UM OLHAR SOBRE A ITÁLIA

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1 UM OLHAR SOBRE A ITÁLIA

2 Apresentação Esta publicação sobre Itália vem no seguimento de outra, editada há dois anos, neste caso sobre Portugal e dirigida ao mundo empresarial italiano, tal como esta se destina aos empresários portugueses. O intuito é o mesmo, dar a conhecer melhor os nossos dois países. E se, com a primeira, procurámos contribuir para quebrar a barreira de uma certa falta de interesse que os operadores económicos italianos manifestam em relação a Portugal (apesar das muitas afinidades e semelhanças), com esta queremos desfazer alguns preconceitos que ainda persistem junto dos empresários portugueses acerca de pretensas dificuldades que o mercado italiano supostamente apresenta. E se conhecer-se melhor ajuda a relacionar-se melhor, não há dúvida que uma atitude livre de condicionamentos que, em nosso entender, são mais psicológicos do que reais, permitiria aos operadores portugueses concretizar as potenciais vantagens que podem advir de um relacionamento mais estreito com a Itália. De facto, é nossa opinião que o modelo de desenvolvimento industrial e comercial italiano pode representar para Portugal o mais ajustado ponto de referência na busca de um modelo produtivo mais competitivo País praticamente sem matérias-primas, com uma estrutura produtiva predominantemente transformadora, articulada numa malha de pequenas e médias empresas, muitas vezes organizada em "distritos industriais" (em certa medida o equivalente aos "clusters"), com sectores de excelência a nível mundial (motorística, metalo-mecânica, moda, mobiliário, agro-alimentar, artigos para o lar, para referir os principais) e com uma balança comercial sempre e largamente activa desde o início dos anos '90, a Itália apresenta hoje o modelo produtivo que poderia vir a ser o de Portugal, se se conseguir entrar no mesmo caminho. E criar parcerias, estabelecer acordos de produção e de comercialização, adquirir patentes, colaborar, por outras palavras, com empresários italianos não apresenta desafios diferentes dos que se enfrentam normalmente quando se pretende internacionalizar a actividade de uma empresa. Filippo Montera Presidente da Câmara de Comércio Italiana em Portugal

3 A GEOGRAFIA A península italiana, com as suas ilhas adjacentes, desenvolve-se na direcção da costa africana, ocupando uma posição central na Europa mediterrânica. É graças a esta posição geográfica que a Itália teve, desde sempre, relações directas com as mais diversas esferas culturais e étnicas tanto do Velho Mundo (neolatino, germânico e eslavo-balcânico), como dos países do norte de África, ou seja, com o mundo árabe muçulmano e com a sua cultura. A Itália pode, assim, ser considerada como o elo de ligação ideal entre a Europa e os povos do norte de África e do Médio Oriente, virados todos para o mesmo mar e herdeiros de laços histórico-culturais seculares. O território italiano constitui a 35ª fracção da Europa e ocupa uma superfície de Km 2. A sua fronteira setentrional é constituída pelos Alpes, através dos quais a Itália confina com a França, Suíça, Áustria e a Eslovénia. Todo o restante território italiano é circundado pelas águas do Mar Mediterrâneo. A península itálica é atravessada por uma longa coluna vertebral - os Apeninos - e do país fazem também parte duas grandes ilhas, a Sicília e a Sardenha, além de vários outros pequenos arquipélagos. A Itália apresenta uma morfologia bastante variada, com cerca de um quarto do seu território (23%) constituído por planícies, um terço (35%) por áreas montanhosas e 42% por áreas de colinas. Os Alpes constituem uma frente com cerca de 110 km, ao longo de toda a zona setentrional da Itália, de Ocidente para Leste. A planície padana tem cerca de 42 Km 2 tendo sido formada, hidrogeograficamente, pela acção secular do Rio Pó, o maior da Itália. Os Apeninos têm mais de 1200 km de comprimento. Devido à sua posição geográfica situada no centro da zona temperada, a Itália apresenta uma grande variedade de condições climatéricas. De facto é influenciada tanto pelas correntes atmosféricas húmidas e temperadas provenientes do Oceano Atlântico, como pelas correntes frias e secas provenientes do Leste da Europa. As diferenças de temperatura entre os meses de Inverno e os meses de Verão são muito marcadas na área setentrional e menos nas áreas meridionais e costeira. 1

4 Quanto à precipitação, ela é mais elevada nos Alpes e nos Apeninos (mais de 3000 mm), enquanto que as planícies, incluindo a formada pelo Rio Pó, registam fraca precipitação (geralmente menos de mm). Por fim, no Sul da Itália, a precipitação desce para menos de 600 mm. No que se refere aos cursos de água são poucos os que ultrapassam os 100 km. O Rio Pó, com os seus 652 km de comprimento, é o maior de todos. Os restantes rios são muito influenciados pelas condições climatéricas, alternando entre os regimes de cheia no Inverno e de seca no Verão. A Sicília e a Calábria são as regiões mais atingidas por este tipo de estio. Os mares italianos assumem diferentes denominações: a) Mar Adriático b) Mar da Ligúria c) Mar Jónio d) Mar Tirreno 2

5 O SISTEMA POLÍTICO ITALIANO Após o Referendo de 2 de Junho de 1946 a Itália transformou-se numa República, regendo-se a partir de então por uma Constituição - em vigor desde 1 de Janeiro de cujo artigo 1º afirma que: A Itália é uma República democrática assente no trabalho». O ordenamento republicano garante, de acordo com um modelo que é comum às democracias ocidentais, um Sistema Político inspirado no princípio da repartição de poderes (legislativo, executivo, judicial). O PARLAMENTO: A estrutura do Parlamento é composta por duas Câmaras, a Câmara dos Deputados (formada por 630 membros) e o Senado da República (composto por 315 elementos). A duração do mandato parlamentar é de 5 anos. O GOVERNO: O Primeiro-ministro não é eleito pelo povo, mas sim pelo Presidente da República; todavia, na sua qualidade de garante da unidade nacional, o Presidente da República não pode eximir-se de respeitar a vontade popular expressa nas urnas. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA: é eleito pelo Parlamento reunido em sessão ordinária na qual participam também os representantes das Regiões. O seu mandato é de 7 anos. O Presidente da República promulga as leis, é o Chefe das Forças Armadas e preside ao Conselho Superior de Magistratura, órgão através do qual os próprios Magistrados gerem a classe. Como se pode ver, a Itália não optou nem por um sistema presidencial (modelo americano), nem por um sistema semipresidencial (modelo francês ou português), na medida em que o Chefe do Estado desempenha apenas funções de controlo e garante do respeito pela Constituição na vida política da Nação. A MAGISTRATURA: detentora do poder judicial, a magistratura italiana é independente de qualquer outro poder e tem o seu próprio órgão de gestão no Conselho Superior da Magistratura. ÓRGÃOS AUXILIARES DO ESTADO: TRIBUNAL CONSTITUCIONAL: é o garante da constituição em todas as divergências relacionadas com a legitimidade constitucional das leis e dos actos com força de lei do Estado e das Regiões. 3

6 TRIBUNAL DE CONTAS: exerce o controlo prévio da legitimidade dos actos de governação, para além de controlar a gestão das contas do Estado. CONSELHO DE ESTADO: é um órgão de consultoria jurídicoadministrativa e de defesa dos princípios de justiça na administração pública. CONSELHO NACIONAL DA ECONOMIA E DO TRABALHO (CNEL): é o órgão de consultoria das Câmaras e do Governo, nomeadamente no que se refere às matérias de carácter económico e social. AS AUTONOMIAS LOCAIS: do ponto de vista administrativo e territorial o País está dividido em Regiões, Províncias e Concelhos. REGIÕES: A Itália está dividida em 20 Regiões (Art.º 131): Piemonte, Valle d'aosta, Lombardia, Trentino-Alto Adige, Veneto, Friuli-Venezia Giulia, Ligúria, Emilia-Romagna, Toscânia, Umbria, Marche, Lazio, Abruzzo, Molise, Campania, Puglia, Basilicata, Calábria, Sicília e Sardenha. Cinco delas (Sicília, Sardenha, Valle d'aosta, Trentino Alto Adige e Friuli-Venezia Giulia) são regiões que (por razões étnico-geográficas) detêm um estatuto especial, gozando de autonomia política, administrativa e financeira. As Regiões italianas são governadas por um Conselho Regional e por um Presidente da Região que, à frente da Junta Regional, detém o poder executivo. O Presidente da Região é eleito directamente pelo povo. O território regional está, por sua vez, dividido em PROVÍNCIAS, cada uma das quais está subdividida em CONCELHOS. As PROVÍNCIAS e os CONCELHOS são entidades autónomas organizadas politicamente de forma similar às Regiões. 4

7 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Não é por acaso que a Administração pública italiana sempre teve a reputação de elefantíaca, vexatória e inimiga do cidadão. Dos Ministérios nacionais aos Departamentos públicos territoriais, o leitmotiv sempre foi o de filas intermináveis, tempos de espera excessivos, extrema complexidade da burocracia e custos muito elevados na obtenção de certidões e outros documentos. A partir da segunda metade dos anos noventa foi lançado um processo que visava conferir autonomia e descentralização em matéria de administração pública. Na prática quotidiana, as principais novidades que esta reforma global trouxe ao cidadão italiano e estrangeiro são as seguintes: 1. AUTOCERTIFICAÇÃO: graças à qual deixou de ser necessário requerer dezenas de certidões e de pagar os respectivos emolumentos. Deste modo, sob responsabilidade penal por falsas declarações, é possível proceder à autocertificação dos seguintes elementos: - dados pessoais e estado civil, - títulos académicos e qualificações profissionais, - situação económica, física e rendimentos, - situação jurídica, - outros dados Não é possível autocertificar: - atestados sanitários e veterinários, - certificados de conformidade CE, - certificados de marcas e patentes. Como se faz a autocertificação: - é apresentada em papel simples, assinado pelo interessado, sem reconhecimento de assinaturas e sem selo, - pode ser apresentada por outra pessoa ou ser enviada por correio ou fax. Quem a pode efectuar: - os cidadãos italianos, - os cidadãos da União Europeia, - os cidadãos extracomunitários residentes em Itália apenas podem autocertificar os dados e factos passíveis de verificação junto de entidades públicas ou privadas italianas. 5

8 A autocertificação permitiu que a administração pública reduzisse o número de certificados emitidos de em 1996 para em BILHETE DE IDENTIDADE ELECTRÓNICO (ainda em fase experimental) permite aos cidadãos aceder directamente aos serviços da Administração Pública sem sair de casa, podendo usufruir, entre outras coisas, da assinatura digital. 3. BALCÃO ÚNICO (tipo Centro de Formalidades das Empresas ou Loja do Cidadão): a sua tarefa é fornecer às Empresas um interlocutor único para todo o conjunto de actos administrativos relativos à vida de uma qualquer actividade económica. Deste modo, basta um só procedimento para o arranque das actividades, ficando assim assegurada a redução dos tempos de resposta da Administração (de 2 a 5 anos antes da reforma, para 3 a 11 meses garantidos pelo Balcão Único). Actualmente os Balcões Únicos servem 69% da população italiana. ADMINISTRAÇÃO NA INTERNET: com base no plano de acção do e-government, o Governo dotou toda a Administração Pública de sites na Internet nos quais é assegurada a máxima informação ao utente, ao mesmo tempo que possibilita o relacionamento directo entre o cidadão e a própria Administração. 6

9 AS ASSOCIAÇÕES SINDICAIS, PATRONAIS E OUTRAS O sindicalismo italiano tem as suas raízes nas lutas operárias do começo do século XX. Foi em 1906 que nasceu a CGIL - Confederazione Generale del Lavoro (Confederação Geral do Trabalho), organização que se propõe representar todas as aspirações das classes trabalhadoras. Ilegalizada pelo regime fascista, a organização sindical dos trabalhadores italianos reaparece no segundo pós-guerra, sendo afectada pelas divisões resultantes do novo clima imposto pela guerra fria. Em 1950, após as cisões internas da CGIL, nasceram a Confederação Italiana dos Sindicatos dos Trabalhadores (Cisl - Confederazione Italiana Sindacati Lavoratori) e a União Italiana do Trabalho (Uil - Unione Italiana del Lavoro). A Cisl reúne a tradição do sindicalismo católico e republicano, agrupando assim as forças políticas do governo e a hegemónica Democracia Cristã. A Uil, ao contrário, rege-se por ideias laicas, democráticas e socialistas, alinhando-se, também ela na frente anticomunista. A Cgil, portanto, sendo inicialmente um sindicato unitário, reduz-se à posição de bastião do sindicalismo comunista, próximo do PCI, com uma fortíssima capacidade de mobilização das massas. Embora continuando a manter, no seu conjunto, a hegemonia da representação dos trabalhadores, estas três organizações não esgotam o panorama sindical italiano, que contínua pontuado por uma miríade de organizações substancial ou formalmente apartidárias, autónomas e independentes. As mais importantes destas são: A CISAL - Confederação Italiana dos Sindicatos Autónomos dos Trabalhadores (Confederazione Italiana Sindacati Autonomi Lavoratori): bem implantada sobretudo no sector público, isto é, junto dos funcionários do Estado. A Ugl - União Geral do Trabalho (Unione Generale del Lavoro): formada por diversas forças sindicais de menor peso, mas de tendência aproximada, situase politicamente na área do centro-direita. Os Cobas - Confederação dos Comités de Base (Confederazione dei Comitati di Base): nascem da auto-organização do mundo sindicalista da extrema- 7

10 esquerda. Actualmente os Cobas representam a realidade mais combativa do sindicalismo italiano. Se, com efeito, o mundo do trabalho se caracteriza por um grande fraccionamento organizativo, a área patronal apresenta-se bastante mais coesa, com as grandes empresas perfeitamente identificadas com a Confindustria. A Confindustria nasce em 1910 com a finalidade de representar o emergente empresariado italiano. A sua longa história faz com que seja, actualmente, a principal organização representativa das empresas de serviços e manufactureiras em Itália, com uma rede associativa da qual fazem parte 18 federações regionais, 105 associações territoriais, 13 federações sectoriais, 111 associações sectoriais, 257 organizações associadas, envolvendo um total de empresas e empregados. A Confindustria apresenta-se perante o poder político administrativo e as organizações sindicais e sociais como o principal interlocutor para o sistema económico empresarial italiano. Importa ainda destacar algumas organizações fundamentais para a vida associativa do mundo do trabalho: A Confcommercio que, com as suas empresas associadas, dá voz ao mundo das Pequenas e Médias Empresas (comércio, turismo e serviços). A Confagricoltura, cujas empresas associadas cobrem 70% das jornadas de trabalho do sector agrícola. A Confartigianato dá voz a cerca de empresas artesanais. A Unioncamere é a organização que coordena as 102 Câmaras de Comércio italianas operantes no território nacional e as 60 Câmaras de Comércio italianas existentes no estrangeiro. Esta estrutura representa um importante instrumento ao serviço das mais de empresas italianas inscritas, tanto no que se refere à sua presença e às suas necessidades no mercado interno e externo, como no tocante à representação das suas exigências junto dos órgãos do poder político e da administração pública. 8

11 O TURISMO As civilizações que se foram sucedendo ao longo dos tempos da etrusca, à grega e à romana, para continuar na Idade Média, com a Itália dei comuni (as cidades-estado), a Renascença deixaram um património artístico inestimável: monumentos, igrejas, palácios, castelos, museus e cidades são testemunhos desta riqueza ímpar. E sem pretender fazer uma lista exaustiva (que encheria páginas e páginas) citamos apenas os locais, as cidades, as obras e os artistas mais famosos. *** Com base nas civilizações a que aludimos acima, pode ser traçado um mapa das mais importantes cidades de arte italianas: Vestígios da Civilização Etrusca encontram-se em Volterra, Arezzo, Perugia, Orvieto, Tarquinia, Ancona, Chieti. A Magna Grécia (do Século VIII a.c.), com a sua arquitectura civil e religiosa, em Nápoles, Paestum, Reggio, Taranto, Siracusa, Agrigento, Selinunte, Segesta, Taormina, Palermo, Catania, Messina. A Roma imperial (do Século VIII a.c. ao Século V d.c.), deixou-nos quase intactos até aos nossos dias importantes edifícios e estradas em Pompeia, Hercolano, Turim, Milão, Trieste, Aquileia, Verona, Bolonha, Spoleto, Cagliari. A concepção urbanística da Alta Idade Média (Século IV-XI d.c.) modelou Ravena e principalmente Siena, exemplo único da arquitectura da Itália dei Comuni (as cidades-estado). O ressurgimento do gosto clássico pode ser encontrado no estilo Românico (Séculos XI-XIII d.c.) de Ferrara, Pisa, Lucca, Assis. Do Gótico (Séculos XII-XIV d.c.) são símbolos cidades como Florença, Siena, Pisa, Pistoia, Arezzo, Veneza, Pádua, Verona, Vicenza, Jesi. Além disso, todos estes centros italianos - dos maiores aos mais pequenos - conservam inúmeras obras que testemunham os mais diversos paradigmas pictóricos, escultóricos e arquitectónicos. 9

12 Estes são: O Gótico (Séculos XII e XIV d.c.): da arquitectura dos irmãos Pisano, aos frescos do toscano Giotto, considerado o génio do Século XIV. A Renascença (Séculos XV e XVI d.c.): entre os centros da Toscânia e do Veneto trabalham os maiores artistas de todos os tempos: Brunelleschi, Donatello, Masaccio, Paolo Uccello, Piero della Francesca, Botticelli, Perugino, Mantegna, Giorgione, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Raffaello, Bramante, Tiziano. O Maneirismo (Séculos XVI e XVII d.c.): da chama da Renascença desenvolvem-se as obras arquitectónicas do Palladio e escultóricas de Sansovino e do Cellini. Na pintura destacam-se Tintoretto, Veronese, Vasari, Correggio, Parmigianino. O Barroco (Séculos XVII-XVIII d.c.) : a Roma do arquitecto Borromini e o Veneto dos colegas Canaletto e Tiepolo, além de Canova, expoente do neoclassicismo e romantismo (XVIII-XIX sec. d.c.). Esta breve síntese demonstra que o património artístico a que se pode ter acesso em Itália é ímpar no mundo. Segundo dados da UNESCO, 50% das riquezas histórico-artísticas do Planeta encontram-se em Itália. Contudo, não é só a arte que faz da Itália um destino único para os milhões de visitantes que, anualmente, chegam de todo o mundo. A natureza oferece também uma vasta série de oportunidades, tanto para os amantes da montanha como para os apreciadores do mar. No tocante ao panorama das montanhas, basta recordar a riqueza do sistema alpino italiano. De facto, os Alpes se numa das encostas se repartem pela França, Suíça, Áustria e Eslovénia, na outra pertencem por inteiro à Itália. Ao longo dos 110 km da frente montanhosa, encontram-se estâncias de neve famosas em todo o mundo, não só para os que praticam desportos de Inverno, mas também para os amantes do excursionismo. A oferta turística italiana, por outro lado, é completada pela rede de lagos que existem um pouco por toda a península e que oferecem destinos preciosos para os amantes da cultura, do desporto e para quem procura tranquilidade e diversão. A norte encontra-se o Lago de Garda (368 km 2 ), Lago Maggiore, Lago de Lugano, Lago de Iseo e Lago de Como. Na Itália central encontram-se os lagos vulcânicos de Albano, Nemi, Bracciano, Vico Trasimeno e Bolsena. 10

13 Val d Aosta Courmayeur e Valle del Gran San Bernardo são localidades famosas pela neve e pelo folclore. A Lombardia abriga a zona do Val Camonica. O Veneto as localidades de Arabba, Asiago, com os seus 7 concelhos, Cortina d Ampezzo e Sapada. O Trentino Alto Adige é famoso pelas localidades da Província de Bolzano: Gruppo Ortles, Val Gardena, Alpe di Siusi, Val Pusteria e Val Senales; e as localidades da província de Trento: Altipiani di Folgaria, Madonna di Campiglio, San Martino di Castrozza, Val di Fassa, Val di Fiemme, Val di Non, Val Sugana. Em Friuli-Venezia Giulia, enfim, toda a região de Piancavallo. Entre as localidades referidas aparecem as verdadeiras jóias que são os Dolomitas, 200 km de paredes rochosas que representam não só uma paisagem única de alta montanha, mas que oferecem também uma rede de pistas de ski de altíssima qualidade. Os principais locais dos Dolomitas são, apenas para dar alguns exemplos, Alleghe (com 270 km de pistas de ski), Cortina d Ampezzo (160 km), San Martino di Castrozza, Sappada (50 km), para além de Marmolada e das Valli. Ao longo de mais de 7000 km de costa, partindo de Noroeste, encontra-se a Riviera da Ligúria, com Cinque Terre, San Remo e a Costa dei Fiori; a Toscânia, com as várias localidades marítimas da costa tirrénica e particularmente a Versilia (Forte dei Marmi); a Campânia com a sua Costa Amalfitana, o Golfo de Sorrento e as Ilhas de Capri e Ischia; a Costa Jónica na Calábria, toda a costa insular Sicíliana e em particular as ilhas Égadas, as Eólias e a Ilha de Panarea; na Sardenha o Arquipélago da Madalena e a Costa Esmeralda. Do lado do Adriático, ao longo da costa pugliese encontra-se Santa Maria di Leuca, as Ilhas Tremiti e toda a zona de Gargano (Peschici e Vieste); a marchegiana Riviera del Conero; as famosíssimas estâncias balneárias da riviera romagnola: os Lidi Ferraresi, Rimini e Riccione; Jesolo na Lagoa Veneta e Lignano Sabbiadoro no golfo de Trieste. A importância do sector turístico é também sublinhada pelo facto de o mesmo contribuir com 5,5% para o PIB italiano, com uma dinâmica em constante aumento. 11

14 A DEMOGRAFIA Segundo os dados do ISTAT a 1 de Janeiro de 2000, a população italiana era de pessoas, continuando a verificar-se predominância da população feminina ( , ou seja, 51,4%) sobre a masculina ( , cerca de 48,6%). O número de famílias era de , com uma média de 2,6 membros por cada uma. O factor que mais influencia este trend da demografia italiana, que não é propriamente positivo, é o baixo índice de natalidade que se situa numa média de 1,5 filhos por mulher. Do ponto de vista territorial, o Noroeste alberga 26,2% da população italiana, a pouca distância do Sul (24,4%). Abaixo dos 20% está o Centro com 19,3%, o Nordeste com 18,5% e as Ilhas com apenas 11,6% da população italiana. Homens Mulheres Total População residente a 1 de Janeiro Nados vivos Mortos Saldo natural Registados Cancelados Saldo migratório População residente a 31 de Dezembro As previsões do ISTAT apontam um aumento dos residentes em Itália para Este ligeiro crescimento demográfico não dependerá, porém, dos chamados naturais. Tal como em muitas outras realidades europeias, este aumento de sinal positivo é dado não pelos cidadãos autóctones, mas sim pelas comunidades de emigrantes residentes no território nacional. Se, com efeito, a taxa de crescimento (por 1000 habitantes) é de -0,2 para os naturais, a correcção para positivo acontece graças aos emigrantes que, com a sua taxa de crescimento de +1,9, estabilizam a taxa de crescimento total em +1,7. Nos próximos 10 anos o ISTAT prevê que perante a estabilização da taxa de crescimento dos estrangeiros (sempre em torno de 1,9), assistir-se-á a uma progressiva deterioração do mesmo valor para os naturais italianos, até atingir uma taxa de crescimento demográfico, prevista para 2010, de -1,6. 12

15 O SISTEMA CONTRATUAL ITALIANO O sistema contratual italiano é constituído por um sistema bidimensional, baseado em dois níveis contratuais (nacional e local), acompanhados por uma terceira dimensão" (interconfederal). CONTRATAÇÃO DE PRIMEIRO NÍVEL CONTRATAÇÃO DE SEGUNDO NÍVEL TIPO DE CONTRATO Contratação Interconfederal Contratação triangular (ou concertação) Contratação empresarial integrativa Contratação territorial NÍVEL QUEM CONTRATA O QUE SE CONTRATA Nacional Confederações - Protocolos de sindicais (Cgil, Cisl, entendimento sobre Uil) e Organizações as relações patronais industriais (Confindustria, etc) - Constituição de entidades bilaterais - Formação profissional - Ambiente - Previdência complementar Nacional Confederações Contrato Nacional sindicais (Cgil, Cisl, Colectivo de Trabalho Uil), Organizações (CCNL): patronais - sistemas de (Confindustria, etc.) qualificação e Governo - salários mínimos das categorias - promoções - horários - direitos sindicais - férias - etc. Empresa ou grupo Província ou região Representações Matérias remetidas sindicais de pelos CCNL, direitos empresa (RSU*) sindicais, informação, salário variável, reestruturação, cassa integrazione, formação Organizações sindicais de território e respectivas contrapartes de categoria ou associativas Salários variáveis, representações sindicais 13

16 * RSU: são as Representações Sindicais Unitárias, nascidas em 1991 graças ao acordo celebrado entre Cgil, Cisl e Uil. Garantem, através de eleição por parte dos trabalhadores no seio das empresas, a unicidade sindical, principal garante do papel de primeiro plano dos sindicatos confederados e da sua política nacional a nível de contratação de segundo nível. AS NOVAS FORMAS DE TRABALHO A evolução das novas tecnologias e a expansão da new economy determinaram, nos últimos anos, em Itália como no resto da Europa, um forte desenvolvimento das chamadas novas formas de trabalho, caracterizadas por um acentuado grau de flexibilidade tanto em entrada como em saída. Os principais contratos a que estão sujeitas estas novas figuras profissionais são: TIPO DE CONTRATO ESTÁGIOS E TIROCÍNIOS TRABALHO INTERINALE O PART-TIME O TRABALHO ATÍPICO O QUE É OS SUJEITOS NOTAS Não constituem relações de Os Sujeitos Prómotores A tendência dos trabalho entre entidades de tanto podem Estágios e Tirocínios acolhimento (empresas) e ser entidades está em forte estagiários públicas como crescimento organismos privados É um contrato de trabalho Agência de trabalho Este trend encontrade aluguer por tempo de cedência de -se em alta determinado" estipulado mão-de-obra entre a empresa de cedência de mão-de-obra e o Trabalhador trabalhador que deverá prestar serviço numa empresa privada O trabalhador presta A Empresa São as grandes e serviço apenas uma parte médias empresas as do horário normal de O trabalhador em mais interessadas trabalho part-time nos contratos em part-time. O part-time em Itália está em crescimento, lento mas constante É designado como um Empresas Os "colaboradores" "contrato de colaboração não têm vínculos em coordenada e continuada Trabalhadores termos de horários ou contrato de trabalho colaboradores para-subordinado". Não representa uma relação de trabalho estável no seio da organização da empresa 14

17 TELE-TRABALHO Típico de quem desenvolve uma actividade, inclusive a partir de casa, através da utilização das novas tecnologias surgidas com a difusão da Internet Empresas Administração Pública Trabalhadores O seu crescimento em Itália foi significativo PRÁTICAS EM CONTEXTO DE TRABALHO (aprendizagem) Contrato de trabalho que visa a formação profissional dos jovens trabalhadores Empresas Aprendizes: jovens dos 16 aos 24 anos Tutor: é a figura que funciona como elo de ligação entre os dois sujeitos O Contrato de Aprendizagem tem uma duração compreendida entre 18 meses e 4 anos (5 anos no caso do artesanato) Assistiu-se a uma acentuada diminuição deste tipo de contrato 15

18 AS SOCIEDADES O sistema societário italiano é regulamentado pelo Código Civil, no seu Título V do Livro V ("Do Trabalho ). O artigo 2249º indica os vários tipos de sociedade": As sociedades comerciais, que têm por objecto o exercício de uma actividade comercial tal como: - actividade industrial direccionada à produção de bens e serviços - actividade intermediária na circulação de bens - actividade de transporte terrestre, aéreo e marítima - actividade bancária e seguradora - actividades subsidiárias das actividades anteriores Estas sociedades são: SOCIEDADE EM NOME COLECTIVO (SNC) SOCIEDADES EM COMANDITA SIMPLES (SAS) SOCIEDADES POR ACÇÕES (SPA) SOCIEDADES EM COMANDITA POR ACÇÕES (SAPA) SOCIEDADES DE RESPONSABILIDADE LIMITADA (SRL) As sociedades simples que não têm por objecto o exercício das actividades atrás indicadas, mas que funcionam, juntamente com a SOCIEDADE SIMPLES (SS), como modelo tanto para as Sociedades em Nome Colectivo, como para as Sociedades em Comandita Simples, constituindo com as mesmas o subgrupo denominado por SOCIEDADES EM NOME PESSOAL, paralelamente ao subgrupo das SOCIEDADES DE CAPITAIS (SPA, SRL e SAPA) 16

19 As sociedades cooperativas AS SOCIEDADES EM NOME PESSOAL SOCIEDADE SIMPLES (SS) SOCIEDADES EM NOME COLECTIVO (SNC) RESPONSABILIDADES POR DÍVIDAS A sociedade com o seu património e subsidiariamente os sócios pessoalmente, solidariamente e em medida ilimitada. O credor social poderá, assim, ressarcir-se de todo o seu crédito, sobre o património da sociedade e, posteriormente, sobre o património de qualquer um dos sócios. Estes deverão pagar ao credor, para depois recuperar, pelas respectivas quotas-partes do débito, dos outros sócios. Em caso de entrada de um novo sócio, este responde também pelos débitos já existentes. Os sócios são responsáveis pessoalmente, subsidiariamente e ilimitadamente. O credor da sociedade deverá ressarcir-se sobre o capital social. Logo, sobre qualquer um dos sócios, o qual é obrigado a saldar a dívida na proporção de todo o seu património, indo depois recuperar dos restantes sócios, pelas respectivas quotas-partes do débito. NOTAS Particularmente utilizadas nas actividades agrícolas e profissionais. Para a formação da SS não é necessário um capital mínimo. Nem tão pouco são exigidas formas específicas, a não ser as que resultam da especificidade dos bens conferidos à sociedade Este tipo de sociedade é obrigada a matrícula no Registo das Empresas. 17

20 SOCIEDADES EM COMANDITA SIMPLES (SAS) O credor social deverá ser ressarcido, antes de mais, pelo património da sociedade, depois, sobre qualquer um dos sócios comanditários. Este deverá extinguir a totalidade do débito e, posteriormente, poderá recuperar dos restantes sócios comanditários, na proporção das respectivas quotas-partes da dívida. Os sócios comanditados respondem pelas dívidas apenas com a quota que detêm no património da sociedade. Compõe-se de dois tipos de sócios: Sócios Comanditários: responsáveis pela administração da sociedade e pelas dívidas com responsabilidade ilimitada, subsidiária, pessoal. Entram em falência com a falência da SAS. Sócios comanditados: responsabilidade limitada. Não entram em falência com a falência da SAS. AS SOCIEDADES DE CAPITAIS SOCIEDADES POR ACÇÕES (SPA) SOCIEDADE DE RESPONSABILIDADE LIMITADA (SRL) SOCIEDADES EM COMANDITA POR ACÇÕES (SAPA) Pelas obrigações sociais responde exclusivamente a Sociedade com o seu património. Neste sentido, a responsabilidade dos sócios é limitada ao capital detido. Pelas obrigações sociais responde exclusivamente a sociedade com o seu património Os sócios comanditários respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, enquanto que os sócios comanditados respondem apenas na proporção da quota de capital subscrita. Para a constituição da SPA é necessário um capital mínimo de Euros. Para a constituição da SRL é necessário um capital mínimo de Euros 18

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