II SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA FESPSP. Orientadora: Prof(a) Dra.Telma de Carvalho

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1 II SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA FESPSP O BIBLIOTECÁRIO COMO ARQUITETO DE INFORMAÇÃO Autora: Bárbara Uehara Orientadora: Prof(a) Dra.Telma de Carvalho RESUMO A constante evolução da Internet permitiu a manifestação de muitos desafios e oportunidades para a Biblioteconomia e o bibliotecário de modo geral. Muitos desses desafios se apresentam aos profissionais bibliotecários quanto às habilidades e características requeridas pelo mercado de trabalho atual, principalmente com relação às novas áreas de atuação como a Arquitetura de Informação (AI). Desta forma, esta pesquisa tem por objetivos apresentar os conceitos de Arquitetura de Informação e usabilidade e de que forma estes conceitos auxiliam na organização de websites; investigar como se dá a inserção do bibliotecário nesse mercado e a importância da sua atuação. Para alcançar esses objetivos, foi realizado um levantamento bibliográfico, dos últimos dez anos ( ) em literatura técnico-científica da área de Biblioteconomia, Arquitetura de Informação e Ciência da Informação. Este levantamento possibilitou apresentar os principais conceitos de AI e como o bibliotecário pode se engajar nessa área. Também verificou-se que a sua contribuição na AI gira em torno do conhecimento de princípios de seleção, acesso à informação, conhecimento de busca, catalogação e classificação aplicados em ambientes Web. Em paralelo a este artigo está em andamento pesquisa qualitativa com profissionais que atuam na área de Arquitetura de Informação no Brasil como Trabalho de Conclusão de Curso. Esta análise posterior permitirá levantamento do perfil desse profissional e lançará luzes para os bibliotecários que desejarem atuar nesse nicho do mercado. PALAVRAS-CHAVE: Arquitetura de Informação, Bibliotecário, Websites, Arquiteto de Informação, Internet. INTRODUÇÃO A constante evolução da Internet permitiu o surgimento de muitos desafios e oportunidades para a biblioteconomia e a ciência da informação de modo geral. A crescente quantidade de informação, conteúdos, sites e portais que são desenvolvidos dia-a-dia são alguns desses desafios que fizeram com que a área de biblioteconomia não se restringisse aos materiais impressos, mas ampliasse suas atividades e capacidades além dos acervos físicos. Sendo a Web um espaço mutável, dinâmico e democrático, é grande a busca por soluções que permitam uma melhor organização de páginas Web e justamente por apresentar essas características, é possível perceber que muitos websites sofrem de uma série de problemas crônicos. Entre esses problemas estão a obsolência, má organização da informação,

2 estruturas ruins, o que resulta em uma série de portais e websites abandonados após o seu lançamento ou finalização, o que acarreta em uma enorme quantidade de sites desatualizados, provocando perda de tempo do usuário e frustração na busca. A evolução da Web, e a própria Web 2.0 com seu cunho colaborativo, ampliaram a participação e a interferência dos usuários na Internet, muitas vezes causando um caos informacional. Porém, observa-se que não há uma padronização para a entrada de conteúdos, estilos e layout na Internet, o que dificulta o acesso do usuário e a busca por informação em websites. Sendo assim, faz-se necessário conhecer os atributos da Arquitetura de Informação aplicados na Web, que permitirá criar websites mais acessíveis e bem arquitetados. Por outro lado, o papel que o bibliotecário desempenha nesse contexto também é pouco conhecido e é sabido que sua experiência pode auxiliar este processo. Por isso essa pesquisa se concentrou em identificar os principais conceitos de Arquitetura de Informação, Usabilidade e suas particularidades e realizar um diagnóstico que identifique as fortalezas e debilidades da inserção do profissional bibliotecário neste novo nicho de mercado, ao estudar quais as competências requeridas para se inserir nesse mercado uma vez que seu trabalho pode contribuir para a organização da informação disponível na Internet. Muitos desafios se apresentam aos profissionais bibliotecários no que diz respeito às habilidades e características requeridas pelo mercado de trabalho atual, principalmente ao se deparar com gaps em que esses profissionais poderão se inserir. Somando-se a isso o caos na Internet, o profissional da informação precisa se preparar para demandas menos convencionais envolvendo a organização e a manutenção de websites. Este trabalho foi desenvolvido dentro do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica PIBIC da Fundação Escola de Sociologia e Política FESP SP do curso de Biblioteconomia e Ciência da Informação. Para a concretização dos objetivos propostos, esta pesquisa procurou conhecer e analisar Arquitetura de Informação, Usabilidade e suas características, além de conhecer de que forma a aplicação desses princípios de gestão da informação exercem impacto na organização de websites. Isso foi feito por meio de levantamento bibliográfico dos últimos dez anos ( ) em literatura técnico-científica da área de Biblioteconomia, Ciência da Informação e Arquitetura de Informação. Em paralelo a este trabalho está em desenvolvimento uma pesquisa de campo do tipo qualitativa, com o objetivo de coletar informações de profissionais que atuam na área de Arquitetura de Informação, no intuito de colher dados significativos sobre a atuação desse

3 profissional e quais são as suas competências básicas. O método utilizado é o qualitativo pois a metodologia quantitativa se aplica melhor ao objeto de estudo já bem definido por um conjunto de conhecimentos proporcionado por pesquisas anteriores (SERAPIONI, 2000 apud MUELLER, 2007, p. 27). Neste caso em que a atuação do bibliotecário em Arquitetura de Informação ainda possui pouco conhecimento teórico ou conceitual ou às pesquisas que não possuem hipóteses formuladas ou precisas [...] os métodos qualitativos ajudam não apenas a compreender o objeto de estudo, mas também a construí-lo a partir de novos aspectos e sob novas perspectivas. (SERAPIONI, 2000 apud MUELLER, 2007, p. 27) Desta forma, o método qualitativo favorecerá o mapeamento de valores, características, particularidades específicas e sociais do grupo analisado. UM POUCO SOBRE A ARQUITETURA DE INFORMAÇÃO A partir do crescente número de páginas que são criadas, modificadas e extintas a cada dia na Web, requer-se cada vez mais habilidades e características multidisciplinares dos profissionais que trabalham diretamente com a Internet. O mesmo ocorre com os bibliotecários que têm como responsabilidade prover informação rápida, precisa e com qualidade ao público que atende. No intuito de minimizar esse caos na Internet, diversas metodologias e ferramentas estão sendo desenvolvidas para melhorar o acesso à informação e alcançar, dentro do possível, padrões e modelos standards de sucesso na web. Voltando aos primórdios, assim como houve uma passagem da cultura oral para a escrita (LEVY, 1999, p.113), poderá haver também uma passagem da cultura escrita para a digital/virtual. Para Milanesi (2002, p.77) esse fenômeno foi indicado como a transferência do real para o virtual, pois a virtualidade diminui os limites de tempo e espaço, ampliando as potencialidades humanas, (BAPTISTA; MUELLER, 2004, p.58) barreiras de comunicação e transmissão de informação antes existentes, com o avanço da Internet se modificaram, o que gera mudanças também no mercado e no perfil dos profissionais. Sendo assim, muitos estudos são feitos com o intuito de tentar organizar os conteúdos de websites e portais de forma a melhorar a organização dos mesmos e fazer com que a informação seja transmitida e absorvida em sua totalidade.

4 Portanto, nesta pesquisa considera-se como objeto de estudo, websites e portais da Internet. Por website, site ou portal entende-se uma coleção estruturada de páginas Web, representando uma entidade (empresa, organização, grupo) ou alguém (pessoa), cujo acesso necessita de um explorador, também chamado de navegador ou browser, conforme Carvalho, Simões e Silva (2005, p.21). Sendo assim, analisaremos a seguir de que forma os conceitos e características da Arquitetura de Informação podem colaborar com a organização da informação na Internet. A Arquitetura de Informação, é uma nova disciplina, cunhada por Richard Saul Wurman em 1976, em resposta a ansiedade do homem moderno frente ao excesso de informação do nosso mundo contemporâneo. (FERREIRA e REIS, 2008) Porém não há uma única definição que resuma e englobe os principais conceitos de Arquitetura de Informação, sendo assim, Morville e Rosenfeld (2006, p.13) apresentam algumas definições sobre AI: 1. O design estrutural de ambientes de informação compartilhada. 2. A combinação de organização, rotulagem, pesquisa e sistemas de navegação em sites e intranets. 3. A arte e a ciência de dar forma a produtos de informação e experiências para apoiar a usabilidade e encontrabilidade. 4. Uma disciplina emergente e uma comunidade de prática focada em trazer princípios do design e da arquitetura com o cenário digital. Como pode-se observar, é uma nova disciplina, que engloba princípios da usabilidade, design e arquitetura inseridos em ambientes Web, visando uma boa organização, navegação, e pesquisa em websites. Ferreira e Reis (2008, p.286) acrescentam que a função da AI é tratar a informação para torná-la clara possuindo também o poder de transformar as ideias e conceitos do planejamento estratégico na organização da informação, na estrutura sobre a qual todas as demais partes do design de um website projeto gráfico, redação, programação, etc. irão apoiar-se. Uma página bem arquitetada resulta em uma home page com boa performance, organizada e com boa navegação. Segundo Nielsen e Loranger (2007, p.129) os principais problemas dos usuários são: dificuldades ao Pesquisar, problemas causados por uma Arquitetura de Informação ruim, Legibilidade, Conteúdo, etc. Isso significa que envolvem dificuldades com os objetivos básicos do usuário ao utilizar um website: localizar, ler e entender as informações disponibilizadas, como apontam Nielsen e Loranger (2007, p.130). Sendo a AI

5 quando mal estruturada uma das principais causas de dificuldades na interação dos usuários, é necessário que se dê importância ao trabalho do arquiteto de informação. A AI visa antever as necessidades de informação do usuário e ao mesmo tempo, deve cumprir o seu papel de forma objetiva e discreta, facilitando a localização da informação. Assim como um iceberg, deve ser a AI, ela deve estar presente no site, embora não necessariamente precise ser observada pelo usuário. Conforme defende Morville e Rosenfeld (2006, p.432), os arquitetos de informação podem utilizar a invisibilidade de seu trabalho como uma vantagem, pois por baixo da interface de websites, há uma estrutura subjacente e semântica muito bem trabalhada. Aqueles profissionais que sabem construir estruturas de baixo para cima, com o uso de wireframes e outros mecanismos de planejamento de interface, terão uma grande vantagem sobre outros. Qualquer que seja a sua aplicação, a AI busca diminuir a dispersão de informação, pois para Siqueira (2005, p.69) a AI possui três enfoques com relação ao tratamento da informação, são eles: Estruturar; Disponibilizar e Conectar fontes de informação. Porque, segundo ele, também cabe à AI planejar esse fluxo, implementá-lo e maximizar seus resultados. Desta maneira, para que possa haver uma boa AI, será necessário empregar esses três enfoques citados, nos elementos: Contexto, Usuários e Conteúdo. É a harmonia entre esses três elementos que garantirá uma interface bem arquitetada, veja Figura 1: Figura 1 Os três círculos da Arquitetura de Informação Fonte: Morville e Rosenfeld (2006, p.38, tradução nossa)

6 Segundo Morville e Rosenfeld (2006, p.38), ao equilibrar esses três elementos, o arquiteto leva em consideração: Contexto: os objetivos de negócio, financiamento, política e cultura envolvida, tecnologia empregada, recursos e restrições do projeto. Buscar compreender o negócio, onde ele está hoje e onde quer chegar. Além disso, o contexto muitas vezes envolve conhecimento tácito, por isso é necessário extraí-lo e organizá-lo de maneira estratégica. Usuários: conhecer o público alvo, as tarefas, necessidades, antever o comportamento de busca de informação e experiência do usuário que irá utilizar o site. Conteúdo: tipos de documentos, metadados, propriedade do conteúdo, volume, estrutura e dinamismo. Ao aplicar a AI na organização de websites, Espantoso (2006, p.135), complementa que: a Arquitetura de Informação envolve a elaboração de sistemas de navegação e organização da informação para auxiliar usuários na busca e gerenciamento de suas necessidades de informação. Ela pode ser caracterizada, também, como a estruturação e organização de conteúdos (texto, gráficos, plug-ins, etc.) de um sítio em categorias definidas e auxiliadas por um sistema de navegação intuitivo e confiável. Uma maneira de minimizar os problemas decorrentes do caos na Internet seria por aplicar conceitos de usabilidade e AI nos projetos empregados na Internet que visassem à qualidade de websites e portais. Porém, segundo Carvalho, Simões e Silva (2005, p. 20) um problema atual é que ainda não existe nenhuma norma internacional de qualidade especificamente destinada à avaliação de um site. Na maioria dos casos isso faz com que não haja, por parte dos desenvolvedores de sites, a preocupação com o fácil acesso à informação. Fases de um projeto Web de Arquitetura de Informação Os projetos de AI são compostos por cinco fases, conforme pesquisado por Ferreira e Reis (2008, p.287), sendo: 1. Fase de pesquisa: Momento em que são pesquisadas e analisadas as informações sobre os usuários, suas necessidades e o seu ambiente, visando definir o escopo e os requisitos do projeto.

7 2. Fase de concepção: Esta fase é criativa, na qual se concebe a visão macro da solução, pois visa conceber a solução do problema de design por meio da inventividade do projetista. 3. Fase de Especificação: Fase em que a visão macro da solução é detalhada em documentos e diagramas que explicam como construir o website. 4. Fase de Implementação: Fase em que o website é construído conforme especificado. Nessa fase atuam fortemente os demais profissionais envolvidos com o projeto do website (designer gráfico, redator, programador, etc.) sob o acompanhamento do arquiteto de informação. 5. Fase de Avaliação: Nesta fase o resultado do projeto é avaliado em função dos seus objetivos iniciais para se registrarem os acertos e erros. A existência dessa fase em projetos de websites vem do fato de que os designers frequentemente terminam seu envolvimento com o projeto antes que os problemas apareçam e os contratantes normalmente não retornam ao designer original para reparar o trabalho, afirma Friedman (2003, p. 514 apud Ferreira e Reis, 2008, p.287). Isto pode ser considerado uma falha, pois é após a implementação do projeto, com a utilização do portal pelos usuários que as necessidades de reparos são notadas. Sistemas da Arquitetura de Informação Para que as etapas apresentadas anteriormente caminhem bem, Morville e Rosenfeld (2006, p.25) afirmam que os arquitetos de informação precisam demonstrar as interligações entre as pessoas e conteúdos que sustentam as redes de conhecimento e explicar como esses conceitos podem ser aplicados para transformar websites estáticos em sistemas adaptativos complexos. Para que isso aconteça Rosenfeld e Morville (2002 apud REIS, 2006) acrescentam que a Arquitetura de Informação de um website se divide em quatro grandes sistemas interdependentes de organização: Sistema de Organização (Organization System): Prevê o agrupamento e a categorização do conteúdo informacional. Sistema de Navegação (Navigation System): Disponibiliza as maneiras de navegar, de se mover pelo espaço informacional e hipertextual.

8 Sistema de Rotulação (Labeling System): Estabelece as formas de representação e apresentação da informação, definindo símbolos para cada elemento informativo. Sistemas de Busca (Search System): Determina as perguntas que o usuário pode fazer e o conjunto de respostas que irá obter. Esses quatro sistemas englobam todos os aspectos organizacionais de websites. Tal abrangência é importante porque na Internet há uma enorme quantidade de variáveis que dificultam a organização da informação, por exemplo: ambiguidade, heterogeneidade, diferentes linguagens entre usuários e clientes, excessiva preocupação com a estética, etc. Para lidar com essas características, Reis (2006) sugere a aplicação de diferentes esquemas de organização, para diferentes finalidades, conforme apresentado na Figura 2: Figura 2 Representação de esquemas de organização da informação Fonte: (REIS, 2006)

9 Além disso, um bom projeto Web deve sempre levar em consideração o seu público alvo (o usuário) e seus interesses. Starec esclarece que: ao estudar o perfil e as necessidades de seus usuários, bem como a disponibilidade de mecanismos de busca, o mediador pode criar condições para uma comunicação efetiva da informação, utilizando-se dos instrumentos de planejamento, análise e avaliação de necessidades de informação disponíveis na literatura sobre estudos de usuários.(starec, 2005, p.43) Estas ações permitirão buscar melhores resultados na mediação da informação o que resultará em conhecer melhor o usuário deixando-os mais satisfeitos. Além disso, o arquiteto de informação leva em conta convenções da Web com respeito a usabilidade, navegabilidade, acessibilidade e localizabilidade, pois quando bem empregados facilitam a transmissão da informação (KRUG, 2006). O ARQUITETO DE INFORMAÇÃO A atividade de organizar sites e portais pressupõe uma série de conhecimentos e o domínio de ferramentas que serão úteis no planejamento do fluxo de informação de websites projetados. Projetos de websites requerem além de um designer, analistas e programadores, um profissional qualificado exercendo o papel de Arquiteto de Informação. A presença deste profissional na equipe garantirá a navegabilidade do portal, que ele seja bem estruturado, que cresça de maneira organizada, planejada e que a sua manutenção ocorra sem demais problemas. Segundo Franco (2007, p.2), é dever do arquiteto de informação ser a ponte entre o que está sendo estrategicamente desejado pela empresa/cliente e o que será desenvolvido pela equipe alocada para tal projeto. Além disso, o autor salienta que é o arquiteto de informação que garantirá que o conteúdo seja bem organizado, apresentado de maneira simples e de acordo com o projeto específico. Este profissional ocupa uma posição estratégica entre as equipes envolvidas no projeto, muitas vezes agindo como gerente do projeto e traduzindo as demandas solicitadas pelo cliente até os profissionais envolvidos. Conforme comenta Milanesi (2002, p. 80) o atual mercado profissional oferece oportunidades para os estrategistas da informação. Este tipo de trabalho envolve conhecimento multidisciplinar e exige que o arquiteto de informação

10 tenha um embasamento das áreas de design, programação e gestão de conteúdo, conforme comentam Franco (2007) e Santos (2006?). Para atender estas demandas informacionais, atualmente têm ocorrido grandes mudanças no mercado de trabalho, resultando no surgimento de novas formas de atuação profissional (SILVA; SILVA; FRANKENSTEIN, 2009, P.41). Reafirmando essa ideia, Baptista e Mueller (2004, p. 57) acrescentam que estas novas formas de atuação também requerem habilidades e competências desses profissionais, exigindo que sejam capazes de utilizar processos e instrumentos tecnológicos e se envolvam em automação informacional. Pois a crescente quantidade de informação e a complexidade das tecnologias emergentes, gera a necessidade de mudar e ampliar as habilidades essenciais do profissional em questão (VERGUEIRO; MIRANDA, 2007, p.44), mas além dessas habilidades e competências, o mercado também apresenta outros títulos e nomes para os profissionais da informação. O título de Arquiteto de Informação pode gravitar entre outros termos correlatos. Por ser uma área multidisciplinar, os profissionais que começaram como arquitetos de informação podem se deslocar em direção a nichos especializados que correspondem às necessidades da empresa em que atuam. Segue alguns dos títulos que já existem designados por Morville e Rosenfeld (2006, p.36): Designer de Thesaurus; Especialista em Metadados; Gerente de Conteúdo; Estrategista de Arquitetura de Informação; Gerente de Arquitetura de Informação; Editor de Conteúdo e Pesquisa; Especialista em Experiência do Usuário. Porém, não serão mudanças de rótulos que farão o profissional bibliotecário competitivo, mas, sim as habilidades e as competências por ele desenvolvidas na constante busca do desempenho de suas funções (BLATTMANN; FRAGOSO, 2003, p.79). Mais importante que as denominações são as funções e as habilidades que o profissional desenvolve à medida que adquire novas competências, devendo alterar o seu perfil passivo para pró-ativo. Visão de futuro, foco estratégico, criatividade e características de liderança se tornam cada vez mais importantes a esses profissionais, conforme afirmam Baptista e Mueller, (2004, p.58) Vergueiro e Miranda (2007, p.44). Essas qualidades apresentam-se como um diferencial dos profissionais da informação requeridos no mercado. Quanto às habilidades desejáveis para os bibliotecários que desejam atuar como arquitetos de informação, Blattmann et al. (2000, p.5) lista que é desejável que estes profissionais sejam pessoas dinâmicas, de boa comunicação e com visão de futuro. Além disso, que busquem se informar sobre o uso de tecnologias emergentes em seu ambiente de trabalho. Para os autores, para que se possa construir boas páginas Web, o profissional deverá:

11 obter embasamento e conhecer a utilização de critérios de usabilidade para páginas web, conhecimento dos princípios da arquitetura Web, elementos de design gráfico, gerenciamento de projetos centrados no usuário em ambiente de rede, e, conhecer as implicações de ser um provedor de informações na Web. (BLATTMANN et al., 2000, p.2) Complementando a atuação do arquiteto de informação, entende-se que o bibliotecário possa ser inserido nessas atividades, desde que se aproprie dos conhecimentos dos princípios de arquitetura Web, necessários ao desenvolvimento dessas atividades, conforme listados por Blattmann et al. (2000, p.6): é imprescindível que conheça as ferramentas de trabalho em rede de computadores, ou seja, domine os recursos da Internet, desde os browsers de navegação, transferência de arquivos (FTP), acesso remoto (Telnet), correio eletrônico ( ), listas de discussões, publicações eletrônicas, mecanismos de busca, diretórios de pesquisa, e saiba utilizar editores para criação de documentos hipermídia. Igualmente conheça e utilize os recursos para digitalização de documentos, tais como: scanners, câmeras digitais, vídeos digitais, entre outros. Para atender as diversas demandas do mercado, a biblioteconomia deixou de ensinar unicamente as tradicionais formas de organização de acervos e passou a responder por ações de gerência da informação. Alterou a identidade da área, ao criar competências que o profissional bibliotecário pudesse se abrir para novas categorias de atuação profissional (MILANESI, 2002, p. 79). Um desafio verificado pelo referencial teórico desta pesquisa são as diferenças existentes entre os suportes utilizados na Biblioteconomia e no ambiente da Web. Conforme mostra a Figura 3: Figura 3 Diferenças entre livros e websites Fonte: Rosenfeld e Morville (2006, p.16, tradução nossa)

12 Percebe-se, portanto, as particularidades do trabalho de AI, a partir das diferenças entre os documentos de suporte físico, entre livros e websites. Também é importante diferenciar as características de organização de uma biblioteca convencional e de um website, conforme mostra a Figura 4: Figura 4 Diferenças entre bibliotecas e websites Fonte: Rosenfeld e Morville (2006, p.17, tradução nossa) Como observado, as diferenças vão desde a finalidade, a variedade de estoques informacionais até a forma de operação das bibliotecas em contraste com websites. Neste cenário, outro desafio a ser encarado refere-se à formação desses profissionais, pois segundo pesquisa realizada por Silva; Silva e Frankenstein (2009, p.74) atualmente no Brasil existem apenas três cursos de especialização em AI, porém nenhum deles é reconhecido pelo Ministério da Educação, o que faz com que os profissionais que desejam atuar nessa área sejam estudiosos diligentes, com facilidade de aprendizado (autodidata) para se manterem atualizados quanto às novas demandas e ferramentas da área. Este pensamento é confirmado por Ferreira e Reis (2008, p.289) ao comentar que em estudo apresentado que a maioria dos profissionais mencionou que desenvolveu seus conhecimentos de AI de forma autodidata, o que justifica o interesse e empenho desses profissionais pelo tema e aponta uma carência de cursos no Brasil, o que pode acarretar uma má formação dos profissionais. Para Baptista e Mueller (2004, p.65) frente a esse desafio, somente uma educação continuada poderá suprir as exigências de habilidades e competências específicas exigidas pelo mercado. Além disso, elas discorrem que

13 o bibliotecário, objetivando ser um profissional da informação exigido pelo mercado, [...] precisa ser capaz de interagir com o mundo do trabalho atual, com uma especialização e qualificação adequadas, uma integração organizacional, uma capacidade de trabalhar em equipe, com atitudes comportamentais, somando a formação com a educação continuada e o aprendizado autônomo. (BAPTISTA; MUELLER, 2004, P.67) Uma das maneiras de obter êxito nesse aspecto é manter-se atualizado em relação às tendências do mercado, participando de eventos, cursos, etc e principalmente ser um profissional curioso, empreendedor e autossuficiente. Entende-se, portanto que o bibliotecário que deseja ingressar nessa área de atuação, deverá se preparar para o desafio do autoaprendizado e possuir uma boa dose determinação. Sendo as tecnologias Web um ponto central da vida do homem contemporâneo, o profissional bibliotecário precisa adaptar-se à utilização desses novos recursos. Espantoso (1999/2000, p.139) afirma sobre o bibliotecário que sua contribuição na AI gravita em torno do conhecimento de princípios de seleção, acesso à informação, conhecimento de busca, catalogação e classificação aplicados em ambientes Web, e não necessariamente que ele se transforme em um designer gráfico, programador ou analista de computação. Mas sim que ele utilize seus conhecimentos na organização de ambientes Web. CONCLUSÃO Pelo exposto até o momento, considera-se que o bibliotecário poderá atuar também como arquiteto de informação se possuir os conhecimentos específicos para essa área de atuação. Porém é sabido que suas competências, estão relacionadas mais ao planejamento, armazenamento, recuperação, disseminação e acesso da informação do que propriamente na construção de websites, pois essa etapa é da responsabilidade de analistas, de programadores e de web designers. Entretanto, as habilidades e competências do bibliotecário estão intimamente relacionadas às da Arquitetura de Informação, pois o seu trabalho antecede os destes outros profissionais. Sua atuação pode concentrar-se no estudo de conteúdos, na hierarquia em que os mesmos serão apresentados na home page, na sua disposição e adequação ao público a que se destina, na preparação de taxonomias, catálogos, menus, na recuperação da informação entre outros.

14 Portanto, há grandes possibilidades para os bibliotecários atuarem como Arquitetos de Informação, e para aqueles que desejarem entrar nesse nicho de mercado será necessário muito empenho, estudo e criatividade. REFERÊNCIAS BAPTISTA, Sofia Galvão; MUELLER, Suzana Pinheiro Machado (org.). Profissional da informação: o espaço de trabalho. Brasília, DF: Thesaurus, BLATTMANN, Úrsula et al. Bibliotecário na posição do arquiteto da informação em ambiente web Disponível em: <http://www.ced.ufsc.br/~ursula/papers/arquinfo.html>. Acesso em: 5 jun BLATTMANN, Ursula; FRAGOSO, Graça Maria (org.). O zapear a informação em bibliotecas e na Internet. Belo Horizonte: Autêntica, CARVALHO, Ana Amélia A.; SIMÕES, Alcino; SILVA, J. Paulo. Indicadores de qualidade e de confiança de um site. 2005?. Disponível em: <http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/7774/1/05anaamelia.pdf>. Acesso em: 20 maio de ESPANTOSO, J. J. Péon. O arquiteto da informação e o bibliotecário do futuro. Revista de Biblioteconomia de Brasília, v. 23/24, n. 2, p , 1999/2000. Disponível em: <http:// /portalnesp/ojs-2.1.1/index.php/rbb/article/viewfile/586/584>. Acesso em: 15 jun FERREIRA, Sueli Mara Soares Pinto; REIS, Guilhermo. A prática de Arquitetura de Informação de websites no Brasil. TRANSINFORMAÇÃO, Brasília, DF, 20.3, Disponível em: <http://revistas.puc-campinas.edu.br/transinfo/viewarticle.php?id=260>. Acesso em: 26 jun FRANCO, Carlos Eduardo. O arquiteto da informação. Biblioteca Terra Forum Consultores, Disponível em: da%20informacao%20-%20carlos%20franco.pdf. Acesso em: 20 abr KRUG, Steve. Não me faça pensar!: uma abordagem de bom senso à usabilidade na web. 2. ed. Rio de Janeiro, RJ: Alta Books, LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo, SP: Editora 34, p. MILANESI, Luís. Biblioteca. São Paulo, SP: Ateliê Editorial, MORVILLE, Peter; ROSENFELD, Louis. Information Architecture for the World Wide Web. 3 ed. USA, California: O'Reilly Media MUELLER, Suzana Pinheiro Machado (org.). Métodos para a pesquisa em Ciência da Informação. Brasília: Thesauros, NIELSEN, Jakob; LORANGER, Hoa. Usabilidade na web: projetando websites com qualidade. Rio de Janeiro, RJ: Elsevier, 2007.

15 REIS, Guilhermo. Arquitetura da informação: tratando a informação de forma estratégica. 2. ed. São Paulo: Jump, DVD. SANTOS, Marcelo Luis B. dos. Arquitetura e Informação. Biblioteca Terra Forum Consultores, 2006?. Disponível em: C3%A3o.pdf. Acesso em: 20 abr SILVA, Patrícia Madalena da; SILVA, Sandra Regina da; FRANKENSTEIN, Victor; CORRÊA, Andréa Silva (orient.). Competências necessárias à atuação do profissional de arquitetura da informação Trabalho de conclusão de curso (bacharelado) - Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. SIQUEIRA, Marcelo Costa. Gestão estratégica da informação. Rio de Janeiro: Brasport, STAREC, Claudio. et al. Gestão estratégica da informação e inteligência competitiva. São Paulo, SP: Saraiva, VERGUEIRO, Waldomiro; MIRANDA, Angélica C. D. (org.). Administração de unidades de informação. Rio Grande, RS: FURG, 2007.

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