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2 ISSN Revista de Administração do Gestor, Rio de Janeiro Vol. 1, n. 2, pág , dez. 2011

3 FICHA CATALOGRÁFICA (Catalogado na fonte pela Biblioteca Central da Universidade Gama Filho) Revista de Administração do Gestor : RAG / Universidade Gama Filho. Vol. 1, n. 1 (jul. 2011) -. Rio de Janeiro : Editora Gama Filho, v.: 21 cm Semestral. Periódico sob coordenação do Curso de Graduação em Administração. ISSN Administração Periódicos. I. Universidade Gama Filho. CDD (20. ed.)

4 Reitor prof. Marcio André Mendes Costa Pró-Reitor de Humanidades e Ciências Sociais prof. Paulo César Dahia Ducos Pró-Reitor de Saúde prof. Gilberto Chaves Pró-Reitor de Exatas e Tecnologia prof. Paulo César Dahia Ducos Pró-Reitor de Administração e Desenvolvimento prof. Sergio Norbert Editor dante gastaldoni Programador Visual andré luiz santos

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6 Editor Chefe Prof. Gilberto Jorge da Cruz Araújo, Dr. (UGF/RJ) Editor Científico Prof. Jefferson Leal Bueno, msc. (UGF/RJ) Conselho Editorial Profª. Christina Thereza Bassani Teixeira, Drª (UGF/RJ) Prof. Edson José Dalto, Dr. (IBmEC) Profª Elisa maria R. Sharland, Dra. (FGV/RJ) Prof. Gilberto Jorge da Cruz Araújo, Dr. (UGF/RJ) Prof. Lansana Seydi, Dr. ( UGF/RJ) Profª. Luci Ruas Pereira, Dra. (UGF/RJ) Prof. Norman Roland madarasz, Dr. (UGF/RJ) Prof. Ronaldo de Souza Leite Shantaignier, Dr. (FGV/RJ) Corpo de Pareceristas Prof. Cleber Almeida de Oliveira, Dr. (UGF/RJ) Profª Deborah moraes Zouain, Drª (FGV/EBAPE/RJ) Prof. João Alfredo Lagoa, m.sc. (UGF/RJ) Prof. Luiz Flávio Autran monteiro Gomes, PhD. (IBmEC/RJ) Prof. marcio Suzano, msc. (UGF/RJ) Profª. marina Brochado Rodrigues, Ph.D (CEFET/RJ) Prof. mário manhães mosso, Dr. (CEFET/RJ) Prof. Pablo Bielschowsky, msc. (UCB/RJ) Prof. Paulo Caruso Filho, msc. (UNIGRANRIO/RJ) Prof. Roberto marcos da Silva montezano, Dr. (IBmEC/RJ) Revisão Profª. Luci Ruas Pereira, Dra. (UGF/RJ)

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8 EDITORIAL A Universidade Gama Filho vem passando por grandes transformações em sua estrutura, que trouxeram novas perspectivas para a universidade como um todo. Dentre as novas diretrizes, está incluída a ênfase na necessidade de pesquisa e publicações por parte do corpo docente. A Pró-Reitoria de Humanidades e Ciências Sociais resolveu criar a Revista de Administração do Gestor como um veículo de divulgação pelo qual membros dos corpos docente e discente possam apresentar sua produção para a comunidade científica. Espera-se que a participação aumente nos próximos números de modo que seja representativa do trabalho de pesquisa realizado na área de Administração. Paulo Cesar Dahia Ducos Pró-Reitor

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10 Sumário 13 O INVESTIMENTO EM TREINAMENTO COMO FORMA DE INCREMENTO DO CAPITAL INTELECTUAL Renata Andreoni Barboza Luciana Heringer Freitas de Mello Márcia Verônica de Paiva Machado Polyana Batista da Silva 47 O TREINAMENTO INFLUÊNCIANDO NOS RESULTADOS NA ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO E OPERAÇÕES NAS ORGANIZACÕES INDUSTRIAIS Márcio A. Suzano Carlos A. S. Carvalho Luciano Pinto Marcus Vianna Luciano Palomino F. dos Santos 57 As Pessoas como Diferencial de Sucesso na Implantação de Programas de Qualidade Daniella Guimarães Bergamini de Sá Marcelo Lopes da Rosa Lisboa Luz 87 GOVERNANÇA CORPORATIVA E GOVERNANÇA DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO: UM ESTUDO SOBRE AS METODOLOGIAS ITIL E COBIT Carlos Antonio da Silva Carvalho Márcio Alves Suzano Fernando César Almeida Silva Marcos de Oliveira Garrido Walber Santos de Assis

11 SUMÁRIO 113 HÁ DIFERENÇA DE PERCEPÇÃO DAS PREMISSAS DA GERAÇÃO Y POR UNIVERSITÁRIOS INTEGRANTES DE CLASSES SOCIAIS DIFERENTES? Fernando Gaspar de Mattos Maria Augusta Soares Machado Jefferson Leal Bueno 141 Capacitação Profissional: um Estudo Bibliográfico sobre a sua Importância no Contexto Corporativo. Márcio Alves Suzano Luciano Rodrigues Pinto Marcus Vinicius Vianna Castro Carlos Antônio de Carvalho Luciano Palomino Fidelis dos Santos 151 A Importância da Logística Reversa no Descarte do e-lixo Andréia do Nascimento Oliveira Iana Alane Xavier da Silva Luciana Mendes da Silva Maurício Julio Rosa de Oliveira Christina Bassani Magda Zeraik Barreto

12 SUMÁRIO 171 A Responsabilidade do Estado nos Danos Ambientais Causados pela Construção Civil Taciane Sardinha Sarto Tamara Alves Rodrigues Thaís Toscano de Oliveira Christina Bassani, Dra. Magda Zeraik Barreto, M. Sc. 185 Uma Reflexão sobre Belo Monte e a Sustentabilidade Viviane Wallen Silva de Moura Ribeiro Christina Bassani, Dra. Christiane Leal Corrêa

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14 13 O Investimento em Treinamento como forma de Incremento do Capital Intelectual Renata Andreoni Barboza, M. Sc. Luciana Heringer Freitas de Mello, M. Sc. Márcia Verônica de Paiva Machado, M. Sc. Polyana Batista da Silva, M. Sc. Resumo. A Nova Economia apresenta alta competitividade e necessidade constante de inovação em produtos (bens e serviços). Este trabalho propõe-se a apresentar uma revisão bibliográfica em contabilidade referente aos temas: Nova Economia; Competitividade; Treinamento; Capital Intelectual; Ativo Intangível. No processo metodológico buscaram-se os periódicos listados no topo do ranking de periódicos acadêmicos e os principais autores do tema em questão. Após esta leitura, foi composta a análise temática e desenvolvimento da teoria. A relevância deste estudo encontra-se em entender como as empresas podem se tornar mais competitivas a partir de investimentos em capital intelectual (ativo intangível), já que este é de difícil mensuração em termos financeiros. A revisão da literatura aponta para a possibilidade de avaliar, através de indicadores não financeiros, o capital intelectual ação necessária, pois este compõe vantagem competitiva para a organização. Palavras-chave: Competitividade. Nova Economia. Treinamento. Capital Intelectual. Ativo Intangível.

15 Universidade Gama Filho 14 Abstract. The New Economy is highly competitive and requires constant innovation in products (goods and services). This study aims to present a literature review of the accounting related to the topics: New Economy; Competitiveness; Training; Intellectual Capital; Intangible Assets. In the methodology process we sought the journals listed at the top of the ranking of academic journals and the main authors of the topic. After this reading, was composed a thematic analysis and development of the theory. The relevance of this is to understand how companies can become more competitive with investments in intellectual capital (intangible assets), since it is difficult to measure in financial terms. A review of the literature points to the possibility of evaluating, through non-financial indicators, the intellectual capital - action required, as this makes up a competitive advantage for the organization. Keywords: Competitiveness. New Economy. Training. Intellectual Capital. Intangible Assets. 1. Introdução Vivemos hoje em um mundo de instabilidade econômica, competitividade entre as empresas e necessidade de constante inovação de produtos (bens e serviços). O século XX teve seu início marcado por organizações eminentemente de produção de bens duráveis, de produção em massa. Terminamos este século com um cenário bem diferente. Essa velha economia, baseada em produtos concretos, deu lugar à Nova Economia, também conhecida como a Era do Conhecimento. Nela, os elementos que agregam valor ao produto são cada vez menos concretos: serviços agregam valor, a marca agrega valor, assim como a capacidade de inovação da empresa também. Vol. 1, n. 2, pág , dez. 2011

16 Revista de Administração do Gestor 15 Passamos a reconhecer, então, os ativos intangíveis e sua importância. Dentre eles, o Capital Intelectual ganhou destaque, pois é visto por muitos como vantagem competitiva. O capital intelectual que, segundo Crawford (1994), significa pessoas estudadas e especializadas, é o ponto central na transformação global. A organização hoje passa a ver no treinamento e desenvolvimento de seu pessoal em especial, uma forma de aumentar e valorizar seus ativos intangíveis. É a partir do capital intelectual disponível na empresa que é possível desenvolver e agregar valor a marcas, serviços, novos produtos e estratégias, de forma a manter-se e aumentar sua competitividade. Este trabalho propõe-se a apresentar uma revisão de literatura em contabilidade referente aos temas: Nova Economia; Competitividade; Treinamento; Capital Intelectual; Ativo Intangível. 2. Metodologia Foi realizada uma varredura nos artigos e livros referentes a temas apresentados nas palavras-chave deste trabalho: Competitividade (Competitiveness); Nova Economia (New Economy); Treinamento (Training); Capital Intelectual (Intellectual Capital); Ativo Intangível (Intangible Asset). Os livros foram retirados da base de dados da Biblioteca Mario Henrique Simonsen e os artigos e trabalhos citados foram retiradas da base de dados Scopus, todos a partir de pesquisa nas instalações da FGV-Rio. Foram encontrados poucos livros na biblioteca citada que tratassem do tema em questão, sobretudo ativos intangíveis e capital intelectual. Os mais relevantes encontram-se citados neste trabalho. Foram adotados alguns critérios para definir esta relevância. Buscou-se o posicionamento dos periódicos listados no topo Vol. 1, n. 2, pág , dez. 2011

17 Universidade Gama Filho 16 do ranking de periódicos acadêmicos, com o intuito de alcançar um alto nível de qualidade. Posteriormente foram identificadas as recorrências nas citações identificando outros autores e periódicos. O critério para a leitura dos estudos foi estabelecido pelos autores mais citados e com o maior número de publicações relacionadas ao tema. Após esta leitura, foi composta toda a análise temática e desenvolvimento da teoria. A pesquisa de artigos em 11 de julho de 2011 gerou um bom número de trabalhos publicados acerca de todos os termos pesquisado, limitando a pesquisa em artigos da categoria Business, Management and Accountability, conforme quadro abaixo: Competitiveness New Economy Training Intangible Asset Intellectual Capital Total Encontrado X 4576 X 3610 X X 472 X 48 X X 6 X X 23 Priorizou-se a leitura e análise dos artigos mais recentes, publicados a partir de 2008, e aos que utilizassem como metodologia a revisão de literatura. Vol. 1, n. 2, pág , dez. 2011

18 Revista de Administração do Gestor A Nova Economia: a era do conhecimento A Nova Economia, segundo Magnani (2009): É caracterizada pela mudança da cultura extrativista e pelo despertar do interesse em soluções alternativas para a produção de bens e serviços. Com isso, tem-se a valorização das áreas de conhecimento, até então pouco exploradas pelas empresas e, também, pouco procuradas pelos jovens profissionais que pretendem entrar no mercado de trabalho (MAGNANI, 2009, p.110). Para Weber (1993 apud DAVENPORT & PRUSAK, 1998), a Nova Economia não está na tecnologia, seja ela o microchip ou a rede mundial de telecomunicação, mas está sim na mente humana. Segundo Zanini (2007, p. 107), a transição dos sistemas industriais de produção em massa para os sistemas da Era do Conhecimento determinou uma nova lógica para a produção do valor econômico e outra dinâmica de trabalho. Podemos dizer que a Nova Economia é a era do conhecimento, pois este passou a fazer parte como bem de produção do processo produtivo de bens e serviços. Fala-se da aplicação do conhecimento sobre o conhecimento em si. Em uma economia do conhecimento, como observado por Crawford (1994) o principal investimento de uma sociedade tem que ser melhorar as habilidades e talento de sua população. Encontramos a seguinte definição de conhecimento no Dicionário Webster, segundo Crawford (1994, p.21) fatos, verdades ou princípios adquiridos a partir de estudo ou investigação; aprendizado prático de uma arte ou habilidade; a soma do que já é conhecido com o que ainda pode ser aprendido. O autor observa que não devemos confundir conhecimento com informação. Um conjunto de coordenadas da posição de um navio ou o mapa do oceano são informações. A habilidade para utilizar estas coordenadas e o mapa na definição de uma rota para o navio é o conhecimento (CRAWFORD, 1994, p.21). Vol. 1, n. 2, pág , dez. 2011

19 Universidade Gama Filho 18 Davenport & Prusak (1998, p.6) definem conhecimento como: Uma mistura fluida de experiência condensada, valores, informação contextual e insight experimentado, a qual proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas experiências e informações. Ele tem origem e é aplicado na mente dos conhecedores. Nas organizações, ele costuma estar embutido não só em documentos ou repositórios, mas também em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais (DAVENPORT & PRUSAK, 1998, p.6). O conhecimento pode e deve ser considerado como uma forma de capital, pois, segundo Crawford (1994, p.22) ele é difundível e se auto-reproduz, é insubstituível, transportável e compartilhável. Com essa percepção da importância do conhecimento nas organizações que surge a era do conhecimento. A era do conhecimento caracteriza-se por uma gama de diferenciais com relação as eras econômicas anteriormente existentes, como observa Crawford (1994): A economia do conhecimento difere de suas predecessoras em sua ênfase no desenvolvimento de conhecimentos através de pesquisa formal e esforços aplicados e na transmissão de conhecimentos abstratos para indivíduos através de educação formal e treinamento. Nas economias agrícola e industrial, os conhecimentos eram adquiridos fundamentalmente através da experiência. Na economia do conhecimento as pessoas devem aprender na sala de aula matérias básicas, como leitura e matemática e matérias avançadas, como física e contabilidade antes de efetivamente participar da economia do conhecimento (CRAWFORD, 1994, p.23). Ainda segundo o autor podemos entender a economia do conhecimento como uma economia de processamento de Vol. 1, n. 2, pág , dez. 2011

20 Revista de Administração do Gestor 19 informações, onde computadores e telecomunicações são os elementos fundamentais e estratégicos, que produzem e difundem os principais recursos de informação e conhecimento. A educação e a pesquisa científica passam a serem consideradas a base da geração de riqueza. A organização econômica e social é centrada na posse da informação, do conhecimento e na utilização do capital humano, que significa pessoas estudadas e especializadas (CRAWFORD, 1994, p.20). Para Zhao (2008,p.803), a economia do conhecimento, entrou na vida econômica de todos, impulsionada pela comercialização do conhecimento, das habilidades e informações, e dominou a economia mundial, tomando o lugar da economia material. Segundo o autor, na economia do conhecimento, o sucesso das organizações depende do conhecimento adquirido através do capital intelectual que ela possui. Com a intensidade da concorrência no mercado, com aspectos incertos do ambiente e com o crescente turnover de empregados, as empresas terão de fornecer serviços com maior valor agregado para os mais diversos clientes, que exigem que os mesmos tenham maior capacidade de comunicação e aquisição de conhecimentos constante (ZHAO, 1998, p.803). Castells (1999, apud, ZANINI, 2007, p. 112) afirma que: Na Nova Economia as tecnologias de informação, processamento e comunicação penetram nos sistemas econômicos de produção não como um elemento exógeno às organizações, mas como o próprio processo em si, no qual suas atividades econômicas operam e podem produzir novos produtos (CASTELLS, 1999, apud ZANINI, 2007, p 64). Voltando ao raciocínio de Zanini: O que ocorre na transição dos sistemas de produção em massa para os de produção que se baseiam no conhecimento é uma transferência parcial da propriedade dos meios de produção, Vol. 1, n. 2, pág , dez. 2011

21 Universidade Gama Filho 20 que antes pertenciam totalmente à empresa, para os empregados e terceiros. O empregado participa, com suas idéias, habilidades e conhecimento, dos processos de inovação e desenvolvimento de produtos e serviços de maior valor agregado (ZANINI, 2007, p. 108). Pode-se dizer assim, que, na Nova Economia, a produtividade está relacionada ao conhecimento aplicado pelos empregados na forma de capital intelectual. Na Nova Economia o conhecimento não é apenas um recurso, ao lado dos tradicionais fatores de produção trabalho, capital e terra mas sim o único recurso significativo atualmente. [...] o fato de o conhecimento ter-se tornado o recurso, muito mais do que apenas um recurso, é o que torna singular a nova sociedade (DRUCKER, 1970 apud ANTUNES & MARTINS, 2002, p.11). Zanini (2007, p. 109 et seq.) mostra que a lógica de criação de valor econômico está associada à alta competitividade entre tecnologias e demandas do mercado. Estas mudanças tecnológicas surgem desta profunda transformação que vem ocorrendo na economia global. Crawford (1994) observa que: Enquanto os países do terceiro mundo passam pelo processo de industrialização, as economias desenvolvidas da Europa Ocidental, América do Norte e Japão são rapidamente transformadas em economias pós-industriais baseadas em conhecimentos. Nesta Nova Economia, informação e conhecimento substituem capital físico e financeiro, tornando-se uma das maiores vantagens competitivas nos negócios; e a inteligência criadora constitui-se na riqueza da nova sociedade (CRAWFORD, 1994, p.15). Vol. 1, n. 2, pág , dez. 2011

22 Revista de Administração do Gestor A competitividade na Nova Economia Estudos realizados nas últimas décadas mostram que os principais ativos que distinguem as organizações umas das outras não são mais os tangíveis, mas sim, os intangíveis já que são eles os responsáveis pela criação de vantagens competitivas que sejam sustentáveis ao longo do tempo (VALLE et CASTILLO, 2008). Duesterberg (2006) afirma que ativos intangíveis são condutores de inovação e seria interesse buscar formas de promovê-los, já que fazem parte e baseiam as estratégias das empresas na era do conhecimento. Pomeroy (2004) afirma que a empresa deve fazer a gestão de seus ativos intangíveis. O primeiro passo é saber qual é o mais importante: marca, pessoas, inovação. Após investir neles de modo a torná-los uma vantagem competitiva. Registra sua crítica ao dizer que muitos executivos de alta gestão desconhecem a importância da gestão desses ativos na nova economia. Echols (2009) reforça o pensamento de Pomeroy, alertando para a baixa atenção e o baixo investimento das empresas nos seus ativos intangíveis, sobretudo na aprendizagem da sua força de trabalho. Massingham (2008) vê o impacto da perda de conhecimento como uma área pouco ou inexplorada pela gestão estratégica das organizações. As organizações ainda não vêem a saída de um funcionário para outra empresa às vezes, concorrente como uma perda de um capital valioso. A partir da pergunta O que acontece quando alguém sai de uma organização?, Massingham (2008) conclui que a maior parte das saídas dos funcionários podem ser vistas como ondulações em um lago : provoca uma perturbação ligeira alguns dias, mas logo as coisas voltem ao normal. Por muitos anos, a rotatividade de funcionários, foi considerada normal. O comportamento organizacional e empregados eram simplesmente substituídos por outros com habilidades e experiências semelhantes. Vol. 1, n. 2, pág , dez. 2011

23 Universidade Gama Filho 22 Entretanto, usando a mesma analogia, conclui que algumas pessoas causam mais esguicho que outros. A superfície do lago pode demorar um pouco mais para se aquietar após a saída de determinados funcionários (MASSINGHAM, 2008, p. 8). Esses funcionários possuem raras habilidades ou conhecimento o que os torna importante e necessário para sucesso da organização. Determinar o que acontece quando esses funcionários valiosos saem da organização pode nos ajudar a compreender melhor o impacto da perda de conhecimento e formular as medidas adequadas. O capital humano é o conhecimento possuído pelos trabalhadores, e são agregadas em o nível organizacional em termos de sua competência e experiência combinada. Seu valor é medido em termos das atividades que permite aos funcionários executar e os recursos disponíveis para o conhecimento tácito da organização para criar novos conhecimentos, resolver problemas ou desenvolver a capacidade do empregado (MASSINGHAM, 2008, p. 7). Este estudo (MASSINGHAM, 2008) conclui que a perda ou saída de um funcionário-chave de uma organização implica em questões estratégicas como: Diminuição da produção e produtividade da organização; Diminuição da Memória da Organização; Diminuição da capacidade de aprendizagem da organização; Interrupção do fluxo de conhecimento da organização. O problema não pára aí. Como o capital humano é um ativo, uma vez fora desta organização, ele irá desenvolver e aumentar os ativos de outra Capital Intelectual: um ativo intangível Desde os anos 80, a contabilidade tem se mostrado incapaz ou limitada na avaliação da principal fonte de valor das empresas no contexto da Nova Economia: seus ativos intangíveis. Mas nem por isso deixa de estudar e tentar desenvolver forma de estudar e avaliar o retorno dos investimentos em ativos intangíveis. Vol. 1, n. 2, pág , dez. 2011

24 Revista de Administração do Gestor 23 Segundo Blair, Hoffman & Taburo (2001, apud RIBEIRO et TIRONI, 2007), ativos intangíveis são bens e direitos sem lastro físico ou financeiro. Portanto, são de difícil identificação, mensuração e gerenciamento. Sabemos que não constam dos balanços e demonstrativos financeiros da organização salvo se adquiridos. Lev (2001) define ativo intangível como um direito a benefícios futuros que não possui corpo físico ou financeiro, que é criado pela inovação, por práticas organizacionais e pelos recursos humanos. Ativo intangível, segundo Kohler (apud IUDICIBUS, 1997, p. 203), é um ativo de capital que não tem existência física, cujo valor é ilimitado pelos direitos e benefícios que antecipadamente sua posse confere ao proprietário. Para Hendriksen &Van Breda (1999) os ativos intangíveis formam uma das áreas mais complexas e desafiadoras da contabilidade e, provavelmente, também das finanças empresarias. Há dificuldade de contabilização em termos financeiros sob os princípios contábeis vigentes. Teece (2001, apud RIBEIRO & TIRONI, 2007) elenca alguns quesitos de modo a comparar os ativos tangíveis aos intangíveis. Vol. 1, n. 2, pág , dez. 2011

25 Universidade Gama Filho 24 Tabela 2. Diferenças entre ativos tangíveis e intangíveis Quesito Ativos Intangíveis Ativos tangíveis Exclusividade Depreciação Custos de transferência Reconhecimento de oportunidade de transação Divulgação de atributos Utilização por uma parte não exclui a possibilidade de uso por outra parte Não desgasta, mas costuma depreciar rapidamente Difícil de definir Difícil Relativamente difícil Utilização por uma parte exclui a possibilidade de uso por outra parte Desgasta, podendo depreciar rápida ou lentamente Mais fácil de definir, dependendo dos custos de transporte e outros custos relacionados Fácil Relativamente fácil Variedade Heterogêneos entre si Homogêneos entre si Direitos de propriedade (extensão) Diretos e propriedade (enforcement) Limitado (e.g. patentes, segredos industriais, marcas) Relativamente difícil Amplo e relativamente claro, pelo menos em países desenvolvidos Relativamente fácil Fonte: Adaptado de Teece (2000, apud RIBEIRO & TIRONI, 2007). Ainda segundo os autores (IBIDEM) não há critérios determinados para que a empresa possa realizar uma avaliação objetiva, verificável por seus auditores independentes (a não ser que o ativo tenha sido adquirido e esteja avaliado o seu custo). A principal dificuldade em se avaliar ativos intangíveis está ligada à heterogeneidade e à falta de mercados organizados para negociálos (LITAN & WALLISON, 2003, apud RIBEIRO & TIRONI, 2007). Vol. 1, n. 2, pág , dez. 2011

26 Revista de Administração do Gestor 25 Blair, Hoffman e Tamburo (2001, apud RIBEIRO & TIRONI, 2007) situam o capital intelectual como ativos intangíveis que não são propriedade da empresa, mas sob os quais a empresa tem influência. Zanini (2009) afirma que nas organizações existem elementos de natureza intangível. Listas os seguintes elementos: Disponibilidade de fatores produtivos, Pulverização de Clientes, Pulverização de Fornecedores, Políticas governamentais para o setor ou para a economia, Ética, Maturação, Relações Institucionais, Tecnologia Aplicada, Marcas e Patentes, Direito de Uso, Nome Fantasia, Treinamento, Localização Industrial/Comercial/Administrativa, Linguagem não-verbal, Capital Humano, Capacitação Gerencial, Educação Pessoal, Capital Intelectual, Educação Funcional, Cultura Organizacional, Clima Organizacional, Qualidade dos Produtos, Confiança, Qualidade dos insumos, mercado, acessibilidade ao mercado, acessibilidade aos insumos, outros fatores. Destes, o autor afirma que nem todos são e nem poderiam ser classificados como ativos intangíveis. Sua natureza pode ser intangível, mas para se tornarem ativos o é necessário que o fator ou o elemento propicie, direta ou indiretamente, para o empreendimento, benefícios econômicos e financeiros futuros (ZANINI, 2009). Stewart (1997) nomeia os ativos intangíveis como capital intelectual. Subdivide o capital em três tipos: capital humano, capital estrutural e capital do cliente. Para o autor o capital humano é a capacidade, conhecimento, habilidade, criatividade e experiências individuais dos empregados e gerentes transformados em produtos e serviços que são o motivo pelo qual os clientes procuram a empresa e não o concorrente. O autor avalia o capital estrutural como o caminho pelo qual e, ao lado do qual, o conhecimento trafega. Para Stewart (1997), o capital estrutural inclui fatores como a qualidade e o alcance dos sistemas informatizados, a imagem da empresa, os bancos de dados exatos, os conceitos organizacionais e a documentação. Já o capital do cliente pode ser definido como o valor dos relacionamentos de uma empresa com as pessoas com as quais faz negócios. Vol. 1, n. 2, pág , dez. 2011

27 Universidade Gama Filho 26 Edvinsson & Malone (1998) delimitam os ativos intangíveis, contextualizando pessoas no capital humano; marcas, imagens, máquinas e equipamentos no capital estrutural; e o relacionamento com os clientes no capital do cliente. Além das definições por tipo de capital, existem as definições por tipos de ativos. Brooking (1996, p.12), divide o capital intelectual em quatro categorias: Ativos de mercado: potencial que a empresa possui em decorrência dos intangíveis que estão relacionados ao mercado, tais como: marca, clientes, lealdade dos clientes, negócios recorrentes, negócios em andamento, canais de distribuição, franquias etc. Ativos Humanos: compreendem os benefícios que o indivíduo pode proporcionar para as organizações por meio da sua criatividade, conhecimento, habilidade para resolver problemas. Ativos de Propriedade Intelectual: incluem os ativos que necessitam de proteção legal para proporcionar às organizações benefícios tais como: segredos industriais, copyright, patentes, designs etc. Ativos de Infra-Estrutura: compreendem as tecnologias, as metodologias e os processos empregados, como cultura, sistema de informação, métodos gerenciais, aceitação de risco, banco de dados de clientes etc. Coelho & Lins (2010, p.66) dão um exemplo de bens tangíveis e intangíveis, quando afirmam que celulares, notebooks, mp4, palmtops, equipamentos eletrônicos diversos e suas enormes possibilidades e usos são exemplos de ativos tangíveis com forte conteúdo intangível. Para Marion (2000), o termo goodwill é equivocadamente traduzido para a língua portuguesa como Fundos de Comércio. No entanto, de uma forma geral, pode ser identificado como a diferença entre o valor contábil e o valor de mercado de uma empresa. O esquema a seguir mostra a evolução do termo: Vol. 1, n. 2, pág , dez. 2011

28 Revista de Administração do Gestor 27 Figura 1. Evolução do termo capital intelectual Goodwill Ativo Intangível Capital Intelectual Fonte: Coelho & Lins, Coelho & Lins (2010, p. 67) afirmam que a discussão sobre ativo intangível aumentou a partir da segunda metade do século passado, e sua origem remonta do termo goodwill, que além de ser a expressão mais antiga a referendar a noção de intangibilidade, é também considerado por muitos como o mais intangível dos ativos intangíveis. Os mesmos autores (2010, p. 69) destacam algumas condições para a existência do goodwill: - Fidelização da clientela; - Localização geográfica; - Propaganda eficiente; - Reputação e credibilidade; - Tecnologia de ponta; - Boas relações com os empregados; - Treinamento eficiente de trabalhadores. Martins (2001) identifica as seguintes características do Capital Intelectual, entre elas: É difícil de ser adquirido e acumulado; Pode ser usado para diversos fins; Vol. 1, n. 2, pág , dez. 2011

29 Universidade Gama Filho 28 É instável; Não pode ser adquirido como os ativos tradicionais da empresa. O Pronunciamento Técnico nº 4 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC 04), aprovado em 05 de novembro de 2010, admite que o ativo intangível deve ser reconhecido se: - for provável que os benefícios econômicos futuros esperados atribuíveis ao ativo serão gerados em favor da entidade; e - o custo do ativo possa ser mensurado com confiabilidade. Dessa forma, pode-se inferir que o Capital Intelectual é um ativo adquirido pela empresa quando contrata novos profissionais, e também ao incentivar, promover e financiar treinamentos que aumentem a capacidade produtiva de seus colaboradores. No entanto, se por um lado, admite-se que os benefícios que o funcionário soma à empresa faz parte de um ativo intangível (capital intelectual), por outro lado, a Ciência Contábil ainda não possui métodos para mensurar esse mesmo benefício. Tal afirmação pode ser inferida através do seguinte trecho constante do CPC 04: A entidade pode dispor de equipe de pessoal especializado e ser capaz de identificar habilidades adicionais que gerarão benefícios econômicos futuros a partir do treinamento. A entidade pode também esperar que esse pessoal continue a disponibilizar as suas habilidades. Entretanto, o controle da entidade sobre os eventuais benefícios econômicos futuros gerados pelo pessoal especializado e pelo treinamento é insuficiente para que esses itens se enquadrem na definição de ativo intangível. Por razão semelhante, raramente um talento gerencial ou técnico específico atende à definição de ativo intangível, a não ser que esteja protegido por direitos legais sobre a sua utilização e obtenção dos benefícios econômicos futuros, além Vol. 1, n. 2, pág , dez. 2011

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