CONTROLE INTERNO NAS EMPRESAS

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1 FLÁVIA FERREIRA DE ARAÚJO KAMILLA CORDEIRO RODRIGUES LEANDRO CLAÚDIO TEIXEIRA MARINA FREIRE CONTROLE INTERNO NAS EMPRESAS Trabalho da disciplina Auditoria 1 da Universidade de Brasília - UnB no curso de Ciências Contábeis apresentado ao Professor Wolney Resende de Oliveira. Brasília

2 ÍNDICE Índice Introdução A importância do controle interno Revisão do controle interno Questionário de controle interno Testes do sistema do controle interno nas empresas contábeis Controle interno e sistemas de procedimento eletrônico de dados Programas de computador Procedimento de entrada Processamento Manutenção de arquivos Manutenção de equipamentos Aplicação do estudo do controle interno Determinação do estudo do controle interno Atividades ou ciclos operacionais Avaliação do controle interno Resultado da avaliação do controle interno Sistema de controle interno adequado Sistema de controle interno adequado, porém aprimorável Sistema de controle interno adequado com fraquezas Sistema de controle interno inadequado Testes de procedimentos Conclusão Referência Bibliográfia

3 INTRODUÇÃO Este trabalho irá tratar do controle interno e sua importância para a empresa. Tem-se que o controle interno é indispensável para uma adequada avaliação da entidade analisada. É por meio desses procedimentos que o auditor realiza seu trabalho, pois que a empresa adota certos métodos para fazer sua contabilização, e esses passos são seguidos e analisados cautelosamente. E assim, o auditor depois de ter visto os procedimentos seguidos pela empresa realiza testes e faz questionários para que ele tenha real segurança de emitir uma opinião sobre a empresa. Tem-se também que, na atualidade, o trabalho do auditor é facilitado, pois que as empresas passaram a se utilizar de meios eletrônicos para realizar seus procedimentos contábeis. No entanto, esses dados devem ser tratados minunciosamente, pois que nenhum meio está livre de erros e fraudes. Assim, percebe-se que o controle interno permanece presente em todas as áreas, e cada procedimento praticado dentro de uma área compreende uma parte do conjunto, e que deve ser vista com cuidado e praticidade. 3

4 A importância do controle interno A importância do controle interno fica patente a partir do momento em que se torna impossível conceber uma empresa que não disponha de controles que possam garantir a continuidade do fluxo de operações e informações proposto. A confiabilidade dos resultados gerados por esse fluxo que transforma simples dados em informações a partir das quais os empresários, utilizando-se de sua experiência administrativa, tomam decisões com vistas no objetivo comum da empresa, assume vital importância. Toda empresa possui controles internos. A diferença básica é que estes podem ser adequados ou não. A classificação pode ser dada analisando-se a eficiência dos fluxos de operações e informações e os seus custos/benefícios. A implantação ou aprimoramento de um tipo de controle é tanto viável quanto positiva for a sua relação custo/beneficio. O grau máximo de avaliação do beneficio deve ser atribuído a importância e qualidade da informação a ser gerada. O controle interno é parte integrante de cada segmento da organização e cada procedimento corresponde a uma parte do conjunto do controle interno. Por exemplo, se o departamento de vendas tira um pedido, devem existir procedimentos que permitem determinar se o cliente poderá quitar seus compromissos junto à companhia. Por sua vez, o setor de expedição terá de saber se a venda foi realizada para proceder ao seu despacho e solicitar a emissão da documentação comprobatória, que compulsoriamente terá de ser contabilizada, e assim por diante. O conjunto dos procedimentos no exemplo é que pode ser considerado como controle interno, muito embora haja outros procedimentos que mereçam considerações para que se complete o ciclo, de vendas, no caso. Como se pode depreender do referido exemplo, o controle interno gira em torno dos aspectos administrativos, que têm influência direta sobre os aspectos contábeis; há, portanto, necessidade premente de sua consideração conjunta para efeito de determinação de adequado sistema de controle interno. A função da contabilidade como instrumento de controle administrativo é hoje unanimemente reconhecida. Um sistema de contabilidade que não esteja apoiado 4

5 em eficiente controle interno é, até certo ponto, inútil, uma vez que não é possível confiar nas informações contidas nos seus relatórios. Informações contábeis distorcidas podem levar a conclusões erradas e danosas para a empresa. Apesar disso, embora pareça absurdo, existem muitas empresas para as quais o controle interno é desconhecido. Pensam que, tendo empregados de confiança, estarão cobertas contra qualquer irregularidade. Confiar nos subordinados não deixa de ser correto; é necessário, porém, admitir que esta confiança possa dar lugar a toda espécie de fraudes. Basta dizer que grande parte das irregularidades nos negócios, segundo se tem verificado, deve-se a empregados nos quais se confiava. Além disso, quando não existem procedimentos adequados de controle interno, a empresa fica aberta para as fraudes e erros. Um bom sistema de controle interno funciona como uma peneira na detecção de erros ou irregularidades. A auditoria interna e externa são os instrumentos mais eficazes para evitar irregularidades administrativas nos negócios (testes), devemos notar que a função do auditor é preventiva e nunca reativa. O controle interno representa em uma organização os procedimentos métodos ou rotinas cujos objetivos são proteger os ativos, produzir dados contábeis confiáveis e ajudar a administração na condução ordenada dos negócios da empresa. Em sentido amplo, o controle interno compreende controles que se podem caracterizar como contábeis ou como administrativos: Controles contábeis: compreendem o plano da organização e todos os métodos e procedimentos que tem ligação com a proteção do patrimônio da empresa e integridade dos registros contábeis. Controles administrativos: compreendem o plano de organização e todos os métodos e procedimentos que tem ligação direta com a eficiência das operações e com a política da empresa. A segregação de função consiste em estabelecer que uma mesma pessoa não pode ter acesso aos ativos e aos registros contábeis, em virtude de essas funções serem incompatíveis dentro do sistema do controle interno. 5

6 REVISÃO DO CONTROLE INTERNO A revisão do controle interno tem a finalidade de determinar qual a confiabilidade dos mecanismos existentes, para que possam definir quais e quando os procedimentos de auditoria serão utilizados e em qual extensão. Essa avaliação é realizada mediante a aplicação de questionários que auxiliam na avaliação global do processo em estudo revelando o nível de controle interno. O risco da ocorrência de um erro, em uma empresa com um bom sistema de controle interno, é muito menor que em uma empresa com um sistema de controle interno ruim. O auditor externo utiliza o sistema de controle interno da empresa para determinar a amplitude dos testes de auditoria. Quando o controle interno é bom, o auditor externo faz um menor volume de testes; caso contrário, o auditor externo faz um maior volume de testes. Questionário de controle interno No anexo um apresentamos um modelo de questionário de controle interno. Testes do sistema do controle interno nas empresas contábeis O sistema de controle das operações da empresa contábil deve ser submetido a uma avaliação para aferir o seu grau de confiabilidade. Para tanto são submetidos a um tipo de teste muito comum realizado pela auditoria interna das empresas. Com base nestes testes o auditor avalia procedimentos e dispositivos de controle essenciais ao sistema e elabora um guia para o supervisor e operadores do setor se anteciparem a possíveis problemas futuros, adotando uma atitude preventiva. Controle interno e sistemas de procedimento eletrônico de dados. No Brasil, até 1970 (salvo algumas exceções) a informação contábil era processada manualmente, com alto custo salarial, pouca flexibilidade, riscos quanto a sua exatidão, e com problemas de oportunidade pela demora que era 6

7 quase sempre verificada por conclusão dos trabalhos. Após a década de 70, começaram a ser utilizados os primeiros computadores que representaram um avanço no sistema de geração de informações em relação aos processos manuais utilizados até então. Desde essa época até os dias de hoje, a evolução dessa tecnologia em termos de agilidade de processamento, capacidade de armazenamento de informação e barateamento dos equipamentos permitiu que houvesse ampla utilização do processamento eletrônico dos dados na geração das informações contábeis da gestão. Entretanto o sistema eletrônico de processamento apresenta alguns aspectos que exigem cuidados especiais da contabilidade para garantir a fidedignidade e integridade das informações. É preciso atentar para o fato de que: É possível que a informação armazenada esteja disponível de tal forma que somente por meio de um computador possa ser acessada e/ou analisada. Nem todos os procedimentos de controle se evidenciam de forma expressa; em alguns casos, a própria lógica do programa os realiza. Um erro pode afetar várias transações, devido à automação do processo. Os erros que por ventura venham a ocorrer são de difícil detectação. Minimização de erros de operações semelhantes e repetitivas, com as mesmas instruções de processamento. Mas existe a possibilidade de ingresso de dados errados no sistema, ou ainda incompletos. É preciso tomar cuidado para o fato de que, o acesso e a modificação indevida de dados, mesmo que efetuados até por pessoas autorizadas, podem ocorrer sem deixar vestígios. É necessário um eficaz controle de acesso aos dados e arquivos, com um adequado sistema de senhas e níveis de acesso com a identificação de cada usuário. É possível que algumas transações ou funções do sistema sejam efetuadas automaticamente pelo computador sem que haja evidencias deste processamento. Há diferenças entre funções de processamento e funções de controle. 7

8 As funções de processamento compreendem os procedimentos dos sistemas administrativos com relação às transações e operações da empresa. Fazem parte desses procedimentos as tarefas de cálculo, comparação e acumulação de dados, que podem ser realizadas manualmente ou por meio do sistema eletrônico de processamento. Já os controles tem objetivo de evitar os erros ou irregularidades, a fim de garantir a salvaguarda dos ativos, e compreendem tanto as ações a serem realizadas por pessoas, quanto por um software. Esta divisão não é muito clara, pois assim como as funções de processamento que não estão preocupadas com controles (registro, cálculo e acumulação de dados), há aqueles que, além de serem funções de processamento, são também funções de controle (comparação e validação). As funções de processamento são importantes para a exatidão e integridade dos dados gerados pelo sistema. Normalmente, num sistema manual existe relação direta entre as funções e os controles de processamento. Para cada função realizada, existe um controle que pode ser feito de forma seletiva ou global realizado por uma pessoa ou departamento diferente. Num ambiente computadorizado é possível que esta relação direta não exista; uma soma não tem necessidade de ser reconferida, por exemplo. Mas devem existir controles adequados sobre o software, nos sentido de proteção a alterações e de gerenciamento dos níveis de acessos e senhas. Vistos pelo enfoque da auditoria, os controles num ambiente computadorizado dividem-se em diretos e gerais. Os controles diretos são aqueles desenhados para detectar erros e evitar irregularidades, e são também às próprias funções de processamento. Os controles gerais contribuem para a eficácia dos controles diretos. Correspondem à segregação de funções incompatíveis, incluindo também controles do departamento de sistemas. 8

9 Com a crescente aplicação dos meios eletrônicos de processamento de dados nos sistemas de informação das empresas surgem como conseqüência, novos aspectos de controle interno nesses sistemas. A correta observação dos princípios de controle interno é muito importante quanto há aplicação de meios eletrônicos de processamento de dados, às vezes até mais do que um sistema cujo processamento seja convencional. Isto decorre do fato de que uma unidade do CPD passa a centralizar o processamento de uma parte substancial dos dados. Programas de computador O problema básico de controle interno com relação aos programas refere-se à documentação deles. Os documentos que explicam e servem de suporte aos programas devem ser cuidadosamente elaborados e mantidos. As alterações de programas também devem ser refletidas na documentação. Devem, ainda, ser aprovadas por pessoas com autoridade para tanto. Procedimento de entrada É evidente a importância de que os dados de entrada sejam precisos e recebidos para processamento, de forma ordenada, acurada e completa. São necessários, portanto, procedimentos adequados e formais, um mínimo de transações que requeiram tratamento especial, para que se obtenha exatidão nos dados de entrada e se fortaleça o controle interno. Processamento Durante o processamento, vários procedimentos são necessários para efeito de controle interno. As instruções aos operadores devem ser precisas e por escrito; estes devem ser instruídos para não manter contatos diretos ou aceitar instruções verbais dos programadores, quando surgirem erros; códigos numéricos de pontos de controle em toda a extensão do processamento, instruções formais sobre inconsistências etc. 9

10 Manutenção de arquivos O processamento é amplamente baseado em arquivos e dados (fitas magnéticas, discos). É, portanto, evidente a necessidade de adequado controle interno sobre a manutenção desses arquivos. Devem existir controles físicos que impossibilitem rasuras ou reutilizações inadvertidas de fitas, discos; para isso os arquivos devem ser adequadamente identificados. Manutenção do equipamento É óbvia a necessidade de que se tenha segurança quanto ao funcionamento constante e normal do equipamento. Assim sendo, as condições físicas do local devem ser adequadas, devendo haver manutenção do equipamento feita regularmente e por pessoal capacitado. Aplicação do estudo do controle interno Do ponto de vista da auditoria, o controle interno tem grande influência, pois é o ponto de partida dos trabalhos a serem realizados pelo auditor. Compete ao auditor o estudo e a avaliação do controle interno como base de determinação da extensão da auditoria e para fornecer-lhe conhecimento geral sobre a empresa, que nos ciclos em exame, que na empresa comum todo. Regra geral, todo trabalho de auditoria se inicia com o conhecimento do controle interno praticado pela empresa. Todavia, a fim de conseguir o máximo proveito do trabalho a executar, é recomendável que o auditor identifique os ciclos ou áreas operacionais de maior influência ou risco na atividade global da empresa, de forma a neles concentrar sua atenção no estudo e avaliação do controle interno existente. Cada empresa, como uma entidade diferente, tem objetivos operacionais específicos de acordo com as suas atividades, se utiliza de objetivos operacionais específicos de acordo com as suas atividades, e se utiliza de procedimentos de controle internos distintos em função de seus negócios, volumes e riscos envolvidos. 10

11 A determinação dos ciclos operacionais ou áreas de maior interesse para auditoria baseia-se na relevância e riscos das operações abrangidas e seus conseqüentes reflexos nas demonstrações financeiras. A totalidade dos ciclos operacionais e áreas merecem a atenção do auditor para estudo e avaliação do controle interno, variando apenas quanto ao enfoque de acordo com os riscos envolvidos. De maneira geral, as operações praticadas de forma contínua e uniforme ao longo do tempo, como um número substancial de operações realizadas durante um período, são examinadas de forma diferente daquelas operações ou atividades de número limitado e sem grandes reflexos nas demonstrações financeiras. Para cada ciclo operacional, atividade ou área identificada pelo auditor como de interesse, seu trabalho será executado de forma ordenada e dirigida para a obtenção de um conhecimento abrangente que lhe permita formar uma opinião sobre a efetividade e adequação do controle interno e assegurar-se do processamento das operações, inclusive quanto à elaboração de dados contábeis confiáveis para o lançamento e registro contábil. Determinação do estudo do controle interno A determinação do estudo do controle interno diz respeito aos controles internos que serão objeto de exame por parte do auditor. Invariavelmente, o auditor está preocupado com a empresa como um todo e adota o critério de subdividí-la em partes, de forma a facilitar a execução de sua tarefa. Cada um dos segmentos e setores de uma empresa precisa ser olhado de acordo com que representa para o conjunto. A forma, segundo a qual será vista, deve variar de acordo com a característica de cada caso; deve ocorrer estudo para atividades ou ciclos operacionais, atividades departamentalizadas e demonstrações financeiras observadas de forma estanque. Atividades ou ciclos operacionais O auditor deve basear sua decisão sobre o estudo de ciclos operacionais a partir da constatação de que as operações nele envolvidas geram saldos nas demonstrações financeiras, resultantes da realização de elevado número de 11

12 transações, de forma contínua e uniforme durante o período abrangido nessas demonstrações. Essa característica acumulativa, própria dessas contas, impede que o auditor fundamente uma opinião sobre a adequação dos valores expressos nas contas que, nesse caso, demandariam dispêndio de tempo tão elevado que tornaria proibitivo seu trabalho. Como resultado da avaliação dos controles internos existentes nos principais ciclos operacionais, o auditor determina o grau de confiança que pode ser depositado em relação aos saldos apresentados nas demonstrações financeiras, e pode definir os procedimentos de auditoria, e a extensão dos testes que realizará diretamente sobre esses saldos, a fim de fundamentar sua opinião sobre os valores expostos nas demonstrações financeiras. A título de exemplo, tomemos uma empresa cuja principal atividade esteja concentrada na comercialização de produtos, adquiridos de fornecedores diversos para pagamento a prazo, que são vendidos a grande número de pequenos clientes, também a prazo. Nesse caso, os principais ciclos operacionais decorrentes de atividade básica de comercialização de produtos são as compras efetuadas junto aos fornecedores e as vendas realizadas aos clientes. As operações envolvidas nesses dois grandes ciclos (a saber: compras, devoluções de compras, pagamento aos fornecedores, abatimentos, descontos obtidos, vendas, devoluções de vendas, recebimento de clientes, abatimentos e descontos concedidos) certamente estarão relacionados com os saldos contábeis apresentados nas demonstrações financeiras, nas contas; duplicatas a receber, provisão para devedores duvidosos, contas a pagar, receitas por vendas e descontos ou abatimentos recebidos e despesas com devolução e descontos ou abatimentos concedidos. Com conseqüência, a empresa incorrerá na necessidade de desenvolver outras operações que também podem ser configuradas em ciclos operacionais, dos quais se destacam como mais comuns os ciclos de custos e controles de estoques e pessoal e folha de pagamento, que também se relacionam com os saldos contábeis apresentados nas demonstrações financeiras. 12

13 No exemplo apresentado, a identificação dos quatro grandes ciclos operacionais e das operações neles envolvidas, que compõem a maior parte das atividades da empresa, permitirá ao auditor, com conseqüência da realização do estudo e avaliação dos controles internos existentes nesses ciclos, estabelecer o grau de confiança que pode ser depositado nos saldos apresentados nas demonstrações financeiras e determinar os procedimentos e testes a serem aplicados para a formação de sua opinião. Mesmo quando houver auditoria de empresa que tenha atividade principal diferente da exemplificada, os conceitos de controle interno aqui apresentados permanecem uniformes, cabendo ao auditor, para a consecução de seu trabalho, a identificação e avaliação dos controles internos envolvidos nos principais ciclos. E em uma empresa comercial ou industrial corresponde ao ciclo de vendas e em uma empresa financeira, onde o produto negociado são os empréstimos concedidos aos clientes, utiliza-se um outro tipo de ciclo. Em uma empresa prestadora de serviços, possivelmente, que formará a base para o faturamento ao cliente tomador do serviço. Avaliação do controle interno O controle interno permanece presente em todas as áreas, e cada procedimento praticado dentro de uma área compreende uma parte do conjunto. Nem sempre as áreas ou operações estabelecem seus controles através de manuais de procedimentos específicos que acompanharão a operação até a formação final de controle interno. Se analisarmos o controle interno amiúde, veremos que é composto de inúmeras atividades de procedimentos que envolvem aprovações, autorizações, registros, formulários e vias, layout da operação e do formulário, necessidades de relatórios, arquivos, capacidade técnica e outros. Como analogia, para efeito de exemplo, comparemos o controle interno ao motor de um carro. Este motor é composto de inúmeras peças, tais como velas, distribuidor, cilindros, válvulas, óleos, bielas, anéis, porcas, parafusos, carcaça e outros. 13

14 As peças soltas por si sós nada representam, porém em conjunto afinado entre si fornece a força necessária para que o carro ande, e basta que uma das peças se quebre ou deteriore para que todo o conjunto se torne inerte e inoperante. O controle interno funciona da mesma forma, pois o conjunto das operações, autorizações, registros etc. é que permite que a operação ou o sistema caminhe, e basta que um dos itens não funcione adequadamente para que o todo o sistema emperre. É importante que o auditor, após conhecer e registrar o controle interno, adote uma posição crítica independente sobre o mesmo, para que então possa estabelecer e recomendar um sistema mas ágil, econômico e funcional. Ainda que o controle interno em estudo seja bom, é inadmissível que não possa ser alterado para melhor, mesmo que a alteração seja pequena e que o todo não precise ser reformulado. Dentro dessa linha de conduta e tendo-se em vista a filosofia do estudo do controle interno, o seu levantamento e registro é inevitável para que se possa conhecer sua intensidade e suas ineficiências. O levantamento do controle interno por parte do auditor deve ser desenvolvido através de uma atitude mental independente, obtendo-se o conjunto das práticas e procedimentos que estejam em uso pelos executores e não aqueles por ele julgados adequados. À luz do conhecimento, objetivo e princípios do controle interno é que deve ser avaliado o item em exame. É nesse momento que todo o conhecimento profissional e técnico do auditor é colocado à prova e que ele pode revelar-se de utilidade e benefício à empresa, com recomendações e sugestões feitas com bases sólidas e possíveis de serem realizadas. Após a realização da documentação do controle interno, o auditor deve proceder à avaliação do controle documentado para determinar a existência de controles necessários e qual a confiabilidade a ser nestes depositada. Esta avaliação é realizada mediante a aplicação dos objetivos e princípios de controle interno; envolve os controles contábeis e os controles administrativos. Usualmente, desenvolvem-se questionários que auxiliam a avaliação global do sistema ou do ciclo em estudo. 14

15 Os questionários de avaliação dos controles realizam-se após concluída a fase de revisão, uma vez que os controles internos relativos à área ou ao ciclo em estudo tenham sido conhecidos e registrados. Nesta fase, a experiência profissional adquirida pelo auditor pela execução de trabalhos anteriores torna-se de grande valia para que ele faça adequada avaliação, comparando sistematicamente os controles internos já conhecidos com aqueles utilizados pela empresa na qual esteja auditando. Com a utilização dos questionários e a aplicação dos princípios de controle interno, surgirá inevitavelmente a opinião global do auditor quanto à eficiência ou ineficiência dos controles internos em relação ao objeto em exame, o que será a base para a determinação da confiabilidade a ser neste depositada e para o estabelecimento dos procedimentos de auditoria a serem aplicados e sua extensão. Resultado da avaliação do controle interno Por intermédio do conhecimento obtido pelo auditor, assim como pela aplicação do questionário de avaliação, o auditor pode vir a defrontar-se com os seguintes aspectos: O sistema de controle interno é adequado; O sistema de controle interno é adequado, podendo, entretanto, ser aprimorado; O sistema de controle interno é adequado, existindo, porém, fraquezas que deterioram e podem vir a comprometer o sistema como um todo; O sistema de controle interno é inadequado, pois não atende aos princípios básicos vitais para a obtenção de um sistema de controle interno mínimo. Em qualquer das hipóteses discriminadas, o auditor deve determinar quais as possíveis conseqüências e implicações, quais os procedimentos de auditoria estudando-os em toda amplitude que merecem. 15

16 Sistema de controle interno adequado Se a avaliação geral do auditor acerca do sistema de controle interno constatar ser este adequado, tal fato sugere que o sistema contém todos os aspectos fundamentais, procedimentos e práticas compatíveis, de forma a possibilitar alcançar os objetivos a que se propõe. Neste caso, a tarefa subseqüente do auditor deve incluir o exame confirmatório de que, na prática, os procedimentos instituídos encontram-se efetivados. Para tanto, o auditor deve coordenar um teste de procedimento, vislumbrando um universo que lhe assegure razoável certeza sobre a matéria. Sistema de controle interno adequado, porém aprimorável Para este caso deve-se seguir igual critério ao comentado anteriormente, ressaltando-se os fatos em que o sistema pode ser aprimorado. A título de exemplo, podemos verificar um sistema de controle interno qualquer, cujos procedimentos executados sejam manuais. O fato de que os procedimentos sejam executados manualmente não quer dizer que o sistema como um todo seja inconsistente. Entretanto, sugere que possam ocorrer erros pelo fato de serem manuais, o que poderia ser evitado se fossem realizados eletronicamente. Dessa forma, é recomendável que o sistema de controle interno seja aperfeiçoado de acordo com as circunstâncias e necessidades, o que pode, inclusive, vir a torná-lo mais econômico e confiável. Sistema de controle interno adequado com fraquezas Durante o estudo do controle interno, o auditor pode vir a determinar a existência de quaisquer fraquezas que podem vir a afetar o sistema de controle como um todo para aquela operação ou atividade em exame. Qualquer que seja a fraqueza apontada do controle interno deve ser acompanhada pelo auditor para a determinação de suas implicações em relação ao objeto em exame e para a possível consecução de procedimentos de auditoria a serem seguidos em relação aos riscos envolvidos e sua relevância nas demonstrações financeiras. 16

17 Sistema de controle interno inadequado Um sistema de controle interno inadequado resulta, obviamente, na possibilidade de diversas aberturas que permitem a ocorrência de anomalias, fraudes e atos de dolo contra a empresa. Qualquer sistema de controle interno está calcado na existência de pessoas qualificadas e aptas a desenvolver suas tarefas. Um sistema de trabalho que vislumbre e possibilite que pessoas possam controlar e serem controlados auxilia a que se tenham pessoas nas atividades que executem. Se considerarmos drasticamente, podemos dizer que a partir do momento que se conclui que o sistema de controle interno é inadequado, é incompatível denominálo de controle, pois ele inexiste. O que pode ocorrer, neste caso, é a existência de determinados procedimentos que não chegam a compor um sistema, mas estabelecem pequenos limites e bases de rastreamento de atividades. O auditor necessita recomendar reformulação tempestiva, introduzindo pontos críticos de controle até que se estabeleça um sistema de controle interno compatível com as necessidades da empresa. Teste de procedimentos A execução de teste de procedimentos tem por objetivo determinar que os procedimentos e práticas de controle interno documentados estão em vigor e são adequados para atestar a efetividade do sistema e permitir a correta apuração e o registro permanente. Após a consecução da documentação e avaliação do controle interno, o auditor tem condições de elaborar o programa de trabalho voltado para cobrir os pontoschave de controle e dirigir seus testes em função destes. Note-se que o teste de transação visa cobrir os pontos considerados chaves, enquanto a revisão da documentação visa percorrer o caminho integral registrado. O teste de procedimentos é um processo de confirmação de que os controles internos documentados são efetivamente seguidos e de forma adequada; visa, acima de tudo, determinar se os procedimentos existentes e avaliados foram 17

18 praticados, ao longo do tempo, de maneira uniforme. A título de exemplo, as vendas realizadas ao longo do ano passam pelo mesmo processo de aprovação de crédito, faturamento, contabilização e baixa de estoque, que, além de influenciar a demonstração de resultados, tem seu reflexo no balanço patrimonial, na área de contas a receber. É, portanto, importante que o auditor tenha a segurança de que os processos de venda recebem o mesmo tratamento ao longo do tempo e que este seja, além de tudo, adequado para permitir o seu reflexo contábil. 18

19 CONCLUSÃO Concluímos com esse trabalho que o controle interno das empresas mostra como, de fato, é o funcionamento dela. E por isso, cada empresa deve ter a capacidade de produzir métodos e procedimentos que possam transmitir a real situação da empresa. Assim o trabalho da auditor é feito mediante o controle interno da empresa, que pode se mostrar eficiente ou não. E nesse ponto, é que o auditor será capaz de opinar se as demostrações contábeis são fidedignas ou não. E para que um controle seja considerado eficiente, a empresa deve ter uma contabilização fiel das situações ocorridas, deve ter uma segmentação adequada da sua equipe de trabalho, deve ter praticidade e objetividade quanto as atividades que devem ser seguidas por cada empregado. E para se ter um relatório final do auditor vários testes devem ser realizados, e o profissional deve ser capaz de compreender os dados que a empresa emitiu. E por fim, a opinião do auditor irá relatar se a empresa é ou não transparente quanto as suas demostrações financeiras. 19

20 Referência bibliográfica Crepaldi, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil, teoria e prática, 2ª edição, Editora Atlas, São Paulo, Attie, William. Auditoria Interna, 2ª edição. Editora Atlas, São Paulo, Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo. Controle Interno nas Empresas. Editora Atlas, Araujo, Aneide Oliveira. Característica do controle interno nas empresas de serviços contábeis. Universidade de Brasília. 20

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