O CONCEITO DE APRENDIZAGEM DE SKINNER E VYGOTSKY: UM DIALÓGO POSSÍVEL

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1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CURSO DE PEDAGOGIA JENIFER SATIE VAZ OGASAWARA O CONCEITO DE APRENDIZAGEM DE SKINNER E VYGOTSKY: UM DIALÓGO POSSÍVEL Salvador 2009

2 1 JENIFER SATIE VAZ OGASAWARA O CONCEITO DE APRENDIZAGEM DE SKINNER E VYGOTSKY: UM DIALÓGO POSSÍVEL Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção da graduação em Pedagogia do Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia, sob orientação da Prof.ª Terezinha Zélia Pinto de Queiroz. Salvador 2009

3 2 FICHA CATALOGRÁFICA Biblioteca Central da UNEB Bibliotecária : Jacira Almeida Mendes CRB : 5/592 Ogasawara, Jenifer Satie Vaz O conceito de aprendizagem de Skinner e Vygotsky : um dialogo possível / Jenifer Satie Vaz Ogasawara.- Salvador, f. Orientadora: Terezinha Zélia Pinto de Queiroz. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) Universidade do Estado da Bahia. Departamento de Educação. Colegiado de Pedagogia. Campus I Contém referências. 1.Aprendizagem. 2. Prática pedagógica. 3. Educação. 4. Psicologia da aprendizagem. I. Queiroz, Terezinha Zélia Pinto de. II.Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Educação. CDD:

4 3 JENIFER SATIE VAZ OGASAWARA O CONCEITO DE APRENDIZAGEM DE SKINNER E VYGOTSKY: UM DIALÓGO POSSÍVEL Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção da graduação em Pedagogia do Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia, sob orientação da Prof.ª Terezinha Zélia Pinto de Queiroz. Salvador, 31 de agosto de 2009.

5 Aos estudantes de Pedagogia que virem neste trabalho uma possibilidade de melhorar seus conhecimentos sobre teorias de aprendizagem. 4

6 5 AGRADECIMENTOS À Deus, por ser a força estranha que me leva a cantar. Acreditar em ti faz tudo ter sentido na minha vida. Aos meus pais, Teruake e Mauricélia, por tudo que fazem e sempre fizeram por mim. Obrigada por me conduzirem a cada conquista e por me incentivarem a ter sempre novos sonhos e me estruturarem a persisti-lo até o alcance. Aos meus irmãos, pessoas com as quais compartilho cotidianamente a minha vida. Agradeço por acreditarem em mim e vibrarem com as minhas conquistas. Aos meus amigos, por serem o outro alicerce forte da minha vida. Todos os momentos vividos com vocês sempre valem a pena. À Newton, por todo o amor e admiração. Agradeço também pela paciência de estar ao meu lado pacientemente em muitos momentos de escrita. Olhar para você e vê-lo fazer palavras cruzadas enquanto eu monografava deixava cada vez mais claro o seu companheirismo. À Rita, apesar de ter desmarcado algumas páginas, por ter tido o cuidado de arrumar o meu espaço de estudo sem perder nenhum dos meus papéis, seja de textos ou de anotações. À Camilla, pelo o empréstimo de alguns dos exemplares da sua biblioteca particular e por sua presteza em ajudar. À Terezinha, minha orientadora, que compreendeu e estimulou o meu ritmo de escrita. Obrigada também por acreditar na minha capacidade e ter me estimulado a defender este trabalho ainda neste semestre.

7 6 Não considere nenhuma prática como imutável. Mude e esteja disposto a mudar novamente. Não aceite verdade eterna. Experimente SKINNER

8 7 RESUMO Muitas são as teorias de aprendizagem existentes, atualmente, no âmbito acadêmico. Isso se deve ao fato de cada teórico escolher estudar os aspectos que acreditam ser essenciais para as questões da educação. Contudo, sabe-se que nenhuma delas esgota e explica todos os questionamentos dessa área de conhecimento. Esse estudo versa sobre duas dessas teorias com o objetivo geral de discutir a relação entre as teorias de aprendizagem de Skinner e Vygotsky e suas contribuições para o processo ensino-aprendizagem. Assim, fez-se necessário descrever o conceito de aprendizagem de Skinner e Vygotsky, apontando as suas implicações pedagógicas, para em seguida comparar os principais pressupostos de cada teoria. Para atender aos objetivos deste estudo comparativo utilizou-se da pesquisa exploratória do tipo bibliográfica. Buscou-se, então, fazer um levantamento sobre as principais obras dos autores escolhidos, para em seguida destacar os principais conceitos envolvidos na questão da aprendizagem. Diferentemente da idéia difundida na comunidade acadêmica, esclareceu-se que as abordagens possuem vários pontos de convergência, mas que também divergem em alguns aspectos. Uma conclusão obtida com a realização deste trabalho se refere ao conceito principal de cada autor para o entendimento do processo de ensino - aprendizagem. Espera-se que este trabalho possa contribuir para um melhor entendimento da teoria de Skinner bem como, explique alguns equívocos difundidos sobre sua abordagem, contribuindo também para ampliar a compreensão geral sobre as diferentes abordagens para o conceito de aprendizagem facilitando a prática pedagógica. Palavras-chaves: Teoria de Aprendizagem; Skinner; Vygotsky; Prática pedagógica.

9 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 8 2 APRENDIZAGEM SEGUNDO SKINNER ANTECEDENTES HISTÓRICOS APRENDIZAGEM O PAPEL DO PROFESSOR 17 3 APRENDIZAGEM SEGUNDO VYGOTSKY ANTECEDENTES HISTÓRICOS APRENDIZAGEM O PAPEL DO PROFESSOR 27 4 METODOLOGIA DELINEAMENTO DE ESTUDO COLETA DE DADOS PROCESSAMENTO E ANÁLISE DE DADOS 31 5 DIALOGANDO COM AS TEORIAS DE SKINNER E VYGOTSKY 32 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 41 REFERÊNCIAS 43

10 9 1 INTRODUÇÃO Inúmeros são os teóricos que discutem a teoria da aprendizagem. Cada um destes define e aponta os principais focos que devem ser analisados para o entendimento do assunto. Bock, Furtado e Teixeira (2000) colocam como principais pontos abordados pelos estudiosos que se propõem a estudar esse processo a natureza e os limites da aprendizagem, como também a participação dos aprendizes e a motivação durante o processo. Outro ponto bastante discutido é a importância do outro na aquisição de novos conhecimentos. Na tentativa de explicar a existência de diversos resultados para pesquisas que se referem ao campo da Psicologia, Cunha (1998) expõe que nessa ciência os paradigmas são vistos como revolucionários e inéditos, pois são muito diferentes entre si. Isto ocorre pois cada teórico acaba por encaminhar suas pesquisas de acordo com o que acredita ser essencial. Dentre os autores que estudaram a aprendizagem, aparecem Vygotsky e Skinner, os escolhidos para o desenvolvimento deste trabalho. Esses autores são considerados opostos no que se refere às idéias que desenvolveram sobre o tema da aprendizagem, principalmente, pelo fato dos teóricos pertencerem a abordagens diferentes da psicologia. O primeiro ficou mais conhecido por sua ênfase nas questões cognitivas e do desenvolvimento humano, já o segundo focou seu trabalho para o estudo do comportamento. Contudo, ao analisar mais detalhadamente os escritos de cada um sobre o tema, é possível perceber inúmeras semelhanças das suas formas de pensamento. Desse modo, o objetivo geral desse estudo é discutir a relação entre as teorias de aprendizagem de Skinner e Vygotsky e suas contribuições para o processo ensinoaprendizagem. Para isso, faz-se necessário descrever o conceito de aprendizagem de Skinner e Vygotsky, apontando as suas implicações pedagógicas e em seguida, faz-se uma comparação dos principais conceitos propostos por ambos. Para atender

11 10 aos objetivos, este trabalho teve como delineamento de estudo a pesquisa exploratória do tipo bibliográfica. A necessidade da elaboração desse estudo teórico-comparativo foi sentida ao se perceber a existência de equívocos difundidos na Faculdade de Educação sobre os estudos de Skinner que, muitas vezes, são infundados ou repletos de desconhecimento sobre o autor. Confunde-se o que foi desenvolvido por ele com os escritos de seus antecedentes dentro da filosofia behaviorista. na prática docente sobre o estudo do conceito de aprendizagem, para os alunos do curso de pedagogia da Universidade do Estado da Bahia UNEB. A formação no curso de Psicologia permitiu que a autora do presente trabalho possuísse um conhecimento mais aprofundado da teoria behaviorista, sentindo-se responsável por contribuir para uma melhor compreensão da análise do comportamento e da sua filosofia, o behaviorismo radical. Para tanto, buscou-se desmitificar alguns conceitos ao compará-los à obra de Vygotsky, já que esta possui uma grande aceitação na área de Educação. Tentou-se, assim, mostrar que a teoria de Skinner não ocupa um lugar de oposição em relação a alguns pensamentos elaborados por Vygotsky. Gioia (2004) afirma que a propagação de idéias imprecisas ou insuficientes do behaviorismo radical conduz a um desconhecimento das contribuições que a análise do comportamento poderia oferecer sobre a relação do indivíduo com o ambiente. A autora destaca ainda que, dentre os contextos de interação, o ambiente escolar é o que poderia receber maiores benefícios em função do papel da educação na sociedade e da importância dada por Skinner a esse aspecto. Assim, as informações imprecisas sobre o behaviorismo impedem que os futuros professores se apropriem das idéias dessa abordagem, o que dificulta a sua utilização em contextos adequados. Apesar disso, Gioia (2004) afirma que esses dados errôneos trazem conseqüências ainda piores quando formam opiniões preconceituosas, pois são propagadas sempre da mesma forma no ambiente acadêmico e escolar.

12 11 Reafirmando essa idéia, Cunha (1998) expõe que o que se observa no dia-a-dia das salas de aula é que os professores possuem uma capacidade insuperável para transformar os pressupostos de qualquer ciência da educação e adequá-los às suas características e possibilidades pessoais. A grande aceitação da teoria de Vygotsky se deve ao fato dessa ser considerada a mais adequada para os moldes de educação que se pensa nos dias atuais. Utilizando-se da boa aceitação da teoria vygotskyana no ambiente dos cursos de educação, procurou-se estabelecer a relação desta com a teoria de Skinner, tentando, assim, aproximar os educadores da leitura da obra deste último. Outra relevância de relacionar as teorias consiste no fato de que, para a educação, não existe uma única teoria que responderá a todas as dúvidas e questões vividas no contexto de sala de aula. Coll (1997) aponta uma saída para essa situação ao expor que se deve fugir de uma junção impensada das teorias, ao mesmo tempo, não se apegar unicamente a contribuições de apenas uma abordagem. Deve-se perceber no contexto educacional qual a teoria traria melhores resultados e utilizar as contribuições pertinentes a essa prática educativa. Percebe-se, com isso, que o conhecimento sobre as múltiplas teorias da aprendizagem pode auxiliar o trabalho do professor, uma vez que, tendo propriedade sobre as contribuições que cada uma destas teorias pode oferecer é possível trabalhar com a integração das mesmas. Vale ressaltar que, para trabalhar com inúmeras abordagens, é necessário que o professor tenha um processo reflexivo sobre a sua prática. Integrar as teorias significa relacioná-las e não simplesmente juntar as suas idéias. O presente estudo é composto por três capítulos. O primeiro aborda o trabalho desenvolvido por Skinner, seus antecedentes históricos e teóricos, o conceito de aprendizagem e a importância do professor no processo. Buscou-se desenvolver as mesmas idéias no segundo capítulo sobre o pensamento de Vygotsky. Por fim, o terceiro capítulo faz a interrelação dos principais pontos discutidos sobre os dois autores.

13 12 2 APRENDIZAGEM SEGUNDO SKINNER 2.1 ANTECEDENTES HISTÓRICOS Burrhus Frederic Skinner nasceu em 1904 na cidade de Susquehanna, no Estado da Pennsylvania, Estados Unidos. Concluiu o segundo grau em 1922, no mesmo ano entrou na universidade Hamilton College. Graduou-se em literatura inglesa e línguas românicas, em 1926, e, com essa formação, Skinner decidiu ser escritor. Essa idéia foi abandonada em 1928 quando resolveu fazer o curso de pós-graduação em Psicologia, se inscrevendo no programa de Psicologia Experimental, em Harvard University. Obteve os títulos de Mestrado e Doutorado, em 1930 e 1931, respectivamente. Após o doutoramento, permaneceu em Harvard, até 1936, com um apoio financeiro para fazer pesquisas. Após isso, mudou para Minneapolis para assumir as atividades de professor e de pesquisador na University of Minnesota. Foi lá que Skinner encontrou espaço livre para ensinar e pesquisar o behaviorismo. Tornou-se chefe de departamento de Psicologia da Indiana University, em Neste local, começou a escrever Verbal Behavior e Walden II, publicados em 1957 e 1948, respectivamente. Em 1948, ele retornou a Harvard como convidado para pesquisar e ensinar naquela Universidade, na qual permaneceu até a sua aposentadoria, em 1974 (CUNHA; VERNEQUE, 2004). Skinner desenvolveu inúmeros estudos científicos sobre o comportamento, a maioria deles utilizando organismos infra-humanos como base comparativa do humano. Assim, desenvolveu instrumentos básicos e construiu uma sistematização para o estudo das relações comportamentais do organismo com seu meio ambiente. Nesse sentido, criou uma metodologia que denominou de Análise Experimental do Comportamento. Após essa organização, Skinner sentiu a necessidade de firmar a sua base filosófica, escrevendo Sobre o behaviorismo. Neste livro buscou elucidar as bases epistemológicas e filosóficas da sua ciência (CUNHA; VERNEQUE, 2004).

14 13 Skinner morreu em 1990, aos 86 anos, possuindo assim uma carreira científica de 60 anos. Escreveu inúmeros artigos e livros sobre as pesquisas realizadas durante toda a sua vida acadêmica, deixando um grande legado para a Psicologia Contemporânea. Dentre as teorias que influenciaram o pensamento de Skinner, destacam-se principalmente dois autores: Ivan Petrovich Pavlov e Jonh B. Watson. Assim, para entender o pensamento skinneriano, faz-se necessário um retorno aos seus principais precedentes e influenciadores. Pavlov doutorou-se no ano de 1883 em Medicina, tendo como tema dos seus estudos iniciais a farmacologia, mas abandonou rapidamente passando a desenvolver estudos fisiológicos começando pelas influências do sistema nervoso sobre o coração e depois sobre a digestão. Ao estudar o processo digestivo dos animais, inventou um aparelho que media a saliva dos cães ao receberem o alimento. Com essa máquina, acabou descobrindo que a saliva dos animais era produzida antes do recebimento da alimentação. Buscando investigar essa descoberta, Pavlov montou um experimento específico para o estudo da reação salivar do animal. Tal experimento consistia em apresentar um som segundos antes da entrega de um alimento (carne em pó), que ao entrar em contato com a boca produzia saliva. Após inúmeras repetições desse procedimento, foi percebido que o cão salivava apenas com a apresentação do som, o alimento não era mais apresentado e, ainda assim, ocorria a salivação do animal. Pavlov denominou essa reação produzida de reflexo condicionado e o processo que o originou de condicionamento respondente, hoje conhecido também como condicionamento clássico. (MILHOLLAN; FORISHA, 1978). Com o intuito de aprofundar ainda mais seus estudos, Pavlov fez mais procedimentos com o cão previamente condicionado. Assim, descobriu que, diferentemente do que ocorre com um comportamento reflexo, o reflexo condicionado pode ser extinto, uma vez que seja apresentado inúmeras vezes sem o aparecimento do estímulo incondicionado, representado no experimento pelo som. Outra descoberta feita por Pavlov foi o que ele chamou de recuperação espontânea, ou seja, um cão mesmo depois de passar por um procedimento de extinção pode

15 14 apresentar, após um longo período de latência, a resposta condicionada. (MILHOLLAN; FORISHA, 1978). Essas pesquisas feitas por Pavlov foram suas principais contribuições para os posteriores estudos de Skinner. Watson surge em 1913 com o objetivo de propor uma mudança na análise do objeto de estudo da psicologia, escrevendo Psychology as the Behaviorist Views it, publicado no ano mencionado. Nesse manifesto, Watson propunha que o objeto de estudo dessa ciência fosse o comportamento humano, rejeitando todas as entidades mentalistas (SKINNER, 2006). Essa mudança proposta por Watson ocorreu pelo fato de que, no contexto da época, o foco de análise da Psicologia era a mente ou as estruturas mentais. Ao tentar trazer modificações para um campo científico, este autor acabou por criar muita polêmica na sociedade cientifica da época, recebendo muitas críticas e também incentivos. Estes últimos vinham do grupo científico que apontava a necessidade da Psicologia de enquadrar-se nas ciências naturais. Segundo Carrara (2005), o contexto cultural norte-americano da época clamava por uma objetivação da Psicologia. Alguns autores tentaram estruturar essa mudança, mas foi Watson quem acabou por elucidar da melhor forma tais mudanças. Assim, diferentemente do que aconteceu com a maioria das correntes filosóficas em Psicologia, o behaviorismo foi pensado e estruturado para ser uma nova abordagem de estudo para esse campo científico. Matos (1995) afirma que os principais fatores da proposta inicial de Watson eram: o estudo do comportamento; oposição ao mentalismo, ignorando os estado mentais, a consciência e os sentimentos; a adesão ao evolucionismo biológico, comparando os comportamentos humanos a dos animais; adoção do determinismo materialístico; uso de procedimentos objetivos na coleta de dados; realização de experimentação controlada; observação consensual; e a utilização dos conhecimentos fisiológicos. Percebe-se que os pressupostos colocados por Watson estavam em conformidade com os critérios científicos da época, cujo desejo era enquadrar a Psicologia ao campo das Ciências Naturais.

16 15 Watson rejeitou as explicações mentais como a causa dos comportamentos e, como, após a física newtoniana, no campo científico, passou a se acreditava ser imprescindível a procura das causas de cada evento, esse teórico definiu o comportamento como um resultado de questões ambientais, ou seja, o corpo respondia à instigação dos estímulos ambientais (MATOS, 1995). Watson afirmou também que todo o comportamento de interesse é aprendido e que para entender a sua causalidade se fazia necessário analisar seus antecedentes. Para validar o seu pensamento científico, esse autor preocupou-se muito com a metodologia de sua nova abordagem psicológica. Os principais pilares dos seus métodos foram baseados nos conceitos do positivismo, primeiramente a rejeição da introspecção enquanto instrumento de trabalho de uma ciência, por não ser acessível a todos e ao fato de suas observações serem tomadas por impressões individuais. Ao rejeitar a introspecção, Watson promoveu a idéia de que o comportamento era passível de observação, no entanto, para ter validade científica, precisava ser percebido por outras pessoas. O segundo pilar baseia-se no operacionismo, que determina ser essencial o uso de uma linguagem objetiva e bem definida para a descrição dos comportamentos (MATOS, 1995). Devido à atenção dada à definição de uma metodologia científica, essa primeira fase do behaviorismo encabeçado por Watson é hoje conhecida como behaviorismo metodológico. Skinner surge na reformulação da filosofia behaviorista, propondo algumas mudanças o behaviorismo deste autor ficou conhecido com behaviorismo radical. Na explicação da escolha do termo radical já se pode tirar as principais conclusões do que Skinner propunha para essa filosofia. Matos (1995, p. 31) afirma que o termo radical foi empregado em dois sentidos: por negar radicalmente (i.e., negar absolutamente) a existência de algo que escapa ao mundo físico, isto é, que não tenha uma existência identificável no espaço e no tempo (como a mente, a consciência e a cognição); e por radicalmente aceitar (i.e., aceitar integralmente) todos os fenômenos comportamentais.

17 16 Visto isso, pode-se perceber que o behaviorismo radical adota uma postura diferenciada em relação ao que deve ser observado por uma posição behaviorista. Outro ponto de diferença exposto por Skinner é a aceitação da auto-observação este apenas questiona a fidedignidade dessa informação. Skinner (2006) afirma que uma pessoa pode observar o funcionamento do seu corpo, o que não garante que esteja fazendo uma descrição da fisiologia do mesmo e tampouco que explique a causa do seu comportamento. Ainda fez parte da obra desse autor a corroboração da importância da busca pela causalidade dos comportamentos e valorizou, ainda mais, o estudo do ambiente. É importante mencionar que Skinner desenvolveu o conceito de Comportamento Operante, hoje é este o cerne principal da Análise do Comportamento. Este conceito consiste num comportamento voluntário, no qual as conseqüências determinam a sua probabilidade de ocorrência (SKINNER, 2003). Para entendê-lo melhor, faz-se necessário entender o condicionamento operante. O condicionamento operante é um processo no qual se pretende condicionar uma resposta de um indivíduo, seja para aumentar a sua probabilidade de ocorrência ou para extingui-la. No primeiro caso, são apresentados reforços toda vez que o sujeito apresenta a resposta adequada. Vale ressaltar que o conceito de reforço está diretamente ligado a ocorrência da resposta, um estímulo só pode ser considerado reforçador se aumentar a probabilidade do comportamento ocorrer. O reforço pode ser positivo quando é apresentado algo ao indivíduo ou negativo quando se retira algo do ambiente. Percebe-se, com isso, que, diferentemente do que se diz, reforço não é sinônimo de recompensa. A título de ilustração, pode-se exemplificar a ocorrência do reforçamento positivo na seguinte situação: uma professora pretende aumentar a freqüência dos alunos em sua classe. Para isso, ela inclui em suas aulas jogos e brincadeira. Essas atividades só poderão ser consideradas reforçadoras se aumentarem a freqüência dos alunos em sala de aula. Neste caso, como foi incluído um estímulo na situação, ocorreu um reforçamento positivo. Outro exemplo de reforçamento pode ser dado na seguinte situação: uma criança não tem feito as suas tarefas de casa e passa horas jogando videogame. Sua mãe, ao perceber a situação, o proíbe de jogar até que terminem

18 17 todos os seus exercícios. A criança, então, passa a realizar suas tarefas. Nesta situação houve reforçamento, já que a criança passou a fazer o dever de casa, mas este reforço foi negativo, uma vez que se retira algo do ambiente para que ocorra o aumento da freqüência do comportamento desejado. No caso da extinção o que acontece é o contrário, um organismo é punido toda vez que apresentar a resposta que se pretende extinguir. Assim, diz-se que um organismo foi punido se diminuiu a sua probabilidade de emissão (SKINNER, 2003). A punição também pode ser positiva ou negativa, quando se apresenta ou retira um estímulo, respectivamente. É importante mencionar que Skinner fazia várias ressalvas ao uso da punição, principalmente em contextos educacionais, pois esta sempre ocasionava efeitos colaterais nocivos aos indivíduos. 2.2 APRENDIZAGEM De acordo com as idéias de Skinner (2005), pode-se dizer que aprendizagem é uma mudança na probabilidade da resposta, devendo especificar as condições sob as quais ela acontece. É importante salientar que o mesmo autor garante ainda que a execução de um comportamento é essencial mas não é isso que afirma a existência de uma aprendizagem. Assim, é necessário que se saiba a natureza do comportamento, bem como, entenda-se o seu processo de aquisição. Percebe-se, com isso, que, para este autor, o grande foco dos estudiosos da aprendizagem não devem ser as ações que os indivíduos emitem em si, mas sim as contingências do qual o comportamento é função. Tentando elucidar sua idéia, Skinner (1972, p.4) expõe que Três são as variáveis que compõem as chamadas contingências de reforço, sob as quais há aprendizagem: (1) a ocasião em que o comportamento ocorre, (2) o próprio comportamento e (3) as conseqüências do comportamento. Skinner aponta que um dos grandes problemas do ensino atualmente está em criar condições favoráveis para as conseqüências do comportamento. Para que o

19 18 comportamento seja efetivamente reforçado é importante que a conseqüência esteja associada em um breve tempo com a resposta emitida pelo organismo. Na tentativa de aproximar o aparecimento de um reforçador do comportamento emitido do aluno Skinner criou as máquinas de ensinar. Para ele, essas máquinas deveriam ser colocadas em sala de aula para auxiliar o professor no ensino dos conteúdos. As máquinas são programadas com perguntas de múltipla escolha sobre um determinado assunto, o aluno terá que colocar o botão na casa que corresponde a resposta correta, caso erre, o aluno não consegue passar para a pergunta seguinte. Pode-se acoplar uma luz que acenda toda vez que o estudante apresente a resposta correta. Um fator importante a ser citado sobre a maquina é que, como cada criança teria um aparelho, o ritmo da seqüência de perguntas é controlado por cada aluno (SKINNER, 1972). Para Skinner, o uso das máquinas cessa com o problema da contigüidade do reforço e permite que cada aluno tenha o seu tempo respeitado, podendo cada criança ter um trabalho mais individualizado possível. Este autor expõe também os benefícios que o uso das máquinas trariam ao professor e a forma como deve comportar-se com este novo instrumento em sala de aula. Esta relação do uso de tal instrumento com o professores será descrita no tópico seguinte. A preocupação de Skinner com um trabalho individual que seja coordenado pelo próprio sujeito mostra que, diferentemente do que se divulga em muito materiais didáticos, este autor considera a subjetividade de cada indivíduo. Fica evidenciado, então, que a teoria de Skinner não só aponta para um trabalho individualizado, como também indica formas de fazê-lo. 2.3 O PAPEL DO PROFESSOR Skinner considerou o professor como um dos principais elementos para a aprendizagem dos sujeitos. Esta idéia se torna ainda mais explicita quando o autor diz que ensinar é o ato de facilitar a aprendizagem; quem é ensinado aprende mais

20 19 rapidamente do que quem não é (SKINNER, 1972, p. 4). Fica claro, nesta afirmação, o valor dado por Skinner aos professores e à função indispensável que esta profissão exerce no desempenho de uma boa aprendizagem. Skinner (1972) procurou esmiuçar ainda mais a função de um professor na aquisição da aprendizagem de um sujeito ao apontar que este deve arranjar contingências de reforço. Assim, o professor deve fornecer situações indicando o que deve ser observado ou adquirido na experiência, de modo que o sujeito possa emitir e/ou exercitar os comportamentos que se pretende ser ensinado. Um importante ponto, citado por esse autor, se refere à consideração das condições dos indivíduos no desenvolvimento da aprendizagem, seja ela física, psíquica ou social, pois toda arrumação de contingências é ineficaz se o sujeito está limitado, em seu desenvolvimento, a responder da forma pretendida. Visto isso, fica clara a necessidade do professor em montar um ambiente que estimule e propicie o aluno a compreender e executar os comportamentos que se pretende ensinar. Assim, para Skinner, um professor, ao montar uma situação de aprendizagem, deve sempre se questionar sobre os reforçadores que estão e irão ser utilizados e na forma como estão dispostas as contingências de reforço. Essas questões podem levar o professor a rever a sua estratégia de ensino, tornando-a mais eficaz. (SKINNER, 1972) Faz-se necessário também que, após a aquisição de um comportamento, sejam feitos exercícios que repitam a sua emissão, para que assim seja possível ao aluno uma manutenção, bem como a sua fixação enquanto ação para situações similares. Para auxiliar na execução dos exercícios, Skinner (1972) aponta para o uso das máquinas de ensinar. Como foi explicado no tópico anterior, para este autor as máquinas serviriam para trabalhar com os alunos assuntos específicos previamente planejados. Cabe ao professor programar as seqüências de exercício numa ordem que vá do mais simples ao mais complexo, como também supervisionar as crianças quando da execução das máquinas para poder criar estratégias mais individualizadas para cada aluno.

21 20 Skinner (1972) aposta na idéia do uso das máquinas, até mesmo para a valorização dos professores. Para ele, o uso das máquinas garante o aprendizado mecanicista, que os currículos pressupõem, deixando o professor com mais tempo e preocupação para questões interpessoais. Naturalmente, a professora tem uma tarefa mais importante do que a de dizer certo ou errado. As modificações propostas devem libertálas para o exercício cabal daquela tarefa. Ficar corrigindo exercícios ou problemas de aritmética Certo, nove e seis são quinze; não, não, nove e sete não são dezoito - está abaixo da dignidade de qualquer pessoa inteligente. Há trabalho mais importante a ser feito, no qual as relações da professora com o aluno não podem ser duplicadas por um aparelho mecânico. Os recursos instrumentais só virão melhorar estas relações insubstituíveis (SKINNER, 1972, p. 25). Neste parágrafo fica explicado a forma como o autor vê o uso das máquinas em sala de aula, bem como, mostra a importância que ele agrega aos professores para o desenvolvimento de uma aprendizagem que vai além do conteúdo científico. A educação escolar não se restringe apenas a ensinar números e letras, mais do que isso, deve se preocupar em fornecer subsídios para que os alunos consigam se adaptar na vida cotidiana junto ao seu meio social. Com base nisso é que inúmeros ensinamentos trabalhados em sala de aula não serão utilizados exatamente da mesma forma. Muito do que se aprende no contexto escolar serve apenas para desenvolver um tipo de raciocínio para situações que serão enfrentadas no cotidiano do aluno. Baseado nessa realidade, Skinner (1972) declara que cabe ao professor arranjar as contingências que tenham uma maior semelhança com as contingências sob as quais o comportamento será propício e útil. Mais uma vez, fica explícita a necessidade dos professores pensarem a sua prática, pois, caso seu planejamento de ensino não seja associado às situações reais, todo o processo de aprendizagem será inútil. Após serem discutidos os estudos elaborados por Skinner, é possível perceber que muito do que é colocado como sendo a teoria defendida por este autor não passa de

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