CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DA BAHIA Curso de Graduação em Administração com habilitação em Administração Hoteleira

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1 CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DA BAHIA Curso de Graduação em Administração com habilitação em Administração Hoteleira MICHELE SILVA ARAÚJO CREDENCIAMENTO DOS ALBERGUES DA JUVENTUDE NA CIDADE DE SALVADOR, LOCALIZADOS NA BARRA E NO CENTRO HISTÓRICO SALVADOR 2005

2 MICHELE SILVA ARAÚJO CREDENCIAMENTO DOS ALBERGUES DA JUVENTUDE NA CIDADE DE SALVADOR, LOCALIZADOS NA BARRA E NO CENTRO HISTÓRICO Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Administração com Habilitação em Administração Hoteleira do Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia como requisito obrigatório para obtenção do título de Bacharel em Administração com Habilitação em Administração Hoteleira Orientadora: Glauria Janaina dos Santos SALVADOR 2005

3 TERMO DE APROVAÇÃO MICHELE SILVA ARAÚJO CREDENCIAMENTO DOS ALBERGUES DA JUVENTUDE NA CIDADE DE SALVADOR, LOCALIZADOS NA BARRA E NO CENTRO HISTÓRICO Esta monografia foi julgada e aprovada para obtenção do título de Bacharel em Administração com Habilitação em Administração Hoteleira no Curso de Administração com Habilitação em Administração Hoteleira do Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia. Banca Examinadora PROFª. GLAURIA JANAINA DOS SANTOS - ORIENTADORA PROFº DR. CARLOS ALEX DE CANTUÁRIA CYPRIANO - EXAMINADOR PROFº. DR. NILTON VASCONCELOS JÚNIOR - EXAMINADOR Salvador, 16 de Novembro de 2005

4 Aos meus queridos pais, José Elias e Maria José, por serem o meu suporte, dando-me sempre amor e incentivo, torcendo por minhas vitórias e conquistas, e ao meu companheiro de todas as horas, Pedro, pela paciência, apoio e carinho.

5 AGRADECIMENTOS A Deus por estar sempre presente em minha vida, iluminando meu caminho; A minha família, meu noivo e meus amigos pela compreensão e apoio em todos os momentos e por estarem sempre ao meu lado; Ao Professor Coordenador Alex Cypriano, pelo apoio e colaboração; A Professora, Orientadora e Amiga Glauria Janaina, pelo incentivo, paciência e dedicação constantes; A todos os professores desta Instituição que contribuíram para o meu crescimento acadêmico, e em especial ao Professor Nilton Vasconcelos, pela confiança sempre demonstrada; Aos proprietários e representantes dos estabelecimentos visitados, pela disponibilidade e informações cedidas, em especial a Maria Auxiliadora, funcionária do Laranjeiras Hostel, pela paciência, boa vontade e contribuição indispensáveis para o desenvolvimento desta pesquisa; Enfim, a todos que de alguma forma me ajudaram no desenvolvimento desta pesquisa, contribuindo para o meu desenvolvimento pessoal e profissional.

6 O mundo é como um livro Quem não viaja, só lê uma página. Santo Agostinho

7 RESUMO O Turismo está em constante desenvolvimento e um dos suportes básicos para a concretização das viagens turísticas são os meios de hospedagem. O fato do hóspede ser cada vez mais exigente e diversificado obriga os hoteleiros a se adaptarem às suas necessidades. No Brasil, quem procura um local agradável, de boa qualidade e a um preço acessível, pode recorrer a um Albergue da Juventude, que quando filiado a Federação Brasileira de Albergues da Juventude (FBAJ), atende a um conjunto de requisitos e normas internacionais estipulados pela Federação Internacional de Albergues da Juventude. Sendo assim, o presente estudo tem a finalidade de verificar a possibilidade de credenciamento junto à essa entidade, considerando os albergues localizados no Centro Histórico e na Barra, visto que dos 12 (doze) estabelecimentos desse tipo existentes nessas localidades, somente 03 (três) são credenciados. São analisadas questões físicas e funcionais dos albergues independentes, assim como seu interesse pelo credenciamento. Os resultados obtidos indicam desinteresse e indiferença pela Federação. PALAVRAS-CHAVE: Hospedagem, Turismo da Juventude, Albergues da Juventude, Classificação, Credenciamento.

8 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - Estrutura Organizacional da IYHF 35 FIGURA 2 - Gráfico comparativo entre a quantidade de itens, relacionados aos quesitos Estrutura, Serviços Obrigatórios e Serviços Desejáveis, cumpridos pelos albergues 58

9 LISTA DE TABELAS TABELA 1 - Classificação por categoria segundo padrão de qualidade e Serviços 39 TABELA 2 - Registro Legal dos albergues não credenciados 44 TABELA 3 - Cálculo Peça/Leito 49 TABELA 4 - Avaliação da conformidade dos critérios estabelecidos pela FBAJ em relação a Estrutura dos albergues 51 TABELA 5 - Avaliação da conformidade dos critérios estabelecidos pela FBAJ em relação aos Serviços Obrigatórios oferecido pelos albergues 54 TABELA 6 - Avaliação da conformidade dos critérios estabelecidos pela FBAJ em relação aos Serviços Desejáveis oferecido pelos albergues 57 TABELA 7 - Comparativo entre as Médias obtidas pelos albergues 59 TABELA 8 - Comparativo entre as Médias obtidas pelos albergues considerando os quesitos relacionados à Estrutura e Serviços Obrigatórios 60

10 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ABIH - Associação Brasileira da Indústria de Hotéis ALBERJ - Associação de Albergues da Juventude do Estado do Rio de Janeiro APAJ - Associação Paulista de Albergues da Juventude AT - Albergue de Turismo BAHIATURSA - Empresa de Turismo da Bahia CNTUR - Conselho Nacional de Turismo EMBRATUR - Instituto Brasileiro de Turismo FBAJ - Federação Brasileira de Albergues da Juventude FNRH - Ficha Nacional de Registro de Hóspede HI - Hostelling International IBN - International Booking Network INFRAERO - Empresa Brasileira Aeroportuária INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia Normalização e Qualidade Industrial IYHF - International Youth Hostel Federation (Federação Internacional de Albergues da Juventude) PROCON - Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas UH - Unidade Habitacional

11 SUMÁRIO f. 1 INTRODUÇÃO 12 2 A ATIVIDADE TURÍSTICA O TURISMO NO BRASIL O Destino Bahia 19 3 A HOTELARIA MEIOS DE HOSPEDAGEM SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO HOTELEIRO 24 4 TURISMO DA JUVENTUDE CARACTERIZAÇÃO DE ALBERGUE DA JUVENTUDE HOSTELS Histórico do Alberguismo Definição Hostelling International e Federação Brasileira de Albergues da Juventude Procedimentos Preliminares para Credenciamento 37 5 METODOLOGIA APLICADA 40 6 RESULTADOS DA PESQUISA 43 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS 65 APÊNDICE A 67

12 APÊNDICE B 68 APÊNDICE C 69 ANEXO A 72 ANEXO B 73 ANEXO C 74 ANEXO D 75

13 1 INTRODUÇÃO O Turismo abrange diversos tipos de viagens, equipamentos, transportes, passeios locais, mão-de-obra especializada e hospedagens. A hotelaria é parte integrante desse processo, pois não se consegue fazer crescer o Turismo sem locais para que o turista possa descansar e pernoitar. Segundo Chon & Sparrowe (2003), para satisfazer o hóspede, por causa do crescimento econômico geral e do aumento da oferta dos meios de hospedagem, os estabelecimentos de hospedagem mudam continuamente e os hoteleiros vem tentando se diferenciar no mercado oferecendo acomodações cada vez mais especializadas e destinadas a um determinado tipo de hóspede. A variedade dos estabelecimentos de hospedagem cresce conforme a demanda. Jovens viajantes, por exemplo, geralmente optam por quartos mais baratos, com cozinhas comunitárias, oferecidos pelos Albergues da Juventude. Os Albergues da Juventude são hospedagens extra-hoteleiras destinadas predominantemente ao público jovem. Esse tipo de meio de hospedagem existente no Brasil pode ser credenciado a Federação Brasileira de Albergues da Juventude (FBAJ) que, por sua vez, é filiada a Federação Internacional de Albergues da Juventude (IYHF) detentora da marca Hostelling International (HI), ou simplesmente ser um albergue independente. A IYHF estabelece regras para o bom andamento dos Albergues da Juventude pertencentes à Rede. Isso significa que os Albergues da Juventude credenciados a essa entidade seguem normas e critérios internacionais, que são adaptados pelas Federações Nacionais à realidade de cada país.

14 Anualmente, cada Federação inspeciona os Albergues da Juventude de seu país para que se verifique o nível da qualidade do estabelecimento. Caso as normas não estejam sendo adequadamente cumpridas, os mesmos poderão ser descredenciados da Rede (FEDERAÇÃO, 2005). Segundo a FBAJ (2005), no Brasil existem 86 (oitenta e seis) Albergues credenciados à Hostelling International através da FBAJ, dos quais 10 (dez) encontram-se na Bahia. Em Salvador, nas regiões do Centro Histórico e da Barra, existem 12 (doze) Albergues da Juventude sendo que 03 (três) deles são credenciados a FBAJ. Sendo assim, o estudo sugerido justifica-se pela necessidade de conhecer os motivos pelos quais a maioria dos albergues de Salvador não possui o credenciamento junto a FBAJ, fato ainda não documentado. Levando em consideração o sistema de credenciamento e classificação dos Albergues da Juventude adotados pela FBAJ, a presente pesquisa pretende destacar se os albergues, não credenciados, em funcionamento no Centro Histórico de Salvador e na Barra possuem condições de se enquadrar, ou teriam condições de se adaptar aos pré-requisitos exigidos pela FBAJ para a obtenção do credenciamento, ou seja, pretende-se destacar até que ponto os albergues não credenciados não atendem as exigências desta entidade. Além disso, procurou-se verificar os motivos que levam os donos desses albergues a não buscarem o credenciamento junto a FBAJ. Sendo assim, a presente pesquisa assumiu como objetivos: a) Identificar os Albergues da Juventude existentes no Centro Histórico de Salvador e na Barra, dividindo-os em credenciados e não-credenciados a FBAJ;

15 b) Identificar os pré-requisitos a serem atingidos para obtenção do credenciamento junto a FBAJ analisando até que ponto os Albergues não pertencentes à rede não conseguem alcançá-los; c) Identificar os procedimentos adotados pela FBAJ para a análise da possibilidade de credenciamento de um Albergue da Juventude; d) Identificar a taxa de ocupação dos Albergues da Juventude de Salvador credenciados a FBAJ e fazer um comparativo com os Albergues da Juventude que não são credenciados; e) Identificar os motivos que levam os proprietários de Albergues da Juventude de Salvador a se interessarem, ou não, pelo credenciamento junto a IYHF. A análise desses aspectos poderá servir como base para uma estratégia de ação a fim de implementar a qualidade da oferta no setor, transformando o destino Salvador em um dos mais preparados para receber o público alberguista no Brasil. A hipótese que sustenta esta pesquisa é de que a infra-estrutura e os serviços exigidos pela FBAJ, o pagamento de taxa de manutenção da marca e a necessidade de registro junto à EMBRATUR determinam a decisão de não buscar o credenciamento, além da falta de interesse dos proprietários em se adequar às normas da FBAJ. O presente trabalho está dividido em sete capítulos, sendo este o primeiro. No segundo capítulo será abordado brevemente o cenário turístico atual, contextualizando a atividade turística, o Turismo no Brasil e o destino Bahia, focalizando a capital Salvador, cidade do objeto da pesquisa. O terceiro capítulo discorre sobre a hotelaria, os meios de hospedagem e a importância do seu sistema de classificação. O quarto capítulo aborda o Turismo da Juventude e seu principal

16 meio de hospedagem, os Albergues da Juventude, dando definições do que vem a ser o mesmo e como se deu sua criação no mundo e no Brasil. Além disso, esse capítulo também apresenta a Hostelling International e Federação Brasileira de Albergues da Juventude e quais os procedimentos necessários para o credenciamento junto a essa entidade. No quinto capítulo é apresentada a metodologia aplicada para o desenvolvimento desta pesquisa. Os resultados obtidos com a pesquisa serão apresentados no sexto capítulo e no sétimo capítulo serão feitas as considerações finais a cerca da pesquisa realizada.

17 2 A ATIVIDADE TURÍSTICA O Turismo aponta nesse início de terceiro milênio como um dos mais promissores caminhos para aqueles países que acreditam e investem em tal atividade. Ele é um grande movimento na história da humanidade e está em crescimento constante. Souza & Souza (2002) afirmam que este aumento responde a uma série de necessidades do ser humano, como mudança de espaço, bem-estar e repouso, busca de expressões culturais diferenciadas, longe da rotina do dia-a-dia. Segundo Andrade (1998) Turismo é o conjunto de serviços que tem por objetivo o planejamento, a promoção e a execução de viagens, e os serviços de recepção, hospedagem e atendimento aos indivíduos e aos grupos, fora de suas residências habituais. Já Montejano (2001) define Turismo como sendo o conjunto de atividades realizadas pelas pessoas durante suas viagens e estadas em lugares distintos do seu ambiente habitual, por um período de tempo consecutivo inferior a um ano, com finalidades de lazer, negócio e outros motivos. Por ser uma atividade que necessita do imaginário, o Turismo deve permitir a realização dos sonhos dos turistas, uma vez que os turistas buscam realizar seus sonhos e desejos para que, dessa forma, em um curto espaço de tempo, possam se desconectar do seu cotidiano. Para Medeiros (2003) a arte do bem servir e receber torna-se, portanto, uma condição essencial. Segundo a mesma autora, um turista quando viaja busca diferenças de sua localidade, de seus hábitos e costumes. Cada destinação possui uma marca própria, uma peculiaridade que a torna diferente das demais e que, por isso, torna-se um atrativo diferencial. Os turistas olham o novo local com um olhar diferenciado, pois

18 este novo local é considerado algo fora do habitual. Quando as pessoas viajam para locais que desconhecem, o que elas procuram são sinais que caracterizem o local em que eles estão. 2.1 O TURISMO NO BRASIL A partir da década de 90 o Governo Brasileiro começou a fazer investimentos em (...) infra-estrutura, saneamento e recuperação das rodovias com o intuito de elevar o padrão dos pontos turísticos e assim receber e criar condições para que o turista internacional chegasse de vez no Brasil (NASCIMENTO, 2003). Sendo assim, os governantes começaram a articular projetos relacionados ao turismo, visando um aumento dessa atividade de forma que fosse possível gerar divisas econômicas, acarretando geração de emprego, aumento de renda e uma maior arrecadação de impostos. O turismo no Brasil vem apresentando índices de crescimento constante em geração de divisas e em desembarques internacionais e nacionais. Dados da EMBRATUR (2005) revelam que no ano passado, o turismo foi o sexto produto na balança de exportações. O desempenho de janeiro a julho deste ano, com uma receita de US$ 2,1 bilhões, levou o turismo para a terceira posição, atrás apenas do minério de ferro e da soja em grão. Agosto foi o melhor mês no ingresso de dólares de turistas, elevando o acumulado do ano para US$ bilhões. O produto Brasil, por oferecer inúmeros destinos turísticos, preços compatíveis com o mercado, boa infra-estrutura hoteleira e diferenciais criativos,

19 tornou-se um dos países mais procurados pelos turistas internacionais. Segundo a EMBRATUR (2005) as cidades do Rio de Janeiro e Búzios, juntas, recebem mais de 40% dos turistas estrangeiros que vieram ao Brasil em O Rio está em primeiro lugar, seguida de São Paulo, Salvador, Fortaleza, Recife, Foz do Iguaçu, Búzios, Porto Alegre, Florianópolis e Belo Horizonte. Esse ranking mostra que o mesmo turista pode ter visitado mais de uma cidade durante sua estada no país. Os países que mais mandaram turistas ao Brasil, em 2003, foram a Argentina, os Estados Unidos, Alemanha, Uruguai e Portugal. No exterior, as ações de Marketing resultaram em um grande aumento no fluxo turístico, da taxa de permanência e do gasto médio dos visitantes estrangeiros no país. Os desembarques em vôos internacionais somaram, de janeiro a agosto deste ano, mais de 4,5 bilhões de passageiros, número 15,1% superior ao mesmo período de 2004 (EMBRATUR, 2005). Esses números incluem estrangeiros em visita ao país e brasileiros em retorno de viagens ao exterior. É importante destacar que os vôos que tiveram maior destaque em crescimento foram os vôos charters 1. Com relação ao mercado interno, as Campanhas de Marketing valorizaram as belezas naturais e a cultura que o Brasil tem a oferecer, despertando no brasileiro a vontade de conhecer o seu país. O número de desembarques de passageiros em vôos nacionais chegou a 28 bilhões nos oito primeiros meses deste ano, o que mostra um crescimento bastante expressivo, de 19,3%, em relação ao mesmo período de 2004 (EMBRATUR, 2005). Esses dados, contabilizados pela Empresa Brasileira Aeroportuária (Infraero), mostram que os brasileiros têm viajado mais de avião dentro do próprio país, mesmo fora do período de férias. Maior oferta de vôos e preços atrativos têm permitido mais acesso e opção de escolha para viagens de 1 Vôos não-regulares.

20 lazer, de negócios ou familiares O Destino Bahia No que se refere à Bahia, o Turismo é a terceira atividade econômica, por possuir inúmeros atrativos turísticos, como belíssimas praias e uma cultura bastante rica e diversificada. Cláudio Taboada, presidente da Empresa de Turismo da Bahia (BAHIATURSA) 2, afirma que: O grande crescimento alcançado pelo setor entre 2000/2004 é reflexo de um investimento contínuo na promoção do estado. Cada vez mais o envolvimento dos agentes de viagem, das redes hoteleiras, das companhias aéreas e de todos os atores da cadeia do turismo tem colaborado para essa promoção (BAHIATURSA, 2005). A Bahia possui 567 quilômetros quadrados da mais rica diversidade ambiental que, de acordo com a BAHIATURSA (2005) se dividem em destinos turísticos que começam no Norte do Estado - nos Lagos do São Francisco e Caminho das Águas - passando pela Chapada Norte, Chapada Diamantina - com o Ciclo do Ouro e o Ciclo do Diamante - Caminhos do Oeste, e descem rumo ao litoral: Costa dos Coqueiros, Baía de Todos os Santos, Costa do Dendê, Costa do Cacau, 2 A BAHIATURSA foi criada em 1968, com a denominação de Hotéis de Turismo do Estado da Bahia S.A., com a finalidade de construir e ampliar hotéis e pousadas. No início dos anos 70, a BAHIATURSA foi remanejada para a Secretaria da Indústria e Comércio, assumindo a responsabilidade de implementar uma política de Turismo, passando a executar um amplo programa de treinamento de mão-de-obra. Em 1973, a Bahiatursa alterou sua razão social, passando a denominar-se Empresa de Turismo da Bahia, S. A. (BAHIATURSA, 2005).

21 Costa do Descobrimento, Costa das Baleias, Recôncavo, Sertão e Salvador. Por sua condição histórica de destaque na formação do país, pelo legado deixado por povos de outros continentes, pela miscigenação cultural e pelo sincretismo religioso, Salvador é uma cidade que desperta o interesse dos mais diversos públicos que visitam o Brasil, tornando-se o destino mais procurado do estado. A capital baiana possui um importante patrimônio histórico e arquitetônico colonial, onde o turista pode circular pelas diversas ruas com sobrados, casarões e igrejas, contrastando com uma nova Salvador de avenidas, prédios e bairros modernos. Salvador, além de ter sido a primeira capital do Brasil, é considerada a capital cultural do país, berço de grandes nomes nas diversas manifestações artísticas, com destaque nacional e internacional. A atividade cultural e o turismo têm sido reconhecidos pelo governo como importantes geradores de emprego e renda, impulsionando as artes e a preservação dos patrimônios artístico e cultural. Ao chegar em Salvador, um dos primeiros locais que o turista visita são as ruas do Centro Histórico, que o transportam para os primórdios da história da Bahia e do Brasil. O Centro Histórico de Salvador agrada o turista pelo fato de conservar a estrutura urbana original do século XVI, com sua expansão no século seguinte. Outro local bastante procurado pelos turistas é a Barra devido a suas praias, sua orla onde são encontrados hotéis, pousadas, bares e restaurantes, que funcionam todos os dias. Dessa forma, esses locais devem estar preparados para atendê-los procurando desenvolver um dos suportes básicos e fundamentais para concretização da viagem turística, os meios de hospedagem.

22 3 A HOTELARIA O produto turístico é um bem de consumo abstrato, vivido como uma experiência, pois ele só existe enquanto o turista está presente naquele lugar e consumindo os serviços. Seus componentes não podem ser estocados e seus serviços são prestados de forma irregular. De acordo com Souza & Souza (1998) a instabilidade da demanda faz com que se torne difícil prever com exatidão a procura dos serviços turísticos, pois o produto turístico é um conjunto de bens e serviços e só pode ser testado no ato do consumo, ou seja, não pode ser testado antes da compra. Para Vianna (2004), ao se estudar a atividade turística, percebe-se a importância do papel desempenhado pelos meios de hospedagem para o seu desenvolvimento, uma vez que a função básica dos meios de hospedagem é alojar pessoas que não se encontram em seus lares e, portanto, necessitam de um lugar para descansar. A hospedagem, isto é, o conjunto de atividades próprias de um hotel é um produto turístico. A oferta hoteleira é bastante variada e cada meio de hospedagem possui uma característica própria, seja na arquitetura ou nos serviços oferecidos e a principal finalidade da indústria hoteleira é o fornecimento de hospedagem, segurança, alimentação e demais serviços inerentes à atividade de receber o hóspede. Castelli (2001), define o produto hoteleiro como sendo:

23 [...] um conjunto de bens e serviços que objetivam satisfazer o cliente: os bens são constituídos pelos produtos tangíveis como apartamentos, bebidas, refeições etc. e os serviços são constituídos pelo conjunto de ações (intangíveis) que fazem com que o cliente possa usufruir dos bens (CASTELLI, 2001). A empresa hoteleira é a pessoa jurídica (...) que explora ou administra meio de hospedagem e que tenha em seus objetivos sociais o exercício da atividade hoteleira (EMBRATUR, 2005). Uma vez que a principal finalidade da indústria hoteleira é o fornecimento de hospedagem, segurança, alimentação e demais serviços inerentes à atividade de receber o hóspede. 3.1 MEIOS DE HOSPEDAGEM A EMBRATUR (2005), no Regulamento Geral de Meios de Hospedagem, define Meio de Hospedagem o estabelecimento que satisfaça, cumulativamente, às seguintes condições: a) Seja licenciado pelas autoridades competentes para prestar serviço de hospedagem; b) Seja administrado ou explorado comercialmente por empresa hoteleira e que adote, no relacionamento com os hóspedes, contrato de hospedagem, com as características definidas no Regulamento e nas demais legislações aplicáveis. Ainda segundo este Regulamento, os meios de hospedagem devem oferecer ao hóspede, no mínimo:

24 a) Alojamento, para uso temporário do hóspede, em Unidades Habitacionais (UH s) específicas a essa finalidade; c) Portaria/recepção para atendimento e controle permanentes de entrada e saída; d) Guarda de bagagens e objetos de uso pessoal dos hóspedes, em local apropriado; e) Conservação, manutenção, arrumação e limpeza das áreas, instalações e equipamentos (EMBRATUR, 2005). De acordo com a EMBRATUR (2005): Serviços de hospedagem são aqueles prestados por empreendimentos ou estabelecimentos que ofertam alojamento temporário para hóspedes, mediante adoção de contrato, tácito ou expresso, de hospedagem e cobrança de diária 3, pela ocupação da UH. (EMBRATUR, 2005). Montejano (2001), distingui dois tipos de hospedagens turísticas: as hospedagens turísticas hoteleiras que estão sujeitas a uma normativa e classificação específica (da EMBRATUR); e as hospedagens extra-hoteleiras, que oferecem tipos de hospedagem diferentes dos oferecidos pelos hotéis, devido a sua diferente ordenação legal, infra-estrutura, preços e serviços. Os principais tipos de hospedagem extra-hoteleiros são os campings, colônias de férias, albergues da juventude (objeto de estudo deste trabalho), chalés, pensões, pensionatos, acampamento de férias, bed & breakfast e alojamentos de turismo rural. Diante disso, conclui-se que as hospedagens extra-hoteleiras, alternativas 3 Entende-se por diária o preço de hospedagem correspondente à utilização da UH e dos serviços incluídos, observados os horários fixados para entrada (check-in) e saída (check-out).

25 ou não convencionais, fazem parte do chamado Turismo Alternativo 4, já que complementam a oferta de leitos nos destinos turísticos e têm como característica serem mais econômicos que as hospedagens hoteleiras convencionais, oferecendo serviços diferenciados. Atualmente, muitos meios de hospedagem estão modificando suas ofertas através de variados tipos de equipamentos para acomodação e serviços, pois os diferentes tipos de consumidores não querem somente um local para passar a noite e descansar, mas também querem um local onde os serviços prestados sejam de boa qualidade e a preços acessíveis. Com o crescimento da atividade hoteleira, em virtude das constantes mudanças econômicas e sociais, as opções de hospedagem atualmente vão além dos hotéis de luxo ou econômicos. Os hoteleiros estão tentando cada vez mais se diferenciar no mercado, oferecendo acomodações especializadas, visando atender os diferentes perfis do público consumidor, que estão em busca de serviços e preços diferenciados que atendam as suas expectativas. 3.2 SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO HOTELEIRO As categorias de hotéis, no Brasil, são estabelecidas pelo sistema de classificação oficial elaborado pelo Instituto Brasileiro de Turismo (EMBRATUR) e 4 O Turismo Alternativo remete à hospedagem de pequeno porte, de pequenos empreendedores, com características bem simples.

26 Associação Brasileira da Indústria de Hotéis 5 (ABIH). A legislação de classificação hoteleira demorou a ser atualizada porque não havia um entendimento entre governo e setor privado para estabelecer os critérios do novo sistema. Até 1996, era do governo a obrigação de avaliar as exigências para classificação com estrelas. A análise baseava-se na análise da estrutura física, o que levou o sistema a ficar defasado diante dos novos padrões mundiais. Frente a constatação, a EMBRATUR lançou um sistema brasileiro de certificação, no mesmo ano, que não foi aceito pelo setor hoteleiro. Sem consenso a respeito do custo da classificação e o número de exigências a serem determinadas, a ABIH criou um sistema próprio de classificação com base em critérios de conforto, utilizando asteriscos para simbolizar o nível do estabelecimento ao invés das clássicas estrelas. Em 1999, três anos depois da criação do sistema, a ABIH reconheceu que o sistema também era falho. Assim, a ABIH em parceria com a EMBRATUR, consolidou o novo processo de classificação de hotéis, através do Sistema de Classificação dos Meios de Hospedagem (NUNES, 2005). Foi criado o conselho técnico da classificação de hotéis com três representantes do setor hoteleiro e três do governo - EMBRATUR, Instituto Nacional de Metrologia Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) e Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON). Segundo Nunes (2005), as novidades da nova matriz de classificação 5 Fundada em 09 de novembro de 1936, por ocasião do I Congresso Nacional de Hoteleiro, a ABIH vem atuando como um órgão técnico e consultivo no estudo e solução dos problemas do setor. Tendo como principal objetivo a arregimentação da classe, visando a defesa dos interesses de ordem jurídica, moral e econômica dos hoteleiros do Brasil, a ABIH consolidou-se no decorrer dos anos como uma confiável fonte de dados e informações relativas ao universo da hotelaria (ASSOCIAÇÃO, 2005).

27 hoteleira, entraram em vigor em abril/ e trouxeram conceitos de responsabilidade ambiental como avaliação de padrão para a concessão de estrelas. A nova matriz, portanto, incentiva os estabelecimentos de hospedagem a fazerem o monitoramento dos gastos de energia e água, da produção e disposição dos resíduos, entre outros itens. Os hotéis devem treinar as equipes para tarefas como separação seletiva de lixo, limpeza dos ambientes com baixo gasto de água e acompanhamento do consumo de energia. Além disso, a nova matriz serve de referência para que os funcionários dos hotéis prestem o melhor serviço, dentro dos parâmetros exigidos pelo sistema, uma vez que a nova matriz também incorpora a avaliação da qualidade de atendimento e dos serviços prestados. As categorias de classificação prevêem diversos tipos de empreendimentos, do cinco estrelas super luxo ao simples. Para Nunes (2005), as necessidades do mercado levaram ao surgimento da categoria econômico de negócios, voltada ao hóspede de negócios que buscam facilidades como acesso a internet no próprio apartamento ou em espaços com micros já conectados e que podem ser acionados via cartões pré-pagos. Por outro lado, pode-se constatar que os hotéis de lazer também passaram por um ciclo evolutivo, de resort a complexo turístico ou megaresorts. Para ter a placa oficial de classificação o hotel tem que estar dentro de todas as normas da sua categoria/classificação pretendida, quanto mais estrelas o hotel quiser alcançar maior serão as regras a serem cumpridas. Percebe-se que o mercado hoteleiro nacional está passando por uma verdadeira transformação. Hotéis de capital nacional e as grandes bandeiras internacionais se multiplicam hoje pelo mercado. E isso pede um termômetro, um 6 Ver ABIH:

28 avaliador a classificação. Para Nunes (2005), (...) a hotelaria nacional está vivendo um momento de expansão, onde a classificação é essencial para se manter a seriedade, credibilidade e transparência do mercado. A classificação de um estabelecimento hoteleiro facilita a escolha do hóspede, uma vez que os auxiliam na verificação da compatibilidade entre a qualidade oferecida e os preços praticados pelos estabelecimentos classificados. Estabelecimentos como hospedarias, albergues, campings e pensões são denominados simples, de acordo com a classificação da EMBRATUR, e cada tipo de estabelecimento determina os serviços mínimos que oferecem aos seus hóspedes. Os Albergues da Juventude, por exemplo, podem ser credenciados a uma Federação Internacional de Albergues da Juventude, a IYHF detentora da marca Hostelling International 7 que por meio do sistema de classificação da IYHF são classificados em Regular, Bom ou Muito Bom. 7 A Hostelling International é um entidade com normas de convivência, regulamento próprio, padrão internacional de atendimento e controle de qualidade em todos os Hostels - Albergues da Juventude da rede.

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