Impacto na gestão de risco 12. Impacto na competitividade 12. Impacto na eficiência dos custos operacionais 14. Definição e enquadramento das PME 15

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2 1 > Enquadramento do Novo Acordo de Basileia 3 2 > Basileia II Estrutura dos 3 pilares 4 Pilar 1 Requisitos mínimos de capital 4 Pilar 2 Processo de revisão e supervisão 8 Pilar 3 Disciplina de mercado 9 3 > Principais impactos nas instituições financeiras 10 Impacto na rentabilidade do capital 11 Impacto na gestão de risco 12 Impacto na competitividade 12 Impacto na eficiência dos custos operacionais 14 4 > Principais impactos na disponibilidade e custo de financiamento das PME 15 Definição e enquadramento das PME 15 Visão geral sobre a indústria das PME em Portugal e na Europa 15 Estrutura de financiamento das PME 17 Impacto de Basileia II no financiamento das PME 19 5 > Novo relacionamento entre instituições financeiras e PME imposto por Basileia II 20 Princípios para o relacionamento creditício geral 21 6 > Conclusões 25 Bibliografia 27

3 I > Enquadramento do Novo Acordo de Basileia O actual Acordo de Basileia (BIS I) foi publicado pelo Comité de Basileia em 1988, tendo sido implementado na integra por todos os seus signatários no final de Nos anos subsequentes, com o acréscimo da volatilidade dos mercados, crises monetárias na Ásia e Rússia e colapso do Barings, foi surgindo a necessidade de desenvolver uma nova visão sobre o BIS I. Um novo enfoque foi dado nesta necessidade de mudança, com o colapso de grandes empresas como a WorldCom e Enron, com consequências em grandes bancos e outras instituições financeiras, por via das relações comerciais que mantinham com estas empresas. Estes eventos trouxeram para a linha da frente questões relacionadas com risco operacional e risco de crédito. Neste contexto, em Junho de 2004, o Comité de Basileia publica a versão final do Novo Acordo de Basileia (Basileia II), tendo sido subscrito por cerca de 110 países. Este documento serviu de background para a Comissão Europeia em Julho do mesmo ano actualizar a actual regulamentação, publicando para este efeito a proposta para a nova Directiva de Requisitos de Capital (DRC), tendo sido aprovada em Setembro de 2005 pelo Parlamento Europeu. Em Outubro de 2005, também o Conselho de Ministros das Finanças da União Europeia (ECOFIN) acordou sobre a implementação da DRC nos respectivos Estados-membros. Neste contexto, estão agora reunidas todas as condições para que a DRC seja transposta para a legislação Portuguesa, o que deverá acontecer no segundo semestre de Esta Directiva segue em larga medida o definido no Novo Acordo de Basileia, apenas com pequenas alterações num número limitado de áreas, com o objectivo de incorporar as especificidades do sector bancário europeu. Esta Directiva aplica-se a todas as instituições financeiras autorizadas na União Europeia, independentemente do seu tamanho, enquanto que o Novo Acordo de Basileia é fundamentalmente aplicável a grandes bancos internacionalmente activos. Genericamente podemos resumir as alterações entre os dois Acordos da seguinte forma: Basileia (1998) Melhorou de forma significativa os níveis de capital no sector bancário As técnicas de mitigação de risco eram em larga medida ignoradas Não era suficientemente flexível para considerar as inovações dos mercados financeiros O capital regulatório não reflectia o verdadeiro risco Basileia (2004) Capital global permanece inalterado, mas é redistribuído pelo sector bancário Mais alinhado a metodologias de capital económico Diferencia claramente o risco operacional, à parte do risco de crédito e mercado Mais ferramentas para a gestão de risco crédito (ratings externos e internos) Basileia II foi desenvolvido com o objectivo de ajustar o mais possível os requisitos de capital das instituições financeiras aos riscos a que estão expostas, aumentando o grau de sensibilidade ao perfil de risco efectivo das instituições, melhorando as práticas de gestão de risco nas instituições de modo a preservar a solidez e solvabilidade dos sistemas financeiros. Resumimos de seguida em maior detalhe os principais objectivos do novo quadro regulamentar: 3

4 > Abordagem baseada no risco, visando a cobertura de todos os riscos anteriormente não regulamentados; > Responder às recentes inovações dos mercados financeiros, assim como às diferentes estratégias de gestão de risco por parte das instituições; > Inclusão de novos princípios básicos para a supervisão qualitativa das instituições financeiras; > Expansão dos requisitos de divulgação, a fim de promover a disciplina de mercado. 2 > Basileia II Estrutura dos 3 pilares O Novo Acordo de Basileia está estruturado em três pilares, interligados, que em conjunto contribuem para a solidez e robustez do sistema financeiro. Pilar 2 Processo de revisão e supervisão Princípios do processo de revisão e supervisão Avaliação da adequação de capital Revisão contínua Expectativa para operar acima dos rácios mínimos de capital Requisitos qualitativos Análise de riscos não contemplados no Pilar 1 Pilar 1 Requisitos mínimos de capital Requisitos mínimos de capital para os riscos de crédito, mercado e operacional Pilar 3 Disciplina de Mercado Requisitos de divulgação Capital Exposição aos diversos riscos Modelos de rating Adequação de capital Sistemas e processos Factores externos Visão Interna Visão do Supervisor Visão Externa Pilar 1 > Requisitos mínimos de capital O Pilar 1 estabelece os requisitos mínimos de capital para cobertura dos riscos de crédito, de mercado e operacional. A adequação de capital é mensurada através do seguinte rácio: Capital Risco Crédito+Risco Mercado+Risco Operacional 8% 4

5 Na prática, se estivermos perante um crédito concedido a uma empresa no montante de 100, e assumindo um ponderador de risco de 100% (o crédito concedido seria portanto considerado na totalidade para efeitos de requisitos de fundos próprios), a instituição financeira teria então de imobilizar capital no valor mínimo de 8 ( 100 * 8%). Basileia II dá às instituições financeiras três opções para o cálculo dos requisitos mínimos de capital, para o risco de crédito e operacional, respectivamente, sendo que o risco de mercado não sofreu praticamente alterações face ao estabelecido na actual metodologia. Risco de crédito O risco de crédito está associado à existência de incerteza sobre a capacidade da contraparte fazer face às suas obrigações no que respeita ao serviço da dívida. No que respeita ao risco de crédito, as instituições podem escolher entre uma abordagem standard, que é uma extensão da metodologia actual, com um ligeiro acréscimo na diferenciação do risco, e duas abordagens baseadas em ratings internos (IRB): IRB Foundation e IRB Advanced, ambas utilizando ratings internos para determinação do risco de crédito. É expectável que os requisitos de capital serão tanto menores, quanto maior for o grau de complexidade das abordagens. Da mesma forma, também os custos associados à adopção e posteriormente gestão/monitorização serão crescentes com o grau de sofisticação das abordagens escolhidas. Abordagem Standardised Abordagem Foundation IRB Abordagem Advanced IRB Requisito de capital Diferença para o capital económico Custos fixos Custos variáveis Dificuldade na qualificação A Abordagem Standard é a sucessora do acordo de Basileia de 1988, com uma sensibilidade adicional ao risco, através da utilização de um maior intervalo de ponderadores de risco associados a notações de rating externas. Os ponderadores de risco serão determinados em fun- 5

6 ção da natureza do mutuário: Soberanos, Bancos ou Empresas, conforme ilustrado na tabela abaixo. AAA AA+ AA- A+ A- BBB+ BBB BBB- BB+ BB BB- B+ B B- < B- S/ notação Soberanos 0% 20% 50% 100% 150% 100% Bancos - op. 1 20% 50% 100% 150% 100% Bancos - op. 2 20% 50% 100% 150% 50% Empresas 20% 50% 100% 150% 100% Paralelamente são ainda definidos tratamentos específicos para outras exposições, sendo de salientar as seguintes: (i) carteira de retalho (particulares ou pequenos negócios com uma exposição máxima agregada de 1 milhão, sendo que, caso este montante seja excedido essa exposição é reclassificada para a categoria de Empresas), ponderada a 75%; (ii) crédito hipotecário residencial, ponderado a 35%; (iii) crédito hipotecário comercial, ponderado a 100% e (iv) exposições em incumprimento, ponderadas entre 100% e 150%, dependendo do nível de provisões já constituídas pela instituição financeira. As abordagens IRB Foundation e Advanced assentam na utilização de modelos de ratings internos (modelos de scoring) para avaliar e quantificar o risco de crédito inerente às operações. A adopção destas abordagens está sujeita a aprovação pela entidade reguladora, necessitando de cumprir um extenso número de requisitos qualitativos e quantitativos. Um dos requisitos mais importantes neste processo de aprovação é a incorporação dos modelos de ratings internos nas práticas e processos de gestão de risco a adoptar diariamente por parte das instituições financeiras, nomeadamente, no processo de definição e aprovação de limites, na definição dos diferentes níveis de aprovação de crédito e respectivo pricing das operações. As exposições podem ser classificadas em cinco categorias de risco: Soberanos, Bancos, Empresas, Retalho e Equity (partes de capital ou outros títulos de propriedade). À semelhança do que foi referido para a abordagem standard, também nas abordagens IRB as exposições às Pequenas e Médias Empresas (PME) podem ser enquadradas nas categorias de Empresas ou Retalho. De salientar que só poderão ser classificadas nesta última categoria as exposições que forem geridas como uma carteira homogénea de retalho, com valor inferior a 1 milhão. Basileia II define PME como sendo empresas em que o volume de negócios do grupo onde está inserida é inferior a 50 milhões. As abordagens IRB têm por base o cálculo de quatro parâmetros de risco de crédito para cada classe de risco: > Probability of Default (PD) Probabilidade de uma contraparte entrar em incumprimento no espaço de um ano; > Loss Given Default (LGD) Perda máxima incorrida numa exposição, em relação ao montante em risco, à data do incumprimento; 6

7 > Exposure at Default (EAD) Exposição individual bruta esperada, em relação a uma dada contraparte, à data do incumprimento; > Maturidade efectiva (M) Maturidade ajustada pelo facto de o crédito poder ser liquidado antecipadamente. O valor da exposição ponderado para efeitos do cálculo dos requisitos mínimos de capital para fazer face ao risco de crédito é obtido nas abordagens IRB, de uma forma genérica, através da aplicação da seguinte fórmula: PD X LGD X EAD X M = Valor da exposição ponderado Na abordagem IRB Advanced, o PD, LGD, EAD e a M, são calculados internamente, enquanto que no IRB Foundation apenas o PD é calculado internamente, sendo os restantes parâmetros definidos pela entidade reguladora. Risco operacional O risco operacional está associado à possibilidade de existirem perdas resultantes da inadequação ou falha dos processos internos, das pessoas e sistemas, ou devido a eventos externos. Basileia II estabelece três formas de cálculo do risco operacional com níveis crescentes de complexidade: a abordagem do indicador básico aplica uma percentagem de 15% sobre os resultados brutos de exploração para o cálculo dos requisitos de capital. Na abordagem standard a percentagem a incidir sobre os resultados brutos de exploração é diferenciada por linhas de negócio predefinidas (corporate finance, banca comercial, banca de retalho, asset management, etc.), com coeficientes entre os 12% 18%. Por último, a abordagem avançada (Advanced Measurement Approach - AMA), sujeita à aprovação pela entidade reguladora, em que são utilizados modelos internos para calcular a carga de capital a afectar ao risco operacional. O nível de exactidão e requisitos qualitativos exigidos é tanto maior quanto maior o nível de complexidade das abordagens conforme, ilustrado no quadro abaixo. Abordagem do Indicador básico Abordagem standard Abordagem avançada (AMA) Nível de exactidão Nível de requisitos qualitativos A data de implementação da DRC está definida para 1 de Janeiro de 2007, para as abordagens básicas/intermédias, e 1 de Janeiro de 2008 para as abordagens avançadas de IRB e AMA, res- 7

8 pectivamente. A DRC prevê ainda que as instituições financeiras que considerem adoptar a abordagem standard para quantificar o risco de crédito possam adoptar as regras actuais durante Risco de mercado O risco de mercado decorre da possibilidade de se registarem perdas em instrumentos detidos na carteira de negociação, no seguimento de alterações desfavoráveis nas condições de mercado. De referir que a classificação na carteira de negociação implica a detenção de posições com o objectivo de venda no curto prazo e/ou objectivo de beneficiar de movimentações de preços/prática de arbitragem. Basileia II estabelece duas abordagens para o cálculo do risco de mercado. A abordagem standard, que consiste genericamente na aplicação de ponderadores de risco às exposições em aberto na carteira de negociação. Alternativamente, as instituições financeiras poderão optar pela adopção de modelos internos [ex.: cálculo do Value-at-Risk (VaR)], sujeitando-se ao cumprimento de rigorosos requisitos qualitativos e quantitativos e à respectiva aprovação pela entidade reguladora. Pilar 2 > Processo de revisão e supervisão O Processo de revisão e supervisão assenta na premissa que os supervisores têm de assegurar que cada instituição financeira tem instituído um processo interno para avaliar a adequação do seu capital face aos respectivos riscos assumidos. Neste contexto, o novo quadro regulamentar salienta a importância da Gestão desenvolver um processo interno de avaliação da adequação de capital (PIAAC) e de definir objectivos para o capital que sejam compatíveis com o perfil de risco e ambiente de controlo interno de cada instituição financeira. Os supervisores serão responsáveis por rever e avaliar o PIAAC de cada instituição, tendo em conta o seu perfil de risco e intervir sempre que apropriado. Neste âmbito, o Pilar 2 assenta em quatro princípios fundamentais: Princípio 1: as instituições financeiras devem possuir um processo que lhes permita avaliar a adequação de capital em relação ao seu perfil de risco. Deverão desenvolver técnicas de gestão de risco adequadas para mensurar e monitorar os riscos e uma estratégia de negócio, de forma a manter os seus níveis de capital. Princípio 2: Os supervisores devem rever e avaliar o processo interno de avaliação da adequação de capital das instituições financeiras e respectivas estratégias, bem como a sua capacidade 8

9 para controlar e garantir a conformidade com os rácios de capital regulatórios. Os supervisores poderão impor sanções em caso de não cumprimento com o novo quadro regulamentar. Princípio 3: Os supervisores devem esperar que as instituições financeiras operem acima do nível mínimo de capital regulatório e deverão ter a capacidade para exigir que as instituições financeiras mantenham níveis de capital acima do mínimo legal. Princípio 4: Os supervisores devem procurar intervir preventivamente de forma a evitar a deterioração dos níveis mínimos de capital necessários para suportar o perfil específico de risco de cada instituição financeira, bem como devem aplicar medidas correctivas imediatas sempre que o capital não seja mantido ou reposto. Basileia II define quatro áreas onde o processo de revisão e supervisão vem complementar os requisitos mínimos de capital previstos no Pilar 1 e os requisitos de divulgação previstos no Pilar 3, nomeadamente: > Análise dos riscos parcialmente cobertos pelo Pilar 1, onde a revisão individual de cada instituição revele problemas que não foram cobertos de forma adequada pelos requisitos gerais; > Análise de outros riscos não cobertos pelo Pilar 1 (concentração, reputação, estratégico); > Impacto de factores externos à instituição, como por exemplo, os efeitos dos ciclos económicos; e > Garantir a conformidade dos vários requisitos operacionais e de divulgação associados ao uso das abordagens avançadas para os riscos de crédito e operacional ou o uso de técnicas específicas de mitigação de risco de crédito. As instituições financeiras não deverão subestimar a importância do processo de revisão e supervisão. Para este efeito deverão estabelecer uma metodologia para o cálculo dos seus requisitos de capital e proceder a uma análise da sua adequação face aos riscos assumidos. Esta terá de incluir i) a identificação de todos os riscos a que as instituições financeiras se encontram expostas (e não só os riscos cobertos pelo Pilar 1), ii) a definição de políticas e procedimentos para a avaliação e mitigação dos mesmos e iii) uma metodologia explícita para a gestão de capital, que permita analisar diferentes níveis de adequação de capital, fontes de capital, etc. Pilar 3 > Disciplina de mercado O Pilar 3 estabelece os requisitos de divulgação de informação aos mercados, investidores e ao público em geral, e visa assegurar uma maior transparência no que respeita ao perfil de risco e adequação do capital das instituições financeiras. 9

10 A forma como é feita a divulgação da informação deverá ter em conta as Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS), o conceito de materialidade, a frequência da divulgação, e por fim a propriedade e confidencialidade da informação. A figura abaixo descreve as áreas para as quais foram definidos requisitos de divulgação. Instituição financeira Âmbito de aplicação de Basileia II Divulgação da informação relevante Adequação de capital Disciplina de mercado Exposição ao risco e avaliação Mercado 3 > Principais impactos nas instituições financeiras O nível de capital de uma instituição financeira pode ser entendido como um fundo de segurança para fazer face aos diversos riscos assumidos pela instituição. De uma forma genérica, o capital de cada instituição financeira destina-se a: > Proteger os depositantes, detentores de títulos de divida e credores contra perdas; > Suportar oportunidades de crescimento do negócio; > Cumprir com requisitos de solvabilidade legal; e > Corresponder às expectativas das agências de notação de rating. Da mesma forma, em qualquer altura, o nível de capital pode depender de factores como: > Estratégia de negócio da instituição financeira; > Fase do ciclo económico; > Rentabilidade e política de dividendos; e > Perfil ao risco. Resumimos de seguida os principais impactos ao nível das instituições financeiras. 10

11 Impacto na rentabilidade do capital A adopção de abordagens mais sofisticadas, no que respeita ao risco de crédito, poderá potencialmente implicar reduções no capital regulatório, libertando assim capital para investimentos mais rentáveis ou para o aumento da actividade de crédito, potenciando a rentabilidade das instituições financeiras. No longo prazo, o pricing das operações irá reflectir de uma forma melhor o risco associado e o respectivo custo de capital. No que respeita ao risco operacional, no longo prazo e assumindo que abordagens mais sofisticadas irão reduzir os requisitos de capital, poderá também haver um efeito positivo na rentabilidade do capital. De acordo com os resultados do último Quantitative Impact Study (QIS) disponível, o QIS 3, é expectável que os requisitos de capital globais do sistema bancário europeu reduzam em 5,3%, conforme ilustrado na tabela abaixo. Classe de activo Abordagem Standardised Foundation IRB Advanced IRB Geral Estado 0,08% 1,34% 1,13% 1,00% Bancos 1,27% 1,89% -0,50% 1,20% Empresas: Não PME -0,63% -3,25% -4,80% -3,02% PME tratadas como empresas -2,07% -3,50% -6,00% -3,75% Retalho (incluindo PME tratadas como retalho) -8,29% -12,16% -10,88% -10,99% Carteira de negociação 0,13% 0,20% -0,08% 0,12% Crédito especializado -0,17% 0,87% 1,30% 0,75% Equity 0,11% 1,26% 1,54% 1,06% Securitizações 0,18% 0,06% 0,73% 0,24% Saldos a receber 0,00% -0,03% -0,03% -0,02% Risco operacional 10,33% 8,00% 9,30% 8,83% Investimentos em entidades associadas 0,91% 1,75% 1,41% 0,94% Provisões gerais - -2,34% -1,86% -1,75% Total 1,92% 6,86% -8,74% -5,31% Fonte > PricewaterhouseCoopers, Study on the financial and macroeconomic consequences of the draft proposed new capital requirements for banks and investment firms in the EU, 2004 Analysis Adicionalmente, de acordo com o estudo realizado pela PricewaterhouseCoopers em 2004 a pedido da Comissão Europeia, sobre as consequências financeiras e macroeconómicas da Nova Directiva de Requisitos de Capital aplicável às instituições financeiras e sociedades de investimento na UE ( Estudo da PwC ), estima-se que o impacto nos requisitos de capital em Portugal seja negativo em 9% para o risco de crédito e positivo em 7% para o risco operacional, conforme quadro da página seguinte. 11

12 Áustria Bélgica França Alemanha Grécia Holanda Portugal Espanha Reino Unido 15% 10% 5% 0% -5% -10% -15% -20% -25% -30% -35% Risco de crédito Risco operacional Risco global Fonte > PricewaterhouseCoopers, Study on the financial and macroeconomic consequences of the draft proposed new capital requirements for banks and investment firms in the EU, 2004 Analysis Impacto na gestão de risco Basileia II representa um forte incentivo à melhoria das práticas de gestão do risco, transversal a toda a organização, com melhorias significativas na análise de risco e sistemas de gestão, tendo sempre presente uma melhor alocação do capital aos riscos assumidos e melhores decisões de pricing, embora nesta matéria, questões como a oferta/procura, a competitividade e a fragmentação dos mercados sejam também factores a considerar. Esta nova metodologia tem vindo a criar uma linguagem de risco comum a reguladores, agências de rating e outros investidores em geral. Um número considerável de instituições financeiras tem vindo a aproveitar esta oportunidade para alavancar os investimentos efectuados de forma a melhorar as políticas, processos e procedimentos em todas as suas estruturas. Impacto na competitividade A competitividade é um dos principais impactos decorrentes de Basileia II, que deve ser considerado. Vejamos um pequeno exemplo para ilustrar esta questão: A é um Banco que adoptou as abordagens mais avançadas de Basileia II e, consequentemente, está a utilizar os seus próprios modelos internos para determinar o montante de capital exigido para suportar as suas exposições. Por outro lado, B é um Banco menos sofisticado, a quem irá ser exigida uma alocação de capital de acordo com os parâmetros definidos pelo regulador. Ambos os Bancos estão a concorrer para conceder crédito a uma determinada empresa sem rating. 12

13 Num primeiro cenário, vamos assumir que esta empresa em termos de risco é equivalente a um rating AA. Neste caso, o Banco A (que adopta modelos internos) teria de proceder a uma alocação de capital a uma taxa aproximada de 2%, enquanto que o Banco B teria de proceder a uma alocação de cerca de 8% do valor da operação (dado que o requisito de capital será 100% * 8%). Facilmente se conclui que o impacto no nível do pricing de uma qualquer operação com esta contraparte será sempre favorável ao Banco A. No entanto, num segundo cenário, se ambos os Bancos estiverem perante uma empresa que em termos de risco é equivalente a um rating -B, o Banco A terá de proceder a uma alocação de capital de aproximadamente 12%, enquanto que o Banco menos sofisticado continuará a alocar 8%. As implicações no preço da operação são mais uma vez bastante claras, sendo que neste segundo caso é favorável ao Banco B. Neste contexto, de acordo com os parâmetros definidos por Basileia II, caminhamos claramente para uma realidade em que os Bancos menos sofisticados tendem a perder os seus créditos de melhor qualidade e a ganhar um número desproporcional de créditos de baixa qualidade para os quais não obtêm uma rentabilidade minimamente aceitável. No entanto, algumas questões se levantam, nomeadamente, se os eventuais benefícios de uma alocação de capital mais adequada irão ser retidos pelas instituições financeiras ou repassados para os clientes via pricing? Se os impactos irão variar de país para país? De acordo com o Estudo da PwC, factores como a rentabilidade dos capitais próprios, a competitividade/segmentação do mercado bancário e os níveis de procura de cada país, entre outros factores, serão essenciais para responder a estas questões. A rentabilidade dos capitais próprios e a fragmentação dos mercados bancários encontram-se ilustradas em seguida. 10% Irlanda ROE > COE França Espanha Grécia Portugal Dinamarca Reino Unido Suécia Bélgica Finlândia ROE < COE Alemanha Áustria Itália Holanda -10% Fragmentado Concentrado Fonte > PricewaterhouseCoopers, Study on the financial and macroeconomic consequences of the draft proposed new capital requirements for banks and investment firms in the EU, Se estivermos perante mercados muito competitivos ou em mercados em que o sector cooperativo é bastante forte, existe uma maior probabilidade de os clientes virem a beneficiar com a redução de capital. Ainda assim, a análise da competitividade de um mercado possui um elevado grau de complexidade, sendo necessário ter em atenção factores importantes como o grau de concentração, a facilidade de entrada no mercado ou a eficiência dos principais competidores. 1 Rentabilidade do Capital Próprio (Return on equity - ROE) = Resultado líquido/capital Próprio Custo do Capital (Cost of equity - COE) = Dividendo Distribuído/Capital Próprio 13

14 Neste âmbito, de acordo com o Estudo da PwC, em Portugal, à excepção do segmento de retalho, os potenciais benefícios serão retidos pelas instituições financeiras, conforme descrito no quadro seguinte. Concentração Influência mútua Rendibilidade Beneficiário Retalho PME Empresa Geral Áustria Baixa Média Média Cliente Cliente Ambos Cliente Bélgica Elevada Baixa Média Banco Banco Ambos Ambos Dinamarca Elevada Baixa Média Cliente Banco Banco Ambos Finlândia Elevada Baixa Média Banco Banco Banco Banco França Baixa Elevada Média Cliente Cliente Ambos Cliente Alemanha Baixa Elevada Baixa Cliente Cliente Banco Cliente Grécia Elevada Baixa Média Banco Banco Banco Banco Irlanda Média Baixa Média Ambos Cliente Cliente Ambos Itália Baixa Elevada Baixa Cliente Cliente Ambos Cliente Luxemburgo Elevada Baixa Elevada Ambos Cliente Cliente Ambos Holanda Elevada Média Baixa Cliente Ambos Ambos Ambos Portugal Média Baixa Média Cliente Banco Banco Banco Espanha Média Média Média Cliente Banco Ambos Ambos Suécia Elevada Baixa Média Cliente Cliente Ambos Ambos Reino Unido Média Média Média Cliente Ambos Cliente Cliente Fonte > PricewaterhouseCoopers, Study on the financial and macroeconomic consequences of the draft proposed new capital requirements for banks and investment firms in the EU, 2004 Analysis Impacto na eficiência dos custos operacionais Os custos associados ao cumprimento dos requisitos de Basileia II são substanciais. Estes podem ser classificados em duas grandes categorias: os custos de investimento para actualização dos sistemas informáticos, informação e processos de gestão de risco para cumprimento dos requisitos de Basileia II e os custos necessários para assegurar a continuidade da conformidade das instituições financeiras com esses mesmos requisitos. Questões relacionadas com a compatibilidade de informação e relações entre projectos também são factores a considerar no incremento de custos. Neste contexto, quanto maior o grau de sofisticação das abordagens, maiores serão os custos operacionais associados. 14

15 4 > Principais impactos na disponibilidade e custo de financiamento das PME As PME de diversos países têm vindo a expressar a sua preocupação relativamente ao impacto do Novo Acordo de Basileia nas suas actividades, nomeadamente ao nível do acesso e custo do crédito. Na origem deste clima de incerteza está o facto das PME não terem sido suficientemente informadas sobre a forma como as diversas abordagens ao risco de crédito vão influenciar o pricing das operações. Definição e enquadramento das PME Em 1990, a Comissão Europeia decidiu estabelecer uma definição europeia de PME. A definição foi baseada no número de empregados, no volume de negócios, no valor do activo total em balanço, e no conceito de independência. De salientar, no entanto, que esta definição não é obrigatória para os respectivos Estados-membros e as instituições financeiras não são obrigadas a respeitá-la. Categoria Média Empresa Pequena Empresa Microempresa Número de Trabalhadores < 250 < 50 < 10 Volume de Negócios < = 50 Milhões < = 10 Milhões < = 2 Milhões Balanço Total < = 43 Milhões < = 10 Milhões < = 2 Milhões Independência Participação máxima de 25% do capital por outra empresa que ultrapasse qualquer dos limites acima Fonte > IAPMEI O normativo nacional define PME como sendo entidades que, cumulativamente, empreguem até 500 trabalhadores (600, no caso de trabalho por turnos regulares), não ultrapassem de vendas anuais, e não possuam nem sejam possuídas em mais de 50% por outra empresa que ultrapasse qualquer dos limites definidos nos pontos anteriores. Basileia II define PME como sendo empresas cujo volume anual de negócios do grupo em que estas estão inseridas seja inferior a 50 milhões (independentemente de qualquer outro critério). O critério do volume de negócios pode ser no entanto substituído pelo valor de balanço total, por decisão da entidade reguladora. Visão geral sobre a indústria das PME em Portugal e na Europa Dado que existem várias definições de PME, é por vezes difícil, através dos dados estatísticos disponíveis, estabelecer uma composição exacta da indústria europeia neste domínio. 15

16 O Observatório Europeu de PME da Comissão Europeia (CE) publica regularmente informação sobre as PME nos respectivos Estados-membros, bem como de quatro países da Associação Económica do Comércio Livre (EFTA), a Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suiça. A tabela abaixo ilustra a estrutura tipo das PME na Europa: PME Grandes Total un. Micro Pequena Média Total Empresa Número de empresas Emprego Nº de empregados médio Volume de negócios (VN) médio milhões 0,2 3,0 24,0 0,6 255,0 1,1 Fonte: Peso da PricewaterhouseCoopers, exportações no VN Study % on the 7financial 14 and macroeconomic consequences 21 17of the Valor draft acrescentado proposed (VA) new por empregado capital requirements for banks 75and investment firms in 115 the EU, Peso dos custos de trabalho no VA % Fonte > PricewaterhouseCoopers, Study on the financial and macroeconomic consequences of the draft proposed new capital requirements for banks and investment firms in the EU, 2004 Analysis Em termos gerais, as PME representam cerca de 99% da totalidade das empresas e dois terços (66%) do emprego a nível europeu. Cerca de metade do emprego criado pelas PME provém de microempresas com menos de 10 empregados. De acordo com um estudo realizado pelo IAPMEI, em Fevereiro de 2006, tendo por base dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) com referência a 2003, existiam em Portugal cerca de 275 mil sociedades, das quais 99,5% eram PME. Estas empresas geraram cerca de 2 milhões de postos de trabalho e uma facturação aproximada de milhões, sendo igualmente Indústria Construção Comércio Comércio Turismo Reparações Transportes Banca Serviços Outros grossista a retalho e seguros a empresas serviços Áustria 12% 8% 8% 9% 16% 10% 5% 1% 16% 16% Bélgica 9% 13% 12% 23% 11% 1% 4% 3% 16% 8% Dinamarca 14% 14% 12% 16% 2% 6% 6% 4% 17% 10% Alemanha 9% 10% 7% 15% 5% 3% 4% 4% 22% 22% Grécia 4% 14% 11% 49% 6% 1% 5% 2% 5% 4% Espanha 10% 11% 8% 23% 8% 1% 9% 1% 18% 11% França 9% 13% 6% 17% 11% 2% 4% 3% 21% 14% Finlândia 13% 13% 9% 14% 1% 2% 12% 4% 16% 16% Irlanda 9% 18% 6% 20% 1% 1% 6% 1% 19% 19% Itália 15% 12% 9% 19% 6% 2% 5% 1% 20% 12% Luxemburgo 4% 9% 13% 13% 13% 2% 5% 4% 26% 11% Holanda 8% 9% 10% 16% 6% 3% 6% 3% 22% 18% Portugal 14% 16% 9% 30% 10% 3% 3% - 10% 5% Suécia 11% 10% 11% 9% 1% 8% 6% 5% 31% 8% Reino Unido 10% 22% 4% 9% 2% 3% 6% 4% 21% 18% Total 11% 13% 7% 18% 6% 3% 6% 2% 19% 15% Fonte > PricewaterhouseCoopers, Study on the financial and macroeconomic consequences of the draft proposed new capital requirements for banks and investment firms in the EU, 2004 Analysis 16

17 responsáveis por mais de 76% do emprego criado por sociedades nacionais e por 58% do volume de negócios realizado. As pequenas e micro empresas representam 97,2% da estrutura empresarial portuguesa, 55,4% do emprego e 36,2% do volume de negócios, sendo que no que diz respeito a este último indicador conseguiram mesmo igualar a performance que vinha sendo obtida pelas médias empresas. Genericamente, as actividades predominantes das PME europeias são os serviços e comércio a retalho, sendo que no caso português esta tendência é ainda mais acentuada face à média europeia. De acordo com o Estudo da PwC, o comércio a retalho constitui a principal actividade das PME em Portugal (30%), apenas sendo ultrapassado pela Grécia (49%). Estrutura de financiamento das PME As empresas financiam-se, de um modo geral, recorrendo a uma combinação de capitais próprios e recurso a crédito. No entanto, a estratégia de financiamento pode variar significativamente consoante o ramo de actividade e país. Capitais Próprios A tabela abaixo ilustra o Capital e Reservas (Capital) das PME como % do Capital Total (próprio e alheio), por sector, dimensão de empresas, e país. Aparentemente, parece não existir uma ligação directa entre o rácio de capital e o tamanho das empresas. As diferenças investment firms nos in the rácios EU, 2004 de Analysis capital entre os diversos países podem ser atribuídas a questões fis- 17 Manufactura Retalho Transportes Pequena Média Pequena Média Pequena Média Áustria 19,69* 33,08 5,34* 31,48 8,14* 41,95 Bélgica 38,40 36,41 29,33 27,13 32,80 34,62 Dinamarca 29,61 35,93 26,21 34,15 26,80 24,45 França 36,90 36,88 35,81 31,05 28,99 27,04 Finlândia 38,75 43,61 31,64 39,59 31,47 40,19 Alemanha 20,57 27,95 11,00 13,13 n.d. n.d. Itália 27,92 26,83 24,95 20,77 36,68 26,93 Holanda 34,45 34,94 35,95 30,11 30,44 26,67 Portugal 34,28 38,45 31,99 30,91 20,98 27,94 Espanha 42,68 45,26 40,34 43,21 44,66 68,04 Suécia 32,33 31,35 28,35 23,79 21,98 14,21 Média 33,59 35,52 29,56 29,57 30,53 33,20 Máximo Espanha Espanha Espanha Espanha Espanha Espanha Mínimo Áustria Itália Alemanha Alemanha Portugal Suécia * Dados referentes a 1999, n.d. = dados não disponíveis, Pequenas Empresas são aquelas com um VN inferior a 7 milhões, Média Empresa são aquelas com VN entre 7 e 40 milhões. Fonte > PricewaterhouseCoopers, Study on the financial and macroeconomic consequences of the draft proposed new capital requirements for banks and

18 cais, diferenças nos sistemas financeiros, enquadramento legal (ex. requisitos mínimos de capitais próprios para o início da actividade) e questões culturais (ex.: o factor da propriedade familiar desempenha um papel importante em muitos países). Em Portugal, à semelhança dos restantes países, o capital próprio representa cerca de um terço dos recursos totais. Financiamento Externo A tabela seguinte apresenta uma visão alargada sobre as principais fontes de financiamento externo utilizadas pelas PME na UE. Descoberto Investidores Empréstimos bancário Leasing externos Factoring bancários Subvenções Bélgica 37% 25% 12% 4% 56% 14% Dinamarca 73% 25% 13% 7% 24% 7% Alemanha 47% 43% 5% 2% 66% 7% Grécia 23% 15% 10% 8% 68% 12% Espanha 8% 48% 15% 15% 58% 10% França 36% 47% 7% 32% 63% 11% Irlanda 70% 48% 19% 14% 39% 10% Itália 78% 41% 7% 17% 17% 10% Luxemburgo 22% 33% 15% 11% 44% 15% Holanda 17% 31% 11% 3% 50% 9% Áustria 42% 39% 1% 6% 65% 8% Portugal 16% 47% 7% 10% 48% 6% Finlândia 46% 27% 15% 14% 64% 11% Suécia 70% 29% 10% 3% 37% 6% Reino Unido 59% 42% 11% 7% 34% 10% Total UE 50% 39% 9% 11% 46% 9% Fonte > PricewaterhouseCoopers, Study on the financial and macroeconomic consequences of the draft proposed new capital requirements for banks and investment firms in the EU, 2004 Analysis O quadro acima permite-nos concluir que os empréstimos e descobertos bancários exercem um papel determinante na estrutura de financiamento das PME por toda a Europa. As PME portuguesas utilizam especialmente empréstimos bancários e leasing no financiamento da sua actividade, enquanto que em países como a Itália, Dinamarca e Suécia, as PME estão muito dependentes do financiamento de curto prazo, através de descobertos bancários. Por outro lado, as empresas alemãs e austríacas recorrem com maior intensidade a financiamentos bancários de longo prazo. 18

19 Entre as restantes formas de financiamento, o leasing assume uma importância significativa em quase todos os países europeus, sendo que o factoring é a fonte de financiamento menos utilizada em toda a Europa com excepção da França, em que assume importância ao nível dos descobertos bancários. Impacto de Basileia II no financiamento das PME As novas regras impostas por Basileia II e a perspectiva de eventuais alterações adversas ao nível do acesso e custo do crédito surgem numa altura em que as PME enfrentam dificuldades acrescidas na obtenção de financiamento, em consequência de uma maior contenção por parte das instituições financeiras para contrariar a tendência de aumento do crédito malparado e o desequilíbrio entre o rácio crédito/depósitos. Neste âmbito, tendo em conta a forte dependência de financiamentos bancários por parte das PME europeias, o efeito de Basileia II no financiamento das PME será de vital importância para a indústria. De acordo com os resultados do último Quantitative Impact Study (QIS) disponível, o QIS 3, os requisitos de capital para cobertura do risco de crédito inerente às PME irão decrescer em diversos países, incluindo Portugal, conforme ilustrado no gráfico abaixo. Áustria Bélgica França Alemanha Grécia Holanda Portugal Espanha Suécia Reino Unido 0% -5% -10% -15% -20% -25% -30% -35% -40% Standardised Foundation IRB Fonte > PricewaterhouseCoopers, Study on the financial and macroeconomic consequences of the draft proposed new capital requirements for banks and investment firms in the EU, 2004 Analysis As novas regras de Basileia II vão ter um impacto diferenciado no universo de PME de cada país. Genericamente, à excepção da Áustria, haverão maiores poupanças de capital nas instituições financeiras que seleccionarem a abordagem IRB Foundation, baseadas na qualidade do crédito dos mutuários, na qualidade média do crédito numa indústria ou região geográfica e no nível de colaterais obtidos (particularmente através de propriedades residenciais ou comerciais). 19

20 De salientar que no caso Português todas as instituições financeiras envolvidas no QIS 3 seleccionaram a abordagem standard para o risco de crédito. Contudo, actualmente, os grandes grupos portugueses já divulgaram que irão optar pela adopção de abordagens mais avançadas para o risco de crédito (IRB), pelo que os resultados apresentados serão potencialmente diferentes, em consequência de uma maior sensibilidade ao risco e da existência de critérios mais exigentes na avaliação do risco de crédito. Concluindo, de acordo com os diversos estudos efectuados até à data, Basileia II não deverá ter um impacto negativo na disponibilidade e custo de financiamento das PME da maior parte dos países europeus. Os requisitos de capital para cobertura do risco de crédito relativamente às PME vão muito provavelmente diminuir com a acrescida utilização de modelos internos de rating como base para o pricing das operações, não justificando um aumento do custo de financiamento (o mesmo se conclui no caso da abordagem standard, embora com menor intensidade no que respeita aos requisitos de fundos próprios). No entanto, existirão com certeza, variações à volta da média do resultado final, que farão com que algumas PME tenham requisitos de capital superiores. Tal como já foi indicado, esta variação vai ser determinada pela qualidade de crédito do mutuário, nível de colaterais obtidos, etc. 5 > Novo relacionamento entre instituições financeiras e PME imposto por Basileia II As instituições financeiras que optem pelas abordagens IRB para quantificar o risco de crédito vão ser mais exigentes com a informação fornecida pelos seus clientes, incluindo PME, e importa que estas compreendam as razões desta exigência e a forma como podem preparar-se para o cumprimento dos novos requisitos. Notação de risco A notação de risco de uma empresa é uma avaliação da sua credibilidade enquanto devedora, traduzindo o grau de probabilidade de reembolsar o compromisso assumido. As notações de risco internas são atribuídas pelas instituições financeiras aos seus mutuários, tendo por base informações fornecidas pelos clientes e por vezes informações de agências de notação de rating externas. A notação de risco define o perfil do cliente com base nas informações qualitativas e quantitativas solicitadas pela instituição financeira e por comparação com dados de anteriores clientes com o mesmo perfil e respectivo histórico de comportamento. A informação quantitativa 20

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