9 de Junho 2014 Contencioso de Cobrança

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1 PROCEDIMENTO EXTRAJUDICIAL PRÉ-EXECUTIVO A Lei n.º 32/2014, de 30 de Maio, aprovou o procedimento extrajudicial pré-executivo (PEPEX), que visa a identificação de bens penhoráveis antes de ser instaurada acção executiva, através da disponibilização de consultas às bases de dados previstas no Código de Processo Civil. Em suma, pretende-se reduzir o número das acções executivas pendentes e em especial daquelas que terminam sem qualquer recuperação para o credor, as quais, muitas vezes, têm como único fim obter certidão de incobrabilidade. REQUISITOS Este procedimento, que é facultativo, depende da existência de um título executivo que permita a utilização da forma de processo sumário (ou seja: injunções; cheques, letras e livranças até ,00; documentos autênticos ou autenticados garantidos por hipoteca ou penhor; sentenças estrangeiras e injunções europeias; actas de condomínio ou comunicações no âmbito do Novo Regime do Arrendamento Urbano até àquele valor). É também necessário que se trate de dívida certa, líquida e exigível, bem como a identificação dos números de contribuinte dos intervenientes. O requerente deve ainda discriminar o capital, juros, impostos devidos (por exemplo, imposto de selo), taxas de justiça pagas (por exemplo, pelo procedimento de injunção) e outras quantias, bem como expor os factos que fundamentam o pedido, quando não constem do título executivo. Na eventualidade de se pretender a identificação de bens comuns do casal, deve ser indicado o número de contribuinte do cônjuge e o regime de bens (bastando fotocópia não certificada do registo de casamento). É permitida a cumulação de pedidos, desde que as partes sejam as mesmas e todos se destinem ao pagamento de quantias certas. PRAZOS O prazo de pagamento da quantia devida pelo início do procedimento é de cinco dias úteis após a recepção pelo requerente do identificador único de pagamento, sob pena de ficar automaticamente sem efeito. Após a distribuição automática do pedido a um agente de execução, este tem cinco dias úteis para realizar as consultas e elaborar relatório, ou para recusar o procedimento. O requerente pode substituir o agente de execução quinze dias após o termo daquele prazo, sendo nomeado outro. O agente de execução pode recusar o requerimento quando falte algum requisito. Nos casos em que é possível a sanação (tais como a insuficiência de elementos ou a ausência de cópia do título executivo), o requerente tem cinco dias para suprir a falta. Havendo recusa do requerimento, o credor pode ainda assim requerer a convolação do procedimento em processo executivo, no prazo de trinta dias. Não existe suspensão dos prazos durante as férias judiciais, aplicando-se em tudo o que não esteja especialmente previsto as regras do Código de Processo Civil. 1/6

2 PESQUISAS O agente de execução consulta as seguintes bases de dados: Autoridade Tributária e Aduaneira; Segurança Social; Registo Civil; Registo Nacional de Pessoas Colectivas; Registo Predial; Registo Comercial; Registos de bens móveis (automóveis, navios, aeronaves); Lista Pública de Execuções; Sistema Informático de Suporte à Actividade dos Agentes de Execução (SISAAE): apenas para obtenção de informação sobre processos executivos pendentes em que o devedor seja exequente. Refira-se ainda que o Banco de Portugal disponibiliza informação acerca das instituições em que o requerido detém contas ao agente de execução, nos mesmos termos previstos para a penhora de saldos bancários. É assegurada a confidencialidade de todos os dados obtidos. RELATÓRIO Após as pesquisas, é elaborado relatório resumindo as mesmas e indicando uma das seguintes menções: «Sem quaisquer bens identificados»; «Com bens aparentemente onerados ou com encargos»; «Com bens aparentemente livres de ónus ou encargos». Do relatório constam ainda outras informações essenciais para o credor, tais como o facto de o requerido constar já da lista pública de devedores, ter sido declarado insolvente, ter falecido ou sido dissolvido, bem como ser parte em processos executivos pendentes. NOTIFICAÇÃO DO DEVEDOR Após receber o relatório, o credor pode requerer a conversão do procedimento extrajudicial em acção executiva. 2/6

3 Na eventualidade de não terem sido encontrados bens ou direitos penhoráveis, o credor pode requerer a notificação do devedor para, no prazo de trinta dias, e sob pena de ser incluído na lista pública de devedores: pagar a dívida, acrescida dos juros vencidos, impostos eventualmente devidos e honorários do agente de execução; celebrar acordo de pagamento com o credor; indicar bens penhoráveis: neste caso, o credor tem trinta dias para requerer a convolação em processo executivo; opor-se ao procedimento. A notificação do devedor é feita por contacto pessoal do agente de execução. No caso das pessoas singulares, a notificação é feita na residência ou no local de trabalho; na impossibilidade de se apurar a morada mais actualizada, a notificação é feita na morada fiscal. A notificação das pessoas colectivas ou equiparadas é realizada por contacto pessoal do agente de execução na sede, presumindo-se que é a que consta no Registo Nacional de Pessoas Colectivas; se a sede estiver encerrada, e não havendo quem aceite receber a notificação ou caso haja recusa em assinar, o agente de execução afixa a notificação no local. É possível que a notificação seja feita em terceira pessoa ou por nota de depósito (no caso das ilhas das regiões autónomas em que não exista agente de execução, a notificação pode ser efectuada por carta registada com aviso de recepção). Se o requerido estiver ausente, não há lugar a notificação edital. Refira-se ainda que as diligências realizadas pelo agente de execução são registadas no SISAAE designadamente a data, hora e coordenadas geográficas utilizando-se dispositivo electrónico aprovado. OPOSIÇÃO DO DEVEDOR O devedor pode apresentar oposição ao procedimento, com base nos fundamentos previstos no Código de Processo Civil, de acordo com o título executivo em causa. É aplicável o regime da oposição à execução, sendo criada uma nova espécie de processo especial de oposição ao procedimento extrajudicial pré-executivo. É devida taxa de justiça de 1,5 UCs (uma UC corresponde actualmente a 102,00) nos procedimentos de valor até à alçada da Relação e de 3 UCs nos procedimentos de valor superior (estes valores são metade dos aplicáveis à oposição à execução), sem prejuízo de aplicação das regras do apoio judiciário. O credor pode apresentar contestação, sendo devida taxa de igual montante. A pendência de processo de oposição ou a sua procedência obstam à instauração de acção executiva com base no mesmo título. 3/6

4 ACORDO DE PAGAMENTO As partes podem celebrar acordo escrito para pagamento em prestações mensais do valor em dívida, juros, eventuais impostos e honorários do agente de execução. O devedor tem neste caso a possibilidade de pedir apoio às entidades que prestam apoio a situações de sobre-endividamento, cuja lista é publicada aqui >>>>. Com a junção do acordo o procedimento é extinto, indicando-se expressamente este fundamento. A falta de pagamento atempado de qualquer prestação implica nos termos gerais o vencimento das demais. Nestes casos, o credor tem trinta dias para requerer ao agente de execução a conversão do procedimento em acção executiva, sob pena de extinção. ACÇÃO EXECUTIVA Têm de estar cumpridos dois requisitos para que o procedimento extrajudicial pré-executivo seja convertido em execução: apresentação de requerimento executivo (ou de requerimento de execução de decisão judicial condenatória, que agora corre nos próprios autos); junção do relatório de bens. Nestes casos, o exequente fica dispensado do pagamento inicial dos honorários e despesas do agente de execução, bem como do valor devido a título de consultas das bases de dados, quando este seja exigido no âmbito do processo executivo. Uma vez que este tipo de execuções é precedido do procedimento agora criado, não se repetem as consultas às bases de dados. NOVAS CONSULTAS Nos procedimentos que tenham terminado sem a identificação de quaisquer bens penhoráveis e que não tenham sido convertidos em acção executiva, o credor pode, no prazo de três anos, solicitar a realização de novas consultas, mediante pagamento ao agente de execução, o qual elabora novo relatório. Nestes casos, não há lugar à notificação do requerido quando já esteja inserido na lista pública de devedores. 4/6

5 CUSTOS O procedimento extrajudicial pré-executivo implica o pagamento dos seguintes valores: 0,50 UCs para honorários do agente de execução; 0,25 UCs para remuneração das entidades envolvidas nas consultas (quando esta é devida no âmbito do processo executivo); 0,25 UCs pela notificação de cada devedor; 0,25 UCs pela emissão de certidão de incobrabilidade; 0,15 UCs pela renovação das pesquisas; 0,25 UCs pela exclusão do requerido da lista pública de devedores, a pagar por este. O agente de execução tem ainda direito a uma remuneração adicional, calculada nos termos dos pagamentos em prestações no processo executivo. Os valores pagos pelo credor, excepto os relativos à remuneração devida pelas consultas, podem ser reclamados na acção executiva subsequente. Se não houver conversão do procedimento em acção executiva, não há lugar à restituição dos valores pagos. ACESSO AO PROCESSO Para além do acesso por advogados e agentes de execução será também possível aceder ao processo, através de plataforma informática criada para o efeito, mediante o certificado digital integrado no Cartão do Cidadão, bem como através da plataforma de autenticação da administração fiscal. Refira-se que o processo só fica disponível para consulta pelo requerido após a primeira notificação, ou após a citação no âmbito da acção executiva subsequente. CERTIDÃO DE INCOBRABILIDADE Após a inclusão do requerido na lista pública de devedores, o credor pode solicitar certidão de incobrabilidade, para efeitos de recuperação de IVA e IRC, a qual é emitida pelo agente de execução e comunicada também à administração fiscal. Todavia, se após a emissão da referida certidão o requerido for excluído da lista pública de devedores por ter havido pagamento integral, o agente de execução está obrigado a notificar a administração fiscal deste facto. 5/6

6 FISCALIZAÇÃO As partes têm trinta dias para reclamar da actuação do agente de execução junto da respectiva entidade fiscalizadora, ou para os tribunais competentes se estiver em causa a legalidade dos actos. ENTRADA EM VIGOR A Lei n.º 32/2014, de 30 de Maio, entra em vigor no dia 1 de Setembro de /6 Esta Analysis contém informação e opiniões de carácter geral, não substituindo o recurso a aconselhamento jurídico para a resolução de casos concretos. Para mais informações, por favor contacte-nos através do ABREU ADVOGADOS JUNHO 2014 Lisboa Porto Funchal LISBOA Av. das Forças Armadas, º PORTO Rua S. João de Brito, 605 E - 4º MADEIRA Rua Dr. Brito da Câmara, 20 ANGOLA (EM PARCERIA) BRASIL (EM PARCERIA) Lisboa, Portugal Porto Funchal Tel.: (+351) Tel.: (+351) Tel.: (+351) CHINA (EM PARCERIA) Fax.: (+351) Fax.: (+351) Fax.: (+351) MOÇAMBIQUE (EM PARCERIA) TIMOR-LESTE (JOINT OFFICE)

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