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1 INSTITUTO POLITÉCNICO DE SETÚBAL ESCOLA SUPERIOR DE CIÊNCIAS EMPRESARIAIS Departamento de Economia e Gestão Gestão da Distribuição e da Logística Gestão de Recursos Humanos Gestão de Sistemas de Informação Marketing CONCLUSÕES FINAIS DO SEMINÁRIO "IDE: Contributos para a Competitividade" Sandrina Berthault Moreira Setúbal, 2 de Dezembro de 2004

2 O Departamento de Economia e Gestão da Escola Superior de Ciências Empresarias (ESCE) do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) promoveu, no passado dia 24 de Novembro de 2004, um Seminário subordinado ao tema "Investimento Directo Estrangeiro: Contributos para a Competitividade". O evento, organizado pelos docentes da disciplina de, pretendeu abordar questões como a relevância do Investimento Directo Estrangeiro (IDE) para o desenvolvimento e a competitividade das economias, o fenómeno do desinvestimento estrangeiro em Portugal e casos de IDE em Portugal relatados por empresas. O programa deste seminário incluiu um painel de ilustres oradores que puderam contar com a presença de alunos, empresas e entidades públicas da região, e demais interessados. O documento que agora se divulga pretende reunir os principais contributos das comunicações apresentadas nos dois painéis que integraram o Seminário. Aos alunos da disciplina de foi-lhes solicitada a elaboração de um Relatório do Seminário, composto por uma reflexão crítica do grupo sobre as temáticas abordadas no Seminário e pela análise de um tema de IDE. Para os demais interessados, transcreve-se as linhas de orientação para a reflexão crítica do Seminário e os temas de IDE propostos pelos docentes da disciplina, constantes no guião do Relatório do Seminário. Linhas de orientação para a reflexão crítica do Seminário: 1. Comente o conteúdo do Seminário na perspectiva do conjunto dos temas abordados e seu encadeamento. 2. Refira se discorda de algumas das ideias debatidas e contraponha a sua opinião. 3. Retire as principais ilações das experiências empresariais apresentadas. Temas IDE propostos: Evolução e caracterização dos fluxos de IDE em Portugal na última década Evolução e caracterização dos fluxos de Investimento Directo Português no Exterior na última década Critérios de escolha na decisão de deslocalizar Papel do Governo na atracção de IDE Impactos do IDE para os países de origem Impactos do IDE para os países de destino Ano Lectivo:

3 Impactos do IDE na região onde está inserido: a península de Setúbal Potencialidades da península de Setúbal para a atracção de IDE Tema livre Comunicação intitulada "O IDE como factor de competitividade", apresentada pela Professora Ana Teresa Tavares (Faculdade de Economia, Universidade do Porto): 1. A avaliação do impacto do IDE na competitividade não é tarefa fácil. As áreas de impacto são múltiplas. A produtividade, o emprego, as componentes da balança comercial e, por essa via, o crescimento económico, são algumas das áreas relevantes para medir o impacto do IDE, ainda que por aproximação. 2. Os impactos do IDE não são garantidos. Importa realçar duas preocupações, sobretudo para Portugal: a quantidade nem sempre representa a qualidade (emprego qualificado, exportações de valor acrescentado); mais difícil que atrair IDE, é enraizá-lo no tecido local. 3. A regulação no IDE não existe de forma organizada e positiva para todos. 4. Mais importante do que as políticas com enfoque no IDE, e em particular a questão dos incentivos que é deveras polémica, são as acções concertadas dos decisores políticos em áreas como a educação e formação, a tecnologia e a inovação. Comunicação intitulada "Desinvestimento por empresas de capital estrangeiro: condições iniciais, processos de aprovisionamento e fronteiras da empresa", apresentada pelo Professor Vítor Corado Simões (ISEG, Universidade Técnica de Lisboa): 1. Seis empresas da área do Vestuário e Calçado foram objecto de um estudo empírico sobre o desinvestimento efectuado em Portugal. As características da empresa multinacional (EMN), as características da empresa objecto de desinvestimento, o contexto sectorial e o contexto territorial são as quatro dimensões básicas que explicam a redução de empenhamento da EMN na subsidiária e o consequente desinvestimento. 2. Em termos relativos, Portugal deixou de ser uma localização interessante para actividades intensivas não em conhecimento mas em trabalho não qualificado. Num mundo cada vez mais global, há novas localizações para os investimentos em actividades de produção pouco exigentes (Europa do Leste, Extremo Oriente). Ano Lectivo:

4 As lógicas de aprovisionamento das EMN também se alteraram, com recurso ao outsourcing. Logo, "a política de atracção de investimentos nas indústrias tradicionais terá de apostar numa maior sofisticação de actividades sem esquecer as tendências da política de aprovisionamento das EMN". 3. É fundamental dinamizar as actividades das empresas já existentes em Portugal. A criação de competências em marketing deve ser promovida, senão há dificuldade de legitimidade da empresa em permanecer no país. Comunicação intitulada "Siemens: Inovação made in Portugal", apresentada pelo Eng.º Pereira de Oliveira: 1. De uma dinâmica de "produção" para uma dinâmica de "inovação". Em 1995, a Siemens Portugal substitui "uma estrutura centrada na produção e na comercialização dos produtos por um centro de competências". Em 2003, a empresa passa a ser um centro de inovação, onde se realiza "o trabalho puro de concepção, de design e de desenvolvimento dos produtos que conquistarão o mercado dentro de três, quatro, ou cinco anos". 2. A aposta da Siemens Portugal está num modelo de desenvolvimento baseado na inovação made in Portugal, sendo certo que a inovação não se resume na tecnologia e que este factor de diferenciação só faz sentido se focado no cliente (mercado). 3. A estratégia da Siemens Portugal é concentrar-se num modelo tipo "Palo Alto", focalizado no alto valor mas também no alto custo, por oposição ao modelo de "Bangalore", centrado na baixa tecnologia e no baixo custo. Comunicação intitulada "Lusosider: Portugal, uma plataforma para negócios brasileiros na União Europeia", apresentada pelo Eng.º António Lemos: 1. A Lusosider, detida pelas multinacionais CSN e Corus, posiciona-se como porta de entrada da Companhia Siderúrgica Nacional na Europa. 2. É um exemplo de sucesso de um investimento brasileiro em Portugal. O volume de negócios deverá registar um incremento de 40% no corrente ano e está previsto que ascenda aos 240 milhões de euros no próximo ano. A produção, por seu turno, deve apresentar um acréscimo de 21% face ao ano passado e, segundo previsões, atingirá as 400 toneladas em Ano Lectivo:

5 3. Apesar da "experiência muito positiva" entre a Lusosider e a Agência Portuguesa para o Investimento (API), o director de produção da empresa não deixou de mencionar os tradicionais entraves a um relacionamento de qualidade e excelência entre as instituições públicas portuguesas e o núcleo empresarial. Comunicação intitulada "Volkswagen Autoeuropa: Investimento Directo Estrangeiro em Portugal", apresentada pelo Eng.º Miguel Redmont: 1. A Autoeuropa, uma joint-venture entre a Ford e a VW, distingue-se pelo peso que tem nas exportações e no PIB nacional e pela manutenção e criação de emprego. Segundo dados de 2003, o impacto do volume de vendas da Autoeuropa nas exportações portuguesas é de 5% e no PIB português de 1,2%. A Autoeuropa envolveu a construção de um parque industrial nas imediações da empresa que, em conjunto, empregam um total de 6200 colaboradores (dados de 2003). 2. Os factores apontados como determinantes para o sucesso da empresa centram-se na agilidade, disciplina de entrega, qualidade e eficiência na gestão dos custos. 3. As várias empresas fornecedoras, localizadas no parque industrial de Palmela, e outros fornecedores próximos permitem que as entregas sejam efectuadas num sistema just-in-time. "Além do representante da multinacional brasileira, participaram também neste encontro Pereira de Oliveira, da Siemens, e Miguel Redmont, da Auto Europa. Todos sublinharam o contributo das multinacionais para a competitividade de Portugal, com a introdução de novas formas de gestão e organização das empresas, e pela aposta na inovação e melhoria contínua da actividade laboral. Por outro lado, elogiaram a mãode-obra portuguesa, atribuindo a responsabilidade pela baixa produtividade à falta de uma cultura de gestão e de organização das empresas" in Diário de Notícias, 25 de Novembro de Ano Lectivo:

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