Literário, sem frescuras!

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1 Literário, sem frescuras! ISSN UM ANO DIVULGANDO A ARTE QUE EXISTE EM TODOS NÓS! Ano 2 - Edição no. 6

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3 LITERÁRIO, SEM FRESCURAS Genebra, outono/inverno de 2010 No. 6 ISSN bbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmm mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhh hhhhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddd dddddddddddddddddddddmnhee pam ngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbb bbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmm mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhh hhhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddddd dddddddddddddddddddmnhee pam ngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbb bbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmm mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhh hhhhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk kkkkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehaddddddddd ddddddddddddddddddmnhee pam ngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbb bbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmm mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh hhhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk kkkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehaddddddddddd ddddddddddddddddmnhee pam ngnrihssssssssssssssssssnerrrrrrrrrrrrrrekkkkkkkkkkkkkkkkkkkkbbbbbbb bbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmm mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh hhhhuyuyuytuyhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk kkkkkkkkkkkkkkkkrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrffffffffffffffmanajudyebeneogguaenejuebehadddddddddddd

4 EXPEDIENTE Revista Literária VARAL DO BRASIL NO. 6 - Genebra - CH Copyright Vários Autores O Varal do Brasil é promovido, organizado e divulgado pelo site: Revisão geral VARAL DO BRASIL Composição e diagramação: Jacqueline Aisenman A distribuição ecológica, por , é gratuita. Se você deseja par cipar do VARAL DO BRASIL NO. 7, envie seus textos até 15 de dezembro de 2010 para: Site do VARAL: Textos: Vários Autores Ilustrações: Vários Autores Revisão parcial de cada autor Viní]ius ^_ Mor[_s M[]h[^o ^_ [ssis C[rlos Drummon^ ^_ [n^r[^_ João ][\r[l ^_ m_lo n_to Murilo m_n^_s M[nu_l \[n^_ir[ Jorg_ ^_ lim[ José P[ulo p[_s Lavaux Os poemas natalinos reproduzidos nesta edição veram como fonte o site da UNESP (www.unesp.br) 4

5 Completar um ano de aniversário é um desejo de toda publicação. Mesmo que depois venham muito mais, completar este primeiro ano é uma vitória. Significa, mais do que tudo, que o caminho seguido está sendo o bom e que, principalmente, não é um caminho solitário mas pleno de amigos que participam, leem, colaboram. Em tempos como os atuais onde se fala e vive tanto a violência, resolvemos comemorar o primeiro aniversário da revista fazendo algo diferente: uma edição separada, um suplemento especial sobre a Paz. O suplemento, que acompanha esta revista no e estará ao lado desta para download em sites como Livro Virtual e Scribd, teve a colaboração de várias pessoas que sentiram no apelo escrever sobre a paz uma voz que fez eco em seus corações. E enviaram textos, poemas, fotos. Nesta edição também falamos de Natal e Ano Novo, com poemas, receitas e dicas para que as festividades de fim de ano sejam plenas de tudo de bom. Lançamos também o projeto VARAL ANTOLÓGICO, o primeiro livro impresso da revista que será lançado em Florianópolis (SC, Brasil) em março de 2011 com vários autores do VARAL. Como veem, amigos, a revista, graças a vocês, está voando feliz pelos céus da literatura! E como sempre, sem frescuras! Grande abraço da EQUIPE DO VARAL! 5

6 AGAMENON TROYAN ALBERTO CARMO ALESSANDRA NEVES ANAIR WEIRICH ANTÔNIO VENDRAMINI NETO CARLOS DIAS CHAJAFREIDAFINKELSZTAIN DIMYTHRIUS FLÁVIA ASSAIFE GILBERTO NOGUEIRA DE OLIVEIRA ICLÉIA INÊS RUCKHABER SCHWARZER IRENE ZWETSCH JACI SANTANA JACQUELINE AISENMAN JANDIRA TORREIRO JANIA SOUZA JOÃO ROBERTO GULLINO JOSÉ CARLOS PAIVA BRUNO JOSÉ VALDIR DE OLIVEIRA LARIEL FROTA LSM LUIZ ANTÔNIO CARDOSO LUIZ CARLOS AMORIM LUIZ EDUARDO GUNTHER 6

7 MARCELO CÂNDIDO MADEIRA MARCELO MORAES CAETANO MÁRCIO JOSÉ RODRIGUES MARIA HELOÍSA FERNANDES MARIA DE FÁTIMA BARRETO MICHELS MS OSWALDO ANTÔNIO BEGIATO PATRÍCIA LARA PAULO ROBERTO BULOS REMOR RAIMUNDO CANDIDO RENATA FARIAS RENATA IACOVINO RICARDO REIS RITA DE OLIVEIRA MEDEIROS RUI MARTINS TINO PORTES VALDECK ALMEIDA DE JESUS VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI VARENKA DE FÁTIMA VÓ FIA WALNÉLIA CORRÊA PEDERNEIRAS E no pròximo, vo]ê t[m\ém! 7

8 LONGE DE SER CIENTÍFICO Tenho saudade dos sentimentos bons provocados em mim, não de quem ou o que os provoca. Só algo tão abstratamente definido (ou indefinido) quanto o fato de sentir pode estar conectado com o sentir falta, conexão essa que a matéria não seria, de forma alguma, capaz de fazer parte. Essa relação e esse conjunto de sentimentos que é a saudade é quase indescritível para quem sente, e ainda mais para quem tenta desvendála sem senti-la, quem busca na matéria explicação para o abstrato. Impossível de ser analisada em laboratório, é exclusivamente sentida. Essa peculiar palavra da língua portuguesa expressa em apenas três sílabas o que na maioria das línguas faz-se necessário o uso de duas ou três palavras. I miss you, tu me manques, te extraño. Saudade. Tão simples e pequena, tão abrangente quanto ao significado. Saudade é um sentimento de vazio que consome quem sente, e é ainda pior para aqueles que não podem sentir de novo aquilo de faz falta. É como se a cada instante a vontade de voltar no tempo e reviver fosse maior, à medida que ele passa. Sinto falta do que me fez bem porque não me deixou, no momento, sentir falta de mais nada. Saudade é um círculo vicioso de substituições de razões para senti-la, e a ela estamos sempre sujeitos, já que vivemos. Vem e nunca passa, só se renova; se passa, faz-nos falta sentir falta, o que é puro pleonasmo. E é tão humana, essa tal de saudade, que sufoca e logo em seguida, ao sentir de novo, faz de tudo melhor. É ela que deixa um vazio e logo o preenche para esvaziá-lo de novo. Enche e esvazia o quê, nem eu sei, assim como ninguém sabe. Pode ser algo como um espaço incurável dentro do ser humano, onde sentimentos são guardados e nem mesmo os mais brilhantes cientistas, aliados a toda a tecnologia, um dia virão a localizar. (Por LSM) 8

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10 SOA DANÇARINA DE FLAMENCO Por Antônio Vendramini Neto Sapateado no tablado da fama. Flor nos cabelos negros em rosto contemplativo! Lábios sensuais... Da cor do pecado... Gestos maestrinos com mãos sedutoras. Corpo esguio... Som Flamenco...Sabor Andaluz. Violão... Guitarra... Palmas... Ancas macias que aos olhos... Seduz... Castanholas com fúrias Espanholas... El Albacin! Espírito Cigano. Tornozelos mostrados à plateia... Sons e fantasias alucinantes. Fogo ardente! Paixão avassaladora! 10

11 TRADIÇÕES DE ANO NOVO Lentilhas Em muitas regiões do mundo a lentilha é sinal de fortuna. Evocam morte e renascimento, do grão enterrado na terra renascem múltiplos grãos. Uva Deve-se comer 3 dando as costas para a lua, 12 dando pulinhos ou em cima de uma cadeira, 11 guardando as sementes. Por cada uva deve-se pedir um desejo. Romã A quantidade de sementes é símbolo de fartura e fertilidade. Os judeus, no Rosh Hashaná pedem a multiplicação das bênçãos divinas ao comer a romã. As sementes representam a fartura e a esperança, pode optar por comer ou guardar debaixo da almofada. 11

12 Rabanada de Natal Ingredientes: 2 gemas 3 colheres de sopa de açúcar branco 1 colher de leite 1 colher de nata baunilha em pó (opcional) 12 fatias de pão de véspera óleo açúcar em pó canela moída frutas frescas Coloque as gemas dentro de uma tigela e junte o açúcar. Bata a gemada até obter um creme macio e espesso. Adicione aos poucos o leite e a nata. Bata um pouco mais e aromatize com 1 colher de café de baunilha em pó (opcional). Bata novamente. Molhe o pão com esta mistura e deixe embeber durante alguns minutos. Aqueça bastante óleo numa frigideira ou num recipiente fundo. Frite as fatias, poucas de cada vez, virando-as até dourarem uniformemente. Retire da fritura com uma escumadeira e escorra o excedente da gordura sobre folhas de papel absorvente. Polvilhe as rabanadas ainda quentes com açúcar e canela. Acompanhe com tiras finas de fruta fresca. Receita do site: h p://www.presentedenatal.com.br/ 12

13 Receita de Rabanada de forno Existe ainda uma opção menos calórica para o preparo da rabanada. A rabanada assada é igualmente saborosa, experimente. Ingredientes da rabanada de forno: 10 pães 1 lata de leite condensado A mesma medida de leite 2 ovos Açúcar e canela Margarina Modo de preparo da rabanada Misture o leite condensado ao leite comum e aos ovos. Bata ligeiramente até a mistura ficar homogênea. Fa e os pães e passe-os na calda. Escorra o excesso, polvilhe com o açúcar e a canela e coloque na assadeira untada com a margarina. Leve a rabanada ao forno e deixe assar por 30 minutos a 180º. Receita do site: h p://www.mrbey.com.br/ 13

14 Pai Por José Carlos Paiva Bruno Conheço um menino... Primogênito menino, pueril genuíno, amado sistino... Nascido em alvorada de outubro, para os terráqueos dá seu urro! Menino puro, genuíno maduro, vindo em claridade divina abençoar lua de mel... Deste casal do céu! Em canções de ninar o véu, que o destino rouba cruel. Filho de genial bancário ítalo-brasileiro, abençoado em eclética costureira, luso-brasileira... Mãe faceira, desdobrada em pedagoga e até enfermeira... Diferente não poderia ser, pois que sem sua magia, Pai poderia, em solteirice Copacabana boemia, permanecer... Desfazendo vontade divina, do menino aparecer! Gratidão em todo instante, pra este belo amante... Bonito agora e antes, justificando Cervantes... Pai dedicado, amigo esmerado, sempre com todos preocupado. Quando solicitado, pela alma gêmea sempre engomado, comparecia lustrado... Sempre com seu afago, afago universal, por vezes duro, jamais amargo; dado a negros, brancos e pardos, solidário com todos, em todos... Efetivo protetor em natureza e amor! Pois que tanto ensinou-me, em tão breves onze anos de terreno convívio, que parecia saber estar alcançando seu alívio... Carinho dele nunca deixou-me, mesmo na rudeza, em que de poeta João Barbosa empresto proeza. Certa feita pleiteei aprender piano com minhas tias, genuíno italiano... Em brado logo falando, não há tempo de você ficar brincando, e depois, isto é coisa pra suas irmãs, pois... Comigo vais caminhando em aprender homem de bem, vamos o carro consertando, judô você vai lutando, filosofia estudando, nossa casa consertando, bons livros saboreando... Homem tem que ser assim, honrado, eficiente, solidário e contente... Fazendo sempre, bom uso de sua mente, longe de quem mente! Pai... E quando a palavra nos trai, golpe do destino esvai, leva sua mão segura, infalível candura? Acidente vascular cerebral, sequestrando meu Amigo em golpe letal. Corro agora do mal... Minto, agora enfrento e venço, sinto; pois com Ele aprendi, em seu brado de morte... Guerreiro sou forte! Venha toda sorte, até prisão consorte... Em seu Exemplo me conforte, meu Amigo da sorte... E eu que nunca fui primeiro de ninguém... Sou primeiro em meu Amigo do Além! Conhecido Amém! 14

15 O QUE FIZERAM DO NATAL Carlos Drummond de Andrade Natal O sino toca fino. Não tem neves, não tem gelos. Natal. Já nasceu o deus menino. As beatas foram ver, Encontraram o coitadinho (Natal) mais o boi mais o burrinho e lá em cima a estrelinha alumiando. Natal. As beatas ajoelharam e adoraram o deus nuzinho mas as filhas das beatas e os namorados das filhas foram dançar black-bottom nos clubes sem presépio. O mineiro Carlos Drummond de Andrade ( ), cujo centenário de nascimento foi amplamente celebrado em todo o País, apresenta neste poema, retirado de Alguma poesia ( ), um Natal brasileiro sem neve e gelo do século XX, no qual a data perdeu muito de sua sacralidade. 15

16 O dia está clareando E eu não acordei ainda Minh alma dorme Meu coração palpita Meu pensamento voa E eu... Eu não acordei ainda Meu corpo se movimenta Minha mente fica clara A vida está acordada O dia está claro Só falta eu...eu não acordei ainda Versos, sussurrem para minha alma Desperte-a (Por MS) 16

17 NA COXIA DA VIDA Onde não há verdade não há poesia; o falso é sinônimo de feio. - Manuel Cañete, escritor espanhol, 1822/1891 Por João Roberto Gullino Só quando os olhos fecho, vejo em sonho verdes campos floridos qual miragem; e seu perfume surge, doce aragem, e para um outro mundo me transponho. Só quando os olhos fecho, bem risonho, tudo esqueço e me visto de coragem, para não dissipar pura estiagem do que a vida me faz assim tristonho. Só quando os olhos fecho, é que passeio por entre o mundo irreal da fantasia, momento em que da vida tudo anseio. Só quando os olhos fecho, da coxia vejo da vida cada devaneio 17

18 Pois que reinaugurando essa criança pensam os homens reinaugurar a sua vida e começar novo caderno, fresco como o pão do dia; pois que nestes dias a aventura parece em ponto de vôo, e parece que vão enfim poder explodir suas sementes: que desta vez não perca este caderno sua atração núbil para o dente; que o entusiasmo conserve vivas suas molas, e possa enfim o ferro comer a ferrugem o sim comer o não. CARTÃO DE NATAL João Cabral de Melo Neto Publicado em Museu de tudo (1952), este poema retrata bem a poesia do pernambucano João Cabral de Melo Neto ( ). Pesquisador formal, sempre em busca da máxima concisão e densidade poética, mostra aqui o simbolismo do reinício da vida que todo Natal propicia. 18

19 top secret nem traga ticket pois envelope além de top também sou secret o meu segredo não vou mostrar não ponha o dedo é particular ruim e feio cabe no umbigo já que me veio morre comigo nem traga ticket pois envelope além de top também sou secret Por Tino Portes 19

20 Reprodução de ar go do site: h p://www.presentedenatal.com.br/ A rvore de natal: saiba mais sobre a tradiça o do pinheirinho Um símbolo da vida, a árvore de natal é uma tradição muito mais antiga do que o Cristianismo e não é um costume exclusivo de nenhuma religião em particular. Muito antes da tradição de comemorar o Natal, os egípcios já levavam galhos de palmeiras para dentro de suas casas no dia mais curto do ano, em Dezembro, simbolizando A triunfo da vida sobre a morte. Os romanos já enfeitavam suas casas com pinheiros durante a Saturnália, um festival de inverno em homenagem a Saturno, o deus da agricultura. Nesta época, religiosos também enfeitavam árvores de carvalho com maçãs douradas para as A tradiça o do pinheirinho de natal A primeira referencia à árvore de natal como a conhecemos hoje data do século XVI. Em Strasbourg, Alemanha (hoje território francês), tanto famílias pobres quanto ricas decoravam pinheirinhos de natal com papéis coloridos, frutas e doces. A tradição espalhou-se, então, por toda a Europa e chegou aos Estados Unidos no início de De lá pra cá, a popularidade da árvore de natal só cresceu. A lenda conta que o pinheiro foi escolhido como símbolo do natal por causa da sua forma triangular, que de acordo com a tradição cristã, representa a Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A árvore de natal ao redor do mundo Na Europa, uma das tradições natalinas consiste em decorar um pinheiro com maçãs, doces e pequenos wafers brancos, representando a eucaristia. A Árvore do Paraíso, como é chamada, era o símbolo da festa de Adão e Eva, que acontecia no dia 24 de Dezembro, muito antes da tradição cristã do Natal. Hoje, a árvore não só representa o Paraíso como no início da tradição, mas também a salvação. Segundo uma antiga tradição alemã, a decoração de uma árvore de natal deve incluir 12 ornamentos para garantir a felicidade de um lar: 20

21 Casa: proteção Coelho: esperança Xícara: hospitalidade Pássaro: alegria Rosa: afeição Cesta de frutas: generosidade Peixe: benção de Cristo Pinha: fartura Papai Noel: bondade Cesta de flores: bons desejos Coração: amor verdadeiro Um homem era aquela noite amiga, Noite cristã, berço do Nazareno Ao relembrar os dias de pequeno, E a viva dança, e a lépida cantiga, Quis transportar ao verso doce e ameno As sensações de sua idade antiga Naquela mesma velha noite amiga Noite cristã, berço do Nazareno. Escolheu o soneto... A folha branca Pede-lhe a inspiração; mas frouxa e manca, A pena não acode ao gesto seu. E em vão lutando contra o metro adverso, Só lhe saiu este pequeno verso: Mudaria o Natal ou mudei eu? SONETO DE NATAL Machado de Assis Nascido no Rio de Janeiro, Machado de Assis ( ) é um clássico do idioma. Sua poesia apresenta um lirismo mais contido em comparação aos poetas contemporâneos, vinculados à segunda geração romântica. Este poema, publicado em Ocidentais (c. 1880), é uma reflexão sobre o ato de criação artística. 21

22 TONINHO O SANTO ANJO DAS LAGOAS Por José Valdir de Oliveira Santo Antônio dos Anjos navegou muitos anos a procura de um povo e aqui encontrou, como navegou como navegou, Santo Antônio dos Anjos como navegou. Bendito seja o povo que tem o santo como amigo para conversar, murmurar suas suplicas, agradecer a boa vida e um colo para aquietar os lamentos e soluços, um colo amplo e manso para os momentos de pranto e um olhar desafiador e receptivo ao regozijo hilário. Um verdadeiro santo arquétipo de deus grego, abraçando a todos com seu benévolo olhar maroto e casamenteiro, tanto àqueles de todo infiéis, os de todo credo e os apavorados de ultima hora que lhe buscam socorro e benção em profunda aflição. Santo Anjo da Laguna portentoso protetor vai aos céus em suplicas às mazelas da alma, sem se afastar da terrinha das grandes e belas lagoas, espelhos de vida e de pintura singular que se redesenha a todo tempo, ao sabor do vento, ora mar ora terra firme. Amado, em intimo legado vivencial partilha corpo e alma dos filhos, mesmo dos mais distantes e dos além mares. A Matriz, o Magalhães e a Roseta se traduzem apenas em suporte físico das romarias ano a ano. Que romaria de sonho de fé que toma alma e o corpo daqueles, quando da segunda e até terceira semana de junho, quando então em mente e oração, migram tal qual borboletas boreais, sem saber o porquê, ensandecidos em fervor nobre prosaico, tocados pela chama de Antônio e aportam todos as Lagoas dos Anjos. É uma semana, mais que todas, de dar inveja ao nazareno, contando é muito pouco para mensurar a experiência repartida pelos devotos em procissão ao som do repique da caixa, do baixo da tuba, dos tenores contraltos e soprano dos soberanos dobrados que cadenciam os passos da multidão no bumbar do coração, a sobressaltos dos rojões multicoloridos que rasgam a escuridão dos céus, permeado pelos cânticos e orações em coro de novenas açorianas. E sobre a cabeça dos fiéis dos devotos e curiosos, tal qual sobre as águas, paira e flutua Antônio já ao lado da praça, no compasso ondulante a cada avanço do andor como que atraído pelo incenso que emana da porta aberta da matriz. Rumo ao presépio do menino que levas aos braços em apoteose de compreensão e vontade. Bem dito sejas oh Antônio, bendito sejam os crentes que por ti e em ti veneram a ventura dos mansos e dos remansos das Lagoas dos Anjos. 22

23 TALVEZ Talvez, recordou-se agora, não seja o melhor. Por Luiz Eduardo Gunther Talvez, a memória acusou, não seja o pior. Talvez, disse-o a mente, não seja nada. Talvez, aquilo que devia ser, ficou para depois. 23

24 CONSULADO-GERAL EM GENEBRA 54, rue de Lausanne 1202 Genève Horário de atendimento ao público: de segunda a sexta-feira das 09:00 às 14:00 (de a , o ingresso no Consulado será até 13:00) Telefones Tel. : Fax : Horário de atendimento telefônico: de segunda a sexta-feira das 13:00 às 16:00 CONSULADO-GERAL DO BRASIL EM ZURIQUE Stampfenbachstrasse Zürich-ZH Fax:

25 Escapulário (Por Renata Iacovino) Pela janela avisto uma paisagem... Ca dentro, vou tecendo meu suda rio. As duas telas sa o como visagem, mas... eis que ambas retratam meu calva rio. No lado externo, imune e falsa imagem cumpre, ce tica, ta o triste fada rio! Por dentro, o per il mais do que selvagem segura as re deas de um mundo preca rio. Intimamente, busco o escapula rio u nico bem que me salva da estiagem! Tudo mais, a mim, e, pois, refrata rio! Deste meu corpo ele e a cartilagem meu protetor de se culos... lenda rio. Ele e voce... amor de antiga viagem. 25

26 Venha par cipar do livro VARAL ANTOLÓGICO! VARAL ANTOLÓGICO Gostaríamos muito de contar com sua presença. Como a revista ou site não possuem fins lucrativos, cada autor terá assim uma participação: 5 páginas por autor (textos e uma biografia) Com o custo de RS 200,00 (duzentos reais por escritor), livro a ser lançado em Santa Catarina. O número de participantes será limitado e cada autor receberá 15 exemplares. Se você gostou da ideia, venha para nossa primeira edição! Todos os detalhes são enviados por e a previsão de lançamento da Antologia é março de

27 Transação ou Estou Morrendo Ele sai, faz amor com outros Troca meu amor eterno por uns momentos de tesa o Satisfaz um desejo carnal E me esvazia Me seca a fonte de fantasia. Pago um preço alto Por sentir amor verdadeiro Sofro uma dor lancinante Por querer ele por inteiro Vadeck Almeida de Jesus Aos poucos perco tudo Corpo, alma, coraça o Viro um ser fantasmago rico Oco, vazio, sem emoça o Tenho medo de virar inexiste ncia Perder minha alma, esse ncia E a capacidade de amar por inteiro. 27

28 VERSOS DE NATAL Manuel Bandeira Espelho, amigo verdadeiro, Tu refletes as minhas rugas, Os meus cabelos brancos, Os meus olhos míopes e cansados. Espelho, amigo verdadeiro, Mestre do realismo exato e minucioso, Obrigado, obrigado! Mas se fosses mágico, Penetrarias até o fundo desse homem triste, Descobririas o menino que sustenta esse homem, O menino que não quer morrer, Que não morrerá senão comigo, O menino que todos os anos na véspera do Natal Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta. O pernambucano Manuel Bandeira ( ) é um mestre em transformar a sua ironia amarga e seu humor mordaz em versos de profunda sensibilidade. Publicado em 1917, em A Cinza das Horas, livro de estréia do poeta, este poema evoca a passagem do tempo numa dimensão metafísica. 28

29 Emigrantes: integração ou desadaptação Os emigrantes brasileiros nos Estados Unidos, nos países europeus ou no Japão vivem realidades bem diversas, quando conseguem ter residência definitiva, principalmente com relação aos seus filhos e netos. Quando se fala na necessidade do governo criar um órgão institucional emigrante, autônomo e independente do Ministério das Relações Exteriores, já que nossos emigrantes constituem nos seus mais de três milhões um autêntico Estado emigrante virtual, isso não quer dizer criar no Exterior comunidades brasileiras alheias à soberania dos países onde vivem. É verdade que, embora os EUA deem mesmo a nacionalidade estadunidense aos emigrantes documentados e aos seus filhos nascidos no território americano, são o exemplo típico do comunitarismo emigrante, ou convívio em separado. Os emigrantes vivem em bolsões separados, segundo sua nacionalidade, sejam os italianos, os porto-riquenhos, os chicos, os chineses, os cubanos e, mais recentemente, os brasileiros. Seus filhos, seja qual for a pele ou o tipo de olhos, assumem rapidamente a consciência de cidadãos estadunidenses, porém conservam mais facilmente os vínculos com a origem por crescerem dentro de comunidades verdeamarelas. No caso de casais mistos, a ligação com as tradições brasileiras e com o idioma brasileiro nem sempre se preservam ou são mais atenuadas. Nos países europeus existe uma maior preocupação com a integração dos emigrantes na vida do país, para se evitar a criação de bolsões de nacionalidades estrangeiras diversas. O que nem sempre é fácil, visto a rejeição dos nacionais a certos estrangeiros, como os africanos e os árabes vindos do Magreb, norte da África. Na Alemanha, por exemplo, formou-se um Rui Mar ns grande bolsão turco. Filhos e netos de emigrantes turcos continuam sendo turcos e essa política desfavorece o processo de integração. O mesmo ocorre na Suíça, onde a nacionalidade suíça, só se transmite pela mãe ou pelo pai suíços, porém, no caso da emigração brasileira, em grande parte por casamento misto, há muito clima para uma rápida integração. O Japão é o país onde os emigrantes brasileiros sofrem maiores dificuldades para se integrar. Paradoxalmente, é o único país onde não existe imigração ilegal e onde a quase totalidade dos emigrantes brasileiros é de origem japonesa, geralmente netos dos imigrantes japoneses no Brasil. Existe um órgão japonês no Brasil encarregado da emigração e diversas escolas privadas para os filhos dos nossos emigrantes foram criadas no Japão. Essas escolas acabaram se tornando o principal fator de desintegração dos emigrantes brasileiros no Japão. Não sendo totalmente bilíngues, mas dando formação em brasileiro e um aprendizado rudimentar do japonês, impedem ao jovem brasileiro ingressar profissional e socialmente na fechada sociedade japonesa que não reconhece como japoneses os descendentes dos que se expatriaram. O movimento Estado do Emigrante não tem nenhum interesse em criar bolsões de filhos e netos de brasileiros não integrados na sociedade do país de acolha. Ser estrangeiro no país de acolha não é coisa que se almeje transmitir para seus filhos e netos. A perfeita integração é um ideal para a felicidade pessoal do emigrante e sua descendência. E quando se fala em integração se marca a diferença com a assimilação, processo pelo qual o estrangeiro abre mão de todas suas origens e se submete à cultura e língua do país de acolha. Pela integração, se adiciona a língua e a cultura do país de acolha ao que se trouxe do país de origem. 29

30 Em Berna, capital suíça, se pode bem exemplificar essa situação com os emigrantes francófonos vindos de países africanos de língua francesa. Durante mais de 60 anos, os próprios suíços mas de língua francesa viveram isolados em Berna, cidade de língua alemã, numa opção comunitarista, negando-se a aprender o dialeto local e o alemão, excluindo-se praticamente da vida bernesa. Em 2002, criamos a associação em favor do ensino bilíngue franco-alemão nas escolas primária, secundária e colegial, como maneira de se integrar os emigrantes francófonos, vindos do Magreb e da própria França, dentro da cidade de Berna. Com o objetivo de se guardar a língua de origem, o francês, aprendendo-se o dialeto e o alemão da cidade que os acolheu. O movimento bilíngue tem evoluído e atualmente o prefeito local estuda nosso projeto de integração da população francófona pelo ensino bilíngue nas escolas. O movimento dos Brasileirinhos Apátridas não visava um desenvolvimento emigrante comunitarista, mas evitar que filhos dos nossos emigrantes se tornassem apátridas ao chegar à maioridade, já que o Brasil tinha retirado em 94 a nacionalidade nata dos filhos de brasileiros nascidos no Exterior. Esse absurdo, corrigido em setembro de 2007 por uma emenda constitucional, lançada e apoiada pelo movimento Brasileirinhos Apátridas, mostrou igualmente a inércia do MRE diante do grave problema e é a base do movimento por um órgão institucional emigrante independente e autônomo do MRE, ligado diretamente ao governo, como uma Secretaria de Estado da Emigração. Porém, um mal-entendido precisa ser desfeito os filhos de pai e mãe brasileiros emigrantes, exceto em países fechados com o Japão, Suíça, Alemanha, onde continuam sendo considerados estrangeiros mesmo lá nascendo não são mais emigrantes. Porém crianças e jovens estadunidenses, franceses, e de outras nacionalidades, com vínculos brasileiros, cultura e língua, que, de preferência devem ser preservados como um capital de origem. Crianças em grande parte binacionais, mas perfeitamente integradas no país onde nasceram e onde vivem. Tenho quatro filhas, duas do exílio nascidas em Paris, e duas nascidas em Berna, na Suíça. As quatro são binacionais, mas na verdade são duas francesas e duas suíças, com ligações fortes com o Brasil. Seria ridículo considerá-las emigrantes, assim como os filhos de nossos imigrantes vindos da Itália, Espanha e Alemanha são brasileiros e nem passa pela cabeça de ninguém considerá-los ainda imigrantes. Leia este e outros textos do jornalista em h p://www.diretodaredacao.com/ 30

31 Ingredientes - 1 kg Bacalhau Tipo Porto - 4 colheres (sopa) de azeite - 2 dentes de alho, 2 cebolas grandes - 1 kg de batatas palha - 10 ovos, sal e pimenta a gosto - salsa e azeitona - azeite português Modo de Preparar Escalde o Bacalhau em água a ferver por 5 minutos, escorra e separe em pequenas postas. Descasque as batatas e corte igualmente em pequeninas palhas. Parta os ovos dentro de um recipiente e bata bem. Pique a cebola e o dente de alho, e leve-os ao fogo para refogar. Logo que comecem a dourar junte o bacalhau. Mexer sempre, sobre o fogo, durante 2 min. Junte depois as batatas palha, mexa muito bem durante 1 min. e, por fim, junte os ovos ba dos. Mexa com cuidado até os ovos estarem mais ou menos passados, a gosto. Deite então em travessa ou pirex e sirva quente, polvilhado com salsa picada e azeitonas. Decore com raminhos de salsa. h p://www.emporto.com.br/ 31

32 ABSOLUTA (Por Maria Heloísa Fernandes) Coração inquieto Amores e dissabores Não é eterno! Percebo-te a chorar! A lágrima quente que rola Minha alma consola Solidão, decepção, Desilusão! Você indecisa Lamenta, chora, pisa Descontente com o mundo Absoluto! Profundo! Agora em meu canto Que canto, encanto e te ofereço Não te iludo te reconheço Sei que sou quem procuras. Se um dia quiseres Admire a linha do horizonte Há um mundo único De amor a te ofertar. Hoje te gosto! Sussurro, suspiro! Em ti aspiro Meu amor! Pedra preciosa, afanosa no lapidar Receberás mil flores! Conquistas muitos amores! Mas único e seguro? Somente o meu! 32

Em algum lugar de mim

Em algum lugar de mim Em algum lugar de mim (Drama em ato único) Autor: Mailson Soares A - Eu vi um homem... C - Homem? Que homem? A - Um viajante... C - Ele te viu? A - Não, ia muito longe! B - Do que vocês estão falando?

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