SÁBADO 15 de Junho de 2013

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1 DIRECTOR SALAS NETO SÁBADO 15 de Junho de 2013 Kz 250,00 EDIÇÃO 519 ANO VII CRÉDITO BANCÁRIO Grande trafulha no BPC do Zengá MIA COUTO, PRÉMIO CAMÕES DE LITERATURA «A escrita é casa que visito mas onde não quero morar» A vez de António Sita no «caldeirão» de Luanda MAIKE-ALFA-LIMA Embora seja bem apetitoso, o cadeirão de comandante da Polícia de Luanda acaba por se transformar num «caldeirão», em face da complexidade dos problemas que o seu ocupante tem de enfrentar, numa cidade em que os níveis de criminalidade são sazonalmente assustadores, como agora, em que a situação está verdadeiramente «maike-alfa-lima». Não há nenhum que se tenha saído em grande na senda pela ordem e tranquilidade da capital. Será que António Maria Sita o conseguirá? É o que vamos ver. «Bravo Tango», Comandante!

2 2 Sábado, 15 de Junho de Em Foco Teimosas esperanças A selecção nacional de futebol hipotecou em grande as suas possibilidades de qualificação ao Mundial de 2014, no Brasil, depois de não ter conseguido melhor que um empate (1-1) na recepção à sua similar senegalesa, sábado último, em Luanda. Neste desafio, os angolanos jogavam a liderança do seu grupo de qualificação na zona africana da competição, que integra ainda ugandeses e liberianos, todos então com possibilidades de chegarem à fase ulterior das eliminatórias regionais. Em caso de vitória, a selecção nacional assumiria a primazia no grupo, desde que os liberianos não chegassem a um triunfo na sua deslocação à casa dos ugandeses. Os jogos contavam para a quarta jornada da competição e o desfecho era importante para o início da definição das eventuais posições finais. Os angolanos tinham necessidade imperiosa do triunfo no jogo de Luanda, para dependerem exclusivamente de si no que faltaria disputar até ao fim desta penúltima fase do torneio africano de qualificação, mas o melhor que fizeram foi a repartição de pontos, um resultado favorável aos senegaleses, já que lhes permitiu seguir na liderança, com seis pontos, beneficiando da vitória (1-0) dos ugandeses sobre os liberianos. Os ugandeses, por seu lado, foram quem melhor tirou proveito da ronda, descolando da última para a segunda posição, agora com cinco pontos. Os angolanos não se moveram, continuando na terceira posição, agora com quatro pontos, igual pecúlio dos liberianos, que saíram do segundo posto para a cauda do grupo. Embora precisassem vitalmente da vitória diante dos senegaleses, os angolanos pouco fizeram para consegui-la, ao protagonizarem uma actuação descabelada, sem tino nem nexo, enfim, desastrada. E isto muito por conta de erros de concepção graves do próprio selecionador, que continua a espelhar incompetência para armar uma equipa com algum jeito. O futebol que a selecção nos tem apresentado não é muito diferente do que qualquer do girabairro é capaz de produzir, passe o exagero. O combinado nacional (se assim se lhe pode chamar, uma vez que tudo parece descombinado) continua sem a ligação desejada entre os três sectores (defesa, meio e ataque) e denota alguma falta de ambição e mesmo empenhamento. Os jogadores mais pareciam estar numa «passarela» ou a tratar das unhas num salão de beleza. Em face disso, era impossível que os angolanos se impusessem Depois desta ronda, os angolanos passaram para aquela velha condição em que gostam de estar nos torneios qualificativos do continente, quer para provas de âmbito africano, como para as de cariz mundial (caso vertente): a depender de terceiros Director: Salas Neto Editores Editor Chefe: Ilídio Manuel; Economia: Nelson Talapaxi Samuel Sociedade: Pascoal Mukuna; Desporto: Paulo Possas; Cultura: Salas Neto; Grande Repórter: joaquim Alves Redacção: Rui Albino, Baldino Miranda, Adriano de Sousa, Teresa Dias, Romão Brandão, e Edgar Nimi Colaboradores Permanentes: Sousa Jamba, Kanzala Filho, Kajim-Bangala, António Venâncio, Celso Malavoloneke, Tazuary Nkeita, Makiadi, Inocência Mata, e António dos Santos «Kidá» Correspondentes: Nelson Sul D Angola (Benguela) e Laurentino Martins (Namibe). Paginação e Design: Sónia Júnior (Chefe), Patrick Ferreira, Carlos Inácio Fotografia: Nunes Ambriz e Hélder Simões Impressão: Lito Tipo Secretário de Redacção: Dominigos Júnior Adminstracção: Marta Pisaterra António Feliciano de Castilho n. o 119 A Luanda Registro MCS337/B/03 Contribuinte n. o Propriedade: Media Investe, SA. República de Angola Direcção: Edição: Política: Economia: Sociedade: Cultura: Desporto: Redacção: Administracção e Vendas: Publicidade e Marketing: sítio: As opiniões expressas pelos colunistas e colaboradores do SA não engajam o Jornal. a uma equipa bem arrumada como a dos senegaleses, de longe superior em todos os capítulos. No fundo, o empate conseguido até acabou por ser um resultado lisonjeiro para os anfitriões. Depois desta ronda, os angolanos passaram para aquela velha condição em que gostam de estar nos torneios qualificativos do continente, quer para provas de âmbito africano, como para as de cariz mundial (caso vertente): a depender de terceiros. E está assim: para reacenderem as esperanças na qualificação, além de precisarem de ganhar em Kampala já neste sábado, os angolanos têm ainda que esperar que os senegaleses percam pontos na deslocação à Monróvia. A situação não está nada simpática. Primeiro, porque Kampala não traz boas recordações aos angolanos, já que quase sempre regressam de lá com derrota. Algumas bem pesadas mesmo. E depois porque não é lógico esperar que os senegaleses se deixem praticamente morrer na praia, pelo que é suposto que os liberianos sequer conseguirão respirar mesmo a contarem com os benefícios que a condição caseira lhes oferece. No entanto, o fundamental, para já, é ganhar em Kampala. Sendo possível, não nos parece provável, mais ainda quando não acreditamos em milagre. Mas, como o futebol não quer saber de lógicas, tudo ainda pode acontecer. E lá vão os angolanos (agora em menor número) ainda com esperanças de irem ao Brasil em Sonhos teimosos que alguém continua a querer alimentar, ao invés de caírem já na real, como diriam os manos do país do samba. Nota: mais logo, a situação estará já mais clarificada uma derrota significaria o fim dessas teimosas esperanças. QUI 06 JUN SEX 07 JUN SÁB 08 JUN DOM 09 JUN SEG 10 JUN TER 11 JUN QUA 12 JUN QUI 13 JUN JES FALOU São raras a vezes em que o presidente da República fala em publico. Para os jornalistas então!... Neste dia JES falou à SIC e suscitou muitas reacções. A corrupção, pobreza, sucessão presidencial e manifestações dos jovens foram alguns do temas abordados. CAUSAS DE CRIMES A Polícia Nacional no Huambo apontou como causas principais da criminalidade, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e de liamba. Revelou-se ainda que ali surgem a cada dia novos grupos de marginais. É já «epidemia» nacional o crescimento do fenómeno? NGONGO DE LUTO Maria Eulália Leal Monteiro, mãe do deputado e general Roberto Monteiro «Ngongo», faleceu neste dia, aos 106 anos. A anciã repousa no Alto das Cruzes. Descrita como optimista, que gostava de viver e sempre transmitiu isso ao resto da família, teve oito filhos, 20 netos e 34 bisnetos. «DIMIXIS» EM FORMAÇÃO O Instituto de Formação da Administração Local (IFAL) encerrou neste dia um curso sobre contratos administrativos, em que participaram 23 funcionários da Administração Municipal de Menongue. O curso foi dirigido a directores das repartições municipais, chefes de secção e técnicos. MBANZA CONGO EM ALTA A classificação de Mbanza Congo como Património Cultural Nacional aconteceu neste dia, em cerimónia presidida pela ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva. O próximo passo será elevar a localidade a Património da Humanidade. Para tal, Rosa Cruz e Silva já pediu apoio à Itália. MENOS IMPOSTOS A taxa do imposto industrial vai ser reduzida de 35 para 30 por cento, uma das propostas apresentadas pela equipa que coordena a reforma tributária. O Conselho de Ministros já apreciou um conjunto de diplomas da reforma do Sistema Fiscal. BÓNUS NO BIC O BIC vai em breve bonificar as taxas de juros dos créditos aos funcionários públicos, para permitir que estes adiram massivamente aos financiamentos que esse banco oferece aos clientes. Fernando Teles, o seu PCA, revelou isso no Huambo. MANIF DE CENTRALIDADES Dezenas de pessoas que adquiriram casas nas centralidades de Cacuaco e o Kilamba manifestaram-se à entrada da Sonangol, reivindicando a entrega das chaves dos seus apartamentos. «Por telefone, não explicam as razões do atraso, agora, a SONIP aguenta-se com as manif s.»

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4 4 Sábado, 15 de Junho de Em Foco Para manter-se como de director de gabinete do Governador José Filipe diz ter recusado convite de Isaac dos Anjos Nelson Sul D Angola Um mês depois de Armando da Cruz Neto ter visto confirmado o seu pedido de demissão do cargo de governador provincial de Benguela, José Chilonga Filipe, até então director do seu gabinete, sai a terreiro para revelar que acabava de declinar o convite de Isaac Maria dos Anjos, o novo titular, para se manter no posto. José Chilonga Filipe reagia assim ao artigo publicado na nossa última, em que ele também era referenciado como um dos «órfãos» Armando da Cruz Neto. No artigo, referia-se que este coronel das FAA «emprestado» ao executivo benguelense era uma das figuras que mais se ressentia da saída do general da governação local, de quem era um dos principais colaboradores. Interrogávamos-nos igualmente se José Chilonga Filipe conseguiria fazer corredores para ser manter como director do gabinete do actual governador ou se não seria melhor antecipar-se, pedindo a sua demissão, antes que fosse afastado por Isaac dos Anjos, cenário apontado como o mais provável. Entre as diversas cogitações, sustentávamos que a melhor saída para ele seria o regresso ao activo nas Forças Armadas. E esta foi mesmo a melhor saída que José ChilongaFilipe encontrou, como ele próprio confirmou ao Semanário Angolense, reiterando, no entanto, que fora convidado para manter-se, ao que acabou por declinar, sem apontar as razões da sua decisão. Antes disso, refutou categoricamente que estivesse a ressentir no «bolso» com a saída de Armando da Cruz Neto, como indicáramos no mesmo artigo. «Não tenho porquê estar a ressentir no bolso com saída do general Armando, até porque, se quer que lhe diga, ganho melhor nas forças armadas do que no governo. E mais: se há coisas que ganhei durante a minha passagem pelo governo, gostaria de destacar as boas amizades que fiz com as pessoas com quem privei durante esses anos todos, assim como o prestígio grangeado. Fora disso, nada mais ganhei», disse José Chilonga Filipe. E confirma: «Irei sim voltar às Forças Armadas Angolanas, donde havia sido requisitado pelo governador cessante para que pudesse dar o meu contributo na função executiva do Estado». José Chilonga Filipe e Armando da Cruz Neto têm uma relação antiga, tendo já sido director de gabinete do general ao tempo em que ele era embaixador de Angola em Espanha. (*) Em Benguela Crise na CASA-CE Com apenas dez meses na função de secretario provincial executivo da CASA-CE em Benguela, Florêncio Canjamba está em vias de ser exonerado do cargo, por alegada má gestão financeira e incapacidade para desempenhar cabalmente o seu papel como representante da coligação na oposição política local, soube o Semanário Angolense de boa fonte. Florêncio Canjamba é ainda acusado de violação dos estatutos da organização, ao proceder a exonerações «anárquicas» dos quadros da coligação, com base no amiguismo, trocando militantes experientes por figuras próximas a si, apenas por isso mesmo, o que tem causado um mal-estar no seio da CASA-CE em Benguela, com evidentes prejuízos para os seus interesses políticos. O mal-estar é tanto que muitos militantes estão já a preparar as «imbambas» para baterem com a porta, com destino ao Galo Negro, o maior partido da oposição angolana, que verá com bons olhos esta crise entre os «casados» de Benguela. As fontes do SA dizem ainda que há muito que o conselho presidencial da CASA-CE vinha protelando a exoneração de Florêncio Canjamba, devido às noticias publicadas por este jornal, dando conta da «inoperância» da coligação de Abel Chivukuvuku em Benguela. Contudo, após um grupo de militantes ter, alegadamente, enviado a Luanda um dossier que detalhava o clima de crispação reinante no secretariado de Benguela, o conselho presidencial da coligação passou a encarar a manutenção de Canjamba no posto como sendo um risco, dado o facto de Benguela ser considerada como segunda praça política do país. A vinda a Benguela do inspector nacional da CASA-CE, Rui Isaac, para as nossas fontes, será a prova mais evidente de que a exoneração de Florêncio Canjamba é uma questão de dias, podendo vir a ser substituído por um antigo deputado da UNITA identificado apenas por Caetano. Contactado pelo SA, Florêncio Canjamba, refutou as acusações sobre as alegadas exonerações «anárquicas» que procedera, afirmando mesmo que, à luz dos estatutos, estão proibidas defecções de quadros por iniciativa do secretário provincial da coligação. «A única coisa que os estatutos admitem é mudarmos um quadro de um sector para outro e nunca exonerá-lo. Portanto, essa acusação não corresponde à verdade, até porque não fizemos sair nenhum comunicado publico que indique isso», disse. Questionado sobre as razões que estariam na base da vinda do inspector nacional da CASA-CE a Benguela, Florêncio Canjamba afirmou que a sua visita se enquadrava nas actividades domesticas rotineiras da estrutura de fiscalização da coligação, para averiguar apenas o funcionamento da sua representação em Benguela, sem ter algo a ver com supostas crises no seu seio. NSA, em Benguela

5 Sábado, 15 de Junho de Em Foco Por alegada campanha difamatória MPLA de Luanda contra semanário «O Continente» O comité provincial de Luanda do MPLA distribuiu à imprensa nesta semana um comunicado em que se manifesta indignado com uma alegada campanha de calúnia e difamação empreendida pelo jornal «O Continente», para sujar a imagem da instituição, em particular a do seu primeiro secretário, o «cda» Bento Bento. Há dias, Bento Bento fora citado pela publicação como estando a subverter o processo de renovação das estruturas municipais do partido no poder em Luanda, referindo que ele estaria mesmo a inibir, em meio a ameaças, os potenciais candidatos aos postos em disputa, para que eles sejam ocupados por figuras da sua conveniência. Mas, a direcção do partido dos camaradas em Luanda contesta as alegações, considerando-as como absolutamente infundadas, uma vez que o processo assembleário nos diversos distritos da circunscrição estará a decorrer normalmente ao nível local, sem intromissões de quaisquer espécies da estrutura partidária provincial no que toca às candidaturas que se têm apresentado para a disputa dos cargos em jogo. Segundo o comunicado, produzido a meio desta semana, tão logo foram criadas as condições procedimentais, conducentes à realização do processo constitutivo dos comités dos distritos, as subcomissões de candidaturas estiveram prontas e disponíveis para receberem as intenções dos concorrentes ao cargo electivo de 1.º secretário distrital, avaliando-se depois se eles reuniam os requisitos exigidos pelos Estatutos e demais Regulamentos do Partido, facto que ocorreu sem qualquer problema. Entretanto, diz o comunicado, o Comité Central do MPLA, o Bureau Político e o Comité Provincial trataram desta matéria, orientando que o processo assembleiario fosse levado a cabo sob obediência das normas estatutárias, regulamentos e demais directivas do MPLA, no sentido de adequar a sua estrutura à nova divisão político-administrativa da província. Diz ainda o comunicado que o Grupo de Acompanhamento do Secretariado do Bureau Político à província de Luanda visitou os comités municipiais e os distritais em formação, para constatar o seu estado de organização e processos de candidaturas, tendo concluido com satisfação que tudo estava a decorrer bem, Segundo o comite provincial do MPLA em Luanda, diante de «factos tão inéquivocos como estes», não restam dúvidas de que o jornal de Henriques Miguel continua incessante a sua campanha especial contra a instituição, dirigida especialmente contra o seu 1.º secretário, Bento Bento, considerado, ao contrário, como um «fiel cumpridor das orientações superiores» do MPLA. «Quer o 1.º secretário províncial, quer os demais integrantes da direcção do partido na província deram autonomia para que as subcomissões de candidaturas decidissem por si sobre o processo ao nível das suas circuncrições territóriais, cabendo apenas ao respectivo orgão superior o papel de fiscalizador e aconselhador, ali onde algo estivesse errado», sublinha o comunicado. A concluir, garante queo espírito democrático e a transparência no processo de candidaturas decorreu com a maior normalidade e sem sobresalto algum. «O que nos leva a caracterizar o comportamento do Jornal O Continente como sendo não sério, caluniador e (...) nocivo ao estado democrático e de direito, que se quer justo, equilibrado e eficaz, aonde o cidadão deve ser informado com verdade», remata o comunicado do «M» de Luanda.

6 6 Sábado, 15 de Junho de Capa Cidadãos estão cada vez mais intranquilos Bandidos «mijam» em Luanda A cidade capital está, desde há umas semanas, fortemente policiada, particularmente nas zonas urbanas. O aparato policial que se vê nas ruas, que incluiu forças especiais, assim como a polícia militar, deixa alarmada a população, quase se parecendo com uma cidade em estado de sítio Kim Alves A província de Luanda, nomeadamente as suas zonas urbana e periférica, tem sido assolada, nos últimos dias, por uma crescente onda de criminalidade que está a tomar contornos alarmantes. A população está assustada e não sabe ao certo a que se deve tal situação, que preocupa também as autoridades. Estas foram, no entanto, apanhadas de surpresa quando, há cerca de duas semanas, três agentes policiais foram mortos por homens armados não identificados no seu posto de trabalho, ao Kikolo. Uma semana depois, mais dois policiais foram igualmente mortos em diferentes zonas da cidade: um, por atropelamento criminoso, já que os seus autores acabaram por levar a sua arma, ao Cazenga, e outro, a tiro, por ter resistido a uma abordagem de bandidos que lhe queriam a sua motorizada. A população sente que a cidade está militarizada, o que a deixa apreensiva, por carência de uma informação concreta. A preocupação das pessoas que trabalham no centro da cidade e habitam na periferia, principalmente em zonas mais distantes, é regressar à casa tão logo terminem as suas actividades. Diversas pessoas têm sido molestadas e algumas mortas em acções de delinquentes que visam, geralmente, os seus bens materiais ou monetários. Em algumas áreas da cidade, viaturas paradas no engarrafamento têm sido abordadas, em pleno dia, por bandidos armados, que exigem dos utentes dinheiro, telemóveis e joias, entre outros bens. A resistência pode custar a vida ou, no mínimo, um ferimento e a destruição dos vidros da viatura. Os transeuntes têm sido igualmente alvos de assalto pelos mesmos motivos, tanto nas zonas urbanas, como na periferia. Com o cair da noite, a insegurança aumenta e o perigo espreita em qualquer esquina ou passagem menos iluminada. Para além dos assaltos, há ainda a violação de mulheres e espancamento quando alguém assaltado não tenha nada que interesse aos bandidos. Transportes nocturnos A falta de transporte público de passageiros a noite agrava a situação, principalmente de trabalhadores e estudantes nocturnos. Ultimamente, muitos trabalhadores e não só aproveitam os cursos nocturnos para aumentar o seu conhecimento e quando saem dos estabelecimentos escolares para regressarem à casa, não há autocarros ou outro meio de transporte que facilite o seu trajecto. Os autocarros públicos e de empresas privadas similares recolhem-se com o cair da noite. Alguns táxis ainda fazem umas corridas durante a noite e, apesar do preço elevado, vão ajudando os que podem. Com o estado de insegurança dos últimos dias, também esses vão ficando raros e os que labutam até mais tarde, assim como os estudantes, nada mais podem fazer senão caminhar, enfrentando os perigos da via. O problema da falta de circulação de transportes públicos de noite na cidade de Luanda e periferias não é novo e dificulta imenso a vida da população, sobretudo em caso de uma emergência por questões de saúde ou outra. O incremento de crimes diversos em Luanda verifica-se, sobretudo, nas zonas periféricas, onde diversas jovens têm sido molestadas e violadas, quando não são mortas também. Há cerca de duas semanas, entre as 21 e as 22 horas, um jovem foi morto por espancamento no bairro das Mangueirinhas, zona da Caop A, município de Viana, quando regressava à sua casa. De acordo com a vizinhança, os meliantes queriam apoderar- -se do seu telemóvel e possíveis valores que o malogrado teria em sua posse. Como ele opôs resistência, seria forte e barbaramente espancado, acabando por falacer horas depois por obra da violência que os bandidos descarregaram sobre ele. Foi o quarto caso do género no bairro só neste ano. A população daquela área atira as culpas para a falta de policiamento nocturno naquele bairro. «Durante o dia, aparecem muitos agentes da Polícia aqui só para pentearem os que fazem táxi e prender as motas, que nem vão para a unidade; mas, das dezoito horas em diante se, só se vê agentes por aqui a beberem nesta ou naquela barraca», acusa um morador do bairro. Na mesma esteira, um outro cidadão foi morto nesta terça- -feira, 11 do corrente, no bairro da Boa Fé, município de Viana, por meliantes que lhe roubaram a mota em que se fazia transportar. Moradores locais dizem que a vítima resistiu ao assalto, o que derivou na sua morte.

7 Sábado, 15 de Junho de Capa Para contrapor-se à sofisticação do «modus operandi» dos bandidos Adaptação policial precisa-se Os bandidos, geralmente armados, estão cada vez mais destemidos, ao ponto de enfrentarem os agentes da polícia. Porém, a população, sobretudo a que reside em bairros de risco, diz que a corporação faz muito pouco para conter a situação, apontando mesmo o dedo acusador a certos agentes por alegada conivência com os bandidos. Actualmente, já se fala de crime organizado em Angola, sobretudo em Luanda. Esses delinquentes estão ligados ao tráfico de droga e à crimes de «colarinho branco», em que são geralmente apoiados por figuras bem cotadas no país. Essa delinquência, não admite interferências nas suas actividades e age com extrema crueldade. Ela está a crescer e a enraizar-se a uma velocidade estonteante que, brevemente, será muito difícil controlar. Neste contexto, os métodos de trabalho e actuação da Polícia Nacional tem que se adaptar à evolução da própria criminalidade. Hoje por hoje, salvo em alguns casos, o policial, agente ou oficial, age como um mero funcionário público: apresenta-se ao local de trabalho pela manhã e a meio da tarde vai-se embora para casa ou para outros caminhos. Os poucos que ficam destacados nas unidades, em caso de alguma ocorrência durante a noite, em regra, sob os mais variados pretextos (não temos isso, não temos aquilo), não acodem aos cidadãos, não patrulham coisa alguma e alguns até fogem ao choque com os delinquentes. Os cidadãos questionam esta postura e comentam: «Actualmente, a polícia já não paga tão mal assim. É mesmo dos sectores públicos que melhores ordenados oferece. Em contrapartida, é só normal ver-se agentes na rua durante o dia. Depois da hora de expediente público, eles também vão desaparecendo e, ao cair da noite, já não se vê nenhum polícia nas ruas de Luanda, salvo raras excepções. Tudo fica entregue aos lobos. E na periferia então, já nem adianta falar. Se aparecem de dia, é mais para pentear do que outra coisa. E com o seu desaparecimento, os bandidos fazem a festa». Viana, Cacuaco e Ingombota Perigo em alta Chefe de Estado quer melhor desempenho Os populares dos bairros da Caop A e B, no município de Viana, que segundo uma fonte da Polícia, é um dos mais afectados actualmemente pela criminalidade, queixam-se dos chamados ralis de motas de duas e quatro rodas, que fazem um barulho infernal, estendendo-se pela noite e madrugada. Queixam-se também da poluição sonora causada por inspirados «dj s» que não querem saber do sossego dos seus concidadãos, incluindo doentes, que são incomodados pela barulheira, Quem reclama é violentado. «A Polícia nunca aparece, nunca vimos um só carro de patrulha nas ruas deste bairro, nem de dia nem de noite e há mesmo polícias que aqui vivem e que deviam fazer o chamado trabalho de sector, mas nada fazem, apesar de conhecerem os delinquentes e prevaricadores», conta Alberto Ngalula, funcionário público. O cidadão acrescenta que nesse bairro, associada às «rachas» de motas e de carros, a delinquência fala alto, incluindo a violação de meninas. «Há dias, mataram aqui um jovem, junto da entrada para a passagem aérea que dá para a Vila, passava pouco das 19 horas, mas a Polícia só apareceu no dia seguinte de manhã», lamentou. É assim em outros bairros de Viana, mas também igual acontece no Cazenga, em Cacuaco, no Rangel, Sambizanga, Prenda, e um pouco por toda Luanda. De acordo com a fonte da Polícia Nacional já citada, os municípios de Viana e Cacuaco e o distrito urbano da Ingombota são os mais afectados pela criminalidade. A fonte explicou que há áreas específicas nessas localidades em que o crime é alto e violento. Em Viana distinguiu os bairros da Caop A e B, Capalanga e Boa-fé, especialmente na área conhecida como «Rasta». No Cacuaco, referiu o Kikolo em toda a sua extensão, o Paraíso e o Mulenvos como zonas onde o crime é que manda. Quanto à Ingombota, a nossa fonte diz que há focos criminosos um pouco por todo o distrito, embora a Polícia conheça as mais críticas. Face ao estado de inquietação e insegurança em Luanda, o Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, ao exonerar a comissária-chefe Elisabeth Rank Frank «Bety» do cargo de comandante provincial de Luanda e nomear para o seu lugar, o agora comissário-chefe António Maria Sita, terá querido implantar uma nova dinâmica no desempenho da Polícia Nacional na província que alberga a capital do país e, em consequência, as mais altas instâncias do Governo e do Estado. Certamente, não terão faltado orientações precisas do Chefe de Estado ao titular da pasta do Interior, Ângelo Veiga, e ao novo comandante, porque o seu trabalho não será fácil. É grande a expectativa em torno do eventual desempenho do novo comandante de Luanda. «A população espera por si para enriquecer a mensagem de segurança que pretendemos passar (...) e para isso deverá também interagir com ela», referiu o ministro, realçando que «os grupos que ousam, de armas na mão, procurar alterar de forma profunda a ordem e a tranquilidade públicas, para esses a nossa mensagem é clara: devemos ser implacáveis. A corporação será bastante implacável com os que se dedicam ao crime, ao invés de trabalharem de forma honesta».

8 8 Sábado, 15 de Junho de Capa Para, finalmente, colocar ordem em Luanda Será o comissário-chefe António Sita o homem de quem se estava à espera? Nelson Sul D Angola (*) Tido como um dos melhores comandantes que já passaram por Benguela, o agora comissário-chefe António Maria Sita, fora nomeado comandante provincial da policia nacional e delegado do Ministério do Interior, no ano de 2007, em substituição do comissário-chefe Mário de Oliveira Santos, actual Director Nacional para Ordem Pública da Policia Nacional. Antes de dirigir a corporação na província de Benguela, António Maria Sita exercera iguais funções na província mais a norte do país, em Cabinda. Quando chegou à Benguela, a criminalidade apresentava um quadro preocupante, não apenas para as autoridades, mas, sobretudo, para a população em geral. Entre 2007 e 2009, Benguela chegou mesmo a ser considerada a segunda província mais insegura do país, em termos de criminalidade, depois da capital. Assaltos à mão armada e violações sexuais constavam no topo dos crimes registados pelas autoridades policiais naquela altura, cujos autores, à semelhança de outras paragens, eram jovens de tenra idade. Há 4 anos, o terror fazia parte do quotidiano dos benguelenses. Se, no centro das cidades do Lobito e Benguela, os assaltos eram praticados descaradamente à luz do dia, nas zonas O Comando Provincial da Polícia de Luanda (CPL), pela especificidade do território em que se encontra, é o de maior responsabilidade e consequentemente o que detém o maior efectivo. Dispõe igualmente de instalações condignas para o seu funcionamento e que prestigiam a sua condição de mais importante comando do país. Pelo CPL já passaram diversos comandantes, alguns deles carismáticos oficiais de carreira policial. O SA tentou por diversos meios obter o nome e o tempo em que estiveram ao leme do CPL, mas mesmo altos e antigos oficiais da corporação disseram não Já na «era moderna» O 8.º Comandante periféricas o panorama piorava. Por alguma influência de Luanda, Benguela também já foi morada das chamadas «squad s», cuja actividade principal era (é) realizar acções criminosas nos bairros e comunidades, com os assaltos a residências a liderarem as estatísticas. Contudo, em Benguela, foram prontamente combatidos pela corporação, então liderada pelo comandante António Maria Sita, tido como um policial de boa competência operativa. saber, lembrando-se apenas de um ou outro nome. Também o próprio site da Polícia Nacional não tem nenhuma referência sobre o assunto. Contudo, o SA saber que já chefiaram o CPL, desde a passagem da corporação para o Comando-Geral, os seguintes comandantes: Gaspar da Silva, Ferreira Neto, Mussolo, Panda, António P. J. Candela, Quim Ribeiro e Elizabeth Rank Frank. Portanto, António Maria Sita é o oitavo titular da corporação na «era moderna». Kim Alves Um dos grupos de delinquentes mais temidos na província de Benguela e que fora desmantelado na vigência do agora comandante de Luanda, respondia pelo nome de BF. A actuação dessa «squad» era forte que quase colocava a província numa situação de instabilidade social muito grave. Para acabar ou diminuir com o alto nível de criminalidade que se registava na província de Benguela, o agora comandante de Luanda, muito mais do que impor o uso da força, havia adoptado a fórmula do diálogo para se alcançar a solução do problema. E uma das fórmulas encontradas pelo comissário-chefe, António Maria Sita foi promover a reinserção social de boa parte dos elementos desses grupos que, um pouco mais tarde, eles se descompuseram. Alguns chegaram mesmo a fazer parte da corporação, com resultados animadores. Mas, em face das características específicas de Luanda, a partir da sua grandeza, os observadores acreditam que a fórmula aplicada em Benguela não teria muitas hipóteses de vingar. No campo político, o comissário-chefe António Maria Sita teve um desempenho positivo, se tivermos em conta as declarações favoráveis ao seu desempenho dos líderes dos partidos políticos (situação e oposição), se bem que não tenha conseguido acabar com a instrumentalização da polícia ao nível dos municípios do interior da província, nos quais os agentes da corporação mais pareciam activistas do partido no poder ou criados dos administradores. Agora nas vestes de novo comandante da Polícia de Luanda e delegado do Ministério do Interior, há pouco menos de 3 semanas, em substituição da comissária-chefe Elizabeth Ranque Frank (Bety), os luandenses procuram saber o que é que António Maria Sita irá fazer para tirar a cidade capital do sufoco em termos de criminalidade em que se encontra. Vamos esperar pela concretização dos planos que ele tem preparado, no afã de tentar sair-se melhor que os seus antecessores, na sua maioria sem histórias bem sucedidas para contar. Será que António Maria Sita conseguirá quebrar o «enguiço»? (*) Em Benguela

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