PROGRAMA DE HISTÓRIA ORAL CENTRO DE ESTUDOS MINEIROS FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

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1 Capa e logotipo do programa: Rômulo Garcias PROGRAMA DE HISTÓRIA ORAL CENTRO DE ESTUDOS MINEIROS FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Avenida Antônio Carlos Pampulha Sala: 1035 do Prédio FAFICH Telefone: Caixa Postal 253 CEP Belo Horizonte Minas Gerais Apoio:

2 MOREIRA, Antônio Antônio Moreira (Entrevista Temática) 2007 Belo Horizonte Programa de História Oral Centro de Estudos Mineiros Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas Universidade Federal de Minas Gerais 2007 HPO 003 MOREIRA, Antônio (Entrevista Temática) Belo Horizonte Programa de História Oral Centro de Estudos Mineiros - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas Universidade Federal de Minas Gerais História de vida. 2. Alfaiatarias. 3. Galeria do Ouvidor. 4. Cotidiano de Belo Horizonte. Área Temática: Pequenos Ofícios na Memória e na História Belo Horizonte PROIBIDA A PUBLICAÇÃO NO TODO OU NA PARTE, PERMITIDA A CITAÇÃO PERMITIDA A CÓPIA XEROX A CITAÇÃO DEVE SER TEXTUAL, COM INDICAÇÃO DA FONTE

3 FICHA TÉCNICA ÁREA TEMÁTICA: PEQUENOS OFÍCIOS NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA BELO HORIZONTE TIPO DE ENTREVISTA: TEMÁTICA ENTREVISTADO: ANTÔNIO MOREIRA ENTREVISTADORES: MARIA ELIZA LINHARES BORGES. LUCAS CARVALHO SOARES DE AGUIAR PEREIRA LOCAL DE REALIZAÇÃO DA ENTREVISTA: ALFAIATARIA DO ENTREVISTADO-BELO HORIZONTE DATA: 18 DE JANEIRO DE 2007 FONTES DE ÁUDIO: 1 h 25 min.

4 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS CENTRO DE ESTUDOS MINEIROS PROGRAMA DE HISTÓRIA ORAL PROJETO: PEQUENOS OFÍCIOS NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA ENTREVISTADORES: MARIA ELIZA LINHARES BORGES (ORIENTADORA) LUCAS CARVALHO SOARES DE AGUIAR PEREIRA (BOLSISTA) ENTREVISTADO: ANTÔNIO MOREIRA LOCAL: ALFAIATARIA DO ENTREVISTADO - BELO HORIZONTE DATA: 18/01/2007 Entrevista fita 01 lado A M.E.: Então, hoje são dezoito de janeiro de E estamos começando a gravar uma História de vida com o senhor Antônio Moreira. O Seu Tonico Alfaiate. Não é? E a gravação é feita pela professora Maria Eliza Linhares Borges e pelo bolsista Lucas Carvalho. Seu Antônio, nós estamos aqui na sua mesa de trabalho. O senhor está. O senhor está muito elegante hoje, hein? Não tá? A.M.: Não, mas é... M.E.: É. Com a camisa bonita de linho, não é? A.M.: O alfaiate ele tem que... É... Hoje é porque está fazendo calor. Ele tem que andar de terno. Ele não pode colocar calça jeans. A, a roupa social é como um uniforme para ele. Então se a pessoa ou um cliente chega e ele está vestido assim, com uma roupa é, muito esporte. É, ele não gosta. Freguês nenhum. M.E.: Sei. A.M.: E eu tenho até uma... Uns clientes aí que tem um... É até pitoresco isso. Ele... Ele falou comigo assim: Olha eu estou um advogado se eu estiver assim junto com meus colegas e tal, e você passar, sem paletó, sem terno eu não te conheço. Agora se você passar bem vestido, eu te chamo e apresento os meus colegas e falo: esse é o meu alfaiate. M.E.: Ah!

5 A.M.: Então a, a roupa que o alfaiate veste é uma espécie de uniforme... A, a apresentação dele, a presença dele é o que mostra o que ele faz. M.E.: Isso. A.M.: A capacidade dele. M.E.: E seu, seu Tonico. Pode chamar o senhor de Tonico? A.M.: Pode. M.E.: Seu Tonico é... Eu gostaria que o senhor falasse um pouquinho sobre a sua, ah infância. Que ano que o senhor nasceu, aonde o senhor nasceu. E nos contasse um pouquinho sobre a sua infância até o momento em que o senhor começa a en... ser aprendiz de alfaiate. A.M.: Olha, eu nasci em Patos de Minas em Março de trinta. Com, com... Tive uma infância até muito gostosa, muito boa, porque naquele tempo não existia televisão não existia nada disso aí. A, as crianças tinham [que fazer] os próprios brinquedos. A distração nossa era a, a matinê no cinema. No domingo. E também era o único dia que podia ir ao cinema. E eu sai, sai do grupo pra ir para o ginásio com doze anos. E naquela época criança não ficava na rua. Todos os meus colegas é... foram aprender... eles falavam assim: - Tem que aprender um ofício. Não falavam uma profissão. E uns foram ser sapateiros, outros é... ia trabalhar como mecânico, ou marceneiro. E eu, minha mãe brincando comigo falou assim: Olha você é muito fraquinho. É muito magrinho. Você... Eu conheço uma pessoa, ele chama Sebastião, é um alfaiate, você vai trabalhar com ele. - Minha mamãe esse negócio não é de costureira? - Não meu filho, todo mundo usa terno. Você olha pra você ver. Então eu fui aprender. Ela falou assim: - Ah, é uma profissão boa você vai ficar na sombra, então não pega chuva, serviço leve. E eu fui aprender, fui com doze anos de idade. E estudava a noite. E com quinze anos, três anos depois que eu estava aprendendo o ofício, é eu comprei um, um corte de tecido pra mim fazer um paletó com aquele tecido, para ver se eu já apto. E... M.E.: Quantas pessoas trabalhavam nessa alfaiataria? A.M.: Tinha umas seis. Seis pessoas mais ou menos. M.E.: E como que era assim a divisão do trabalho ali dentro ou não a... tem, tinha os aprendizes... A.M.: Não, tinha os aprendizes, naquela época tinham três aprendendo junto comigo. E antigamente era dividido da seguinte maneira: tinha as senhoras que chamava calceiras. Até hoje ainda existe isso. Elas faziam as calças. O... os aprendizes aprendiam a fazer o paletó de brim. Que vestia muito brim naquela época. E depois, depois que ele aprendia a fazer o paletó de brim, ele passava pra linho. E depois é que passava pra casimira. Agora, é... M.E.: O paletó de brim ele era mais utilizado por que tipo de pessoa?

6 A.M.: Era... É mais... Essa pessoa assim do, da roça. Porque tinha muita festa na, na cidade. Festa de, principalmente de igreja. E lá o pa, o padroeiro era Santo Antônio. A festa muito bonita, e tal. E todo mundo fazia o terno pra festa. Época de eleição todo mundo fazia um terno pra eleição. //M.E.: Sei.// E pra casar também tinha que fazer o terno, porque não existia aluguel de terno, como hoje. E não existia também a roupa pronta. Então todo mundo fazia o terno. Pra festa de igreja, pra casamento, pra formatura. E, e ninguém ia ao cinema sem terno. É, aquilo era, como diz, desfazer da namorada. Então... A missa também. Na igreja, principalmente a missa das dez, todo mundo de terno. M.E.: Então quer dizer que a roupa básica que era feita na alfaiataria era o terno? A.M.: Era o terno. Era o paletó e a calça. No... Rarissimamente fazia colete naquela época. M.E.: Hum. A camisa de dentro? Camisa de manga comprida... A.M.: A camisa de manga comprida e gravata. M.E.: Social. A.M.: Aqui em Belo Horizonte, quando eu cheguei aqui. Ainda quando eu cheguei aqui, em 53, tinha um cinema aí que era o Cine Metrópole e hoje é o Bradesco, na rua da Bahia. É... não se entrava naquele cinema sem um terno e gravata. M.E.: Hum, hum. A.M.: O, o... E aqui tinha as horas dançantes, como em Patos de Minas. Era no, no Clube Belo Horizonte. Todo mundo de terno e gravata. Patos de Minas, por exemplo, tinha dois clubes. O Recreativo e o, o União, to... o pessoal todo era de terno e gravata. M.E.: Então que dizer que lá nessa alfaiataria ficavam três aprendizes? A.M.: Três aprendizes e tinham os oficiais. Chama oficial: o que fazia o, a roupa de brim, o que fazia de linho e o que fazia de casimira. E... então se especializava naquilo. Só fazia aquele tipo de peça de roupa. M.E.: Hum. A.M.: Ou brim, ou linho, ou casimira. Eu aprendi a fazer tudo. Tem, eu até contei pro nosso amigo aqui, uma coisa interessante. Quando eu cheguei em Belo Horizonte. Que eu só tinha minha mãe. Minha mãe faleceu, eu falei Ah, eu não vou ficar aqui mais não. E saí de lá e vim pra Belo Horizonte. M.E.: Isso foi em que ano, o senhor lembra? A.M.: Isso foi no ano de 53. Foi no... eu cheguei aqui na véspera de São João. Do dia 24. E São João aqui naquela época eu acho que ninguém trabalhava. E tinha no, no Estado de Minas aquelas colunas enormes, assim: é... Precisa-se: alfaiate e

7 costureiras. Hoje não existe mais, ninguém pede mais. E eu olhei assim e tinha na Afonso Pena no edifício Mariana, no quarto andar, um senhor chamado G. César Fa... Geraldo César. E eu fui lá. Chega lá eu perguntei: O senhor, o senhor precisa de oficial aí? Ele disse: Estou precisando. Tinha dezesseis funcionários lá. Tinha um contramestre lá que até meu conhecido, Paulo Gontijo. Ele só ficava pra ajudar o dono cortar o serviço. De tanto serviço que tinha. M.E.: Então tinha o aprendiz/ A.M.: É. M.E.: O, o oficial e o contramestre? A.M.: E o contramestre. M.E.: E, e qual que era a especificidade do trabalho de cada um? O aprendiz aprendia de tudo? A.M.: De tudo. E, e o aprendiz... M.E.: Corte, a costura... A.M.: Não o aprendiz não aprendia a cortar. Ele aprendia a costurar e ele é que fazia a limpeza na alfaiataria e fazia as entregas das roupas na rua. Na casa dos clientes. M.E.: Hum. A.M.: O aprendiz era pra isso. E comprava o aviamento que faltava. Ele ia nas lojas e comprava. M.E.: Quanto tempo a pessoa ficava como aprendiz? A.M.: Olha, é naquela época, como até hoje, quem faz a roupa [inaudível] a roupa artesanal é toda feita a mão. Não usa overlock nem nada. Então, geralmente, o aprendiz ficava de três a cinco anos pra aprender a fazer um paletó bem feito. M.E.: E ele trabalhava o dia todo? A.M.: Trabalhava o dia todo. E inclusive, às vezes quando apertava o serviço, trabalhava no domingo, trabalhava, às vezes fazia serão. Época de férias todos os aprendizes faziam serão aqui. M.E.: E qual que era a idade mais ou menos de um aprendiz? A.M.: A idade do, dos aprendizes era mais ou menos de doze a treze anos de idade. E aí ia mais ou menos até dezesseis anos pra aprender. E, e tinha um sistema interessante que quem ia aprender paletó, fazer paletó, eles não ensinavam tudo não. Para [prender] o aprendiz. Dava a ele apenas uma gratificação no final de semana. Eles ensinavam a fazer o paletó até no ponto da gola. E, e o aprendiz punha no ponto de gola, arrematava tudo. Aí o oficial que era responsável por aquele aprendiz, e pelo serviço, colocava a

8 gola e a manga, e entregava pro aprendiz arrematar. Mas o aprendiz praticamente fazia tudo e o que estava ensinando é o que ficava com o, o lucro. M.E.: Esse chamava oficial? A.M.: É, esse era o oficial. E, então... Agora, o aprendiz, então ele ficava observando aquilo. E, e de vez em quando ele fazia um conserto e via como era colocada a manga e a gola. E, e quando é... ele achava que estava apto ele, ele adquiria um paletó, ou então pegava de uma pessoa, assim mais humilde, um, um paletó pra fazer. E o aprendiz então aproveitava e aprendia o restante, que era colocar a manga e a gola naquele paletó. M.E.: O senhor como um alfaiate experiente, é... pode nos dizer isso aí, a colocação da gola e da manga é a parte mais // A.M.: Mais difícil. // difícil? A.M.: É a arte. M.E.: É arte. A.M.: Por que, que a gola do paletó não pode dar ruga de espécie alguma. E, e a manga do paletó tem que cair certinha. Então, isso é uma arte. A gola e a manga. É, é o que, é o que chama atenção na roupa. M.E.: Hum... A.M.: É isso. Se o, se o alfaiate é bom pra colocar uma gola e uma manga, [o resto]... Inclusive nós temos roupas aí, compradas prontas, já tem figurinos aí que mostram, que... Roupas caríssimas. Tem um, tem terno aí de oito mil reais. E que, de gente, empresários, como Suplicy e outros aí. Eu tenho as fotos aí. A roupa toda enrugada. Roupa cara. Roupa de, de marca mesmo. M.E.: Ahn-han A.M.: De, de grife. E, que olha assim, e aquilo parece roupa velha. M.E.: Sim. A.M.: E, e então, e o alfaiate não. Eles exigem o máximo do alfaiate. E, e não pagam o que vale. M.E.: Sei. A.M.: Não é reconhecido. É, eles provam a roupa e veste ela toda pronta, ela tem que estar perfeita. M.E.: Hum. E Seu Tonico é, o contra-mestre fazia o que? A.M.: O contra-mestre só cortava a roupa. Ele, ele... O dono da alfaiataria tirava as medidas e, e ele não dava conta de cortar tudo porque [em uma loja] [inaudível] que eu trabalhava que tinha doze, dezesseis. Teve até dezesseis empregados. Ele não conseguia cortar tudo, então ele tinha uma pessoa que, que é, o contra-mestre era um ajudante no

9 corte. Cortava, aviava tudo e distribuía. Tinha também no Edifício Mariana, embaixo, uma loja que tinha cerca de vinte empregados. Foi uma das maiores alfaiatarias de, alfaiataria de Belo Horizonte... M.E.: Como se chamava? A.M.: Chamava Loja Santa Branca. O contra-mestre dela até faleceu há pouco tempo chamava José Miguel. Era um, uma das melhores confecções de Belo Horizonte. M.E.: Ele era uma loja e alfaiataria? A.M.: É loja e alfaiataria. M.E.: Então quer dizer que vendia os ternos? A.M.: Vendia os tecidos, e fazia a roupa sob medida. [Famosíssima!] Depois é que surgiu... A primeira loja em Belo Horizonte que surgiu de roupa pronta foi a Guanabara, que lançou um, um modelo chamado peso pluma. Que era uma roupa mais leve. A Guanabara ficava na esquina de Afonso Pena com Espírito Santo. Tinha um, um castelinho e na frente estava escrito assim: Palacete Guanabara. Ali é que era a loja Guanabara. Hoje é, é prédio. Igual o, o palacetezinho que tem na Bahia, perto da Igreja São José que tem o [inaudível] embaixo. Ali era a Chapelaria Londres. Porque todo, todo homem elegante usava chapéu. Terno, gravata e chapéu. M.E.: E chamava Chapelaria Londres porque eles eram importados, os chapéus? A.M.: Não, é porque aquilo é... É porque até hoje o, o londrino é considerado o homem mais elegante que existe. Como a história do Brumel, não é? Então, tinha a Chapelaria Londres. Belo Horizonte tinha na Afonso Pena uma sapataria chamada Clark ela fazia o calçado sob medida, porque tem gente que tem o pé mais alto e tal. Tinha... isso aí. Belo Horizonte tinha umas lojas elegantíssimas. O povo era muito elegante. Tinha Slopeer, o, o... tinha a Sibéria, loja feminina. Tinha a Copacabana Tecidos de... no térreo da Mari... do Edifício Mariana. Então... As mulheres eram elegantíssimas, e os homens também. Eu esmerava com aquilo. L.P.: Agora, voltando um pouquinho, assim, no seu aprendizado ainda. É, que o senhor falou que o alfaiate, o aprendiz ele ficava observando. Então esse terno de quinze anos o senhor obser... aprendeu a gola, a colocar gola observando só? Como é que foi o aprendizado? A.M.: Não, eu tinha aprendido. Eu tinha aprendido a colocar até na gola. Mas eu ia observando, via como a pessoa // L.P.: Então...// tirava o molde da gola, como ele colocava, ele marcava tudo. Então no meu paletó, no meu, porque eu fazia a manga não alinhavava ela, não costurava ela lá. No meu paletó eu coloquei a gola e o, a pessoa que eu trabalhava me explicando o restantezinho. Quando eu tinha alguma dúvida ele explicava. E a manga, a mesma coisa. A manga eu alinhavei ela toda, vesti e quando eu vi que estava tudo no lugar certinho aí foi que eu costurei a manga e arrematei. Desse dia em diante eu era um oficial, ah... de alfaiate. L.P.: Aí é isso que eu queria chegar/

10 A.M.: Já, eu já era o peletozeiro, já sabia fazer um paletó. L.P.: Hum-hum. A.M.: Agora depois disso aprendi a fazer colete, smoking, essa coisas todas. M.E.: Então, nós estamos falando sobre essa fotografia que o senhor está aqui elegante com a sua mãe. A.M.: É. M.E.: É uma fotografia que o senhor tirou num estúdio fotográfico? A.M.: Tirei num estúdio fotográfico. M.E.: Lá em... A.M.: Fizeram uma pequena ampliação. M.E.: Ah, entendi. A.M.: A fotografia era, era um... tamanho postal, como aquelas. E então minha mãe pediu pra fazer uma pequena ampliação. M.E.: E, e a roupa que a sua mãe veste também é uma roupa muito elegante. A.M.: É. M.E.: Não é? Era típico feito nas costureiras? A.M.: Era feito nas costureiras. Um conjunto de casaco com saia e bordado. Era isso. M.E.: Isso. E essa foto/. A.M.: E minha mãe, e minha mãe. Tem uma coisa. Um pormenor... Minha mãe era costureira. M.E.: Hum. A.M.: Por isso é que minha mãe, é quis que eu, que eu trabalhasse na sombra, e tal. E que era um serviço leve, por aí. E, porque tinha... aquela tendência. M.E.: Hum... Muito bem. A.M.: E quando eu saí de Patos de Minas... eu era. Modéstia à parte, eu era um dos alfaiates mais requisitados. E aqui em Belo Horizonte a mesma coisa. Aqui em Belo Horizonte tem, tem cliente que não veste a roupa comprada pronta. M.E.: Mas o senhor chegou aqui muito novo, com vinte e três anos.

11 A.M.: Vinte e três anos. M.E.: E o senhor já era alfaiate lá há muito tempo? A.M.: Olha tem uma história engraçada aí. Eu era alfaiate lá. Eu com, com dezesseis anos, dezessete anos eu era oficial de alfaiate. M.E.: Já era oficial. A.M.: Já e aprendi tudo. Quando eu cheguei aqui, que eu pedi serviço aí nesse G. César ele perguntou assim/ M.E.: Como ele chamava, mesmo? Jessé? A.M.: G. César. Geraldo César. M.E.: Ah, Geraldo César. A.M.: Ele perguntou: Que você sabe fazer? Eu disse assim: Tudo! Ele assustou: Como? Tudo Mas não é possível! Ué, por quê? Porque ou um faz prova, o outro faz acabamento! Não, eu faço é tudo! Ele me deu um paletó xadrez pra teste. Eu acertei todas as listras do paletó. E tinha uma senhora aqui, que chamava dona Itália. Essa senhora é que fazia todos os coletes aí das alfaiatarias. Ela era italiana e ela era exímia num colete. E teve um casamento e ela adoeceu, e não pode fazer o colete que era pra um terno de um cliente que ia casar num sábado. O casamento [fala ao fundo] era no sábado. E na sexta-feira, ela devolveu o colete e o dono da alfaiataria, ficou desorientado, sem saber o que quê fazia. Então, quando foi no sábado de manhã ele tinha que entregar a roupa com o colete pronto à tarde, e chegou... Eram duas salas, a sala da alfaiataria e a sala só dos oficiais. Ele chegou falou: Como é que eu vou fazer esse colete Mas que, que foi que houve? Ele falou assim: O colete, não tem que faça Não, pode me dar isso aí que eu faço! Ele ficou assim... olhando, falou assim: Você sabe fazer colete? Sei! Agora o senhor me manda buscar um sanduíche aí, um refrigerante, porque não vai dar tempo de eu ir em casa almoçar. Peguei o colete, quando três horas da tarde o colete estava prontinho, ele olhou pra mim falou assim: Mas isso parece até um milagre, eu não, não sabia que você... Ué mas eu não falei pro senhor, quando vim para aqui que eu fazia tudo? E/ M.E.: Hum. E o senhor ficou quantos anos lá? A.M.: Eu fiquei nessa alfaiataria... até cinqüenta e seis. Cinqüenta e seis apareceu um senhor lá da minha terra. Ciro Alves Ferreira. Me chamou pra trabalhar com ele, falou: Olha eu estou abrindo uma alfaiataria, se você for trabalhar comigo te dou sociedade na alfaiataria. Então, eu fui trabalhar com ele, e... em cinqüenta e seis. E eu fui di... guardando o dinheiro da sociedade. Um pouco do dinheiro. E eu... pega... naquele tempo muita gente que tem roupa boa fazia conserto das roupas. //M.E.: Hum.// Ou, ajustar ou pra soltar uma... E eu guardei aquele dinheiro pra mim comprar minha primeira casa minha em Belo Horizonte. Porque eu pagava aluguel. Eu tinha/ M.E.: E o senhor morava aonde em Belo Horizonte?

12 A.M.: Morava na Concórdia. Morava... Morava assim, quando eu cheguei em Belo Horizonte fui morar na rua é, Carijós, 972. Em frente o Grupo Olegário Maciel. Hoje não tem essa casa mais. M.E.: Sei. Era uma casa, era uma pensão... A.M.: Era uma pensão. Era uma pensão. É... uma casa grande, então... a... Dona Zulmira chamava a dona da pensão. E também já faleceu. Então eu fui morar lá. E eu era noivo em Patos de Minas quando vim para aqui. Então eu voltei lá em cinqüenta e quatro, e casei e vim embora. Foi numa época de férias minha. E vim embora. Cheguei em Belo Horizonte em cinqüenta e quatro, meu primeiro filho nasceu em cinqüenta e cinco. E eu fui morar na Concórdia, e... na rua Tefé. Pagava aluguel. E eu guardei esse dinheiro pra dar entrada numa casa na Cachoeirinha. É, na rua Aroeira. E, e foi lá que eu... e, e eu fazia muito serviço também de, é, consertos. Eu comprei uma máquina que eu tenho estima e ela está aí até hoje. Essa máquina tem mais de cinqüenta anos. E... M.E.: Era uma máquina Singer? A.M.: Não, era uma máquina alemã. M.E.: Alemã. A.M.: Tudo que eu ganhei foi nessa máquina. M.E.: Qual, qual que é a marca dela, você lembra? A.M.: Sinka! M.E.: Sinka? A.M.: A gente nem vê falar mais nisso. E eu tinha uma Sinka depois eu comprei uma Pffaf Aí eu, eu guardei essa máquina como lembrança. Eu tinha nove máquinas aí, eu cheguei a ter, empregando, inclusive, dez funcionários. M.E.: Nessa sociedade? Que o senhor teve? A.M.: Ah, a sociedade eu deixei... Essa sociedade quando foi em 1969 o dono da alfaiataria falou: Olha vou mexer agora com loja. Você fica aqui com a alfaiataria aí e tal. E tinha um senhor chamado Queiroz na rua São Paulo, no edifício Tibal. Ele estava encerrando as atividades pra mexer com Xérox. Então encontrei com ele: Você não que me comprar uma, uns móveis que tem lá? Eu falei: Compro Aí ele me vendeu os manequins e esse balcão, e... M.E.: Ah, quer dizer que ele tinha alfaiataria //A.M.: Tinha// e estava encerrando a alfaiataria? A.M.: Encerrando. M.E.: Isso em 69?

13 A.M.: Sesse... É, e/ M.E.: Isso já, já indica, seu Tonico, um momento em que está diminuindo a busca pelo alfaiate? A.M.: Não porque ele tinha um irmão que, foi quando logo que lançou o Xerox em Belo Horizonte. O Xerox foi lançado mais ou menos em 68, por aí assim. Aquelas cópias, lembra? Não é esse xérox de hoje. Então, aquilo estava dando dinheiro. Então ele mandou assim, chamou ele pra, os dois trabalhar junto. Então ele falou comigo assim: Olha, eu estou encerrando minhas atividades você ficar [inaudível]? E, aí eu abri uma pequena alfaiataria aí, numa salinha pequenininha e, e o outro foi mexer com o comércio. Começou foi numa sala pequenininha, e, e, na sala quinze. E... M.E.: Aqui na, na galeria? A.M.: Na galeria. Eu tinha vindo pra/ M.E.: A galeria o senhor sabe ela foi criada quando? Ela foi construída/ A.M.: A galeria, a galeria foi inaugurada em 64 pelo JK e a Ângela Maria. Eles é que inauguraram. O JK tinha uma parte aqui desse terreno que liga uma rua na outra. Então, é... foi, foi cedido o terreno, não sei de que maneira, e construíram a galeria. Eu, quando eu sa/ M.E.: A Ângela Maria, cantora, veio para a inauguração? A.M.: Cantora! Veio pra inaugurar veio para inaugurar. Eu quando saí do Edifício Mariana, eu fui trabalhar com esse que eu fui sócio dele no Edifício Rio de Janeiro. Na Rio de Janeiro, 315. Onde hoje é o Banco Mercantil. E tinha um senhor lá que chamava doutor Guarani, que era que comandava isso tudo aí, do, do Banco Mercantil. Então queria que todo mundo desocupasse o prédio pra poder construir ali. E ele indenizou o pessoal todo. Então nós fomos pro Edifício, é... Vila Rica, na São Paulo 684. De lá é que nós viemos aqui pro, pra Galeria Ouvidor. Não tinha nada aqui. Galeria Ouvidor foi o primeiro prédio em Belo Horizonte com escada rolante. E ele usava as escadas rolantes, pra passar de uma rua pra outra. Só funcionava aqui Curitiba e São Paulo. Depois é que eles foram descobrindo aqui em cima. Galeria não tinha valor. Toda loja tinha que ser na rua. Não existia isso. Então eu fui trabalhar por minha conta. É que o outro, o Ciro foi, montou uma loja no, no segundo andar. E apareceu uma pessoa vendendo uma salinha. Eu comprei ela. Essa época foi uma época que, todo comércio ganhou dinheiro. Foi a época que eu mais ganhei dinheiro. Tudo que eu adquiri foi de 1970 a Eles, é... [veio] uma inflação que as aplicações davam às vezes 70% ao mês. Tinha a Vitória-Minas na Amazonas. Aquilo era o dia inteiro o povo depositando o dinheiro. E aqui, aquela... era tudo investimento. Tudo investimento, tinha gente que vendeu casa pra investir, e tal. E, todo mundo fazendo muita roupa. Eu, quando eu abri a alfaiataria, tinha uma pessoa chamada Belgrano, ele co/ M.E.: Belgrano?

14 A.M.: Belgrano. Era dono de uma loja chamada Sebel, no segundo andar. Ele falou assim: Olha você está começando agora, vou te ajudar. Ele mandava os tecidos pra mim falava: Olha o que você vender, você depois me paga. O que você não vender, você pode devolver. Então ele mandava. E tinha o Acure que era uma casa de tecidos, no primeiro andar, ele mandava todos os clientes pra mim. Por isso que eu tinha dez funcionários. Eu não dava conta. Do serviço. Aí eu comprei a segunda loja. M.E.: É, agora eu fiquei com uma curiosidade. Então a loja do senhor, que já nos anos setenta ela tinha a mesma estrutura das outras que o senhor trabalhou? A.M.: Estrutura como? M.E.: Assim, tinha que ter o aprendiz, //A.M.: Não, não.// o contra-mestre, o oficial, então já tem uma mudança aí no ofício, não é? A.M.: Total. Eu, eu só tive um aprendiz, ele, ele tinha uma noção de fazer calça. Então eu precisava da pessoa pra fazer concerto e entregar a roupa na rua. E, eu tenho até num livro de registro. Ele chama João Batista de Oliveira. Ele foi trabalhar comigo, na época que eu abri a alfaiataria, ele tinha de quatorze pra quinze anos. Até o pai dele assinou pra ele. Eu fui obrigado a registrá-lo, pagar todos os encargos sociais, e depois ele aprendeu a fazer calça direitinho, e tudo. E ele é quem entregava as roupas na rua. Primeira proposta que ele teve de uma melhoria de salário ele largou a alfaiataria. Então, por isso que eu falo que ninguém mais quis ensinar, porque dá muito trabalho ensinar. Tem que por uma outra pessoa, um outro oficial pra ensinar ele. E quando ele está apto, ele, que pode dar um pequeno lucro, ele larga e vai pra outro lugar. M.E.: Então quer dizer que o senhor já contratava pessoas que já eram oficiais. A.M.: É já eram oficiais. Eu tinha aí, três calceiras. As calceiras trabalham em casa, sempre trabalhou em casa. E, e tinha... Numa sala tinha a alfaiataria e na outra e, eram os oficiais. E tinha oficial que trabalhava em casa, porque proveiro gosta de fazer as provas em casa. Então os acabadores faziam dentro da alfaiataria. Quando foi em 1970, que eu já tinha adquirido lote, duas loja na galeria, os telefones, tudo direitinho, numa véspera de natal de 1974 minha esposa morreu. M.E.: Hum. A.M.: Morreu repentinamente. Até aprontando pra ir pra uma festa. E eu fiquei chateado com aquilo, achei que era uma inutilidade continuar trabalhando. E eu tinha comprado um lote no Itapuã, na Pampulha. E ela tinha escolhido a planta da casa. Eu falei assim: Gente, eu não é, ficar lutando muito mais Mas eu pertencia a uma sociedade, que falou comigo assim: Olha, você não pode deixar o patrimônio, é... ir pra trás. Você já tem um lote, tem a planta da casa, tem um dinheiro no banco que dá pra construir a casa. Não faça bobagem. Constrói a casa, porque você tem dois filhos e que precisam disso. Eu tinha um filho com, com dez anos, aquele lá. M.E.: Hum. A.M.: Então, ele, ele vai sair do grupo, vai ter que continuar estudando e seus filhos precisam... Você não pode perder a cabeça.

15 M.E.: E que sociedade era essa? Que o senhor pertencia? A.M.: A Maçonaria. M.E.: Ah! A.M.: E a Maçonaria ajuda muitas pessoas. Me ajudaram muito. Eu devo muito à Maçonaria. E logo quando abri a alfaiataria, uma pessoa falou: Entra pra Maçonaria que eles vão mandar um mundo de gente pra você. Então a Maçonaria mandava porque lá é de terno e gravata mandava muita pessoa pra mim. Então, é, muito cliente. Então, eles me ajudaram a construir a casa, fizeram a grade da frente. Tinha engenheiro da Brasilite que orientou tudo. E eu construí essa casa. E/ M.E.: E até hoje o senhor é da Maçonaria? A.M.: [...] Não. A minha mulher, ela faleceu aprontando pra ir pra uma festa da Maçonaria. Festa de confraternização de final de ano. E ela é que organizava todas as festas da minha loja. Quando era aniversário de um irmão, e tal que... Quando ela faleceu, e...eu não mexi com nada, eles fizeram o sepultamento fizeram tudo. Tomaram conta de tudo. E eu fui lá mais umas vezes, até janeiro de cin... de setenta e cinco, é... até, até mais ou menos no meio do ano. Fiquei até na eleição, porque eles fazem eleição em junho. Tomam posse no dia de São João, que é padroeiro da Maçonaria, no dia 24. e eu olhei aquilo, eles falaram assim: Pois é, a Dona Flora Eu disse: Está aqui, e tal... Eu fui ficando desgostoso com aquilo, e pedi licença, passei eu era secretário da Maçonaria passei a secretaria para uma outra pessoa chamada Frederico, que ele era o segundo secretário e, e não fui mais lá. Agora o maçom ele é a vida toda maçom. Até hoje os meus irmãos da maçonaria me procuram e fazem roupa comigo, e tem aquela estima... como se eu tivesse lá dentro com eles. E me convidam pra ir lá, e tudo. E às vezes na Festa Branca, às vezes eu apareço lá. M.E.: O que quê é uma Festa Branca? A.M.: A Festa Branca é uma festa aberta ao público. Pode ir senhoras, pode ir tudo isso. As senhoras são as cunhadas. Elas podem ir, não tem problema. E tem a, a reunião que é reunião fechada. Não é? M.E.: Sei. E, seu Tonico, vamos voltar aqui na profissão. Quer dizer, o senhor estava nos contando também um pouco da história de Belo Horizonte através da sua profissão, não é? É, então o senhor estava aí nos anos setenta quando o senhor vêm pra galeria, e aí o senhor tinha uma sala aqui. A.M.: É. M.E.: Não é? E as suas boas relações, é, também com os comerciantes da galeria, também, lhe ajudam muito, ah, na profissão. A.M.: É. M.E.: Não é?

16 A.M.: É. M.E.: É, e então o senhor tem cerca de dez empregados. É, e esses funcionários, fazem o trabalho. E os tecidos o senhor adquiria nessas lojas ou era o freguês que trazia o tecido? A.M.: Não, eu tinha o tecido, eu tinha tecido e o freguês também trazia o tecido. E outra coisa importante. Tinha em Belo Horizonte muita loja de tecido masculino. A rua dos Caetés era cheio disso. A rua dos Caetés tinha é, Esquina dos Casimira Michel Jhea o senhor Câmara, tinha o Rei das Casimira na esquina de Afonso Pena ali com São Paulo. E, eram muitas lojas. Tinha a loja Panamá na rua Curitiba. Então um... muita gente comprava um corte de tecido e dava de presente pro pai, pro avô, ou pro tio, ou pro irmão. Então quando era mais... No Natal. Quando era mais ou menos em janeiro aí enchia de serviço porque eles iam no alfaiate para confeccionar. ME: Vamos virar aqui a fita. Está indo ótimo. Está vendo como é diferente falar? A gente vai passando por aqui, por ali, é...e vai pegando muita coisa que o senhor não imaginou, não é? [FIM DO LADO A]

17 Entrevista fita 01 lado B M.E.: Mas, então quer dizer que dar um corte de tecido de presente era um hábito? A.M.: É, era um hábito. E, essas lojas tinham [inclusive] as caixinhas pra presente, colocava ali, e tudo. Então a pessoa é... porque não existia a roupa prática, não existia a roupa pronta. Então eles iam no alfaiate, mandar fazer. E, e o engraçado é que até hoje tem gente que faz isso. Dão, dão... Apesar que as casas de tecidos masculino acabaram. Tem ainda, aqui em Belo Horizonte deve ter umas quatro casas só. M.E.: Hum-hum. A.M.: Tem na Caetés, tem aqui na, na Carijós. Tem na rua Pernambuco, uma casa de tecido masculino. E tem uma casa na rua Espírito Santo,.é o José Pitione. Esse é antigo. José Pitione eu conheci ele, ele tinha dezoito anos. Ele, naquele tempo, ele... No interior tinha muito alfaiate. Então tinha os viajantes, que vendiam tecidos. Então esse José Pitione, eu tinha dezoito anos quando eu conheci ele vendendo lá, então ele chegava vendia para os alfaiates. Eles entregavam aquilo. Todo alfaiate era obrigado a ter um estoque, porque não tinha loja que vendia // M.E.: Hum-hum. // casimira, nem linho nem nada. Então, hoje ele está em Belo Horizonte e é muito meu amigo. M.E.: Ah... A.M.: A senhora imagina quanto tempo tem que eu conheci esse homem. E ele: Ô Toniquinho... De vez em quando ele telefona pra mim. Ele tem essa loja na esquina de... Espírito Santo com Amazonas. Em frente à Casa Cotia M.E.: Sei. A.M.: Chama Casimira José Pitione. M.E.: Pitione. A.M.: É um nome turco. M.E.: Sei. L.P.: O senhor falou que, quando o senhor estava aqui, tinha a alfaiataria e o, a sala da alfaiataria, e os oficiais, a sala dos oficiais. Como é que era essa diferença? A.M: A diferença/ L.P.: O que acontecia na alfaiataria e/ A.M.: A diferença é como essa alfaiataria que eu fui trabalhar no Edifício Mariana. L.P: Hum-hum.

18 A.M.: O Edifício Mariana tinha a sala 404 que era a alfaiataria, que atendia os fregueses igual está aqui. // L.P.: Ah, entendi. // tinha poltrona pro, pra pessoa sentar, o proveiro ali, os manequins e a roupa esperando o cliente. L.P.: Hum-hum. A.M.: Na outra sala, que era a 408, eram as máquinas. E a porta ficava fechada. L.P.: Ah, entendi. A.M.: Com os oficiais. Que ali eles fumavam, eles, eles faziam o barulho deles, eles ouviam rádio. E, e era aquela porção de gente costurando e passando roupa. Então não, não se misturava o... a alfaiataria, a parte de atendimento com a de confecção. L.P.: Entendi. A.M.: Então eu tinha aqui a sala 15 e a 17. Uma junto da outra. Mas não liguei elas. Para não ter, circulação entre uma e outra. Então, na 15 ficavam os oficiais, na 17 era alfaiataria. M.E.: E tinha é, figurinos para as pessoas escolherem os modelos? A.M.: Tinha e tenho até hoje. M.E.: Hum-hum. A.M.: A, o Clube dos Alfaiates de São Paulo, [e] está ali aquele diploma manda os figurinos, os figurinos muito bonitos. Muito bem feitos. M.E.: O senhor ainda tem os figurinos mais antigos? A.M.: Tenho. Quando eu, eu comprei. Há um fenômeno engraçado, a senhora tocou num assunto interessante. Quando eu montei a alfaiataria o, o Queiroz tinha uns figurinos ingleses, de 1955, 1952 e... os figurinos tudo fotografia, muito bonitos, e a gente pautava naquele figurino. Copiava aquilo. Aí foi ficando, veio a roupa [Clube Um] com as lapelas largas e tudo. E aquilo ficou superado, mas eu, eu não quis dispor dos figurinos. Porque eu sou um pouco saudosista, eu gosto de coisa antiga. Aí eu guardei os figurinos, quer dizer esse [figurino] tem cinqüenta anos. E, no aqui no mundo tudo que vai volta. Sabe de... Ninguém copia... É ninguém nem, ninguém cria, todo mundo copia não é? Hoje a roupa de 1950 está toda aí no manequim. É isso que está aí. // M.E.: Hum-hum // Depois eu lhe mostro os figurinos. É o três botões, clássico, com a bainha virada, bainha italiana. É aquela roupa de 1950 até 55. E eu tenho os figurinos mais modernos. M.E.: Sei. A.M.: Mas, voltou tudo. M.E.: Quer dizer que é, a distribuição dos figurinos eram feitas por... O senhor falou o Sindicato dos Alfaiates de São Paulo?

19 A.M.: Não. M.E.: Não. A.M.: Não, não. É porque tem um, uma grande distribuidora de tecidos. Fabricante aqui no Brasil, ela chama Classic [Barulho externo forte silêncio] É, é, essa fábrica chama Classic. Ela, ela comprou praticamente todas as fábricas de tecido do Brasil. M.E.: Hum. A.M.: Tecido masculino. Ela comprou a Santista e, e tem uma tecnologia inglesa para fazer o tecido. Então o tecido exportado para a Inglaterra, para os Estados Unidos e pro Canadá. Então chega lá a senhora vai comprar um tecido: Ah, eu quero uma casimira inglesa. Ela vem com um carimbo todo [inaudível] escrito em inglês, mas ele é feito no Brasil. M.E.: Sim. A.M.: Então esse... ah, inclusive o carimbo também que coloca o carimbo a óleo nela, indelével aquele carimbo vem em inglês, eu tenho tudo aí, isso eu posso mostrar. M.E.: Hum. A.M.: E, então acabaram as fábricas de tecido, não tem mais. M.E.: E, e antes, é, eles, eles davam os figurinos? A.M.: É, aí, aí/ M.E.: Que era uma publicidade dos tecidos. A.M.: É. Aí essa fábrica que tem hoje aí no Brasil, elas dão assistência pro alfaiate. E, e dão os figurinos. Então, manda os figurinos para os alfaiates. Então é por aqueles figurinos que o alfaiate faz as roupas. M.E.: Sei. A.M.: Mas a roupa hoje ela não tem diferença... A roupa masculina ela não tem modificação nenhuma. Ela é sempre a mesma: ou é três botões, ou dois botões, ou jaquetão. O colete já foi abolido. Colete... é o nosso clima é muito quente para usar colete. Então a pessoa faz um colete às vezes pra um terno para um casamento, é uma peça cara porque ela é toda de cetim. Depois ele tira isso e põe lá no, no armário e pronto, não usa mais. Então, quando a pessoa vai casar, se é um, um ato muito solene, assim à noite e tal, na igreja, tipo Basílica de Lourdes, ele faz um jaquetão. Aqui ele cruza na frente, e ele é mais sóbrio, então, usa o jaquetão. Que é aquele de seis botões trespassado.

20 M.E.: Sei. E, seu Tonico, é... Voltando um pouquinho assim, quer dizer, o senhor vêm aqui para a galeria, e aqui tinha que tipo de lojas? Além da alfaiataria do senhor, tinha outras alfaiatarias? A.M.: Olha, quando eu vim para aqui. O que funcionava mesmo era porque tudo de início é difícil era o térreo da São Paulo e da Curitiba, que era passagem. E tinha muito bar. A galeria, na... a primeira, na saída aí onde tem aquela pastelaria, Pastelaria Ouvidor, ali, primeira loja que teve ali era um banco. Chamava Banco MOBIN, era da Mobiliadora Inglesa. Aí quando acabou o banco passou para o... Banco da Bahia. Até tinha, minha primeira conta foi lá. E Banco da Bahia ficou ali uns tempos, e tal, depois o Banco da Bahia até foi, e... ele saiu de Minas Gerais não tem mais. Aí é que veio a Pastelaria Ouvidor, do Haroldo. Haroldo é dono das Pastelândias de Belo Horizonte. E, e tinha... Tem uma coisa interessante também nesse mundo. A... na entrada da Galeria do lado da Curitiba, tinha um japonês que comprou ali e transformou ali numa, numa loja de frutas. E ele enchia a Galeria de, de uvas, caixas de uvas, e tal. E o maior sonho dele era montar uma, uma casa de ó... de, de material de... fotografia. M.E.: Hum. A.M.: Porque ele era apaixonado por fotografia. Quando ele, ajeitou a vida dele mais ou menos, ele desistiu das frutas e montou ali uma, uma casa de fotografia, com máquina fotográfica, filmadoras essas coisas todas. E a primeira coisa que ele fez foi comprar um carro. A primeira viagem que ele fez, ele perdeu a direção do carro, e num acidente ele morreu. M.E.: Hum. A.M.: E a viúva, que era uma japonesa ficou chateada com aquilo. Acabou com tudo. M.E.: Hum. A.M.: E hoje é uma pastelaria. M.E.: Sei. A.M.: Mas ali, antes teve ali o Foto Elias, que era antiguíssimo tem mais de sessenta anos que também acabou. Era na esquina lá da, da Afonso Pena com, com Tupinambás. M.E.: É. Agora aqui dentro da Galeria que, que lojas que tinham? A.M.: Bom, aqui dentro da Galeria eram mais loja de... Porque o auge naquele tempo era a calça... chama a calça faroeste. Ela, ela era até importada. Então, era o auge. E, e o alfaiate também aí, ele... eles mandavam muito. E tinha uma loja aí na, na [inaudível] São Paulo, que era do, daquela família do, Hazan. E eles vendiam muita calça jeans, então eles tinham que contratar um alfaiate, por isso que tinha um ajudante aí, um aprendiz e ajudante. E, as moças queriam as calças com boca sino. Chamava boca sino não era pantalona. M.E.: Hum-hum.

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