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1 1.12 reportagens Imagens conversas a revista do goethe-institut LUANDA BRILHA! ANGOLA EM MOVIMENTO

2 «NÓS COMO JOVENS ESTAMOS CANSADOS DE VER FILMES NEGATIVIS - TAS SOBRE ÁFRICA OU ANGOLA.» Ondjaki, escritor e cineasta angolano

3 Luanda brilha! angola em movimento 5 maior e mais bela do Que o dubai As megacidades da África têm desenvolvido uma dinâmica cultural extraordinária Por Katharina von Ruckteschell 6 bom dia, Luanda Por Christiane Schulte 8 Luanda brilha Melodiosa e estridente, vibrante e otimista a vida cultural em Angola prospera Por Bartholomäus Grill 12 uma nação Jovem, mas com uma memória ancestral Fernando Alvim sobre o mercado de arte em Angola, mecenato e multiculturalismo Entrevista por António Cascais 14 InFormaÇÕes essenciais sobre angola Números e factos Por Emílio José und José Kakulo 16 objetos achados e retratos de momento A arte de António Ole Por Nadine Siegert 22 «o surreal, InsÓLIto, caótico como material» Bailarina e coreógrafa Ana Clara Marques sobre dança contemporânea de Angola Entrevista por Rita Soares 24 a música dos vinis dos nossos pais O som dos anos sessenta e setenta em Angola Por Otiniel Silva 32 a hora do movimento das Imagens O despertar estético do cinema angolano Por Miguel Hurst 34 «aproveitar e criar o espaço público» O movimento cultural interdisciplinar luandense MABAXA Por Abreu Paxe 36 peixe, pão e LIvros Design é uma missão para Shunnoz e Tekasala Por Miguel Hurst 42 os alunos do goethe Bolseiros de Luanda em viagem por Bremen Por Patrick Wildermann 44 palavras como arma e experiência Breve passagem por 100 anos de literatura angolana Por Abreu Paxe 48 «há muito mais esperança do Que LIberdade» O escritor Ondjaki sobre Luanda, influências literárias e o mistério da poesia Entrevista por Abreu Paxe 50 Ir até ao sol, mas de noite De Cantão até a Cidade do Cabo, de Nairobi até Veneza, a obra de Kiluanji Kia Henda polemiza Por Suzana Sousa 54 todas as JaneLas para Fora são Importantes Parabéns pelo terceiro aniversário do Goethe-Institut em Angola 26 modernismo em Luanda A convite do Goethe-Institut, Hans Engels fotografou a arquitetura da metrópole Por Hans Engels A redação optou por seguir o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa porque a revista será igualmente distribuída em Portugal, Moçambique e no Brasil.

4 Titel Rubrik 2 dia a dia numa das cidades mais caras do mundo Em Luanda, originalmente construída para habitantes, vivem hoje mais de cinco milhões de pessoas.

5 Editorial 3 Luanda brilha! A capital de Angola tem muito para oferecer: uma vida cultural intensa, um florescimento da música e das artes plásticas, uma crescente produção artística e intelectual. Muito mais do que só o boom económico e a riqueza em petróleo, manifestos na percepção transmitida pelos mass media sobre este país da África austral. Há pouco mais de três anos que o Goethe-Institut está a trabalhar nesta fascinante metrópole económica recém-nascida: o novo Goethe-Institut Angola foi fundado com recursos disponibilizados pelo projeto «Aktion Afrika» do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão em 2008.

6 megacidade Junto ao mar O palco da guerra civil transformou-se num centro económico pulsante. 4

7 Editorial 5 maior e mais bela do Que o dubai as megacidades da ÁFrIca têm desenvolvido uma dinâmica cultural extraordinária «Luanda não queria dizer Ruanda?» «Não, não Luanda, a capital de Angola.» Não é só a semelhança fonética que leva com frequência a perguntas deste género quando se fala do Instituto Cultural Alemão, o Goethe-Institut, em Luanda. Ruanda é conhecido, pelo menos de se ouvir falar, como o pequeno país, algures em África, onde houve aquele genocídio horrível, o símbolo da África com todos os seus horrores. Agora Luanda? Onde é que fica Luanda? Angola é um país traumatizado por quase 30 anos de guerra que com a ajuda do seu boom de petróleo está a tentar dar o salto da Idade Média para o século XXI. Um novo Dubai? Não, maior, mais bela e melhor do que o Dubai. Foi o projeto «Aktion Afrika», criado pelo então Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão Frank-Walter Steinmeier, que proporcionou ao Goethe-Institut a possibilidade de alargar significativamente a sua rede no continente africano, priorizando a África subsaariana. E por que razão se optou por Luanda como sede do novo Goethe-Institut? Há várias respostas a esta pergunta todas elas são corretas. Uma razão fundamental para a «Aktion Afrika» foi, sem dúvida, a tentativa de posicionar a Alemanha num continente cujos recém-descobertos recursos de matérias primas pareciam ser intermináveis, sobretudo para a China. Além disso, a persistência de uma situação política instável em muitos países estava a exigir medidas sustentáveis para assegurar a paz. A cultura aparentava ser um meio apropriado para alcançar esses objetivos com «poder brando». A Alemanha queria lá estar, quando um país marcado pela guerra civil desabrochasse numa vida económica pulsante e com todas as possibilidades para um futuro africano. A Alemanha queria desenvolver uma parceria frutífera com Angola, e que ria estar à altura da China e de outros «investidores» impor tantes de um mundo a caminho da globalização. Luanda iria ter um instituto pleno, com uma oferta de cursos para todos aqueles que quisessem aprender alemão, e com um programa cultural interessante. Porém, a resposta à pergunta também pode ser outra, mais no sentido daquilo que o Goethe-Institut pretende conseguir efetivamente no «continente esquecido». O Instituto Cultural Alemão tem ampliado a sua rede, estando atualmente presente, com 22 representações, em 19 países subsaarianos. Antes da «Aktion Afrika» só havia na região nove institutos e seis sociedades culturais. Além disso, o Goethe-Institut tem o objetivo de promover o diálogo cultural intraafricano e de fazer da cultura e do desenvolvimento uma das prioridades do seu trabalho. As grandes metrópoles como Lagos, Nairobi ou Joanes burgo não eram interessantes apenas em termos económicos, mas também desenvolveram, ao mesmo tempo, uma enorme dinâmica cultural que as foi transformando em centros de novos formatos artísticos e em oficinas de criatividade. Com o crescimento vertical de edifícios reluzentes foi-se desenvolvendo um mundo pujante de jovens angolanos que querem o intercâmbio com o mundo, de forma múltipla e nas áreas mais variadas. Já não se consegue imaginar a rede das megacidades emergentes de África sem Luanda. Com a sua situação histórica especial, a sua localização económica e geográfica e a sua forte ligação com o Brasil através do «Atlântico Negro», constituída também pela língua comum, Luanda tem-se transformado num dos protagonistas do diálogo cultural africano. Entretanto, as contribuições inovadoras, a força de expressão criativa dos artistas angolanos, nascida dos numerosos antagonismos do país, como o contraste entre rico e pobre, entre tradição e modernidade, também estão a ser observados com grande interesse no palco internacional. Um Goethe-Institut em Luanda é obrigatório é um must se a Alemanha pretende ter um papel ativo e visível nesta importante plataforma. Mesmo com as rendas altas e um padrão de vida caro apenas três anos depois confirma-se o que o presidente do Goethe-Institut prognosticou por ocasião da inauguração do escritório para a fundação do instituto em Luanda: «O Goethe-Institut de Luanda será uma importante interface na rede do diálogo intercultural neste continente e contribuirá de forma fundamental para a participação da Alemanha no interessante desenvolvimento do mundo das artes e da cultura.» Luanda é fascinante e é uma sorte poder participar como parceira desde o início. Katharina von ruckteschell, Diretora para a África do Sul/ Região da África Austral do Goethe-Institut UWWW.GOETHE.DE/ANGOLA * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Traduzido do alemão por Barbara Mesquita

8 viver em Luanda Um edifício habitacional na metrópole do boom 6

9 Prefácio 7 bom dia, Luanda Bom dia, Luanda. Tu és rica. Ficas à beira mar, tens uma praia de areias brancas, és cheia de música e o teu clima é tropical. Os teus habitantes são orgulhosos e belos. Quando se vai passear, ao fim da tarde, pelas tuas ruas, fragmentos do seu português misturam-se com a música que retumba algures de um altifalante. Para quem quer acreditar nos prognósticos económicos, vais ter um futuro próspero. Então, porque é que as pessoas não gostam de ti? Porque é que não te conhecem? Porque é que tratas mal os teus visitantes? Porque é que não te compreendem? Efetivamente, não é fácil conhecer-te. As tuas ruas estão cheias de poeira e, muitas vezes, também de lixo. Buracos nas ruas do tamanho dos pneus de um camião, tampas de esgoto sem qualquer proteção já alguma vez uma criança caiu dentro de algum desses buracos? Os engarrafamentos permanentes nas tuas ruas acabam todos os dias com os nervos das pessoas. E ter que ficar horas e horas na fila da bomba de gasolina, apesar das enormes reservas de petróleo frente à tua costa, não facilita o gostar de ti. Mesmo assim, tu consegues ser charmosa, consegues inspirar, relaxar, enfeitiçar. Por exemplo, quando no centro da cidade, atrás de um dos teus gigantescos estaleiros, se entra no «A nossa Sombra», um pequeno jardim com uma esplanda-restaurante, para tomar um cafezinho e sentir-mo-nos como num oásis. Quando se está sentado na praia para ver o pôr do sol, a cidade nas costas, a música Kizomba no ouvido, o vento quente, levando consigo a pressão do dia, com a consciência de que algures, do outro lado do mar, está o Brasil. Quando se vai de barco ao mar, ver os golfinhos deslizando na água. Quando se é convidado para ir a uma festa numa casa lá no alto, com vista sobre os telhados da cidade, observar as suas luzes a brilhar, não se quer estar em nenhum outro lugar do mundo. Porque é que se sabe tão pouco de ti? Já tens 436 anos. Acabas de fazer anos. Em 1575, o comandante do navio português Paulo Dias de Novais veio com o primeiro grupo de colonos portugueses. Passaste por muita coisa desde então. Pela colonização portuguesa. Pelo fim do regime colonial. Pela guerra civil. Paz. Pessoas que fugiram. Pessoas que voltaram para construir o país e participar no boom económico. E hoje? Hoje as opiniões divergem. As pessoas ou te odeiam ou te amam. Dizem que és a cidade mais cara do mundo, reclamam contra a tua corrupção, e a maior parte das vezes só falam mal de ti. Para te compreender e talvez até gostar de ti é preciso conquistar-te e descobrir-te. É preciso ir para o lado menos elegante da Ilha e comer peixe na Tia Luísa. Ela deixa marinar o peixe em sumo de limão antes de o pôr na pequena grelha encostada à parede, o quintal com telhado de zinco feito «restaurante», transforma o peixe no mais delicioso que alguma vez se comeu. Sentar no parque ao lado da casa do Presidente no Miramar onde à tarde a rapaziada do bairro vem jogar basquetebol. Ouvir a música do tempo antes da independência, em 1975, que os mais velhos voltam a tocar ao domingo à tarde no café. Abrir os olhos. Descobrir os azulejos dos letreiros das ruas do tempo dos portugueses. Divagar pelos teus cinemas ao ar livre que se podem visitar, mas que já não funcionam. Escutar o teu barulho. Os pregões das peixeiras e o ronco dos motores, permanentemente ligados, dos carros estacionados para que os motoristas sentados lá dentro se possam refrescar no ar condicionado. Sentir o teu cheiro, o oceano e o aroma fresco da terra depois de um aguaceiro, tanto como o lixo presente em quase todo o lado. Encontrar os teus habitantes e falar com eles. Os teus artistas, pensadores, pintores, poetas, atores, músicos. Ouvir as suas histórias e as suas vidas. Luanda, precisamente. Cidade portuária. Cidade do petróleo. Cidade do boom. E logo depois de São Paulo e do Rio de Janeiro a terceira maior cidade lusófona do mundo. Tu mexes com as pessoas. Vale a pena o esforço de te conquistar. christiane schulte Diretora do Instituto Cultural Alemão / Goethe-Institut Angola * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Traduzido do alemão por Barbara Mesquita

10 Luanda brilha melodiosa e estridente, vibrante e otimista a vida cultural numa angola prospera 8 visitantes da exposição «nkisi shadow» de Fernando alvim O tema é a descolonização do pensamento. Kuduro A dança que está a conquistar os clubes de Berlim, Londres e Nova Yorque.

11 Por Bartholomäus Grill 9 para não fazer uma figura ridícula. O melhor é só estar no relaxe, apreciar, beber uma Cuca, ouvir os ritmos vibrantes dos musseques, dos bairros pobres da cidade. Olho pelos vãos das janelas para o mar de luzes. Luanda brilha! A metrópole, antigamente tão sonolenta, não se parece consigo mesma. Sessão de fotografias com Rui Tavares. O artista número um da fotografia em Angola que publicou na «Revue Noire», publicação de referência sobre fotografia moderna em África. Encontramo-nos com ele no centro histórico da cidade, rodeado por pomposos arranha-céus, na Rua Rainha Ginga, entre edifícios barrocos degradados da época colonial portuguesa. O germe de Luanda emana a aura da saudade. Tekasala Maat Nzinga e Shunnoz Fiel, os dois «modelos», já estão prontos para a sua intervenção. Estão vestidos com fraque e botas de borracha, botões-de-punho com kalashnikovs e, para rematar laços e lenços de adorno nas mais estridentes cores carnavalescas. Eles auto-intitulam-se de fashio nistas, mas esta denominação engana, porque o seu «Projecto Mental» pretende ser muito mais do que mero design de moda. Quer no 30 andar de um arranha-céus em ruínas, quer atrás da fachada de um edifício barroco no coração da cidade: a vida cultural de Luanda está a vibrar. algumas coisas também chegam à europa. Sleepless em Luanda. Em frente à Pensão Invicta, o trânsito da noite não abranda, o ar condicionado emite um barulho metálico, os mosquitos atacam em voo permanente. Ainda por cima, o martelar e vibrar infernal que vem de um arranha-céus atrás do Largo do Kinaxixi. Toca a deixar os lençóis transpirados e ir até lá! O edifício, uma carcaça abandonada em betão armado, corredores cheios de lixo, fedor a urina, alguns sem-abrigo deitados em cartões. Depois, lá em cima, no 30 andar, a fonte do barulho, uma festa selvagem às duas da madru gada. Todo o prédio oco está a vibrar com cem miúdos alucinados a dançar. Kizomba, kuduro, tarrachinha, semba, tudo o que se dança em Angola. Algumas coreografias fazem lembrar relações sexuais. Um branco desajeitado faz bem em não pisar a pista reconstrução mental «Depois da guerra civil não se trata só da reconstrução física do nosso país, mas sim da reconstrução mental», explica Tekasala. «Queremos ultrapassar a confusão». A grande confusão nas cabeças depois de quinhentos anos de domínio estrangeiro e 30 anos de guerra. Trata-se, na linha de pensamento de um Steve Biko, de um Patrice Lumumba ou da Negritude dos anos 60, da descolonização do pensamento, da procura da angolanidade, da identidade cultural autótone um processo de procura da própria identidade que está a inspirar Luanda e os seus músicos, dançarinos, atores, realizadores de cinema, artistas plásticos, escritores e intelectuais. Em todo o lado se sente este despertar: nos ateliês, nos cinemas, nos teatros, no Dom Q ou nos muitos outros clubes de música da cidade, nas atuações freneticamente aplaudidas do conjunto de Rap Ikonoklasta, no estúdio da Ghetto Produçõ ou no programa da televisão «Sempre a Subir» onde o kudurista Sebem apresenta estrelas do kuduro como Muana Pó, Tony Amado, Zoca Zoca ou Gata Agressiva. O mote para toda esta exaltação criativa poderia ser o título de uma exposição que se pôde apreciar no ano passado por ocasião das comemorações dos 436 anos da fundação da cidade: «Luanda Suave e Frenética». Mas o Ocidente ainda não se deu conta disso, a maior parte dos europeus nem sabe onde fica Luanda. Algures em África, nesse continente das guerras e das crises, das catástrofes e da miséria. A atual fome no Nordeste Africano parece confirmar, mais uma vez, este clichê sempre igual que ao longo dos séculos de conquista, submissão e exploração da África se foi gravando na memória coletiva do mundo lá fora. Nessa matriz de perceção não se aceita que existe uma África totalmente dife-

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13 Luanda brilha 11 rente, otimista, criativa, alegre, em cujas grandes cidades prosperam a sociedade civil, a vida cultural e o mundo da música e das artes. Fachadas deterioradas como passarela Mas voltemos ao «Projeto Mental» e à sua performance no coração da cidade. Os dois designers atiram-se para a sarjeta. Pousam com livros esfarrapados da história lusitana. Transformam as fachadas deterioradas em passarelas verticais. No fim, enforcam-se com cabos elétricos num semáforo, diante da torre de aço da Sonangol, empresa petrolífera estatal. Um comentário irónico à maior máquina de enriquecimento de Angola onde bilhões de petrodólares desaparecem, enquanto que a maioria da população não tem onde cair morta. Como os transeuntes que acompanham divertidos a requintada auto-execução. «Vestidos, moda, informação, edu cação», arqueja o designer de moda Shunnoz com a língua de fora. «A elite só está interessada nos valores materiais, no luxo, no consumo desenfreado. A educação, a formação e a cultura infelizmente ficam para trás», diz António Ole, o artista mais famoso do país. Na exposição sobre África «Who knows tomorrow» em 2010 em Berlim, ele montou, frente ao museu de Hamburger Bahnhof uma gigantesca parede de contentores, uma espécie de fetiche do mundo mercantil globalizado. Em casa, na sua terra, ele tem que lutar. Está contrariado com o previsto realojamento da sua grande escultura «Mitologias II» na Marginal. Ao mesmo tempo, o rápido enriquecimento de Angola abre horizontes inesperados para as artes. Basta visitar Fernando Alvim, em cuja casa particular confluem mil iniciativas. Em 2006, ele organizou a primeira Trienal de Luanda; neste momento, está a planear o primeiro museu de arte contemporânea na metrópole com sete milhões de habitantes. «Para que os africanos finalmente possam ver os africanos.» Como vicepresidente da Fundação Sindika Dokolo, ele tem acesso aos tesouros artísticos do arquivo da fundação, como por exemplo à coleção espetacular do espólio do falecido colecionador de arte alemão Hans Bogatzke. sempre a todo o vapor Fernando Alvim é um acontecimento, artista, empresário cultural hiperativo, fumando sem parar, agitado como toda a cidade, sempre a todo o vapor, «vulcaníssimo», por assim dizer. Segundo ele, o Ocidente está a perder, pouco a pouco, o seu monopólio, o tempo em que servia de líder cultural, de modelo de desenvolvimento e em que tinha o poder de interpretação já passou; só Portugal, a ex-potência colonial, ainda preserva uma certa influência. «Os impulsos inovadores e ideias vêm da África, do Brasil e do mundo afro-americano.» É o que se sente hoje em dia em todas as metrópoles culturais do continente, quer em Lagos, quer em Cotonou ou Joanesburgo, mas sobretudo em Luanda. «Um lugar alucinante», entusiasmou-se o DJ Spooky, um artista de Trip-Hop de Nova Yorque, que de vez em quando passa por Luanda. Encontrámo-lo durante a nossa última visita ao «Bahia», o lounge mais cool na marginal, com o passeio em vias de ser transformado numa espécie de Copacabana. «Cross culture, o encontro Sul-Sul. Tu vais ao Rio ou a São Paulo, e de repente dás-te conta de que as origens de muitos estilos de música estão em Angola. O semba transformou-se em samba, foram os escravos que os portugueses levaram à força para o outro lado do Atlântico que o trouxeram.» Agora as «exportações culturais» voltam para a sua terra de origem, misturam-se com a variadíssima tradição musical local e globalizam-se. O Kuduro e outros estilos de Ghettotech de Luanda estão a conquistar os clubes em Berlim, Londres e Nova Yorque. alegria ofegante e esperança no Futuro Uma cidade está a reinventar a sua cultura e a redescobrir a antiga. Em Novembro de 2010 a editora discográfica de Frankfurt Analog Africa publicou o CD «Angola Soundtrack The Unique Sound of Luanda ( )». É simplesmente um espetáculo, luso-tropicalismo puro, uma mistura de rumba do Congo, merengue das Caraíbas, ritmos cubanos, riffs de guitarra psicodélicos. O álbum, cuja produção foi promovida pelo Goethe- Institut Angola, recebeu logo à primeira o prémio da crítica discográfica alemã deste ano. «Uma viagem mágica pela África dos tempos pós-coloniais, e uma fascinante introdução nas migrações musicais transatlânticas», elogiou o júri. A compilação fez ressuscitar conjuntos lendários como os N Gola Ritmos, Os Kiezos ou Jovens do Prenda, e quem sabe se não vai ter tanto êxito como os velhos mestres do Buena Vista Social Club «rea- tivados» por Ry Cooder. Em Junho alguns músicos fazem pela segunda vez uma digressão no estrangeiro formado o supergrupo «Conjunto Angola 70». Nessa altura, a Europa vai ouvir o pulsar da nova Luanda, essa alegria ofegante, que rouba o sono, cheia de esperança no futuro. bartholomäus grill é jornalista especializado em África. Desde 1993 é correspondente e autor do semanário Zeit, e desde 2008 editor da revista mensal em inglês African Times. Durante o mandato do Presidente da República Federal da Alemanha Horst Köhler, fazia parte da sua equipa de consultores. Atualmente está a viver e a trabalhar na África do Sul. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Traduzido do alemão por Barbara Mesquita dj K.o. na praia de Luanda Uma cidade está a reinventar a sua cultura.

14 uma nação Jovem, mas com uma memória ancestral Fernando alvim FaLa-nos sobre o mercado de arte angolano, o mecenato e o multiculturalismo 12 um dos mais conceituados artistas e dinamizadores da cena artística angolana, tanto a nível nacional como internacional, é comissário da trienal de Luanda da Fundação sindika dokolo, uma extensa exposição de arte e cultura internacional, na qual o Instituto goethe participa desde Fernando alvim falou com o jornalista antónio cascais sobre a cena artística angolana. antónio cascais: Gostaria que me falasse um pouco sobre si, por favor. Quem é o Fernando Alvim? Fernando alvim: Nasci em 1963, no bairro do Cruzeiro em Luanda, pertenço a uma geração que viveu o fim do colonialismo e o início da independência. Sou testemunha da meta morfose de Angola, do nascimento de uma sociedade nova, muito diferente do tempo colonial. Onde é que se situa no contexto da cena artística angolana? Para mim, a arte é uma questão de ponto de vista. E esse ponto de vista, na minha opinião, é em primeiro lugar filosófico. Eu tinha 12, 13 anos quando Angola se tornou independente. Isso marcou-me muito, e foi desse contexto que surgiu a minha relação com a arte. Eu sou um artista de Luanda e arredores e, como tal, dessas coerências geográficas e históricas. Para mim há uma relação estreita entre a arte e o pensamento. Podemos levar a nossa maneira de pensar a intervir na sociedade atra vés das várias formas de expressão: na pintura, no teatro ou na música. E em que áreas participa? Eu utilizo todas as formas de expressão. Gosto muito de intervir através da pintura. Na pintura agrada-me a parte física. Colocome num espaço virgem e sem limites, do qual posso fazer nascer algo de novo. Também já realizei documentários. Gosto de pro - duzir vídeos, de apropriar-me dos espaços, trabalhar em arquitetura, faço instalações, organizo exposições em museus de arte contemporânea, etc. Também componho música e escrevo. Faço de tudo um pouco. Mas a minha atividade preferida, desde criança, é a pintura. Também é curador de uma fundação Sim, da Fundação Sindika Dokolo. Dokolo, genro do Presidente da República, é o patrono desta coleção de arte. Desenvolvemos em grupo este projeto, porque pensamos que a divulgação da cultura é da maior importância num país que precisa de digerir uma tragédia de uma guerra civil de 30 anos. É normal que após uma guerra, as pessoas precisem de se expressar através da arte. Pense por exemplo na importância da documenta, na Alemanha, após a segunda guerra mundial. Na nossa opinião dar a conhecer a perspectiva do artista sobre a sociedade é importante para Angola e, por isso, organizei na capital uma enorme exposição, a Trienal de Luanda. O meu lema é ver o mundo a partir de Luanda. É a ideia de um movimento cultural inclusivo, que não se incline perante os ditames da estética e da beleza, mas que seja tão abrangente quanto possível. É importante para nós que a sociedade tenha acesso a informações culturais. Queremos documentar, intensivamente, o pensamento dos artis tas africanos e angolanos. As próximas gerações serão diferentes devido a uma maior proximidade com a cultura. Como nasceu essa fundação? Tudo começou com a compra da incrivelmente valiosa coleção de arte do alemão Hans Bogatzke. Bogatzke, em várias entrevistas, tinha manifestado o desejo de que um dia a sua coleção regressasse a África. Quando ele morreu, contactei a sua viúva e disse-lhe que a Fundação Sindika-Dokolo gostaria de adquirir a coleção. Tivemos a possibilidade de expor 480 peças de arte africana na primeira Trienal de Luanda. Conseguimos apresentar uma amostra aberta e abrangente. Agora resta-nos alargar este conceito. É isso que, passo a passo, continuamos a fazemos neste momento. E de que é composta a coleção? É, principalmente, uma coleção de arte africana contemporânea. Também há obras de artistas internacionais como Miguel Barceló e Andy Warhol. Mas, a maior parte, é arte de África. Paralelamente com as obras de pintura, adquirimos 2000 fotografias afri ca nas do período que vai de 1938 até à atualidade. A nossa coleção é hoje, provavelmente, a mais importante do continente africano. A coleção tem também uma perspetiva angolana? Naturalmente que sim. A coleção encontra-se em Angola e conti - nuará reunida neste país. A totalidade das pessoas que trabalham para a Fundação são angolanas. O proprietário e Presidente é congolês, mas a Fundação é angolana. E quais são os objetivos da Fundação? A coleção tem um objetivo: Sindika Dokolo gostaria de estimular a produção de arte em Angola. Ele deseja apoiar o trabalho de artistas emergentes e promissores. É o que está a ser feito. Hoje existem artistas angolanos com dimensão internacional. É, ao mesmo tempo, uma coleção histórica representada por artistas que foram importantes para a mais recente história de arte africana. A coleção é muito extensa, mas o que conta não é o número de peças. Nós desejamos, principalmente, estimular a produção artística. Para si, o que é ser angolano? Há coletividades culturais evidentes em Angola. A cultura Bantu é um exemplo de angolanidade. Um outro aspeto expressivo da angolanidade cultural é a juventude das suas obras, e o facto de essa arte ser muito atual. Nós somos uma nação jovem mas com uma memória ancestral. A forma como a cultura angolana interage, mostra que somos uma nação forte e viva. Os artis - tas angolanos têm ainda tendência para a legítima defesa. Este é talvez também um traço comum.

15 13 Como descreveria a produção artística angolana? Nas décadas após a independência, a guerra separou os artistas angolanos. Desde o fim da guerra, as relações melhoraram. Na minha opinião, os artistas angolanos contemporâneos produzem uma arte livre. Existe realmente um mercado de arte em Angola? Existem colecionadores que compram regularmente arte contem - porânea. Há também muitas instituições que compram. Empresas, Bancos, etc. Antes, apenas a empresa pública petrolífera Sonangol, a ENSA e o Estado compravam peças de arte. Também porque havia menos concorrência. Hoje, todos os Bancos compram arte, alguns têm mesmo Instituições Culturais. Naturalmente isto não é suficiente. Nunca é suficiente. Mas há um verda deiro apoio da parte do Estado e há boas hipóteses de que brevemente sejam votadas algumas leis que serão muito importantes para os artistas. Existem já alguns artistas, com sucesso, que conseguem alimentar a produção da sua arte com o que ganham com a venda das suas obras e pagar a sua renda de casa. Também há artistas estrangeiros que chegam a Angola, brasileiros, portugueses, outros europeus e dessa interação resultam novos projetos e obras interessantes. Há um género que seja mais importante em Angola? A música e a literatura são os géneros mais importantes em Angola. São mesmo mais fortes do que o teatro ou a dança. A pintura nem tanto. Mas temos um potencial criativo enorme. O que nos pode dizer sobre a música angolana? Eu gosto muito da música angolana do norte, gosto muito da música do tempo da revolução. A música angolana é muito variada. Temos Kizomba e Semba as nossas músicas de expor - tação mais conhecidas. E o que significam para si Kuduro ou a «Dança do Milindro»? O kuduro é um género musical que surge logo a seguir ao fim da guerra. As pessoas precisavam criar uma arte mística. Foram os jovens que começaram a divulgar o kuduro nos transportes públicos de Luanda. É um movimento cultural diversificado e necessário. Sei que não agrada a toda a gente, e há quem pense que o Kuduro não tem qualquer interesse. A minha opinião é que o Kuduro é um movimento cultural amplo e integrador. Ele é ritmo e dança e essa interação entre o som e o movimento do corpo é maravilhosa. O que tem Angola, no domínio da arte, para dar ao mundo e especialmente à Alemanha? Eu acho que a Alemanha devia informar-se sobre África e sobre Angola. Quando isso acontecer, a Alemanha vai reparar que a cultura alemã está muito presente no continente africano. Nós, africanos, temos mais acesso à cultura alemã do que os ale mães à nossa. O défice está do lado alemão. Penso que um intercâmbio no campo das artes seria bom para ambos os países. Um Instituto Cultural como o Goethe-Institut desempenha um papel muito importante nesse sentido. Angola é um país multicultural. Pode nesse aspeto acrescentar algo ao mundo? Nessa área temos realmente muito a dar. Vivemos num mundo em que se fala muito de multiculturalismo. Há pouco tempo, Ângela Merkel disse que na Alemanha o multiculturalismo tinha falhado. Mas nós somos todos multiculturais, desde o nosso nascimento, porque somos o resultado de um homem e uma mulher e cada pessoa é um mundo. Não nos resta outra possibilidade senão sermos multiculturais. No desporto funciona bem. A própria Alemanha e os países nórdicos têm desportistas de origem africana nas suas equipas. A Alemanha é um dos países europeus, a quem eu gostaria de pedir para velar sobre a coexistência harmoniosa dos povos. Angola, sendo um país multicultural poderia ajudá-la nisso. Há angolanos no estrangeiro que trazem angolanidades para Angola? O angolano é móvel desde os tempos da escravatura. Há escritores, pintores, músicos que não vivem em Angola, trabalham no estrangeiro e podem ser tão ou mais angolanos do que muitos dos que aqui vivem e trabalham. Pode-se dizer que os angolanos serão globalizados como todos os outros povos? A expansão da globalização na América do norte e do sul e na Europa foi uma contribuição para um entendimento global e foi importante para a compreensão entre os povos. Fernando alvim é um dos mais conceituados artistas angolanos do momento. É fundador e conceptor da Trienal de Luanda, vice-presidente da Fundação Sindika Dokolo e fundador do Centro de Arte africana contemporânea «Camouflage» em Bruxelas Em 2007 foi curador do Pavilhão africano da Bienal de Veneza. antónio cascais é jornalista freelancer para a televisão, ARD, Deutsche Welle e Arte nos países de Língua oficial portuguesa. Seguiu as eleições parlamentares angolanas de 2008 e esteve, em Setembro de 2011, a convite do Goethe-Institut para colaborar num seminário sobre jornalismo cultural em Luanda.

16 InFormaÇÕes essenciais sobre angola números e Factos 14 Luanda REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO ZÂMBIA NAMÍBIA BOTSUANA após 400 anos de domínio colonial português e anos de luta contra o regime colonial, angola conseguiu ficar independente em pouco depois, o país afundou-se numa guerra civil devastadora. desde que em 2002 se veio instalar a paz, o país encontra-se num processo de recuperação e crescimento admirável, graças à sua riqueza em recursos naturais. mesmo assim, um terço da população continua a viver na pobreza. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Antes da independência Angola foi colónia portuguesa durante quase 400 anos. Segundo consta, o primeiro europeu a pisar terra angolana foi o conquistador português Diogo Cão que, em 1482, à procura do caminho marítimo para a Índia, declarou a foz do rio Congo território português. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Após uma longa luta de libertação e em consequência da revolução dos cravos em Portugal, a 25 de Abril de 1974, Angola ficou independente a 11 de Novembro de Nessa altura, chegou ao poder o Movimento Popular de Libertação de Angola, o MPLA, de orientação marxista, cujo presidente, Agostinho Neto, foi o primeiro presidente de Angola. Após a sua morte, em 1979, sucedeu-lhe o seu substituto, José Eduardo dos Santos, que mantém o cargo até hoje. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Após a independência eclodiu uma guerra civil que se prolongou, com interrupções, até Contra o governo, apoiado sobretudo pela União Soviética e por Cuba, lutava a União Nacional para a Independência Total de Angola, a UNITA, patrocinada pela África do Sul e pelos Estados Unidos. Em 1991, o sistema unipartidário de cariz socialista instalado em Angola foi substituído por uma democracia formal. Ao passo que nas primeiras eleições parlamentares, realizadas em 1992 foram, ganhas com maioria absoluta pelo MPLA, nas eleições presidenciais José Eduardo dos Santos teve que se impor ao presidente da UNITA, Jonas Savimbi, numa segunda volta. A UNITA acabou por não reconhecer o resultado das eleições e reiniciou, desta vez praticamente sem apoio estrangeiro, a guerra civil, que só terminou após a morte de Savimbi, no princípio de * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Nas seguintes eleições parlamentares, que só foram realizadas somente em 2008, o MPLA voltou a ganhar. No princípio de 2010, foi aprovada por referendo uma nova constituição que prevê, em vez da eleição direta do presidente da República, a sua designação pelo grupo parlamentar mais forte. O presidente da República é ao mesmo tempo o chefe do governo que controla, através de vários mecanismos, todos os órgãos estatais, incluindo o recentemente criado Tribunal Constitucional.

17 Por Emílio José und José Kakulo 15 * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * No atual parlamento angolano, estão representados cinco partidos. O MPLA, no passado de orientação marxista, detém uma maioria de dois terços. O partido mais importante da oposição é a antiga organização dos rebeldes da UNITA, seguida pelo Partido da Renovação Social, PRS, considerado um partido de orientação étnica dos Lunda e dos Chokwe. Como porta-voz da oposição extra-parlamentar e de vários movimentos de direitos cívicos angolanos, tem estado a estabelecer-se desde 2010 o Bloco Democrático (BD). Angola ocupa um território de quilómetros quadrados, situado no oeste da África austral. A norte, confina com a República Democrática do Congo, a leste com a Zâmbia, a sul com a Namíbia e a oeste com o Oceano Atlântico. Além disso, faz parte do território nacional de Angola o enclave de Cabinda, rico em petróleo, situado na costa entre a República Democrática do Congo e a República do Congo (Brazzaville). * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * A língua oficial em Angola, e língua materna de cerca de um terço dos angolanos, é o português. Existe, no entanto, um grande número de outras línguas faladas no país, sendo entre elas as mais frequentes o umbundo, o kimbundu, o kikongo, o chokwe, o cuanhama e o nyaneca. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Segundo dados oficiais, Angola tem 13,3 milhões de habitantes (as Nações Unidas falam em cerca de 18 milhões), dos quais entre cinco e sete milhões estão a vivem na capital Luanda. As outras grandes cidades de Angola (Benguela, Lobito, Cabinda, Huambo, Lubango e Kuito) têm entre e habitantes. No total, mais de metade dos angolanos vive em cidades. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Quase metade da população angolana são crianças e menores de 14 anos. As indicações relativas à esperança de vida oscilam entre 39 e 51 anos. A população está a crescer em dois por cento por ano. Cerca de um em três angolanos é analfabeto. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * A maioria dos angolanos é de origem bantu e pertence a uma das três etnias mais importantes, aos ovimbundo (37%), aos ambundo (25%) ou aos bakongo (13%). Além disso, há mais de uma dúzia de outras etnias bantu. Apenas cerca de dois por cento da população são considerados «mestiços» e um por cento «brancos» na sua maioria descendentes dos portugueses que no fim da época colonial viviam em Angola. Além disso, estão a viver em Angola cerca de chineses ou pessoas de origem chinesa. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * À pluralidade étnica do país corresponde a sua pluralidade religiosa. O catolicismo é considerado a religião mais importante em Angola, com cerca de um terço da população afiliada. Porém, quase metade da população pertence igualmente a uma das diferentes religiões animistas de origem africana. Uns 15 por cento dos habitantes pertence a igrejas evangélicas e menos de dois por cento são muçulmanos. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Graças à grande riqueza em jazigos de petróleo e de outros recursos naturais, desde o fim da guerra civil que Angola se en contra num processo de recuperação e crescimento ad - mirável. Com um produto interno bruto de 58,3 bilhões de dólares (2007) está atualmente entre as dez economias mais fortes do continente africano. No entanto, só uma pequena camada da população é beneficiada com isso. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Segundo um levantamento oficial realizado em 2008, mais de um terço da população vive abaixo do limiar da pobreza. 85% dos angolanos continuam a trabalhar na agricultura, sendo o índice de desemprego de 28%. A atividade económica está concentrada na região metropolitana de Luanda onde a taxa de desemprego é de cerca de 17%. Os parceiros comerciais mais importantes de Angola são, a nível das exportações, a China, os EUA, a Índia e a França, e a nível das importações sobretudo Portugal, a China, os EUA e o Brasil. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Em Angola, estão a operar duas emissoras de televisão: a emissora estatal TPA e a emissora privada TV Zimbo. A emissora estatal Rádio Nacional de Angola tem cinco canais e programas próprios em línguas nacionais. Além disso, há uma emissora de rádio da Igreja e pelo menos seis privadas com maior difusão. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * O único jornal diário publicado em Angola é o Jornal de Angola, fundado em 1975 e com proximidade ao partido no governo, o MPLA. Além disso, existe um grande número de semanários independentes. Uma crescente im - portância cabe aos blogs de jornalistas independentes e de grupos de defesas dos direitos humanos. emílio José e José Kakulo são estudantes do Centro de Formação de Jornalistas (CEFOJOR), um parceiro de cooperação do Goethe-Institut Angola.

18 arte de contentores A contribuição de António Ole para o projeto «Who knows tomorrow» em Berlim não só chama a atenção para a história de séculos de comércio entre a África e a Europa, como também para as barreiras que a Europa coloca à entrada de refugiados e imigrantes. 16

19 objetos achados e retratos de momento a arte de antónio ole 17 Por Nadine Siegert a memória é inevitável, por mais dolorosa que seja. É o que nos mostram os trabalhos de antónio ole. no entanto, também podem sempre ser lidos como projetos para o futuro de angola, com uma força de expressão que ultrapassa de longe o quadro de referências nacional. A gravura «Sobre o consumo da pílula» mostra o Papa Paulo VI a tomar a pílula. A obra extraordinária, que data do início da carreira artística de António Ole, foi acolhida de forma muito crítica na altura da sua criação, no fim dos anos 60, quando o artista realizou as suas primeiras exposições em Luanda. Logo após a independência em 1975, ele trabalhou para a televisão estatal e foi enviado para a província Lunda Norte no nordeste angolano pelo Ministério da Cultura. Essa viagem e o encontro com a arte local dos Chokwe, contam-se entre as suas experiências artísticas mais importantes, servindo-lhe até hoje de fonte de inspiração. Para António Ole, a abordagem experimental é tão importante como a reflexão sobre as formas tradicionais. O historiador e crítico de arte Adriano Mixinge classifica-o como um dos poucos artistas angolanos em cuja arte se concretiza a «transição» para uma contemporaneidade formal, referindo-se com isso às características da arte africana contemporânea desde os anos 90 do século passado, definidas por Jean-Godefroy Bidima: a desconstrução dos mitos das tradições africanas, o diálogo com a arte ocidental, e a assim chamada transculturação como base da reciclagem e re-apropriação dessas tradições. Hoje em dia, muitos dos jovens artistas angolanos orientam-se por António Ole na reciclagem de expressão crítica e ao mesmo tempo estética. António Ole nasceu em 1951 numa família luso-angolana. No princípio dos anos 80, saiu de Angola para estudar no Institute for Advanced Film Studies da Universidade da Califórnia (Los Angeles). Após a independência em 1975, o MPLA, o partido de orientação socialista no governo, nacionalizara as poucas instituições ligadas às artes. A arte passou a ter a função de propagar as linhas programáticas do partido a exemplo do estilo do realismo socialista, enquanto que durante a guerra civil a arte pela arte não era bem-vinda. Esta atitude predomina ainda hoje, embora de forma mais sublime. Exige-se, de forma mais ou menos direta, que os artistas angolanos tomem posição a favor de alguma das frentes e de combater outra o mundo das artes como jogo bélico. InstaLaÇÃo mural de sucata É dessa época que datam as pinturas em grande escala e de cores intensas com as quais Ole faz referência à pintura mural dos Chokwe. A sua investigação artística dos sistemas semi - óticos angolanos tradicionais e a tradução dos mesmos para um contexto contemporâneo, constitui também uma reação do artista ao desenvolvimento da autoconsciência angolana. Desde os anos 90, os trabalhos de António Ole têm vindo a ser mais minimalistas. Ele ocupa-se com a história do seu país, apropriando-se artisticamente das sobras do tempo colonial e da guerra civil. Objetos achados nas suas viagens apresentam-se como testemunhos do sofrimento e da injustiça ocorridos, con - vidando o espetador a descobrir as páginas ocultas do livro da história de Angola. Para isso, Ole utiliza sobretudo objetos e documentos quase esquecidos e desaparecidos da realidade quotidiana. Através da reintegração de recordações perdidas e da sua junção em contextos novos, Ole não só proporciona a superação do passado, como estabelece múltiplas relações com o presente, o qual requer que se coloquem novamente as questões da identidade e da construção de uma sociedade pacífica. Um dos trabalhos mais importantes neste contexto é, sem dúvida, «Margem da Zona Limite», a primeira de uma série de instalações complexas que Ole veio a expor pela primeira vez em No centro desse trabalho está uma velha canoa partida, com a proa e a popa separadas. Uma metade está cheia de tijolos vermelhos, a outra contém maços de documentos policiais amarelecidos. Em cada uma das partes da canoa, está sentada uma gralha empalhada que olha para um espelho de água refletido por um ecrã de vídeo. Na primeira versão de «Margem da Zona Limite», uma parte da obra consistia numa instalação mural construída com materiais de sucata, como elementos de zinco e velhas portas e janelas. Essa obra serviu de modelo para muitos outros trabalhos que hoje em dia contam entre as obras mais conhecidas de António Ole, sob o título «Township Walls». O primeiro foi mostrado em 1995, na primeira Bienal de Joanesburgo. Devido ao grande êxito desse trabalho, nos anos seguintes Ole foi convidado repetidamente a construir «Township Walls» nos lugares mais variados, como em Chicago (2001), Veneza (2003), Lisboa (2004), Düsseldorf (2004) e Washington (2009). testemunhos da crueldade Ole inspira nova vida em objetos supostamente sem valor que foram sobrevivendo à margem da sociedade. O trabalho multimédia «Hidden Pages, Stolen Bodies» ocupa-se com a escravatura e o trabalho forçado. À abolição tardia da escravatura em todo o império português no ano 1869, seguiu-se em Angola uma longa época de trabalho forçado, tendo sido obrigados a prestá-lo todos os angolanos incapazes de reclamar para si o estatuto de assimilados. Em Benguela, Ole encontrou num arquivo a imagem de um trabalhador forçado. O pormenor escolhido por ele mostra o corpo vergado com as mãos atadas, sem se poder ver a cara, o que transforma o retrato num exemplo tanto individual como universal dessa política de desprezo do ser humano.

20 antónio ole: the entire WorLd / transitory geometry, Berlim 2010

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