TRIBUNAL MARÍTIMO PROCESSO Nº /04 ACÓRDÃO

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1 TRIBUNAL MARÍTIMO PROCESSO Nº /04 ACÓRDÃO Plataforma P-31. Incêndio no motor gerador da praça de máquinas a bordo de plataforma, tendo como causa determinante o rompimento de uma conexão da rede de óleo lubrificante. Evento equiparado aos fortuitos. Arquivamento. Vistos os presentes autos. No dia 25 de abril de 2004, às 23h20min, na bacia de Campos, RJ, ocorreu um incêndio no motor gerador da Plataforma P-31. Jorge Cerqueira das Chagas, técnico em operações, funcionário da empresa Petrobrás, que estava embarcado na Plataforma P-31, disse em seu depoimento que encontrava-se de serviço dentro da sala de controle de máquinas, no período de 19h às 7h, acompanhando Almeida. Em determinado momento, constatou fumaça no piso inferior da sala de controle de máquinas, vindo a certificar-se que havia fogo no local em grande volume. De imediato, acionou o alarme de fogo na praça de máquinas e em seguida cortou a alimentação elétrica dos equipamentos que estavam em funcionamento. Concluiu, após inspeção no local do sinistro, que o motor gerador estava com seu funcionamento sendo assistido pela empresa Wartsila, a qual fez o último reparo no mesmo e que vinha funcionando normalmente (fls. 15 a 17). Marco Antônio da Silveira, técnico de segurança do trabalho da Plataforma P-31, disse em seu depoimento que é funcionário da Petrobrás, aproximadamente há vinte anos. Encontrava-se dormindo em seu camarote na hora do acidente e não presenciou o incêndio, que após ouvir o alarme geral de incêndio, seguiu o plano de contingência da unidade. Concluiu, após a extinção do incêndio e ao realizar uma inspeção na área, que não havia mais risco de um novo incêndio (fls. 18 e 19).

2 Flanklin de Souza Alves, auxiliar técnico de mecânica da empresa Wartsila, disse em seu depoimento que estava embarcado na Plataforma P-31, aproximadamente, há dez dias e que encontrava-se dentro da sala de controle de máquinas na hora do incêndio, por volta de 23h15min. Ao constatar fumaça vindo da praça de máquinas, subiu as escadas de acesso ao andar superior com intuito de escapar da fumaça, causada pelo incêndio. Concluiu que o motor estava com seu funcionamento normal de acordo com a última checagem ocorrida às 20h e que após ser dado o alarme geral de incêndio, dirigiu-se ao ponto de segurança. Relatou ainda que o incêndio iniciou-se no filtro centrífugo do motor e que o meio de extinção utilizado foi o disparo do sistema fixo de CO2 existente na praça de máquinas. Rodrigo José dos Santos Silva, mecânico da empresa Wartsila, disse em seu depoimento que encontrava-se dormindo em seu camarote e que era seu primeiro dia de embarque na Plataforma P-31. Que antes do acidente, o motor estava com seu funcionamento normal e após ter ouvido soar o alarme de incêndio, dirigiu-se ao ponto de reunião. Constatou, posteriormente, que o início do incêndio foi na tubulação de óleo do filtro centrífugo do motor (fls. 22 e 23). Delair Teixeira Casteluber, técnico de segurança do trabalho da empresa Petrobrás, disse em seu depoimento que é empregado da Petrobrás, há aproximadamente, vinte anos e que estava dormindo na hora do incêndio. Acrescentou que o motor vinha funcionando normalmente e que após ouvir soar o alarme geral de incêndio, dirigiu-se ao ponto de reunião da brigada. Após inteirar-se do acontecimento, foi até o local do incêndio equipado com o conjunto autônomo de respiração, não sendo possível acessar o local por falta de visibilidade (muita fumaça). Acrescentou ainda que a possível causa do incêndio foi o desprendimento da tubulação de óleo lubrificante do filtro centrífugo do motor (fls. 24 e 25). 2

3 Augusto Ricardo Caeiro, coordenador de embarcação (1º Of. de Náutica) da empresa Petrobrás, disse em seu depoimento que é empregado da Petrobrás há aproximadamente treze anos e que estava dormindo em seu camarote no momento do incêndio. Disse que o motor funcionava normalmente, sendo assistido pelos profissionais da empresa Wartsila. Que após ser soado o alarme geral, dirigiu-se a sala de controle e adotou os procedimentos necessários de segurança operacional (fls. 26 e 27). As notificações foram entregues aos respectivos agentes da empresa Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás, conforme fls. 6 a 12. Vladimir da Silva Aguiar, técnico de mecânica da empresa Wartsila, não compareceu e nem apresentou justificativa, conforme fl. 10. Seqüência dos acontecimentos aos 25 de abril de 2004, aproximadamente, às 23h20min ocorreu o incêndio no motor diesel gerador da praça de máquinas da Plataforma P-31, em decorrência de um rompimento de uma conexão da rede de óleo lubrificante do motor. Sendo interrompido o off loading, parada a produção e comunicado o fato ao gerente da plataforma (GEPLAT). As zero horas e quatro segundos do dia 25 de abril de 2004 foram disparados a bateria de cilindros do sistema fixo de CO2, às 2h40min, o oficial de máquinas e o técnico de segurança desceram à praça de máquinas para realizar uma inspeção visual e às 3h do referido dia, constataram a total extinção do incêndio. Tendo em vista os depoimentos e devido ao rompimento de uma conexão da rede de óleo lubrificante, há evidentes indícios, conforme fls. 15 a 27, que o óleo lubrificante em alta pressão, atingiu a turbina do motor gerador, que por estar com temperatura elevada, propiciou à combustão, ocasionando com isso o referido incêndio. 3

4 Concluiu-se que a causa determinante do acidente foi o rompimento de uma conexão da rede de óleo lubrificante, devido à alta pressão na rede de óleo diesel, atingindo conseqüentemente a turbina do motor gerador, conforme fls. 56 a 60. De tudo quanto contêm os presentes autos, o encarregado do inquérito conclui: 1) fatores que contribuíram para o acidente: a) Fator humano não contribuiu; b) Fator material contribuiu, devido ao rompimento de uma conexão da rede de óleo lubrificante; e c) Fator operacional não contribuiu. 2) Que em conseqüência, houve o incêndio no motor gerador da praça de máquinas, a bordo da Plataforma P-31, na bacia de Campo, RJ, conforme fls. 56 a 60; e 3) Em face do acima exposto, não foi possível indicar, diretamente ou indiretamente, possíveis responsáveis pelo acidente, em virtude do mesmo equiparar-se a caso fortuito. O rompimento da haste do ferro foi um acontecimento possível, de efeito imprevisível e inevitável. A PEM requereu o arquivamento dos autos. Prazos preclusos, sem manifestação de interessados. Extrai-se dos autos que o incêndio no motor gerador da Plataforma P-31, ocorrido cerca de 23h do dia 25 de abril de 2004, na bacia petrolífera de Campos, Macaé, neste Estado. Apurou-se nos autos que o incêndio irrompeu no motor diesel gerador da praça de máquinas em decorrência de um rompimento em uma das conexões da rede de óleo lubrificante do motor, sendo interrompido o off loading e parada da produção da Plataforma P-31. 4

5 Com as imediatas providências levadas a efeito, às 3h, constataram extinção do incêndio, que deixou em seu rastro danos ao motor, cabos elétricos e piso da plataforma superior (sala de painéis) além de intoxicação no operador de facilidades Jorge C. Chagas. Após a determinação da conexão da rede de óleo lubrificante que se rompeu à empresa, que cuida da manutenção do motor gerador incendiado, Wartsila Brasil Ltda, entrou em contato com o fabricante para providências em prol da melhor vedação e segurança do sistema de conexão (fl. 31). Ao final, concluiu o encarregado do inquérito que o rompimento que ensejou toda a cinemática do evento, pode ser equiparado a casos fortuitos. Por todo o exposto acima é de se concordar com a D. Procuradoria e mandar arquivar os autos. Assim, A C O R D A M os Juízes do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a) quanto à natureza e extensão do acidente: incêndio no motor gerador na praça de máquinas à bordo de plataforma; b) quanto à causa determinante: rompimento de uma conexão da rede de óleo lubrificante. Evento equiparado aos fortuitos; c) decisão: concordar com a promoção da D. Procuradoria e mandar arquivar os autos. P.C.R. Rio de Janeiro, RJ, em 4 de agosto de JOSÉ DO NASCIMENTO GONÇALVES Juiz-Relator WALDEMAR NICOLAU CANELLAS JÚNIOR Almirante-de-Esquadra (RM1) 5

6 Juiz-Presidente 6

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