A PRUDÊNCIA NA ÉTICA A NICÔMACO DE ARISTÓTELES

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1 A PRUDÊNCIA NA ÉTICA A NICÔMACO DE ARISTÓTELES Introdução/ Desenvolvimento Dagmar Rodrigues 1 Camila do Espírito santo 2 A pretensão do presente trabalho é analisar o que é a prudência enquanto virtude intelectual e qual sua finalidade. Tal virtude é retratada no livro VI da Ética a Nicômaco. Para isso devemos entender o que seja a deliberação e a escolha deliberada, que são condições da ação moral, que fazem do prudente o homem da boa ação. Tal pesquisa busca esclarecer por que Aristóteles afirma que a prudência é uma virtude própria da reta razão, qual a sua finalidade e o que devemos fazer se pretendemos estar na posse de tal disposição. Segundo o filósofo, o homem de prudência seria o melhor dentre os homens porque age corretamente em vista do melhor dos fins. Analisa e escolhe certo de acordo com sua análise, evita os vícios e ama o que é bom, uma vez que isso é o que lhe proporcinará chegar ao fim desejado. O prudente enquanto homem da razão O homem dotado de prudência é superior aos não dotados de tal virtude porque o seu agir é sempre um agir correto. Uma vez que a análise minuciosa de suas possíveis ações é sempre critério primeiro para que possa agir de acordo com a reta razão, prudentemente, corretamente. Por isso, se diz do que possui tal disposição, que ele saberá em qualquer ocasião o que é bom tanto pra si como para os outros. Ele é temperante. Possuir tal característica é coisa boa porque ela preserva nossa sabedoria. Ele é o que possui o privilégio da intelectualidade, intelectualidade essa que não é transmitida por discursos racionais. 1 A Prudência na Ética a Nicômaco de Aristóteles, Universidade Federal do Ceará Cariri, Ceará, 2 A Prudência na Ética a Nicômaco de Aristóteles, Universidade Federal do Ceará Cariri, Ceará,

2 Enquanto homens dotados de prudência devemos nos afastar do vício, uma vez que ele nos leva ao erro, nos impede de agir corretamente. Ele, o vício, ou nos leva ao excesso ou à falta, não nos permitindo ficar no meio-termo, não nos deixa em conformidade com a reta razão. Leva-nos aos extremos e por isso nos impede de ser cautelosos, não nos deixa escolher certo, mas sim de uma maneira que alimente cada vez mais nossos vícios, fazendo de nós errantes, distanciando-nos do acerto. Assim ao que é prudente cabe analisar, saber distinguir o que é o certo do errado, tanto de um modo particular quanto de um modo geral, visando atingir sempre o melhor dos fins, analisando qual o melhor dentre os meios para que sua escolha possa ser a melhor. Logo se faz necessário o uso da deliberação, da boa deliberação para que a escolha deliberada seja a melhor, a correta. Deliberação e Escolha deliberada Segundo Aristóteles, a alma possui duas partes, a racional e a irracional. Sendo que a primeira parte é ainda composta de duas outras partes, uma é a parte científica que possui a capacidade de contemplar, enquanto a outra é calculativa, a que analisa e delibera. Assim a parte científica trata das coisas necessárias, invariáveis, que não podem ser de outro jeito, enquanto a calculativa, trata de coisas variáveis. Se pretendermos fazer uma escolha certa devemos desejar aquilo que afirma a razão. Primeiro desejamos algo e se, por conseguinte, queremos agir de maneira correta, raciocinamos para que nossa escolha seja certa e que nossa ação seja boa. Assim, a escolha deve vir acompanhada de razão e intelecto e de disposição moral. Isso porque a boa ação só é possível graças à combinação do bom uso da razão com o saber escolher o meio termo correto. Logo escolher o que é certo nos é possível por possuirmos capacidade de raciocinar, analisando qual a melhor decisão a ser tomada. Sendo que nossa escolha tanto será boa e correta quando fizermos uso da razão, isso porque ela sabe o que é bom e consequentemente nos guiara para escolher o que é bom para nós e também para os demais.

3 No entanto, só poderemos escolher sobre o que nos possibilita o futuro, porque o futuro é a possibilidade, ela ainda não é. E como deliberar só é possível sobre o que está para acontecer e pode ser diferente, pode ser mudado, é sobre ele que se delibera. Coisas passadas não podem ser objeto de escolha, pois, já aconteceram. Mas com relação ao que vai acontecer tanto podemos quanto devemos escolher. Sendo que nossa escolha será boa quando formos prudentes e soubermos deliberar. A Prudência é adquirida com a experiência Para Aristóteles a verdade da alma depende das seguintes disposições: a arte, o conhecimento científico, a sabedoria prática ou prudência, a sabedoria filosófica e a razão intuitiva. Sendo que o conhecimento científico não pode ser obejeto de deliberação porque tal conhecimento existe necessariamente. Não se pode deliberar sobre as estrelas ou sobre a lua, pois se cria, na antiguidade, que tais eram objetos eternos imutáveis. Não se deve analisar o que é e não deixará de ser simplesmente porque isso é imutável, porque quando deliberamos fazemos em vista de uma escolha, o mesmo se dá com a sabedoria filosófica e com a razão intuitiva, já que, conhecimento científico combinado com razão intuitiva é sabedoria filosófica. Ambas as disposições dão conta de apreender as coisas que são mais elevadas por natureza: [...] Por isso dizemos que Anaxágoras, Tales e os homens semelhantes a eles possuem sabedoria filosófica, mas não prática, quando os vemos ignorar o que lhes é vantajoso e também dizemos que eles conhecem coisas notáveis, admiráveis, difíceis e divinas, mas improfícuas. Isso porque não são os bens humanos que eles procuram. 3 Se tais disposições se ocupam com coisas divinas, coisas imutáveis e imperecíveis, elas não necessitam de deliberação, porque a deliberação se faz sobre o que pode ser diferente, sobre como algo pode ser ou deixar de ser, sobre como se deve ou não agir. 3 ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Tradução: Editora Globo S/A, Porto Alegre (Tópicos, dos Argumentos Sofísticos, Ética a Nicômaco e Poética). 1ª Ed. São Paulo, b 5

4 Por sua vez, arte é uma capacidade raciocinada de produzir. Ela pertence ao aspecto do variável, que inventa e produz coisas que tanto podem ser como não ser. Não se ocupa com coisas que são ou que se geram por necessidade, nem com as coisas que fazem de acordo com a natureza. Mas, embora, ela possa ser variável não é objeto de deliberação, porque é uma técnica, a técnica de produzir, e segundo Aristóteles há uma diferença entre produzir e agir, pois quando se produz algo se faz em vista de criar um objeto que possua alguma utilidade e o agir é o que possibilita se alcançar algo. O prudente não é também objeto de deliberação ele é o que delibera. Delibera sobre o que é bom para ele e sobre o que é bom de um modo geral. Ele sabe que só pode deliberar sobre o que pode ser diferente, sobre o que sua capacidade de raciocinar dá conta, delibera sobre os meios para se alcançar um fim, analisando assim, por exemplo, quais dentre os meios é o melhor para se enriquecer, roubar? Trabalhar? Enganar? O prudente saberá analisar entre todos os meios qual o melhor a ser feito. Assim, a Phronesis, é uma capacidade verdadeira raciocinada de agir com respeito às coisas que dizem respeito à vida do homem. E se é prudente sua ação será sempre boa, porque visa um bom fim. E o fim que visa o prudente, já está na própria ação, é a própria ação: Daí o atribuirmos sabedoria prática a Péricles e homens como ele, porque percebem o que é bom para si mesmos e para os homens em geral: pensamos que os homens dotados de tal capacidade são bons administradores de casas e de estado [...] 4 Assim o homem dotado de sabedoria prática, de prudência, é o homem da reta razão. O que sabe que é bom de modo particular e de um modo geral. É superior aos que não possuem tal sabedoria, pois suas ações são praticadas em vista de um fim bom, tendo como princípio a boa deliberação que implica em uma boa escolha. É o homem da reta razão porque experiente, detentor de sabedoria, o que sabe analisar e isso porque o tempo fez dele um bom analisador. Assim tal homem não age em hipótese alguma levado pelas paixões visto que a experiência amadureceu sua capacidade cognitiva. 4Ibid., 1140 b 10

5 Para Aristóteles quanto mais demorado uma deliberação, melhor. Devendo-se colocar logo em prática a conclusão da deliberação. Mas tomar cuidado, pois deliberar mal pode levar ao erro. Por isso se diz que o jovem embora possua facilidade para aprender matemática não pode ser prudente, visto não ter experiência, pois quando deliberar pode ser levado pelas paixões e acabar fazendo uma escolha errada. Por isso qualquer um pode deliberar, mas deliberar bem, só ao prudente cabe. Considerações finais Assim chegamos à conclusão de que, a Prudência, como constatara Aristóteles é uma virtude muito boa, uma vez que, seguida de razão nos faz agir corretamente, nos faz temperantes e preserva nossa sabedoria. Ser prudente é dizer não aos vícios e permanecer no meio-termo. É saber escolher para que sua ação seja boa. Como o prudente é o homem dotado de reta razão suas escolhas devem sempre ser certas. O homem que sabe o que é bom para si e para os demais. O que delibera sobre as coisas que são boas e más para si. É superior aos demais porque sabe onde quer chegar e faz o melhor que pode para alcançar o fim desejado, lembrando que prudência não é algo adquirido naturalmente, nem por hereditariedade, mas por experiência. É o homem da meta e da boa meta. A prudência é a virtude do bem agir, e o homem que a possui sabe escolher o fim certo porque analisa as várias possibilidades que leva ao melhor dos fins. Referência Bibliográfica ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco: (Tópicos, dos Argumentos Sofísticos, Ética a Nicômaco e Poética). Trad.: Editora Globo S/A, 1ª Ed. Porto Alegre São Paulo, SPINELLI, Priscila Tesch. A Prudência na Ética Nicomaquéia de Aristóteles. Universidade do Vale do rio do Sino (UNISINOS),São Leopoldo RS, 2007.

6 SILVEIRA, Denis Coitinho. Ensaios Sobre Ética. Pelotas: Editora e Gráfica Universitária, ZINGANO, Marco. Aristóteles: tratado da virtude moral; Ethica Nicomachea I13 III 8. 1ª Ed, São Paulo: Odysseus Editora, ALBENQUE, Pierre. A Prudência em Aristóteles. Trad.: LOPES, Marisa. 2ª Ed, São Paulo: Discurso Editorial, Paulus, 2008.

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