servido de referência para as análises da sociedade até os dias atuais. São eles: 1 - Funcionalismo ou método comparativo: considera que um fenômeno social só existe porque tem uma função na sociedade, estando integrado a um sistema social por meio das instituições que fortalecem o sentido de coletividade. Autor de referência: Émile Durkheim. 2 - Método compreensivo: busca compreender os sentidos que o indivíduo dá à vida e às suas ações, orientando-se pela busca dos valores subjetivos que, partilhados, norteiam determinado grupo social. Autor de referência: Max Weber. 3 - Materialismo histórico e dialético: considera que na produção da vida material isto é, dos bens necessários à sobrevivência da sociedade são estabelecidas relações de exploração e dominação que têm reflexo nas esferas políticas e ideológicas de uma sociedade. Autor de referência: Karl Marx.

5 5 Métodos de investigação científica nas Ciências Sociais Existem duas abordagens principais para a pesquisa em Ciências Sociais: a pesquisa quantitativa e a qualitativa, que têm características distintas porém não excludentes: 1 - Pesquisa quantitativa: A partir da definição de uma amostra representativa do universo pesquisado, são feitas análises com base em dados numéricos, obtidos por meio da aplicação de questionários com perguntas objetivas. 2 - Pesquisa qualitativa: Requer um contato direto e pessoal entre o pesquisador e a população observada. Por meio desse convívio e interação, o pesquisador busca compreender as maneiras de agir e pensar do grupo, que são analisadas a partir das experiências e impressões vividas em um trabalho de campo.

6 6 A Sociologia e a interpretação da sociedade no século XXI Alguns exemplos de estudos desenvolvidos por sociólogos contemporâneos: Manuel Castells Zygmunt Bauman Octavio Ianni Luiz Antônio Machado da Silva Criou o conceito de sociedade em rede (ou sociedade informacional) ao analisar as mudanças geradas pelo intenso fluxo de informações que caracteriza as sociedades contemporâneas. Para esse sociólogo, o enfraquecimento da vida coletiva nas sociedades atuais e a opção pelas soluções individuais seriam indícios de uma perda de eficácia dos instrumentos de ação política criados na modernidade. Tendo como objeto de estudo a realidade brasileira, Ianni elaborou uma análise das contradições do sistema capitalista e seus desdobramentos políticos e sociais, como a relação entre Estado e capitalismo e o fenômeno da globalização. Observando diferentes aspectos da sociabilidade urbana brasileira desde 1970, Silva identificou uma nova maneira de interação, traduzida pelo conceito de sociabilidade violenta, articulada não apenas à criminalidade, mas também à segregação socioespacial.

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