Direito do Trabalho CARACTERÍSTICAS. Empregados urbanos e rurais contratados a partir de 1988 inserem-se automaticamente no sistema do FGTS.

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1 CARACTERÍSTICAS Empregados urbanos e rurais contratados a partir de 1988 inserem-se automaticamente no sistema do FGTS. O FGTS consiste em recolhimentos pecuniários mensais feitos pelo empregador em uma conta específica aberta em nome do empregado junto à Caixa Econômica Federal, que é o agente operador do Fundo (art. 4º) DATA DO DEPÓSITO Os empregadores ficam obrigados a depositar na conta do FGTS de cada empregado, até o dia 7 (sete) de cada mês, importância correspondente a 8% (oito por cento) da remuneração paga ou devida no mês anterior. FALTA DO DEPÓSITO O empregador que não realizar os depósitos do FGTS no prazo responderá pela Taxa Referencial (TR) sobre a importância correspondente, por dia de atraso, incluindo ainda juros de mora de 0,5% (meio por cento) ao mês e multa de 5% (cinco por cento), se o depósito for efetuado no mesmo mês de vencimento da obrigação, ou de 10% (dez por cento), se o depósito for efetuado a partir do mês seguinte ao do vencimento da obrigação ( art. 22). COMPETENCIA PARA FISCALIZAÇÃO Compete ao Ministério do Trabalho e Emprego a verificação, em nome da Caixa Econômica Federal, do cumprimento das normas referentes ao FGTS especialmente quanto à apuração dos débitos e infrações praticadas pelos empregadores ou tomadores de serviço, notificando-os para efetuarem e comprovarem os depósitos correspondentes (art. 23). INCIDENCIA DO FGTS A contribuição para o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) incide sobre a remuneração mensal devida ao empregado, inclusive horas extras e adicionais eventuais. Súm 63, TST. Incide FGTS sobre o valor correspondente ao aviso prévio, trabalhado ou indenizado. Súm 305, TST.

2 NÃO INCIDÊNCIA DO FGTS Não há incidência de FGTS sobre as parcelas previstas no art. 457, 2º, da CLT, sobre o valor pago a título de participação nos lucros ou resultados (art. 7º, XI, CF), sobre as férias indenizadas (art. 146, CLT) e abono de férias (art. 143,CLT). OJ 195. INTERRUPÇÃO E SUSPENSÃO DO CONTRATO DE TRABALHO Os depósitos do FGTS são devidos nos casos de interrupção do contrato de trabalho e em alguns casos de suspensão do contrato, tais como prestação de serviço militar obrigatório e licença por acidente de trabalho. (art. 15, 5º). O empregado eleito diretor de sociedade anônima tem seu contrato de trabalho suspenso, salvo se permanecer a subordinação inerente à condição de empregado, sendo que no período da suspensão não serão efetuados depósitos em sua conta do FGTS. Súm 269, TST. Ocorrendo rescisão do contrato de trabalho por parte do empregador, este ficará obrigado a depositar na conta do FGTS do trabalhador os valores relativos ao mês da rescisão e ao imediatamente anterior que não tenha sido depositado (art. 18). PRESCRIÇÃO O direito de reclamar na Justiça do Trab. recolhimentos do FGTS não efetuados pelo empregador prescreve em trinta anos, ou seja, a prescrição é trintenária, desde que observado o prazo de 2 anos após o término do contrato de trabalho. Súm 362, TST. VERBAS TRABALHISTAS PRESCRITAS Não há como pretender os recolhimentos do FGTS sobre verbas que já estejam prescritas. Assim, estando prescritas as parcelas principais (por exemplo, horas extras e diferenças de salários), estará prescrita a pretensão de FGTS sobre elas, já que o acessório segue a mesma sorte do principal. Súm. 206, TST. IMPENHORABILIDADE DOS CRÉDITOS DO FGTS As contas do FGTS dos trabalhadores são absolutamente impenhoráveis (art. 2º, 2º). ABRANGÊNCIA O FGTS é um direito dos empregados urbanos e rurais (art. 7º, III, CF), estendido aos trabalhadores avulsos por força do art. 7º, XXXIV, da CF. Não sendo previsto entre os direitos do empregado doméstico, a inclusão de tal trabalhador no sistema do FGTS é facultada mediante requerimento do empregador (art. 3º-A, Lei 5.859/72).

3 HIPÓTESES DE SAQUE A conta do FGTS aberta em nome do empregado junto à CEF é vinculada, ou seja, sua movimentação é restrita às hipóteses previstas na Lei 8.036/90 e somente pode ser feita nos termos fixados por referida lei. O empregado não pode se utilizar livremente dos depósitos feitos em seu nome no FGTS. As hipóteses de movimentação da conta do FGTS estão expressas no artigo 20 da Lei 8.036/90, podem ser divididas em dois grupos: a. Hipóteses de movimentação em caso de extinção do contrato de trabalho; e b. Hipóteses de movimentação durante a vigência do contrato de trabalho. Em caso de extinção do contrato: 1. Dispensa sem justa causa; despedida indireta, extinção do contrato de trabalho por culpa recíproca ou força maior. Nessas hipóteses, permite-se a movimentação imediata da conta do FGTS pelo trabalhador, com saque dos valores depositados relativos ao último contrato de trabalho. (art. 35, 2º, Decreto /1990). O saque nesses casos depende da apresentação do termo de rescisão do contrato de trabalho, devidamente homologado. O empregado não pode sacar o FGTS se for dispensado por justa causa ou se pedir demissão. Nessas hipóteses, a conta do FGTS continua a ser de titularidade do trabalhador, mas se transforma em conta inativa, ou seja, embora continue a ser corrigida monetariamente, não recebe mais depósitos (art. 21 e art. 13, 2º, da Lei 8.036/90). Da mesma forma, não há que se falar em saque do FGTS em caso de rescisão do contrato de trabalho por acordo entre as partes. Os valores existentes nas contas inativas podem ser sacados quando o trabalhador permanecer três anos ininterruptos fora do regime do FGTS. (art. 20, VIII), e também em caso de aposentadoria ou falecimento do trabalhador. O fato de o trabalhador ter sido dispensado por justa causa não o impede de sacar os valores de sua conta do FGTS caso se aposente ou, ainda, para compra ou quitação de parcelas da casa própria, nem impede o levantamento dos referidos valores por seus dependentes ou herdeiros em caso de falecimento (art. 15, Dec /1990).

4 2. Extinção total da empresa, fechamento de quaisquer de seus estabelecimentos, filias ou agências que implique em rescisão do contrato de trabalho. Não decorrendo de iniciativa do empregado, tais hipóteses de extinção do contrato de trabalho permitem o saque dos valores depositados em sua conta do FGTS, em relação ao último contrato de trabalho (art. 35, 2º. Dec /1990). 3. Falecimento do empregador individual, desde que não haja continuidade do contrato de trabalho. Com a cessação da atividade da empresa por morte do empregador individual, os contratos de trabalho serão extintos (art. 485, CLT), podendo os empregados sacar os valores do FGTS depositados em seu nome durante a vigência do contrato de trabalho. 4. Aposentadoria A aposentadoria requerida voluntariamente por empregado e deixando este de trabalhar em razão de tal concessão, autoriza o saque dos depósitos do FGTS. 5. Falecimento do trabalhador. Nesse caso, os valores existentes na conta do FGTS do trabalhador serão pagos a seus dependentes, para esse fim habilitados perante a Previdência Social. Na falta de dependentes, farão jus ao recebimento dos referidos valores os sucessores do trabalhador, na forma prevista na lei civil, indicados em alvará judicial, expedido a requerimento do interessado, independentemente de inventário ou arrolamento. Movimentação durante a vigência do contrato de trabalho 6. Pagamento de parte das prestações decorrentes de financiamento habitacional junto ao SFH desde que: Conte com o mínimo de 3 anos de trabalho sob o regime do FGTS, na mesma empresa ou empresas distintas; O valor bloqueado seja utilizado, no mínimo, durante o prazo de 12 meses; O valor do abatimento atinja, no máximo, 80% do montante da prestação. 7. Liquidação ou amortização do saldo devedor de financiamento imobiliário. O trabalhador deverá contar com no mínimo 3 anos de trabalho sob o regime do FGTS. 8. Quando o trabalhador ou qualquer de seus dependentes for acometido por neoplasia maligna (câncer), ou for portador do vírus HIV, ou, ainda, estiver em estágio terminal em razão de doença grave.

5 9. Quando o trabalhador tiver idade igual ou superior a setenta anos. 10. Em caso de necessidade pessoal, cuja urgência e gravidade decorra de desastre natural. Em qualquer caso, a movimentação da conta vinculada do FGTS por menor de 18 anos dependerá da assistência do responsável legal (art. 42, Dec /1990). ACRÉSCIMO RESCISÓRIO A relação de emprego é protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, a Lei prevê indenização compensatória dentre outros direitos nesses casos (art. 7º, I, CF) A indenização devida ao empregado na hipótese de dispensa sem justa causa corresponde a 40% do montante de todos os depósitos realizados em sua conta vinculada durante a vigência do contrato de trabalho, atualizados monetariamente e acrescidos dos respectivos juros. A indenização deve ser depositada pelo empregador na conta vinculada do trabalhador no FGTS (art. 18, 1º, Lei 8.036/90). A multa indenizatória é devida também em caso de extinção do contrato de trabalho por falta grave do empregador: despedida indireta. Decorrendo a rescisão do contrato de trabalho de culpa recíproca ou força maior, a indenização será de 20% dos depósitos atualizados do FGTS (art. 18, 2º) As hipóteses de extinção da empresa e de falência inserem-se nos risco do empreendimento econômico, que deverá ser suportado pelo empregador (art. 2º, CLT), razão pela qual é direito do empregado ao recebimento da indenização de 40% dos depósitos atualizados do FGTS.

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