Ssaúde. Esta revista faz parte integrante da edição 1347 de 6 de Maio de 2010 do Jornal de Leiria e não pode ser vendida separadamente

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1 Ssaúde Entrevista Alta Comissária para a Saúde. Reforma caminha devagar e sem consensos. AVC pode matar 81 pessoas por dia na próxima década Prevenção do cancro é a principal aposta das entidades de saúde Equipamentos e serviços de saúde da região. Esta revista faz parte integrante da edição 1347 de 6 de Maio de 2010 do Jornal de Leiria e não pode ser vendida separadamente

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3 EDITORIAL ÍNDICE Esta revista, editada pelo Jornal de Leiria, aborda um tema de relevante importância, que está cada vez mais na ordem do dia, por ter que ver com o bem mais precioso de cada um a Saúde. O progresso económico e social conseguido, nos últimos trinta anos em Portugal, apesar de todas as dificuldades, tem conduzido a uma crescente despesa com os cuidados de saúde, boa parte dela participada ou paga integralmente pelo Estado, no contexto duma atitude política assumida após o 25 de Abril, registada na Constituição da República, que garante serviço gratuito e universal dos cuidados de saúde para todos. Não se sabe até quando. O investimento público neste domínio e a sensibilização feita pelos diferentes organismos do Estado e também pelas associações de profissionais e de doentes, a par do progresso na criação de instrumentos de diagnóstico e de fármacos, permitem hoje que a esperança de vida seja cada vez maior. Portugal evoluiu muitíssimo neste domínio. Seria injusto não o reconhecer. Talvez até por isso, o sector da saúde se apresente como um dos maiores negócios do futuro, invertendo-se o sentido público e humanitário que se lhe terá pretendido dar, subvertendo-se o sentido ético e social da prática desse bem essencial. Hoje existe à disposição de cada um uma enorme quantidade de práticas preventivas e há informação e esforço para a sua divulgação, admitindo-se já que as crianças nascidas no inicio deste século, possam ter uma esperança de vida média de 100 anos! Talvez anos a mais, se não se conseguir uma qualidade de vida longínqua também. A prevenção e os cuidados com o que se come e com o que se bebe são fundamentais, como o são o ar que respiramos, a água que bebemos e o sol que a praia nos pode dar. Passou-se de um estado de sub-alimentação para os excessos, começando-se cedo a exagerar e a criar o hábito ou o vício de fumar, em contraponto com o desleixo no exercício físico, que muitas vezes se faz já tarde demais. Para muitos males e para melhorar a qualidade de vida, é fundamental a prevenção. As possibilidades de a fazer estão cada vez mais à mão. É só querer. Não bastam as doenças que aparecem e nos surpreendem sem deixar folga para qualquer válida intervenção. Muita atenção, pois, aos excessos e à prevenção. ENTREVISTA Maria do Céu Machado, Alta Comissária para a Saúde RESPOSTAS NA SAÚDE Reforma caminha devagar e sem consensos Hospital de Leiria está entre os melhores da região centro e do País OPINIÃO João Pedro Pimentel, presidente do Conselho Directivo da ARSC João Primo, Cardiologista e Electrofisiologista, presidente da APAPE Ricardo Costa, Hematologista Gustavo José Quaresma, Médico em Clínica Geral, competência em Acupunctura PREVENÇÃO DA DOENÇA EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS SAÚDE NO TRABALHO Ficha Técnica: Edição: Jorlis - Edições e Publicações, Lda.. Director: José Ribeiro Vieira. Coordenação: Lurdes Trindade. Redacção: Helena Silva e Jacinta Romão. Serviços Comerciais: Andreia Antunes, Cátia Santos, Ferreira Branco e Luís Clemente. Projecto Gráfico: Marta Silvério. Paginação: Isilda Trindade, Rita Carlos. Impressão: Mirandela. Tiragem: N.º de Registo Depósito Legal n.º 5628/84. Distribuição: Jornal de Leiria, Edição n.º 1347 de 6 de Maio de RICARDO GRAÇA Maio Jornal de Leiria. 3

4 ENTREVISTA MARIA DO CÉU MACHADO PORTUGAL REGISTA A MAIOR E MELHOR EVOLUÇÃO DOS PAÍSES EUROPEUS NA MORTALIDADE INFANTIL Alta Comissária para a Saúde A esperança de vida ao nascer constitui um indicador paradigmático do estado de saúde de uma população. Num momento em que sobe de tom a controvérsia sobre as políticas de saúde, a Alta Comissária para a Saúde, Maria do Céu Machado, considera relevante a descida da mortalidade infantil, onde Portugal regista a maior e melhor evolução dos países europeus. A maternidade tardia é uma situação que a preocupa, pois está na origem de mais nascimentos pré-termo e de baixo peso à nascença DR O que mais a preocupa no que respeita ao cumprimento do Plano Nacional de Saúde? Obtiveram-se resultados muito significativos, designadamente na Esperança de Vida ao Nascer, um indicador paradigmático do estado de saúde de uma população, que registou um aumento de 4,7 anos entre 1990/92 e 2006/08, sendo actualmente de 78,9 anos. 85% dos indicadores de mortalidade tam- 4. Jornal de Leiria. Maio 2010

5 ENTREVISTA bém baixaram, com destaque para a mortalidade infantil, que caiu de 7,5 para 3,3 entre 1960 e 2008 (Portugal ocupa o 4º lugar e regista a melhor evolução dos países da União Europeia). No entanto, há outros indicadores onde a evolução não foi tão boa e que dependem da evolução social. Verifica-se uma tendência para a maternidade tardia, com os nascimentos em mulheres com mais de 35 anos a crescer de 13,2% para 19,3%, de 2001 para 2008, que está na origem de mais nascimentos pré-termo e baixo peso à nascença. Outra área que nos preocupa é a Saúde Mental, designadamente o suicídio e consumo de ansiolíticos, hipnóticos, sedativos e antidepressivos. Em termos das actuais mudanças na Saúde (SNS), o que podem os portugueses esperar quando todas as medidas previstas estiverem no terreno? Nas últimas décadas, já foram alcançados importantes ganhos em saúde, nomeadamente, menos anos de vida potencialmente perdidos, mais esperança de vida e com menor incapacidade. Esta realidade foi destacada num relatório que a Organização Mundial de Saúde elaborou sobre o Plano Nacional de Saúde e que o Alto Comissariado da Saúde (ACS) divulgou no passado mês de Março. O ACS já está a preparar a elaboração do próximo Plano Nacional de Saúde , que terá como missão a obtenção de mais valor em saúde e que terá como eixos estratégicos a equidade e acesso, a qualidade em saúde, a promoção da cidadania e as políticas saudáveis (envolvendo outros ministérios e sectores). Os Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) constituem uma boa resposta às necessidades de cuidados a prestar à população? Um ano depois de empossados os directores executivos já se notam ganhos de saúde com esta reorganização? Um ano é um espaço de tempo muito curto para fazer essa avaliação. No processo de execução do actual Plano Nacional de Saúde , detectaramse falhas de mecanismos de articulação com o nível regional e local. No próximo plano, essa articulação vai ser prioritária e temos já gestores regionais a trabalhar connosco na sua elaboração. Acreditamos que essa articulação com as Administrações Regionais de Saúde, e também com os ACES, vai contribuir para a obtenção de mais ganhos em saúde para a população. E no que toca às Unidades de Saúde Familiar (USF), há casos de sucesso? Pode citar alguns? Há muitos casos de sucesso nas respostas que as USF dão à população, que podem ser medidos pelos resultados dos inquéritos de satisfação já efectuados. Dou alguns exemplos: consulta no dia, mecanismos de intersubstituição de médicos, a maior proximidade entre médico e doente, designadamente através de atendimento telefónico, a maior facilidade e maior equidade no acesso aos cuidados de saúde e um acesso mais adequado. As unidades de cuidados na comunidade, geridas por enfermeiros, são também uma resposta de proximidade de cuidados e outro exemplo de sucesso. Em Março, alertou para a necessidade de um regime de excepção para o sistema de reformas de médicos e enfermeiros. Continua a defender essa necessidade? Sim, é minha convicção. Estes profissionais vão mesmo sair ou há medidas tomadas que o possam evitar? A senhora ministra da Saúde é sensível e tem presente esta questão e procurará soluções aceitáveis. A saída de médicos e enfermeiros é mais problemática nos cuidados hospitalares ou nos cuidados primários? Actualmente, nos cuidados de saúde primários. Verifica-se uma tendência para a maternidade tardia, com os nascimentos em mulheres com mais de 35 anos a crescer de 13,2% para 19,3%, de 2001 para 2008, que está na origem de mais nascimentos pré-termo e baixo peso à nascença. Como resolver o problema dos doentes com cancro (ou outros) que começam tratamentos em hospitais privados e esgotam o plafond sem os terem concluído? Há uma instituição que possa regular esta matéria? A Entidade Reguladora da Saúde poderá desenvolver um estudo sobre esse assunto. Nunca é demais lembrar que o Plano Nacional de Saúde se dirige a todos os portugueses, quer utilizem o serviço nacional de saúde, quer recorram ao sector privado. O próximo Plano Nacional de Saúde terá quatro eixos estratégicos, dos quais salientamos, mais uma vez, a equidade de acesso. Procurar-se-á desenvolver estratégias para melhorar e facilitar o acesso de todos os cidadãos aos cuidados de que tenham necessidade. Defende que os médicos e enfermeiros do SNS devem trabalhar todos em exclusividade? No contexto actual, penso que ainda não é possível definir um regime de exclusividade, pois poderá conduzir à saída de profissionais do Serviço Nacional de Saúde. Maio Jornal de Leiria. 5

6 RESPOSTAS NA SAÚDE REFORMA CAMINHA DEVAGAR E SEM CONSENSOS As Unidades de Saúde Familiar (USF) não chegaram a atingir as metas apontadas. Encontram-se 242 a funcionar no país, quando o número previsto até 2009 era de 250. Apenas em alguns dos Agrupamentos dos Centros de Saúde (ACES) se encontram estruturadas as unidades de cuidados personalizados. RICARDO GRAÇA João Pimentel, presidente da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC), está optimista com a nova reforma da Saúde. No que respeita aos serviços integrados na área geográfica que administra, diz que as mudanças já são "perceptíveis" para "uma larga maioria de utentes". Uma opinião que não é partilhada por algumas vozes que falam a nível nacional sobre matérias idênticas. O que se regista é que a actual reforma da Saúde está longe de ser pacífica, quer entre as populações às quais se destina, quer no seio das próprias instituições e dos profissionais, médicos, enfermeiros e administrativos. Após as alterações, a nível hospitalar, realizadas nos últimos anos, com a empresarialização dos hospitais, a nova reforma centra-se, fundamentalmente, nos Cuidados de Saúde Primários - reconfiguração dos Centros de Saúde e criação das Unidades de Saúde Familiar -, nos Cuidados Continuados e na "sustentabilidade do sistema". A polémica que este assunto tem levantado não será um caso excepcional. As mudanças a nível hospitalar produziram efeitos semelhantes, embora com menor visibilidade, talvez por serem serviços menos próximos dos cidadãos. Este debate situou-se fundamentalmente entre os técnicos, as administrações e os serviços do Ministério. A face mais visível acabou por ser a contestação ao encerramento de algumas maternidades que se encadeou com o fim da maior parte dos antigos Serviços de Atendimento Permanente (SAP), que foram transformados noutro tipo de atendimento aos utentes, a 6. Jornal de Leiria. Maio 2010

7 RESPOSTAS NA SAÚDE "consulta aberta", com um horário mais reduzido. A contestação social e política a estas medidas foi de tal ordem que chegou às manifestações de rua, às quais se associaram alguns autarcas. Resultado "razoável" O anterior ministro, Correia de Campos, saiu no momento em que vários sectores indicavam como "pouco ponderada" a forma como foi conduzida a reforma, sobretudo, alguma precipitação na sua execução. É neste contexto que surgem as USF, um projecto que o ex-ministro abraçou, deixando algumas a funcionar. No passado mês de Março, o coordenador da Unidade de Missão para os Cuidados de Saúde Primários, Luís Pisco, admitiu que se fracassou no objectivo de chegar às 250 unidades (USF)". Considerou, todavia, que o resultado alcançado acabou por ser "razoável". Menos positivo foi, também, o número de novas Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC) face ao elevado número de candidaturas e a implementação dos Agrupamentos de Centros de Saúde", considera. E especifica que não conseguiram "fixar de forma clara o trabalho que deveria ser desenvolvido pelos ACES". A responsabilidade por este atraso poderia colocar-se, ainda, segundo o médico, no facto de "os directores executivos - e depois destes, os conselhos clínicos - terem andado este ano numa roda-viva de formações, o que lhes reduziu muito a disponibilidade". No que respeita às USF, na passada semana, encontravam- -se 242 em actividade, entre 412 candidaturas, um processo que teve início em Ainda menos optimista sobre os ACES PUB Maio Jornal de Leiria. 7

8 RESPOSTAS NA SAÚDE UNIDADES DE SAÚDE FAMILIAR DISTRITO DE LEIRIA D. Dinis LEIRIA Profissionais: 14 Utentes: 9088 Santiago MARRAZES Profissionais: 13 Utentes: 7256 está o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), Pedro Lopes. Considera que o arranque destas estruturas não se processou "da melhor forma". Afinal vieram substituir as sub-regiões de Saúde, mas, em seu entender "são extremamente burocratizadas; não têm aquela lufada de ar fresco que se esperava". Pensa que "é necessário dar-lhes autonomia, sob pena de se perder aqui qualquer coisa". Opinião diferente expressa João Pimentel, para quem os ACES "gozam de autonomia administrativa". Ambos, falam, certamente, de níveis diferentes de autonomia. Falta de médicos é preocupante Por sua vez, a Alta Comissária para a Saúde, Maria do Céu Machado, reconhece que na aplicação do Plano Nacional de Saúde (PNS) se detectaram "falhas nos mecanismos de articulação com o nível regional e local". Refere, todavia, que esse trabalho conjunto "é prioritário", adiantando que, para resolver esse problema, já existem gestores regionais. Acredita, por isso, na complementaridade entre as Administrações Regionais de Saúde, os ACES e os serviços centrais. Esta "vai contribuir para a obtenção de mais ganhos em saúde para a população". Para João Pimentel, na região centro, os ganhos "já são visíveis, a nível das USF". No que toca à articulação entre os cuidados primários e os hospitalares, além da resposta em termos nacionais ao PNS, as Unidades Locais de Saúde constituem, na óptica de Pedro Lopes, uma "excelente resposta" para solucionar uma velha pecha de relacionamento que os coloca sempre de "costas viradas". E dá, como exemplo, a unidade que existe em Matosinhos, criada no âmbito da actual reforma, como sendo o caminho a seguir. Hospitais pioram resultados Relativamente aos hospitais, o desempenho económico e financeiro dos últimos dois anos foi pior que o dos anos anteriores. Para Pedro Lopes, esta situação "é bastante preocupante". Tal como a carência de profissionais médicos. A mesma apreensão é partilhada pela Alta Comissária da Saúde. As aposentações, além de criarem problemas devido à escassez de profissionais, levantam questões de outra ordem, com o esvaziamento dos serviços de técnicos experientes, sem que outros estejam suficientemente qualificados para os substituir. RICARDO GRAÇA Mar de Saúde NAZARÉ Profissionais: 14 Utentes: 8750 NAZARETH NAZARÉ Profissionais: 16 Utentes: 8989 Pedro e Inês ALCOBAÇA Profissionais: 29 Utentes: Pinhal do Rei PATAIAS, ALCOBAÇA Profissionais: 15 Utentes: 8537 Rafael Bordalo Pinheiro CALDAS DA RAINHA Profissionais: 22 Utentes: Rainha D. Leonor CALDAS DA RAINHA Profissionais: 25 Utentes: Santa Maria Benedita ALCOBAÇA Profissionais: 15 Utentes: 9500 Tornada CALDAS DA RAINHA Profissionais: 11 Utentes: 7000 Total nacional: 242 Cobertura: (Utentes) Médicos: Enfermeiros: Adminstrativos: Jornal de Leiria. Maio 2010

9 HOSPITAL DE LEIRIA ESTÁ ENTRE OS MELHORES RESPOSTAS NA SAÚDE EM 2009, FORAM ATENDIDOS UTENTES O Hospital de Santo André, em Leiria, observou, em 2007, doentes, apenas menos 2213 que os Hospitais da Universidade de Coimbra, que é uma unidade central. Aliás, no conjunto dos 23 hospitais da região centro, Leiria foi o segundo a registar o maior número de doentes observados. Estes dados, que constam do relatório "Centros de Saúde e Hospitais - Recursos e Produção do Serviço Nacional de Saúde (SNS)", disponibilizado este ano no sítio da Direcção-Geral de Saúde (DGS), revelam, ainda, que nos cinco hospitais do distrito (Alcobaça, Caldas da Rainha, Leiria, Peniche e Pombal), foram observados doentes. De acordo com dados do próprio hospital de Leiria, só em consultas externas, em 2009, registou-se um aumento de 9,6 por cento, números que vão ao encontro das metas fixadas no Plano de Desempenho daquela unidade hospitalar. De acordo com os dados divulgados, em 2008 foram realizadas consultas e, em 2009, atendidos utentes.nas primeiras consultas, houve um aumento de 1,9%. Quanto às sessões de hospital de dia, foi igualmente registado um aumento de 8,6%, tendo sido realizadas cirurgias, mais 1.288, ou seja, mais 9,9% que em Na cirurgia de ambulatório, o crescimento foi de 18,5%. O acesso às urgências diminuiu 3,6%, e o mesmo aconteceu com os doentes saídos, em relação aos quais houve um pequeno decréscimo de 0,7%. Nesse sentido, a unidade hospitalar de Leiria afirma que "a actividade assistencial realizada, total e do Serviço Nacional de Saúde, relativa a 2009, encontra-se, na maioria das linhas de produção, em zona de cumprimento ou de superação das metas fixadas no Plano de Desempenho" do ano passado. Número de camas e de médicos Em Portugal, nas 67 unidades existentes, para um total de camas, existiam médicos e enfermeiros. Nos hospitais da região centro, trabalhavam 3326 médicos, dos quais 199 pertencem aos quadros do Hospital de Santo André, em Leiria, 90 ao Centro Hospitalar de Caldas da Rainha, 33 ao Hospital Distrital de Pombal, 16 ao Hospital Pedro Gonçalves Telmo, de Peniche, e 12 ao Hospital Bernardino L. Oliveira, de Alcobaça. No âmbito das especialidades por unidade, o Hospital de Santo André prati- RICARDO GRAÇA Maio Jornal de Leiria. 9

10 RESPOSTAS NA SAÚDE PUB cou, em 2007, meio milhar de consultas, divididas entre a cirurgia e a médica. Acima do hospital de Leiria, na região centro, surgem apenas os Hospitais da Universidade de Coimbra (1456), o Hospital de S. Teotónio, em Viseu (622), o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra (577) e o Centro Hospitalar de Coimbra (535). IVG pratica-se apenas em oito hospitais da região centro O número de partos por unidade hospitalar é outra das realidades bem retratadas no relatório da Direcção-Geral de Saúde, indicando a existência, então, de 172 salas de parto no País, das quais 44 na região centro. A nível nacional, registaram-se partos, dos quais foram praticados no Hospital de Santo André. No distrito, registaram-se partos, sendo que, além de Leiria, apenas no Centro Hospitar de Caldas da Rainha ocorreram nascimentos de crianças, com Alcobaça, Pombal e Peniche não têm registos de partos. Já no que toca a interrupções voluntárias da gravidez (IVG), apenas em oito hospitais da região centro se registaram ocorrências, com o Centro Hospitalar de Coimbra a colher o maior número (493). O hospital de Viseu surge em segundo lugar, com 449 IVG, e o hospital de Leiria em terceiro, com 360 casos de IVG. Faltam especialidades nos centros de saúde Em Portugal, trabalhavam, em 2007, cerca de sete mil médicos nos 346 centros de saúde existentes, menos 63 que em Com enfermeiros nos serviços, foram disponibilizadas à volta de 29 milhões de consultas. Os dados referem ainda, no que respeita ao distrito de Leiria, onde existem 109 centros de saúde, que foram realizadas cerca de 1.4 milhões de consultas, por 323 médicos. Afectos a estes serviços, existem 293 enfermeiros. No que se relaciona com as especialidades, no mesmo ano, em todo o país, existiam apenas 14 ginecologistas-obstetras, oito estomatologistas, sete dentistas e o mesmo número de otorrinolaringologistas e psiquiatras. A redução do número de médicos de 2006 para 2007, reflectiu-se nas especialidades disponíveis nos centros de saúde. Em 2006 havia 20 dentistas, número que baixou para sete no ano a seguir. O mesmo aconteceu com os ginecologistas-obstetras, que eram 20, em 2006, e passaram a 14, em A pediatria foi outra especialidade que registou uma diminuição, tendo num ano baixado de 56 para 43, adianta o relatório da DGS, que indica ainda a existência de apenas 22 oftalmologistas e 21 pneumologistas nos centros de saúde do país. HOSPITAL DE LEIRIA NO GRUPO DOS QUE PAGAM MELHOR Em 2009, o Hospital de Santo André (HSA) demorou, em média, 38 dias a pagar aos fornecedores, colocando-o no grupo das unidades hospitalares que pagam melhor. De acordo com os últimos dados disponibilizados pela Administração Central de Sistemas de Saúde(ACSS), referentes ao segundo trimestre de 2009, a maioria dos hospitais tinha prazos médios de pagamento superiores a 90 dias. Nesse grupo, figurava o Centro Hospitalar do Oeste Norte, que agrega os hospitais de Alcobaça, Peniche e Caldas da Rainha. Segundo a ACSS, a unidade de Pombal pagava em menos de 90 dias. O Conselho de Administração (CA) do HSA considera que os dados são um motivo de grande satisfação, porque significam que a unidade conseguiu ultrapassar as metas atribuídas ao abrigo da Resolução do Conselho de Ministros, que define prazos médios de pagamento para as entidades públicas, sendo que o objectivo fixado para hospital de Leiria era de 40 a 45 dias. Por outro lado, o facto do Santo André estar entre os melhores pagadores traz-lhe óbvias vantagens em termos comerciais e financeiros, permitindo-lhe excelentes condições de compra, dado que os fornecedores não precisam de incluir juros nos preços 'disfarçados' de acréscimos de custos, frisa a administração. O CA, presidido por Hélder Roque, realça ainda o facto da situação fazer com que o hospital consiga conter e controlar os custos, nomeadamente com a aquisição de produtos farmacêuticos e de material clínico, que representam uma despesa na ordem dos 13.7 milhões de euros, ou seja, cerca de 95% do total dos consumos. Este controlo traduz-se, segundo o CA, no facto de, em 2009, apesar de ter havido um aumento na actividade assistencial - com taxas de crescimento de 8.6% no hospital de dia, de 9.6% nas consultas externas e 9.9% nas cirurgias -, o consumo de medicamentos apenas ter registado uma subida de 2.56 face ao ano anterior. 10. Jornal de Leiria. Maio 2010

11 A REFORMA ESTÁ EM CURSO NOS CENTROS DE SAÚDE OPINIÃO MAIOR ACESSIBILIDADE, MAIS PROXIMIDADE E HUMANIZAÇÃO JOÃO PEDRO PIMENTEL Presidente do Conselho Directivo da ARSC No âmbito da reforma dos Cuidados de Saúde Primários, a criação dos Agrupamentos de Centro de Saúde (ACES), em Abril de 2009, veio mudar a forma de organização e funcionamento dos centros de saúde, virando-os mais para a comunidade. Os ACES gozam de autonomia administrativa e são constituídos por várias unidades funcionais, que agrupam um ou mais centros de saúde, tendo por missão garantir a prestação de cuidados de saúde primários à população de determinada área geográfica. A sua criação representa a valorização das necessidades dos utentes e um passo extraordinário, quer pela sua dimensão humana, quer pelo seu espírito modernizador, na prestação de cuidados de DR saúde de proximidade e, por conseguinte, mais humanizados. Entre os 16 ACES da região Centro, e tendo em atenção a área de jurisdição da ARSC, I.P. no que respeita a Leiria, foram criados os ACES Pinhal Interior Norte II, que integra os concelhos de Alvaiázere, Ansião, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, Pedrógão Grande, e também Penela, no distrito de Coimbra, e os ACES Pinhal Litoral I, constituído apenas pelo concelho de Pombal, e o Pinhal Litoral II, que congrega Batalha, Leiria, Marinha Grande e Porto de Mós. Um ano de trabalho Levamos já um ano de trabalho árduo, desenvolvido com profissionalismo, rigor e sensibilidade, porventura pouco visível, contudo já perceptível para uma larga maioria dos utentes. Continuamos empenhados neste trabalho imparável que move largas centenas de profissionais: médicos, enfermeiros, administrativos. O envolvimento de todos, o seu continuado esforço, numa altura em que recursos humanos são reduzidos, tem sido imprescindível e sinónimo de máxima responsabilidade. Nesta altura, são já bem visíveis os ganhos obtidos com uma maior personalização destes cuidados, a nível da criação das Unidades de Saúde Familiar (USF) no distrito de Leiria estão em funcionamento 10 USF das Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) e das Unidades de Cuidados na Comunidade. Outras unidades serão, entretanto, criadas, de acordo com as necessidades específicas das populações de cada ACES. Distrito de Leiria exemplo cuidados continuados Estamos, ainda, num processo de reforma, um processo que, se por um lado e como acabei de destacar, tem vindo a modificar o funcionamento dos centros de saúde, tem também feito sentir-se de uma forma importantíssima no apoio a cidadãos dependentes e suas famílias com a criação da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados. E este distrito é já um exemplo consistente, com unidades a funcionar em Leiria, Nazaré, Caldas da Rainha, Bombarral, Figueiró dos Vinhos e Batalha. É difícil resumir no espaço editorial que me foi concedido o que tem vindo a ser feito na região Centro, e no distrito de Leiria em particular, na área da Saúde: a região é grande, com as suas especificidades. No entanto, gostaria de deixar uma mensagem clara aos leitores do Jornal de Leiria: estamos a fazer o melhor possível para o utente. O utente é a razão de ser do nosso trabalho diário. Porque é ele, cidadão português, a inquestionável matriz do nosso SNS. O envolvimento de todos, o seu continuado esforço, numa altura em que recursos humanos são reduzidos, tem sido imprescindível e sinónimo de máxima responsabilidade. Maio Jornal de Leiria. 11

12 PREVENÇÃO DA DOENÇA AS DOENÇAS QUE MAIS PREOCUPAM SEDENTARISMO E STRESS DEIXAM SAÚDE EM RISCO As exigências da actual sociedade fazem com que, muitas vezes, os bons hábitos relacionados com a saúde sejam deixados para segundo plano. O organismo ressente-se. As doenças cardiovasculares são as mais visíveis consequências deste problema. E são, também, as que mais mortes provocam no nosso país As doenças cardiovasculares são uma das principais causas de morte no nosso país. Anualmente, mais de 40% dos óbitos por doença ficam a dever-se a problemas causados por este tipo de patologias. O stress e o sedentarismo que caracterizam a sociedade actual são apontadas como as principais razões na origem destas doenças, que afectam o aparelho cardiovascular, designadamente o coração e os vasos sanguíneos. O esforço da comunidade médica tem sido na tentativa de alterar os hábitos, tornando-os mais saudáveis. Não há dúvida de que a maior parte das doenças cardiovasculares resulta de um estilo de vida inapropriado e de factores de risco modificáveis. Os hábitos de vida adoptados por grande parte da população, como o sedentarismo, a falta de actividade física diária, uma alimentação desequilibrada ou o tabagismo constituem, hoje, factores de risco a evitar. Tabaco é um risco O tabagismo é considerado o factor de risco mais importante na União Europeia, estando relacionado com cerca de 50 por cento das causas de morte evitáveis. O tabagismo favorece o aparecimento da Angina de Peito, do Enfarte do Miocárdio e da Doença Arterial Periférica e pode levar à morte. O risco de Acidente Vascular Cerebral também aumenta nos fumadores de modo proporcional ao número de cigarros fumados por dia. A cessação do hábito tabágico constitui a medida preventiva mais importante para as doenças cardiovasculares. A inactividade física é hoje reconhecida como um outro importante factor de risco para as doenças cardiovasculares. A falta de prática regular de exercício físico moderado potencia outros factores de risco susceptíveis de provocarem doenças cardiovasculares, tais como a hipertensão arterial, a obesidade, a diabetes ou a hipercolesterolemia. Está, hoje, provado também que a alimentação constitui um factor na protecção da saúde e, quando desequilibrada, pode contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. O colesterol é outra das causas. Apesar de indispensável ao organismo pela sua função junto de quaisquer células orgânicas que necessitem de regenerar-se, substituir-se ou desenvolverse, quando em valores elevados é prejudicial à saúde. O mesmo acontece com a tensão arterial que, quando atinge valores elevados está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, particularmente o acidente vascular cerebral. A juntar a tudo isto há ainda o stress, inevitável enquanto vivemos, sendo uma consequência do ritmo de vida actual. É difícil definir com exactidão o stress porque os factores diferem de pessoa para pessoa. No entanto, a sensação de descontrolo é sempre prejudicial e pode ser um sinal para abrandar o ritmo de vida. O tabagismo é considerado o factor de risco mais importante na União Europeia, estando relacionado com cerca de 50 por cento das causas de morte evitáveis A adopção de um estilo de vida mais saudável, evitando o tabaco, praticando exercício e fazendo check-ups regulares ao organismo são, segundo os especialistas, as armas de combate a estas patologias. Mas a sua execução não se afigura fácil. Os hábitos já se enraizaram na forma de vida actual. RICARDO GRAÇA 12. Jornal de Leiria. Maio 2010

13 A PRINCIPAL CAUSA DE MORTE EM PORTUGAL PREVENÇÃO DA DOENÇA NOS PRÓXIMOS 10 ANOS PODEM MORRER 81 PESSOAS POR DIA DE AVC Os Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) são a principal causa de morte em Portugal e na Europa. Há vários estudos que apontam para a ocorrência de 81 AVC por dia em Portugal nos próximos dez anos, estimando-se que dois portugueses morram, por hora, de Acidente Vascular Cerebral. Actualmente são responsáveis por 200 mortes anuais em cada 100 mil habitantes. Catástrofe evitável. É assim que o estudo levado a cabo pela Fundação Portuguesa de Cardiologia Portuguesa (FPC) e pelo Instituto Português de Reumatologia (IPR) classifica este fenómeno, que causa a morte a cerca de 575 mil pessoas, por ano, na Europa, e mais de 20 mil em Portugal. Um problema que é, igualmente, a principal causa mundial de incapacidade, pelo que, segundo vem afirmando, ao longo dos tempos, Castro Lopes, presidente da Sociedade Portuguesa do AVC, Portugal justifica um empenhamento especial neste domínio, salientando que esta doença é prevenível e tratável. A prevenção passa, assim, pela correcção de factores de risco e o tratamento consiste no reconhecimento dos sintomas. O referido estudo, que contou com o apoio da Merck Sharp & Dohme (MSD), realizado a cerca de 9000 pessoas com 54 ou mais anos, permitiu concluir que 7,9 por cento dos avaliados eram fumadores, 10,7 por cento acusaram diabetes e 18,7 por cento tinham já antecedentes de AVC. Do total dos inquiridos, 96 por cento tinham valores de pressão arterial acima do desejável. A hipertensão é, aliás, responsável por dois terços de AVC, sendo aconselhável pelos especialistas na área um maior esforço no sentido de corrigir estes valores na população portuguesa, para que no futuro a incidência do AVC venha a diminuir em Portugal. Este estudo pioneiro, realizado em RICARDO GRAÇA 2005, percorreu o País, avaliando os riscos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e de Osteoporose. Foram visitadas 63 localidades de Norte a Sul do País, e foram avaliados homens e mulheres. Principais factores de risco A idade e a história familiar encontram- -se entre as condições que aumentam o risco de uma pessoa vir a desenvolver doenças no aparelho cardiovascular. Existe, contudo, um outro conjunto de factores de risco individuais ligados ao estilo e ao modo de vida actual. Tabaco O tabagismo é considerado o factor de risco mais importante na União Europeia, estando relacionado a cerca de 50 por cento das causas de morte evitáveis, metade das quais devido à Aterosclerose. A cessação do hábito tabágico é isoladamente a medida preventiva mais importante para as doenças cardiovasculares. Sedentarismo A inactividade física é hoje reconhecida como um importante factor de risco para as doenças cardiovasculares. Embora não se compare a factores de risco como o tabagismo ou a hipertensão arterial, é importante na medida em que atinge uma percentagem muito elevada da população, incluindo adolescentes e jovens adultos. A falta de prática regular de exercício físico moderado potencia outros factores de risco susceptíveis de provocarem doenças cardiovasculares, tais como a hipertensão arterial, a obesidade, a diabetes ou a hipercolesterolemia. Obesidade Os riscos de um acidente vascular cerebral ou do desenvolvimento de uma outra doença cardiovascular aumentam com o excesso de peso, mesmo na ausência de outros factores de risco. É particularmente perigosa uma forma de obesidade designada obesidade abdominal que se caracteriza por um Maio Jornal de Leiria. 13

14 PREVENÇÃO DA DOENÇA excesso de gordura principal ou exclusivamente na região do abdómen. Maus hábitos alimentares A alimentação constitui um factor na protecção da saúde e, quando desequilibrada, pode contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, entre outras. Por isso, o excesso de sal, de gorduras, de álcool e de açúcares de absorção rápida na alimentação, por um lado, e a ausência de legumes, vegetais e frutos frescos, por outro, são dois factores de risco associados às doenças cardiovasculares. Para ser saudável, a alimentação deve ser variada e polifraccionada (muitas refeições ao longo do dia). A hipertensão é responsável por dois terços de AVC, sendo aconselhável pelos especialistas na área um maior esforço no sentido de corrigir estes valores na população portuguesa Hipercolesterolemia Manifesta-se quando os valores do colesterol no sangue são superiores aos níveis máximos recomendados em função do risco cardiovascular individual. O colesterol é indispensável ao organismo, quaisquer que sejam as células orgânicas que necessitem de regenerar-se, substituir-se ou desenvolver-se. No entanto, valores elevados são prejudiciais à saúde. Hipertensão Arterial Situações em que se verificam valores de pressão arterial aumentados. A hipertensão arterial está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, particularmente o acidente vascular cerebral. Stress excessivo O stress é inevitável enquanto vivemos, sendo uma consequência do ritmo de vida actual. É difícil definir com exactidão o stress porque os factores diferem de pessoa para pessoa. No entanto, a sensação de descontrolo é sempre prejudicial e pode ser um sinal para abrandar o ritmo de vida. PUB 14. Jornal de Leiria. Maio 2010

15 ARRITMIAS CARDÍACAS PODEM PROVOCAR MORTE SÚBITA PUB OPINIÃO DR JOÃO PRIMO Cardiologista e Electrofisiologista. Presidente da Associação Portuguesa de Arritmologia, Pacing e Electrofisiologia (APAPE) A Morte Súbita é, por definição, aquela que ocorre inesperada e subitamente em indivíduos, ou completamente saudáveis, ou cuja doença cardíaca não faria esperar tal desfecho. A morte ocorre durante a primeira hora, entre o início dos sintomas até ser constatado o óbito. Só é considerada morte súbita se não forem encontrados sinais de violência ou trauma. Nos jovens e adultos, sedentários ou atletas, a grande maioria dos casos de morte súbita acontece por doenças do coração. Sejam elas conhecidas ou não pelos portadores ou pessoas de suas relações, podem ser provocadas por anomalias congénitas, doenças geneticamente transmitidas que provocam ou não alterações anatómicas, inflamação cardíaca, doença coronária, tóxicas ou mesmo por excesso do stress ou de actividade física. Quarenta e três por cento das vítimas de morte súbita autopsiadas tinham doença arteriosclerótica das artérias coronárias, mas noutros trinta por cento não foi encontrada nenhuma anomalia estrutural. A morte súbita, na grande maioria dos casos, é provocada por arritmias cardíacas e nestas, em oitenta e oito por cento dos casos, são taquiarritmias, ou seja, arritmias ventriculares rápidas e desorganizadas. Estas arritmias levam a uma diminuição súbita do débito cardíaco, faltando sangue no cérebro, o órgão mais sensível, à falta de oxigénio e que em poucos segundos faz com que a pessoa perca a consciência. Nestas circunstancias, a vítima deve ser assistida nos primeiros dez minutos. Contudo, por cada minuto que passa, as hipóteses de sobrevivência e inexistência de danos cerebrais diminui. A vítima deve ser imediatamente assistida: telefonar ao 112, um murro no peito e efectuar manobras de reanimação, que qualquer pessoa devia estar apta para efectuar. As taquiarritmias ventriculares, causa primordial da morte súbita, tratam-se, contudo, com a aplicação de um electrochoque, que permite a reversão imediata do ritmo anormal a ritmo normal e restauração da circulação sanguínea da vítima. É por este motivo que a disseminação de aparelhos de desfibrilhação externa automática em locais muito frequentados é tão importante. Maio Jornal de Leiria. 15

16 PREVENÇÃO DA DOENÇA A DIFÍCIL LUTA CONTRA O CANCRO Doenças oncológicas são a segunda causa de morte no nosso país. A prevenção tem sido a principal aposta das entidades de saúde RICARDO GRAÇA As doenças oncológicas constituem, actualmente, a segunda principal causa de morte em Portugal, o que levou a que o combate ao cancro fosse considerado uma das prioridades do Plano Nacional de Saúde (PNS). A estratégia passou pela criação do Plano Nacional de Prevenção e Controlo das Doenças Oncológicas que tem como grande objectivo conseguir, até final deste ano, reduzir a morbilidade e a mortalidade por cancro, melhorar a qualidade de vida e a satisfação dos doentes com os cuidados de saúde prestados. A nível mundial, é igualmente grande a apreensão que esta doença gera. No ano 2000, cerca de um milhão de óbitos ficou a dever-se ao cancro e estima-se, com base em projecções populacionais e na tendência prevista para as taxas de mortalidade específicas por idade, que até 2015 este número aumente cerca de 11%, o que corresponde a óbitos. Diagnóstico precoce Em Portugal, o número de óbitos por cancro registou um aumento de 15,8% entre os triénios de e , tendo sido registados óbitos em Para alterar a realidade nacional, intensificaram-se as campanhas de sensibilização, tendo como principal objectivo alertar para a necessidade de promover estilos de vida saudável, através do combate ao tabagismo e da prevenção da obesidade. Têm sido desenvolvidas estratégias para promover o diagnóstico precoce e o acesso, em tempo útil, ao diagnóstico e à terapêutica e, ao mesmo tempo, tem-se procurado melhorar a acessibilidade e a equidade na prestação de cuidados. Enquanto avançam os mecanismos de prevenção, procura-se, em simultâneo, conseguir encontrar formas de combate efectivo à doença, incentivando a investigação científica na perspectiva do seu contributo para a melhoria da qualidade assistencial. Rastreios Nos últimos anos, tem sido notório o esforço das entidades de saúde no sentido de programar e implementar, em todo o país, programas de rastreio organizados, para os cancros do colo do útero, da mama e do cólon e recto. As recomendações, a nível do rastreio, apontam para que, no caso do cancro do colo do útero, seja realizada a citologia cervico-vaginal nas mulheres com idade entre os 25 e os 60 anos, enquanto no cancro da mama seja feita a mamografia a cada dois anos nas mulheres dos 50 aos 69 anos, e, no caso do cancro colo-rectal, que se faça a pesquisa de sangue oculto nas fezes em homens e mulheres dos 50 aos 74 anos. 16. Jornal de Leiria. Maio 2010

17 CANCRO DO COLO DO ÚTERO É DOS QUE MAIS ATINGE AS MULHERES PREVENÇÃO DA DOENÇA As jovens devem vacinar-se contra o Papiloma Virus Humano. Este é sexualmente transmissível e 75 por cento das mulheres teve, ou tem, contacto com ele ao longo da vida. O cancro do colo do útero é o segundo na lista dos carcinomas que afectam as mulheres. Aparece com maior frequência nas idades entre os 35 e os 55 anos. São detectados casos por ano. A doença mata pessoas, igualmente por ano. Os dados assustadores fazem parte de diversos estudos elaborados por técnicos credenciados neste género de investigação em saúde. Foram apresentados pela especialista nestas doenças, Isabel Riscado, que entre outros, esteve no Hospital de Santo André, em Março passado, no II Simpósio organizado pelo laboratório Microdiag, sedeado em Leiria. Apesar da gravidade, é, todavia, uma "doença prevenível", reforça a médica. Talvez por ser possível prevenir a doença, as taxas de mortalidade têm vindo a descer e, ao mesmo tempo, aumentado o número de carcinomas in sito, de acordo com a casuística estudada nos Estados Unidos. Nesta fase de evolução, os médicos podem intervir e debelar a doença. Daí, os apelos de muitos deles para que as mulheres façam o rastreio conforme as orientações clínicas. Só na União Europeia (UE), mais de 33 mil mulheres desenvolvem cancro do colo do útero anualmente, e registam-se 15 mil mortes por ano. Os países nórdicos da UE, que têm estudado a doença, apresentam taxas de incidência muito elevadas. "Isto devese à organização dos rastreios", explica Isabel Riscado. No que toca a Portugal, as diferenças entre o País e a Europa Ocidental são de 13,5 por cento para 10 por cento na Europa. A doença surge, fundamentalmente, associada a algum dos tipos do Papiloma Virus Humano. É a doença se- PUB Maio Jornal de Leiria. 17

18 DR PREVENÇÃO DA DOENÇA xualmente transmissível mais frequente, correspondente a 99,7 por cento dos casos. Por isso, entre 60 a 70 por cento das mulheres serão afectadas ao longo da sua vida. Se forem infectadas com um tipo de HPV de alto risco este gera cancro. No entanto, nem todos os tipos de HPV são de alto risco e, no estado de desenvolvimento da medicina e dos meios tecnológicos auxiliares de diagnóstico e das terapêuticas, 80 por cento dos casos detectados em fase de infecção esta pode ser curada. Dez a 20 por cento das infecções evoluem e tornam-se persistentes. Um por cento gera carcinoma. FACTORES DE RISCO: Infecções por HPV, Papiloma Virus Humano. Tabaco (discutível, segundo a professora Isabel Riscado). Inicio precoce da actividade sexual. Mudança de parceiro frequente, porque aumenta o risco de contrair infecção por HPV. Ser mãe de mais de três filhos. Doenças de cariz imunitário. PREVENÇÃO: Vacinar-se contra o Papiloma Virus Humano. Comer legumes frescos, por exemplo, mas, sobretudo, manter uma alimentação equilibrada, como é aconselhada pelos nutricionistas e manter modelos de vida saudável. Rastreio com recurso a exame ginecológico e não deixar de fazer todos os exames complementares necessários ao despiste da infecção. Sobretudo, porque "é uma doença com poucos sintomas". PUB 18. Jornal de Leiria. Maio 2010

19 MAIORIA DAS DOENÇAS DO SANGUE É HEREDITÁRIA OPINIÃO As doenças têm, hoje em dia, tratamentos eficazes e muitas delas podem ser curadas pela intervenção separada ou conjunta de diversas terapias. DR. RICARDO COSTA Hematologista Individualizada do corpo da Medicina Interna na segunda metade do século XX, a Hematologia só nasceu como especialidade em Portugal no final da década de 70. Em Leiria existiu no Hospital de Santo André entre 1992 e 2002, havendo actualmente consultas particulares de Hematologia apenas nas clínicas Especial Médicos e Polidiagnóstico. O âmbito de actuação e estudo da Hematologia pode dividir-se, para facilidade de compreensão, em doenças dos eritrocitos ou glóbulos vermelhos, doenças dos leucocitos ou glóbulos brancos, doenças das plaquetas e doenças da coagulação. As doenças dos glóbulos vermelhos manifestam-se principalmente por anemia, definida como um valor de hemoglobina inferior ao normal para a idade e o sexo. De entre todas as anemias a mais frequente é a sideropenia ou anemia por falta de ferro, muito comum em adolescentes em crescimento activo, mulheres jovens com DR menstruações abundantes e idosos que perdem sangue pelo tubo digestivo por várias possíveis razões. De entre inúmeras outras causas de anemia, saliento as hereditárias como a talassemia e a esferocitose que são muitas vezes apenas diagnosticadas durante estudos a familiares de um indivíduo afectado. As doenças dos glóbulos brancos são as que mais impressionam cada um de nós e, se bem que o aumento ou a diminuição do número destas células no hemograma possa ter numerosas causas benignas, é obrigatório excluir uma das causas malignas mais frequentes, nomeadamente as leucemias agudas ou crónicas, os linfomas que podem ter vários tipos e vários graus, e o mieloma múltiplo. Estas doenças têm hoje em dia tratamentos eficazes e muitas delas podem ser curadas pela intervenção separada ou conjunta de quimioterapia citostática, radioterapia, transplante de medula óssea ou de células progenitoras. As doenças das plaquetas são mais raras, se bem que a diminuição do seu número, acompanhada ou não das características hemorragias do nariz e das gengivas e por nódoas negras de aparecimento fácil, seja uma das causas mais frequentes de consulta hematológica. No espectro oposto, o do aumento do número destas células que promovem a formação do coágulo, é comum, especialmente em mulheres relativamente jovens, que este aumento seja devido a uma das doenças neoplásicas mais frequentes e mais benignas, a trombocitemia essencial. As doenças da coagulação, que partilham parte da sintomatologia com as das plaquetas e de que o paradigma é a hemofilia, são cada vez mais frequentemente diagnosticadas porque tem melhorado muito a nossa compreensão dos fenómenos que as constituem bem como os testes de que vamos dispondo para as diagnosticar. Como a maior parte destas doenças é hereditária, o seu melhor diagnóstico contribui para a realização de aconselhamento genético apropriado e eficaz. No entanto, esta estratificação das doenças hematológicas nem sempre é tão clara como descrito acima e, para complicar ou, pelo contrário, indicar em muitos casos o diagnóstico, quase todas as doenças de quase todos os órgãos ou sistemas têm reflexos nos valores do hemograma, motivo da definição um pouco abusiva mas muito abrangente da Hematologia dada por um dos meus professores como a ciência que estuda o sangue e todos os órgãos por ele irrigados De entre as anemias, a mais frequente é a sideropenia ou anemia por falta de ferro, muito comum em adolescentes em crescimento activo, mulheres jovens com menstruações abundantes e idosos Maio Jornal de Leiria. 19

20 RICARDO GRAÇA PREVENÇÃO DA DOENÇA HÁBITOS SAUDÁVEIS CONTRA A OBESIDADE A obesidade é uma doença. Atinge adultos e crianças e constitui, actualmente, um importante factor de risco para o aparecimento, desenvolvimento e agravamento de outras doenças. A quantidade de pessoas afectadas, a nível mundial, pela obesidade é de tal forma que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considerou esta doença como a epidemia global do século XXI. Trata-se de uma doença crónica em que o excesso de gordura corporal acumulada pode atingir graus capazes de afectar a saúde. Tem enorme prevalência nos países desenvolvidos, atinge homens e mulheres, mas também crianças e jovens, reduz a qualidade de vida e tem elevadas taxas de mortalidade. A obesidade pode dividir-se em dois tipos: a andróide (abdominal ou visceral), típica do homem obeso - quando o tecido adiposo se acumula na metade superior do corpo, sobretudo no abdómen; e a do tipo ginóide, típica da mulher obesa e que acontece quando a gordura se distribui, principalmente, na metade inferior do corpo, particularmente na região glútea e coxas. Os factores que determinam o aparecimento da obesidade são complexos e podem ter origem genética, metabólica, ambiental e comportamental. Uma dieta hiperenergética, com excesso de gorduras, de hidratos de carbono e de álcool, aliada a uma vida sedentária, leva à acumulação de excesso de massa gorda. Doenças A obesidade está na origem de várias complicações a nível da saúde, como hipertensão arterial, arteriosclerose, insuficiência cardíaca congestiva e até angina de peito. Pode ainda causar complicações metabólicas, problemas no sistema pulmonar, no aparelho gastrintestinal ou noutros. Uma dieta alimentar equilibrada, a actividade física regular e modos de vida saudável são as melhores formas de prevenir a obesidade. 20. Jornal de Leiria. Maio 2010

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