INSTRUMENTOS DE CONTROLADORIA APLICADOS ÀS PEQUENAS EMPRESAS: ESTUDO EM EMPRESA DA ÁREA TEXTIL

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1 INSTRUMENTOS DE CONTROLADORIA APLICADOS ÀS PEQUENAS EMPRESAS: INTRODUÇÃO ESTUDO EM EMPRESA DA ÁREA TEXTIL Welliton Felipe Alves Miranda, (G), UNESPAR/FECILCAM, Isielli Barzotto Tierling, (OR), UNESPAR/FECILCAM, Dentre as diversas atribuições da ciência contábil, se faz presente a controladoria, uma ferramenta ao desenvolvimento das entidades empresariais. A controladoria é apresentada como uma ferramenta contábil de grande utilidade ao desdobramento empresarial. Onde tem por objetivo o estudo e prática das funções de planejamento, controle, registro e divulgação dos fenômenos da administração econômica e financeira da empresa (MONTEIRO; BARBOSA, 2011). As ferramentas da controladoria podem e devem ser aplicada a todas as empresas, independente do seu porte, visto que seus benefícios são diversos. Tanto as grandes, quanto as médias e pequenas empresas podem utilizar deste serviço visando à melhora nos seus resultados. Vieira (2007) afirma que as microempresas e empresas de pequeno porte são as grandes responsáveis pelo desenvolvimento econômico brasileiro, de forma a contribuir para a promoção de empregos e renda, tornando favoráveis as condições de vida da população. Diante a competitividade existente no mercado, em que, no geral microempresas e empresa de pequeno porte possuem maior dificuldade competitiva e considerando que essas organizações são de grande importância à desenvoltura econômica do país, a presente pesquisa apresenta fatores que venham a potencializar o desenvolvimento de pequenas empresas. Perante esse contexto, o trabalho define elementos da controladoria que podem contribuir para a continuidade e estabilização das pequenas empresas, entre eles estão o sistema de informações, utilizado para elaboração de relatórios essenciais na tomada de decisões; o controle interno, responsável por manter em ordem o andamento da empresa; o orçamento, capaz de elaborar dados futuros através de informações utilizadas no presente e a formação de preço de venda, com foco na redução do preço a tornar o produto competitivo. Uma vez que a valorização da classe contábil tem se expressado em todo o mundo nos últimos tempos, onde o profissional que era avaliado apenas como capaz de responder ao fisco, torna-se hoje ferramenta preciosa na estruturação das organizações. Sendo assim, a pesquisa possui o seguinte problema: Quais são os instrumentos/ferramentas da controladoria que a microempresa foco de estudo, situada na cidade de Peabiru já utiliza e quais possíveis implementações para que a mesma aprimore sua desenvoltura no mercado? Desta forma, o objetivo geral desta pesquisa é Identificar quais são as ferramentas da controladoria já utilizadas pela empresa foco de estudo e verificar possível implementação das

2 mesmas. Mais especificamente busca-se identificar quais são as ferramentas da controladoria/controles utilizados pela empresa, analisar possíveis melhorias nas ferramentas de planejamento e controle da empresa e apresentar aos gestores da empresa, caso haja, as possíveis melhorias a serem realizadas em seus sistemas de controle. Também é colocada em pauta a conscientização do empreendedor sobre a significância da ciência contábil, assim como, a conduta do profissional contábil, agente responsável pelo desenvolvimento da controladoria, com foco na estruturação econômica da empresa e valorização da ciência contábil. Para a execução de todo e qualquer trabalho de pesquisa, faz-se necessário a apresentação de uma justificativa para que a mesma se realize. Em primeira instância é possível atribuir a justificativa da pesquisa a admissível melhora no desempenho em que a empresa foco poderá obter. Destarte, melhor planejamento, redução em gastos operacionais e conseqüentemente a redução do preço de venda, onde terá influência direta a sua competitividade no mercado. Assim como a provável utilização da pesquisa por outras instituições para que as mesmas, reflitam sobre suas ferramentas de controle. REFERENCIAL TEÓRICO Microempresas e Empresas de Pequeno Porte As Microempresas e Empresas de Pequeno Porte são estabelecidas através do Art. 3º da lei complementar 123/06, que em 2011 sofreu alterações pela lei complementar 139/11. Vieira (2007) afirma que as microempresas e empresas de pequeno porte são as grandes responsáveis pelo desenvolvimento econômico brasileiro, de forma a contribuir para a promoção de empregos e renda, tornando favoráveis as condições de vida da população. É notória a importância das micro e pequenas empresas para o desenvolvimento econômico. Pesquisadores apontam uma queda no índice de mortalidade das ME e EPP, porém o mesmo ainda é representativo. Especialistas atribuem esses números à ausência do plano de negócio, quando da abertura e início de atividades da empresa, e posteriormente é notável a deficiência de controles, planejamento, sistema de informação entre outros fatores pertinentes a controladoria. Com base nessas informações, nota-se que à ausência das ferramentas da controlaria pode estar relacionadas com fatores como: a insuficiência de conhecimentos dos administradores/gestores, a carência de conscientização sobre a importância da ciência contábil, ou até mesmo por omissão dos escritórios de contabilidade, uma vez, que os mesmo são maiores responsáveis pelo suporte contábil às empresas.

3 Controladoria Dentre as diversas atribuições da ciência contábil se faz presente a controladoria, uma ferramenta ao desenvolvimento das entidades empresariais. Com início do século XX a controladoria surge nos Estados Unidos, derivado do crescimento empresarial, como uma ferramenta às organizações. Segundo Padoveze apud Mosimann (2012, p.3) a controladoria pode ser conceituada como: O conjunto de princípios, procedimentos e métodos oriundos das ciências da administração, Economia, Psicologia, Estatística e principalmente a contabilidade, que se ocupa da gestão econômica das empresas, com fim de orientá-las para a eficácia. Portanto, a controladoria é apresentada como uma ferramenta contábil de grande utilidade ao desdobramento empresarial. Onde tem por objetivo o estudo e prática das funções de planejamento, controle, registro e divulgação dos fenômenos da administração econômica e financeira da empresa (MONTEIRO; BARBOSA, 2011). O profissional responsável pela execução da controladoria é denominado como controller, onde suas responsabilidades variam de empresa para empresa. O controller é responsável por zelar ao desenvolvimento da organização idealizando projetos futuros através do planejamento e controle. Portanto, é visível a necessidade do profissional capaz de exercer os procedimentos e medidas presentes na controladoria. Em geral essa função é encontrada apenas em organizações de grande porte e possui um custo elevado, porém, é possível a aplicação em pequenas empresas, onde será necessária a conscientização do empreendedor e a capacitação de profissionais da área contábil que prestam serviços a pequenas empresas. Assim sendo, verificado as definições de alguns autores a respeito da controladoria é possível assimilar sua significância. A Controladoria apresenta em sua estrutura diversas ferramentas, porém, será enfatizado quatro das ferramentas da controladoria, sendo: Sistema de Informação, Controle interno, Orçamentos e Formação de Preço de Venda. Sistema de Informação A informação é utensílio necessário nos diversos níveis da organização para direção dos negócios e as realizações das metas e objetivos traçados. Segundo Queiroz (2009), com um sistema de informação eficiente é possível ter um melhor gerenciamento dos planos e metas estabelecidas pela empresa.

4 O sistema de informação é uma ferramenta designada para a coleta de dados, sendo esses organizados, processados e transformados em relatórios capazes de a auxiliarem a gestão no processo de decisão. Padoveze (2012, p.45) define sistema de informação como: Um conjunto de recursos humanos, materiais, tecnológicos e financeiros agregados segundo uma seqüência lógica para o processamento dos dados e tradução das informações, para com seu produto, permitir às organizações o cumprimento de seus objetivos principais. É a partir dos relatórios que as decisões são realizadas, logo, a veracidade das informações é essencial. A utilização da informação torna-se uma vantagem competitiva, pois aumentam a capacidade de acerto dos administradores, tornando seu desenvolvimento mais intenso. Imagem 01 Atividades do Processo de Informação. Fonte: OLIVEIRA et al, 2011, p.51. Estabelecido o papel do sistema de informação, é necessário a auto-avaliação inerente quanto a eficácia do mesmo, onde Oliveira et al (2011, p.57) defende que: O atual estágio de desenvolvimento das entidades conduz à necessidade de adaptações e modificações nos sistemas de informação, especialmente naqueles voltados para o planejamento e controle. Tão Importante quanto utilizar adequadamente tais instrumentos é conhecer os aspectos inerentes a sua concepção, implantando operações e manutenção. As informações devem ser concebidas e comunicadas com base em princípios, procedimentos e orientações estabelecidos no modelo de gestão da empresa. Portanto verifica-se a importância do sistema de informação, onde os relatórios funcionam como um mecanismo de feedback, a fim de proporcionar maior agilidade, redução de gastos, oportunidades de novos negócios, assim, aprimorando resultados e tornando-se mais competitivo. Controle Interno O controle interno compreende medidas e artifícios capazes de atentar ao patrimônio da organização, assim como, os procedimentos administrativos ou contábil, designados a fazer com que na organização os colaboradores respeitem as normas e medidas traçadas pela administração, que o patrimônio tenha sua integridade protegida e que as operações contábeis sejam registradas

5 fidedignamente nas demonstrações financeiras. Pereira apud Franco e Marra (2008) entende o controle interno como: Todos os instrumentos da organização destinados à vigilância, fiscalização e verificação administrativa, que permitem prever, observar, dirigir ou governar os acontecimentos que se verificam dentro da empresa e que produzem reflexos em seu patrimônio. Nesse enfoque, controles internos são capazes de amparar a administração a garantir o alcance de seus objetivos. É significativo o seu valor no processo de gestão, operando como ferramenta gerencial aos gestores e servindo como instrumento de informação para as tomadas de decisões. Para Oliveira et al (2011, p.71): Os sistemas contábeis e de controles internos é o conjunto de procedimentos que, integrados ao fluxo operacional da empresa, visa detectar e prevenir desvios erros e irregularidades, intencionais ou não que possam: Afetar negativamente o desempenho da entidade; Ocasionar impactos em sua lucratividade e/ou estrutura financeira; bem como Resultar em reflexos significativos em suas demonstrações contábeis para o usuário interno ou externo, relatórios gerenciais e demais análises e demonstrativos operacionais financeiros. Também é imprescindível a interação dos controles internos com a auditoria interna, onde apesar de serem ferramentas distintas, ambas se completam. Portanto é necessário o entendimento quanto suas diferenças, conforme apresentado abaixo: Quadro 01 Diferença entre Controle Interno e Auditoria Interna Controle Interno Auditoria Interna O controle interno é um departamento responsável por definir procedimentos e medidas para evitar falhas de ordem operacional, acompanhar a execução das atividades em caráter opinativo, preventivo ou corretivo, buscando evitar erros de ordem intencional ou não, protegendo assim a fidelidade das informações geradas, garantindo segurança de forma a fornecer subsídios aos gestores quanto à tomada de decisão. A auditoria por sua vez, faz a revisão, avaliação e acompanhamento dos controles internos, verificando o melhor cumprimento das políticas traçadas pela administração e se estão sendo cumpridas as normas fundamentadas em lei para cada atividade. Fonte: Adaptado de Queiroz (2009).

6 Portanto o grau de credibilidade dos controles internos é fundamental para a realização do trabalho do auditor interno, de forma que, da segurança que nele obtiver será definido enfoque, intensidade e caráter da auditoria a ser desempenhada. Por arremate, Oliveira et al (2011, p. 72) ainda trata que um sistema de contabilidade que não esteja apoiado em um controle interno eficiente, pode ser considerado, até certo ponto, como inútil visto que não é possível confiar em seus relatórios. Portanto, quando os relatórios contábeis não são confiáveis, a finalidade da contabilidade não pode ser alcançada. Orçamento Ora abordado os temas Sistema de Informação e Controle Interno, faz-se, necessário a apresentação do orçamento. Uma ferramenta abastada, o orçamento é analisado como uma expectativa sobre um futuro, através de relatórios e dados do passado e do presente. Padoveze (2012, p.199) define orçar como: Orçar significa processar todos os dados constantes do sistema de informação contábil de hoje, introduzindo os dados previstos para o próximo exercício, considerando as alterações já definidas para o próximo exercício. Portanto, o orçamento não deixa de ser uma pura repetição dos relatórios gerenciais atuais, só que com os dados previstos. A realização do orçamento é necessária quando da definição de metas a serem alcançadas, e das atribuições de tarefas aos departamentos. O orçamento será sempre benéfico como ferramenta de controle, indiferente de sua dimensão e suas incertezas. Dessa forma Oliveira et al (2011, p.245) elenca algumas vantagens em relação a utilização do orçamento, sendo: Formaliza as responsabilidades pelo planejamento, obrigando os administradores a pensar à frente e encorajando o estabelecimento de objetivos de lucros; Estabelece expectativas definidas, o que torna a melhor base de avaliação do desempenho posterior; Auxilia os administradores a coordenar seus esforços, de forma que os objetivos da organização em sua totalidade se harmonizem com os objetivos de suas partes, permitindo a integração das atividades, departamentos e funções dentro da empresa; Formaliza um instrumento de comunicação. Cada funcionário deve observar como suas atividades contribuem para as metas internas diárias e para o objetivo global da empresa.

7 Dota a organização de um instrumento de controle operacional, permitindo a comparação dos resultados alcançados com as metas preestabelecidas. A variação entre o desempenho real e o orçado é analisada para se determinar a necessidade de ação corretivas que permitam o cumprimento das metas previstas ou a revisão do plano em razão de alterações substanciais nas hipóteses de trabalho. O plano orçamentário quando aplicado pode ser segregado em diversas peças orçamentárias, como o Orçamento de Vendas, Orçamento de Materiais e Estoques, Orçamento de Caixa, Orçamento de Mão-de-Obra e Orçamento de Despesas Operacionais. O orçamento de vendas esta relacionado diretamente com o planejamento financeiro da organização, que em sua essência visa prever/estimar quantidade de produtos que serão vendidos em determinado período. Bonfim apud Zdanowicz (2006, p.25) conceitua orçamento de vendas como sendo o instrumento que relacionará os produtos e/ou serviços a serem vendidos pela empresa, em vários segmentos mercadológicos, em unidades físicas e monetárias, no período projetado. O orçamento de materiais é derivado dos gastos apurados pelos produtos que foram vendidos e a necessidade de funcionamento das vendas, ou seja, está relacionada ao custo dos materiais a serem comprados ou industrializados, destarte, orçamento de materiais e estoque está diretamente atrelado ao orçamento de vendas. O orçamento de mão de obra direta detalha quantidade de horas necessárias para formação do produto, e conseqüentemente a quantidade de trabalhadores, a partir de então é possível a formação dos custos com pessoal inerentes a elaboração dos produtos. O orçamento de despesas operacionais abrange todos os gastos, exceto àqueles ligados aos custos de produção. Portanto engloba as despesas administrativas, despesas comerciais e despesas com financiamento e empréstimos. O orçamento de caixa é atributo valioso ao gestor, sendo grande responsável pelo desenvolvimento financeiro da organização. É capaz de realizar interação entre as entradas e saídas de recursos financeiros, mantendo assim o equilíbrio financeiro. Bonfim apud Braga (2006, p.28) descreve que o orçamento de caixa evidencia, mês a mês, as provisões para recebimentos e pagamentos detalhados por natureza e os déficits e superávits decorrentes. Formação de Preço de Venda Por conseguinte é necessário emprego da formação de preço de venda, ferramenta capaz de elaborar valor ao produto consumido no mercado. Em geral esse instrumento é pouco utilizado pelas micro e pequenas empresas, onde empregam outras estratégias para a formação do preço de venda como objetivo de se manterem competitivos. Cogan (1999, p.127) elenca alguns fatores que são utilizados:

8 Igualando a Estratégia da Competição É definido quando gestores decidem acompanhar preços iguais ao de mercado. Essa é uma opção muito escolhida até mesmo para evitar a competição dos preços. Cotar por Baixo do Preço da Competição É quando a instituição estipula preços inferiores aos praticados pelos concorrentes, a fim de obter elevado volume de vendas, e assim evitar prejuízos. Líderes de Preços e Seguidores Ocorre onde organizações com público altivo e capacidade de produção determinam o nível de preço, e as organizações mais fracas irão acompanhá-los. Preço de Penetração É utilizado quando a instituição define preço baixo para a introdução do produto no mercado, e a lógica envolvida é que após a fidelização dos clientes o preço poderá ser elevado sem perda de público. Utiliza-se quando a demanda é compassivo ao preço. Preço Predatório Onde os preços são estabelecidos por tradição a tendem a permanecer constantes por determinado período no tempo (cafezinho, jornal etc). Apesar dos fatores apresentados serem válidos, o coerente a realizar é elaborar o preço através de analise especifica, destarte, evitando danos financeiros. Um método adotado para o cálculo do preço de venda é o Markup, Cogan (1999, p.133) o define como: Um índice aplicado sobre o custo de um bem ou serviço para a formação do preço de venda. Esse índice é tal que cobre os impostos e as taxas aplicadas sobre as vendas, as despesas administrativas fixas, as despesas de vendas fixas, os custos indiretos fixos de fabricação e o lucro. Portanto, conforme abordado no exemplo acima se percebe que a utilização do markup é de grande valia, onde seu fator possibilita ao controller apurar/mensurar de forma minuciosa o devido valor ao produto, a fim de evitar possíveis prejuízos que venham a prejudicar a organização. A partir do controle de custos, o preço de venda será melhor elaborado e os resultados apurados, possivelmente positivos, possibilitarão melhor competitividade para a empresa. METODOLOGIA O presente trabalho caracteriza-se por um estudo caso de natureza qualitativa. Segundo Marconi; Lakatos (2007, p. 274) o objetivos da pesquisa de estudo de caso são: O Estudo de Caso refere-se ao levantamento com mais profundidade de determinado caso ou grupo humano sob todos seus aspectos. Entretanto, é limitado, pois se restringe ao caso que estuda, ou seja, um único caso, não podendo ser generalizado.

9 Caracteriza-se também como uma pesquisa diagnóstico, uma vez que, será analisado, diagnosticado e posteriormente apresentado os resultados aos gestores. A pesquisa possui natureza qualitativa, pois visa proporcionar melhores condições a empresa. Conforme Neves apud Maanen (1996) a pesquisa qualitativa tem por objetivo traduzir e expressar o sentido dos fenômenos do mundo social; trata-se em reduzir a distância entre indicador e indicado. Para apreensão dos dados necessários ao desenvolvimento da pesquisa, o instrumento utilizado será um questionário, elaborado pelo próprio pesquisador, contendo perguntas fechadas e também a análise documental. Para realizar a análise de dados, os dados coletados através do questionário serão transpostos a planilhas do aplicativo Excel, com objetivo de evidenciar o grau de conhecimento dos gestores da empresa em relação às ferramentas da controladoria, e sua utilização dentro da organização. DISCUSSÕES E ANÁLISES As dificuldades em que a pequena empresa possui para implantar ferramentas que venham a aprimorar sua desenvoltura são perceptíveis, destarte, com a aplicação do questionário este conceito se concretiza, onde a aplicação de ferramentas contábeis é mínima e o suporte contábil é praticamente inexistente ou nulo. A empresa se encontra com período de vida superior a considerada por estudiosos como de Alto Risco que está entre zero a cinco anos, sendo o risco de falência de micro e pequenas empresas expressivo, porém é impossível afirmar a extinção dos riscos e a possibilidade de estabilização. O sistema de informação ferramenta significante quanto aos acertos inerentes às decisões realizadas pela gestão não é utilizado de forma a eficaz e eficiente, onde são realizados apenas controles básicos que por sua vez não são transpostos a relatórios complementares a gestão empresarial. Assim sendo, as informações geradas não possuem nenhum método que as amarrem e/ou as vinculem, logo, é possível afirmar a probabilidade de falhas não sendo admissível assegurar a veracidade das informações aumentando assim sua vulnerabilidade. Quando colocado em pauta a relação custo benefício da expansão do sistema de informação, a fim de que o mesmo venha ofertar suporte as decisões e conseqüentemente evitar possíveis falhas, a gestão confia que não é possível assegurar resultados positivos. Percebe-se que a visão negativa da gestão está relacionada ao alto custo, essa circunstância decorre da ausência de informação relacionada à aplicação de ferramentas da contabilidade. De forma simples é realizado controles básicos, porém o responsável pela a inserção é o mesmo em que realiza a conferência, essa prática não é indicada de acordo com o método utilizado

10 pelo controle interno, tornando-se eminente a possibilidade de erros, fraudes e desvios, sejam intencionais ou não. Em relação às vendas, são realizadas com recebimentos em cheques e/ou duplicatas, sendo aplicado controle de maneira que não venha afetar seu capital de giro. Contudo a organização realiza descontos com freqüência, situação merece atenção especial, afim de não prejudicar e fluxo financeiro, lucro desejado e também de modo que não seja capaz de afetar os compromissos já assumidos. O artifício utilizado para a produção, onde ocorre de acordo com as encomendas pode ser observado diante duas faces, como não há estoque o índice de perdas é praticamente irrelevante, contudo, deve haver uma reserva/provisão de maneira que se ocorrer uma alta de preço da matéria prima não prejudique a produção. É necessário reafirmarmos a importância dos controles, sendo que através deles ocorre as realizações do que foi planejado. Segundo Borinelli apud Peleias et al (2006, p.160): O controle é a etapa do processo de gestão, contínua e recorrente, que avalia o grau de aderência entre os planos e sua execução; analisa os desvios ocorridos, procurando identificar suas causas, sejam elas internas ou externas; direciona as ações corretivas, observando a ocorrência de variáveis no cenário futuro, visando alcançar os objetivos propostos. Portanto, é notável que a realização do que fora planejado é responsabilidade da gestão através dos métodos e procedimentos utilizados nos controles. Outra questão a ser observada é quanto à ausência de sistema de controle de qualidade, diante a concorrência no mercado seria necessário possuir um sistema de controle de qualidade objetivando ofertar uma melhor qualificação nos produtos oferecidos. A deficiência de cursos de capacitação e aperfeiçoamentos para os funcionários são uma realidade da empresa, é necessário investimento em capacitação de colaboradores para os mesmo estejam aptos a realizar sua função de forma eficiente e eficaz de modo a alavancar a produção. As informações são disponibilizadas apenas quando solicitadas pode ser prejudicial a saúde da empresa, as informações devem ser repassadas a quem de direito de acordo com a necessidade para que a tomada de decisão possa ser assertiva, destarte, evitando falhas indesejáveis. Uma questão que deve apresentar um zelo particular é a não realização de provisões de gastos e/ou compromissos assumidos, ferramenta indispensável para manter o controle das obrigações da instituição, para que futuramente não venha a prejudicar a saúde financeira da empresa. Percebe-se que fatores inerentes ao controle interno são minimamente utilizados podendo prejudicar o desenvolvimento da empresa, devido a vulnerabilidade em que se apresenta diante dos processos.

11 Borinelli apud Antunes et al (2006, p.174) ressalta que: O controle interno compreende o plano de organização e conjunto coordenado dos métodos e medidas adotados pela empresa, para proteger seu patrimônio, verificar a exatidão e a fidedignidade de seu dados contábeis, promover a eficiência operacional e encorajar a obediência às diretrizes/políticas traçadas pela administração da companhia. Apesar das diversas lacunas inerentes ao controle interno a gestão confia que implementações nas ferramentas de controle possam promover melhorias a gestão empresarial. Sobre a ferramenta orçamento, percebe-se utilização mesmo que de forma não regular, porém com mais freqüência que as demais. A gestão afirma que elabora o orçamento empresarial, ou seja, elaboração de estimativas futuras através de dados passados e presentes. Para Bomfim (2006, p.22), o orçamento deve ser tratado como: Uma meta real a ser objetiva pela empresa, e não, simplesmente, um cenário montado. Além disso, o orçamento deve programar as atividades a serem desenvolvidas na empresa para alcançar os objetivos almejados. São necessários controles eficientes ao longo do plano de ação para auxiliar os administradores a visualizarem a situação atual da empresa em relação ao anteriormente planejado. A gestão afirma que são realizadas projeções de vendas para o ano subseqüente em quantidades de mercadorias, procedimento do orçamento de vendas, porém não é realizado um plano de ação de modo a contagiar toda a equipe para alcançar os resultados planejados. O orçamento de materiais para estoque/matéria-prima não realizado de forma correta, onde devem ser inseridos todos os gastos inerentes a formação do estoque, porém apenas são realizadas cotações para adquirir matéria-prima a um preço mais acessível. Conforme prestado pelo gestor são realizados controles da quantidade de horas trabalhadas, assim como, a quantidade de horas necessárias para elaboração do produto, porém, não é formado o custo total do produto, e conseqüentemente não é utilizado na formação de preço do produto. É utilizado o orçamento de despesas operacionais, sendo realizado controle das despesas financeiras, administrativa e comerciais, essas rateadas para a produção geral, tal procedimento se enquadra nas características do orçamento de despesas operacionais. Através de uma planilha são observadas as movimentações de entradas e saídas de caixa diariamente, porém não são utilizadas como referência para captação de recursos como, por exemplo, empréstimos. A empresa mantém controle dos valores que foram orçados e os incorrido, essa prática permite que a gestão avalie a variações de gastos evitando alterações bruscas do preço do produto.

12 Para efeitos de formação de preço de venda são avaliado as interações de oferta e demanda, porém os métodos utilizados não são os mais indicados, basicamente a empresa utiliza-se de dois métodos: igualando seu preço ao do mercado e em alguma situações utilizam o preço de penetração, esses métodos são utilizados na grande maioria das micros e pequenas empresas devido a ausência de controles e gastos para a formação de custo do produto, contudo não o indicado a realizar, pois, quando a empresa iguala seu preço ao do mercado, não sabido se a concorrência obteve descontos de matéria-prima, se a mão-de-obra é mais barata, e seu custos fixo é menor formando assim um produto mais em conta, se igualado o preço a conseqüência será prejuízos que levará a organização à uma carência financeira, podendo, ocasionar até mesmo a falência. No método do preço de penetração a organização inclui no mercado um produto com preço inferior aguardando a fidelização do cliente, uma vez que não possa ocorrer, logo, obterá novos prejuízos. O processo indicado para a formação de preço de venda é denominada como Markup, ferramenta capaz de elaborar o preço condizente com a realidade do produto, sendo inseridos todos os gatos inerentes a ele e também margem de lucro desejada. Analisada diversas irregularidades na utilização das ferramentas da contabilidade, porém, quando questionado sobre a atuação do profissional contábil responsável em prestar serviços contábeis e disponibilizar suporte contábil, as respostas foram negativas, sendo constatado que o responsável não realiza nenhum serviço de assessoria ou suporte a organização. Portanto, algumas hipóteses são colocadas em pauta para explicar essa deficiência, seria a baixa remuneração nos honorários, a quantidade de empresa, a ausência de profissionais capacitados em atender as necessidades ou até mesmo desinteresse. Contudo esses fatores não justificam essa omissão, o contador é responsável pela saúde financeira da organização. Os serviços adicionais de assessoria podem ser cobrados, porém devem ser ofertados apontando sua capacidade e aprimorar o desenvolvimento da organização. CONSIDERAÇÕES FINAIS Observa-se que as microempresas e empresas de pequeno porte possuem certa dificuldade em se manter de forma competitiva no mercado, onde concorrem de forma disparataria com empresas já estabilizadas, sendo que estas possuem vantagens, como por exemplo, em relação às compras obtendo descontos em função de quantidades e também a fidelização de clientes. Porém as ferramentas da controladoria tem se apresentado como instrumento de apoio para essas organizações. Diante dos pontos apresentados é notória a relevância do tema controladoria, onde apesar de ser pouco utilizada pela classe das pequenas empresas, sua destreza é essencial.

13 É necessário enfatizar os avanços realizados pela área contábil, onde, não possui apenas a função de atender a fisco, mas apresenta ferramentas capazes realizar suporte necessário a saúde e continuidade das empresas. É importante destacar que os gestores devem se conscientizar da importância da contabilidade e suas ferramentas, buscando obter conhecimento para aplicação dos seus conceitos. Contudo os escritórios de contabilidade também deveriam dedicar maior atenção as microempresas e pequenas empresas, capacitando seus funcionários, a fim de oferecer um suporte aos mesmos e assim tornando seus próprios controllers. Portanto concluímos que a controladoria apresenta alguns instrumentos que quando colocados em funcionamento, podem refletir significantemente na permanência da empresa no mercado, tornando favorável a realização de suas metas e objetivos. REFERÊNCIAS BOMFIM, Douglas Paveck. Desenvolvimento de um orçamento de caixa para uma microempresa de confecção. Porto Alegre, Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/24400/ pdf?sequence=1 >. Acesso em 18 de Maio de BORINELLI, Márcio Luiz. Estrutura Conceitual Básica de Controladoria: sistematização à luz da teoria e da práxis. São Paulo, Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12136/tde /pt-br.php>. Acesso em 25 de Junho de BRASIL, Lei n. 123, de 14 de dezembro de Normas Gerais Dispensados às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. COGAN, Samuel. Custos e Preços: Formação e Análise. São Paulo: Pioneira, MONTEIRO, José Morais; Barbosa, Jenny Dantas. Controladoria Empresarial: Gestão Econômica para as Micro e Pequenas Empresas. São Paulo, Disponível em: <http://www.faccamp.br/ojs/index.php/rmpe/article/view/194>. Acessado em 02 de abril de MARKONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia Científica. 5. Ed. São Paulo: Atlas, NEVES, José Luis. Pesquisa Qualitativa Características, Usos e Possibilidades. São Paulo, Disponível em: <http://www.ead.fea.usp.br/cad-pesq/arquivos/c03-art06.pdf>. Acessado em 09 de abril de OLIVEIRA, Luís Martins; JUNIOR, José H. Peres; SILVA, Carlos A. dos Santos. Controladoria Estratégica. 8. Ed. São Paulo: Atlas, PADOVEZE, Clóvis Luís. Controladoria Estratégica e Operacional. 3. ed. São Paulo: Rev. e Atual, 2012.

14 PEREIRA, Antônio Nunes. A importância do Controle Interno para Gestão de Empresas. São Paulo, Disponível em: <http://www.atena.org.br/revista/ojs /index.php/pensarcontabil/article/viewfile/68/68>. Acessado em 16 de abril de QUEIROZ, Edna C. Miranda. Controle Interno e Auditoria Interna como Instrumento de Apoio para Gestão de Empresas. Goiânia, Disponivel em: <http://www.cpgls.ucg.br/arquivosupload/1/file/cpgls/iv%20mostra/negcio/controle%20in terno%20e%20auditoria%20interna%20como%20instrumento%20de%20apoio%20para%20gesto.pdf >. Acessado em 23 de maio de VIEIRA, Valter Afonso. As Tipologias, Variações e Características da Pesquisa de Marketing. Revista FAE, Disponível em: <http://www.mouraconsultoria.com.br/artigo/tipologia...pdf>. Acessado em 09 de abril de VIEIRA, Maria Lédio. A contribuição das Microempresa e Pequenas empresas para a redução da Pobreza no Brasil. Fortaleza, Disponível em: <http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.nsf/bbee7f73fbc19a6e dfb24/$file/ NT A.pdf>. Acessado em 09 de abril de 2013.

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