RONALDO OLIVEIRA NUNES. Gerenciamento de risco no transporte rodoviário de cargas: uma análise sobre os sistemas de rastreamento via satélite

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1 FACULDADE DE TECNOLOGIA DA ZONA LESTE RONALDO OLIVEIRA NUNES Gerenciamento de risco no transporte rodoviário de cargas: uma análise sobre os sistemas de rastreamento via satélite São Paulo 2009

2 FACULDADE DE TECNOLOGIA DA ZONA LESTE RONALDO OLIVEIRA NUNES Gerenciamento de risco no transporte rodoviário de cargas: uma análise sobre os sistemas de rastreamento via satélite Monografia apresentada no curso de Tecnologia em Logística com ênfase em transporte na FATEC ZL como requerido parcial para obter o Título de Tecnólogo em Logística com ênfase em Transporte Orientador: Prof. Dr. Carlos Alberto Di Lorenzo São Paulo 2009

3 Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte. Nunes, Ronaldo Oliveira. Gerenciamento de risco no transporte rodoviário de cargas: uma análise sobre os sistemas de rastreamento via satélite /Ronaldo Oliveira Nunes São Paulo, SP: [s.n], Orientador: Carlos Alberto Di Lorenzo Monografia (Graduação) Faculdade de Tecnologia da Zona Leste. Bibliografia: f. 1. Introdução. 2. Logística Empresarial. 3. Transporte rodoviário. 4. Gerenciamento de Risco. 5. Sistemas de Rastreamento via Satélite. 6. Estudo de caso. 7. Conclusão. 8. Referências Bibliográficas

4 NUNES, R. O. Gerenciamento de risco no transporte rodoviário de cargas: uma análise sobre os sistemas de rastreamento via satélite. Monografia apresentada à Faculdade de Tecnologia da Zona Leste para obtenção do título de Tecnólogo em Logística. Aprovado em: Banca Examinadora Prof. Dr. Julgamento: Instituição: Assinatura: Prof. Dr. Julgamento: Instituição: Assinatura: Prof. Dr. Julgamento: Instituição: Assinatura:

5 A Deus, minha mãe, meu pai e meus irmãos que sempre me apoiaram e me deram suporte para ser o que sou hoje...

6 AGRADECIMENTOS A minha namorada que foi fiel e companheira em todas as horas difíceis. A minha família, minha fonte de inspiração e motivação. Aos amigos, pela força e pela vibração em relação a esta jornada. Ao Prof. Dr. Orientador pela colaboração na elaboração deste trabalho. Aos professores e colegas de Curso, pois juntos trilhamos uma etapa importante de nossas vidas. Aos companheiros de trabalho, os quais entenderam a importância de tudo isso para mim.

7 A persistência é o caminho do êxito. Charles Chaplin

8 RESUMO NUNES, Ronaldo Oliveira. Gerenciamento de risco no transporte rodoviário de cargas: uma análise sobre os sistemas de rastreamento via satélite Trabalho de Conclusão de Curso Faculdade de Tecnologia da Zona Leste FATEC ZL. São Paulo, Análise sobre a utilização de sistemas de rastreamento via satélite em veículos de transporte rodoviário. Para a coleta de dados utiliza-se metodologia de pesquisa bibliográfica para revisão de literatura pertencente ao tema. Mostrando dados históricos sobre a disseminação do transporte rodoviário no Brasil e seu crescimento e utilização desproporcionais em relação aos outros modos de transporte. Buscando mostrar as vantagens na utilização dos sistemas de rastreamento na prevenção de roubos e furtos de veículos e até mesmo na recuperação dos mesmos, além de mostrar outras vantagens como a roteirização, maior controle da frota e possibilidade de se obter históricos de ocorrências em todas as viagens realizadas. Palavras-chave: Gerenciamento de risco, transporte rodoviário, rastreamento, satélite.

9 ABSTRACT NUNES, Ronaldo Oliveira. Risk management in the roadway transport: an analysis about satellite tracking systems Paper of Course Conclusion Faculdade de Tecnologia da Zona Leste FATEC ZL. São Paulo, Analysis of the use of satellite tracking systems in roadway transportation vehicles. For data collection is used the methodology of literature search relevant to the subject. Showing historical data of the dissemination of the roadway transport in Brazil and it s growing and it s disproportional use over others transportation ways. Seeking to show the advantages from the use of tracking systems in the prevention of vehicles steal and thefts and even in their recuperation, over there of showing other advantages like itinerary, bigger control of the fleet and the possibility of having incident historical in all the trips made. Key-words: Risk management, roadway transport, tracking, satellite.

10 LISTA DE FIGURAS Figura 1 Modelo de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos...19 Figura 2 Rede Logística...20 Figura 3 Modelo Geral da Cadeia de Suprimentos...21 Figura 4 Modelo de Cadeia de Valor...22 Figura 5 Constelação dos Satélites GPS e a Distribuição destes em cada um dos planos Orbitais...38 Figura 6 Distribuição dos Satélites na Constelação Final...39 Figura 7 Funcionamento do Sistema de rastreamento via GPS...40

11 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Evolução do Transporte rodoviário no Brasil...25 Tabela 2 Investimentos nos três sub - setores de transporte entre 1956 e 1963 (%)...26

12 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO LOGÍSTICA EMPRESARIAL Logística e transporte no processo de globalização Cadeia de Suprimentos TRANSPORTE RODOVIÁRIO O período pós-guerra Transporte rodoviário de carga Agentes do transporte rodoviário de carga Panorama do transporte de carga no Brasil Roubo de cargas nas rodovias GERENCIAMENTO DE RISCO Identificação e diagnóstico do problema Geração de soluções alternativas Avaliação das alternativas Escolha Implementação da decisão Avaliação da decisão SISTEMAS DE RASTREAMENTO VIA SATÉLITE Localização por direcionamento Triangulação de antenas Sistema GPS Segmento espacial Segmento de controle Segmento de usuários Descrição dos receptores GPS GPS Diferencial Características de utilização de sistemas de rastreamento ESTUDO DE CASO Pontos fortes da empresa Pontos a melhorar Tecnologias desenvolvidas pela empresa Considerações sobre a empresa CONCLUSÃO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 51

13 1. INTRODUÇÃO Considerando o grande número de empresas de transporte no Brasil, podese dizer que a quantidade de empresas que utilizam um sistema de gerenciamento de risco, para gerenciamento de operações de transporte pode ser considerado baixo, muitas vezes os benefícios oferecidos por esta tecnologia ainda são desconhecidos. O setor rodoviário é responsável pela maior parte do transporte de cargas no Brasil. Diante disto, as empresas cada vez mais procuram transportar com eficiência e promover melhoria contínua, diminuindo cada vez mais o uso de veículos de baixa tecnologia, veículos muito antigos e administração precária. A chegada dos operadores logísticos trouxeram mudanças para o setor de transporte rodoviário, criou-se a necessidade das empresas adotarem conceitos e padrões de agilidade e qualidade neste mercado cada vez mais competitivo. O controle da tecnologia e informação passa a representar uma grande vantagem competitiva para as empresas de transporte rodoviário, um exemplo de tecnologia que pode ser utilizada pelas empresas é o sistema de rastreamento via satélite que possibilita o controle em tempo real dos veículos. O objetivo desta pesquisa é analisar as vantagens da utilização de sistemas de rastreamento pelas empresas de transporte rodoviário de cargas. Apontar a importância do transporte rodoviário no Brasil, e demonstrar a importância do gerenciamento de risco na redução dos roubos e furtos de cargas e ainda na redução dos custos de apólices de seguros. Com o crescimento da demanda pelo transporte rodoviário de cargas e o crescente aumento da quantidade de roubos de caminhões e cargas, surgem algumas barreiras e medidas precisam ser tomadas para a redução de custos e também para manter a empresa competitiva no mercado. Os sistemas de rastreamento via satélite são realmente eficazes? Trazem vantagens para as empresas? Para a realização deste trabalho, será utilizada metodologia de estudo de caso na empresa Duty Sistemas de Logística e Gerenciamento de Risco e ainda 12

14 será utilizado a metodologia de pesquisa bibliográfica para revisão da literatura pertinente ao tema. 13

15 2. LOGÍSTICA EMPRESARIAL A importância da Logística no atual cenário econômico mundial tem crescido muito, na medida em que as empresas estão tomando consciência de seu valor, principalmente após a 2ª Guerra Mundial, onde houve um grande progresso da tecnologia e descoberta de novos materiais. As empresas também têm tomado consciência para a importância dos custos logísticos, desde o estágio inicial de matéria prima, até a entrega do produto acabado ao consumidor final. O termo Logística vem do francês Logistique e tem como uma de suas definições: A parte da arte da Guerra que trata do planejamento e realização de: projeto e desenvolvimento, obtenção, armazenamento, transporte, distribuição, reparação, manutenção e evacuação de material para fins operativos ou administrativos. (FERREIRA, 1986, p. 1045) A Logística também pode ser definida como a satisfação do cliente ao menor custo total (FERREIRA, 1986). Nas épocas mais antigas da história, as mercadorias não eram feitas perto dos lugares onde eram consumidas, sendo acessíveis em apenas em determinadas épocas do ano (BALLOU, 2004). O movimento das mercadorias limitava-se ao que as pessoas conseguiam fazer por suas próprias forças, pois sistemas de armazenamento e transporte eram inexistentes. O limitado sistema de transporte-armazenamento normalmente obrigava as pessoas a viver perto das fontes de produção e as limitava ao consumo de uma escassa gama de mercadorias.(ballou, 2004, p.25). Sistemas logístico eficazes dão possibilidade ao comércio mundial, algumas regiões podem especializar-se em materiais com melhores condições de produção, podendo assim enviar a produção excedente à outras áreas produtoras e consumidoras. A Logística empresarial é um campo relativamente novo do estudo da gestão das áreas das finanças, marketing e produção (BALLOU, 2004). Com a globalização, foi possível notar que os produtores e os consumidores encontravam-se geograficamente dispersos. As matérias primas não estão necessariamente próximas às empresas que as utilizam em seus processos 14

16 produtivos, pode-se dizer que a Logística é fundamental para as empresas eliminarem lacunas de tempo e espaço que impedem ou dificultam o fluxo de produtos. Os consumidores cada vez mais, estão exigindo os produtos no lugar certo e na hora exata e embora seja um público que espera o preço justo, está cada vez mais suscetível ao nível de serviço e não mais com base apenas no preço na hora de determinar o produto adquirido. A Logística é importante porque é capaz de auxiliar empresas e organizações na agregação e criação de valor ao cliente. Ela pode ser a chave para uma estratégia empresarial de sucesso, provendo uma multiplicidade de maneiras para diferenciar a empresa da concorrência através de um serviço superior ou ainda por meios de interessantes reduções de custo operacional. (ARBACHE et al, 2004, p.17). As empresas têm percebido que organizar e coordenar os recursos de maneira a satisfazer seus clientes é o ponto chave na gestão estratégica de negócios. Sendo assim a Logística passa a ser reconhecida como um diferencial competitivo frente à acirrada concorrência, sendo uma ferramenta estratégica, sua utilização adequada permite reduzir as dificuldades existentes entre a localização e a disponibilidade dos produtos para os clientes. O produto ao sair da fábrica, já tem um valor intrínseco a ele agregado, mas esse valor ainda está incompleto ao consumidor final.(novaes, 2004, p. 32). Além de possibilitar otimização dos processos existentes na organização, reduzindo custos operacionais, a logística empresarial gera oferta de um produto de valor superior ao cliente. Este caso pode ser exemplificado em um estádio de futebol, onde o ambulante estipula um preço muito acima do mercado para seu produto, neste caso não há escapatória para o consumidor, naquele momento o produto vendido fora do estádio não agrega valor, pois não há possibilidade de deixar o estádio para buscar um preço menor. Neste caso fica evidente um sistema logístico que coloca valor de lugar ao produto. Um outro valor, o de tempo é introduzido ao produto desde que este seja entregue ao consumidor no prazo acordado, ou no momento em que seu consumo é necessário ou desejado, enfatizando a importância da logística nas empresas (NOVAES, 2004). 15

17 A Logística Empresarial trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria prima até o ponto de consumo final (BALLOU, 1993, p. 24). Esta definição abrange a noção de que o fluxo de mercadorias deve ser acompanhado desde o ponto de origem até o ponto de consumo do cliente final, visando satisfazer as exigências dos consumidores. 2.1 Logística e transporte no processo de globalização A intensa aceleração da globalização dos mercados, trouxeram as necessidades das organizações de ampliar seus mercados e sua produção. A manutenção da liderança tecnológica exigia geração de caixa cada vez maior para investimento em tecnologia de ponta (VIDIGAL; GANDRA; DUPAS, 2007, p.7). As tecnologias da informação proporcionam uma facilidade na produção, automatizando muitas atividades feitas manualmente, reduzindo o tempo gasto e permitindo que outras atividades fossem desenvolvidas neste tempo que sobra. A tecnologia da informação permitiu que as organizações globalizassem seu mercado e sua produção de modo a operar com maiores escalas aos menores custos possíveis (VIDIGAL; GANDRA; DUPAS, 2007). A moderna logística procura incorporar: (a) prazos previamente acertados e cumpridos integralmente ao longo de toda a cadeia de suprimentos; (b) integração efetiva e sistêmica entre todos os setores da empresa; (c) parcerias com fornecedores e clientes; (d) busca da otimização global, envolvendo a racionalização dos processos e a redução de custos em toda a cadeia de suprimentos; e (e) satisfação plena do cliente, mantendo nível de serviço preestabelecido e adequado (NOVAES, 2004). Pode-se notar que a empresa não pode mais concentrar a mensuração e gestão dos custos considerando cada empresa de forma isolada. A logística globalizada precisa operar de forma progressiva as funções que agregam valor adicional considerável aos produtos e clientes. Alguns fatores como 16

18 Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) e Design podem ser considerados como maximizantes de valor adicionado (VIDIGAL; GANDRA; DUPAS, 2007). A inovação tecnológica pode ser considerada a mudança mais significativa nos processos industriais, porém algumas características destes processos não alteraram de forma significativa. Primeiramente prevaleceu a integração vertical das cadeias produtivas, com linhas de montagem e grandes volumes de estoques estratégicos e operacionais como parte dos processos produtivos (VIDIGAL; GANDRA; DUPAS, 2007, p. 15). A credibilidade das marcas também vem se mantendo, assim é possível o domínio do ciclo produtivo. A partir dos anos 1980, as características de produção foram modificadas, como a integração das cadeias produtivas, com terceirização de serviços e produção de componentes. Pode-se considerar que a maior mudança no cenário industrial, implantação da técnica Just in Time (JIT). Para Ballou (2004): A programação Just in Time é uma filosofia operacional que representa alternativa ao uso de estoques para que se possa cumprir a meta de disponibilizar os produtos certos, no lugar certo e no tempo certo. É uma maneira de gerenciar o canal de suprimentos de materiais popularizada à partir da experiência dos japoneses que a desenvolveram com base nas circunstâncias logísticas e econômicas diferenciadas que imperaram em seu país nos últimos 40 anos. Esta técnica minimizou o nível de estoques nos galpões das empresas, pois cada etapa do ciclo produtivo só solicita novas encomendas à partir da necessidade das mesmas. 2.2 Cadeia de Suprimentos O Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos ou Supply Chain Management (GCS; SCM) é um termo surgido recentemente que capta a essência da logística integrada, destaca as integrações logísticas que ocorrem entre as funções de marketing e produção no âmbito de uma empresa (BALLOU, 2004). 17

19 A gestão da cadeia de suprimentos apresenta-se no atual ambiente de negócios, como uma ferramenta que permite ligar o mercado, a rede de distribuição, o processo de produção e a atividade de compra de tal modo que os consumidores tenham um alto nível de serviço ao menor custo total, simplificando assim o complexo processo de negócios e ganhando eficiência (BOWERSOX e CLOSS, 2001). Apesar da existência de um abundante corpo de literatura sobre a gestão da cadeia de suprimentos, não se encontra muita consistência no uso ou significado exato atribuído ao termo (DUBOIS et al., 2004). O conceito é utilizado em diversos campos do conhecimento, que até hoje permanecem, maiormente desconexos (HARLAND, 1996). Estratégia de compra integrada, integração de fornecedores, relações comprador-fornecedor, sincronização da cadeia de suprimento, alianças estratégicas de fornecimento, cadeia de valor, cadeia de clientes, cadeia de valor agregado, cadeia produtiva, rede de suprimento (TAN, 2001). Essas são algumas das definições utilizadas em literatura para denominar o conceito de cadeia de suprimentos. Pode-se dizer que o conceito do GCS ultrapassa até mesmo o conceito da logística empresarial, pois muitas vezes pode proporcionar oportunidades para a melhoria dos custos e serviços aos consumidores com coordenação de integrantes do canal em pontos onde algumas atividades da cadeia de suprimentos que podem não estar sobre o controle direto dos profissionais de logística. A cadeia de suprimentos abrange todas as atividades relacionadas com o fluxo e transformação de mercadorias desde o estágio final de matéria prima até o usuário final, incluindo os fluxos de informação (BALLOU, 2004, p. 28). Pode-se concluir que o GCS é a integração das atividades através de relacionamentos aperfeiçoados e pode trazer uma vantagem competitiva sustentável, podendo até ser considerada como uma evolução do conceito de logística, apesar de os dois conceitos possuírem missões idênticas. A figura 1.1 mostra o modelo de gerenciamento da cadeia de suprimentos, visto como uma fonte de informações. 18

20 Figura 1 Modelo de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos Fonte: BALLOU, 2004 Para que possa ser implementada a gestão da cadeia de suprimentos é necessária a existência de uma filosofia compartilhada por todas as empresas constituintes, compreendendo um conjunto de valores, crenças e ferramentas que permitam o reconhecimento das implicações sistêmicas e estratégicas das atividades envolvidas na administração dos fluxos compreendidos (COUGHLAN et al., 2002). A competição nos mercados globais, produtos com ciclos de vida reduzidos e o aumento das expectativas dos clientes forçaram as empresas a investir na cadeia de suprimentos (LEVI; KAMINSKY; LEVI 2000). Pode-se dizer que juntamente com esses fatores, a evolução da tecnologia de comunicação e transporte contribuíram para a evolução contínua do GCS e de suas técnicas. Em uma típica cadeia de suprimentos ou rede logística, as matérias primas são adquiridas, os itens produzidos em uma ou mais fábricas, transportados para depósitos para armazenamento temporário e, então, 19

21 despachados para varejistas e clientes. (LEVI; KAMINSKY; LEVI, 2000, p. 27). A cadeia de suprimentos é constituída por fornecedores, centros de produção, depósitos e varejistas, e também por matéria prima, estoques de produtos em processo e produtos acabados. Figura 2 Rede Logística Fonte: LEVI; KAMINSKY; LEVI 2000 Para Bowersox e Closs (2002 p. 21): A gestão da cadeia de suprimentos, também conhecida como cadeia de valor, compreende empresas que colaboram para alavancar o posicionamento estratégico e melhorar a eficiência nas operações, para cada empresa envolvida, o relacionamento da cadeia de suprimentos reflete uma escolha estratégica. 20

22 Uma estratégia da cadeia de suprimentos é um arranjo baseado nas dependências da empresa que já é reconhecida na gestão de relacionamento, todas as operações dentro desta cadeia exigem processos que atravessam diversas áreas na organização e conectam parceiros e clientes para níveis além dos organizacionais. A logística ao contrário da gestão da cadeia de suprimentos, é o trabalho exigido para mover e posicionar o inventário na cadeia de suprimentos (BOWERSOX; CLOSS, 2002). A logística integrada pode servir para relacionar e sincronizar a cadeia de suprimentos, pois é através da logística que é gerado valor através do tempo, do posicionamento de inventário, do transporte, do armazenamento e diversas atividades. O conceito geral de uma cadeia de suprimentos é comumente ilustrado através de um diagrama linear que inter-relaciona as firmas participantes de uma unidade competitiva ordenada (BOWERSOX; CLOSS, 2002). Figura 3 Modelo Geral da Cadeia de Suprimentos Fonte: BOWERSOX; CLOSS,

23 Uma vez que a empresa interage com o meio que a cerca, deve orientar-se para a busca da interação com o mesmo, é preciso desenvolver uma cadeia de suprimentos que agregue valor em toda a sua extensão, sempre com o objetivo de promover o máximo de satisfação ao cliente final. A SCM também pode ser considerada uma visão expandida, atualizada e, sobretudo, holística da administração tradicional de materiais, abrangendo a gestão de toda a cadeia produtiva de forma estratégica e integrada. A SCM pressupõe, fundamentalmente, que as empresas devem definir suas estratégias competitivas e funcionais por meio de posicionamentos (como fornecedores e como clientes) nas cadeias produtivas em que se inserem (Pires, 1998). A cadeia de suprimentos (muitas vezes chamada de cadeia de valor ou cadeia de produção) pode ser definida como o conjunto de atividades executadas para produzir e entregar um produto ou serviço à consumidores finais (MIRANDA, 2002). O conjunto de atividades citado pode incluir desde a extração de matérias primas, processamento, transporte, distribuição e entrega aos consumidores. Figura 4 Modelo de Cadeia de Valor Fonte: MIRANDA, 2002 Através da figura podemos interpretar que todos os participantes executam as atividades que antecedem e complementam as atividades executadas pela empresa, quanto mais estreito o elo entre os integrantes da cadeia, maior as chances das habilidades individuais serem aplicadas em benefício próprio. As 22

24 cadeias de suprimento são integradas por vários participantes entrando e conduzindo acordos mutuamente benéficos de longo prazo. Tais acordos são conhecidos por vários nomes: parcerias, alianças estratégicas, terceirizações e contratos logísticos (MIRANDA, 2002). 23

25 3. TRANSPORTE RODOVIÁRIO Um sistema de transporte eficiente e de baixo custo contribui para aumentar a competitividade da empresa no mercado e reduzir custos dos produtos comercializados. Dentro da economia de escala, o sistema de transporte interfere na confiabilidade do recebimento de matéria prima e na entrega de produtos acabados ao consumidor final. (BALLOU, 2004). Algumas características devem ser levadas em consideração no momento de escolher o modo de transporte, são elas: (1) preço do serviço de transporte, (2) rapidez e variabilidade, (3) versatilidade, (4) riscos de perdas e danos (MONTEIRO, 2002). O inicio do século XX trouxe a difusão dos veículos automotores, surgiu então a necessidade de implantação de uma nova infra-estrutura, pois na época haviam poucas estradas, e as que existiam eram apenas caminhos abertos, com poucas condições de tráfego. Em 1917 o Brasil possuía cerca de automóveis, sendo divididos em sua maioria entre Rio e São Paulo, o uso era limitado à áreas urbanas, pois seria penoso trafegar em estradas feitas para o transito de carroças (DAVID, 1996). São Paulo foi o estado pioneiro na construção de estradas de concreto, durante o governo de Washington Luis, foi iniciada a construção da rede rodoviária paulista (COIMBRA, 1974). Ainda assim pode-se dizer que o Brasil só teve inovações relevantes no período pós-guerra. Através da tabela a seguir podemos ver sinteticamente a evolução do transporte rodoviário como um todo no Brasil: 24

26 Tabela 1 Evolução do Transporte rodoviário no Brasil Final dos anos Década de 50 Final dos anos 60 Década de 70 Após a segunda metade da década de 90 Registro de uma empresa de transporte rodovário de cargas (de que se tem notícia) Companhia de União dos Transportes; Registro dos primeiros caminhões utilizados no transporte rodoviário; Primeira Guerra Mundial interrompe o transporte de produtos manufaturados para o Brasil; estimula a criação de novas industrias; inicia-se uma série de ações em favor da rodovia e o setor de transporte cresce e fica mais atuante; Final da guerra. A navegação volta a ocupar seu lugar de destaque entre os meios de transporte do país; Cresce o tráfego de automóveis no país. A Ford Motor Company decide criar a Ford brasileira; Implanta-se o transporte aéreo; instala-se a General Motors do Brasil; Crise na ferrovia e o monopólio ameaçado; cresce o número de veículos automotores fabricados no Brasil; o automóvel e o caminhão são vistos como uma necessidade ao progresso; veículos automotores trafegam pelas ruas e estrada brasileiras; O governo Vargas incentiva o processo industrial e a economia entra em processo de recuperação à partir de 1933; Criação do Departamento Nacional de estradas de Rodagem (DNER), que em 1944 apresenta o plano rodoviário nacional; A frota nacional é composta por veículos automotores, dos quais um terço eram caminhões, surgem os pioneiros do transporte rodoviário; Segunda Guerra Mundial interrompe as trocas comerciais entre as nações; o transporte rodoviário chega à beira do colapso; em função das dificuldades da importação do transporte; Aumento considerável das rodovias que chegam a KM; o transporte rodoviário de cargas inicia sua expansão; Novo modelo de industrialização no governo do presidente Juscelino Kubitschek; industria automobilística assume papel preponderante no processo de industrialização; construção de Brasília; implantação da indústria automobilística viabiliza a criação do sistema de Transporte Rodoviário de Carga em substituição ao transporte ferroviário; À exceção de Belém e Manaus, todas as capitais estavam interligadas por estradas federais; A estrada virou questão de soberania nacional, sendo que em 1980, o Brasil tinha 47 mil KM de estradas federais pavimentadas; Com a privatização das ferrovias e a modernização dos portos, efetivamente começou a se esboçar o fenômeno da competição ao amplo predomínio exercido pelo transporte rodoviário. Fonte: MACOHIN,

27 3.1 O período pós-guerra Até a primeira metade da década de 40, a idéia de ligação entre diversas regiões do país por meio de rodovias era considerada inviável, nessa época havia um receio de que as estradas viessem a concorrer com as ferrovias (DAVID, 1996). Na década de 50 o governo de Juscelino Kubistchek ( ) pregava a filosofia de 50 anos em 5 no Brasil, com isso houve a implantação da industria automobilística no país, que difundiu o comercio de veículos automotores. Após o surto de desenvolvimento rodoviário, houve um desequilíbrio na matriz de transportes a favor do modal rodoviário, este passando a responder por cerca de 66% da demanda de transporte. Os investimentos foram muito maiores que os do modal ferroviário e hidroviário, tornando a matriz de transportes desequilibrada (COIMBRA, 1974). Tabela 2 Investimentos nos três sub-setores de transporte entre 1956 e 1963 (%) SUB SETOR HIDROVIÁRIO 20,5 13,6 8,8 9,7 17,5 16,3 19,1 17,7 FERROVIÁRIO 22,4 20,2 26,1 32,4 23,4 20,2 22,4 25,4 RODOVIÁRIO 57,1 66,2 65,1 58,3 59,1 63,5 58,5 56,9 Fonte: COIMBRA, Transporte rodoviário de carga Considera-se transporte rodoviário de cargas aquele que se realiza em estradas de rodagem com utilização de veículos como caminhões e carretas (DAVID, 1996). O transporte rodoviário de cargas apresenta características especificas em virtude do uso do caminhão; apresenta a vantagem de deslocamento porta-aporta, vantagem de menor preço inicial, flexibilidade e possibilidade de escolha de rotas diferentes (MELLO, 1995). Podem ser também consideradas vantagens do transporte rodoviário: (1) serviço porta a porta, não é preciso carregamento ou 26

28 descarga entre origem e destino; (2) freqüência e disponibilidade dos serviços, (3) velocidade e conveniência no transporte porta a porta (BALLOU, 1999). O transporte rodoviário de cargas deve ser usado em distâncias menores, entre 200 e 300 KM (FARIA, 2001). Os custos variáveis deste modo de transporte tendem a ser altos pois através de impostos, pedágios e taxas, os usuários custeiam a construção e manutenção de estadas. O transporte rodoviário de cargas apresenta pontos positivos consideráveis e outros negativos que defasam seu uso. Em países com dimensões continentais, o transporte rodoviário é considerado um modal de muita flexibilidade, possibilitando integração de diferentes regiões do país. Este modo possibilita uma disponibilidade maior para o embarcador, pois possibilita pronta disponibilidade. Os pontos negativos deste modo de transporte podem ser: (1) custo de fretamento elevado; (2) capacidade de tração de carga reduzida; (3) veículos utilizados possuem alto grau de poluição; (4) a malha rodoviária deve estar em constante manutenção e construção (FREITAS, 2004). Existem dois sub-sistemas dentro do ambiente industrial que estão ligados diretamente com o transporte, o Marketing, que se preocupa diretamente com os desejos do consumidor e a Logística que defini como esses interesses serão atendidos (ALVARENGA; NOVAES, 1994). O transporte de cargas surge com a necessidade do consumidor em obter algum produto, a atuação do transporte em termos de modal, prazos e estoque é definida pela Logística Agentes do transporte rodoviário de carga As transações de transporte geralmente são influenciadas por cinco agentes: embarcador; destinatário; transportadora; governo e público (ALANO, 2003). O embarcador e o destinatário têm como objetivo movimentar mercadorias da origem ao destino ao menor custo. A contratação do transporte poderá ficar sob responsabilidade tanto de um como de outro ou comum acordo entre os dois. 27

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