ÍNDICE I. RELATÓRIO DE ATIVIDADES... 3 II. RECURSOS HUMANOS 22 III. GOVERNO DA SOCIEDADE 27 IV - CUMPRIMENTO DAS ORIENTAÇÕES LEGAIS DE INFORMAÇÃO 41

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1 Relatório e Contas 2011

2 ÍNDICE I. RELATÓRIO DE ATIVIDADES Enquadramento 2. Evolução do Tráfego 3. Atividades desenvolvidas II. RECURSOS HUMANOS 22 III. GOVERNO DA SOCIEDADE Missão, objetivos e políticas da empresa 2. Regulamentos internos e externos 3. Transações relevantes com entidades relacionadas 4. Outras transações 5. Modelo de governo e identificação dos órgãos sociais 6. Remuneração dos membros dos orgãos sociais 7. Análise de sustentabilidade da empresa 8. Avaliação do cumprimento dos Princípios de Bom Governo 9. Código de Ética 10. Informação sobre a existência de um sistema de controlo compatível com a dimensão e complexidade da empresa 11. Identificação dos mecanismos adotados com vista à prevenção de conflitos de interesse 12. Explicitação fundamentada da divulgação de toda a informação atualizada prevista na RCM nº 49/2007, de 28/ Informação sobre o efetivo exercício de poderes de autoridade IV - CUMPRIMENTO DAS ORIENTAÇÕES LEGAIS DE INFORMAÇÃO Objetivos de gestão previstos no artigo 11º do Decreto-Lei nº 300/2007, de 23 de agosto 2. Gestão do Risco Financeiro 3. Prazo Médio de Pagamentos a fornecedores 4. Atrasos nos pagamentos 5. Cumprimentos dos deveres especiais de informação 6. Cumprimento das recomendações do acionista 7. Remunerações 1

3 8. Contratação pública 9. Implementação das medidas previstas no Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), designadamente sobre a adesão da empresa ao Sistema Nacional de Compras Públicas (SNCP) 10. Limites máximos de acréscimo de endividamento definidos para 2011 conforme Despacho nº 155/2011 MEF, de 28 de abril 11. Plano de Redução de Custos definidos para 2011 conforme Despacho nº 155/2011 MEF, de 28 de abril 11. Princípio da Unidade de Tesouraria do Estado previsto no artº 77 da Lei nº 55 A/2010, de 30 de dezembro V EVOLUÇÃO DA TAXA MÉDIA ANUAL DE FINANCIAMENTO 52 VI - ANÁLISE ECONÓMICO-FINANCEIRA 53 VII OBJETIVOS DE GESTÃO.. 63 VIII PROPOSTA DE APLICAÇÃO DE RESULTADOS 64 IX NOTAS FINAIS.. 65 X CONTAS DO EXERCÍCIO 66 XI NOTAS ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 70 2

4 I. RELATÓRIO DE ATIVIDADES Num ano caracterizado por uma conjuntura europeia e nacional de recessão económica e financeira, o porto de Setúbal, no conjunto da sua comunidade de agentes dinamizadores, demonstrou ser competitivo a avaliar pelos resultados obtidos a nível do movimento de mercadorias, tendo ficado a cerca de 100 mil toneladas de atingir o recorde registado no ano anterior, de sete milhões de toneladas. Os números confirmam o porto como pólo essencial para a economia nacional, sobretudo na sua vertente exportadora e nos segmentos da carga de elevado valor, como sejam contentores e veículos, que bateram recordes de movimentação. Em 2011, o porto de Setúbal viu aumentar a oferta de serviços de linha regular da FLOTA SUARDIAZ, para carga roll-on/roll-off, da SEATRADE, de fruta e carga geral, da MAERSK e da TARROS, para transporte de contentores, o que demonstra a crescente preferência por parte de grandes armadores em escalar este porto. Foi também em 2011 que se assistiu ao primeiro embarque direto de veículos fabricados na Autoeuropa para o exterior da União Europeia, como seja o caso do Japão, a que se seguiu a China. O porto de Setúbal viu assim reforçada a sua posição como um porto de primeira linha na rede logística da Volkswagen, com ligações diretas regulares a portos do Extremo Oriente asseguradas pelos armadores Norvegian Car Carriers e NYK Line. Ao nível dos acessos terrestres ao hinterland, a conclusão da ligação rodoviária do porto de Setúbal às autoestradas A2 e A12, por uma via dedicada sem cruzamento e fora do perímetro urbano, permitiu ganhos significativos de tempo, segurança e congestionamento, facilitando o escoamento das mercadorias com destino ou origem no porto, traduzindo-se num aumento de competitividade para o porto e todos os seus clientes. O impacto económico das atividades desenvolvidas no Porto de Setúbal foi objeto de um estudo realizado pelo ISEG (CEGE), onde se concluiu que os efeitos totais das atividades do porto na economia representam cerca de 10,7 mil milhões de euros de volume de negócios, ou seja, 3,3% da região da Grande Lisboa, e de 2,3 mil milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB), ou seja 5% do VAB da Grande Lisboa, correspondendo a 33,3 mil postos de trabalho. 3

5 1. Enquadramento Segundo dados mais recentes da UNCTAD-United Nations Conference on Trade and Development, a economia mundial deverá ter registado um crescimento de 2,8% em 2011, o que representa um abrandamento em relação ao ano anterior. Para tal contribuiu a elevada taxa de desemprego e a diminuição dos rendimentos disponíveis nas economias desenvolvidas, que constituíram um entrave à recuperação espectável. A redução do crescimento também teve como causa o efeito da crise da dívida soberana nos países da área euro, que se agravou na segunda metade do ano. O comércio mundial, de acordo com os dados da Organização Mundial do Comércio, deverá crescer menos do que inicialmente previsto relativamente a 2011, tendo sido revista a previsão inicial de 6,5% para 5,8%. O transporte marítimo, que representa 80% do volume de comércio mundial e 70% do seu valor, viu reforçadas as rotas marítimas Sul-Sul. A China continua a ser o principal recetor e expedidor de mercadorias, começando a ganhar força nestas relações os países africanos e da América Latina. Segundo o Banco de Portugal, 2011 ficou marcado pela crise das dívidas soberanas na Área Euro resultante das fortes tensões nos mercados financeiros que contribuíram para a perda de acesso do sector público e, em consequência, do sector bancário, a financiamento de mercado em condições normais. Em consequência, Portugal solicitou assistência financeira junto do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia, formalizado no Programa de Assistência Económica e Financeira, no qual o governo português se comprometeu a adotar medidas de ajustamento dos desequilíbrios macroeconómicos e de caráter estrutural, mas que terão um inevitável efeito de contração da economia a curto prazo. Principais Indicadores Económicos P PIB em volume (%) Portugal -2,9 1,4-1,6 Índice harmonizado de preços no consumidor (%) Área do Euro -4,2 1,9 [1,5; 1,7] Portugal 2,4 3,5 3,6 Área do Euro 2,2 2,7 [2,6; 2,8] Fonte: Boletim Económico do Banco de Portugal Inverno, Janeiro de 2012; Projeções Macroeconómicas para a Área Euro, Banco Central Europeu, Dezembro de Legenda: (p) - projeções 4

6 2. Evolução do Tráfego Movimento de navios Em 2011, escalaram o porto de Setúbal navios, o que corresponde a uma média de 4,2 navios por dia, a grande maioria dos quais (1.443) veio em atividade comercial e os restantes por outros motivos (visita, reparação, dragagens, etc). O GT médio tem vindo a aumentar com a dimensão média dos navios, implicando ganhos de eficiência e escala nos fretes. Movimento de navios em atividade comercial Var.10/09 Var.11/10 Nº. Nacionais ,7% -34,0% GT (1000 Tons.) Nacionais ,9% -31,6% Nº. Estrangeiros ,1% 3,9% GT (1000 Tons.) Estrangeiros ,8% 2,3% Total Navios ,4% -1,1% Total (1000 Tons.) GT ,7% 0,8% GT Médio (1000 Tons.) 11,05 11,58 11,80 4,8% 1,9% Fonte: APSS, SA Movimento de mercadorias Em 2011, o porto de Setúbal movimentou 6,9 milhões de toneladas, ficando muito próximo de atingir o recorde de sete milhões de toneladas registado no ano anterior. Não obstante o panorama adverso da nossa economia, houve margem para um crescimento bastante significativo na movimentação de carga fracionada e roll-on/roll-off, segmentos nos quais o porto de Setúbal é líder nacional há alguns anos, bem como na carga contentorizada, que tem vindo a assumir um papel expressivo no conjunto da carga geral. Gráfico I Evolução do porto de Setúbal nos últimos cinco anos O porto de Setúbal tem registado, nos últimos anos, um tráfego total situado no intervalo de variação entre as 6 e 7 milhões de toneladas movimentadas, com uma sólida tendência para cargas de maior valor e, mais importante, demonstrando uma vocação exportadora, suportada num hinterland constituído por um tecido empresarial com capacidade competitiva nos mercados externos Total Carga Descarga tons. 5

7 A grande maioria das mercadorias transportadas através do porto de Setúbal teve como origem ou destino o mercado externo, sobretudo países situados fora da União Europeia (como é o caso da Guiné Equatorial, Angola, Argélia, Brasil, Uruguai, entre outros). Importa salientar a recuperação considerável verificada ao nível do comércio com países pertencentes à União Europeia, como é o caso da Espanha, Alemanha, Holanda, Reino Unido, entre os principais. A taxa de cobertura das importações pelas exportações foi de 146%, o que significa que o porto continua a ser essencialmente exportador. O tráfego de cabotagem perdeu peso relativo, certamente devido ao facto de estar suportado em mercadorias como o cimento a granel e produtos petrolíferos, que registaram uma diminuição na movimentação. Movimento de mercadorias por origem/destino Unidade: toneladas Var.10/09 Var.11/10 União Europeia ,5% 12,0% Importação ,5% 10,1% Exportação ,9% 13,7% Restantes países ,9% -2,6% Importação ,7% -7,8% Exportação ,9% 0,9% Total comércio externo ,6% 1,5% Importação ,3% -2,1% Exportação ,0% 4,1% Total cabotagem ,6% -21,2% Cabotagem entrada ,1% -23,5% Cabotagem saída ,8% -19,1% Total geral ,6% -1,6% Fonte: APSS, SA 6

8 Unidade: toneladas País Carga Descarrega Total País Carga Descarrega Total África do Sul Holanda Alemanha Honduras Angola Hong Kong Arábia Saudita Iemen Argélia Índia Argentina Irlanda Austrália Israel Barem Itália Bélgica Japão Benin Jordânia Brasil Kuwait Brunei Letónia Bulgaria Líbano Cabo Verde Líbia Jamahira Árabe Camarões Lituânia Catar Madagáscar Chile Malta China, R.P Marrocos Chipre Mauritânia Colômbia México Comores Mocambique Congo Montenegro Congo, R. D Nicarágua Coreia do Sul Nigéria Costa do Marfim Noruega Costa Rica Panamá Croácia Paraguai Dinamarca Peru Dominicana, República Polonia E.U.A Portugal Egipto Reino Unido Emiratos Árabes Unidos Roménia Equador Russia, Federação da Espanha São Salvador Filipinas São Tomé e Principe Finlândia Senegal França Serra Leoa Gabão Siria, República Árabe Gâmbia Suécia Gana Tailândia Geórgia Taiwan Gibraltar Togo Grécia Tunisia Guatemala Turquia Guiana Ucrânia Guiné Uruguai Guiné Equatorial Venezuela Guiné-Bissau Total Geral Haiti Fonte: APSS, SA 7

9 Analisando o movimento de mercadorias por modo de acondicionamento, destaca-se o crescimento significativo da carga geral em todos os seus segmentos fracionada (28%), contentorizada (48%) e roll-on/roll-off (4%), totalizando cerca de 3,2 milhões de toneladas. Os principais crescimentos registaram-se no movimento de madeiras, cimento ensacado, fruta e produtos metalúrgicos. Destaca-se igualmente a movimentação de cerca de 77 mil TEU, correspondente a 44 mil contentores, o que representa um crescimento de 52% (em TEU) face ao ano anterior (e 45% em número). O número de veículos movimentados atingiu as 175 mil unidades. Por sua vez, o tráfego de granéis, líquidos e sólidos, apresentou uma variação negativa comparativamente a 2010, a qual se ficou a dever à redução verificada quer na movimentação de produtos refinados (fuelóleo, gasóleo e gasolina), quer no clinquer, cimento a granel e carvão/coque. Com variação positiva destaca-se a movimentação de ácidos, madeira a granel (estilha) e minérios. Unidade: toneladas Movimento de mercadorias por Var.10/09 Var.11/10 modo de acondicionamento Granéis líquidos ,0% -10,4% Granéis sólidos ,2% -19,7% Carga geral ,0% 29,3% Carga fracionada ,4% 27,7% Carga contentorizada ,7% 47,7% Carga roll-on/roll-off ,2% 4,0% Total ,6% -1,6% Nº de caixas de 20' e 40' ,4% 44,5% Nº TEU ,9% 52,0% Nº de veículos ,9% 0,6% Fonte: APSS, SA O volume de mercadorias movimentadas nos terminais de serviço público ultrapassou, de forma expressiva, o total registado nos terminais de uso privativo. A explicação reside, por um lado, no crescimento verificado em todos os terminais de serviço público, fortemente suportado em cargas para exportação, totalizando mais de quatro milhões de toneladas; por outro, na redução registada em alguns terminais de uso privativo, que habitualmente movimentam grandes quantidades de carga a granel, como é o caso do carvão, coque, clínquer e produtos refinados. 8

10 Unidade: toneladas Principais mercadorias movimentadas Var.10/09 Var.11/10 Cimento ,9% 8,4% P. Metalúrgicos ,8% 14,4% Clínquer ,5% -45,0% Madeiras ,3% 37,8% Minérios ,1% 86,3% Carvão/Coque ,4% -36,8% Adubos ,4% -11,7% Ro-Ro ,2% 4,0% Gasóleo/Gasolina ,3% -12,6% P. Agrícolas ,4% -18,2% Ácidos ,1% 10,5% Fuelóleo ,3% -29,7% Frutas ,4% 3,1% Pasta de Madeira ,2% -64,9% Pedras Ornamentais ,4% -45,3% Outros ,9% 43,2% Total ,6% -1,6% Fonte: APSS, SA Unidade: toneladas Movimento de mercadorias por cais Var.10/09 Var.11/10 Terminais de serviço público ,0% 23,2% Multiusos - Zona ,5% 12,9% Multiusos - Zona ,3% 33,0% Terminal Roll-On Roll-Off ,6% 14,0% Sapec Granéis Sólidos ,2% 47,0% Sapec - Granéis Líquidos ,1% 5,7% Terminais de uso privativo ,7% -24,1% Termitrena ,6% -42,0% Secil ,1% 5,1% Praias Sado ,4% 3,3% Tanquisado/Eco-Oil ,2% -22,3% Outros ,8% -31,1% Total ,6% -1,6% Rácio Term. serv. púb./uso privat. 0,7 0,9 1,5 39,0% 62,4% Fonte: APSS, SA 9

11 Gráfico II Evolução do tráfego de contentores Entre 2006 e 2011, a movimentação de carga contentorizada quintuplicou, passando de 16 mil para 77 mil TEU, a que certamente não terá sido alheio o esforço comercial de captação deste tráfego e o novo fluxo exportador de papel da fábrica Portucel Soporcel TEU Gráfico III Veículos exportados no Terminal Roll-on/Roll-off A movimentação de veículos em sistema roll-on/roll-off apresenta-se como um segmento estratégico para o 120 porto de Setúbal, aproveitando as afirmando-se como o primeiro porto sinergias que a localização de uma 100 fábrica automóvel permitem obter, nacional neste segmento. A exportação de veículos por modo marítimo apresenta, em 2011, valores idênticos aos verificados em 2006, fruto do sucesso comercial dos modelos 0 fabricados pela AutoEuropa usando o porto de Setúbal como ponto preferencial para o escoamento dos mesmos viaturas Movimento de pescado Em 2011 o volume de pescado transacionado nos portos de Setúbal e Sesimbra registou um crescimento expressivo de 32%, ultrapassando as 21 mil toneladas descarregadas, mais toneladas que no ano anterior. Pescado Var. 2010/2011 (%) Portos Kg /kg Kg /kg Kg /kg Setúbal , ,26-9% 8% -15% Sesimbra , ,20 8% 38% -22% TOTAL , ,21 5% 32% -20% Fonte: Dados Docapesca - Portos e Lotas, SA 10

12 Tráfego fluvial no Rio Sado Em 2011, o movimento de passageiros no Rio Sado atingiu , tendo sido vendidos bilhetes (passes incluídos), de acordo com os dados da Atlantic Ferries, empresa concessionária do serviço de transporte regular entre as duas margens do rio. Nº de Bilhetes vendidos Evolução do Tráfego Fluvial entre as duas margens do Rio Sado Unidade: número de bilhetes VAR abs. VAR % 2010/ /2011 Veículos ,8% Velocípedes ,9% Passageiros ,4% Passes ,6% TOTAL ,1% Fonte: Atlantic Ferries Evolução mensal do tráfego fluvial (por ferry e catamaran) Nº de viagens Jan-11 Mar-11 Mai-11 Jul-11 Set-11 Nov-11 Fonte: Atlantic Ferries 11

13 3. Atividades desenvolvidas No que respeita às intervenções realizadas em 2011, destaca-se, pela importância do investimento e impacto socioeconómico gerado, a conclusão da construção da ponte-cais nº 3 no porto de Sesimbra, cumprindo os prazos e montantes previstos. Com a aprovação do financiamento PROMAR e assegurada a dotação PIDDAC, esta obra foi iniciada em 2010, tendo como objetivo o aumento da frente acostável e melhoria das condições de segurança das embarcações de pesca em Sesimbra. No porto de Sesimbra foram ainda melhoradas as condições de acostagem das embarcações marítimo-turísticas na sequência da instalação do pontão Espadarte entre as pontes-cais nº 1 e 2. No porto de Setúbal, a ligação ferroviária de acesso aos terminais Multiusos Zona 1, Zona 2 e Roll- On/Roll-off foi objeto de uma intervenção de requalificação, a nível do reforço das zonas onde estão instalados os aparelhos de mudança de via, tendo em vista a melhoria das manobras e da circulação ferroviária para os referidos terminais. Ao nível das acessibilidades aos terminais portuários, destaca-se ainda a reparação das juntas de dilatação do viaduto da Cachofarra, melhorando os níveis de segurança numa via de intenso tráfego em ambos os sentidos, sobretudo de veículos pesados. Ao nível da reabilitação e beneficiação de infraestruturas, outras intervenções são merecedoras de destaque, entre elas, a colocação de uma cobertura autoportante sobre o edifício do Cais 3, visando proteger o edifício das intempéries; a reparação do molhe exterior da doca dos pescadores, na sequência dos danos causados à estrutura por um navio em saída do porto; a demolição do Edifício da Salmex; a reparação de uma defensa danificada no Terminal Roll-On/Roll-Off; a elaboração do 12

14 projeto técnico de beneficiação dos corredores laterais e do corpo Sul do edifício Mercado de 2ª venda de pescado de Setúbal (ex-lota); a realização de algumas intervenções de modernização no edifício sede da APSS e na delegação do porto de Sesimbra, entre as principais. Ao nível da gestão de infraestruturas elétricas e unidades de climatização, as intervenções centraram-se na beneficiação geral do sistema de iluminação, montagem de um novo quadro geral e gerador de emergência no edifício sede, bem como a montagem de 78 painéis fotovoltaicos, destinados à produção e venda de energia elétrica à Rede Elétrica Nacional no âmbito do programa de microprodução de energia com tarifa bonificada; na Certificação Energética do edifício-sede; no lançamento de uma campanha com 50 medidas para a poupança de energia no âmbito do Programa ECO.AP (alteração do tipo de iluminação, regulação e controlo, montagem de sistemas de aquecimento solar na pilotagem, etc); na continuação dos trabalhos de preparação da transferência da alimentação elétrica dos edifícios das oficinas, serviços de segurança e CDRN para a EDP; no melhoramento da rede de distribuição de energia em baixa tensão e iluminação pública; na beneficiação geral do posto de transformação do edifício do mercado de 2ª venda (ex-lota); na substituição das unidades de climatização e no melhoramento e substituição de lanternas e farolins do sistema de assinalamento marítimo. A APSS analisou e emitiu cerca de 60 pareceres técnicos relativamente a processos de autorização e de licenciamento de obras particulares, na quase totalidade respeitantes a obras de conservação, bem como participou em diversos grupos de trabalho, designadamente relativos à desafetação de usos na frente ribeirinha de Setúbal, ao Plano Diretor Municipal de Setúbal, à construção de uma rotunda nas Fontainhas, ao Plano Diretor Municipal de Sesimbra, ao reordenamento da marginal de Sesimbra poente e dos apoios de praia da Praia do Ouro, entre os principais. No âmbito do Sistema de Informação Geográfica, procedeu-se à atualização cartográfica, servindo de instrumento de apoio à gestão da campanha de dragagens de manutenção e à gestão do sistema de informação meteorológica APSS. 13

15 Desempenho Ambiental No âmbito da monitorização ambiental, a avaliação da qualidade da água distribuída na área de jurisdição da APSS (Setúbal e Sesimbra) foi feita de acordo com as recomendações do Instituto Regulador de Águas e Resíduos, tendo-se verificado que se encontrava dentro dos parâmetros legislados ou recomendados. Há apenas a referir a baixa concentração de oxigénio dissolvido no edifício dos cacifos de Setúbal. No último trimestre foram ainda realizadas as campanhas de caracterização de sedimentos para apoio às dragagens de manutenção que se realizarão em Tendo como objetivo fomentar uma abordagem que garanta a sustentabilidade ambiental da atividade de construção civil, privilegiando a redução, reutilização e reciclagem de resíduos, foram elaborados Planos de Prevenção e Gestão de Resíduos de Construção e Demolição para oito empreitadas realizadas pela APSS. Ao nível da gestão de resíduos, em 2011 movimentaram-se nos portos de Setúbal e Sesimbra cerca 230 mil toneladas de resíduos, 47% dos quais seguiram destinos de valorização (armazenamento, reciclagem, refinação) e 53% foram para destruição. Verificou-se um aumento superior a 10% relativamente ao volume movimentado no ano anterior, fruto de intervenções de limpeza de grande dimensão realizadas, assim como a descontaminação de embarcações no Trem Naval, o que explica o volume elevado de resíduos enviados para eliminação. Unidade: kg Tipo de Resíduos movimentados em 2011 Valorização Eliminação Óleos usados Resíduos com hidrocarbonetos (a) Embalagens e absorventes contaminados Filtros de óleo 465 Solventes 65 Lâmpadas (c) (c) Embalagens de madeira e plástico Resíduos de Construções e Demolições Resíduos de Equipamentos, Elétricos e Eletrónicos Redes Resíduos de Navios (b) Resíduos urbanos Outros Total/destino Total geral % %(excluindo os resíduos de navios) (d) Notas: (a) Inclui resíduos de combustíveis; (b) Estes resíduos são obrigatoriamente enviados para eliminação por conterem restos de cozinha e de mesa de transportes internacionais ; (c) Resíduo não contabilizado por ser inserido no circuito integrado de gestão de REEE aquando da aquisição de novos elementos; (d) Excluindo os resíduos de navios cujo destino é obrigatoriamente a eliminação. 14

16 As preocupações com a valorização de resíduos estão em melhoria contínua, verificando-se atualmente, para quase todas as tipologias de resíduos, pelo menos um encaminhamento para destinos de valorização. Registaram-se pela primeira vez, proveitos relacionados com a valorização de resíduos. Outros circuitos de recolha seletiva anteriormente implementados foram mantidos, destacando-se o encaminhamento de óleos usados para a Sogilub Sociedade de Gestão Integrada de Óleos Lubrificantes Usados, Lda. No âmbito do Plano Portuário de Gestão de Resíduos, foram registadas 539 recolhas (face a 350 recolhas no ano anterior), perfazendo um total de kilogramas de resíduos, enviados obrigatoriamente para eliminação por conterem restos de cozinha e de mesa de transportes internacionais. A APSS procedeu à verificação da Declaração de Resíduos dos navios comerciais que utilizaram o Porto de Setúbal e dos procedimentos associados às descargas de resíduos. A APSS continuou em 2011 a remodelar os pontos de recolha de óleos usados permitindo, com as novas estruturas, a adoção de melhores práticas ambientais e a integração paisagística no ambiente envolvente. Na Doca das Fontainhas procedeu-se à substituição e relocalização de um oleão de metal por um depósito em polietileno rotomoldado de alta resistência e com paredes duplas, possibilitando a retenção no seu interior de um eventual derrame, sendo esta ocorrência visível através de um sinalizador exterior. Na Doca dos Pescadores foi instalada uma cobertura de proteção no ponto de recolha de óleos e de outros materiais contaminados. No Trem Naval de Santa Catarina foi instalado um ponto de recolha coberto para óleo usado, embalagens, filtros de óleo e absorventes. Foi igualmente efetuada a sinalização dos diversos contentores de resíduos na APSS. Atendendo à praga do escaravelho das palmeiras, que atacou o sul do país e à importância que esta espécie ornamental assume nas áreas verdes da APSS, foram efetuadas diversas aplicações de pesticida e corte de exemplares de palmeiras no âmbito do combate obrigatório a esta praga. Sistema de Gestão da Qualidade Em 2011, foi concluída a auditoria de acompanhamento ao Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) da APSS, segundo o referencial NP EN ISO 9001:2008. Esta ação inseriu-se no segundo ciclo de 15

17 auditorias levadas a cabo pela Lloyd s Register Quality Assurance, com carácter anual, desde a obtenção do primeiro certificado da Qualidade em Foram também concluídas as auditorias de concessão realizadas pela entidade certificadora Lloyd s Register Quality Assurance, que tiveram como objetivo a confirmação que o Sistema de Gestão da Qualidade e Ambiente da APSS cumpre todos os requisitos da norma de referência NP EN ISO 14001:2004. Procedeu-se a uma revisão da Política da Qualidade de modo a introduzir a componente ambiental no âmbito da Certificação da Qualidade e Ambiente, tendo sido desenvolvida uma matriz que abrange as diversas atividades exercidas pela empresa e a respetiva avaliação dos impactes ambientais, no sentido de controlar e mitigar os seus efeitos. Na ótica da melhoria contínua, foram contabilizados 103 pedidos de ação no âmbito do SGQA dos quais resultaram ações corretivas, preventivas e de melhoria. Igualmente, em 2011, realizaram-se diversas auditorias internas promovidas pela bolsa de auditores dos processos internos, a fim de se avaliar o grau de implementação do Sistema de Gestão da Qualidade e Ambiente nos diversos serviços da APSS. Foi dado seguimento às reclamações apresentadas no ano anterior, bem como se realizaram questionários à satisfação dos clientes do porto, abrangendo a comunidade portuária local e comandantes dos navios que escalaram o porto de Setúbal. A aplicação informática de apoio ao Sistema de Gestão da Qualidade B-Quality foi desenvolvida, nomeadamente no controlo documental, documentos inteligentes, calendarização de atividades internas, plano de manutenção de equipamentos e fichas de funções dos colaboradores, tendo sido estendida ao acompanhamento de concessões e de licenças dominiais. 16

18 Segurança Marítima e Portuária No âmbito da segurança foram realizadas as seguintes ações: Prestação de serviços de tráfego marítimo pelo Centro de Controlo do Tráfego Marítimo (VTS) do Porto de Setúbal em regime permanente, em conformidade com as disposições da Resolução IMO A.857 (20) Guidelines for Vessel Traffic Services ; Realização de várias ações de assessoria técnica internas e externas, e de participação em diversos atos de coordenação com outras entidades e organismos oficiais com competências no âmbito dos serviços de tráfego marítimo, da segurança, da proteção marítimo-portuária, e da prevenção da poluição marítima; Emissão de autorizações na Janela Única Portuária (JUP) para movimentação de mercadorias perigosas (HAZMAT), realização de trabalhos a bordo, fornecimentos a navios; Gestão da manutenção dos equipamentos e sistemas do Centro de Controlo de Tráfego marítimo (VTS), de videovigilância, de deteção e combate a incêndios e poluição no mar por hidrocarbonetos da APSS; Atualização do Plano de Emergência Interno (PEI) e do Plano de Contingência Interno (PCI) para Combate a Derrames Acidentais de Hidrocarbonetos da APSS. Proteção Portuária Participação e envolvimento da APSS em exercícios de proteção envolvendo instalações portuárias, navios de bandeira estrangeira e demais autoridades; Desenvolveu-se o exercício Bomba-Set 2011, com a coordenação da APSS e da Capitania do Porto de Setúbal (Autoridade Marítima), colocando todas as onze instalações portuárias, os navios em porto e o operador de transporte de passageiros do rio Sado a participar simultaneamente num exercício, que envolveu centenas de pessoas da comunidade portuária em estreita colaboração com a Polícia Marítima, PSP, GNR, Unidade de Controlo costeiro, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Governo Civil, Polícia Judiciária, entre outras. 17

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