RTP 2 NOVO PROGRAMA DEDICADO À IMIGRAÇÃO PROVEDOR DE JUSTIÇA EM DEFESA DOS DIREITOS DOS IMIGRANTES

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1 boletim informativo#10 B I PROFESSOR FERNANDO LUIS MACHADO OS IMIGRANTES NÃO SÃO SÓ ACTORES ECONÓMICOS RTP 2 NOVO PROGRAMA DEDICADO À IMIGRAÇÃO PROVEDOR DE JUSTIÇA EM DEFESA DOS DIREITOS DOS IMIGRANTES COMUNIDADES CHINESA E CABOVERDEANA IMIGRANTES APOIAM VÍTIMAS DE INCÊNDIOS SETEMBRO

2 02 03 EDITORIAL JN (...) A generosidade e o espírito de sacrifício não têm cor de pele. O bem, onde quer e por quem quer que seja praticado, deve ser reconhecido, louvado e imitado.(...) P. António Vaz Pinto, S. J SAFAR A PELE, SALVAR A VIDA AComunicação Social relata-nos com frequência casos negativos acontecidos com imigrantes de qualquer nacionalidade: Imigrante assaltou bomba de gasolina ou Loja foi esvaziada por um trio de meliantes de Leste. Infelizmente estes casos acontecem e infelizmente também, acontecem com os nacionais, os portugueses... Mas, quando os presumíveis autores dos crimes são portugueses, não surge assim a notícia: Português assassinou anciã para a roubar... Maldade da Comunicação Social? Julgamos que não; mas falta de cuidado e de profissionalismo, isso sim... É que deste modo se vai criando uma imagem muito negativa e falsa dos imigrantes que convivem connosco. Vem tudo isto a propósito de um episódio ocorrido no Porto, no passado dia 1 de Julho, muito positivo e que por todos deve ser conhecido e louvado. Obras na Ribeira do Porto. Algo cai à água e o barulho é ouvido; um jovem trabalhador angolano, de seu nome José Bernardo Pedro Cazequeza, vai ver o que se passa: uma criança, no meio das suas brincadeiras, caiu ao rio; tem 5 anos, chama-se João, será apurado depois. Não há tempo a perder e o rio corre veloz; de fato de trabalho e botas calçadas, relógio e telemóvel, o José Cazequeza não hesita: atira-se prontamente à água, arriscando a própria vida e salvando assim o João! Uns só querem salvar a pele; outros, é o caso do José Cazequeza, procuram salvar a vida... dos outros! A população da Ribeira, com a família do João à frente, juntou-se, quotizou-se e em gesto de agradecimento vai proporcionar ao José Cazequeza uma ida a Luanda, para visitar a mãe que já não vê há alguns anos. O Presidente da Câmara do Porto, Dr. Rui Rio, em comovedora cerimónia na qual tive o gosto e a honra de participar, homenageou e presenteou o José Cazequeza e já agora arranjou para o João uma bicicleta e um cartão para frequentar as piscinas municipais... O Alto Comissariado, além de uma homenagem própria, está a providenciar um novo contrato de trabalho para o José Cazequeza e a procurar transformar a sua autorização de permanência em autorização de residência. A generosidade e o espírito de sacrifício não têm cor de pele. O bem, onde quer e por quem quer que seja praticado, deve ser reconhecido, louvado e imitado. O Alto-Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas P. António Vaz Pinto, s.j. Boletim Informativo Setembro 2003

3 AGILIZAR OS ACORDOS COM O BRASIL Portugal e o Brasil são dois Estados modernos, integrados nas economias regionais dos seus continentes, que têm vindo a desenvolver intensas trocas culturais, económicas, comerciais e também, em resultado de movimentos migratórios históricos entre os dois países, demográficas. As motivações que levam uma pessoa ou uma família a emigrar são diversas. No entanto, na escolha do país de destino, certamente pesa sobretudo a imagem subjectiva e pessoal que cada pessoa faz dos destinos possíveis. A avaliar pelas vagas migratórias mais recentes Portugal é, para os brasileiros, logo a seguir ao Japão, o destino de sonho. Sem importar aqui discutir se o sonho se realiza ou não, os números mostram que o Brasil para os portugueses e Portugal para os brasileiros tem uma carga emotiva que não podemos ignorar. Assim, é natural que Portugal tenha sido o primeiro destino do Presidente do Brasil depois de tomar posse. É também normal que, em função de uma história e de uma relação bilateral intensa, o Governo português não tenha sido indiferente à situação de milhares de brasileiros que já estão entre nós, bem como às dificuldades por que passam muitos portugueses que partem para o Brasil sem ter a sua situação regularizada. É em resultado destas e de outras preocupações (como a livre circulação de alguns profissionais entre os dois países e o combate ao tráfico de pessoas) que surgem os acordos assinados a 11 de Julho entre Portugal e o Brasil. A concretização do acordo sobre contratação recíproca envolve diversos ministérios e serviços, entre eles o Ministério da Administração Interna (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), Ministério do Trabalho e Segurança Social (Instituto para o Desenvolvimento da Inspecção das Condições de Trabalho), Ministério dos Negócios Estrangeiros (Direcção Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas). Em termos de processo para os imigrantes, o estipulado nas reuniões bilaterais implica que o cidadão peça no SEF a prorrogação do seu visto, veja o seu contrato de trabalho aprovado pelo IDICT e se des- loque a Espanha para conseguir o visto de trabalho num dos consulados portugueses. Tudo isto desde que possa fazer prova da entrada em Portugal antes do dia 12 de Julho, uma vez que a assinatura dos acordos marca a data limite estipulada para a entrada em Portugal. Dentro do espírito que tem norteado a política de imigração definida pelo XV Governo constitucional, nomeadamente as políticas de acolhimento e integração, não podia o Ministério da Presidência, e os serviços sob a sua tutela, demitir-se da responsabilidade de conhecer esta realidade, informar e criar um mecanismo de agilização de processo, por forma a que tudo decorra em condições de dignidade e humanidade a que todo o cidadão tem direito, esteja legal ou ilegal. Foi a pensar nisso que se criou o registo prévio, com a coordenação da Secretaria de Estado que tutelamos. Durante duas semanas os consulados do Brasil, os Centros Locais de Apoio ao Imigrante, a Casa do Brasil e a linha SOS Imigrante deram informações, distribuíram fichas de registo prévio, esclareceram sobre o seu preenchimento e distribuíram roteiros com explicações detalhadas sobre os passos seguintes. Os dados recolhidos nas fichas vão constar de uma base de dados criada especialmente para o efeito e que irá permitir ao SEF, ao IDICT e à DGACC possuir os elementos essenciais para saber quais os serviços que necessitam de ser reforçados para que, quando o imigrante iniciar as restantes etapas do processo, os tempos de espera e as deslocações a cada entidade sejam reduzidos ao essencial. Esta informação prévia reveste-se assim de especial importância para a concretização destes acordos e para uma solução rápida e eficaz dos problemas de cerca de 30 mil pessoas que já deram este primeiro passo para a regularização da sua situação em Portugal. Resta agora esperar que os acordo sejam publicados em Diário da República para dar início à próxima etapa deste processo, de que beneficiam também muitos portugueses no Brasil. Dr. Feliciano Barreiras Duarte Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Presidência (...) os números mostram que o Brasil para os portugueses e Portugal para os brasileiros tem uma carga emotiva que não podemos ignorar. (...) OPINIÃO ACIME Alto-Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas

4 BREVES CURSO DE VERÃO SOBRE DIREITO E IMIGRAÇÃO Numa iniciativa inédita, realizou-se no passado mês de Julho o primeiro curso de Verão subordinado ao tema Direito e Imigração, resultante de uma parceria entre a Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa e o Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME). Entre os diversos temas abordados, destacam-se os seguintes: a cidadania lusófona; o princípio da igualdade e a proibição de discriminação em função da nacionalidade e território de origem; a integração política e o princípio constitucional da equiparação entre portugueses e estrangeiros; a imigração intracomunitária, a liberdade de circulação dos trabalhadores, o direito de estabelecimento e Convenção de Schengen; vistos, asilo, imigração e outras políticas comunitárias relativas à livre circulação de pessoas; a prevenção e o combate à imigração ilegal; os direitos dos trabalhadores imigrantes e a proibição de discriminação; os problemas penais da imigração ilegal; a expulsão e a extradição de cidadãos estrangeiros; os procedimentos de obtenção de vistos; o direito ao reagrupamento familiar; o direito às prestações de segurança social; o acesso dos imigrantes ao sistema educativo e o reconhecimento de diplomas; o acesso ao sistema nacional de saúde; a protecção jurídica dos imigrantes, o acesso ao direito e aos tribunais; e, por último, os problemas de inserção dos trabalhadores imigrantes no mercado de trabalho. O curso teve a coordenação científica do Prof. Rui Medeiros e do Mestre Jorge Pereira da Silva, tendo sido ainda ministrado por diversos professores da referida Universidade, por professores convidados de diversas universidades, bem como por personalidades representantes de instituições relacionadas com as temáticas abordadas, tais como, entre outros, a Dra. Maria de Guadalupe Ribeiro Mendes, Inspectora do IDICT, o Dr. Manuel Jarmela Palos, Director Geral Adjunto do SEF, e a Dra. Paula Teixeira da Cruz, em representação da Ordem dos Advogados. Este primeiro curso contou com um vasto conjunto de participantes, constituído por estudantes, advogados a título particular, elementos do Gabinete do ACIME, um elemento da linha SOS Imigrante, um elemento do Secretariado Entreculturas, elementos de várias delegações regionais do IDICT e representantes de diversas associações de imigrantes. No último dia do curso teve lugar um almoço de convívio entre todos os participantes, que contou com a presença do Senhor Alto Comissário, Padre António Vaz Pinto, e do Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Presidência, Dr. Feliciano Barreiras Duarte, após o que se deu a entrega dos certificados de frequência do curso. Por último, de salientar a opinião unânime de todos os participantes: a partilha de conhecimento e de informação foi muito importante para todos os intervenientes, professores/convidados e elementos da assistência, tendo todos concluído pela necessidade e interesse da realização de um novo curso no próximo verão. RTP2 COM PROGRAMA AO SERVIÇO DOS IMIGRANTES Na sequência da restruturação do canal 2 da RTP, o Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas foi convidado a dar o seu contributo através da produção de um conjunto de programas sobre e para as comunidades imigrantes. Através desta iniciativa pretende-se prestar um serviço público de informação, bem como dar espaço à divulgação das actividades das comunidades migrantes, promover a tolerância, a diversidade e o mútuo entendimento entre a sociedade de acolhimento e as comunidades imigrantes. Como primeira linha na abordagem deste novo serviço televisivo, o conceito editorial do programa abrangerá notícias sobre os imigrantes, as suas comunidades, as associações e as suas iniciativas, assim como informação útil e prática sobre direitos e deveres dos imigrantes e um consultório de esclarecimento de dúvidas com especialistas convidados por áreas temáticas. Serão ainda abordadas histórias de vida casos de integração bem sucedida, matérias de divulgação cultural e informações sobre as actividades do ACIME - e do Estado Português em geral O ACIME procura jornalistas entre as comunidades imigrantes em Portugal para colaborarem neste programa. Os interessados devem enviar o seu Curriculum Vitae até final de Setembro. Contactos: Fax ACIME Palácio Foz Praça dos Restauradores Apartado Lisboa sobre imigração. Os conteúdos serão apresentados em blocos com 20 minutos, de 2ª a 6ª feira, às 06h40, e ao Domingo, das 09h00 às 10h00 num bloco de uma hora (em hora a determinar). Boletim Informativo Setembro 2003

5 REGULARIZAÇÃO DE CIDADÃOS BRASILEIROS Ao abrigo do recente Acordo entre Portugal e o Brasil sobre Contratação Recíproca de Nacionais, o governo português prorrogou o prazo de permanência dos cidadãos brasileiros em situação irregular, desde que estes tenham feito prova de ter entrado em Portugal até ao dia 11 de Julho de 2003, data de celebração do Acordo. Este Acordo possibilita aos brasileiros que estejam em Portugal, assim como aos portugueses no Brasil, a obtenção de um visto num consulado fora da sua área de residência, desde que aí se encontre em situação legal. Não se tratou de um processo de regularização extraordinária, mas sim de uma medida facilitadora: os cidadãos brasileiros em Portugal podem a partir de agora tratar deste tipo de documentação em qualquer consulado português (por exemplo, em Espanha), ao passo que anteriormente a lei estipulava que só o podiam fazer no seu país de origem. O ACIME mobilizou-se activamente na fase de préregisto, em especial através do seu site de Internet (www.acime.gov.pt), onde disponibilizou online a lista de contactos do SEF e os formulários necessários (requerimento dirigido ao IDICT, a ser apresentado pela entidade empregadora, e pedido de visto Schengen, a ser apresentado num consulado português). Os CLAI (Centros Locais de Apoio ao Imigrante) colaboraram no processo de regularização prestando todos os esclarecimentos necessários. Através da Linha SOS Imigrante ( ), aumentaram neste período para o dobro os pedidos de informações por parte de imigrantes brasileiros. COCAI RECONHECE NOVAS ASSOCIAÇÕES O Conselho Consultivo para os Assuntos da Imigração (COCAI) reuniu-se no dia 31 de Julho de Entre vários assuntos tratados, destacou-se o recente Acordo assinado entre Portugal e o Brasil, que irá possibilitar a regularização da permanência em território português de muitos cidadãos brasileiros a trabalhar em Portugal. Nesta reunião discutiu-se a problemática da regulamentação da lei da imigração, e concluiu-se que se torna urgente a publicação deste texto normativo e sublinhando-se a incerteza que a sua não publicação gera na vida corrente dos imigrantes. O COCAI pronunciou-se igualmente sobre os pedidos de reconhecimento das associações que lhe foram apresentados para esse efeito, tendo sido reconhecidas as seguintes : - Associação Movimento Social pelo Esclarecimento e Informação Lisboa - Associação os Grupos de Trabalho do Projecto dos Sete GTP7 Lisboa - Associação Tratado do Simulambuco Casa de Cabinda Agualva-Cacém - Associação UJAP União da Juventude Angolana em Portugal Sacavém - Associação dos Imigrantes nos Açores Ponta Delgada - Associação Luso Cabo Verdeana de Sintra Serra das Minas Rio de Mouro - Associação Cabo Verdeana de Setúbal Setúbal - Associação Cabo Verdeana do Algarve - Portimão Foram ainda apreciados os pedidos de financiamento pontuais das associações de imigrantes que o tinham solicitado. O COCAI abordou ainda questões relacionadas com a vida interna das associações, nomeadamente o nível de qualidade da informação contabilística que por obrigação legal estas devem fornecer periodicamente ao ACIME. Concluiu-se, quanto a esta matéria, que existiam algumas irregularidades, que ocasionaram sanções nos termos da lei. Votaram-se também algumas sanções para as associações que manifestamente se afastaram dos objectivos a que estão obrigadas nos termos do regime jurídico das associações de imigrantes (Lei 115/99, de 3 de Agosto e DL 75/200, de 9 de Maio). CNAI LISBOA: ARRANQUE DAS OBRAS No passado dia 12 de Agosto teve lugar a consignação da empreitada de reabilitação do edifício da antiga da Escola Secundária dos Anjos, tendo sido de imediato iniciados os trabalhos de construção civil que vão permitir a instalação do Centro Nacional de Apoio ao Imigrante (CNAI) neste edifício. A imagem documenta a actual fase de montagem de estaleiro e demolições das áreas a substituir, no caso a cobertura do pátio interior, que constam do projecto de remodelação da autoria do atelier Promontório, Arquitectos. O prazo para a conclusão da obra é de 120 dias, pelo que se espera para breve a concretização deste importante objectivo do ACIME.

6 06 07 LITERATURA AFRICANA No âmbito das suas actividades culturais, o Instituto Marquês de Valle Flôr estabeleceu o Prémio de Literatura Africana Esta iniciativa tem como principal objectivo incentivar a produção de obras de escritores africanos, em Língua Portuguesa, nos domínios do romance, novela ou conto. A obra galardoada receberá um prémio monetário no valor de vinte mil euros, sendo igualmente assegurada a edição de exemplares. Serão admitidas a concurso todas as obras entregues ou enviadas pelo correio até 31 de Dezembro de 2003 para a seguinte morada: Instituto Marquês de Valle-Flor Rua de S. Nicolau Lisboa Portugal NOVOS FOLHETOS DO ACIME O ACIME publicou recentemente dois novos folhetos informativos, Meios Jurídicos de Combate ao Racismo e à Xenofobia e Serviços de Apoio ao Imigrante. O primeiro integra um conjunto de brochuras temáticas que o ACIME disponibiliza no apoio aos imigrantes e tem por objectivo explicar quais são as formas possíveis de combater o racismo e a xenofobia. Como resumo que é, este folheto, organizado por perguntas e respostas, não resolve todas as questões que em caso concreto se podem levantar. Assim, em caso de dúvidas, deve ser consultada a legislação respectiva, disponível no site do ACIME (www.acime.gov.pt). Por seu lado, o folheto Serviços de Apoio ao Imigrante, é um tríptico que divulga e explica o funcionamento de serviços como a Rede Nacional de Apoio ao Imigrante, o Atendimento ao Imigrante, a Rede Nacional de Informação ao Imigrante e a Linha SOS Imigrante ( ). Estes folhetos são divulgados através dos CLAI e qualquer um deles pode ser solicitado ao ACIME por fax ( ) ou por CORAGEM DISTINGUIDA Para José Cazequeza, operário angolano das obras na Ribeira, um dia de trabalho como tantos outros terminou com um mergulho heróico para as águas do Douro. Mal o pequeno João, de cinco anos, caiu ao rio, o trabalhador não pensou duas vezes: vestiu a pele de salva-vidas e seguiu no encalço do miúdo, salvando-o de um afogamento mais que certo. E resgatou-o ileso. Tudo aconteceu ao final da tarde de anteontem. João brincava com dois amigos na zona do estaleiro, próximo à ponte de Luís I. Ao remexer uma pedra, desequilibrou-se e tombou nas águas. A entrada em cena de José foi imediata. "Ouvi um barulho quando ia buscar umas tábuas. Começaram a gritar que um rapaz caiu ao rio e eu fui logo a correr. Atirei-me com a roupa de trabalho, telemóvel e tudo, e apanhei o miúdo. Segurei-o e subi por uma escada", recordou o operário.... (Jornal de Notícias, ) UNIDOS DE CABO VERDE EM FESTA Na sequência do Workshop inserido no projecto Segunda Geração, uma iniciativa na qual estiveram envolvidas aproximadamente 100 crianças e jovens, a Associação Unidos de Cabo Verde organizou, no passado dia 5 de Setembro, um espectáculo na Aula Magna da Universidade Clássica de Lisboa. O espectáculo, que foi pensado numa perspectiva histórica, envolveu vários momentos representativos da cultura africana e da difusão dos seus segmentos culturais em Portugal desde os anos 60/70, época do primeiro grande fluxo migratório, até aos nossos dias. Assistiu-se a um desfile, apresentado por jovens das segunda e terceira gerações, ilustrativo da forma como os seus pais e avós se vestiam na época. Portadores de uma cultura onde a música e a dança sempre iluminaram o seu quotidiano, os emigrantes africanos em Portugal foram passando aos seus descendentes essa secular riqueza cultural. Seguiram-se momentos de música e dança funáná, hip-hop, batuque, percussão - terminando com uma brilhante actuação do grupo SANKOFA que, com a sua belíssima coreografia, reuniu crianças e jovens de diferentes origens numa afirmação da importância da convivência de diferentes identidades. Ass. Unidos de Cabo Verde JN Este espectáculo inseriu-se nas actividades levadas a cabo pela Associação Unidos de Cabo Verde, que há mais de duas décadas procura soluções a fim de ultrapassar problemas graves dos seus associados, tais como a ausência de auto-estima, a pobreza crónica, o insucesso escolar, a droga, a maternidade precoce e a identidade estigmatizada que, como sabemos, conduz inevitavelmente a grandes clivagens sociais. Boletim Informativo Setembro 2003

7 COMUNIDADES CHINESA E CABOVERDEANA SOLIDÁRIAS COM VÍTIMAS DOS FOGOS As comunidades de imigrantes chineses e cabo-verdeanos estão a promover campanhas de solidariedade a favor das vítimas dos incêndios florestais em Portugal. Y Ping Chaw, representante da Liga dos Chineses, afirmou ao Jornal de Notícias que Portugal é agora o segundo país dos imigrantes chineses, pelo que estes pretendem ser solidários com todos os portugueses. Em pouco mais de uma semana, a Liga dos Chineses conseguiu reunir esforços significativos. Em Lisboa, ao fim de alguns dias de campanha, os comerciantes da ChinaTown tinham já reunido dois mil euros, e a Associação de Comerciantes Chineses quatro mil euros. No Porto, a acção prolongou-se por mais uma semana. Gostávamos que esta iniciativa alertasse outras associações de imigrantes para ajudar o nosso país conclui Y Ping. Também a comunidade caboverdeana está solidária com as vítimas desta catástrofe e desencadeou, através das suas associações, uma campanha de solidariedade no interior da comunidade com vista a mobilizar e enquadrar as manifestações de entreajuda de uma população que sabe dividir o pouco que tem com aqueles que precisam de forças para renascer das cinzas. Esta iniciativa, lançada no dia 18 de Agosto, incluiu o estabelecimento de uma Conta Solidária no B.P. Atlântico (N.º Conta: ), a recolha de donativos porta a porta no interior dos bairros, um jantar de Solidariedade na Associação Caboverdeana e um espectáculo musical. LUSA OSCE PROMOVE DEBATE Realizou-se nos passados dias 4 e 5 de Setembro, em Viena de Áustria, uma conferência no âmbito da Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Para além da presença dos representantes diplomáticos portugueses, com representação permanente na Organização, esteve presente um membro do ACIME, dadas as competências do Alto Comissariado nas matérias de combate à discriminação racial. Apesar dos objectivos da OSCE se centrarem no domínio da segurança, as questões relacionadas com os direitos do homem e com os problemas das minorias nacionais e processos de democratização são igualmente motivo de atenção. Dos trabalhos, destaca-se a especial atenção dada à vertente preventiva, no que respeita a todo e qualquer ataque à dignidade do indivíduo, tendo-se concluído da importância do investimento na educação em matéria de direitos humanos, sendo reforçada a convicção de que o combate à discriminação e à intolerância não se faz apenas com base na legislação, mas através de políticas multiculturalistas. Foi ainda abordada a questão da reafirmação do papel da sociedade civil como promotora da educação, bem como o relevante desempenho das Organizações Não Governamentais em todo o mundo. Concluiu-se sobre a necessidade de formar a juventude nos direitos humanos e não apenas na defesa dos seus interesses, realçando-se a importância dos organismos especializados no combate ao racismo e xenofobia. Abordou-se ainda o fenómeno dos fluxos migratórios recentes como potenciador de conflitos raciais e a importância dos meios de comunicação social. Foram referidas, entre outras, a necessidade de combater por meios modernos a proliferação de Sites racistas que circulam na Internet, as questões do racismo, xenofobia e intolerância como questões nacionais e locais e o combate ao silêncio na denúncia de práticas racistas, assim como a necessidade de compilar dados entre todos os países de acordo com critérios comuns. Ficou agendada para Outubro uma nova reunião, por forma a retirar conclusões dos trabalhos e emitir recomendações a todos os Estados membros. CNAI - ACIME E DREL ASSINAM PROTOCOLO O Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME) e a Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL) reforçaram a sua colaboração com a assinatura de um protocolo de cedência das instalações da extinta Escola Secundária dos Anjos, para nelas instalar o Centro Nacional de Apoio ao Imigrante (CNAI). Deste protocolo resulta o estreitar da colaboração na organização de actividades específicas com interesse para ambas as entidades. Dra. Isabel Soares Carneiro e Pe. António Vaz Pinto no momento do acordo. ACIME ACIME Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas

8 O PROVEDOR DE JUSTIÇA NA DEFESA DO IMIGRANTE O Provedor de Justiça tem um papel fundamental de ligação entre cidadãos e poderes públicos, contribuindo para a defesa dos direitos, liberdades e garantias. Dr. Nascimento Rodrigues Provedor de Justiça O que é o Provedor de Justiça? É um elo de ligação entre os cidadãos e os poderes públicos. Cabe-lhe, por meios informais, defender os direitos, liberdades, garantias e interesses legítimos do cidadão, assegurando ou repondo a legalidade e a justiça da actuação dos poderes públicos. O Provedor de Justiça não tem poderes de decisão, por isso não manda nem impõe, antes sugere, convence pela força da razão, persuade pela boa fundamentação das posições assumidas em defesa dos direitos dos cidadãos. Qual o âmbito de actuação e quais os poderes do Provedor de Justiça? A acção do Provedor de Justiça exerce-se, em regra, no âmbito de actuação das entidades públicas (Administração Central e Regional, Autarquias, Empresas Públicas, entre outras) ou com poderes públicos (concessionários como a EDP ou a Portugal Telecom). Os tribunais ficam excluídos dos poderes de inspecção e fiscalização, não podendo o Provedor de Justiça apreciar as decisões dos magistrados, com excepção da sua actividade administrativa, como, por exemplo, a questão dos atrasos judiciais. Não pode, igualmente, interferir na acção política dos órgãos de soberania. No exercício das suas funções, o Provedor de Justiça tem poder para pedir informações e consultar quaisquer documentos, proceder a todas as investigações e inquéritos que considere necessários e efectuar, sem aviso prévio, visitas de inspecção a todo e qualquer sector da Administração Pública. Quem pode apresentar queixa ao Provedor de Justiça? Todos os cidadãos, portugueses ou estrangeiros, desde que as suas reclamações visem acções ou omissões ilegais ou injustas de poderes públicos. Como se pode apresentar queixa ao Provedor de Justiça? Por qualquer meio: pessoalmente, por carta, telefax, correio electrónico ou por telefone. A queixa deve, no entanto, ser concretizada, expondo-se os factos de modo claro e preciso e identificando a entidade pública de cuja actuação se reclama (Câmara Municipal, Direcção-Geral, Instituto...). Devem juntar-se à queixa todos os elementos (tais como documentos, fotografias e indicação de testemunhas), susceptíveis de comprovar as razões invocadas, nomeadamente especificando as iniciativas já tomadas junto das entidades de que se reclama e qual a resposta recebida das mesmas. Qual o custo da queixa ao Provedor de Justiça? O recurso ao Provedor de Justiça é inteiramente gratuito, não sendo necessária a constituição de advogado. Existe um modelo de apresentação de queixa? Não. Mas exponha sempre o seu caso: - identificando-se claramente (nome, residência, telefone, profissão); - concretizando o motivo da queixa; - referindo a entidade pública que é objecto da queixa; - explicando as diligências prévias à apresentação da queixa que promoveu junto da entidade visada; - juntando fotocópias de documentos úteis à apreciação da queixa. Limites de intervenção do Provedor de Justiça A intervenção do Provedor de Justiça não suspende quaisquer prazos de defesa do queixoso, quer administrativos, quer judiciais. Como esta intervenção incide sobre actos ou omissões dos poderes públicos, os cidadãos devem indicar, para além das diligências que já realizaram junto das entidades em causa, também aquelas que venham a realizar no decorrer da instrução do processo, com vista à satisfação das suas pretensões (a interposição de recurso hierárquico, o recurso aos tribunais, etc.). Boletim Informativo Setembro 2003

9 Casos em que o Provedor de Justiça interveio 1. Acesso ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) Na sequência da queixa apresentada por cidadão estrangeiro, diabético, a residir e a trabalhar legalmente em Portugal, foi possível verificar que não teriam acesso ao SNS todos os cidadãos estrangeiros residentes em Portugal, provenientes de países de fora da União Europeia ou do Espaço Económico Europeu, ou, ainda, não abrangidos por acordos de reciprocidade. O Provedor de Justiça interpelou o Ministro da Saúde, por forma a estar garantido, em igualdade de tratamento, o direito à protecção da saúde de todos aqueles que escolheram Portugal como país de destino. Foi então publicado o Despacho n.º /2001, que define as condições de acesso dos imigrantes aos cuidados de saúde e de assistência medicamentosa prestados no quadro do SNS, abrangendo não só os cidadãos estrangeiros legalmente residentes em Portugal (titulares de autorização de permanência ou de residência, ou com visto de trabalho), como também, por razões humanitárias e de saúde pública, os demais cidadãos estrangeiros que apresentem documento emitido pelas Juntas de Freguesia, comprovativo de que se encontram em Portugal há mais de 90 dias. 3. Expulsão do território nacional A problemática da expulsão de cidadãos estrangeiros do território nacional foi apresentada ao Provedor de Justiça por um conjunto de reclusos de países de língua oficial portuguesa. Na apreciação da exposição feita, o Provedor de Justiça foi sensível à questão da conformidade com a Constituição das normas que permitiam a aplicação de pena acessória de expulsão de estrangeiros com filhos menores a cargo. Tomando em consideração a hipótese de expulsão de estrangeiros com filhos menores de nacionalidade portuguesa, o Provedor de Justiça concluiu pelas dificuldades decorrentes, por um lado, da proibição constitucional de expulsão de cidadãos portugueses (quando é certo que, na maioria dos casos, a expulsão acarretaria, na prática, a saída forçada daqueles menores) e, por outro lado, na perspectiva da protecção constitucional dos direitos familiares, da norma que garante a não separação entre pais e filhos, caso, em alternativa, os menores ficassem a viver em Portugal. O Provedor de Justiça dirigiu, então, recomendação ao Ministério da Administração Interna, no sentido de a situação em causa ficar devidamente salvaguardada, na sequência do que foi alterada a Lei de Imigração, passando a conter norma que obsta à expulsão de estrangeiros residentes que tenham filhos menores a cargo, independentemente da nacionalidade destes, ou que tenham nascido em Portugal ou entrado no país com menos de 10 anos de idade, desde que aqui residam habitualmente. PROVEDORIA DE JUSTIÇA Rua Pau de Bandeira, 7-9, Lisboa Telefone: Fax: Horário: Todos os dias úteis, das 9h00 às 18h Renovação de autorização de residência Duas cidadãs estrangeiras residentes em Portugal, mãe e filha, pediram ao Provedor de Justiça para intervir no procedimento de renovação das suas autorizações de residência, prestes a caducarem, uma vez que necessitavam de se deslocar ao seu país de origem para estarem presentes em acto familiar e não tinham qualquer garantia de poderem regressar a Portugal caso não tivessem autorizações de residência válidas. Contactado o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que levantava obstáculos de índole burocrática à renovação das autorizações, apesar dos pedidos terem sido apresentados no prazo respectivo, e defendido que a liberdade de circulação das requerentes estava efectivamente a ser limitada, veio a garantir-se, em tempo útil, que as autorizações de residência fossem renovadas. 4. Exercício de funções docentes em escolas públicas Uma ONG solicitou a intervenção do Provedor de Justiça, alegando o carácter discriminatório do Estatuto da Carreira Docente, na medida em que salvaguardadas as obrigações impostas pelo direito comunitário ou decorrentes de convenção internacional ou lei especial apenas os cidadãos portugueses podiam exercer, em escolas públicas, as funções de educador de infância e de professor dos ensinos básico e secundário. Analisada a questão, defendeu o Provedor de Justiça que, no presente caso, estava em causa o exercício de funções públicas em que predominava a sua natureza técnica, tendo o legislador procedido a uma restrição infundada ao direito de acesso à função pública. O Provedor de Justiça desencadeou então, junto do Tribunal Constitucional, processo de fiscalização da constitucionalidade da norma que consignava tal restrição, tendo a mesma sido declarada inconstitucional, com força obrigatória geral. Extensão na Região Autónoma dos Açores: Av. Conde de Sieuve de Meneses, Angra do Heroísmo Telefone: Fax: Extensão na Região Autónoma da Madeira: Rua Quinta do Leme, 6, Funchal Telefone: Fax: Linha Azul: Linha Recados da Criança: Linha do Cidadão Idoso: Visite o site do Provedor de Justiça em:

10 BILINGUISMO E INTEGRAÇÃO (...) quando, por exemplo, uma dessas mães diz, numa reunião de pais, que manda o seu filho para a escola para aprender a falar e a escrever português e não crioulo, porque crioulo já sabe, aprende-o em casa, vale a pena ponderar muito a sério o que leva aquela senhora a insistir de forma tão enérgica nesta questão. (...) OPINIÃO Viriato de Barros Professor Universitário Boletim Informativo Setembro 2003 Tem constituído objecto de importantes trabalhos de estudo e investigação, mas também de controvérsia, a problemática da adopção do crioulo, ou uma das variantes do crioulo cabo-verdiano, como língua oficial de Cabo Verde e a sua consequente utilização nas escolas e em todas as instituições e repartições burocrático-administrativas cabo-verdianas. Ainda que todos pareçam estar de acordo quanto à necessidade de preservar, estudar, desenvolver e valorizar a língua caboverdiana, nem todos têm a mesma opinião quanto à necessidade ou mesmo viabilidade da sua instituição como língua oficial de Cabo Verde. Se há quem entenda que a insistência na utilização da língua portuguesa no país, independente desde 1975, equivale a uma recusa por parte dos que assim procedem em se libertarem definitivamente de uma mentalidade de colonizado, há, por outro lado, quem considere a língua portuguesa uma herança positiva da colonização, não só por razoes de ordem prática, como instrumento de comunicação local, mas também pela amplitude do espaço cultural de que a língua portuguesa é parte integrante, opondo assim argumentos de carácter histórico e pragmático às fundamentações nacionalistas da substituição radical e definitiva do português pelo crioulo. Creio que continuaremos a discutir esta questão entre nós até chegarmos finalmente a uma conclusão objectiva, isenta dos preconceitos e da carga subjectiva, e de uma certa emotividade ainda à flor da pele, que muitas vezes nos desvia dos nossos propósitos iniciais. Não me parece que a valorização e o desenvolvimento do crioulo e a sua introdução no currículo normal das escolas cabo-verdianas, com a padronização de uma das variantes, instrumentada em termos de alfabeto, gramática, dicionário e eventualmente a sua oficialização, tenha necessariamente que implicar a exclusão da língua portuguesa, cujo lugar e cujas funções, dentro do quadro de comunicação linguística em Cabo Verde, me parecem definir-se de forma cada vez mais clara. Concordo com a tese de Dulce Almada Duarte, quando afirma que o futuro linguístico de Cabo Verde é bilingue, em crioulo e português, em que a utilização das duas línguas se processa em regime de reconhecimento mútuo e de acordo com as circunstâncias, não parecendo provável a substituição de uma pela outra, pelo menos a curto ou mesmo médio prazo. Há sempre uma margem de espontaneidade na evolução das línguas e do seu papel numa comunidade ou numa sociedade, cujos efeitos a longo termo são imprevisíveis. Muito se tem feito em Cabo Verde, após a independência, para prestigiar, dignificar e desenvolver a língua cabo-verdiana. Não cabe no âmbito deste artigo falar de forma mais exaustiva sobre a valiosa contribuição trazida neste domínio por investigadores como Baltazar Lopes da Silva, com o estudo O Dialecto Crioulo de Cabo Verde, uma referência fundamental e um marco decisivo na historia da língua cabo-verdiana, ou a contribuição de Kauberdiano Dambara, Luís Fragoso, Kaka Barbosa e outros no mesmo sentido, mas tão somente sublinhar a sua importância numa longa luta de afirmação da identidade cultural e dignificação da cultura e do homem cabo-verdiano ao longo da sua história. Essa preocupação não me parece excessiva, sobretudo quando se têm presentes as dúvidas que muitos imigrantes caboverdianos jovens, de segunda geração, revelam quanto ` à identificação com as suas origens e algumas manifestações de depreciação ou mesmo rejeição muitas vezes verificadas entre eles, quando confrontam a cultura dos seus progenitores com a da sociedade em que se inserem ou se integram, ou tentam inserir-se ou integrar-se. Um fenómeno complexo, por vezes de efeitos imprevisíveis e que tem certamente muito a ver com os problemas de inserção e de integração social com que diariamente lida a sociedade do país de acolhimento. É nessa dualidade cultural que vivem os imigrantes de segunda geração e os conflitos que esta gera nem sempre são resolvidos ou abordados da melhor forma pelos seus sujeitos e pelos que tentam, muitas vezes por dever de ofício, solucioná-los.

11 Voltando à questão linguística, que não podemos naturalmente dissociar da questão social, as escolas portuguesa situadas em bairros de forte incidência populacional cabo-verdiana defrontamse forçosamente com a situação de bilinguismo entre os seus alunos de origem cabo-verdiana. Este factor coloca os professores que nelas ensinam perante a necessidade de desenvolver estratégias e eventualmente adoptar uma metodologia diferente no ensino da língua portuguesa a estes alunos que, no seu ambiente familiar e no meio onde habitualmente vivem, falam o crioulo e não o português. Naturalmente o grau de domínio da língua portuguesa, a sua língua de comunicação oral e escrita com os professores, afectará o progresso escolar desses alunos nas outras disciplinas, pois é a língua que veicula todo o processo de ensino. Há situações em que as dificuldades sentidas pelos alunos são transitórias, pois a imersão na língua portuguesa através do convívio leva-os rapidamente a dominar esta língua, mesmo que continuem a falar o crioulo em casa ou com os seus pares da mesma origem. Estas são as situações que coincidem com uma inserção social bem sucedida dos filhos de imigrantes cabo-verdianos. Há porém casos em que essa inserção não se faz e os imigrantes são arrastados pelas circunstâncias para um processo de guetização e isolamento, para o desenvolvimento de uma cultura de gueto que, preservando hábitos e costumes do país de origem nos imigrantes de primeira geração, vai desenvolvendo paralelamente uma nova forma de estar que se afasta do estilo de vida dos pais e avós, mas tão pouco se integra na sociedade envolvente. É nessa zona que se geram grupos e comportamentos em conflito, tanto com a restante sociedade, como com o seu próprio meio, e que frequentemente resvalam para a marginalidade legal. As escolas só por si não conseguirão superar esses problemas, se a questão da inserção social dos alunos filhos de imigrantes não se resolver fora da escola, isto é, na família, na comunidade e na sociedade. Todos sabemos que as Arnaldo da Silva escolas reflectem, como espelhos, os conflitos das comunidades e da sociedade em que se inserem. Mas o que se passa nelas é fundamental para que se realize uma integração harmoniosa e eficaz dos imigrantes. A cooperação entre a comunidade, as famílias e os professores é, naturalmente, indispensável para isso. Tratando-se de pessoas oriundas de Cabo Verde, é importante que se tenha em conta a opinião dos pais, e de forma muito particular a das mães, pelo peso da sua acção junto da família, evitando o erro em que muitas vezes se cai ao subestimar os pontos de vista e a experiência de pessoas que, por terem fraca ou nenhuma escolaridade, são classificadas como ignorantes. Ignorantes, é certo, de coisas que se aprendem nas escolas, mas experientes em muito mais, sobretudo naquilo que é a luta pela vida. Isto, sem demagogia nem paternalismo. Simples factos da vida. Quero com isso dizer que quando, por exemplo, uma dessas mães diz, numa reunião de pais, que manda o seu filho para a escola para aprender a falar e a escrever português e não crioulo, porque crioulo já sabe, aprende-o em casa, vale a pena ponderar muito a sério o que leva aquela senhora a insistir de forma tão enérgica nesta questão. Isto, sem desvirtuar a importância do crioulo e o interesse e a necessidade do seu estudo ou do seu ensino nas escolas. Neste caso, quanto a mim, levanta-se a seguinte questão: em que condições e a que níveis se poderá ou deverá ensinar o crioulo?

12 12 13 OS IMIGRANTES NÃO SÃO APENAS ACTORES ECONÓMICOS Para Fernando Luís Machado, professor auxiliar do departamento de Sociologia do ISCTE e investigador, Portugal não deixou de ser um país de emigração, mas já é um país de imigração consolidada, imigração essa que, de resto, não é homogénea, antes compreendendo uma diversidade de fluxos e protagonistas.... Uma realidade plural que coloca desafios e responsabilidades acrescidas à sociedade de acolhimento. Questões como a inclusão social dos migrantes e o futuro das segundas gerações, são alguns dos tópicos focados ao longo desta entrevista. ENTREVISTA Fernando Luís Machado Professor Universitário Como contextualizar os fluxos migratórios na realidade portuguesa? Portugal tornou-se um país de imigração por volta dos anos 80. Nesta matéria vou cingirme à imigração laboral, porque há outro contexto da imigração, pouco falado, que é a imigração classificada como profissional, de quadros especializados da União Europeia. A razão do crescimento prende-se sempre com um conjunto de factores de atracção, no que diz respeito ao país de acolhimento e, ao mesmo tempo, factores de repulsão, no que se refere às populações migrantes. No caso português, este fenómeno deu-se sobretudo ao nível das populações dos países africanos de língua oficial portuguesa. No que diz respeito aos países de acolhimento, há um factor estrutural de médio prazo que se prende com o envelhecimento da população europeia, o que provoca necessariamente uma redução das reservas de mãode-obra autóctone. No caso português, especificamente, há uma causa mais próxima, que é um programa nacional de construção de grandes infraestruturas e obras públicas. Um movimento que começou com a adesão à União Europeia e com o correspondente acesso a fundos estruturais. Este desafio, lançado à escala nacional, obrigou a um esforço adicional, num momento em que a mão-de-obra internamente disponível já se encontrava esgotada. Um terceiro factor de atracção, de que se tem falado pouco, prende-se com a coexistência, nos anos mais recentes, da emigração e da imigração. É um facto que a emigração portuguesa retomou, não ao nível dos anos 70, mas retomou. Mais, sabemos que os nossos emigrantes vão trabalhar para sectores de actividade para os quais vêm trabalhar os imigrantes que chegam a Portugal. Dados que me levam a acreditar que há um mecanismo de substituição. Mas podemos referir outros factores... Falei-lhe de factores mais estruturais, mas quando estes factores são concomitantes com razões profundas para que as pessoas saiam dos seus países de origem - crise económica, guerra, expectativas defraudadas - e quando há um conjunto de laços históricos, como sucede no caso da imigração brasileira e africana, geram-se os fluxos. Factores que promovem redes de informação poderosas? A conjugação destes factores cria uma rede de relações e de informação, que transmite para o exterior a mensagem de que é fácil encontrar trabalho em Portugal. Esta malha vai-se obviamente alargando, à medida que os imigrantes chegam e comprovam que há trabalho à sua espera. Acresce a esta realidade o facto de a economia portuguesa possuir vastas zonas de informalidade laboral Boletim Informativo Setembro 2003

13 em áreas específicas, como sucede na construção e obras públicas. No caso da imigração mais recente, composta por um novo perfil, tanto quanto se sabe estão presentes outros tipos de mecanismos, através de algumas redes informais de contornos mafiosos, com acções de coacção e extorsão. Convém, no entanto, sublinhar que tal só é possível porque a procura de mão-de-obra é muito grande e porque há essa informalidade laboral alargada. Há uma ideia generalizada de que se trata de uma imigração baseada no trabalho não especializado... Não é bem assim! Podemos afirmar que se trata de uma imigração não especializada se tivermos em conta a inserção profissional efectiva, mas parte dessa população é constituída por pessoas com qualificação escolar. No caso específico dos guineenses, por exemplo, encontramos inúmeras pessoas que, no seu país, eram profissionais muito qualificados, ocupando lugares de relevo social, como o de professor. Quais são as principais barreiras que encontram? Estes imigrantes laborais, que buscam melhores condições de vida, não têm tempo para procurar um trabalho compatível durante um mês. Quando chegam a Portugal vão para onde há emprego imediato, ou seja, para a construção civil. Por outro lado, há casos conhecidos de discriminação. No caso dos guineenses, muitas instituições e empresas não aceitam os diplomas apresentados por estes profissionais, pelo simples facto de duvidarem da formação que muitos deles tiveram na antiga União Soviética. Pode concluir-se, pelas suas palavras, que os africanos emigram numa base de necessidade, enquanto os europeus partem na base de uma oportunidade? Penso que existe uma ligação directa com o modo como se processa a própria vinda. No caso dos europeus da UE, essa vinda decorre por canais institucionais formais, através de empresas que procuram o recrutamento de quadros, ou como resposta a certos vazios específicos, como sucede actualmente com os médicos e enfermeiros espanhóis que trabalham no nosso país. No caso dos imigrantes africanos, simplesmente não existe esse tipo de mecanismo. Há pessoas que estão nos seus países, por norma com dificuldades económicas, e ponderam a saída. Para onde? Para um país com ligações históricas, onde há trabalho e onde se ganha muito mais, mesmo exercendo uma profissão desqualificada. À chegada não encontram estruturas de encaminhamento, apenas um trabalho que chama por eles e que lhes permite responder às suas necessidades imediatas. É possível pensar na regulação de fluxos? A questão da regulação dos fluxos é muito complicada e poderá equacionar-se, pelo menos em parte, da seguinte maneira: há um princípio económico e um princípio político de regulação dos fluxos. O económico é aquele que decorre das necessidades de mãode-obra, enquanto o político, é o que decorre da necessidade de se gerir os fluxos, jogando com as condições de acolhimento que devem ser dadas e com o equilíbrio que deverá existir, para que não se criem situações de ruptura e de exclusão. Em matéria de fluxos, parece-me óbvio que nenhum país pode praticar uma política de portas abertas. Como em muitos outros países, em Portugal o princípio económico foise sempre impondo face ao princípio político. Em muitas fases a questão política da gestão dos fluxos nem sequer chegou a existir... Neste contexto, podemos afirmar que os imigrantes estão muito vulneráveis perante a cadeia económica? Temos de ter consciência de que os imigrantes não são apenas actores económicos. Há uma célebre frase que diz: pedimos braços e vieram homens. Se assumirmos, mesmo posteriormente, que a economia não teria funcionado sem o recurso à mão de obra imigrante, o que hoje em dia é já uma evidência, então teremos que assumir o custo da inte- ACIME Alto-Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas

14 14 15 gração social. As pessoas não podem ser descartáveis. Nesse sentido, face à conjuntura actual, com o desemprego a subir e a afectar muitos imigrantes - como se pode verificar através das inscrições nos centros de emprego - não podemos simplesmente desinvestir nas políticas de integração. Considera que a actual subida do desemprego pode afectar de forma drástica os imigrantes? Esta situação de desemprego parece-me conjuntural. Há vários exemplos de países europeus onde se observaram taxas de desemprego bastante mais elevadas, e as comunidades de imigrantes mantiveram-se. Por outro lado, a dependência estrutural da economia portuguesa face ao trabalho de imigrantes já não se limita à construção civil, começa a atravessar outros sectores: hotelaria e turismo, restauração, alguns segmentos da indústria transformadora, etc. Que análise faz das segundas gerações, ao nível da integração social? Esta é uma questão particularmente sensível e importante. Na fase do ciclo migratório em que o país se encontra, a questão da chamada segunda geração centra-se, por enquanto, nas populações africanas. Recordo-me de um autor americano que diz, com muita acuidade, que a verdadeira medida da integração dos imigrantes não é o que acontece à primeira, mas à segunda geração. No entanto, convém referir que o conceito de segunda geração é um termo equivocado, porque já não estamos a falar de imigrantes mas de jovens nascidos em Portugal, muitos deles portugueses. Muitos destes jovens manifestam dificuldades de integração social... O processo de transição para a vida adulta coloca-se a todos os jovens e decorre a três níveis: família, escola e trabalho. A questão que se levanta é saber se eles estão em transição para uma situação de integração ou de exclusão social e, neste ponto, há sinais reveladores de que uma parte corre riscos de exclusão. No caso das escolas, estamos na posse de dados que confirmam taxas de insucesso escolar comparativas mais altas, em média, no caso dos alunos de origem africana. Um outro dado indicativo é o crescimento da população prisional, com um número desproporcionado de jovens de origem africana, face ao peso que estas populações têm em Portugal. Há por isso sinais que se acumulam, que nos dizem que esta transição para a vida adulta não está a correr bem para uma parte considerável destes jovens. No entanto, não há Há uma célebre frase que diz: pedimos braços e vieram homens. Se assumirmos, mesmo posteriormente, que a economia não teria funcionado sem o recurso à mão de obra imigrante, o que hoje em dia é já uma evidência, então teremos que assumir o custo da integração social. nenhum estudo extensivo que permita mapear com rigor estes dados. Procurando apontar soluções, considera que devem existir políticas de educação específicas? Específicas para a condição social destes jovens, já que parte deles são de origem imigrante, mas outros são filhos de pais portugueses. Não diria específicas num certo sentido multiculturalista, que pode ter mais efeitos perversos do que positivos. Não sou favorável a iniciativas políticas diferencialistas, prefiro soluções de integração e transmissão de instrumentos de reforço, como a formação profissional para os jovens que abandonam o sistema de ensino, por exemplo. O que pensa da formação profissional enquanto veículo de integração? Há muitos jovens neste segmento que estão inseridos no mercado de trabalho de uma forma muito estável, como também há exemplos de jovens que têm trajectos escolares de sucesso. Qual é o peso que têm os segmentos problemáticos no total? Actualmente não há nenhuma maneira de o sabermos com rigor! Estamos a falar de dezenas de milhar de jovens. É visível que há casos problemáticos, como também é visível que há casos de sucesso. Considera que a visão das pessoas está de certa forma condicionada pelas imagens sociais que se criam? A visibilidade socialmente produzida, nomeadamente pelos meios de comunicação social, é claramente desequilibrada a favor do negativo, e este é um ponto que tem de estar claro para quem olha para estes problemas. Fala-se nos jovens e as pessoas associam imediatamente a factores de marginalidade, com um automatismo que deriva do discurso mediático predominante. É possível perspectivar o futuro imediato destes jovens? Depende muito de um conjunto de factores económicos e estruturais do país. Tudo o que seja investimento em políticas educativas, compensatórias, para jovens que não obtém sucesso escolar, é positivo. Se a opção for por políticas diferencialistas, os factores de risco irão aumentar, sobretudo perante uma conjuntura de recessão económica. O mesmo acontece no que respeita às condições de vida, de alojamento e formalidade profissional das famílias de origem. Boletim Informativo Setembro 2003

15 A IGNORÂNCIA É A BASE DO RACISMO RELATÓRIO DA UE AFIRMA NÃO HAVER UMA RELAÇÃO DIRECTA ENTRE IMIGRAÇÃO, CRIME E DESEMPREGO. Um relatório publicado em Agosto poderá ter grande impacto nas futuras políticas de imigração da União Europeia. Este relatório analisa as conclusões de 17 projectos de investigação, fornecendo um quadro actualizado da imigração na Europa, e demonstra que não há uma relação directa de causa e efeito entre imigração, crime e desemprego. Para além disso, a existência de uma economia paralela forte pode encorajar a imigração. Este estudo mostra ainda que os imigrantes tendem a aceitar ocupações que os cidadãos da UE rejeitam e que, se a imigração diminuísse, a Europa enfrentaria uma escassez de mão-de-obra. A ignorância é a base do racismo, afirma Philippe Busquin, membro da Comissão incumbida da investigação. Este novo relatório permitirá que as futuras políticas relacionadas com as questões da imigração tenham em linha de conta as informações mais recentes sobre os problemas com que os imigrantes se deparam actualmente na Europa. Os estudos referidos analisam a situação tanto nos países de imigração recente como naqueles onde existe uma tradição de imigração mais antiga, como a França, a Alemanha e o Reino Unido. O relatório sublinha a importância da investigação comparativa e das trocas de experiências a nível internacional, afirmando que este tipo de cooperação poderá tornar-se uma base sólida para uma acção global da UE no sentido de atenuar os problemas que os imigrantes enfrentam no presente. Os 17 projectos de investigação foram realizados no quadro do programa de investigação Sócio-económica Orientada (TSER). Os movimentos populacionais na Europa: novas tendências O relatório demonstra que os imigrantes não são a causa da economia paralela, mas esta encoraja a imigração, tanto no sul como no norte da Europa. Na Alemanha, os esforços para travar a imigração clandestina não produziram qualquer efeito na economia paralela. A existência de uma economia paralela poderá funcionar como um íman em relação aos imigrantes mais pobres e, uma vez que estes estejam integrados nesse meio, levá-los a permanecer na Europa. Por seu lado, isto leva a que os europeus os classifiquem como criminosos. As investigações demonstram também que a discriminação que enfrentam alguns emigrantes pouco após a sua chegada poderá ser um factor de desigualdade e de fracturas sociais que, em última análise, favorece a criminalidade. Apesar de continuarem a existir, de país para país, grandes divergências quanto à interpretação das convenções internacionais para o reagrupamento familiar, a imigração que daí resulta é cada vez mais motivada pela procura de emprego. O aumento da imigração das mulheres não se deve apenas ao reagrupamento familiar, mas também à procura de mão-de-obra feminina por parte de determinados sectores da economia, como o turismo e os trabalhos domésticos. Os estudos referidos indicam que, apesar do reagrupamento familiar dos trabalhadores estar amplamente garantido por diversas convenções internacionais, na prática a maioria dos Estados membros interpreta a lei à sua maneira e impõe ao reagrupamento condições muito restritivas. A política da UE reconhece o reagrupamento familiar, mas a resolução de Copenhaga de 1992 não é juridicamente vinculativa. Qualidade de vida As pesquisas permitiram sobretudo estabelecer que os imigrantes gozam na generalidade de condições de vida piores que os cidadãos da UE residentes nas mesmas zonas geográficas, particularmente no que respeita a emprego e habitação. Os filhos dos imigrantes tendem a ter piores resultados escolares, assim como maiores problemas e uma taxa de abandono mais elevada. Segundo os investigadores, é um dado generalizadamente aceite que as más condições de vida e de trabalho são a norma entre os imigrantes. E, para alguns de entre eles, o desemprego é um dos maiores problemas. Na Alemanha, por exemplo, acentuou-se o fosso entre alemães e estrangeiros no que respeita à taxa de emprego, que era de 0,7% em 1979 e passou para 8,5% em Acresce que em 1997 apenas 38% dos alemães desempregados não possuíam qualificações profissionais, enquanto que entre os estrangeiros essa percentagem atingia os 78%. Calcula-se que nas zonas urbanas a taxa de desemprego entre os estrangeiros de anos seja de pelo menos 50%. Em França, este grupo etário enfrenta uma situação semelhante. Os autores do relatório concluem que o desemprego não está directamente relacionado com a taxa de imigração. Pelo contrário, os imigrantes tendem a ocupar postos de trabalho marginais, rejeitados pela maioria da população local. Se a imigração diminuísse bruscamente, o resultado seria o aumento do desemprego, e não o contrário. Olhar o futuro Os resultados das investigações destacam a influência determinante das autoridades nacionais nas condições de imigração e de integração. Por outro lado, os estudos demonstram que neste domínio é frequente as políticas terem consequências imprevistas e mesmo negativas. Um exemplo óbvio é o reforço dos controlos fronteiriços, que favoreceu os canais de imigração clandestina. A Administração Pública tem um papel fundamental em questões de integração. Para evitar a marginalização social dos imigrantes, é indispensável que estes possam ter acesso em igualdade de circunstâncias à educação, assistência social, à saúde e a outros serviços. Não obstante, as investigações revelaram que alguns tipos de serviços, isolando os imigrantes do resto da população, contribuíram para aumentar a exclusão. Alguns serviços especialmente destinados às minorias podem dificultar a integração no sistema educativo e no mercado de trabalho. Em muitos casos, a opinião pública parece ter influência nas políticas oficiais. A pressão da sociedade civil tem levado frequentemente ao estabelecimento de políticas destinadas a conseguir um tratamento mais homogéneo ou afastar obstáculos à integração. Neste aspecto, os líderes políticos e a Comunicação Social têm tido um papel relevante. Finalmente, os resultados das investigações destacam a diversidade de experiências dos diversos grupos de imigrantes, países de imigração e sub-grupos em cada país. As políticas futuras terão de ter em conta essa diversidade. Existem ainda várias semelhanças entre as experiências de instalação, a constituição de comunidades e as leis e políticas nacionais. Esta convergência poderá servir de base para a elaboração de políticas conjuntas e reforça o interesse dos estudos comparativos e da troca de experiências a nível internacional. Esta perspectiva transnacional colectiva, seguida de estudos multinacionais TSER, poderá ser a base para uma cooperação a nível da UE neste domínio. Para mais informações, consultar: ACIME Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas

16 Relatório do Desenvolvimento Humano 2003 Autor: Direcção de Sakiko Fukuda-Parr Edição: Mensagem Serviço de Recursos Editoriais, Lda. Numa manifestação do compromisso internacional para melhorar a vida dos pobres, os 189 membros das Nações Unidas emitiram a Declaração do Milénio na Cimeira do Milénio em Os líderes mundiais incumbiram as Nações Unidas de elaborar um roteiro para atingir os propósitos da Declaração até Examinando os êxitos e os fracassos do desenvolvimento na última década, o Relatório do Desenvolvimento Humano 2003 apresenta um plano de acção para alcançar os Objectivos: O Pacto de Desenvolvimento do Milénio. Contudo, o Relatório defende que os países em desenvolvimento têm que tomar a iniciativa política e económica para alcançar os Objectivos e para defender o empenhamento na governação democrática. EDIÇÃO Cadernos Sociedade e Trabalho N.º 2 - Imigração e Mercado de Trabalho Coordenação: António Oliveira das Neves Edição: Ministério da Segurança Social e do Trabalho O mercado de trabalho e a economia portuguesa têm hoje uma forte presença dos imigrantes, transformando Portugal, historicamente um "país de partida, num país de chegada. As alterações produzidas no enquadramento jurídico-legal (legalização de estrangeiros, reforço da inspecção de trabalho), resultantes da actuação das políticas públicas (emprego, formação, trabalho e relações laborais), são também objecto de estudo de académicos e outros peritos. Os Cadernos Sociedade e Trabalho organizaram um número dedicado às diversas vertentes da problemática da Imigração e Mercado de Trabalho. Este número reúne materiais recolhidos no último trimestre de 2001, da autoria de especialistas nacionais e estrangeiros, académicos e responsáveis políticos que se têm dedicado à investigação e intervenção pública nos domínios da imigração, do mercado de trabalho, da integração social e da cidadania. World Migration 2003 Edição: International Organization for Migration (IOM) Coordenação: IOM A Organização Internacional das Migrações, à semelhança do que já fora realizado em 2000, publicou um novo Relatório Mundial da Migração. Os temas incluem a integração de imigrantes nas sociedades de acolhimento, questões relacionadas com a área laboral e da saúde, bem como os desafios lançados pelos fluxos migratórios clandestinos, incluindo o tráfico de seres humanos. Esta edição adiciona igualmente uma secção dedicada às estatísticas da migração. Uma publicação que sem dúvida vai de encontro às necessidades de profissionais, políticos e académicos que se dedicam a esta área das migrações. Para encomendar esta publicação preencha o formulário que se encontra disponível no seguinte link: ACIME Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas O ACIME, encontra-se na dependência da Presidência do Conselho de Ministros, regulado pelo D.L. nº251/2002, 22 de Novembro. Alto Comissariado Porto Praça Carlos Alberto, Porto Telefone (00 351) Fax. (00 351) Lisboa Rua Álvaro Coutinho, nº Lisboa Telefone (00 351) Fax (00 351) Este Boletim é impresso em papel reciclado Refugeenet O Refugeenet é o sítio da EU Networks on Reception, Integration and Voluntary Repatriation of Refugees, uma entidade na dependência da Comissão Europeia cujo objectivo é desenvolver redes de colaboração orientadas para as temáticas da integração de refugiados, tais como a educação, língua, formação vocacional, saúde, acolhimento e retorno voluntário. O Refugeenet facilita o acesso a relatórios, notícias, eventos e informação diversa relacionada com a integração de refugiados na Europa e permite efectuar pesquisas (a partir de um país ou temática específica) sobre organizações e projectos na Europa que prestam serviços e trabalham nesta área. Poderá ainda adicionar a esta base de dados quaisquer iniciativas que esteja a desenvolver neste âmbito. European Monitoring Centre on Racism and Xenophobia A principal função da EUMC (European Monitoring Centre on Racism and Xenophobia) é fornecer à Comunidade Europeia informação objectiva, confiável e comparada sobre o racismo, xenofobia, islamofobia e anti-semitismo na Europa, de modo a ajudar os seus Estados Membros a estabelecer medidas que os combatam. O sítio da EUMC dá-lhe a conhecer as extensas actividades deste Centro (incluindo informações sobre a rede RAXEN), projectos de investigação em curso, eventos subordinados a esta temática, relatórios, contactos úteis e diversas publicações, bem como um directório de ligações bastante completo e organizado por áreas de interesse e países da UE. Migration Policy Group A MPG (Migration Policy Group) é uma organização independente que se dedica ao desenvolvimento de políticas na área das migrações, diversidade e antidiscriminação, facilitando o intercâmbio entre diversos líderes de opinião de todas as áreas da sociedade, com o objectivo de contribuir para respostas eficazes e inovadoras aos desafios colocados pela migração e diversidade. Neste sítio encontrará informação actualizada sobre o desenvolvimento destas políticas de actuação a nível europeu e informação acerca de material publicado pela MPG, bem como newsletters e relatórios que monitorizam a legislação anti-discriminatória em cada um dos estados membros e candidatos da UE. WebSite: Boletim Informativo Direcção P. António Vaz Pinto, S.J Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas Coordenação da edição Miguel Justino Alves Design Jorge Vicente Colaboraram nesta edição Arnaldo da Silva Gonçalo Gil João Van Zeller Marta Mendes Vera Sampaio Viriato de Barros Fotografia da capa: Sandra Rocha/Kameraphoto Fotolitos e impressão Euro-Scanner Tiragem exemplares Depósito legal 23456/99 INTERNET

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