INFO 75 ANOS NA OE E NO MUNDO. Revista informativa da Ordem dos Engenheiros REGIÃO NORTE

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1 INFO Revista informativa da Ordem dos Engenheiros REGIÃO NORTE TRIMESTRAL JAN FEV MAR ANOS NA OE E NO MUNDO A Ordem dos Engenheiros, enquanto associação atenta, aceita e defende que a Engenharia é uma área de actuação e intervenção, objecto de um só espaço profissional. Editorial ACTOS DE ENGENHARIA INFORMÁTICA PROSPECÇÃO GEOTÉCNICA MOTA-ENGIL ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO SA Profissional CIDADES DO FUTURO PATOLOGIAS EM FACHADAS Científico DOURO PORTUGUÊS INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO Social 23

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3 INFO 23 JANEIRO FEvEREIRO MARçO 2011 PROPRIEDADE: Ordem dos Engenheiros Região Norte SUMÁRIO DIRECTOR: António Carlos Sepúlveda Machado e Moura SUBDIRECTOR: Miguel Moreira da Silva CONSELHO EDITORIAL: Fernando Manuel de Almeida Santos, António Carlos Sepúlveda Machado e Moura, António Acácio Matos de Almeida, Carlos Pedro de Castro Fernandes Alves, Carlos Alberto Sousa Duarte Neves, Vítor Manuel Lopes Correia, Maria Alexandrina Silva Meneses, Manuel Joaquim Reis Campos Joaquim Manuel Veloso Poças Martins, José Fernando Gomes Mendes, João Abel Peças Lopes, Nuno Bravo Faria Cruz, José António Couto Teixeira, José Tadeu Marques Aranha, Tiago André da Silva Braz, Ricardo Jorge Silvério Magalhães Machado, Sérgio Bruno de Araújo Gonçalves da Costa, Rosa Maria Guimarães Vaz da Costa, Luís Manuel Montenegro de Araújo Pizarro, Vítor António Pereira Lopes de Lima, Amílcar José Pires Lousada COORDENAÇÃO OERN: Alexandra Castro Alves REDACÇÃO OERN: Miguel Ângelo Sousa Joana Soares REVISÃO: Serviços OERN Revisão Imprensa - Rui Feio GRAFISMO: MAV2D MAQUETIZAÇÃO/IMPRESSÃO E PRODUÇÃO: Multiponto, S.A. PUBLICAÇÃO TRIMESTRAL: Edição nº 23 de Março de Tiragem: exemplares. ICS: Depósito legal: /89. SEDE: Rua de Rodrigues Sampaio, Porto. Tel Fax DELEGAÇÃO DE BRAGA: Rua de S. Paulo, Braga. Tel Fax DELEGAÇÃO DE BRAGANÇA: Rua Alexandre Herculano, R/C F Bragança. Tel DELEGAÇÃO DE VIANA DO CASTELO: Av. Luís de Camões, 28-1.º / sala Viana do Castelo. Tel DELEGAÇÃO DE VILA REAL: Av. 1.º de Maio, 74/1.º dir Vila Real. Tel CAPA Parque Nacional Peneda Gerês (foto: Francisco Piqueiro / Foto Engenho Lda. Carta IGeoE Nº 30) 4 EDITORIAL 75 ANOS NA OE E NO MUNDO 6 NOTíCIAS PROFISSIONAL 14 SObRE OS ACTOS DA PROFISSÃO NO âmbito DO COLéGIO DE ENGENhARIA INFORMáTICA 20 «PROSPECçÃO GEOTéCNICA. CONTINUAR O PASSADO OU RE-INvENTAR O FUTURO?» 24 MOTA ENGIL ENGENhARIA E CONSTRUçÃO «SOMOS O que FAzEMOS» CIENTíFICO 28 CIDADES DO FUTURO 36 PATOLOGIA EM REvESTIMENTOS DE FAChADA SOCIAL 42 DOURO PORTUGUêS: O RIO E A SUA REGIÃO 50 A PERDA DE TRADIçÃO E A FALTA DE AçÃO SOCIAL NA INDúSTRIA DA CONSTRUçÃO 3

4 E D I T O R I A L 75 ANOS NA OE E NO MUNDO Fernando de Almeida Santos Presidente do Conselho Directivo da Região Norte da Ordem dos Engenheiros A Ordem dos Engenheiros, enquanto associação atenta, aceita e defende que a Engenharia é uma área de actuação e intervenção, objecto de um só espaço profissional. Portugal, Ordem dos Engenheiros, 75 anos. Uma associação profissional que desde 1936 é um marco na promoção da Engenharia. Se contabilizarmos os anos de existência da Associação dos Engenheiros Civis que foi sua precursora verificamos que a profissão de engenheiro é reconhecida como acto de confiança pública de forma organizada, desde o século XIX, tendo percorrido até aos dias de hoje, 3 séculos. Muito aconteceu no mundo nestes 3 séculos e mesmo nestes últimos 75 anos, coincidentes com a existência da Ordem dos Engenheiros, que esteve sempre em permanente evolução e mudança atravessando gerações. O século XX, tido como o século do conhecimento, foi para a nossa existência na era moderna o que mais contribuiu para todas essas mudanças. Foi esse conhecimento que permitiu uma melhoria de condições na população mundial a par com o aumento da esperança média de vida, a prosperidade de muitos povos e a descoberta de novas formas de vida. Um valor inexcedível do ponto de vista social, económico e humano. Muito desse mérito se deveu à ciência e ao engenho. O contributo da engenharia e dos engenheiros permitiu todo o desenvolvimento da mobilidade e comunicação, levando a novos desígnios de cidadania e criando em muitos locais do mundo níveis de desenvolvimento e prosperidade invejados por aqueles que não alcançaram esse desígnio. Este desenvolvimento e riqueza têm também criado ao longo dos tempos desigualdades e diferenças que se refletem nas nações e por conseguinte nas pessoas. é um ónus que não tem que ser pago pelos menos capazes. O desenvolvimento também tem que ser capaz de gerar formas de distribuição de meios, e proporcionar capacidades, respostas e alternativas construtivas aos mais desfavorecidos. Certamente que havendo diferenças de capacidades e/ou oportunidades, uns, sem prejuízo do seu desenvolvimento, devem ser capazes de apoiar e alavancar os outros. Actualmente este fenómeno é acentuado pela globalização. A globalização ou aldeia global tem sido tomada como a interdependência acelerada e a intensificação do entrelaçamento entre economias e sociedades, de tal modo que os acontecimentos de um estado têm impacto directo noutros. é o mundo em processo de encolhimento através da erosão das fronteiras, das barreiras geográficas e da actividade sócio-económica. O paradigma mudou radicalmente. Já não se pode apelidar de comunidade apenas ao meio e espaço locais onde habitamos, actuamos ou estamos inseridos, sendo que hoje em dia são conceptualmente e efectivamente mais alargados. A comunidade do passado não tem o mesmo significado da comunidade actual. hoje em dia circulamos em comunidades virtuais, interagimos com interlocutores que nunca vimos, muitas vezes oriundos de zonas do globo com realidades completamente diferentes das nossas, sem que isso signifique perda de identidade cultural com os mesmos e com a particularidade de em muitos casos se partilharem princípios muito mais identificadores entre si do que eventualmente com alguém que esteja mais próximo fisicamente. O mundo estigmatizou-se e a competitividade entre estados ou pessoas tornou-se num expediente. A individualização ou a centralização no individuo tornou-se o referencial. A sociedade, em muitos 4 INFO 23 JAN FEv MAR 2011

5 casos, desmaterializou-se. Portugal, um país dito periférico no contexto europeu (não concordo), acompanhou na íntegra toda esta alteração mundial. Foram 75 anos nos quais o mundo mudou e Portugal mudou, mudou para melhor, não tenho dúvidas. Mas muitas das boas condições criadas aos cidadãos são também muitas vezes geradoras de problemas/necessidades de mudança. A sociedade actual impõe que se viva mais da imagem que do conteúdo (é mais vantajoso parecer que ser), que se viva mais de estatísticas que de resultados efectivos, que se dê mais valor a factores quantitativos que qualitativos. A Ordem dos Engenheiros também tem mudado. Não de forma tão célere como desejável, é um facto! Ainda estão por empreender muitas mudanças e ultrapassar algumas visões cristalizadas, mas o facto da sociedade se tornar paulatinamente mais individualista responde inteiramente àquela velha pergunta dos menos envolvidos e mais desatentos: Para que serve a Ordem? A verdade é que de certa forma a Ordem dos Engenheiros tem ficado, em algumas circunstâncias, num dolce fare niente ou numa visão romântica de uma sociedade que já não corresponde à actual. Esta visão saudável, mas infeliz e erradamente ultrapassada pelas decisões políticas e imposições sociais, permite à OE manter-se como defensora dos princípios que versam a importância dos conteúdos, resultados e qualidade, em detrimento da imagem, das estatísticas ou de qualquer tipo de massificação, seja ao nível do produto ou das pessoas. O produto da Ordem dos Engenheiros é uma pessoa qualificada denominada ENGENhEIRO. Por vontade, estratégia ou atitude, os governantes políticos tendem a subverter, por regra, critérios de exigência por resultados quantitativos. Mais uma vez Portugal não é excepção. Para um governante, infelizmente, é mais fácil nivelar um processo para uma qualidade inferior, com o intuito da mostra de resultados em detrimento de uma intervenção concertada de acordo com exigências efectivamente necessárias e proveitosas. Seja como for, haverá sempre níveis de intervenção diferenciados, por mais que estes sejam encapotados por vias legais menos claras. Na engenharia também há níveis de qualificação profissional, baseados, naturalmente, em pressupostos de habilitações académicas iniciais. Não se pode defender como igual o que é diferente. O Estado português cometeu este erro, um bacharelato é agora uma licenciatura e uma licenciatura é agora nada mais que uma licenciatura. Simplificando, o bacharel passou a licenciado. Com esta novidade Portugal evoluiu, no papel claro! A tal cultura das estatísticas... O curioso é que até a própria estatística pode ser traiçoeira, pois na realidade, Portugal, com esta analogia criou mais licenciados. Mas é também por isso que há mais licenciados desempregados. A estatística não diferenciou, mas a procura SIM. A Ordem dos Engenheiros, enquanto associação atenta, aceita e defende que a Engenharia é uma área de actuação e intervenção, objecto de um só espaço profissional e portanto também deveria ser objecto de uma só Associação Profissional. De facto, como outras áreas de actividade profissional com uma só Ordem para os respectivos actos profissionais, também a Engenharia, sendo um só espaço profissional, deveria ter uma só Ordem dos Engenheiros. A diferença não está no espaço da Engenharia, mas nos níveis de competência ou qualificação profissional para os respectivos actos, pois não deve ser reconhecido de igual forma o que na realidade não é igual. Com a atribuição estatutária de regulamento da profissão, esta Associação Profissional está consciente destas diferenças e encontra-se apta à sua prossecução decorrente da mudança verificada. Sem criar níveis de qualidade terá forçosamente que criar níveis de qualificação profissional resultantes das diferentes competências obtidas, com base nas habilitações académicas adquiridas. Esta vontade não invalida a não aceitação da indiferenciação imposta pelo estado através de alguns reconhecimentos duvidosos e possivelmente manobrados permitindo que alguns não engenheiros passem a verdadeiros engenheiros. A Ordem dos Engenheiros está na verdade em profundo processo de mudança. visa assumir-se definitivamente como o espectro da profissão de engenheiro em Portugal, não só para todo o espaço engenharia mas também a todos os níveis de qualificação na intervenção. A Região Norte da Ordem dos Engenheiros não deixará de ser um marco neste desígnio. bom ano de aniversário boa leitura e saudações de engenharia. 5

6 NOTíCIAS ORDEM DOS ENGENHEIROS DEbATEU ADMISSÃO DE MEMbROS As alterações legislativas no Ensino Superior decorrentes do Processo de bolonha e a admissão de membros à Ordem dos Engenheiros (OE) dominaram o ciclo de debates promovido pelo Conselho Directivo Nacional da Ordem dos Engenheiros em colaboração com as Regiões e Secções Regionais, que se realizaram em todo o território nacional, durante os meses de Janeiro e Fevereiro, subordinados ao tema Estratégia para o Enquadramento Profissional. A Ordem dos Engenheiros Região Norte acolheu estas sessões no mês de Janeiro: dia 11 no Auditório Paulo quintela, em bragança; dia 12 no Auditório do Museu D. Diogo de Sousa, em braga; dia 18 no hotel MiraCorgo, em vila Real; dia 19 no Auditório da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, em viana do Castelo; e dia 26 no Auditório da Sede Região Norte, Porto. Estiveram presentes nas sessões de debate os vice-presidentes, Eng.º José vieira e Eng.º victor Gonçalves de brito, o Presidente do Conselho Directivo da Região Norte, Eng.º Fernando de Almeida Santos, e os Delegados Distritais da Região Norte. O Processo de bolonha e a fundação, em 2007, da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior vieram colocar novos desafios à Ordem dos Engenheiros relacionados com a admissão e qualificação dos Engenheiros, tornando fundamental uma revisão da organização e enquadramento da regulação do exercício da actividade profissional. Com estes debates, em que os profissionais da Ordem foram auscultados, a OE procurou encontrar resoluções a tomar no domínio da admissão de membros, analisando para o efeito o quadro de qualificação Profissional, os desafios colocados à OE e as soluções propostas. O que foi discutido foi se a OE deve manter a exigência de formação superior mínima de licenciatura Pré-bolonha ou Mestrado Pósbolonha (5 anos), ou se devem ser admitidos dois níveis de membros, um para licenciados e outro para mestres. Nas suas intervenções o Eng.º victor Gonçalves de brito destacou a necessidade das medidas que se vierem a adoptar preservarem a qualidade da engenharia praticada no país. O Engenheiro José vieira afirmou que a OE deve assumir-se como uma associação profissional rigorosa na admissão dos seus membros, com vista a garantir a qualidade no exercício da profissão e assim manter o prestígio que conquistou junto da sociedade portuguesa. Com mais de 40 mil membros, a Ordem dos Engenheiros vai reunir a sua Assembleia de Representantes no final de Março para analisar os debates realizados e procurar uma solução. 6 INFO 23 JAN FEv MAR 2011

7 CICLO DE SEMINÁRIOS AMbIENTE NA ORDEM 11 MESES, 11 TEMAS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA EM DISCUSSÃO Os Sistemas de Informação Geográfica na Gestão de Recursos Naturais: potencialidades e aplicações foram debatidos num seminário, no passado dia 31 de Janeiro, no auditório da sede da Região Norte da Ordem dos Engenheiros. Enquadrado no programa de actividades do Conselho Regional Norte do Colégio de Engenharia do Ambiente (CRNCEA) para 2011, este primeiro seminário insere-se no ciclo Ambiente na Ordem 11 meses, 11 temas. Estiveram presentes o Eng.º Sérgio Costa, Coordenador do Colégio de Engenharia do Ambiente, o Eng.º Carlos Ferreira, vogal do Colégio de Engenharia Geográfica, e o Professor Joaquim Alonso, do Instituto Politécnico de viana do Castelo e coordenador de diversos projectos nacionais e europeus com utilização de Sistemas de Informação Geográfica (SIG). A sessão iniciou com uma breve apresentação pelo Eng.º Sérgio Costa de todos os seminários a realizar, tendo referido a importância destas sessões na partilha de conhecimentos e experiências sobre temáticas relevantes para o exercício profissional da Engenharia do Ambiente, assim como a integração e interligação com outros colégios e especialidades. O Professor Joaquim Alonso agradeceu o convite da Ordem dos Engenheiros Região Norte e começou por referir que os SIG são sistemas de informação, de comunicação, que comunicam determinados processos, aspectos, espaços, e que podemos aplicá-los às mais diversas áreas. No mesmo sentido, o Engenheiro Carlos Ferreira afirmou que os SIG são sistemas de informação com uma componente adicional, a geográfica, que dão resposta a um conjunto de situações inatingíveis para os sistemas de informação convencionais. Através da apresentação de casos de estudo, incidindo especificamente na gestão de recursos hídricos, na conservação da natureza e biodiversidade, na identificação de riscos ambientais e no ordenamento do território, o Professor Joaquim Alonso abordou o tema em discussão. Para o docente do IPvC este tipo de sistemas permite vários utilizadores, que podem estar ligados em rede promovendo a interacção. Carlos Ferreira realçou também a multidisciplinaridade e utilização transversal desta tecnologia que tem registado uma grande evolução, passando a estar acessível na internet em plataformas simples e intuitivas, e cujo grande objectivo e mais valia reside na sua capacidade de gerar mais informação a partir da informação inicial e assim constituir a ferramenta de apoio à decisão. ASSEMbLEIA REGIONAL ExTRAORDINÁRIA A Assembleia Regional Extraordinária realizou-se no dia 10 de Janeiro de 2011, pelas 18h00, na sede da Ordem dos Engenheiros - Região Norte, nos termos do n.º 6 do artigo 30.º do Estatuto da Ordem dos Engenheiros. Estiveram presentes na mesa, José Ferreira Lemos, Presidente da Mesa da Assembleia, Luís Ramos e Carlos Pedrosa, Secretários da Mesa da Assembleia, Fernando de Almeida Santos, Presidente do Conselho Directivo, e Pedro Alves, Tesoureiro do Conselho Directivo. Esta sessão teve como ordem de trabalhos a apreciação e deliberação relativa ao Plano de Actividades e ao Orçamento para o ano de 2011, propostos pelo Conselho Directivo (alínea c, ponto 2, do art.º 30.º do Estatuto), e a Intervenção da Região Norte na Assembleia de Representantes em Março de

8 NOTíCIAS OERN PROMOvE SESSõES DE DEbATE SObRE CóDIGO DOS CONTRATOS PÚbLICOS GRUPO DE TRAbALHO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO O Grupo de Trabalho, formalmente constituído, de Sistemas de Informa- O Código de Contratos Públicos (CCP) resulta da transposição de directivas comunitárias para o direito português, tendo sido publicado em anexo ao Decreto-Lei Nº 18/2008 de 29 de Janeiro e entrado em vigor seis meses depois. A Ordem dos Engenheiros Região Norte (OERN) consciente, por um lado, que o tempo de aplicação propicia a reflexão sobre a matéria legal e a avaliação do resultado desta e, por outro ignora a realidade dos verdadeiros destinatários e potenciou alguns desequilíbrios entre os donos da obra e as empresas, referiu. Reis Campos falou ainda sobre a criação da Comissão de Acompanhamento do Código, cuja função é a de acompanhar a aplicação do código e compor alterações. Neste momento alertas para a aplicação do código. No final, referiu que existem mais dúvidas que certezas e indicou algumas sugestões de melhoria, não deixando de abordar a realidade actual dos contraentes públicos, projectistas e adjudicatários. Com um elevado grau de adesão cerca de 150 participantes estas ção tem vindo a organizar um projecto de trabalho que visa promover a desmaterialização da relação com o membro e dotar a OERN dos meios e métodos de comunicação e informação adequados. Encontra-se neste momento em trabalho de análise às infra-estruturas Informáticas, garantindo desta forma adequação às necessidades actuais e futuras, de natureza técnica e tecnológica. lado, que suscita interesse junto de um grande número de colegas, organizou duas sessões-debate nos existe uma proposta de revisão global a apresentar no Ministério, revelou. sessões possibilitaram um período de debate onde foram apresentadas algumas dúvidas e considerações, GRUPO JOvENS ENGENHEIROS dias 17 de Janeiro e 7 de Fevereiro passado, no auditório da sede da OERN. Para o efeito foram convidados dois oradores de indiscutível prestígio e conhecimento na área, Gerardo Saraiva de Menezes, do Parque Escolar, E.P.E, e Manuel Joaquim Reis Campos, da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN). Pelo Conselho Directivo da OERN marcaram presença o Eng.º Matos de Almeida e o Eng.º vítor Correia. Com uma abordagem de cariz mais político, o Engenheiro Reis Campos indicou alguns dos pontos fracos do código que, na sua óptica, foram agravados pela crise. O código Para o Eng.º Gerardo de Saraiva Menezes estas sessões proporcionam a troca de impressões e experiências. Na sua intervenção focou essencialmente a formação e execução do contrato e deixou alguns como o facto de este novo código ser demasiado extenso e de difícil abordagem, de que é exemplo o regime previsto para erros e omissões e a responsabilidade do coordenador de projectos. O Grupo de Trabalho, formalmente constituído, dos Jovens Engenheiros tem vindo a estruturar um conjunto de diferentes actividades com diferentes objectivos mas que na sua génese visam por um lado a participação activa dos Jovens Engenheiros na vida da Ordem e por outro, o fomento da informação e esclarecimento. A título de exemplo refiramse a preparação do Congresso Jovens Engenheiros a realizar em braga no ano de 2012, o Engineer s Trophy, em Julho de 2011, a preparação da Semana da Engenharia em colaboração com as universidades, a estruturação do gabinete do estagiário, entre muitas outras. 8 INFO 23 JAN FEv MAR 2011

9 v ENCONTRO DE ENGENHARIA CIvIL NORTE DE PORTUGAL GALIzA Numa organização conjunta da Ordem dos Engenheiros Região Norte/Colégio de Engenharia Civil e do Colegio de Ingenieros de Caminos,Canales y Puertos de Galicia, realizou-se de 2 a 4 de Fevereiro no Porto, o v Encontro de Engenharia Civil Norte de Portugal Galiza subordinado ao tema Património Construído. Na sessão de abertura estiveram presentes o Secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas e das Comunicações, Dr. Paulo Campos, o bastonário da Ordem dos Engenheiros (OE), Eng.º Carlos Matias Ramos, o Presidente do Conselho Directivo da Região Norte (CDRN) da Ordem dos Engenheiros, Eng.º Fernando de Almeida Santos, o Decano de la Junta Rectora de la Demarcación de Galicia del Colegio de Ingenieros de Cami - nos,canales y Puertos, Eng.º Carlos Nárdiz Ortiz, e da Comissão Organizadora o Eng.º Paulo de Sousa Cruz. Na sua intervenção o Secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas abordou a questão das SCUT e do projecto de ligação Porto-vigo em alta velocidade, fundamental para a integração das economias de Portugal e Espanha e para o crescimento da região Norte de Portugal-Galiza. Paulo Campos destacou ainda o investimento dos últimos cinco anos em infra-estruturas rodoviárias no Norte de Portugal e de ligação a Espanha. No mesmo sentido, Carlos Nárdiz Ortiz referiu que a ligação Porto-vigo é vital para a região. No discurso de apresentação deste v Encontro luso-galaico, o Presidente do Conselho Directivo da Região Norte fez um balanço dos últimos encontros e salientou o bom relacionamento transfronteiriço. Já o bastonário da OE destacou a conservação do património e a reabilitação urbana como sectores estratégicos para o futuro das cidades e do sector da construção, indicando que Portugal é um dos países com mais baixo investimento na reabilitação de edifícios residenciais, de acordo com o Relatório de 2009 da Federação da Indústria Europeia da Construção. A reabilitação urbana foi também o tema escolhido pelo Professor Doutor Luís valente de Oliveira da Associação Empresarial de Portugal, na sua conferência inaugural, apontando o congelamento das rendas e a expansão urbana para a periferia como causas da degradação dos edifícios, e salientando ainda que não são os problemas técnicos que representam os maiores obstáculos à reabilitação urbana, são os entraves burocráticos que induzem atrasos e hesitações por parte de promotores e investidores. é pois necessário tornar a reabilitação urbana atraente para o sector privado. Durante os três dias do encontro foram abordadas e debatidas questões como a intervenção nos centros históricos e monumentos, a intervenção nas pontes e vias de comunicação, a intervenção nos portos marítimos e fluviais e a intervenção nos edifícios e no património industrial. No final deste encontro a mesa, composta pelo Presidente do CDRN, Fernando de Almeida Santos, pelo Decano del Colegio de Ingenieros de Caminos, Canales y Puertos, Carlos Nárdiz Ortiz, por Pedro Mêda do Colégio de Engenharia Civil, e por Paulo de Sousa Cruz e Manuel Duran Fuentes, da Comissão Organizadora, agradeceu a presença de todos os participantes, destacando a importância e o sucesso desta iniciativa e estendendo o convite a todos os presentes para o vi Encontro a realizar dentro de dois anos na Galiza. 9

10 NOTíCIAS SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE vel pela execução da nova Ponte visita à ObRA «CONCESSÃO DOURO LITORAL» A Ordem dos Engenheiros-Região Norte em parceria com o Colegio de Ingenieros de Caminos,Canales y Puertos da Galiza realizou, a 5 de Fevereiro, uma visita às obras de Construção da Concessão Douro Litoral, nomeadamente à nova ponte sobre o rio Douro e o Túnel do Covelo. A execução da Concessão do Douro Litoral pretende concretizar o fecho da Circular Regional Exterior do Porto (CREP) permitindo que o tráfego que atravessa o Douro não tenha a necessidade de entrar no Porto. Neste contexto, esta obra garantirá o descongestionamento da Circular Regional Interna do Porto em cerca de veículos por dia, menos 12,5% do tráfego que, em média, actualmente circula nessa via. O D.L.O.E.A.C.E Douro Litoral Obras Especiais, ACE é um Agrupamento Complementar de Empresas formado pelas Agrupadas presentes na Concessão do Douro Litoral, ou seja, a Teixeira Duarte, a zagope, a Alves Ribeiro e a Construtora do Tâmega, que através de contrato de subempreitada com o DLACE Douro Litoral, ACE, ficou responsá- sobre o Rio Douro e do Túnel do Covelo, obras estas inseridas no Trecho 2 da A41, cuja abertura está prevista para Abril do presente ano, e do Túnel do Seixo Alvo, inserido no Trecho 3 da A32, previsto para Outubro de Esta visita que contou com a presença de 30 participantes iniciou-se com uma apresentação da obra em curso pelo Dr. Ricardo videira, do Douro Litoral ACE (DLACE), possibilitando aos presentes a percepção da dimensão da obra. Os Engenheiros Pedro Silva, responsá - vel pela produção da Ponte Douro, e António Faria, responsável pela produção do Túnel do Covelo, esclareceram as dificuldades e questões técnicas que foram necessárias implementar para este tipo de construção. A visita terminou com um almoço de confraternização num restaurante próximo ao local da obra. Decorrente de deliberação do Conselho Directivo da Ordem dos Engenheiros, Região Norte (OERN) está em curso a implementação do Sistema de Gestão da qualidade de acordo com o Referencial ISO O modelo de gestão concebido reflecte as preocupações da OERN nos três domínios de actuação, Profissional, Social e Científico, atendendo às necessidades dos seus associados mas também reflectindo as preocupações das restantes partes com as quais interage, produzindo desta forma uma ferramenta de agilização da visão e estratégia da Região Norte e cumprindo, no âmbito das suas atribuições, a Missão da Ordem dos Engenheiros, A Ordem tem como escopo fundamental contribuir para o progresso da engenharia, estimulando os esforços dos seus associados nos domínios científico, profissional e social, bem como o cum primento das regras de ética profissional, in Estatuto, artigo 2.º DELEGAÇÃO DISTRITAL DE viana DO CASTELO A Delegação Distrital de viana do Castelo mudará brevemente de instalações para Avenida Conde da Carreira, viana do Castelo. As preocupações de garantia das condições mínimas necessárias a colaboradores e associados, esteve na base desta deliberação. O Conselho Directivo da OERN pretende manter um olhar permanente sobre as instalações e o património. 10 INFO 23 JAN FEv MAR 2011

11 CERTIFICAÇÃO ENERGÉTICA EM DEbATE NA DELEGAÇÃO DA OE DE viana DO CASTELO A Delegação de viana do Castelo da Ordem dos Engenheiros organizou no passado dia 17 de Fevereiro, pelas 21h30, na Estalagem Melo Alvim, uma Sessão Debate sobre o Sistema de Certificação Energética. A sessão teve como orador Arlindo Louro do Instituto Electrotécnico Português (IEP) e moderadores vitor Lopes de Lima e Fernando Fernandes Fonseca, respectivamente Delegado e Delegado-adjunto da Delegação Distrital de viana do Castelo, e contou com a presença de mais de três dezenas de Engenheiros que, numa sessão muito participada, contribuíram de forma profícua para o debate e reflexão sobre as matérias expostas e relacionadas com os diplomas em vigor e a sua aplicação. Tendo como pano de fundo a alteração legal em curso das matérias e fazendo um balanço de mais de um ano de aplicação dos diplomas em vigor, foram apresentadas as principais dificuldades/preocupações na sua aplicação, salientando-se a não paridade na interpretação legal a nível europeu; as limitações para a diminuição efectiva do consumo de energia; os critérios de aplicação; a morosidade, exigência e onerosidade dos processos formativos; a falta de técnicos para aplicação RSECE e a tipologia funcional dos intervenientes; o dispêndio de recursos sem acréscimo de valor comprovado e os custos instrutórios/processuais associados. Arlindo Louro procedeu a uma análise global, salientando que os comportamentos de avaliação devem conduzir ao crescendo de consciencialização, que a eficiência energética deve conduzir à redução do consumo de energia e que a melhoria da qualidade do Ar Interior deve conduzir à melhoria da qualidade de vida, numa atitude que se pretende de Global Exigência. CYPETERM SOFTwARE DE AvALIAÇÃO ENERGÉTICA DE EDIFíCIOS Certificado pela TOP Informática, e pela norma ISO/IEC 25051:2006: Engenharia de software Requisitos de qualidade para produto de software e avaliação (SquaRE) Requisitos para a qualidade de produtos de software comercial (COTS) e instruções para ensaio o Cyperterm destina-se à actual avaliação energética de edifícios, e aplica-se a edifícios de habitação, de serviços com área inferior a 1000m 2 e potência de climatização inferior ou igual a 25kW, grandes intervenções de remodelação ou de alteração na envolvente, ou instalações/ampliações de edifícios existentes. Em 2012, o Cypeterm deverá permitir orçamentar automaticamente os projectos à medida que vão sendo desenhados e calculados, uma opção que já pode ser usada nos softwares Cype destinados a outras especialidades de engenharia (como estruturas ou instalações). Este novo sistema tem também a capacidade de gerir automaticamente os projectos, facilitando o seu recálculo. Com esta solução os engenheiros apenas necessitam de introduzir as plantas dos projectos e os respectivos elementos verticais no software Cypeterm, criando um modelo 3D a partir do qual podem ir experimentando diferentes materiais e elementos e, desta forma, criar várias soluções de eficiência energética. Portugal passa assim a ser um dos poucos países do mundo que dispõem de um software de cálculo automático dedicado ao projecto da eficiência energética de edifícios, certificado por uma norma de qualidade internacional e pela entidade reguladora (ADENE Agência para a Energia). AUMENTO DO PERíODO DE FUNCIONAMENTO DAS DELEGAÇõES DISTRITAIS Deliberou o Conselho Directivo da Ordem dos Engenheiros, Região Norte, em reunião ordinária de 12 de Novembro de 2010, aumentar o período de abertura das Delegações Distritais, como forma de alargar o tempo de prestação de Serviços Directos ao membro. Inserido num eixo estratégico de eficácia e eficiência do funcionamento e da interlocução directa com os membros, esta acção visa a melhoria da satisfação das necessidades associativas dos seus associados. 11

12 NOTíCIAS COLÉGIO DE ENGENHARIA GEOLóGICA E DE MINAS DA REGIÃO NORTE O NOvO CCP NA CARACTERIzAÇÃO GEOTÉCNICA DE GRANDES EMPREENDIMENTOS OERN NOS ENCONTROS DA LIGAÇÃO EDP DISTRIbUIÇÃO O Colégio de Engenharia Geológica e de Minas da Região Norte realizou no dia 23 de Fevereiro, nas instalações da sede da Região Norte, o debate implicações do novo código de contratação pública na qualidade da caracterização geotécnica de grandes empreendimentos, proferido pelo Engenheiro Jorge Cruz, Responsável pela Prospecção Geotécnica da Direcção de Fundações e Geotecnia da MOTA-ENGIL e moderado pelo Engenheiro Nuno Cruz, Coordenador do Colégio de Engenharia Geológica e de Minas. Conscientes que os projectos de natureza geotécnica evidenciam algumas carências e das implicações destas debilidades que geram acréscimos de custos significativos nos empreendimentos, o Colégio de Engenharia Geológica e Minas lança um conjunto de debates, a decorrer durante todo o ano e abertos à discussão pública, subordinados ao tema Caracterização Geotécnica. Continuar o passado ou reinventar o futuro?, com o intuito de contribuir para o desenvolvimento de práticas de caracterização que englobem conhecimentos e tecnologias actualizadas com o século em que vivemos. Na sua intervenção o Eng.º Jorge Cruz abordou os impedimentos do Código de Contratação Pública (CCP), a história da geotecnia e o resultado da implementação do CCP, focalizando na reacção dos grupos empresariais, no caso da Mota Engil Engenharia e Construções (MEEC), na reacção do mercado nacional e nas capacidades técnicas no mercado nacional. Segundo o Eng.º Jorge Cruz com a implementação do CCP assistiu-se a um descontentamento da maioria dos intervenientes no mercado e as repercussões do mesmo resultou na exclusão das unidades ou núcleos de prospecção ligados a grupos empre sa riais. Tal facto levou à redução da capacidade produtiva nacional, à perda da maioria das empresas de prospecção de grande dimensão e do Know-How e capa- A Ordem dos Engenheiros Região Norte, representada pelo Sr. Professor António Machado e Moura, vice- Presidente da OERN, e pelo Engenheiro hélder Leite, vogal do Conselho Regional do Colégio de Engenharia Electrotécnica, marcou presença, a convite da EDP Distribuição, num Encontro de Ligação, que se realizou a 01 de Março, no hotel vila Galé no Porto. Neste encontro, cuja abertura esteve ao cargo do Engenheiro António Santos Ferreira, Director da EDP Distribuição, Direcção de Redes e Clientes Porto, foi feita a apresentação do Manual da Ligação à Rede, documento no qual se sintetizam os princípios a observar para a ligação à rede pública de distribuição de uma instalação de utilização ou de uma instalação produtora. Foram ainda abordadas as ligações em baixa, média e alta tensão e da Micropro- cidades técnicas que essas empre- dução, as ligações de urbanizações, sas possuíam. No caso da MEEC empreendimentos mistos e ilumina- traduziu-se na recusa na participa- ção pública, a ligação de produtores ção de estudos geológicos e geotéc- em regime especial e a qualidade da nicos preliminares e na procura de energia. O Engenheiro ângelo Sar- novos mercados, nomeadamente mento, Administrador, encerrou a Espanha, Roménia, Cabo-verde, sessão, onde foi oferecido um exem- Moçambique e S. Tomé e Príncipe. plar do manual apresentado a cada Para os próximos meses de Março, um dos participantes. Abril, e Maio estão já confirmados novos debates. 12 INFO 23 JAN FEv MAR 2011

13 I ENCONTROS vínicos DO vinho verde ExERCíCIO DA PROFISSÃO DE ENGENHARIA CIvIL Assinatura de Convénio Ibérico para reconhecimento mútuo de engenheiros portugueses e espanhóis A Alfândega de valença acolheu, no dia 25 de Março, a celebração do protocolo/convénio entre Portugal e Espanha, da Ordem dos Engenheiros e do Colégio de Ingenieros de Caminos,Canales y Puertos (CICCP), para o processo mútuo de acreditação e reconhecimento dos títulos profissionais dos engenheiros civis, para efeitos do exercício, em regime de estrita igualdade e reciprocidade, tanto em Portugal como em Espanha, das actividades profissionais. Tendo a própria ponte internacional que liga valença a Tui, e outras diferentes perspectivas da mesma, como pano de fundo, e após a sua travessia, a sessão protocolar iniciouse com as palavras do Sr. Presidente da Câmara de valença, Jorge Salgueiro Mendes, às quais se seguiram as intervenções do Sr. Presidente do Colégio de Caminos, Canales y Puertos, Edelmiro Rúa Alvarez, e do Sr. bastonário da Ordem dos Engenheiros, Carlos Matias Ramos. Como tónica comum aos discursos a forte ligação que une estes dois países e a memória desta ponte enquanto testemunho dessa relação, também porque esta obra de arte foi projectada por um engenheiro espanhol e dirigida por um engenheiro português. Depois da formalização do protocolo seguiu-se almoço convívio na pousada de São Teotónio de valença. A Ordem dos Engenheiros agradece à Câmara Municipal de valença toda a colaboração prestada na realização deste evento. A OERN promove no dia 16 de Abril na cidade de viana do Castelo, o I Encontros vínicos do vinho verde, em colaboração com o Município de viana do Castelo, a Comissão de viticultura da Região dos vinhos verdes (CvRvv), a Escola Superior Agrária de Ponte de Lima, a Escola de hotelaria e Turismo de viana do Castelo e o Turismo do Porto e Norte de Portugal. Estes encontros, que decorrem durante as comemorações da Cidade do vinho 2011 viana do Castelo, pretendem divulgar e incentivar a intervenção de Engenheiros na produção de vinhos verdes; associar a imagem de qualidade da Ordem dos Engenheiros à marca de qualidade vinhos verdes e dinamizar parcerias com outras instituições regionais, estando destinados a membros da OE e ao público em geral. Entre várias acções pretende-se eleger o vinho verde do ano, nas categorias: vinho verde branco, vinho verde Tinto, vinho verde Rosado e vinho verde Espumante branco. Os produtores terão a possibilidade de expor os seus vinhos e de os dar a provar. Os vinhos seleccionados pelo painel de provadores, da responsabilidade da OERN, farão parte da ementa do Jantar de Gala. Além da componente lúdico-cultural, este encontro terá ainda uma Sessão Técnica e Fórum temático denominado Novidades Tecnológicas na vinha e no vinho, que incidirá sobre várias tecnologias de ponta, revelando algumas novidades. Com três painéis subordinados aos temas vinha e novas tecnologias, vinho e novas tecnologias e Marketing, estas sessões contarão com a participação de prestigiados oradores de instituições de relevo tais como a Universidade do Minho, a Universidade de Trás os Montes e Alto Douro, a Universidade de Santiago, a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, a Escola Superior Agrária de Ponte de Lima/Instituto Politécnico de viana do Castelo, o Instituto Superior de Agronomia/Universidade Técnica de Lisboa, a estação vitivinícola da bairrada/direcção Regional de Agricultura da beira Litoral, o Instituto da vinha e do vinho, a vinália, a Sinergeo, a Amorim&Irmãos e a Sociedade Agrícola e Comercial da quinta da Aveleda,SA. 1 AS JORNADAS DA MObILIDADE ELÉCTRICA O mundo está perante novos paradigmas de mobilidade, em que uma das vertentes parece assentar em veículos eléctricos. Porém, antes destes veículos serem a maioria nas nossas estradas, muitas dificuldades terão de ser superadas. Autonomia, custo, segurança e carregamento, incluindo a resposta da rede, são alguns pontos que terão de ser optimizados e resolvidos. Mas há já mercado para este tipo de mobilidade, pois estes veículos são isentos de poluição local, são silenciosos, agradáveis de conduzir, sendo ideais para centros de cidades ou outros locais onde a minimização da poluição, atmosférica e de som, é essencial. é nesta conjuntura que o Colégio de Engenharia Mecânica da Ordem dos Engenheiros Região Norte decidiu iniciar um ciclo de Jornadas ligadas à mobilidade eléctrica, neste caso aos veículos rodoviários. As 1 as jornadas decorrem a 28 de Maio em Guimarães, uma das cidades pioneiras do MOBI-e, e onde um dos maiores projectos nacionais de desenvolvimento de veículos eléctricos do programa MIT-Portugal está centralizado (Universidade do Minho, em Guimarães), e vão tentar responder a várias questões relativas às novas tecnologias, carros eléctricos e redes de carregamento, integrando ainda uma mostra de veículos eléctricos. 13

14 P R O F I S S I O N A L CARACTERIZAÇÃO DOS ACTOS DE ENGENHARIA INFORMáTICA SObRE OS ACTOS DA PROFISSÃO NO âmbito DO COLÉGIO DE ENGENHARIA INFORMÁTICA Ricardo J. Machado Coordenador do Conselho Regional Norte do Colégio de Engenharia Informática Professor Associado da Universidade do Minho Luís Amaral Presidente do Conselho Nacional do Colégio de Engenharia Informática Professor Associado da Universidade do Minho Resumo A caracterização dos actos da profissão constitui um referencial fundamental para que qualquer Ordem profissional possa sustentar e regular o âmbito de actuação dos profissionais que tutela. Este referencial pretende-se catalisador de uma actuação consciente e competente do profissional ao serviço da Humanidade. Este artigo apresenta uma breve descrição dos actos da profissão que os autores consideram pertinentes serem adoptados no âmbito do Colégio de Engenharia Informática. 1. INTRODUÇÃO O exercício da profissão de Engenharia deve ocorrer sob o estrito cumprimento dos códigos de ética e de deontologia profissional e mediante a submissão a regulamentos disciplinares. Estes são valores indispensáveis para assegurar a confiança nos profissionais qualificados como de interesse público. «A elaboração de projectos de estruturas, de instalações eléctricas, de redes de gás, a correspondente responsabilidade pela execução das obras, os estudos de impacto ambiental e a concepção e gestão dos sistemas de informação são exemplos de actos que devem merecer a confiança pública dos cidadãos» [1]. Segundo os estatutos da Ordem dos Engenheiros (OE) [2], do ponto de vista meramente funcional, considera-se Engenheiro o «profissional que se ocupa da aplicação das ciências e técnicas respeitantes aos diferentes ramos de Engenharia nas actividades de investigação, concepção, estudo, projecto, fabrico, construção, produção, fiscalização e controlo de qualidade, incluindo a coordenação e gestão dessas actividades e outras com elas relacionadas». Desta forma, a definição dos actos da profissão de Engenheiro não se revela tarefa trivial, tal é a diversidade de actividades envolvidas, bem como as inúmeras áreas de actuação. 2. TIPOLOGIA DE ACTOS Apesar da diversidade referida, é possível identificar e caracterizar um número limitado (e bem definido) de tipos de actos que seja comum à generalidade das especialidades de Engenharia 1 e das especializações verticais 2 e horizontais 3 formalmente reconhecidas pela OE actualmente. Aqui, designam-se tipos de actos os que caracterizam, genericamente (i.e., independentemente 14 INFO 23 JAN FEv MAR 2011

15 P R O F I S S I O N A L da especialidade ou especialização), a natureza da intervenção profissional do Engenheiro, num contexto em que a sua regulação se justifica à luz das consequências que a mesma pode provocar na vida das pessoas. Nesta perspectiva, deveriam considerar-se os seguintes tipos de actos: 4) Execução: O acto de execução é todo aquele que se refere à realização, no plano do tangível, das soluções de base tecnológica. Estão incluídos os esforços relativos não só aos contextos de projecto, mas também aos de exploração e manutenção das soluções. 1) Projecto (de engenharia): O acto de projecto prende-se com a idealização e planeamento de soluções de base tecnológica que levem à realização ou reestruturação optimizada das mesmas, permitindo atingir os objectivos propostos. é frequente a utilização da expressão concepção como sinónimo de projecto. Aqui, considera-se que, numa perspectiva de macroprocesso 4 em cascata, o projecto é composto, de entre outras, pelas fases de análise (em que se especifica as funcionalidades da solução de base tecnológica e o desempenho desejado, bem como todas as decisões que podem restringir a liberdade de concepção e implementação) e de concepção (em que se define a arquitectura da solução de base tecnológica e se caracterizam os seus componentes, de forma a cumprir as especificações fornecidas pela fase de análise). No caso da área da Engenharia Informática, o projecto inclui ainda a fase de implementação (em que se constrói a solução de base tecnológica segundo as directivas e decisões de concepção fornecidas pela fase anterior). 2) Gestão (de engenharia): O acto de gestão prende-se com a organização e afectação de recursos (financeiros, tecnológicos e humanos), com o controlo (medir, avaliar, negociar e tomar decisões) e com a coordenação (comunicar e motivar), em contextos de projecto, de exploração e de manutenção de soluções de base tecnológica. 3) Fiscalização: O acto de fiscalização prende-se com a avaliação do cumprimento dos níveis de desempenho e rigor dos actos de execução, por forma a garantir a qualidade das soluções de base tecnológica, à luz de referenciais estabelecidos (leis, normas, especificações, etc.). O acto de fiscalização pode ser também dirigido para a avaliação dos actos de projecto e de gestão. Este tipo de actos é, por vezes, designado de avaliação ou auditoria. Dos quatro tipos de actos de Engenharia referidos, a coordenação de três deles (projecto, gestão e fiscalização) deverá ser exclusivamente executada por profissionais de Engenharia inscritos na OE. Em relação ao acto de execução considera-se que, num número considerável de situações, é possível ser analogamente desempenhado por outro tipo de profissionais de Engenharia. «Daqui decorre a elevada complexidade do exercício da profissão de Engenharia, pois, para além de considerar os aspectos estritamente científicos, técnicos e tecnológicos, como lhe compete como Tecnólogo ou Tecnologista que é, o Engenheiro tem ainda a missão de situá-los na intersecção destes sistemas, e de avaliar as suas inter-influências e os seus efeitos recíprocos: é por isso que todos os Engenheiros são Tecnólogos ou Tecnologistas, mas nem todos os Tecnólogos ou Tecnologistas são Engenheiros» [3]. Por outro lado, em alguns documentos da OE (que descrevem o âmbito da profissão de Engenharia) são referenciados outros tipos de actos, tais como estudos e consultoria, ensino e formação, investigação, ou normalização. Estas actividades profissionais, apesar de estarem enquadradas no âmbito da Engenharia, não devem ser designadas de actos. Embora, no caso do ensino, considerarmos que ninguém deve envolver-se no ensino de Engenharia sem ter tido preparação para esta profissão [4], não nos parece adequado formalizar como acto o ensino da profissão de Engenheiro. Também no caso da investigação, apesar de considerarmos que, em determinadas circunstâncias, o Engenheiro necessite de se envolver em actividades relacionadas com a investigação, não achamos que a actividade de investigação deva ser regulada pela OE. A associação da investigação à actividade do Engenheiro decorre da utilização recorrente e sistemática da expressão investigação e desenvolvimento tecnológico (I&DT). Numa perspectiva de investigação fundamental, pode considerar-se que os Cientistas explicam o que existe e os Engenheiros 15

16 P R O F I S S I O N A L Análise de Negócio e Engenharia de Requisitos Gestão e Auditoria de Sistemas de Informação Concepção e Construção de Soluções Informáticas Teste de validação de Soluções Informáticas Gestão de Projectos de Sistemas de Informação fig. 1 (em baixo) Actos do profissional de Engenharia Informática Gestão de Serviços de Tecnologias de Informação criam o que nunca existiu [5]. No entanto, é no contexto da investigação aplicada que os dois conceitos se tornam mais próximos, apesar de formalmente diferentes [6]. Aqui, considera-se que a investigação em engenharia se dedica ao desenvolvimento de novas teorias e metodologias que os Engenheiros irão futuramente utilizar no âmbito do exercício das suas actividades profissionais. De entre vários exemplos, a prestigiada revista científica Research in Engineering Design [7] publica exclusivamente trabalhos de investigação sobre problemas de Engenharia. 3. ACTOS DA PROFISSÃO A tipologia de actos acima sugerida deve, para cada especialidade e especialização, dar origem a conjuntos de actos explicitamente comprometidos com o domínio de intervenção que esteja em causa. No caso da Engenharia Informática, sugerimos a adopção da abordagem definida pelo bcs (The Chartered Institute for IT, anteriormente designado de british Computer Society) [8], cuja implementação no território britânico, em termos de certificação de competências, está sob a responsabilidade do ISEb (Information Systems Examinations board) [9] que disponibiliza, em permanência, um conjunto de acções de formação, de forma a que cada profissional possa ser capacitado nas temáticas necessárias para complementar a sua formação académica de base e desempenhar perfis de actuação profissional ajustados ao nível de responsabilização e qualidade definidas pelo ISEb. Em concreto, sugerimos a formalização dos seguintes seis conjuntos de actos do profissional de Engenharia Informática (ver Fig. 1). 3.1 Análise de Negócio e Engenharia de Requisitos O objectivo da execução destes actos consiste na caracterização dos benefícios para o negócio (domínio aplicacional), decorrentes da adopção de soluções informáticas, tendo em conta as suas características funcionais e tecnológicas. Pretende-se uma adequada e correcta transposição da arquitectura de negócio (processos de negócio, funções e estrutura organizacional) para a arquitectura de informação (estruturas de dados, interfaces entre os sistemas de informação internas e externas e padrões de produção, consumo e transformação da informação). Deve ser adoptada uma visão holística na investigação e melhoria do contexto de negócio, por forma a promover a adopção de soluções que se revelem eficazes e viáveis económica e tecnologicamente. Este conjunto de actos exige o domínio de técnicas e metodologias de análise de negócio e de contextos organizacionais, modelação de processos de negócio e engenharia de requisitos. No âmbito destes actos, podemos mencionar o referencial de boas práticas babok (Guide to business Analysis body of Knowledge) [10] que serve de base para a certificação CbAP (Certified business Analysis Professional) atribuída pelo IIbA (International Institute of business Analysis) [11]. 3.2 Concepção e Construção de Soluções Informáticas O objectivo da execução destes actos consiste na análise dos requisitos previamente identificados e caracterizados, com o intuito de produzir uma descrição da estrutura interna e da organização da solução informática (entendida como o software e a infra-estrutura de tecnologias de informação subjacente). A descrição da arquitectura aplicacional e a especificação de todos os componentes (organizados em serviços aplicacionais, serviços corporativos e interfaces internos e externos) que suportam os requisitos funcionais da organização devem permitir a construção da solução informática. Nestes actos incluem-se a configuração e a gestão da instalação do software (aplicações) das soluções informáticas. Este conjunto de actos exige o domínio de técnicas e metodologias de modelação de sistemas, arquitectura de soluções empresariais, integração de componentes off-the-shelf, e implementação de sistemas. No caso deste conjunto de actos, referimos, a título de exemplo, dois guias de referência: (i) o EAbOK (Guide to the Enterprise Architecture body of Knowledge) [12] promovido pela entidade norte-americana Mitre [13]; (ii) o G2SEboK (Guide to Systems Engineering body of Knowledge) [14] promovido pela entidade europeia INCOSE (International Council on Systems Engineering) [15]. Nas temáticas exclusivas de desenvolvi- 16 INFO 23 JAN FEv MAR 2011

17 P R O F I S S I O N A L mento de software, consideramos relevante a certificação CSDP (Certified Software Development Professional) [16] sob a responsabilidade da IEEE Computer Society [17], bem como o referencial de maturidade processual CMMI-DEv (Capability Maturity Model Integration for Development) [18] desenvolvido pelo SEI (Software Engineering Institute at Carnegie Mellon University) [19]. 3.3 Teste e validação de Soluções Informáticas O objectivo da execução destes actos consiste na aferição da qualidade interna e externa das soluções informáticas, bem como na sua melhoria através da identificação dos seus defeitos e problemas. A verificação dinâmica do comportamento das soluções em relação ao comportamento esperado, recorrendo a um conjunto finito de casos de teste, especialmente escolhidos para cobrir as situações mais críticas do seu funcionamento, exigem o domínio de um conjunto alargado de técnicas e metodologias que garantam a replicabilidade e a obtenção dos mesmos resultados, independentemente do profissional que os utilize. Abordagens baseadas em provas formais podem também ser adoptadas para estudar a correcção dos algoritmos implementados. Para além das certificações ministradas pelo já referido ISEb, no contexto destes actos, é importante referir a certificação ISTqb Certified Tester gerida pelo ISTqb (International Software Testing qualifications board) [20] e a certificação CSqE (Software quality Engineer Certification) [21] atribuída pela ASq (American Society for quality) [22]. 3.4 Gestão de Projectos de Sistemas de Informação O objectivo da execução destes actos consiste na aplicação de actividades de gestão (planeamento, coordenação, medição, monitorização, controlo e documentação) aos contextos de desenvolvimento de soluções informáticas, para garantir que o seu desenvolvimento é sistemático, disciplinado e quantificável. No contexto da Engenharia Informática, a gestão de projectos apresenta alguma especificidade, devido às particularidades da tecnologia do software e do respectivo processo de desenvolvimento. Referimo-nos, nomeadamente, à natureza intangível dos artefactos resultantes do processo de engenharia de software (que impõe a necessidade de raciocinar a níveis de abstracção tendencialmente elevados) e à elevadíssima taxa de actualização tecnológica a que a área está sujeita. Este conjunto de actos exige o domínio de técnicas e metodologias de arranque, planeamento, execução, revisão, avaliação e encerramento de projectos. No caso da gestão de projectos, existe uma diversidade considerável de referenciais e respectivas certificações profissionais; destacamos os seguintes: (i) o PMbOK (Project Management body of Knowledge) promovido pelo PMI (Project Management Institute) [23] que atribui diversos tipos de certificações, nomeadamente o PMP (Project Management Professional) [24]; (ii) a associação IPMA (International Project Management Association) [25] que atribui diversos níveis de certificação em gestão de projectos; (iii) o PRINCE (Projects in Controlled Environments) [26] e o Scrum [27] que são exemplos de abordagens/certificações que promovem práticas de gestão de projectos especialmente dedicadas ao desenvolvimento de software. 3.5 Gestão de Serviços de Tecnologias de Informação O objectivo da execução destes actos consiste no planeamento e exploração das infra-estruturas de tecnologias de informação, por forma a garantir níveis de fornecimento de serviços económica e tecnologicamente adequados às organizações, em termos da capacidade, disponibilidade e continuidade dos serviços de tecnologias de informação. As infra-estruturas de tecnologias de informação (também designada de arquitectura tecnológica) consideram todos os blocos tecnológicos relevantes para a disponibilização dos serviços aplicacionais e corporativos, incluindo o software base (sistemas de operação), hardware (sistemas de computação) e infra-estrutura de redes e comunicações. Este conjunto de actos exige o domínio de técnicas e metodologias de gestão de configurações, gestão da instalação, gestão da mudança, gestão de problemas e de gestão de incidentes, relativas ao nível infraestrutural das soluções informáticas. Como referenciais relevantes para este conjunto de actos, destacamos o ITIL (IT Infrastructure 17

18 P R O F I S S I O N A L Library) [28] promovido sobretudo pelo itsmf (IT Service Management Forum) [29] e o CMMI-SvC (Capability Maturity Model Integration for Services) [30] desenvolvido pelo SEI. 3.6 Gestão e Auditoria de Sistemas de Informação O objectivo da execução destes actos consiste no governo e controlo dos sistemas e tecnologias de informação, em contextos de pré-projecto (em fase de planeamento estratégico) e de pós-projecto (em fase de exploração ao serviço das organizações). Estes actos devem ser executados numa perspectiva holística, considerando todas as componentes relevantes no âmbito dos sistemas de informação: (i) capacidade estratégica alinhamento com os objectivos de negócio, controlo de gestão, organização, recursos e competências, gestão de custos, conformidade legal, gestão de entidades externas, gestão de níveis de serviço; (ii) integridade dos processos de negócio processos de negócio, segregação de funções, interfaces entre sistemas, qualidade e integridade dos dados, controlos apli ca cionais e manuais, controlos de inputs, controlos de outputs e reporte; (iii) suporte gestão da segurança dos sistemas de informação, gestão da capacidade, gestão de problemas, continuidade de negócio, gestão de operações, gestão de configurações, segurança física, gestão de instalações; (iv) gestão de alterações gestão de alterações de negócio, gestão de alterações técnicas e operacionais, metodologia de desenvolvimento de sistemas, metodologia de gestão de projectos, envolvimento dos utilizadores, controlo de qualidade, documentação. No âmbito destes actos, julgamos pertinente referenciar o CObIT (Control Objectives for Information and Related Technology) [31] sob a responsabilidade da ISACA (Information Systems Audit and Control Association) [32] e o CMMI- ACq (Capability Maturity Model Integration for Aquisition) [33] desenvolvido pelo SEI. Os seis conjuntos de actos estão consideravelmente alinhados com a forma como o referencial ACM Computing Careers [34] estrutura as carreiras profissionais na área da Informática (computing), definindo dois níveis de qualificação académica e para cada um deles estabelecendo um referencial curricular capaz de dotar o correspondente profissional com as competências necessárias para iniciar o exercício da profissão [35]: (i) computer science alinhado com os actos de Construção de Soluções Informáticas e de Teste e validação de Soluções Informáticas; (ii) computer engineering no caso da OE, este perfil tem estado parcialmente associado ao Colégio de Engenharia Electrotécnica; (iii) information systems alinhado com os actos de Análise de Negócio e Engenharia de Requisitos, de Gestão de Projectos de Sistemas de Informação e de Gestão e Auditoria de Sistemas de Informação; (iv) information technology alinhado com os actos de Gestão de Serviços de Tecnologias de Informação; (v) software engineering alinhado com os actos de Engenharia de Requisitos, de Concepção de Soluções Informáticas e de Gestão de Projectos de Sistemas de Informação. Neste exercício de estruturação da formação académica de base dos profissionais de Informática participaram diversas insti - tuições de reconhecido mérito a nível internacional, nomeadamente a ACM (Association for Computing Machinery) [36], a IEEE Computer Society e a AIS (Association for Information Systems) [37]. 4. CONCLUSõES Julgamos que os seis conjuntos de actos apresentados para o profissional de Engenharia Informática permitem conceber esta profissão como mais uma das especialidades que considera a Engenharia como consistindo na aplicação de uma abordagem sistemática, disciplinada e quantificável no projecto, gestão, fiscalização e execução de estruturas, máquinas, produtos, sistemas ou processos, recorrendo a conhecimentos, princípios, técnicas e métodos decorrentes dos avanços empírico-cientí ficos, num contexto é tico-deon to lógico de satisfação estrita das necessidades do desenvolvimento sócio-humano. A Ordem entende que a crescente exigência de responsabilização e competências associadas aos actos de Engenharia requer um esforço de harmonização, para o qual o seu contributo é indispensável. Ao longo deste mandato, o Colégio de Engenharia Informática irá promover um conjunto de sessões, nas diversas regiões, para discutir este assunto e envolver os membros na definição dos actos que caracterizarão e regularão a actuação do Engenheiro Informático em Portugal. 18 INFO 23 JAN FEv MAR 2011

19 P R O F I S S I O N A L 5. REFERÊNCIAS [1] Fernando Santo. A Confiança no Exercício das Profissões. Semanário Económico, 15 Jan [2] Estatutos da Ordem dos Engenheiros, Artigo 4. : Título de engenheiro, Decreto-Lei nº119/92, D.R. nº 148 I, 30 Jun [3] João vasconcelos. Um Problema de Análise de Funções: Contribuição para a Fixação do Conceito de Engenheiro e para a Caracterização e Definição da Profissão de Engenharia, Janeiro, [4] John Cowan. Education for Engineering Educators? European Journal of Engineering Education, vol. 15, no. 2, pp , [5] Charles R. Mischke. Mathematical Model building: An Introduction to Engineering, 2nd ed., Iowa State Pr., 1 [6] Karl T. Ulrich, Steven D. Eppinger. Product Design and Development, 3rd ed., McGraw-hill, [7] Research in Engineering Design, Springer London: [8] bcs The Chartered Institute for IT: [9] ISEb Information Systems Examinations board: [10] babok Guide to business Analysis body of Knowledge: [11] IIbA International Institute of business Analysis: [12] EAbOK Guide to the Enterprise Architecture body of Knowledge: [13] Mitre: [14] G2SEboK Guide to Systems Engineering body of Knowledge: [15] INCOSE International Council on Systems Engineering: [16] CSDP Certified Software Development Professional: [17] IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers) Computer Society: [18] CMMI-DEv Capability Maturity Model Integration for Development: [19] SEI Software Engineering Institute at Carnegie Mellon University: [20] ISTqb International Software Testing qualifications board: [21] CSqE Software quality Engineer Certification: [22] ASq American Society for quality: [23] PMI Project Management Institute: [24] PMP Project Management Professional: [25] IPMA International Project Management Association: [26] PRINCE Projects in Controlled Environments: [27] Scrum: [28] ITIL IT Infrastructure Library: [29] itsmf IT Service Management Forum: [30] CMMI-SvC Capability Maturity Model Integration for Services: [31] CObIT Control Objectives for Information and Related Technology: [32] ISACA Information Systems Audit and Control Association: [33] CMMI-ACq Capability Maturity Model Integration for Acquisition: [34] ACM Computing Careers: [35] ACM Curricula Recommendations: [36] ACM Association for Computing Machinery: [37] AIS Association for Information Systems: 1 civil, electrotécnica, mecânica, geológica e de minas, química e biológica, naval, geográfica, agronómica, florestal, de materiais, informática, do ambiente 2 direcção e gestão da construção, estruturas, hidráulica e recursos hídricos, planeamento e ordenamento do território, segurança no trabalho da construção, luminotécnia, telecomunicações 3 avaliações de engenharia, energia, engenharia acústica, engenharia aeronáutica, engenharia alimentar, engenharia de climatização, engenharia de refrigeração, engenharia de segurança, engenharia e gestão industrial, engenharia sanitária, engenharia têxtil, geotecnia, manutenção industrial, sistemas de informação geográfica, transportes e vias de comunicação 4 é comum adoptarem-se modelos do processo de desenvolvimento estruturados em duas camadas: (i) o macroprocesso, da responsabilidade da equipa de gestão do projecto e que, seguindo essencialmente o modelo em cascata, controla de perto todas as tarefas do(s) microprocesso(s), impondo-lhe(s) uma coordenação global através, por exemplo, da definição de um ritmo de execução e de marcos de controlo intermédio (milestones) estrategicamente escolhidos; (ii) o(s) microprocesso(s), da responsabilidade da equipa de execução do projecto e que, seguindo essencialmente o modelo em espiral, define(m) a forma de executar de facto o desenvolvimento da solução segundo uma abordagem iterativa e incremental. 19

20 P R O F I S S I O N A L O IMPORTANTE CONTRIBUTO DA GEOTECNIA NA ENGENHARIA «PROSPECÇÃO GEOTÉCNICA. CONTINUAR O PASSADO OU RE-INvENTAR O FUTURO?» Nuno Cruz Coordenador do Conselho Regional Norte do Colégio de Engenharia Geológica e de Minas A complexidade das obras da construção civil e obras públicas em Portugal e em todo o mundo tem vindo a crescer significativamente, sobretudo devido ao desenvolvimento tecnológico das últimas décadas, ao aumento da concentração de pessoas em torno dos grandes centros urbanos e ao incremento do número de catástrofes naturais resultantes das alterações ambientais profundas a que o planeta tem vindo a ser sujeito. Por seu lado, a gestão moderna de empreendimentos é particularmente incisiva em torno de 3 objectivos fundamentais: maior economia, maior rapidez e maior qualidade. No entanto, a congregação destes 3 objectivos é complexa, redundando com frequência na redução do último em detrimento dos dois primeiros, uma vez que é apetecível introduzir maior rapidez e maior economia à custa da qualidade e quantidade dos resultados disponíveis. No caso da Geotecnia, dado o seu importante contributo para praticamente todas as obras de engenharia civil, nomeadamente em barragens, Túneis, Pontes, Obras Rodoviárias e Ferroviárias e Construção Civil em geral, esta realidade traduz-se com frequência em desvios significativos (tantas vezes determinante) no custo financeiro final das obras. Deste modo, importa estabelecer metodologias de trabalho mais actualizadas que permitam optimizar os diferentes domínios com relevo na construção de cada empreendimento particular. No contexto prático da engenharia a Geotecnia é habitualmente representada por uma sequência de processos cujo desenvolvimento assenta em Identificar (geologia), Caracterizar (parâmetros mecânicos), Calcular (dimensionar) e Monitorizar. Naturalmente que, para se extrair o verdadeiro potencial do conhecimento geotécnico, os domínios referidos têm de funcionar de modo harmónico, isto é, através da execução Sondagens + Ensaios + Cálculo + Monitorização que deverão ser geridas em uníssono. Deste conjunto de acções enumeradas, verifica-se que na generalidade a primeira é cumprida satisfatoriamente, mas o domínio da caracterização mecânica (quantitativa) revela atrasos algo preocupantes na utilização de equipamentos e metodologias adequadas ao contexto de desenvolvimento tecnológico da actualidade, comprometendo a qualidade dos projectos específicos, uma vez que os maciços não se encontram adequadamente caracterizados sob o ponto de vista mecânico. Estabelecendo um paralelo de senso comum, seria como preparar um paciente para uma intervenção cirúrgica complicada, baseado apenas numa análise sumário efectuada por exemplo com martelo de reflexos e um termómetro. Com efeito, a realidade tanto nacional como de grande parte dos países de destino das empresas portuguesas 20 INFO 23 JAN FEv MAR 2011

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