UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS MONOGRAFIA

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1 UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS MONOGRAFIA ANÁLISE, CONSIDERAÇÕES E ALTERNATIVAS PARA A POLÍTICA DE CRÉDITO DIRECIONADA ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO BRASIL DALMO FERREIRA SOARES Orientadora: DANIELLE MIGUELETTO Rio de Janeiro 2006

2 GLOSSÁRIO IF: Instituição Financeira ME: Microempresa MPE: Micro e Pequena empresa GME: Grande e Média Empresa OBJETIVOS Efetuar uma análise da política de crédito direcionada às micro e pequenas empresas adotada no Brasil, sob a ótica da inadimplência registrada neste segmento da sociedade e das condições sob as quais é concedido, por órgãos públicos e privados. Identificar causas da adoção do modelo atual, e buscar alternativas que favoreçam uma melhor aplicação, controle e retorno do crédito concedido. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO Este trabalho está estruturado em quatro capítulos. O capitulo inicial aborda o problema, a justificativa e os objetivos do trabalho. O segundo capítulo apresenta os principais personagens do trabalho MPE s e o Sistema Financeiro Nacional, além de delimitar o cenário de estudo: política, econômica e geograficamente. Este capítulo faz referência, ainda, a dados estatísticos envolvendo a concessão e o retorno do crédito obtido pelas MPE s, assim como as condições de obtenção do mesmo. No terceiro capítulo são apresentadas alternativas à situação atual, com sugestões de ordem macro e microeconômicas e de aplicação de curto e médio prazo. Por fim, apresentam-se no último capítulo as considerações finais deste trabalho seguido das referências bibliográficas. 1

3 CAPÍTULO 1 CONTEXTUALIZAÇÃO E PROBLEMA O micro ou pequeno empresário que entra em uma agência bancária brasileira hoje, em busca de financiamento para seu estoque ou aquisição de bens de produção encontrará, seguramente, grandes dificuldades na liberação do recurso. A comprovação e as razões desta situação, assim como as sugestões para alterá-la, constituem o escopo deste trabalho. O fato motivador deste documento é o encontro, normalmente frustrante, entre o micro ou pequeno empresário e o gerente de agência bancária. As dificuldades encontradas são de toda ordem, da falta de capacitação do profissional que recepciona o empresário à falta de organização financeira deste último. Expandindo o campo de observação, verifica-se ainda a alta complexidade e o custo tributário imposto pelo Poder Público, dificultado o controle financeiro das MPE s. Assim como as condições exigidas pelos bancos, como taxas, prazos, valor e outros custos agregados que, sendo extremamente similares, somam à lista de dificuldades e denotam uma origem comum. Aumentando ainda mais a escala estudada, chega-se a influência das grandes corporações, nacionais e internacionais, nas condições impostas pelo sistema financeiro às MPE s. Estudos sobre micro e pequenas empresas no Brasil não são novidade, apesar do considerável aumento destes nos últimos anos. A metodologia utilizada pela maioria, contudo, deixa a desejar pela abordagem simplista, resumindo a problemática empresarial ao volume de crédito concedido e à capacitação do microempresário. Aprofundando estas informações, procura-se aqui inserir também fatores macro e microeconômicos, como a inadimplência e o alto custo bancário, essenciais ao entendimento dos dificultadores encontrados pelos micro e pequenos empresários no acesso ao crédito. 2

4 CAPÍTULO 2 SITUAÇÃO ATUAL Caracterizando micro e pequenas empresas A adoção de critérios de classificação de porte para micro e pequenas empresas é fundamental para que as mesmas possam obter tratamento diferenciado por parte do Poder Público (tributos) e das Instituições Financeiras (crédito). Existem duas maneiras de classificar empresas, a primeira, e mais utilizada, é por faturamento anual bruto. A outra é por quantidade de empregados registrados pela empresa. Para a adoção de políticas públicas de incentivo às MPE s, o Governo Federal utiliza o Estatuto da Micro e Pequena Empresa, com última atualização realizada pelo Decreto de 31 de março de A classificação é: Microempresa: Receita bruta anual igual ou inferior à R$ ,14; Empresa de Pequena Porte: Receita bruta superior à R$ ,14 e igual ou inferior à R$ ,00; A Receita Federal, por sua vez, utiliza outro critério para aplicar o regime simplificado de tributação - SIMPLES. Conforme disposto na Medida Provisória 275/05, os limites são: Microempresa: Receita bruta anual igual ou inferior à R$ ,00; Empresa de Pequeno Porte: Receita bruta anual superior à R$ ,00 e igual ou inferior à R$ ,00; A classificação de porte do BNDES difere bastante dos apresentados anteriormente e será, por isso, objeto de análise no item 2.7 deste capítulo: Micro empresa: Receita bruta anual até R$ ,00; Pequena empresa: Receita anual bruta superior à R$ ,00 e inferior ou igual à R$ ,00; O SEBRAE e o IBGE, em seus estudos sócio-econômicos, utilizam o critério de pessoas ocupadas. Os números são: Microempresa: I) Na indústria e construção: até 19 pessoas ocupadas; II) No comércio e serviços: até 09 pessoas ocupadas; Empresa de Pequeno Porte: I) Na indústria e construção: de 20 a 99 pessoas ocupadas; II) No comércio e serviços: de 10 a 49 pessoas ocupadas; 3

5 2.2 - Importância das micro e pequenas empresas As microempresas somam, segundo pesquisa realizada pelo IBGE/CEMPRE em 2002, unidades, correspondendo a 93,6% do total de empresas no País. A participação entre os empregos formais registrados para este segmento é de 36,2%. As pequenas empresas, por sua vez, somam unidades, correspondendo a 5,6% do total de empresas formais no Brasil. O percentual de empregos gerados é da ordem de 21,0%. A distribuição por porte e setor de atividade pode ser observada na tabela abaixo (em %). Tabela 2.1 Distribuição por porte e setor de atividade (%) Setor Geral Micro Pequenas Médias Grandes Total Indústria 17,36 85,87 10,59 2,86 0, Comércio 55,65 97,38 2,30 0,28 0, Serviços 26,99 93,69 4,99 1,06 0, Fonte: IBGE, Rio de Janeiro (1997). Os números acima atestam a importância destes segmentos MPE - para a economia do País. A geração de emprego, os impostos arrecadados e o complemento às atividades das GME s (empresas satélites ) estão entre as principais razões das políticas de apoio técnico e creditício (público e privado) a esses segmentos. A última razão apresentada, a propósito, tem se mostrando mais do que uma característica, mas uma necessidade de adaptação das MPE s à realidade brasileira, segundo a qual as GME s ditam a atividade/ramo, a localização, a tecnologia empregada e, às vezes, a marca do produto ou serviço. Exemplos conhecidos, como a indústria automobilística, que possui microempresas satélites para o fornecimento de componentes e serviços de manutenção, se somam hoje às grandes redes varejistas de supermercados, que impõe, além do preço, sua marca ( Extra, Carrefour, Pão de Açúcar, etc.) aos demais fabricantes, para que estes possam oferecer seus produtos em condições razoáveis nas prateleiras. A insistência em tentar competir com as GME s é considerada por alguns pesquisadores uma das principais causas da alta mortalidade de MPE s. 4

6 Apesar da grande participação das MPE s na quantidade e na geração de empregos, o mesmo não acontece no faturamento, conforme demonstrado na tabela abaixo, que representa a distribuição da receita por porte e setor de atividade (em %). Tabela 2.2 Distribuição da receita por porte e setor de atividade (%) Setor Micro Pequenas Médias Grandes Participação Indústria 6,94 10,30 21,67 61,09 51,18 Comércio 23,04 22,30 9,53 45,13 32,70 Serviço 14,34 14,06 7,46 64,14 16,12 Total 13,40 14,82 15,41 56,37 100,00 Fonte: Pequenas Empresas, Grandes Negócios (2000); SEBRAE, com dados do IBGE. Os números acima refletem a diferença existente na estrutura empresarial brasileira. A desproporção observada não pode ser atribuída, isoladamente, aos ganhos com a economia de escala. As verdadeiras causas estão mais relacionadas ao hiato tecnológico existente entre os segmentos e ao claro favorecimento na política de crédito das instituições financeiras públicas e privadas, que este trabalho tentará demonstrar. Relacionando as duas tabelas acima (2.1 e 2.2) verifica-se a concentração de receita existente entre as empresas, reproduzindo, de certo modo, a desigualdade existente na pessoa física. O PIB brasileiro, que alcançou em 2005 a cifra de R$ ,00, também expõe a concentração sobre as GME s, que representam 79% daquele valor, aproximadamente. O processo de industrialização e desenvolvimento da classe econômica empresarial dominante no Brasil não possui nenhuma semelhança com a gradual evolução das micro, pequenas e médias empresas observada em paises como os EUA, Inglaterra e França. As grandes empresas instaladas aqui foram montadas com a estrutura e características das grandes multinacionais. Este processo gerou uma espécie de castas entre as empresas, de pouquíssima mobilidade entre elas, comprovada pelos números acima Envolvidas historicamente com o Poder Público, as GME s sempre obtiveram os meios de manterem a vantagem sobre as MPE s. O CADE Conselho Administrativo de Defesa Econômica, autarquia vinculada ao Ministério da Justiça, e criado em 1962 é responsável pela fiscalização sobre abusos de poder econômico e observância sobre matéria de cunho concorrencial, não goza do prestígio e autoridade necessários ao cumprimento de suas atribuições. Bastando observar casos recentes, 5

7 como os das cervejarias BRAHMA/ANTARTICA e da indústria de chocolate GAROTO/NESTLÊ Sobrevivência das MPE s Uma das conseqüências mais visíveis das dificuldades vividas pelas MPE s é a alta taxa de mortalidade existente. Inúmeros trabalhos e pesquisas já foram realizados com o intuito de identificar e solucionar este problema. A mais recente, de abrangência nacional, foi realizada pelo SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às micro e pequenas empresas e pela FUBRA Fundação Universitária de Brasília durante o primeiro trimestre de Antes de proceder à análise, vale lembrar que esta pesquisa, assim como a imensa maioria dos trabalhos desta natureza, não aborda as relações de dependência entre as empresas pesquisadas, fundamental para o correto diagnóstico das causas do problema. Este fato não diminui a importância da pesquisa, que desmistifica algumas crenças relacionadas ao fracasso das pequenas empresas. A tabela abaixo reproduz as taxas de mortalidade (%) verificadas pela pesquisa para o Brasil e Regiões. Tabela 2.3 Taxas de mortalidade de empresas (%) Ano de constituição Região Sudeste Região Sul Região Nordeste Região Norte Região Centro- BRASIL Oeste ,9 52,9 46,7 47,5 49,4 49, ,7 60,1 53,4 51,6 54,6 56, ,1 58,9 62,7 53,4 53,9 59,9 A pesquisa teve o mérito de inovar, abordando também as principais causas de sucesso das empresas que se mantiveram em atividade até aquela data. As principais foram: Bom conhecimento do mercado de atuação; e Boa estratégia de vendas. Pode-se atribuir às causas citadas acima conhecimentos técnicos em administração, como estratégia de mercado (planejamento do local, clientela alvo, etc.) e de venda (marketing e precificação). 6

8 Outros fatores apontados, com menor representatividade foram características subjetivas e pessoais, como perseverança, criatividade e liderança. Houve ainda menções ao profissionalismo na administração e investimentos próprios no empreendimento. Estão relacionadas na tabela 2.4 as principais causas do fracasso para os empresários que fecharam suas portas. Tabela 2.4 Principais causas do fracasso Falta de Capital de Giro 42% Falta de Clientes 25% Problemas Financeiros 21% Maus pagadores 16% Falta de Crédito Bancário 14% Recessão Econômica 14% Outra Razão 14% Ponto/Local inadequado 8% Falta de Conhecimentos Gerenciais 7% Problemas com a Fiscalização 6% Falta de Mão-de-Obra Qualificada 5% Instalações Inadequadas 3% Carga Tributária Elevada 1% Deve-se ressaltar que as respostas acima são induzidas, ou seja, na metodologia utilizada por esta pesquisa, o questionário é do tipo fechado, onde as respostas são colocadas previamente como opção aos empresários. A pesquisa também apurou as respostas espontâneas, que alterou significativamente o item Carga Tributária para 29% das respostas. Com base nos dados acima, os pesquisadores atribuíram a alta mortalidade de empresas no Brasil à falhas de origem gerencial. Sem ignorar este fato, está explícita a falta de recursos para o financiamento do empreendimento, com 77% das respostas relacionadas a esta causa (em negrito). A pesquisa revela o óbvio: 96% das empresas extintas são microempresas. Entre os ramos de atividades, 51% são comerciais, 46% serviços e 3% pertencem à indústria, onde se concentram as grandes empresas. 7

9 Um tabu derrubado trata da escolaridade dos empresários, sempre associando a baixa instrução formal ao fracasso. A pesquisa revelou que os índices de escolaridade são idênticos entre os que fracassaram e os que obtiveram sucesso. Menos um fator a se corrigir. Outra informação reveladora está no capital médio investido pelos empreendedores. A relação entre os valores aportados pelas empresas ativas e inativas alcança cinco para um (2001), sendo 74% destes valores de origem própria (empreendedor). Sem maiores informações, deduz-se que as empresas que abriram e permaneceram em atividade iniciaram seu funcionamento por empresários com recursos significativos, incluindo-se neste grupo, franquias e empresas satélites criadas para complementar GME s. A procura por auxilio técnico (SEBRAE, contadores, etc.) foi levemente superior para as empresas que permaneceram em atividade, o que descarta este fator como responsável pelo fracasso das demais. Os números finais da pesquisa são impressionantes: Fechamento de empresas entre os anos 2000 e 2002; Perda de 2,4 milhões de ocupações; Desperdícios potenciais de R$ 19,4 bilhões de inversões na atividade econômica, decorrente do encerramento das atividades empresariais no período de 2000 a A despeito da causa diagnosticada pelo SEBRAE e pela FUBRA - aspectos gerenciais, deve-se tentar ler o que não está na pesquisa. O problema da falta de crédito às MPE s foi minimizado, assim como a questão tributária. O tratamento destes dois fatores, por si só, teria impacto imediato no prolongamento da vida empresarial dos pequenos negócios. A ausência de informações sobre o relacionamento entre as empresas ou atividades exercidas dentro da indústria, comércio e serviços entre as pesquisadas pode ser atribuída à metodologia aplicada, mas que, registre-se, compromete a correta identificação das causas de sucesso ou fracasso entre as MPE s. 8

10 2.4 - Conjuntura econômica nacional Para entender as causas da dificuldade na obtenção de crédito pelas MPE s, é necessário entender o Sistema Financeiro Nacional, ou simplesmente SFN. O SFN é formado pelo conjunto de Órgãos de Regulação e de Instituições que operam os instrumentos do sistema, com o objetivo básico de transferir recursos dos agentes econômicos (pessoas, empresas, governo) superavitários para os deficitários. Figura 2.1 Mercado Financeiro Estrutura O Sistema Financeiro Nacional do Brasil tem seus alicerces nas leis da Reforma Bancária de 1964 e do Mercado de Capitais de Em 1988, uma nova lei criou os Bancos Múltiplos, aperfeiçoando o SFN. O SFN é composto por dois subsistemas: o Subsistema Normativo e o Subsistema de Intermediação. 9

11 Figura 2.2 Subsistemas do SFN O CMN Conselho Monetário Nacional é um órgão normativo, responsável pelas políticas e diretrizes monetárias para a economia do País, não desempenhando funções executivas. O CMN, pelo seu papel no cenário econômico nacional, assume o papel de Conselho de Política Econômica. O CMN é a entidade superior do SFN, sendo composto por três membros: o Ministro da Fazenda, o Ministro do Planejamento e o Presidente do Banco Central. Banco Central do Brasil: O BACEN, vinculado ao Ministério da Fazenda, é o principal agente executivo das políticas traçadas pelo CMN e é também o principal órgão de fiscalização do Sistema Financeiro Nacional. Possui duas funções básicas: Como agente disciplinador e fiscalizador do mercado financeiro e como agente executor das políticas monetária e cambial. Como executor de Política Monetária o Banco Central opera os seguintes instrumentos: mercado aberto, depósitos compulsórios e redesconto. Compõe, ainda, o núcleo da Política Monetária, além do CMN e do BACEN, o COPOM Conselho de Política Monetária, cujos objetivos são definir a meta para a taxa selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) e avaliar o Relatório das metas da inflação. Compõe o COPOM, os diretores do Banco Central e o Ministro da Fazenda. 10

12 A Política de Metas Inflacionárias, adotado pelo Brasil na década de 90, é a razão principal da manutenção da maior taxa de juro do mundo atualmente a taxa SELIC está em 14,75% a.a. A influência deste índice na política de crédito das instituições financeiras é muito alta, tendo em vista que é este índice que remunera os títulos emitidos pelo Governo Federal para adquirir recursos e financiar a dívida existente com as IF s, nacionais e internacionais. Recursos que poderiam destinar-se ao mercado produtivo, sob a forma de financiamentos e empréstimos, terminam por serem aplicados nos referidos títulos, por apresentarem um retorno financeiro mais seguro, caracterizando o lucro de tesouraria dos bancos. Subsistema de Intermediação O Subsistema de Intermediação é a parte operacional do sistema financeiro, constituído por instituições monetárias e não monetárias que operam na intermediação financeira. O Banco Comercial é o principal componente deste sistema, sendo uma instituição financeira, privada ou pública, que tem como objetivo principal suprir recursos para financiar, a curto e médio prazo, o comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviço, as pessoas físicas e terceiros em geral Principais bancos comerciais Para este trabalho foram usados como referência os cinco maiores bancos, assim considerados pelo Banco Central do Brasil, mais o BNDES (banco de investimento). São eles: Tabela 2.5 Principais bancos comerciais Banco do Brasil SA Caixa Econômica Federal Bradesco SA Itaú SA Unibanco SA 11

13 TAXAS DE JUROS MENSAIS PRATICADAS Fonte: Banco Central do Brasil, julho de 2006 BANCO BRADESCO SA Modalidade Prefixado PJ Taxa Média Desc. De Duplicata 2,93 Capital de Giro 2,75 Conta Garantida 3,99 BANCO DO BRASIL SA BANCO ITAÚ SA Modalidade Prefixado PJ Taxa Média Desc. De Duplicata 2,36 Capital de Giro 1,74 Conta Garantida 4,66 Modalidade Prefixado PJ Taxa Média Desc. De Duplicata 2,71 Capital de Giro 2,58 Conta Garantida 4,30 CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Modalidade Prefixado PJ Taxa Média Desc. De Duplicata 2,90 Capital de Giro 2,76 Conta Garantida UNIBANCO SA Modalidade Prefixado PJ Taxa Média Desc. De Duplicata 3,26 Capital de Giro 2,23 Conta Garantida 3,07 12

14 As taxas expostas acima atestam, de maneira inequívoca, a homogeneidade encontrada pelos micro e pequenos empresários na busca por alternativas de crédito. A igualdade de condições para a tomada de crédito é, por si só, um sinal de anormalidade no mercado, configurando um oligopólio. Contudo, os baixos limites e prazos praticados acrescentam outro: A vantagem obtida pelas IF s em aplicar seus recursos no mercado financeiro, em detrimento do produtivo Ações de apoio às MPE s A preocupação com o fomento das MPE s no Brasil existe há mais de quarenta anos. Seja sob a forma de leis ou decretos, com recursos públicos e privados, nacionais e estrangeiros. Marcos desta política são: GEAMPE Grupo Executivo de Assistência à Média e Pequena Empresa, datado de 1960, este grupo tinha o objetivo de elaborar um plano de aperfeiçoamento técnico a pequenas empresas industriais. O FIPEME Financiamento à Pequena e Média Empresa, criado em 1964, tinha como propósito intermediar créditos provenientes do BID Banco Interamericano de Desenvolvimento às pequenas empresas. O resultado, segundo técnicos do BNDE (antigo BNDES), foi o desvio da maioria dos recursos às médias empresas. O CEBRAE Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa, foi criado em 1972 com o objetivo de fornecer apoio gerencial aos gestores de pequenas empresas. Posteriormente teve sua denominação alterada para SEBRAE, entidade civil e sem fins lucrativos. Financiada pelo empresariado nacional, destina-se hoje a apoiar técnica e financeiramente as pequenas empresas. O Programa de Apoio ao Fortalecimento da Capacidade de Geração de Emprego e Renda (PROGEREN BNDES) possui muita similaridade ao PROGER, ambos condicionando o crédito concedido à geração de novos postos de trabalho. Contudo não há qualquer controle sobre o cumprimento desta condição. O crédito é concedido mediante a análise de um Plano de Negócio, criterioso do ponto de vista financeiro (de modo a garantir o retorno dos valores), apresentado pelo proponente a uma IF s credenciada. Após a aprovação financeira do Plano, o capital é liberado, não havendo contrapartida alguma. Tampouco existe fiscalização sobre os demais pontos do Plano, como os empregos gerados. 13

15 Segundo recente informe do Governo Federal, publicado na Revista Brasil, os financiamentos para micro e pequenas empresas foram duplicados no período que vai de fevereiro de 2003 a agosto de Sendo que várias ações resultaram na ampliação das linhas de financiamento, sobretudo no Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) e no Banco do Brasil. Em relação ao Banco do Brasil, o Governo informa que as operações para este tipo de segmento representaram mais que o dobro das realizadas no governo anterior: enquanto em 2002, por exemplo, foram realizadas 656 mil operações; em 2003, esse número foi ampliado para 906 mil e, em 2004, para mil operações. Em 2005, até junho, a instituição realizou mil operações, em valores que chegaram a R$ 18,7 bilhões. São citadas, além das realizações anteriores, as seguintes ações: Mais de MPE s apoiadas pela Agência de Promoção de Exportações Brasileiras Apex-Brasil. O sistema de exportação foi simplificado com a utilização das remessas postais. Tendo atendido em 2004 cerca de empresas de pequeno porte em mais de US$ 100 milhões em vendas para fora do país. Redução de até 70% dos custos para certificação dos produtos das MPE s, através de bônus. Ações integradas de políticas públicas para o aumento da competitividade das diversas cadeias produtivas, através dos Arranjos Produtivos Locais. Estes são sistemas de produção localizados. Caracterizados pela integração e cooperação entre seus elementos produtivos, contando com incentivos governamentais fiscais e financeiros. Foi realizado o parcelamento de débitos fiscais federais contraídos até dezembro de 2004, com prazo de até 60 meses para quitação das dívidas. Está no Congresso um projeto que estimula a formalização de micro empreendedores com faturamento anual de até R$ ,00. Faz mister aqui tecer algumas considerações sobre as ações citadas acima. O BNDES receberá atenção no próximo item deste trabalho. A informação sobre o aumento das operações de crédito pelo Banco do Brasil, isoladamente, não acrescenta muito, tendo em vista o dinamismo do sistema bancário em inventar e reinventar operações de crédito. Além de omitir o tipo de crédito. Nos últimos anos observa-se uma alteração no tipo de crédito oferecido, de longo para curto prazo, ou seja, do capital de giro convencional para linhas semelhantes ao 14

16 cheque especial/conta garantida, notoriamente mais seguras e rentáveis para as IF s que outras opções. O parcelamento de débitos, associado à rigorosa fiscalização fiscal exercida pela Receita Federal, ambas mostradas como ações positivas do Governo na edição da referida Revista, são conseqüências de um só fato: Uma política fiscal inadequada à realidade brasileira. O Programa de Exportações por Remessas Postais foi citado como responsável por ter atendido a empresas de pequeno porte. A questão é saber qual referência de porte BNDES, Receita Federal, IBGE, etc. foi utilizada para classificar pequeno porte. A propósito, as exportações tem sido para o Governo Federal uma prioridade em termos de apoio financeiro às empresas. Conforme consta na página do BNDES na internet:...promover o aumento das vendas externas é objetivo fundamental do governo brasileiro,... Os números relativos ao comércio exterior são robustos: Receita oriunda de exportações em 2005 (total): US$ 118,3 bilhões; Saldo positivo da Balança Comercial de 2005 em US$ 44,8 bilhões; empresas atuando no mercado externo Deve-se lembrar, contudo, que apenas 10 empresas incluindo as estatais são responsáveis por 25% deste resultado. Dentre estes, a Petrobrás respondeu por 37% (Fonte: VEJA Janeiro de 2006) BNDES Conforme informado no site do BNDES, as operações apresentadas por micro, pequenas e médias empresas são financiadas por meio de instituições financeiras credenciadas pelo BNDES, que são responsáveis pela análise e aprovação do crédito e das garantias. Estes bancos, públicos ou privados, teriam, pela sua proximidade com os clientes, as melhores condições para avaliar os pedidos de financiamento. 15

17 Dentre as instituições mencionadas acima, as que mais concederam crédito com recursos do BNDES (entre janeiro e dezembro de 2005) foram: 1º) Banco Bradesco SA R$ 4,3 bilhões 2º) Banco do Brasil SA R$ 4,1 bilhões 3º) Unibanco SA R$ 2,5 bilhões 4º) Votorantim BM R$ 1,3 bilhão 5º) Daimlerchrysler R$ 1,00 bilhão 13º) Itaú SA R$ ,00 24º) Caixa Econômica Federal R$ ,00 O primeiro registro a ser feito aqui é sobre o critério adotado pelo BNDES para classificar o porte das empresas proponentes, conforme informado no início deste capítulo: Muito superior ao utilizado por qualquer outra instituição brasileira pública ou privada. Estas adaptações são compreensíveis, tendo em vista o volume de recursos manipulados pelo Banco. A divulgação dos números à mídia, contudo, deveria basearse nos parâmetros utilizados pelo mercado ou pela Receita Federal, de modo a fazer conhecer o real desempenho do Banco no que se refere aos desembolsos feitos às MPE s. Hoje, a informação do que chega sobre as microempresas, por exemplo, é imprecisa, nula ou ainda deliberadamente distorcida. Lembrando que, entre os números atribuídos às MPE, estão os relacionados aos produtores rurais, transportadores autônomos e micro empreendedores. Apesar deste dificultador na leitura, os números falam por si. Verifica-se na Tabela 2.6 que houve crescimento nos último cinco anos no volume concedido às MPE s (ainda que se considere como pequena empresa um faturamento de R$ ,00 ao ano). Contudo, também ocorreu significativo aumento para os demais portes. Ou seja, considerando-se valores absolutos, mais de 75% dos recursos do Banco foram para as médias e grandes empresas. 16

18 Tabela 2.6 Desembolso anual do Sistema BNDES (R$ milhões) Porte / Ano ME/EPP 3.031, , , , , ,20 MÉDIA 1.374, , , , , ,70 GRANDE , , , , , ,40 TOTAL , , , , , ,20 Fonte: site Nº de Operações 2005 R$ milhões 2005 Figura 2.3 Sistema BNDES (Fonte: site A informação sobre a intermediação de recursos feita pelos bancos credenciados é clara na afirmação que a mesma destina-se às micro, pequenas e médias empresas, tendo em vista o relacionamento com o cliente. Os primeiros três colocados são, notoriamente, os bancos possuidores das maiores carteiras de clientes no segmento empresarial. Dentre estes, os de maior porte. Explicando, em parte, os grandes valores intermediados. O quarto e o quinto colocado são instituições financeiras criadas a partir de multinacionais vinculadas a segmentos específicos da indústria (Automobilística e Cimento, entre outros). 17

19 2.8 - Inadimplência estatísticas A inadimplência no segmento empresarial, pelas características utilizadas em sua mensuração (quantidades, valores), reflete de maneira particular as MPE s. Considerando a homogeneidade de condições encontrada pelos micro e pequenos empresários no acesso ao crédito, não resta a estes outra opção além da tomada de crédito em condições desfavoráveis, tornando a inadimplência uma conseqüência natural, e não um risco circunstancial do negócio como deveria ser. O aparente descaso das IF s com os índices de inadimplência denotam, por sua vez, a real origem de seus lucros: Os já mencionados lucros de tesouraria. SERASA A SERASA é uma das maiores empresas do mundo em gestão de informações para decisões de crédito e apoio aos negócios. A SERASA possui um indicador chamado Indicador Serasa de Inadimplência Pessoa Jurídica, que analisa eventos ocorridos em todo o Brasil, refletindo o comportamento da inadimplência em âmbito nacional. O modelo estatístico de múltiplas variáveis considera as variações registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados e dívidas vencidas com instituições financeiras. Este indicador apontou uma alta de 7,9% na inadimplência da pessoa jurídica em novembro de 2005, na comparação com outubro do mesmo ano. Comparada a novembro de 2004, a inadimplência de empresas apresentou acréscimo de 8,4%. Nos onze meses de 2005, houve uma alta de 14,1% no indicador, na comparação com o mesmo período de Segundo os técnicos da SERASA, a redução no ritmo da atividade econômica e as taxas de juros ainda elevadas pressionaram o fluxo de caixa das empresas, restringindo a sua capacidade de honrar os compromissos financeiros, e por conseqüência, aumentando a inadimplência. Representatividade De acordo com o indicador, os títulos protestados registraram a maior representatividade na inadimplência das empresas, com a participação de 40,7% em novembro de No entanto, o peso dos protestos no indicador vem caindo a cada 18

20 ano e a participação em novembro de 2005 foi inferior a registrada em novembro de 2004, quando os títulos representaram 43,2% da inadimplência. O segundo índice na representatividade do indicador de inadimplência é o de cheques sem fundos, que em novembro de 2005 teve um peso de 39,1% na inadimplência das empresas. Em novembro de 2004, a participação dos cheques sem fundos foi de 39,5%. Com a menor representatividade, mas crescendo a cada ano, estão as dívidas registradas com os bancos, 20,2% em 2005, superior à participação de novembro de 2004 que foi de 17,3%. No acumulado de janeiro a novembro de 2005, o valor médio das anotações de títulos protestados da pessoa jurídica atingiu R$ 1.400,45. Já o de cheques sem fundos registrou R$ 1.234,27 e o valor médio das dívidas registradas com os bancos foi de R$ 3.180,36. Em relação ao período de janeiro a novembro de 2004, houve um aumento de 3,3% no valor médio das dívidas com cheques sem fundos e de 5,4% no valor médio das anotações de protestos. O valor médio das dívidas com bancos e financeiras, nos onze meses de 2005, foi 13,1% maior que no mesmo período de Abaixo encontram-se os dados referentes ao ano de 2005 (até novembro). Tabela Cheques devolvidos 2º vez PJ Fonte Equifax Variação % 2004/2005 Janeiro ,7 Fevereiro ,4 Março ,0 Abril ,7 Maio ,3 Junho ,026 28,4 Julho ,1 Agosto ,2 Setembro ,2 Outubro ,5 Total

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