A dor no feminino: reflexões sobre a condição da mulher na contemporaneidade

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1 A dor no feminino: reflexões sobre a condição da mulher na contemporaneidade Alcione Alves Hummel Monteiro 1 Vanusa Balieiro do Rego 2 Roseane Freitas Nicolau 3 Susette Matos da Silva 4 A arte dá ao artista uma chave que permite penetrar facilmente os corações femininos, enquanto nós outros permanecemos constrangidos em face dessa estranha fechadura e somos obrigados a torturar o nosso espírito, para descobrir a chave que convém, (Freud, 1894, correspondências Freud-Fliess). O que seria esse feminino? Começar com uma pergunta talvez direcione o percurso por esse continente tão misterioso e velado como o que dá vida ao feminino e que perpassa por todos os tipos de relações que reconhecemos. Outras tantas questões poderiam ser formuladas dando ênfase a esse tema que faz com que ilustres autores tentem adentrar a esse universo, deixando sempre ao final de seus escritos algo que nos remeta a uma parcela de frustração, por se tratar de um universo ainda em vista de ser analisado e compreendido na literatura e na ciência. Com a construção da Psicanálise, Freud inaugurou um olhar especial sobre a mulher histérica, oferecendo uma escuta diferente das até então disponibilizadas. Pois, até o século XIX, o que se conhecia sobre a mulher provinha de descrições do referencial masculino. Após gerações de estudos, o campo que compreende o feminino está para além da diferenciação homem e mulher. Continuaremos nesse caminho, porém é necessário uma breve pincelada acerca dos Complexos de Édipo e de Castração, que fornecem a luz para a sexualidade, na qual uma delas é a feminina, assim nos debruçaremos sobre esta.

2 Freud em seu texto sexualidade feminina de 1931 anuncia que o processo psíquico e sexual da mulher será mais longo e mais complexo que o do menino, partindo destas considerações e de outras que já havia feito em outro tempo, ele afirma: Há muito tempo compreendemos que o desenvolvimento da sexualidade feminina é complicado pelo fato de a menina ter a tarefa de abandonar o que originalmente constitui sua principal zona genital o clitóris em favor de outra vagina. Agora, no entanto, parecenos que existe uma segunda alteração da mesma espécie, que não é menos característica e importante para o desenvolvimento da mulher: a troca de seu objeto original a mãe pelo pai (FREUD, 1931/1996, p. 233). Na trama edípica nos deteremos à fase que a antecede, a pré-edipica determinante na construção da relação mãe e filha que dará o norte para a constituição da mulher, posterior a este, Zalcberg (2003) acrescenta que: Através desse processo de separação com a mãe pelo qual uma filha adquire uma substância para si mesma, Lacan diz que a mulher faz da solidão o seu parceiro. Esse parceiro, a solidão, como possibilidade de ser ela mesma, leva a mulher à liberdade. A menina torna-se mulher. (Zalcberg, 2003, p.194). Compreendendo a relação mãe/menina como relevante, como ficará a questão do complexo de Édipo? Sendo que, este se dá através da união do menino ou da menina ao genitor do sexo oposto, enquanto seu relacionamento com o mesmo sexo é oponente. O menino encontra na mãe suporte para seu amor e seu desenvolvimento psíquico, porém no caso da menina, ocorre um impasse, haja vista, que o primeiro objeto da menina é a mãe, isso deflagra a necessidade de traçar uma outra escolha em direção ao pai, que proporcione a entrada no complexo de Édipo pela menina, e uma possibilidade de tornar-se sujeito, para além de objeto de desejo da mãe. A ligação da menina com a mãe é dispendiosa, sua duração prolonga-se por um tempo indeterminado. Em alguns casos como elucida Freud, a menina permanece pressa à mãe impossibilitando seu enlace com o pai, isso corrobora a importância da fase préedipica na menina. Essa configuração terá um novo desfecho no que circunscreve os vínculos amorosos entre menina e mãe, menina e pai, e no futuro, a mulher e o homem. Pensando então no complexo de Édipo vivido pela menina Zalcberg (2007) postula: Bem diferente é o caminho edípico da menina: ela já entra no Édipo não tendo e, portanto, não tendo nada a perder, pelo menos em termos de órgão, pois que, Freud diz, castrada ela já é. Porém algo desperta o medo na menina, ela constata a impossibilidade de proporcionar um substituto fálico a sua mãe, pois o menino,

3 diferentemente, oferece isso a mãe. Essa desilusão deixará sinais no destino da mulher. O medo de nesse momento perder o amor tem o peso da castração, visto que, a menina necessita ser amada para ser, isto é, o amor da mulher está articulado como declara Zalcberg (2007) à ausência do Outro. Com a separação da mãe e a impossibilidade de satisfazê-la, a menina entrará em contato com a dor da ferida narcísica. Quando uma dor aparece, podemos acreditar, estamos atravessando um limiar, passamos por uma prova decisiva. Que prova? A prova de uma separação, da singular separação de um objeto que, deixando-nos súbita e definitivamente, nos transtorna e nos obriga a reconstituirnos. A dor psíquica é dor de separação, sim, quando erradicação e perda de um objeto ao qual estamos tão intimamente ligados...esse laço é constitutivo de nós próprios. Isso diz como o nosso inconsciente é o fio sutil que liga as diversas separações dolorosas da nossa existência. (Nasio, 1997, p.18) Nesse momento como explica Zalcberg (2007)... o pai representa um refúgio, um porto seguro, para a filha, é porque a resgata da submissão inicial à figura materna, dando-lhe a condição de sujeito em seu pleno direito.. Diante desse cenário, muitos pontos que tentam compreender a mulher caíram por terra, inclusive no que designa a mulher como sexo frágil, dotada de subjetividade e de difícil compreensão. Atualmente a clinica psicanalítica se mostra desejosa em vislumbrar o mundo feminino, para além do masculino. Esta se sustenta, mesmo ainda, na possibilidade de construir um saber sobre a subjetividade.

4 Referências Bibliográficas: FREUD, S. Sexualidade Feminina. In: O futuro de uma ilusão, o Mal-estar na civilização. E outros trabalhos. Rio de Janeiro:.Imago. In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (vol. 21, PP. 233). NASIO, J.-D. O livro da dor e do amor Rio de Janeiro: Jorge Zahar, ZALCBERG, M. A relação mãe e filha. Rio de Janeiro: Elsevier, ZALCBERG, M. Amor paixão feminina. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

5 1 Psicóloga, aluna especial do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFPA, membro do Grupo de Pesquisa Psicanálise, sintoma e instituição, cadastrado no CNPQ e coordenado pela Profª. Drª. Roseane Freitas Nicolau. Endereço: Tv.: Chaco Conjunto Guanabara, 2502 cs48, Bairro Marco, Belém Pa. CEP: Psicanalista, aluna especial do programa de pós-graduação em psicologia da UFPA, membro do Grupo de Pesquisa Psicanálise, sintoma e instituição, cadastrado no CNPQ e coordenado pela Profª. Drª. Roseane Freitas Nicolau. Endereço eletrônico: 3 Psicanalista, Professora-Doutora do Programa em Psicologia da Universidade Federal do Pará (UFPA) e coordenadora do Grupo de Pesquisa Psicanálise, sintoma e instituição, cadastrado no CNPQ. Endereço eletrônico: 4 Psicóloga, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFPA, membro Grupo de Pesquisa Psicanálise, sintoma e instituição, cadastrado no CNPQ e coordenado pela Profª. Drª Roseane Freitas Nicolau. Endereço eletrônico:

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