UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS CCT ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E SISTEMAS TATIANE MEIER

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1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA UDESC CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS CCT ENGENHARIA DE PRODUÇÃO E SISTEMAS TATIANE MEIER PROPOSTA DE PLANO DE NEGÓCIOS PARA MICROEMPRESA DO RAMO EDUCACIONAL JOINVILLE, SC 2013

2 1 TATIANE MEIER PROPOSTA DE PLANO DE NEGÓCIOS PARA MICROEMPRESA DO RAMO EDUCACIONAL Trabalho de Graduação apresentado à Universidade do Estado de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de Engenheiro de Produção e Sistemas. Orientador: Dr. José Oliveira da Silva JOINVILLE, SC 2013

3 2 TATIANE MEIER PROPOSTA DE PLANO DE NEGÓCIOS PARA MICROEMPRESA DO RAMO EDUCACIONAL Trabalho de Graduação aprovado como requisito parcial para a obtenção do título de Engenheira do curso de Engenharia de Produção e Sistemas da Universidade do Estado de Santa Catarina. Banca Examinadora Orientador: Dr. José Oliveira da Silva Membro: Msc. Alan Christian Schmitt Membro: Msc. Valdésio Benevenutti

4 3 AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço a Deus, por ter me guiado, por ter dado forças, me carregado em momentos difíceis e proporcionado o necessário para chegar até aqui. Agradeço aos meus pais, irmã e toda a minha família pelo apoio e por ter estado junto, mesmo estando longe. Agradeço ao Fernando, meu noivo, por ter mudado a minha vida e enchido-a de alegria. Gostaria de agradecer também aos amigos que estiveram presentes, há muitos anos e também aos mais recentes, vocês são anjos que Deus colocou no meu caminho. Agradeço também aos professores que me acompanharam desde o meu primeiro dia de aula, há 17 anos, até os atuais, que se dispuseram a compartilhar o seu conhecimento. Enfim, agradeço a todos que de alguma forma contribuíram para que este momento chegasse e que se envolveram para que fosse possível.

5 4 TATIANE MEIER PROPOSTA DE PLANO DE NEGÓCIOS PARA MICROEMPRESA DO RAMO EDUCACIONAL RESUMO Na atualidade, muitos pesquisadores têm verificado que o planejamento, principalmente antes de se iniciar um negócio, gera muitos benefícios aos empreendedores, entre eles estão o conhecimento do mercado e da viabilidade financeira, e o mais importante, o aumento nas chances de sobrevivência da empresa nos seus anos iniciais. O objetivo deste trabalho foi principalmente mostrar que os micro e pequenos empreendimentos devem possuir um plano de negócios, e que ele seja atualizado periodicamente, para que funcione como ferramenta de gestão. Para tanto, foi criada uma proposta de plano de negócios para uma microempresa individual do setor educacional, pois este empreendimento não possuía inicialmente nenhuma informação detalhada do seu planejamento, ou das suas finanças, sabia-se que o negócio era lucrativo, mas não qual seu valor real. Para elaborar o plano de negócios do empreendimento foi verificado seu estado atual e a partir deste resultado foram sugeridas ações para o futuro. O negócio estudado é de uma pedagoga que ministra aulas particulares a crianças com dificuldades de aprendizagem em horário extracurricular, que passou por algumas dificuldades pouco depois de sua criação. A elaboração deste plano de negócios permitiu à microempresária individual um maior conhecimento em outras áreas além do conhecimento técnico na sua área de atuação, como nas áreas financeira, de marketing e de gestão. Com a criação de um Plano de Negócios pôde-se obter e verificar os números reais da empresa, que apresentaram bons resultados, bem como gerar estratégias específicas para os objetivos do empreendimento. Além disso, foi elaborada uma Matriz SWOT para analisar o plano de negócios criado. PALAVRAS-CHAVE: Plano de Negócios, Planejamento, Micro e Pequenas Empresas, Ramo Educacional.

6 5 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 Fatores que influenciam no processo empreendedor...15 Figura 2 O processo empreendedor...16 Figura 3 Taxa de mortalidade de empresas de 2 anos, evolução no Brasil...17 Figura 4 Estrutura de plano de negócios para pequenas empresas em geral...24 Figura 5 Estrutura de plano de negócios utilizada para a MEI estudada...26 Figura 6 Layout da sala de aula...32 Figura 7 Receita x Custos...39

7 6 LISTA DE QUADROS Quadro 1 Empreendedores iniciais segundo motivação, no Brasil...12 Quadro 2 Fatores associados ao sucesso ou extinção de empresas...19 Quadro 3 Tipos de empresas e suas características...21 Quadro 4 Comparação entre MEI estudada e concorrentes...34 Quadro 5 Investimento inicial...37 Quadro 6 Cronograma de ações estratégicas...43 Quadro 7 Matriz SWOT do plano de negócios...45

8 7 LISTA DE ABREVIATURAS AJORPEME Associação de Joinville e Região da Pequena, Micro e Média Empresa CEMPRE Cadastro Central de Empresas EI Empresa Individual EIRELI Empresa Individual de Responsabilidade Limitada EPP Empresa de Pequeno Porte GEM Global Entrepreneurship Monitor ou Monitor do Empreendedorismo Global IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ME Micro Empresa MEI Micro Empresa Individual MPE Micro e Pequenas Empresas MTE Ministério do Trabalho e Emprego SBA Small Business Administration ou Administração de Pequenos Negócios SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SWOT Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats ou Forças, Fraquezas, Oportunidades, Ameaças

9 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA EMPREENDEDORISMO Características do Espírito Empreendedor O Processo Empreendedor ESTATÍSTICAS Causas da Mortalidade de Empresas DIFERENÇAS ENTRE TIPOS DE EMPRESAS Empresa Individual Empresa Individual de Responsabilidade Limitada Sociedade Limitada PLANO DE NEGÓCIOS PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS MÉTODO DA PESQUISA ETAPAS DA PESQUISA Formulação do Problema Coleta e Análise dos Dados Elaboração da Proposta ESTUDO DE CASO SITUAÇÃO ATUAL SITUAÇÃO PROPOSTA Sumário Executivo O negócio Declaração de missão Declaração de visão Descrição da Empresa Localização e infra estrutura Serviços Mercado e Competidores Consumidores Marketing...36

10 Estratégias de serviço Estratégias de preço Estratégias de propaganda / comunicação Plano Financeiro Investimentos Custos e despesas fixos e variáveis Receita Ponto de equilíbrio Lucro Análise Estratégica Ambiente externo Ambiente interno Objetivos Definição de estratégias CONSIDERAÇÕES GERAIS CONCLUSÃO...47 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...49 APÊNDICE A...53

11 10 1 INTRODUÇÃO Nos dias atuais, a criação de novos empreendimentos vem aumentando significativamente, e de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE, 2011), dos negócios criados todos os anos, 99% deles são micro e pequenas empresas. Os empresários envolvidos nesses processos de criação de empresas, conforme Dornelas (2008), nem sempre possuem conceitos de gestão de negócios, atuando geralmente de forma empírica e sem planejamento. Isso se reflete diretamente no índice de mortalidade dessas pequenas empresas que, em alguns casos, superam os 50% nos primeiros anos de atividade. Estes números têm melhorado nos últimos anos para resultados de sobrevivência acima dos 70% e por isso podem ser comparados com países como Finlândia, Itália e Espanha. Uma pesquisa realizada pelo Small Business Administration (SBA) nos Estados Unidos comprovou que 98% das empresas que fracassaram em 1998, obtiveram este resultado por causas de falha ou falta de planejamento adequado para o negócio. Atualmente já existem técnicas e métodos eficientes para auxiliar as empresas tanto no seu desenvolvimento, quanto no seu amadurecimento, e uma das principais ferramentas para o empreendedor conseguir chegar nestes objetivos é o plano de negócios. Sua importância está associada diretamente à sobrevivência das empresas em geral, pois o planejamento propicia uma análise de todas as áreas necessárias para o bom funcionamento do empreendimento, mostra de forma verdadeira informações do mercado e as chances do negócio, além de poder ser utilizado como documento para obtenção de recursos financeiros (DORNELAS, 2008). Ao se analisar uma determinada micro empresa individual que atua no setor de ensino, verificou-se que a mesma está passando por dificuldades em relação ao planejamento e finanças, e em virtude disso pode fechar suas portas e este é o principal motivo que justifica a elaboração de um plano de negócios. Neste contexto, expõe-se a pergunta problema deste trabalho, que é: como aumentar a expectativa de vida da microempresa individual do setor educacional em questão e identificar sua viabilidade? O objetivo geral é propor um plano de negócios, no qual possa ser feita uma análise geral do empreendimento. A partir deste objetivo, apresentam-se também os objetivos específicos ligados a ele, que são: verificar os resultados financeiros do empreendimento; definir qual o número mínimo de alunos para obter lucro no negócio; demonstrar a

12 11 importância do planejamento na criação de um empreendimento; e por fim, apresentar sugestões de melhoria para o negócio. Os processos metodológicos utilizados na elaboração deste trabalho foram as pesquisas em livros, artigos e sites, bem como a análise de vários autores e organizações importantes e conceituadas neste assunto, como o SEBRAE, AJORPEME, Bangs Jr., Chiavenato, Dornelas, entre outros. Desta forma pode ser considerada uma pesquisa exploratória, pois também é de natureza tanto quantitativa, quanto qualitativa e se dará na forma de estudo de caso. De acordo com a pesquisa, o modelo selecionado para criar o plano de negócio deste trabalho foi o de Dornelas, por apresentar contribuição para a gestão do empreendimento através do plano de negócios. Este trabalho está organizado em cinco capítulos, além das referências bibliográficas e apêndice, que apresenta o Plano de Negócios final. O primeiro capítulo contextualiza o âmbito e delimitação do trabalho, bem como a sua importância e objetivos pretendidos com a elaboração do trabalho. Já no segundo capítulo é apresentada a fundamentação teórica do trabalho, esclarecendo os pontos e teorias necessárias para entendimento e desenvolvimento do mesmo. No terceiro capítulo são abordados os procedimentos metodológicos utilizados na elaboração deste trabalho. O quarto capítulo apresenta o estudo de caso, no qual é feita uma análise do estado atual, apresentação do estado futuro, bem como a verificação de resultados obtidos e análise do Plano de Negócios elaborado. E no quinto capítulo são apresentadas as considerações finais.

13 12 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 EMPREENDEDORISMO O empreendedorismo tem sido visto como um engenho que direciona a inovação e promove o desenvolvimento econômico (Schumpeter, 1934 apud Reynolds, 1997 apud Chiavenato, 2008). Há muitos anos o termo empreendedorismo já vem sendo utilizado, embora no mundo todo também seja conhecido como entrepreneurship, que significa segundo Barreto (1998), ser um ato criativo. É a concentração de energia no iniciar e continuar um empreendimento. É o desenvolver de uma organização em oposição a observá-la, analisá-la ou descrevê-la. Já de acordo com o relatório da Pesquisa GEM (2012), dirigida pela London Business School e pelo Babson College investiga informações acerca do empreendedorismo mundial, entende-se como empreendedorismo qualquer tentativa de criação de um novo empreendimento, como por exemplo: uma atividade autônoma, uma nova empresa ou a expansão de um empreendimento existente. O empreendedorismo pode ser motivado por duas formas, por oportunidade e por necessidade. Portanto, empreendedores por necessidade consistem naqueles que iniciam negócios motivados pela falta de alternativa satisfatória de ocupação e renda. Já os empreendedores por oportunidade, são motivados pela percepção de um nicho de mercado em potencial (SANTOS, 2007). No Brasil, este termo começou a ser difundido com maior ênfase no final da década de 1990, como uma tentativa empresarial e governamental de gerar competitividade, reduzir custos e inclusive permanecer no mercado de forma saudável. Com o aumento do desemprego e a ascensão e difusão da Internet o número de empreendimentos no Brasil aumentou consideravelmente, ou seja, inicialmente os novos negócios eram construídos por uma necessidade pessoal. Quadro 1 - Empreendedores iniciais segundo motivação, no Brasil Percentual de empreendedores iniciais Ano Por oportunidade 43,9% 69,2% Por necessidade 56,1% 30,8% Fonte: Pesquisa GEM, 2002 e Pesquisa GEM 2012.

14 13 O Brasil sofreu várias mudanças na forma de empreender, tanto que, atualmente, conforme pode ser visualizado no Quadro 1 houve uma inversão na motivação para abrir um negócio, existem mais negócios sendo abertos pela percepção de oportunidades no mercado do que os abertos por necessidade. Isso ocorreu em virtude do aquecimento da economia nacional e também em razão dos novos empreendedores terem mais conhecimento acerca do novo negócio que pretendem criar, bem como do mercado Características do Espírito Empreendedor De acordo com Chiavenato (2008), o empreendedor é a pessoa que consegue fazer as coisas acontecerem, pois é dotado de sensibilidade para os negócios, tino financeiro e capacidade de identificar oportunidades. Já para Schumpeter, (1947) o empreendedor é a pessoa que destrói a ordem econômica existente graças à introdução no mercado de novos produtos/serviços, pela criação de novas formas de gestão ou pela exploração de novos recursos, materiais e tecnologias. Chiavenato (2008) acredita ainda que existam três características básicas para identificar o espírito empreendedor, a necessidade de realização, a disposição de assumir riscos e a autoconfiança. As pessoas com alta necessidade de realização gostam de competir com certo padrão de excelência e preferem ser responsáveis por tarefas e objetivos que atribuíram a si próprias. (...) elas preferem situações arriscadas até o ponto em que podem exercer determinado controle pessoal sobre o resultado, não dependendo exclusivamente da sorte (Chiavenato, 2008). Estas características embora sejam muito importantes, em geral são mais encontradas em empreendedores por oportunidade, do que em empreendedores por necessidade. Existem pessoas que entram em negócios para escapar de algum fator ambiental, portanto, existem fatores ambientais que encorajam e impulsionam as pessoas para iniciar novos negócios, que foram identificadas por Knight (1980). Conforme sua teoria, essas pessoas foram rotuladas como refugiados: Refugiados estrangeiros: escapam das restrições políticas, religiosas ou econômicas de seus países de origem, atravessando as fronteiras internacionais. Refugiados corporativos: fogem do ambiente burocrático das grandes e médias empresas, iniciando negócios por conta própria. Refugiados dos pais: abandonam a família para mostrar a ela que são capazes de fazer as coisas de maneira independente.

15 14 Refugiados do lar: iniciam um negócio após o crescimento dos filhos ou quando se sentem livre das responsabilidades da casa. Refugiadas feministas: mulheres que sentem discriminações e iniciam um negócio independentemente dos outros. Refugiados sociais: são os alheios à cultura que prevalece na empresa, que buscam uma atividade como empreendedores. Refugiados educacionais: são pessoas que se sentem cansadas dos cursos acadêmicos e decidem iniciar um novo negócio. Segundo Dornelas (2008), além das características do espírito empreendedor, existem características extras dos empreendedores de sucesso: eles são visionários, sabem tomar decisões, são indivíduos que fazem a diferença, sabem explorar ao máximo as oportunidades, são determinados e dinâmicos, são dedicados, são otimistas e apaixonados pelo que fazem, são independentes e constroem o próprio destino, ficam ricos, são líderes, e formadores de equipes, são bem relacionados (networking), são organizados, planejam, possuem conhecimento, assumem riscos calculados e criam valor para a sociedade O Processo Empreendedor A decisão de tornar-se empreendedor ocorre devido a vários fatores: externos, ambientais e sociais, aptidões pessoais ou a um somatório de todos esses fatores, que são críticos para o surgimento e o crescimento de uma nova empresa (Dornelas, 2008). Quando um evento gerador desses fatores possibilita o início de um novo negócio, inicia-se o processo empreendedor. Na figura 1, podem ser visualizados alguns exemplos de fatores que influenciam o processo empreendedor em cada fase pela qual passa um novo empreendimento. Atualmente, os maiores fatores de diferenciação no desenvolvimento econômico são as inovações tecnológicas. Mas para que o desenvolvimento econômico ocorra é importante atentar para quatro fatores críticos, que auxiliam a se entender o processo empreendedor: talento ou pessoas, tecnologia ou ideias, capital ou recursos e know-how ou conhecimento. A atenção, dedicação e gerenciamento desses pontos culminam em negócios de sucesso.

16 15 Figura 1 - Fatores que influenciam no processo empreendedor Fonte: Dornelas, 2008, p.25 (adaptado de Moore, 1986) Mas, para que o empreendimento tenha maiores chances de sucesso, é necessário entender e utilizar as quatro fases do processo empreendedor no novo negócio. Conforme Dornelas (2008) as quatro fases deste processo são: Identificar e avaliar a oportunidade; Desenvolver o plano de negócios; Determinar e captar os recursos necessários; Gerenciar a empresa criada. Não são raros os casos em que é possível perceber que as pessoas têm ideias muito interessantes para um novo negócio, que podem ser inovadoras ou não, mas que acabam não enxergando as oportunidades e acabam perdendo com isso. Dornelas (2008) também explica que é muito importante que o empreendedor teste sua ideia ou conceito de negócio junto a clientes em potencial, empreendedores mais experientes, amigos próximos, antes que a paixão pela ideia cegue sua visão analítica do negócio. (...) É necessário desenvolvê-las, implementálas (as ideias) e construir um negócio de sucesso. Talvez uma das atividades que mais dão trabalho para os empreendedores no iniciar do novo negócio é a segunda fase, a elaboração do plano de negócios, pois envolve vários conceitos que devem ser expressos de forma escrita, criando-se um documento que sintetiza toda a essência da empresa. É muito importante também, na fase seguinte, determinar os recursos necessários e como eles serão captados. Esta fase utiliza muitas informações geradas na elaboração do

17 16 plano de negócios. Nos dias atuais é possível obter recursos para empresas nascentes de várias formas, por exemplo: financiamentos em bancos, utilização de recursos próprios ou de familiares/amigos e também é possível contar com o angel anjo/investidor pessoa física. A partir daí, inicia-se a quarta fase, de gerenciamento da empresa. O empreendedor deve reconhecer suas limitações e saber, antes de qualquer coisa, recrutar uma excelente equipe de profissionais para ajudá-lo a gerenciar a empresa, implementando ações que visem a minimizar os problemas, e identificando o que é prioridade e o que é crítico para o sucesso do empreendimento (DORNELAS, 2008). Figura 2 - O processo empreendedor Fonte: Dornelas, 2008, p.27 (adaptado de Hisrich, 1998) A Figura 2 esboça quais são as etapas do processo empreendedor, e os itens que compõem cada uma de suas fases. O processo é essencial para se organizar um negócio, pois explica os passos a serem seguidos, como gerenciá-lo e mostra os principais pontos de ação para o empreendedor. 2.2 ESTATÍSTICAS Conforme dados obtidos pelo IBGE (2012), em 2010, o Cadastro Central de Empresas, CEMPRE, continha 4,5 milhões de empresas ativas, que ocupavam 37,2 milhões de pessoas, sendo 30,8 milhões (82,9%), como assalariadas e 6,4 milhões (17,1%) na condição de sócio ou proprietário. (...) A idade média dessas empresas era de 9,7 anos. De acordo com o SEBRAE (2011), no Brasil, são criados anualmente mais de 1,2 milhões de novos empreendimentos formais. Desse total, mais de 99% são micro e pequenas

18 17 empresas e Empreendedores Individuais. Só as MPEs são responsáveis por gerar mais da metade dos empregos com carteira assinada no país, e se forem incluídos os EIs, este valor sobe para dois terços. Os dados educacionais do empresário brasileiro mostram que, das empresas ativas no Brasil, 3% dos empreendedores têm até o primeiro grau completo, sendo que nas empresas extintas tal percentual sobe para 5%. Tais números sofrem alteração de 6% para 7% no nível primário completo até ginásio incompleto e de 12% para 14% de ginásio completo até colegial incompleto (SEBRAE, 2004). Os dois primeiros anos são os mais complicados para a sobrevivência das empresas, por isso é importante que esta etapa seja monitorada periodicamente. Na sua última pesquisa, finalizada em 2011, o SEBRAE aponta que as empresas no Brasil estão diminuindo o seu percentual de mortalidade até os dois primeiros anos de vida, conforme pode ser visualizado na Figura 3. De acordo com este mesmo relatório, o Brasil apresenta melhores resultados de sobrevivência de empresas criadas em 2005 e 2006 do que países como Finlândia, Itália e Espanha, que possuem um percentual de mortalidade de 38% em 2005 e 37% em 2006, 33% em 2005 e 32% em 2006, e 29% em 2005 e 31% em 2006 respectivamente. Figura 3 - Taxa de mortalidade de empresas de 2 anos, evolução no Brasil Fonte: SEBRAE, 2011, p. 15 Nota: as empresas constituídas em 2005 foram verificadas nas bases de 2005, 2006, 2007 e As empresas constituídas em 2006 foram verificadas nas bases de 2006, 2007, 2008 e Como observa o IBGE (2008), as empresas maiores, com maior capital imobilizado, tendem a permanecer mais tempo no mercado, pois os custos de saída costumam ser elevados, dentre outros fatores.

19 Causas da Mortalidade de Empresas As principais causas da mortalidade de empresas de acordo com o SEBRAE-SP são: o comportamento do empreendedor, o planejamento prévio, a gestão empresarial, as políticas de apoio, a conjuntura econômica e problemas pessoais. Para cada um destes itens, o SEBRAE também sugere recomendações, como: aprimoramento de características empreendedoras: busca de informações, planejamento e monitoramento, antecipação aos fatos, estabelecimento de objetivos e metas e contato com clientes e parceiros, para o primeiro item. Para acompanhar e aperfeiçoar o planejamento prévio e conhecer clientes, concorrentes e fornecedores, é necessário elaborar o plano de negócios. A gestão empresarial pode ser melhorada com a capacitação dos sócios e colaboradores, bem como atualizações tecnológicas, inovação de processos, acompanhamento de receitas e despesas, ou ainda a busca de novos mercados. Já para o item de políticas de apoio, é importante que o empreendedor receba o suporte necessário do governo, como o acesso ao crédito e às inovações. No quesito conjuntura econômica, é importante que o empreendedor saiba que existem oscilações no mercado, e que nesse meio é preciso manter uma estabilidade de preços, o crescimento da economia e a recuperação de renda. Fatores que podem influenciar ainda na sobrevivência ou não do novo negócio são também os pessoais, tanto com sócios, como problemas de saúde ou de falta de segurança. Conforme relatório do SEBRAE (2007), o fator crucial para as empresas é a dificuldade encontrada no acesso ao mercado, principalmente nos quesitos propaganda inadequada; formação inadequada dos preços dos produtos/serviços; informações de mercado e logística deficiente, caracterizando a falta de planejamento dos empresários. Santos e Silva (2012), apresentam no Quadro 2 os fatores associados ao negócio que podem trazer a ele um grande risco de extinção.

20 19 Quadro 2 Fatores associados ao sucesso ou extinção de empresas FATOR NEGÓCIOS COM MAIOR RISCO DE EXTINÇÃO NEGÓCIOS COM MAIORES CHANCES DE SUCESSO EXPERIÊNCIA PRÉVIA Empreendedor sem Empreendedor com experiência no ramo experiência no ramo TEMPO DE ESTUDO ANTES DE ABRIR A EMPRESA Falta de um planejamento prévio (ou falta de planejamento adequado) Período maior de estudo ADMINISTRAÇÃO DO NEGÓCIO Descuido com o fluxo de caixa, com o aperfeiçoamento do produto e com o cliente Administração eficiente do fluxo de caixa e aperfeiçoamento do produto as necessidades do cliente. O empresário ouve o cliente e investe em propaganda e divulgação. DEDICAÇÃO AO NEGÓCIO Parcial Exclusiva USO DE CONSULTORIA Não utiliza consultoria externa Utiliza consultoria externa DISPONIBILIDADE DE CAPITAL Falta de capital (Capital de giro Certa disponibilidade e capital próprio) IDADE DA EMPRESA Há maior risco no primeiro ano de atividade Empreendimento mais maduro tem menor probabilidade de fechar PORTE DA EMPRESA Estrutura excessivamente Estrutura maior pequena Fonte: Adaptação do SEBRAE/FIPE (1999) apud SANTOS; SILVA (2012) Estes fatores são cruciais para o sucesso ou a extinção de uma empresa, por isso, se forem estudados e verificados com atenção tem maiores chances de permitir que a empresa permaneça e cresça no mercado. 2.3 DIFERENÇAS ENTRE TIPOS DE EMPRESAS Existem vários tipos de empresas, que variam de acordo com o número de sócios, a responsabilidade jurídica, o faturamento e o tamanho da empresa. Algumas das empresas são: Empresa Individual (EI), Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) ou ainda, Sociedade Limitada Empresa Individual Conforme o Portal Brasil (2010), um empresário individual atua sem separação jurídica entre os seus bens pessoais e seus negócios, ou seja, não vigora o princípio da separação do patrimônio. O proprietário responde de forma ilimitada pelas dívidas contraídas no exercício da sua atividade perante os seus credores com todos os bens pessoais que integram o seu patrimônio (casas, automóveis, terrenos etc.) e os do seu cônjuge (se for casado num regime de comunhão de bens). O inverso também acontece: o patrimônio integralizado para explorar a atividade comercial também responde pelas dívidas pessoais do empresário e do cônjuge. A responsabilidade é, portanto, ilimitada nos dois sentidos.

21 20 O Empresário Individual pode ter uma Micro Empresa Individual (MEI), que terá um faturamento anual máximo de R$60.000,00, apenas um titular e terá de se enquadrar no sistema Simples Nacional. No caso de ser uma Micro Empresa (ME), o faturamento anual deve ser de até R$ ,00, se for uma Empresa de Pequeno Porte (EPP),o faturamento anual deverá estar entre R$ ,00 e R$ ,00, e ainda, no caso de ser uma Empresa Normal, o empresário individual poderá optar por esta opção, mas se o faturamento anual ultrapassar os R$ ,00, não será mais opcional. Para os casos de ME, EPP e Empresa Normal, o empreendimento poderá ter apenas um titular, mas poderá se enquadrar no Simples Nacional, ou Lucro Real ou Presumido Empresa Individual de Responsabilidade Limitada Esta natureza jurídica possibilita a solução de vários problemas atuais, como a situação de responsabilidade ilimitada do empresário individual e a formação de sociedades limitadas com a participação de sócios, tais como filho (a), mulher ou marido, ou terceiros com um percentual mínimo, somente para atender o requisito de se ter um segundo sócio. A EIRELI deve ter um titular, pessoa física maior de 18 anos (ou menor antecipado), brasileiro ou estrangeiro, e capital mínimo de 100 vezes o maior salário-mínimo do País totalmente integralizado, sendo a responsabilidade do titular limitada ao valor do capital. O titular pessoa física não poderá ter mais de uma EIRELI (PORTAL BRASIL, 2010). Já para o enquadramento em MEI, ME, EPP e Empresa Normal funciona da mesma forma que a Empresa Individual, permanecendo as mesmas características Sociedade Limitada De acordo com o Portal Brasil (2010), a Empresa de Sociedade Limitada é aquela que reúne dois ou mais sócios para explorar atividades econômicas organizadas para a produção ou circulação de bens ou de serviços, constituindo elemento de empresa. Já quanto à forma jurídica, os sócios respondem separadamente/limitadamente ao capital social da empresa pelas dívidas contraídas no exercício da sua atividade perante os seus credores. Nas demais características quanto ao enquadramento da empresa, a Sociedade Limitada permanece com as mesmas informações do EI e do EIRELI, com exceção da titularidade, que permite que o negócio tenha dois ou mais sócios. Estas características podem ser verificadas resumidamente no Quadro 3.

22 21 Quadro 3 Tipos de empresas e suas características Fonte: Portal do Empreendedor A definição do tipo de empresa é importante para que ela possa conhecer melhor suas características, definir seu enquadramento, entender quais são suas obrigações legais que devem ser cumpridas e em qual ponto deve ser alterado seu enquadramento. 2.4 PLANO DE NEGÓCIOS Qual seria o motivo pelo qual é tão importante a criação de um plano de negócios em uma empresa nascente? De acordo com Bangs Jr. (2002), existem três razões principais: 1 O processo de organizar um plano de negócios (...) obriga-o a assumir um posicionamento não emocional, crítico e objetivo em relação ao seu projeto como um todo. 2 (...) O seu plano de negócios é um instrumento operacional que, se usado de forma apropriada, irá auxiliá-lo a gerenciar o seu negócio e a trabalhar efetivamente para seu sucesso. 3 O plano de negócios concluído transmite suas ideias para outros e fornece a base para sua proposta de financiamento. De forma complementar, Chiavenato (2008) aponta que o planejamento produz um resultado imediato: o plano. Todos os planos têm um propósito comum: a previsão, a programação e a coordenação de uma sequência lógica de eventos, os quais, se bemsucedidos, deverão conduzir ao alcance do objetivo que se pretende. Para Peters e Hisrich (2004) apud Santos e Silva (2012), o plano de negócios, frequentemente criticado por ser um sonho de glória, é seguramente o documento mais importante para o empreendedor no estágio inicial e durante o processo, nas tomadas de

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