LINHAS ORIENTADORAS DA ABORDAGEM METODOLÓGICA

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1 LINHAS ORIENTADORAS DA ABORDAGEM METODOLÓGICA Dezembro 2012 Número do Projeto: LLP ES-KA3-KA3MP Produto 2 Nível de divulgação: Público Em colaboração com

2 react reactivating teachers and learners TÍTULO: LINHAS ORIENTADORAS DA ABORDAGEM METODOLÓGICA Alcobaça-PORTUGAL Este manual/documento foi editado a 27 de dezembro de O trabalho LINHAS ORIENTADORAS DA ABORDAGEM METODOLÓGICA de react Project Team foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada. Se tem alguma pergunta relativa a esta publicação ou ao Projeto a que se refere: Tel ext.18 - Fax Projeto : react reactivating teachers and learners Lifelong Learning Programme KA3MP Número de projeto: LLP ES-KA3- Sitio web do projeto: Coordenação do Projeto: Amparo Ferrando(ES) com o apoio de Celia Ruíz(ES). Participantes: Kyriakos Dimitriou (GR), Elmo de Angelis (IT), Elvira Reitshammer (AT), Gerhild Lexl (AT), Wim Veen (NL), Pieter de Vries (NL), Thieme Hennis (NL), Anabela Luis (PT). Morada oficial: Conselleria de Educación Formación y Empleo - Avda. Campanar Valencia (España). Morada de contacto: CF-CRNFP - C/Ferrol s/n Polígono Industrial Fuente del Jarro Paterna (España). Este Projeto foi financiado com o apoio da Comissão Europeia. Esta publicação (comunicação) é da responsabilidade exclusiva dos seus autores. A Comissão não se responsabiliza pelo uso que possa ser feito da informação aqui divulgada. 2

3 ÍNDICE ÍNDICE O QUE É O REACT?...3 Os objetivos...4 O modelo...5 Organização deste documento A PEDAGOGIA REACT...8 Natureza social do conhecimento...8 Aprendizagem baseada na rede e na tecnologia...8 Aprendizagem personalizada e autodirigida EXPERIÊNCIAS E RESULTADOS...12 Atividades em cada Projeto-piloto...12 Experiências...14 Tecnologia web O MODELO REACT...20 O modelo organizacional...20 Individual...21 Grupo/Turma...24 Serviços e Infra-estruturas...27 Institucional...29 Contexto social...32 Principios pedagógicos e Linhas orientadoras operacionais...32 Princípios Pedagógicos...32 Linhas orientadoras operacionais CONCLUSÕES O QUE É O REACT? 3

4 O modelo ReAct consiste numa inovadora abordagem de aprendizagem, tendo sido desenvolvido e usado para recuperar a motivação de quem se desligou da escola e da aprendizagem, de modo a fomentar as práticas de aprendizagem ao longo da vida. O objetivo do projeto consiste em encontrar formas de recuperar a motivação intrínseca para aprender e, assim, melhorar as oportunidades de participação. A chave nesta estratégia inovadora consiste em promover a aprendizagem autoorganizada, dando ao aluno o controle do processo de aprendizagem. O uso dos media é fundamental para esta abordagem e remete para o conceito de um Ambiente Pessoal de Aprendizagem configurável pelo utilizador- Personal Learning Environment (PLE). É reconhecida a urgência do problema dos jovens que não completam a escolaridade obrigatória, pelas consequências individuais e pelas questões sociais e económicas que este implica. Estes jovens têm um maior risco de desemprego, enfrentam um maior risco de pobreza, participam em menor medida em atividades de reconversão profissional, confiam mais no apoio social ao longo da vida e tendem a participar menos nas eleições e noutros processos democráticos. O projeto react cuida das necessidades dos jovens que abandonam a escola tentando melhorar as suas perspetivas e empregabilidade, e desenvolvendo as habilidades dos professores e formadores para aumentar a motivação dos alunos. O modelo deve apoiar os professores, para ajudar os alunos desmotivados a voltar a aprender, num ambiente onde eles possam criar e gerir os seus próprios projetos, em colaboração com outros. De particular importância é o foco nos alunos, nomeadamente o desenvolvimento de competências que lhes permitam continuar a aprender ao longo da vida. Desenvolver formas de facilitar essas habilidades é fundamental para a prática da aprendizagem ao longo da vida na Europa. Os objetivos 4

5 O projeto react foi um projeto transnacional europeu no âmbito da Key-Action 3 (KA3): tecnologia da informação e comunicação no Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida da União Europeia. O núcleo do projeto consistiu em delinear uma abordagem metodológica específica de atividades de aprendizagem e estratégias para desenvolver a motivação intrínseca nos alunos, pelo envolvimento pessoal em atividades criativas e relevantes e através da interação com outros estudantes. A implementação de uma nova abordagem requer a atenção para as necessidades dos alunos e, principalmente, para os professores que são responsáveis pela implementação e integração desta abordagem, no currículo existente, nos sistemas escolares formais. A abordagem foi testada em vários ambientes de educação formal e informal, em Espanha, Portugal, Itália, Grécia, Áustria e Holanda. Um total de 300 alunos e 65 professores participaram no projeto-piloto. A nível operacional, os objetivos do modelo react visam: Uma mudança de atitude. O objetivo consiste em que os alunos mudem de uma atitude de sujeito passivo, inculcada pelo sistema educativo ao longo da infância e da juventude, para uma atitude ativa. Para realizar essa mudança, procura-se envolvê-los em atividades criativas, definidas e dirigidas por eles e que sejam relevantes para as suas vidas pessoais. Uma mente aberta. Poderão ampliar perspetivas e descobrir experiências e pontos de vista de outras pessoas. Isto não deve ser limitado a um conhecimento distante e abstrato, mas é mesmo necessário promover relações estreitas entre pessoas de diferentes origens através da cooperação conjunta. Ensinar a aprender. Inclui-se o desenvolvimento de competências cognitivas e habilidades de pensamento crítico que lhes permitam lidar com requisitos sociais e de emprego, de forma independente e autónoma. O modelo 5

6 O modelo react é o resultado de uma investigação de fundo envolvendo os parceiros do projeto, em diferentes países, entrevistas com as escolas, professores e líderes de projetos que adotaram abordagens inovadoras de aprendizagem. O modelo centrase na autonomia, na colaboração e na criatividade do aprendente, como chaves potenciais para a reativação do interesse naqueles que não concluíram os seus estudos. Baseia-se na investigação e em processos consolidados, tirados da aprendizagem informal, em que os alunos "descobrem" fazendo o que os motiva e, através deste processo, adquirem uma série de competências cognitivas que lhes permitem agir autonomamente, enfrentar e compreender as situações de aprendizagem como novas oportunidades. O núcleo do modelo consiste numa Abordagem Centrada no Aprendente: O professor ajuda os alunos a aprender, em vez de fornecer conteúdo prescrito pelo currículo. O conteúdo não é uma prioridade, o que é prioritário, é a participação do aluno e a sua auto-organização. São essenciais para o design do modelo: A motivação. A motivação é um fator chave para alunos que estejam em situação de abandono e para os professores. Portanto, existe a necessidade de oferecer oportunidades de aprendizagem que respondam aos interesses dos estudantes, mesmo que esses interesses não pareçam ter qualquer relação com os objetivos originais do curso. Atividades orientadas para o grupo. A aprendizagem pode ser vista como um processo de manipulação de dados e de informação para dar sentido através da comunicação com os outros. Neste sentido, a aprendizagem colaborativa é uma outra forma de organizar a aprendizagem, na qual os alunos aprendem, partilhando o conhecimento entre si e construindo novos conhecimentos. A tecnologia. O valor acrescentado da tecnologia para a aprendizagem reside no acesso (a)aos recursos, (b) às ferramentas de recuperação de informação, (c) à partilha de conhecimento, (d) às ferramentas de comunicação e (e) à projeção ou criação de conteúdo multimedia. A tecnologia também introduz 6

7 uma nova forma de conhecimento e de pedagogia, baseada na ideia de que o conhecimento é distribuído através de uma rede de conexões e que a aprendizagem consiste na capacidade de construir e percorrer essas redes. Desenvolvimento profissional dos formadores. Este desenvolvimento tem de ser uma parte integrante do modelo. Os professores não mudam de pedagogia da noite para o dia, é claro. É por isso que a preparação do professor e a sua disponibilidade se revestem de um cuidado permanente. Organização deste documento Este documento consiste em três partes principais. O próximo capítulo irá centrar-se nos pressupostos pedagógicos do projeto react e irá descrever os principais princípios que nortearam as atividades dos professores nos vários projetos-piloto. No capítulo seguinte, descrevemos como esses princípios foram implementados e destacamos os resultados mais importantes. Com base nesses resultados, desenvolvemos então um modelo que poderá ajudar professores e gestores a entender a pedagogia do projeto react e apoiá-los com diretrizes e estratégias na implementação do modelo na sua organização. 7

8 1. A PEDAGOGIA REACT Conquanto várias teorias de aprendizagem tenham sido desenvolvidas ao longo do tempo, três grandes escolas podem ser discernidas. No início do século 20, o behaviorismo surgiu como uma teoria de aprendizagem que aplicou métodos e teorias científicas ao estudo da aprendizagem e, assim, desafiou a ideia de que o conhecimento era metafísico. Por volta dos anos cinquenta, o cognitivismo revelou o que não podia ser visto: o funcionamento interno da mente. Mais tarde, o construtivismo (social) tornou-se popular, ao enfatizar a ideia de que a aprendizagem era moldada pelo próprio indivíduo, tendo por base as suas experiências, pensamentos e interações. Além disso, mais do que memorização de fatos, a pedagogia começou a concentrar-se na compreensão profunda. Compreender profundamente implica aprender a reconhecer quando se entende e quando se precisa de mais informações. Para este efeito, são essenciais o fazer sentido, a auto-avaliação, a reflexão sobre o que funcionou e o que precisa de ser melhorado. Natureza social do conhecimento O desenvolvimento pessoal e o conhecimento profundo acontecem através da construção de sentido por parte do aprendente, e não através da transmissão de uma pessoa (o professor) para outra (o aluno). Os alunos são vistos como construtores ativos do seu próprio conhecimento do mundo, através de interações com o meio ambiente. A colaboração e a interação com os outros é, portanto, essencial para a aprendizagem. Os estudantes têm grande interesse em trabalhar com os outros. Os professores apoiam a colaboração através de trabalho organizado em grupo e em momentos de feedback regulares, para que a troca de informações se torne uma fonte de ação e de reação. Aprendizagem baseada na rede e na tecnologia Atualmente, surgiram teorias e pedagogias mais recentes, movidas pelos avanços na tecnologia da informação e da computação, que enfatizam a importância de estabelecer conexões com ideias, fatos, pessoas e comunidades. A aprendizagem em 8

9 rede centra-se na inter-relação entre as pessoas e entre as pessoas e os recursos. Não se trata apenas da memorização e da compreensão profunda, mas da importância de aprender como encontrar a informação e onde encontrá-la. A aprendizagem é explicada como um processo distribuído e em rede: porque o conhecimento está distribuído através de uma rede de conexões, a própria aprendizagem é definida como a capacidade de construir e percorrer essas redes. Para ser capaz de trabalhar em rede, o indivíduo deve ser capaz de partilhar tarefas, deve ser capaz de manter um registo dos recursos, deve ser capaz de atribuir valor à informação, ao contexto e às fontes, e deve ser capaz de cooperar com outros. Como as práticas de aprendizagem e as práticas sociais estão interligadas, as práticas de aprendizagem emergem dos participantes, em vez de serem impostas por facilitadores: a aprendizagem não é concebida, mas sim projetada e algumas variações nos níveis de especialização podem expandir a aprendizagem do grupo. Usar a tecnologia móvel e as ferramentas da web torna-se muitas vezes difícil para os professores. Por exemplo, as redes sociais distraem facilmente os alunos. Os professores devem, portanto, usar estratégias que maximizem o potencial de utilização das redes sociais e outras tecnologias (como a partilha de informação, a promoção da criatividade, a motivação dos alunos, o aumento do conhecimento mútuo e a construção de uma relação de confiança entre professores e alunos) e, ao mesmo tempo, minimizar a distração causada pelas tecnologias e ensinar hábitos que promovam o auto-controle e a aprendizagem autodirigida. Portanto, existe uma necessidade de repensar as nossas pedagogias, a noção que temos de educação e de aprendizagem e, até mesmo, a natureza do conhecimento. Com efeito, temos de repensar a forma como os professores lidam com os seus alunos, bem como o conteúdo ou os tópicos que devem ser ensinados. O conhecimento da matemática está a tornar-se tão relevante como a literacia da informação, a aprendizagem da língua francesa ou de outra, tão ou talvez menos importante do que a prática de habilidades de colaboração. Em alguns países, 9

10 porém, em vez de aprender uma terceira língua, inicia-se o ensino da programação (de computador) no ensino básico. Aprendizagem personalizada e autodirigida Os seres humanos são vistos como agentes direcionados para objetivos, que procuram ativamente informações. Iniciam o processo de aprendizagem com um conjunto de conhecimentos, competências, crenças e conceitos prévios que influenciam significativamente o que observam sobre o meio ambiente e a forma como o organizam e interpretam. Esta situação pode ter consequências, quer positivas quer negativas, para o processo de aprendizagem e para as competências relacionadas com a memória, o raciocínio, a resolução de problemas e a aquisição de novos conhecimentos. Com ambientes de aprendizagem eficazes e sistemas de apoio à aprendizagem, os professores deveriam, portanto, ter em conta o contexto em que se insere o aluno. O que está a ser aprendido deve ser relevante para o aluno, e deve desafiá-lo a agir. Alunos e professores ficam motivados para aprender quando experimentam ou são confrontados com tarefas que os desafiem mas que sejam realizáveis. Os professores devem garantir ambientes de aprendizagem que ofereçam contextos em que os alunos possam adotar desafios individuais ou em grupo. Os professores devem tratar temas de estudo que considerem relevantes para a investigação. Por isso, as tarefas sugeridas pelo professor devem ser negociáveis ou, então, virem dos alunos e os professores devem permitir aos alunos que definam a relevância relacionada com os objetivos de aprendizagem estabelecidos no início do curso. Só então, os alunos assumirão a responsabilidade e se apropriarão da sua aprendizagem. Isto fomenta a motivação e o desenvolvimento de competências de aprendizagem ao longo da vida, cada vez mais procuradas por parte dos empregadores. As estratégias personalizadas de aprendizagem fomentam muitas vezes a criatividade. Usar a criatividade ajuda a tornar-nos abertos e honestos e a desenvolver uma identidade própria. Através das expressões criativas atribui-se um sentido às capacidades e interesses do formando ou da formanda, o que é 10

11 fundamental para manter a motivação e descobrir talentos em cada um. Quando os interesses pessoais são atendidos, os alunos ficam mais propensos a orientar a sua aprendizagem. Os professores deveriam permitir o máximo de auto-organização e de auto-aprendizagem possível, no seio dos limites e restrições de cada projeto individual. Isso requer uma forma diferente de pensar e, não menos importante, muita paciência. Um ambiente de aprendizagem no qual os alunos assumam o controle só pode surgir quando há confiança. Alunos e professores devem acreditar que as suas ideias, as contribuições e os comentários são tratados com respeito, quer online quer offline. O fomento da confiança vai gerar a auto-estima nos alunos que têm, a maior parte do tempo, uma má imagem da sua capacidade de aprendizagem. 11

12 2. EXPERIÊNCIAS E RESULTADOS O projeto compreende dois projetos-piloto experimentais de seis meses cada. O primeiro projeto-piloto terminou em fevereiro de 2012 e o segundo, em julho de O primeiro projeto-piloto centrou-se, predominantemente, sobre os efeitos nos alunos, as dificuldades e as vantagens da abordagem a partir do seu ponto de vista. O segundo projeto-piloto foi orientado para os professores, as suas necessidades e reações quanto à abordagem. O segundo projeto-piloto incorporou melhorias sugeridas pelo primeiro. Os grupos específicos de alunos para os pilotos foram selecionados pelos parceiros, alguns meses antes do início do projeto-piloto, uma vez que a natureza anual deste tipo de formação impede uma decisão no momento (18 meses antes do primeiro piloto). Cada um dos projetos-piloto envolveu um grupo constituído por cerca de alunos e entre 2 a 7 formadores, em cada país. O número total de participantes foi de cerca de 300 alunos e 65 formadores. Atividades em cada Projeto-piloto As atividades planificadas em ambos os projetos-piloto foram as seguintes: Primeira abordagem. Na primeira fase de utilização do ambiente de aprendizagem pessoal (PLE) uma série de atividades foram concebidas para que se pudessem familiarizar com o ambiente, nos seus aspetos tecnológicos e sociais e para facilitar o desenvolvimento de um ambiente de comunidade, entre os alunos das diferentes instituições que participam no projeto. Isto incluiu um programa de formação para professores para se familiarizarem com os conceitos básicos do modelo react. Projeto colaborativo e criativo. Nesta fase, os participantes formaram equipes para realizar seu próprio projeto em conjunto com alunos das escolas dos outros países, usando as ferramentas tecnológicas disponíveis. O objetivo principal do projeto foi o de colaborar e de criar algo único. Os próprios alunos definiram o que queriam fazer, com a única exigência de 12

13 fazê-lo em colaboração com outros, nacionais e internacionais. Este processo de colaboração criativa foi realizado utilizando as ferramentas tecnológicas selecionadas pelos alunos e foi apoiado pela equipa de facilitadores (formadores), quando solicitada. Suporte e Reflexão. O suporte esteve disponível durante todo o processo, tanto durante os projetos como depois. A equipe de tutores/formadores, na maioria, professores da escola ou instituição, interveio sempre que parecia adequado e oportuno, a fim de promover a reflexão com os alunos sobre o processo. Pretendia-se favorecer competências de pensamento crítico e de metacognição. Tal como foi mencionado anteriormente, este processo atua em três objetivos (uma mudança de atitude pela criação / uma mente aberta pela capacitação e pela colaboração e aprender a aprender pela meta cognição / pensamento). Projeto colaborativo de integração. Esta fase começa com o processo de integração do projeto na atividade de formação principal. O processo é semelhante ao do primeiro projeto, mas desta vez a exigência é de que o projeto se encaixe vagamente no tema do programa formal. Pode ser negociado entre alunos e professores. Estes projetos foram realizados dentro de cada centro/escola, mas o produto final foi apresentado aos outros centros/escolas. Processo final de integração. Nesta fase, a atividade retorna aos objetivos e ao currículo do programa formal original. A ideia, porém, é que os alunos tenham experimentado outras formas de aprendizagem e que os professores lhe tenham reconhecido o valor, incorporando estas outras abordagens no seu ensino. As novas abordagens poderão envolver atividades criativas e colaborativas e fomentar o desenvolvimento de habilidades meta-cognitivas e de pensamento crítico. Projeto-Piloto 2: O segundo projeto-piloto repetiu as fases do primeiro, mas enquanto o primeiro foi centrado nos alunos, a atenção, no segundo projeto-piloto, 13

14 aconteceu sobre os professores envolvidos e a intenção de, posteriormente, os preparar para a integração do modelo no currículo formal. Além disso, com base em experiências boas e ruins do primeiro projeto-piloto, o modelo foi melhorado para o segundo projeto-piloto, em resultado de um processo de colaboração entre todos os participantes, coordenado pela equipa do projeto. Experiências Nesta secção, descrevemos os destaques e desafios mais importantes que vivenciámos durante os dois projetos-piloto que foram executados nos seis países referidos. Neste documento, não vamos avaliar todas as 12 experiências, mas temos a intenção de extrair as implicações mais gerais da abordagem. Os resultados mais positivos podem ser resumidos do seguinte modo: Colaboração/interação internacional. A maioria dos professores e alunos indicaram que a parte mais inspiradora e valiosa do programa foi a colaboração internacional. Apesar de a interação e da comunicação terem sido difíceis devido a problemas de linguagem e à falta de sincronia, os alunos, bem como os professores, revelaram-se muito motivados pelo simples fato de usarem a web, os Hangouts do Google, o Facebook e outras ferramentas tecnológicas que lhes permitiram comunicar com colegas que vivem noutro país. O professor valorizou o fato de que os alunos tiveram uma experiência internacional, aprenderam outras culturas, e expressaram-se em Inglês ou numa língua estrangeira. Quando o grupo principal do Facebook cresceu para mais de 250 participantes, o chat em grupo foi automaticamente interrompido pelo Facebook, o que foi uma pena, porque muitos alunos e professores utilizavam esta ferramenta. Uso das TIC. O uso das TIC na sala de aula motivou os alunos a participar. Muitos alunos não eram autorizados a usar computadores e a navegar na web na escola mas, no contexto do projeto, eles foram autorizados a fazê-lo. Foi mencionado várias vezes que estas ferramentas web permitiram aos alunos expressarem-se de forma mais criativa e mais colaborativa. 14

15 Competências de apresentação. O facto de os alunos terem de se apresentar, apresentar as suas ideias e produtos, durante o projeto, aumentou a sua confiança e a sua capacidade de comunicação. Além disso, as apresentações foram, em si, um fator muito motivador por trazerem maior envolvimento e participação. Confiança entre participantes. Um dos principais benefícios mencionados por professores e alunos foi a emergência de um novo tipo de relação que surgiu durante os projetos. Os alunos tiveram de trabalhar de forma colaborativa, foram estimulados e apoiados sem restrições, sem que os professores hes dissessem o que fazer, com um efeito muito benéfico quer para os alunos quer para os professores. Além disso, como era necessária mais comunicação entre professores, estes tiveram que trabalhar em conjunto, o que foi percebido como algo positivo. Autonomia. O foco na aprendizagem e na exploração individual e em grupo foi avaliado entre os professores como um requisito importante para os alunos. Aprendizagem Personalizada. Outro resultado do projeto foi que, como os alunos receberam autonomia, puderam projetar e formular a sua própria experiência de aprendizagem (com outros), o que era mais relevante para eles e mais pessoal do que no ambiente escolar tradicional. Isto aumentou a sua motivação. Resolução e firmeza. O fato de que os alunos não eram obrigados a fazer alguma coisa, com pouca pressão por parte dos professores e, logo, menos ansiedade no desempenho, resultou em pequenas conquistas e sucessos, o que aumentou significativamente a sua confiança. Experiência de Ensino. Os Professores viveram o projeto como uma experiência gratificante de aprendizagem que resultou em várias novas competências e conhecimentos a utilizar em experiências futuras. 15

16 Desafios importantes : Colaboração/comunicação internacional. Embora os projetos internacionais fossem muito estimulantes, provou-se ser muito difícil organizá-los, quando foi preciso que os alunos criassem grupos, e que os professores gerissem progressos. Para começar. Muitos professores e alunos sentiram o início do projeto como confuso, porque os objetivos não estavam suficientemente claros, e professores e alunos sentiram que tinham muito pouco tempo de adaptação à abordagem. Falta de interesse. Por razões diferentes, alguns grupos e alguns alunos não participaram nos projetos ou não conseguiram trabalhar de forma autónoma. Estes grupos precisaram de muito mais atenção do que outros grupos, o que os professores lamentaram. Um dos motivos foi referido várias vezes: a ausência de avaliação e a sensação de estarem a perder um tempo precioso na preparação para os exames "reais" parecia desmotivar os alunos. Era como se estivessem a fazer aquilo a troco de "nada". Esta percepção por parte dos alunos precisa de ser tratada logo no início, porque a introdução de avaliação pode diminuir os resultados na motivação intrínseca. Os estudantes austríacos indicaram que seriam muito felizes se pudessem entregar os projetos para os exames e que, assim, poderiam experimentar uma forma diferente de preparação. Integração no currículo. Um dos principais problemas apontados pelos professores, foi que parecia muito difícil integrar a abordagem no currículo existente, devido à diversidade de objetivos e interesses dos alunos. Uso das TIC. Os alunos distraem-se facilmente quando usam as TIC na sala de aula, o que resultou num ambiente de aprendizagem menos eficaz em que apenas alguns foram capazes de trabalhar de forma autónoma nos projetos. Além disso, as competências TIC de alguns aprendentes (e professores) eram 16 muito fracas.

17 Acesso às TIC. Em algumas escolas, o acesso às TIC ou Internet de banda larga foi muito difícil, e houve, por vezes, falta de apoio, causando alguns problemas técnicos. Trabalho suplementar. Os professores tiveram uma maior carga de trabalho, pois a diversidade de projetos forçou-os a colaborar de perto e a comunicar. Tecnologia web A tecnologia Web desempenhou um papel importante no projeto. Mais abaixo, incluímos uma lista das ferramentas mais utilizadas. Com cada ferramenta, uma explicação é dada sobre o seu uso, os prós e os contras. Instrumento / Tecnologia Facebook Google Docs, Word, Powerpoint, Slideshare, Google Forms Google Hangout Google Groups Resultados Útil para a comunicação, mas igualmente um fator de distração para os estudantes. Os professores que anteriormente não íam ao FB, começaram a comunicar com os alunos de maneiras que nunca tinham feito antes, de forma mais pessoal e com o aumento do nível de confiança. Apenas uma vez, houve um conflito entre 2 ou 3 dos (mais de) 300 alunos do grupo principal do Facebook. De resto, as interações foram positivas, e o fato de poder com um clique conectar-se a outras pessoas de outros países foi considerado bom. Alunos e professores usaram extensivamente o Google Docs (atualmente Google Drive) para colaborar, criar apresentações e documentos, assim como para efetuar pesquisas. Outras ferramentas de apresentação que foram utilizadas com sucesso foram o Slideshare, o Prezi e o PowerPoint. O Google Hangout é uma ferramenta para organizar reuniões online. Embora ainda estivesse em desenvolvimento durante o projeto, foi de um valor inestimável para reuniões online, até 10 pessoas. As inspiradoras apresentações internacionais, bem como reuniões internas do projeto, foram todas organizadas no Google Hangout. Tentámos organizar a interação entre professores 17

18 (mailing list) participantes por meio de uma lista de discussão regular (o e- mail foi a ferramenta padrão para a comunicação entre os professores), mas nenhuma comunidade sustentável surgiu. Google Sites Google Blogspot (Blogger) Diigo O Google Sites é uma plataforma wiki, onde qualquer pessoa pode criar uma página web de graça. É muito intuitiva e fácil de usar. Nós apenas usámos para disponibilizar os livros de registo (logbooks) de professores e organizar os diferentes grupos de projetos internacionais. O Blogger e outras plataformas de blogs foram usados para diferentes projetos, por exemplo, para um projeto sobre Folktales. Diigo é um sistema de bookmarking social que permite gerir e classificar sites. Reunimos uma lista de ferramentas que podem ser usadas na educação e, especificamente, no contexto de um projeto como o react: Pinterest & Glogster Pinterest e Glogster foram ambos muito populares entre os estudantes, e foram usados para colecionar imagens sobre as coisas de interesse e para criar colagens. YouTube/Facebook/ video/vimeo/ted Final Cut Pro, MS Movie Maker Prezi, Mind42 Stripcreator, Storybird Os professores utilizaram o YouTube e outros sites de partilha de vídeo como o Vimeo e o TED para destacar alguns tópicos, partilhar vídeos inspiradores e muito mais. Várias ferramentas criativas foram usadas para criar filmes: Movie maker, Final Cut Pro. Prezi e Mind42 são ferramentas que visam representar as informações de uma forma visual. Prezi é um software de apresentação que permite ampliar (e focar) para dentro ou para fora. Mind42 é uma ferramenta de organização mental, mindmapping. Stripcreator, Storybird e outras ferramentas criativas para criar e contar histórias foram usadas colaborativamente. Na generalidade, as competências TIC dos alunos eram bastante fracas. O uso de ferramentas conhecidas como o YouTube e o Facebook deu pouco ou nenhum problema, mas usar novas ferramentas de uma forma eficaz e útil provou ser mais 18

19 difícil. Encontrar e recuperar a informação, armazená-la, e categorizá-la, foi difícil não só porque os estudantes usavam computadores públicos na escola, mas também porque lhes faltavam competências TIC. 19

20 3. O MODELO REACT Este capítulo irá tratar do modelo react. O modelo react surge como resultado da aplicação de uma série de princípios pedagógicos durante duas fases de projetopiloto em seis países diferentes. Estes princípios foram mencionados (implicitamente) no capítulo 2 e incluem a apropriação da aprendizagem, a capacidade de auto-organização, a criatividade, a construção da confiança e a colaboração. No desenvolvimento do modelo react, assumimos a seguinte: A adoção do modelo deve ser relativamente fácil, nas instituições educativas formais e não-formais, o que quer dizer que, em instituições do ensino regular, os professores devem ser capazes de adotar o modelo (ou alguns dos seus elementos) apenas com uma ligeira preparação. Descreve os desafios principais quando confrontado com a integração ou a adoção do modelo, e fornece estratégias para lidar com esses desafios. O modelo não é um modelo daquilo que um professor deve fazer, mas inspira os professores a desenvolver suas próprias estratégias para aumentar a motivação, a auto-orientação e experiências de aprendizagem colaborativa em sala de aula, lideradas pelo aprendente. O modelo organizacional Apresenta-se abaixo um modelo organizacional que mostra cinco aspetos interrelacionados e em interação. A fim de organizar um projeto coerente e bem sucedido com os princípios subjacentes do projeto react, é necessário abordar estes aspetos interrelacionados e interdependentes e incorporar fatores de cada um destes aspetos no contexto educacional ou institucional específico. O modelo pode ser visto como uma abordagem holística da educação, em que os interesses individuais e características (1) estão alinhadas com os interesses (2) da turma e dos professores, e apoiados numa infra-estrutura física, incluindo as TIC (3), 20

21 incorporados ou em linha com as exigências institucionais ou regulamentos (4), e, se possível, apoiados por pais ou amigos (5). Cada nível contém uma série de fatores que foram relevantes durante a implementação do projeto react. A aplicação bem sucedida do modelo react depende, em cada nível, das possibilidades e limitações e da forma como são abordadas pelos professores envolvidos. Para cada contexto, descrevem-se esses fatores, bem como os desafios e as oportunidades para os abordar. Após a explicação do modelo, apresentamos o processo, descrevendo as diferentes etapas de um projeto alicerçado em interesses de aprendizagem, assim como o suporte requerido e outras questões relacionadas com a implementação em cada uma das etapas. Individual Interesses e competências O modelo react centra a aprendizagem nos interesses e competências de um aluno (ou grupo de alunos). Isto é positivo, porque: Os alunos estão mais empenhados em aprender quando o assunto está relacionado com o que lhes interessa. 21

22 Os professores apreciam quando podem tratar os alunos de uma forma mais personalizada. Os aprendentes tornam-se desmotivados quando a tarefa é percebida como estando além das suas competências. Os professores tentaram várias estratégias para lidar com o desafio de oferecer uma educação personalizada. Combinar estudantes. Alguns estudantes foram combinados com outros que tinham interesses semelhantes ou interesses e competências complementares. Por exemplo, um estudante interessado em design e moda juntou-se a um estudante interessado em edição de vídeo e, juntos, fizeram um bonito filme em time-lapse num projeto criativo que envolve o design de T-shirts. Um Grupo de Reflexão sobre interesses pessoais e resultados criativos partilhou a tarefa de se conhecerem melhor uns aos outros, melhorar a capacidade de comunicação e perspetivar sobre os insights dos seus interesses. Colaboração inter-turmas. Os professores procuraram outros professores, a fim de ampliar o seu leque de temas e de fomentar a colaboração. Lidar com a resistência Os estudantes são levados a viver uma abordagem diferente, um ambiente diferente e a adotar um estilo de aprendizagem diferente. A aprendizagem tradicional, normalmente, não é pró-ativa, porque a responsabilidade geralmente fica do lado dos professores. Então, quando essa responsabilidade é transferida para o aluno, ele ou ela pode, inicialmente, não gostar ou mesmo ter medo dela. Isto pode resultar em resistência e ceticismo. Os professores devem encontrar o equilíbrio certo entre dar algum tempo e providenciar o apoio necessário. Paciência. Se houver tempo suficiente (reservado ao projeto), ao longo do tempo, os alunos sentem pressão para realizar qualquer coisa, especialmente 22

23 quando vêem os colegas a criar e a fazer. Enquanto isto não acontece, será necessário perguntar e estimular o aluno de forma positiva. Suporte. Quando há pouco tempo (atribuído), os professores devem aplicar mais apoio e pressão para o projeto, tornando os objetivos e os resultados desejados explícitos. Veja abaixo mais informações sobre suporte e autonomia. Autonomia versus Suporte Encontrar o equilíbrio certo entre o suporte e a autonomia é um feito difícil para os professores, porque é diferente para cada aluno. Vale a pena estimular a autonomia, porque melhora a capacidade do aluno em aprender e a sobreviver num mundo em rápida mudança. Por outro lado, os alunos podem estar ansiosos, resistentes, ou incapazes de assumir a responsabilidade pelas tarefas. Além disso, o professor pode sentir a pressão do tempo, e não ter tempo para "esperar para ver a mudança acontecer. Nestas circunstâncias, a pressão pode ser a única maneira para fazer avançar as coisas. Assim, enunciamos as seguintes recomendações: Aumento gradual da autonomia. Permitir pequenos êxitos e dar aos alunos a confiança para assumir tarefas mais desafiadoras. Abordagem pessoal. Como já foi dito, um grupo de estudantes raramente é um grupo homogéneo. A adoção de uma abordagem personalizada e tendo em atenção cada aluno, algum conhecimento prévio das competências vai aumentar a probabilidade de os alunos participarem com sucesso. Ritmo & Feedback. É muito importante construir momentos de feedback, prazos e momentos em que os estudantes devem apresentar os trabalhos. Alargar. Orientar os projetos de tal forma que envolvam outras pessoas (amigos, pais, professores outros), transformando-se em projetos menos solitários ou reservados ao grupo. 23

24 Grupos. O trabalho em grupo e a colaboração podem fomentar a autonomia, especialmente se as responsabilidades e os papeis forem claramente demarcados. Criatividade A criatividade permite aos alunos expressar os seus pensamentos noutras formas que não através de palavras. Permite ao professor ter uma perspetiva diferente do aluno e descobrir os seus interesses. Um desenho, uma coleção de fotos, um diário de imagens, ou um objeto de casa torna-se o ponto de partida para uma boa conversa. A criatividade fomenta-se com ferramentas criativas (software e hardware), com trabalhos criativos e com alterações no ambiente físico (saindo, por ex.). Grupo/Turma A diversidade do grupo e a sua experiência, o(s) professor (es) envolvido(s) e os tópicos que ensinam e a colaboração entre professores e alunos foram fatores que surgiram como importantes durante o projeto react. Expetativas e objetivos No contexto da sala de aula, um professor é responsável por criar a atmosfera certa e as expetativas adequadas. Os professores que tiveram dificuldades em comunicar os princípios básicos do projeto foram menos capazes de convencer os alunos e outros professores a participar. Há duas estratégias lógicas, embora aparentemente contrárias, que podem ser adotadas: A definição clara de objetivos. Os alunos, especialmente de tenra idade, sentem-se desconfortáveis com muita liberdade. Eles preferem ter o professor a dizer-lhes o que fazer. Os professores devem ser capazes de indicar claramente os objetivos de aprendizagem do projeto, não necessariamente os resultados. Não definir objetivos. Alguns alunos, aos quais tem sido dito o que fazer ao longo de toda a sua vida ou com alguma ansiedade de desempenho, 24

25 apreciam a oportunidade de fazer o que eles gostam ou que sempre quiseram; nestes casos, fornecer apoio em excesso para este tipo de alunos pode ter efeitos prejudiciais. Avaliação. Uma questão importante a abordar é se, sim ou não, os professores 'prometem' atribuir avaliação ou alguma recompensa extrínseca aos alunos, após a conclusão do projeto. Os estudantes podem querer ter uma avaliação ou um certificado e os professores podem achar tentador, mas trata-se de uma recompensa claramente extrínseca, que pode por em causa a motivação intrínseca dos estudantes. Desafio Os alunos precisam de ser desafiados a fim de estimular a motivação e participação. Os professores devem encontrar o equilíbrio certo entre o muito fácil e o muito difícil. Isto, obviamente, depende dos objetivos dos alunos, dos seus interesses e habilidades. Se se quiser mesmo muito qualquer coisa, ser-se-á capaz de lidar com uma tarefa mais difícil do que quando não está nada interessado. Qualquer coisa é um projeto. Explicar aos alunos que a vida é um projeto e que o sucesso depende de se ser capaz de gerir e concluir projetos. Explicarlhes a relevância de desenvolver um projeto de uma forma que os leve a pensar no futuro e nas competências a adquirir para um melhor desempenho. Projetos de sucesso. Desenvolver um projeto de uma forma bem-sucedida exige o esforço conjunto de pessoas que sabem o que estão a fazer. Isto pode ser aprendido e o professor tem de explicar que competências e que atitudes são necessárias para qualquer tipo de projeto, tais como habilidades de comunicação, competências em TIC, de apresentação, de pensamento crítico, de gestão de projetos e de auto-organização, habilidades de colaboração, de empreendedorismo e mais. 25

26 Aumentar (ou diminuir) o nível de desafio no decurso do projeto, quando os alunos estão a ficar mais familiarizados e sabem melhor o que fazer. Os professores podem, então, introduzir novos elementos e novos desafios. Conteúdo Os alunos partilham muitas vezes interesses, o que oferece a possibilidade de os por em contacto. No contexto de uma turma, é por isso importante e eficaz procurar interesses comuns entre os estudantes e estabelecer a relação com os professores e os objetivos. Os interesses individuais dos estudantes são um ponto de partida para a discussão e a elaboração na turma, com o objetivo de escolher temas que sejam individualmente relevantes e que se relacionem com o currículo. Os professores podem abordar outros professores para aumentar o leque de oportunidades de aprendizagem para os alunos. Colaboração A colaboração em grupo e a comunicação entre os participantes foi uma parte importante da abordagem react. Além de ser mentalmente estimulante, oferece aos professores a oportunidade para gerir e orientar, ao permitir a distribuição de tarefas entre os membros do grupo e a comunicação com líderes de grupos em vez de indivíduos. Existem várias estratégias para garantir uma colaboração eficaz e agradável: Tarefas e responsabilidades devem ser distribuídas claramente entre os membros do grupo, incluindo um 'monitor' (ou quem planifica), líder do grupo, e um secretário. Formação do grupo. Criar grupos baseados em interesses e / ou competências complementares. Criar un ritmo. O feedback é muito importante para o progresso, por isso o professor deve construir estes momentos numa base semanal, também para criar uma consciência do projeto e expetativas entre os participantes. 26

27 TIC. Os professores utilizaram ferramentas para apoiar a colaboração, como o Google Hangout, , Facebook e Google Docs. A simplicidade de uso e a personalização com base na experiência dos alunos e dos professores foi essencial. Em jeito de orientação, também devem ser concebidos protocolos de como e quando usar ferramentas TIC. Alguns grupos de estudantes poderão ser estimulados a usar as suas próprias ferramentas TIC. Serviços e Infra-estruturas As escolas têm a função de apoiar alunos e professores com os seus edifícios, instalações e tecnologia (hardware e software), com os seus livros, ferramentas de colaboração, criatividade e comunicação. Este espaço físico e tecnológico é entendido como "Serviços e infra-estrutura". Equipamentos e espaços O uso dos equipamentos. O uso de equipamentos e espaços é muitas vezes restrito a horários específicos ou apenas autorizado com supervisão. Há muita desconfiança ou medo de que algo possa correr mal. No entanto, em algumas circunstâncias e para alguns grupos, os professores atribuiram autonomia e responsabilidade aos alunos e deram-lhes acesso às instalações, tornando-os "proprietários" da sala ou do espaço e respetivos equipamentos. Quando é possível, esta é uma maneira poderosa de aumentar o sentido de propriedade entre os estudantes, estimulando-se a participação e a motivação. Mudança de contexto. Outro método eficaz no contexto dos equipamentos é o de mudar o espaço. Ir para a rua, por exemplo, fazer um documentário fotográfico fora do espaço escolar, ou entrevistar pessoas, ou visitar um lugar interessante, coloca os estudantes fora de contexto, e pode aumentar a motivação. Também uma mudança no próprio espaço, por exemplo, uma arrumação diferente de cadeiras e mesas, pode criar interações diferentes e mais envolvimento. 27

28 Uso da tecnologia As TIC são muitas vezes introduzidas sem realmente pensar sobre se se encaixam na forma de trabalhar dos professores ou dos alunos. Pode existir muito ceticismo entre os professores sobre usar apenas uma nova ferramenta tecnológica ou uma outra solução. Além disso, muitos professores e alunos não são capazes de efetivamente usar a tecnologia. Por isso, sugere-se o seguinte: Simplicidade. A gama inicial de ferramentas deve ser diminuta, simples e eficaz. Aprendizagem com colegas (P2P). Os estudantes que são melhores a usar as TIC podem tornar-se formadores em assuntos relativos às TIC. Como usar. Aprender a usar as TIC é um elemento essencial no início de cada projeto, de forma a que alunos e professores se familiarizem com as ferramentas a utilizar. Houve experiências positivas com as ferramentas seguintes: Comunicação. , Google Hangout, Facebook* Criatividade e exploração. Glogster, Pinterest, Storybird, Powerpoint, infogr.am. Colaboração e gestão de documentos. Google Docs, Google Sites, Facebook. * O Facebook foi importante para o projeto porque se trata de uma ferramenta que qualquer estudante sabe usar. Os Professores indicaram que o Facebook oferece uma boa ferramenta para comunicar com os alunos e ver aquilo em que eles estão interessados, embora alguns não gostassem do fato de que a informação tende a perder-se facilmente. Alguns estudantes reclamavam que estavam a perder aulas regulares, e consideraram o uso do Facebook como tempo recreativo. Neste caso, o uso do Facebook em sala de aula não foi bem pensado: deveria ser usado apenas como instrumento de comunicação, para que os alunos pudessem manter o seu estado e enviar atualizações. Com a criação de uma referência simples (como usar, o 28

29 que fazer, onde fazer perguntas) pode-se melhorar a comunicação e o uso de ferramentas como o Facebook. Uma lista de ferramentas tecnológicas relevantes que podem ser usadas para melhorar a comunicação, a criatividade, contar histórias, a colaboração, apresentação, e muito mais pode ser encontrada aqui: Institucional O ambiente institucional inclui regulamentação escolar, o currículo e outras restrições formais relacionadas com o modelo organizacional da escola. Os professores nunca ensinam isoladamente e são obrigados às condições e exigências da escola ou do governo (local). A 'plasticidade' destas condições desempenhou um papel importante durante a execução do projeto react. Para alguns projetos-piloto, como na Academia MIX em Amsterdão, houve um alto grau de liberdade entre professores para seguirem o caminho que considerassem melhor para os alunos. Noutros projetos-piloto, foi o oposto e os professores foram obrigados a cumprir regulamentos e tiveram pouca liberdade para operar a seu gosto. Tempo A direção decide sobre a quantidade de tempo que será destinada a projetos educativos e experiências. Nos nossos projetos-piloto houve grupos de estudantes que podiam trabalhar em tempo integral nos projetos, enquanto a outros eram apenas "dadas" três horas por semana. Esta última modalidade, de apenas três horas por semana, provou ser muito curta para ficar "por dentro" do projeto e para permitir uma mudança de pensamento. Quanto ao tempo, é preciso ter em conta o seguinte: Tempo de preparação. Os professores precisam de tempo para entender os princípios fundamentais, para desenvolver atividades iniciais e o conteúdo para o arranque da primeira semana, encontrar um ou mais "colegas", criar material, preparar a estrutura de comunicação, criar uma planificação clara, e 29 descobrir as ferramentas TIC.

30 Tempo total. A quantidade disponível de tempo para os professores e alunos é decisiva para planificar atividades e definir a quantidade de liberdade. Se os professores são capazes de gerir bem os projetos, então quanto mais tempo atribuirem aos estudantes, tanto mais sustentáveis poderão ser os resultados (aprender a aprender, motivação). Antes de os alunos aprendem a aprender, muitas vezes têm que desaprender hábitos de ensino regular (comportamento passivo, motivação extrínseca) e adaptar as expetativas. Tempo no início. Antes de definir os objetivos, os alunos precisam que lhes seja dado tempo suficiente para explorarem o que eles querem. Além disso, a fase de exploração é uma boa oportunidade para ensinar competências de literacia da informação. Blocos de tempo. Quando os momentos de ação e de interação são distribuídos ao longo de um período de tempo mais alargado, ao longo da semana, reduz-se a concentração. Além disso, ao trabalhar com as TIC, os professores devem prever um atraso no início, pelo que os períodos mais longos (entre 2-4 horas) a trabalhar no projeto parecem ser mais eficazes. Ritmo. Como mencionado anteriormente, construir um ritmo é importante para estimular o progresso e para obter feedback. Currículo Primeiro, existe a liberdade de os professores atenderem aos interesses individuais dos alunos envolvidos, assim acontece com a liberdade dos professores em divergir do currículo. Em alguns projetos-piloto, os professores tiveram que ser criativos, a fim de fazer coincidir os interesses individuais com os temas curriculares, mas conseguiram fazer isso de uma maneira que não foi prejudicial para o objetivo do projeto, que é o de aumentar a motivação para a aprendizagem, junto dos alunos. Várias estratégias foram adotadas: Projetos entre turmas. Os professores envolveram outros professores e outros temas relativos aos interesses manifestados pelos alunos. 30

31 Projetos extra-escola. Os projetos foram realizados separadamente do currículo formal, a fim de se conseguir atender completamente os interesses do aluno. O modelo react aplica-se, por vezes, muito bem aos temas curriculares formais, como a cidadania, o empreendedorismo, a criatividade e outros. Currículo principal. Os professores pediram aos alunos que pensassem em projetos e temas que fossem do seu interesse, no contexto do currículo formal. Direção e colegas A Direção e os colegas são muito importantes para uma implementação bemsucedida do projeto react, dentro de uma escola ou instituição. Os gestores têm a oportunidade de dar mais ou menos liberdade aos professores para adotarem a abordagem, e divergir dos processos formais. Além disso, eles atribuem recursos e influenciam os horários, pelo que as suas escolhas e ideias sobre o projeto são um fator essencial que precisa de ser tratado durante a elaboração do projeto. A Direção tem a oportunidade e a responsabilidade de dar aos professores a liberdade e o tempo para explorar os benefícios do projeto que, ao ser aplicado pela primeira vez, deve ser visto mais como uma experiência de aprendizagem, uma exploração, do que algo com resultados definidos. Ao abordá-lo, desta forma, o foco centrar-se-á mais em extrair lições úteis para uma aplicação futura. Os professores acharam muito importante que cada aluno tivesse pelo menos um "companheiro": através da distribuição de tarefas e da exploração de novas ideias em conjunto, os resultados são muitas vezes melhores do que quando o trabalho é feito individualmente. Além disso, isto leva a uma maior adoção dos princípios e ideias. Uma colaboração bem-sucedida requer planificação com antecedência, através de um protocolo de comunicação e de concordância nas responsabilidades, quer para os estudantes quer para as suas atividades. 31

32 Contexto social O contexto social é composto de amigos, família, colegas e outras pessoas ligadas aos estudantes que têm uma influência sobre a forma como pensam, o que fazem e aquilo de que gostam. Embora seja a camada exterior do modelo, menos ligada à organização da escola, é muito importante. Os professores devem pensar em formas de envolver esta dimensão social no projeto, porque fornece uma oportunidade para que o projeto se estenda além das paredes da sala de aula: alunos que envolvem os pais (ou as suas habilidades) ouvirão perguntas sobre o projeto em casa; os alunos que entrevistam amigos fora da escola vão gerar uma curiosidade positiva entre eles e um maior grau de envolvimento. Principios pedagógicos e Linhas orientadoras operacionais Esta secção começa com a repetição dos princípios pedagógicos mais importantes do projeto react. Em seguida, descrevem-se as diretrizes operacionais, incluindo algumas questões que devem ser abordadas antes de implementar o modelo react no seio da sua instituição. Princípios Pedagógicos A aplicação do modelo react normalmente consiste num processo de equilíbrio de mecanismos aparentemente contrastantes (ver capítulo anterior). O ponto de partida do modelo react é a organização de um ambiente de aprendizagem que seja suporte do seguinte: Autonomia. Os professores permitem que os alunos formulem os seus próprios objetivos, e permite-lhes trabalhar de forma autónoma, sempre que possível, orientando-os quando necessário. Os estudantes com um alto nível de autonomia vão apropriar-se do seu processo de aprendizagem e do conteúdo, aumentando a sua motivação, mas podendo, também, causar alguma ansiedade. Colaboração. Os alunos gostam de trabalhar em projetos com outras pessoas. No entanto, os interesses muitas vezes não são iguais, mas isso não 32 é problemático, uma vez que há partilha de ideias diferentes, interesses e

33 competências, que podem resultar em resultados interessantes. A colaboração pode ser gerida através da atribuição de funções e de responsabilidades específicas e manter um certo ritmo. Criatividade. O uso de ferramentas criativas, ambientes em mudança e autonomia permite que os alunos se expressem de formas diferentes, o que os vai ajudar a entender o que podem querer e dá aos professores um método adicional para explorar os interesses dos seus alunos. Além disso, muitas vezes, é divertido. Descrevemos, previamente, como estes princípios fundamentais foram implementados e como forneceram sugestões e estratégias para organizar a aprendizagem em diferentes situações. A próxima secção irá fornecer um esboço cronológico que descreve coisas gerais para fazer antes e durante a implementação do modelo react. Linhas orientadoras operacionais Antes de ir em frente com uma abordagem inovadora de ensino como o modelo react, alguns aspetos relacionados com o meio ambiente institucional (4) e físico (3) devem ser abordados. Suporte entre professores e Direção. Quer se trate de um gerente ou de um professor inovador a propor o modelo react, sem o apoio da administração ou dos colegas, um projeto deste tipo pode vir a falhar. Como já foi indicado, há implicações significativas no que diz respeito à pedagogia, ao meio ambiente, ao fator tempo, ao currículo, e muito mais. O sucesso da implementação do modelo react depende da colaboração entre professores e gestores. Mais especificamente, o seguinte deve ser tido em conta: o Qual é a pedagogia da escola? Quão 'diferente' é o modelo react e como pode essa diferença ser superada? 33

34 o o o Quanta liberdade têm os professores para atender a interesses pessoais, divergir do currículo regular e permitir que os alunos criem o seu caminho próprio de aprendizagem? Que professores estariam dispostos (= entusiasmados) e capazes de participar num projeto-piloto? Quanto tempo pode um gestor destinar a um projeto? Suporte técnico. A tecnologia, principalmente a tecnologia web, desempenha um papel importante no projeto. As possibilidades quanto à sua utilização e acesso devem ser investigadas: o o o Os professsores que participam têm literacia digital? Existe uma infraestrutura tecnológica moderna e funcional? Há apoio tecnológico para alunos e professores? Formação dos professores. Uma atividade preparatória importante é a organização da formação de professores, em que os professores participantes possam discutir o modelo react, e pensar numa estratégia de implementação. Esta estratégia envolve testar várias ferramentas tecnológicas e criar as contas necessárias nas redes, preparar a primeira semana em pormenor e o resto de uma forma mais geral, os protocolos de comunicação e, ainda, repartir responsabilidades. Colaboração (internacional). Se os promotores decidirem que querem organizar o projeto em colaboração com outra escola, devem ser tomadas medidas, e quaisquer diferenças de tempo ou de linguagem devem ser tratadas com antecedência. Após a verificação acima referida, de âmbito organizacional / institucional e as atividades preparatórias, é hora de realmente ir em frente e implementar o modelo react. A ilustração abaixo mostra a sequência geral da implementação. 34

35 A implementação segue geralmente os processos seguintes. A estrutura e as atividades de planificação dos professores consistem num ato de equilíbrio: os professores devem permitir tanta auto-organização quanta for possível, respeitando, entretanto, as condições e restrições de tempo e os resultados estabelecidos pela instituição. 1. Introdução a. Os professores fazem a introdução do projeto e dos seus objetivos. b. Usando exemplos inspiradores (p.ex. com vídeos TED, oradores e familiares), o professor desafia os alunos a pensar no que ELES querem e como o irão conseguir. c. Os instrumentos e protocolos de base são explicados aos estudantes e é proposta uma primeira atividade criativa/exploratória. 2. Inspiração & exploração a. Os alunos são convidados a explorar o que eles gostam, e a colher exemplos inspiradores (criando uma colagem, uma apresentação, uma gravação, uma agenda, etc), usando ferramentas criativas e visuais. 35

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