UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO-OESTE - UNICENTRO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM MÍDIAS NA EDUCAÇÃO MURILO DE OLIVEIRA LAZARIN ORIENTADOR(A):

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1 UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO-OESTE - UNICENTRO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM MÍDIAS NA EDUCAÇÃO MURILO DE OLIVEIRA LAZARIN ORIENTADOR(A): UMA ESCOLA COMPARTILHADA Curitiba 2013

2 MURILO DE OLIVEIRA LAZARIN UMA ESCOLA COMPARTILHADA Projeto de pesquisa apresentado ao professor Paulo Guilhermeti, docente da disciplina de Metodologia Científica II, do Curso de Especialização em Mídias na Educação, UNICENTRO. Curitiba 2013

3 1 TÍTULO Através do compartilhamento de informações visa-se aumentar o diálogo dentro da comunidade escolar. 2 INTRODUÇÃO Para que se trave uma comunicação entre os seres é preciso estabelecer um conjunto de signos e símbolos que, através de regras, constroem informações. Assim, o homem criou a linguagem que se derivou em matéria oral, escrita e visual. (LEMOS, 1997). Em seus primórdios todas essas mídias de comunicação estabeleciam-se enquanto unidades isoladas, tendo suas regras e preceitos individualizados. A partir da ultima metade do século XX, com o advento da internet, esse cenário começou a mudar para um caminho sem volta: a forma diferenciada de estabelecermos comunicação e de gerenciarmos informação em multiplataformas (LEMOS, 1997). As tecnologias de informação e comunicação (TICs) estão presentes em nosso dia-a-dia em todos os momentos: no trabalho, na rua, em casa, nos momentos de lazer e até no momento em que dormimos. Palavras como notebook, pen-drive e já fazem parte de nosso vocabulário diário. Segundo Carvalho Neto (2005), tecnologia significa solução, não podendo ser confundida como sinônimo de mídia ou técnica. Ela se constitui no produto final, na solução aproximativa para um dado problema. Esta tecnologia nunca é definitiva, pois como o conhecimento é algo que está sempre em movimento, também as soluções tendem a acompanhar a dinâmica das necessidades que se apresentam. Lévy (1999) aponta que o desenvolvimento das tecnologias digitais e a profusão de redes interativas - quer se queira ou não -, colocam a humanidade diante de um caminho sem volta: já não somos como antes. As práticas, atitudes, modos de pensamento e valores estão, cada vez mais, sendo condicionados pelo novo espaço de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores: o ciberespaço. A inovação dos dispositivos não inova a educação por si só. Porém, quando identificamos que por meio desses dispositivos a sociedade aprende e produz conhecimento de outra forma, e que novas possibilidades são vislumbradas, vivenciadas e consolidadas, então sim, passamos a falar de inovação na pedagogia, nos processos educacionais, em nossa prática pedagógica. Neste contexto, trazer a linguagem cibernética para o domínio da educação é uma necessidade que se apresenta, tanto pelo fato de sua centralidade no domínio do pensar e sentir dos sujeitos envolvidos no processo educativo, quanto pela sua constante presença no mundo contemporâneo, moldando novas formas de apreensão da realidade. As novas gerações estão imersas nas vias impressas e audiovisuais. (MELO, 2007). Sendo a Educação um dos setores com maiores repercussões no futuro de uma nação, é importante que acompanhe as mudanças do mundo exterior e adote as que melhor se enquadrem no seu cotidiano. Quanto mais cedo, melhor, pois quanto menos a escola se atrasar, mais contribuirá para reduzir a distância que a separa do mundo real (PAIVA, 2006). A escola tem uma função muito clara (ou deveria ter): socialização do conhecimento. Porém, grande parte das escolas não compreende o espaço escolar no seu real sentido. De forma equivocada, muitos profissionais que atuam na escola não a organizam de forma que haja um trabalho pedagógico por trás da socialização do conhecimento. Assim, questões primordiais que poderiam enriquecer o conhecimento e a aprendizagem dos alunos (e também a prática pedagógica dos próprios profissionais que atuam na escola), são esquecidas em gavetas velhas e taxadas como arquivo-morto.

4 Se a função primordial da escola é socializar conhecimento, entende-se que os principais favorecidos desta socialização são os alunos. A escola pode ter a melhor infraestrutura, os melhores professores, o melhor projeto político-pedagógico e ainda assim não satisfazer os alunos. Se não há um sentido comum em que todos trabalhem coletivamente, não há interesse, não há descoberta (APPLE, 1994). Para Bakhtin (1981), o diálogo é entendido no sentido mais amplo do termo [...] não apenas a comunicação em voz alta de pessoas colocadas face a face, mas toda comunicação verbal de qualquer tipo, que seja (BAKHTIN,1981). Neste contexto, acreditamos que a publicidade dos eventos a toda a comunidade escolar, bem como o diálogo entre os membros desta comunidade tende a favorecer o fortalecimento de vínculos e gerar ações coletivas de maior impacto no convívio escolar. O , as redes sociais e os canais de videos pelas suas qualidades intrínsecas, enquanto ferramenta digital, encerram inúmeras potencialidades e possibilidades ao nível da comunicação, entre outras: Simplicidade no manuseamento, ubiquidade como forma de comunicação, baixo custo de produção e veiculação, a versatilidade de envios digitais (imagem, texto, som e vídeo), a abrangência de outputs (permitindo que as mensagens sejam guardadas, imprimidas, cortadas ou compostas, reenviadas), a ecologia (permite em muitos casos correções e recepções de documentos sem necessidade de gastar papel na impressão dos mesmos) (BELISLE, 1996). Escolhemos esses veículos midiáticos porque, pelas suas características, abrem portas à comunicação para além da escola, entre alunos, professores e encarregados de educação. Com a pesquisa de uso de mídias pelos professores, visamos montar um panorama quantitativo na aplicação e retorno dessas mídias. Além de aumentar a comunicação professor/aluno, professor/professor, escola/comunidade Queremos levar os professores, os alunos e os pais a sentir e vivenciar que aprender é ligar-se e ligar, e que todo o aprendiz constrói o que aprende a partir das suas próprias experiências, emoções, atitudes, crenças, vontade e nível de consciência. Acreditamos que na medida em que a nossa comunidade virtual se for estabelecendo, também se produzirão frutos na comunidade presencial e, não menos importante, se pode, direta e indiretamente, praticar estratégias mais apaziguadoras e duradoiras, entre alunos, professores e encarregados de educação (PAIVA, 2006). Em um colégio estadual localizado na região central da cidade de Curitiba-PR existe um déficit no setor de comunicação interna e externa, tornado carente o diálogo entre a comunidade escolar. Este trabalho é uma tentativa de maximizar este diálogo, onde a falta da publicidade dos trabalhos desenvolvidos pelos agentes da comunidade e o diálogo entre os membros desta, exclui trabalhos conjuntos e ações unidas e integradas. A investigação almeja elevar o desejo de uma escola mais eficaz e ousada, usando mais e melhor as tecnologias. Ainda neste espaço educativo, temos a figura do pedagogo. Dentro da educação o pedagogo não pode ser visto apenas como quem coordena o processo educacional, mas aquele que provoca reflexões críticas em torno das contradições subjacentes do atual contexto social, no sentido de articular ações inovadoras que valorizem a escola pública e sua modernização a partir da inserção das novas mídias no trabalho pedagógico. (DORIGONI e SILVA, 2003) Com o princípio de atribuir maior dinamicidade ao processo pedagógico estabelecendo maior coerência com os desafios da modernidade, faz-se importante o trabalho de criar uma sistematização no arquivamento e disponibilização dos documentos virtuais do setor pedagógico da referida escola. Nossa missão na escola será fortalecer os contextos que permitam proporcionar as condições e o ambiente para a aquisição de saberes e competências, bem como o

5 crescimento pessoal, a reflexão, a abertura de horizontes, em suma o aprender a conhecer, o aprender a fazer, o aprender a viver juntos e o aprender a ser (DELORS, 1996). 3 OBJETIVOS 3.1 Geral Possibilitar um maior diálogo entre toda comunidade escolar por meio da criação de um setor de comunicação em um colégio estadual na cidade de Curitiba-PR. 3.2 Específicos Facilitar a organização e arquivamento de documentos virtuais no setor pedagógico; Proporcionar acompanhamento pedagógico e pelos pais dos acontecimentos diários do aluno no ambiente escolar; Envolver os pais e demais membros da comunidade na organização e divulgação das atividades escolares; Impulsionar a divulgação de eventos que envolvam a comunidade escolar; Criar uma identidade visual do colégio. 4 PRESSUPOSTOS TEÓRICOS A educação escolar brasileira é gerida pelo princípio da gestão democrática contido na Constituição Federal de É nesse sentido que entendemos a escola como um bem público, de direito de todos e dever do Estado. Na escola várias atividades democráticas são realizadas, sejam elas administrativas ou pedagógicas. Tradicionalmente, as escolas e as famílias têm sido encaradas como instituições que representam uma mais valia no desenvolvimento das crianças. Contudo, as comunidades têm sido alvo de uma atenção especial no que concerne ao papel que representam a socialização dos mais novos, assim como o fato de assegurarem o sucesso dos alunos em vários domínios sociais (PAIVA, 2006). Os pais tendem a enriquecer a imagem que os filhos têm da escola, isto é aumentar as expectativas face à escola, a adquirir novas competências educacionais melhorando as práticas educativas familiares e a estabelecer relações mais calorosas e participativas com a instituição escolar que os estimula como pessoas e cidadãos (LOPES e PAIVA, 2008). As escolas em que os professores cooperam com os pais, do ponto de vista organizacional, refletem geralmente um clima aberto, caloroso e democrático sendo capazes de gerir a diversidade da população escolar como um fator positivo (DAPP, 2000). Os professores procuram sempre saber como criar parcerias de trabalho com as famílias de uma forma positiva e como envolver a comunidade, para assim aumentar o sucesso escolar dos alunos. As famílias desejam saber se as escolas estão a providenciar/proporcionar uma educação de qualidade aos seus educandos, e também procuram ajudar as suas crianças, assim como comunicar com os professores e cooperar com os mesmos na educação dos seus educandos.

6 São várias as razões que levam ao desenvolvimento de parcerias das escolas, famílias e comunidades: permitir apoio e certos serviços às famílias; aumentar as competências e a liderança dos pais; ligar famílias com a comunidade escolar e com a comunidade em geral e interagir com os professores no desenvolvimento do seu trabalho. Contudo, a razão primordial para criar e implementar tais parcerias é ajudar e apoiar os alunos a ter sucesso na escola e na vida futura (LOPES e PAIVA, 2008). Aprender envolve a prática do diálogo, a partilha de ideias entre as pessoas. A aprendizagem é um processo criativo para cada um e para o grupo. Deste modo, o mundo, a escola, a família e o próprio sujeito da aprendizagem não são entidades estanques e distintas que comunicam de forma pontual e descontextualizada, mas antes entidades interdependentes e dinâmicas, constituintes fundamentais de uma mesma comunidade de aprendizagem que situa, contextualiza e fundamenta o desenvolvimento do cidadão, permitindo ao homem criar e partilhar o seu presente e o seu futuro. As tecnologias, em todo este processo, podem e devem ser uma excelente ajuda (PAIVA, 2006). Os avanços tecnológicos estão sendo utilizados praticamente por todos os ramos do conhecimento. As descobertas são extremamente rápidas e estão a nossa disposição com uma velocidade nunca antes imaginada. A realidade mundial faz com que nossos alunos estejam cada vez mais informados, atualizados, e participantes deste mundo globalizado (KALINKE, 1999). Cada época e cada grupo social têm seu próprio repertório de formas de discurso que funciona como um espelho que reflete e refrata o cotidiano (MELO, 2007). Vivemos em uma esfera global de compartilhamento de informações, seja através das redes sociais, de sites, blogs ou vídeos. A acessibilidade vem junto com a ubiquidade e a mobilidade. É dever da escola estar apta e disponível a essa nova situação midiática. A real integração das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) nas escolas, tantas vezes centrada quase em exclusivo nos professores, nas disciplinas, no apetrechamento informático das escolas, está, de fato, contida numa totalidade muitíssimo complexa, que depende de numerosas variáveis que incluem, entre outros: professores, alunos, infraestruturas informáticas da escola, meio sócio-económico-cultural das famílias dos alunos, outros agentes educativos, diferenças e motivações individuais e outros sentimentos da mais variada índole (PAIVA, 2006). Apesar da complexidade da situação acreditamos que é a partir da análise das relações entre estas variáveis, em cada escola e da consequente reflexão, que poderemos progredir no melhor uso das TICs por parte de alunos, professores e restante comunidade educativa (PAIVA, 2006). A escola pós-moderna exige de todos a mudança deste paradigma e a assunção de que, quer a tecnologia, quer a informação, não são os fins em si próprias. As TIC só valem ao serviço dos processos, dos indivíduos e, valem tanto quanto puderem ser partilhadas, no entendimento de que só se aprende e cresce com os outros, numa atitude primeiro dual e depois extensível a muitos (PAIVA, 2006). No contexto sócio-educativo, as TIC s são de referir, entre outras vantagens, a interação diferenciada que o professor pode estabelecer com os seus alunos quando recorre à comunicação por e redes sociais, à participação à distância em experiências colaborativas, ao intercâmbio de saberes por videoconferência, etc, vantagens estas que se estendem a todos os membros que dialogam no âmbito escolar (PAIVA, 2006). 5 PRESSUPOSTOS METODOLÓGICOS Este projeto será desenvolvida em um colégio estadual na região central da cidade de Curitiba-PR durante o primeiro semestre de Ela envolverá toda a comunidade

7 escolar: funcionários, professores, direção, alunos e pais. A pesquisa terá uma abordagem quantitativa na medida em que se propõe a fazer um levantamento de dados sobre o uso de meios midiáticos pelos professores e funcionários em seu dia a dia e em sala de aula, bem como a frequência do uso dos recursos disponíveis no colégio. Para alcançar os objetivos de cunho exploratórios e descritivos da pesquisaação, pretende-se criar e gerenciar o setor de comunicação do colégio que ficará, em princípio, sob minha direção. Este trabalho consistirá em produzir, centralizar e veicular, através de redes sociais e mailing, todo o material audiovisual do colégio. Além disso, para aprimoramento do trabalho pedagógico, será feita a atualização do sistema de armazenamento de arquivos da equipe pedagógica. O retorno da efetividade das ações propostas será mensurado através de questionários e enquetes durante eventos que envolvam a comunidade escolar. O feedback através das redes sociais e s também será computado. 6 CRONOGRAMA Atividades 2014 Fev Mar Abril Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Levantamento Bibliográfico x x Revisão de Literatura x x Coleta de Dados x x Análise de Dados x x x Implementação do setor de x x comunicação Divulgação e Mensuração da x x x x x comunicação Discussão de dados x x Elaboração do artigo x x x 7 REFERÊNCIAS APPLE, M. W. Repensando ideologia e currículo. In: MOREIRA, A.; SILVA, T. T. (Orgs.). Currículo, cultura e sociedade. São Paulo: Cortez, 1994, p BAKTHIN,M. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. Hucitec. São Paulo,1981. BELISLE, R. (1996). Activities in the ESL Writing Class. The Internet TESL Journal, II, Disponível em Acessado em 20 de janeiro de CARVALHO NETO, C.Z. Por uma pedagogia vivencial. In Revista Direcional Escolas. Ed DAPP. A parceria entre a escola, a família e a comunidade: relatório final sobre uma visão prospectiva da relação escola/família comunidade: criando parcerias para uma aprendizagem de sucesso. Departamento de Avaliação Prospectiva e Planeamento do Ministério da Educação

8 Disponível em Acessado em 20 jan 2014 DELORS, J. Educação um Tesouro a Descobrir. Porto: Edições ASA, DORIGONI, Gilza Maria Leite. SILVA, João Carlos da. Mídia e Educação: o uso das novas tecnologias no espaço escolar. Polity Press, KALINKE, Marco Aurélio. Para não ser um professor do século passado. Curitiba: Gráfica Expoente, LEMOS, André. Anjos interativos e retribalização do mundo. Sobre interatividade e interafaces digitais. In: Tendências XXI. Lisboa, LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, LOPES, J.L., PAIVA, J. Professores envolvendo pais nos trabalhos de casa de ciências naturais: uma experiência usando a web. Educação,Formação & Tecnologias, vol. 1 (1), Maio, 2008 MELO, M.T. Processos de objetivação e subjetivação em ambientes de ead. Revista Acadêmica, V.1 N o 3, Jan/Jun. UNIVALI, PAIVA, M.J.A.F.A. As Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação: diagnósticos, reflexões e uma experiência com o numa escola de 3 o ciclo f. Tese (Doutorado em Ciências da Educação) - Universidade de Coimbra Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Coimbra, 2006.

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