Destaques Semanais e Projeções Macroeconômicas

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1 Destaques Semanais e Projeções Macroeconômicas São Paulo, 18 de março de 2016 Tatiana Pinheiro Adriana Dupita Departamento de Pesquisa Econômica Luciano Sobral Everton Gomes Matheus Rosignoli Rodolfo Margato Destaques da Semana Tarifa de energia elétrica liderando o processo de desinflação O IPCA-15 de março deve mostrar que, considerando os preços dessa primeira metade do mês, a inflação acumulada nos últimos 12 meses teve uma nova queda. Nossa projeção é que a taxa passe de 10,36% a/a registrados no IPCA de fevereiro para 10,08% a/a nessa divulgação, sendo a menor alta de preços administrados o principal responsável por esse movimento. Destaque para a inflação da tarifa de energia elétrica, que deixa de contabilizar as fortes altas ocorridas no começo de 2015 para registrar deflação em fevereiro e março de 2016 a queda da tarifa nos dois primeiros meses deste ano tem sido reflexo da menor tarifa adicional cobrada no sistema de bandeira tarifárias. No sentido contrário, esperamos que a alta de bens comercializáveis continue pressionando a inflação de preços livres. Em termos mensais, projetamos alta de 0,55% m/m, variação de preços sensivelmente menor do que a taxa de 0,90% registrada no fechamento do mês passado. A dissipação dos efeitos dos reajustes de tarifas de matrículas escolares e transporte público deve possibilitar essa desaceleração do índice. Com relação ao grupo Alimentação e Bebidas, esperamos que a inflação continue pouco acima de 1% m/m, mas com uma composição diferente enquanto os preços de ovos, leites e frutas devem acelerar, outros itens in-natura como tubérculos e verduras devem mostrar uma inflação menos pressionada. No campo da atividade econômica, destaque para a divulgação de indicadores do mercado de trabalho. Na quarta-feira, o IBGE publicará a última edição da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), com dados referentes a fevereiro. De acordo com as nossas estimativas, a taxa de desemprego subiu de 7,6% para 8,2% na passagem de janeiro para fevereiro, sem ajuste sazonal (a pesquisa abrange apenas seis Regiões Metropolitanas do país São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre). Na comparação com o mesmo período de 2015, esse movimento significa um aumento de 2,4 pontos percentuais, tendo em vista a queda bastante expressiva da população ocupada. Com base na série livre de influências sazonais, estimamos que a taxa de desemprego tenha subido de 7,8% em janeiro para 8,0% em fevereiro. Em suma, acreditamos que a continuidade da queda da atividade econômica até o terceiro trimestre deste ano (ainda que a taxas decrescentes) implicará em deterioração adicional do mercado de trabalho até o primeiro trimestre de Ou seja, a taxa de desemprego seguirá em trajetória de alta, como resultado do encolhimento do pessoal ocupado e da elevação da força de trabalho, enquanto que o rendimento real continuará em território negativo, evitando uma retomada do consumo privado este ano. Na quinta-feira, o IBGE divulgará os dados da PNAD Contínua de janeiro. Esta pesquisa, que abrange todo o território nacional e levanta informações sobre o mercado de trabalho em municípios, substituirá

2 definitivamente a PME (amostra com 145 municípios) a partir de março. Esperamos elevação da taxa de desemprego nacional média para 9,3% entre novembro de 2015 e janeiro de 2016, ante a taxa de 9,0% entre outubro e dezembro devido ao desenho amostral da PNAD, os dados mensais são disponibilizados na forma de médias móveis trimestrais. Esse resultado representa um aumento de 2,5 pontos percentuais em relação ao mesmo trimestre móvel do ano anterior. Com base na série dessazonalizada (método próprio), estimamos que a taxa de desemprego média tenha alcançado 10,0% em janeiro deste ano (contra as taxas de 9,8% em dezembro/15 e 7,1% em janeiro/15). Além disso, esperamos novo salto do desemprego em 2016 projeção de 12,8% no final deste ano, após ajuste sazonal. O ajuste das contas externas deve ser mais uma vez evidenciado pelos dados de balanço de pagamentos para fevereiro, que serão divulgados esta semana. O ótimo desempenho da balança comercial (com superávit de US$ 3 bilhões) e a queda contínua nas despesas de viagens e remessas de lucros e dividendos podem levar as transações correntes a apresentar um superávit de cerca de US$ 800 milhões o que, se confirmado, será o primeiro resultado mensal positivo desde 2009 e o melhor desde agosto de Tal resultado levaria o déficit em transações correntes acumulado em 12 meses para US$ 43,6 bilhões, o menor déficit desde março de Enquanto isto, espera-se uma entrada líquida de investimento direto no país de cerca de US$ 5 bilhões, levando o acumulado em 12 meses para US$ 76,7 bilhões, mais que suficiente para cobrir o déficit em transações correntes no período. Do lado de outras formas de financiamento externo, vale notar que a rolagem de dívida externa, que foi bastante baixa em janeiro (17%), deve ser mais elevada em fevereiro (dados parciais até dia 19 mostravam rolagem de 67% dos vencimentos), mas ainda assim com continuidade do processo iniciado em meados do ano passado de piora do perfil da nova dívida, mais curta e mais concentrada em bancos (ao invés de emissões no mercado de capitais).

3 Agenda Eventos Referência Unidade Santander Consenso Anterior Segunda-feira Brasil BCB Boletim Focus 18/mar /03/16 MDIC Balança Comercial Semanal 18/mar US$ Milhões - - $828 MTE Caged (Emprego Formal) fev/16 milhares Internacional EUA Índice de Atividade Nacional (CFNAI) fev/ ,22 0,28 EUA Vendas de Moradias Usadas fev/16 m/m a.s. - 5,32 5,47 Terça-feira Internacional Z. do Euro PMI Industrial - prévia mar/ ,4 51,2 22/03/16 Z. do Euro PMI Serviços - prévia mar/ ,3 53,3 Z. do Euro PMI Composto - prévia mar/ ,0 53,0 Z. do Euro Índice de Expectativa na Economia mar/ ,6 EUA Preços Residenciais jan/16 m/m - 0,5% 0,4% EUA PMI Industrial - prévia mar/ ,8 51,3 EUA Sondagem Industrial - Richmond mar/ ,0-4,0 Quarta-feira Brasil FGV IPC-S (3ª quadri) mar/16 m/m - - 0,65% 23/03/16 FGV Sondagem da Indústria - prévia mar/ IBGE Pesq. Mensal do Emprego (Taxa de Desemprego) fev/16-8,2% 8,0% 7,6% IBGE IPCA-15 mar/16 m/m 0,55% 0,53% 1,42% BCB Nota à Imprensa S. Externo: Transações Correntes fev/16 US$ Milhões $ $4817 BCB Nota à Imprensa Setor Externo: IDP fev/16 US$ Milhões $ $5455 BCB Fluxo Cambial Semanal 18/mar Internacional Z. do Euro Confiança do Consumidor mar/ ,3-8,8 EUA Vendas de Moradias Novas fev/16 m/m a.s Quinta-feira Brasil IBGE PNAD Contínua (Taxa de Desemprego) jan/16-9,3% - 9,0% 24/03/16 Internacional EUA Pedidos de auxílio desemprego - milhares EUA Encomendas de Bens Duráveis fev/16 m/m a.s. - -2,9% 4,7% EUA PMI Serviços - prévia mar/ ,2 49,7 EUA PMI Composto - prévia mar/ ,0 Sexta-feira Brasil - Feriado - Mercados Fechados - a/a /03/16 Internacional EUA PIB (anualizado) - 2ª revisão 4T t/t a.s. - 1,0% 1,0% EUA PCE núcleo 4T t/t - 1,3% 1,3% Obs: Tabela completa de projeções no final do documento

4 Cenário Econômico Internacional: Os sinais de recuperação da economia americana levaram o Federal Reserve a iniciar o processo de normalização de juros nos Estados Unidos em dezembro de Os próximos passos de política monetária, segundo declarações de membros do FOMC, devem ser lentos, graduais e dependentes da evolução da economia. Contudo, caso as condições internacionais se mostrem menos favoráveis, a retomada da alta de juros deve ficar para o médio prazo. Enquanto isto, a economia europeia segue apresentando uma tendência positiva de crescimento, apesar de um pouco aquém do esperado pelo BCE ao iniciar o programa de injeção de recursos (o chamado afrouxamento quantitativo). Por esse motivo, o BCE tem adotado medidas adicionais arrojadas de estímulo monetário. O impasse remanescente na Grécia ainda deve trazer algum reflexo negativo para a atividade local. Na China, a expectativa é que se mantenha o novo padrão de crescimento mais moderado, a despeito das medidas expansionistas (de política monetária e fiscal) adotadas pelo governo a fim de estimular a aceleração econômica. Nessas três economias citadas, a queda no preço internacional das commodities tem dificultado a consolidação da inflação em terreno positivo, exigindo cautela por parte das autoridades nas decisões de política monetária. Câmbio e juros: A forte depreciação do real observada no último ano não deve se repetir no médio prazo, embora uma moderada deterioração do câmbio seja esperada à medida que as perspectivas para a evolução da economia doméstica não melhorem. Para o curtíssimo prazo, as incertezas no cenário político, as quais afetam diretamente a consolidação das reformas pretendidas pelo governo, devem manter a volatilidade do câmbio em alta. Com relação à política monetária, a taxa de juros deve seguir em patamar elevado por todo o ano. No terceiro trimestre de 2016, com a atividade econômica bastante fraca, o Banco Central deverá iniciar um ciclo de corte de juros. Atividade econômica: Os indicadores de consumo interno, produção industrial e investimentos seguem apontando para um aprofundamento da recessão ao longo do primeiro semestre deste ano. Destaque para a deterioração do mercado de trabalho, com intensa elevação da taxa de desemprego e retração dos salários reais, e também para as condições mais apertadas do mercado de crédito, estoques ainda elevados na indústria e níveis deprimidos da confiança do empresariado e do consumidor, refletindo o ambiente econômico marcado por incertezas. Pelo lado positivo, a desvalorização cambial tende a continuar estimulando os setores exportadores e promovendo algum grau de substituição de importados na indústria de transformação (a um ritmo lento e gradual). Portanto, a estabilização da atividade econômica deve ocorrer apenas no segundo semestre deste ano, seguida por um crescimento bastante moderado em Uma recuperação mais contundente da atividade, com o crescimento do PIB acima do potencial, deve ficar apenas para 2019, com o retorno da taxa desemprego para a NAIRU (taxa de desemprego que estabiliza a inflação). Inflação: Apesar do patamar elevado da taxa de juros, a inflação fechou o ano de 2015 bastante acima do teto da meta, refletindo diretamente o realinhamento de preços administrados e a pressão do câmbio sobre os produtos importados, além dos efeitos indiretos, como o aumento de custos de produção, sobre preços livres. Para 2016, a menor alta de preços administrados e a contração da atividade econômica devem ser fatores decisivos para a queda da taxa de inflação. A inércia inflacionária, a depreciação cambial de 2015 e o impacto de aumento de impostos sobre os preços, contudo, não devem permitir que a inflação ceda para próximo da meta. Balanço de pagamentos: Os últimos meses foram marcados pela queda do déficit em transações correntes acumulado em 12 meses, efeito direto da desvalorização do real e do baixo crescimento da demanda doméstica. A perda do grau investimento tende a afetar o acesso ao financiamento externo, tornando o crédito internacional mais caro e mais curto e limitando o ingresso líquido principalmente do investimento estrangeiro em carteira. No entanto, dado o recuo no déficit em transações correntes e o elevado patamar de reservas internacionais, não se espera que o acesso mais limitado a financiamento externo resulte em pressões significativas e sustentadas sobre o câmbio ou risco de insolvência externa. Política fiscal: O resultado primário deve permanecer negativo em 2016, uma vez que a melhora das contas fiscais vem sendo limitada pela queda na arrecadação tributária decorrente do fraco crescimento doméstico, com reflexos na dinâmica da dívida pública. O efeito da desvalorização cambial observada em 2015 sobre a dívida pública líquida (dado que o setor público é, correntemente, credor líquido em moeda estrangeira), contudo, é um fator positivo nas contas fiscais.

5 Projeções Macroeconômicas Projeções de Longo Prazo Realizado Cenário PIB Crescimento real (%) 1,0 3,0 0,1-3,8-3,7 1,2 PIB em US$ bilhões PIB per capita anual (US$) Mercado de Trabalho Taxa Média de Desemprego. (% of PEA) 5,5 5,4 4,8 6,8 9,8 9,5 Massa Salarial (real % YoY) 6,3 2,8 2,6-5,2-3,9 1,1 Inflação (% a.a.) IPCA (IBGE) 5,8 5,9 6,4 10,7 7,0 6,0 IGP-M (FGV) 7,8 5,5 3,7 10,5 7,5 6,0 Taxa de Câmbio R$/US$ - final de período 2,04 2,34 2,66 3,90 4,10 4,20 R$/ - final de período 2,70 3,21 3,21 4,25 4,76 4,84 Taxa de Juros (% a.a.) Taxa básica em final de ano 7,25 10,00 11,75 14,25 13,00 11,50 Taxa de Juros Real s/ Inflação - IPCA 2,4 2,0 4,1 2,3 6,4 5,3 Contas Externas Exportações (% a.a.) -5,3-0,3-7,2-15,2 4,9 12,8 Importações (% a.a.) -1,4 7,3-4,4-25,3-15,9 5,2 Balança em Conta Corrente (% do PIB) -2,4-3,0-4,3-3,3-1,4-0,4 Contas Públicas Resultado Primário (% do PIB) -2,4 1,8-0,6-1,9-1,0 0,0 Dívida Líquida do Setor Público (% do PIB) 35,1 30,6 33,1 36,0 42,7 42,0 Cenário Internacional Crescimento Real (%) EUA 2,2 1,5 2,4 2,4 2,8 3,0 Inflação CPI (%) EUA 1,7 1,5 0,8 0,7 1,5 2,5 Taxa Fed Funds (%a.a.) EUA 0,1 0,1 0,1 0,2 1,25 1,50 Crescimento Real (%) Zona Euro -0,9-0,3 0,9 1,6 2,0 2,0 Inflação (%) Zona do Euro 2,2 0,8-0,2 0,2 1,2 1,8 Taxa Básica de Juros (%a.a.) Zona do Euro 0,8 0,3 0,1 0,1 0,1 0,1 Comunicado Importante Este material foi preparado pelo Banco Santander (Brasil) S.A. e não constitui uma oferta ou solicitação de oferta para aquisição de valores mobiliários. Ele pode conter informações sobre eventos futuros e estas projeções/estimativas estão sujeitas a riscos e incertezas relacionados a fatores fora de nossa capacidade de controlar ou estimar precisamente, tais como condições de mercado, ambiente competitivo, flutuações de moeda e da inflação, mudanças em órgãos reguladores e governamentais e outros fatores que poderão diferir materialmente daqueles projetados. A informação nele contida baseia-se na melhor informação disponível, recolhida a partir de fontes oficiais ou críveis. Não nos responsabilizamos por eventuais omissões ou erros. As opiniões expressas são as nossas opiniões no momento. Reservamo-nos o direito de, a qualquer momento, comprar ou vender valores mobiliários mencionados. Estas projeções e estimativas não devem ser interpretadas como garantia de performance futura. O Banco Santander (Brasil) S.A. não se obriga em publicar qualquer revisão ou atualizar essas projeções e estimativas frente a eventos ou circunstâncias que venham a ocorrer após a data deste documento. Este material é para uso exclusivo de seus receptores e seu conteúdo não pode ser reproduzido, redistribuído, publicado ou copiado de qualquer forma, integral ou parcialmente, sem expressa autorização do Banco Santander (Brasil) S.A Banco Santander (Brasil) S.A.. Direitos reservados

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