UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE Características físicas, somatotipo e desempenho de corredores de 100 e 400 metros no Rio Grande do Norte José dos Santos Figueirêdo Natal/RN 2012

2 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE Características físicas, somatotipo e desempenho de corredores de 100 e 400 metros no Rio Grande do Norte José dos Santos Figueirêdo Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito para a obtenção do título de Mestre em Ciências da Saúde Orientador: Prof. Dr. Eryvaldo Sócrates Tabosa do Egito Co-orientador: Prof. Dr. Paulo Moreira Silva Dantas Natal/RN 2012

3 Figueirêdo, José dos Santos Características físicas, somatotipo e desempenho de corredores de 100 e 400 metros no Rio Grande do Norte. / José dos Santos Figueirêdo. - Natal, ix, 60f. Dissertação (Mestrado) Universidade Federal do Rio Grande do Norte Centro de Ciências da Saúde Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde. Título em inglês: Physical characteristics, somatotype and performance of 100 and 400m runners. 1. Antropometria. 2. Somatotipo. 3. Endomorfia. 4. Mesomorfia. 5. Ectomorfia.

4 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE COORDENADORA DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE Profa. Dra. Ivonete Batista de Araújo NATAL 2012 iii

5 José dos Santos Figueirêdo Características físicas, somatotipo e desempenho de corredores de 100 e 400 metros no Rio Grande do Norte Presidente da Banca Examinadora Prof. Dr. Eryvaldo Sócrates Tabosa do Egito UFRN Banca Examinadora Prof. Dr. Eryvaldo Sócrates Tabosa do Egito UFRN Profa. Dra. Suzet Araújo Tinôco Cabral UFRN Prof. Dr. Gilmário Ricarte Batista UFPE iv

6 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a todos aqueles que dedicaram ou dedicam sua vida ao esporte e em especial a Magnólia, pelo exemplo de dedicação, profissionalismo e coragem demonstrados em muitos anos de atletismo, dentro e fora das pistas. v

7 AGRADECIMENTOS Ao Prof. Dr. Sócrates do Egito, pela orientação, entusiasmo e motivação que me deu para a conclusão deste trabalho. Ao Prof. Dr. Paulo Dantas, pela orientação constante desde o primeiro momento e pela sua amizade. Ao Prof. Dr. José Fernandes Filho, pela oportunidade que me deu no início. À Profa. Dra. Maria Irany Knackfuss, minha primeira orientadora, pela calma e paciência com que sempre me tratou. Ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde que me possibilitou esta oportunidade de crescimento. Ao Prof. Dr. Álvaro, pela ajuda e orientação no tratamento estatístico. À Prof a. Ana Paula, por estar sempre disponível para coletar os dados dos atletas e pela correção e rigor com que sempre se portou. Aos sujeitos do estudo, por permitirem a coleta dos seus dados. A todos aqueles que, um dia, me confiaram a honra e o privilégio de treiná-los. Aos meus pais, Zequinha e Nadir Figueirêdo, pelo exemplo que me deram. À Luíza, por todo o bem que me faz. À Magnólia, pelo apoio incondicional, por estar sempre ao meu lado e pela paciência e compreensão que tem comigo. vi

8 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO OBJETIVOS Objetivo geral Objetivos específicos JUSTIFICATIVA MATERIAIS E MÉTODOS Participantes Medidas antropométricas e somatotipo Medida do desempenho na corrida Análise estatística ANEXAÇÃO DE ARTIGO SUBMETIDO COMENTÁRIOS, CRÍTICAS E SUGESTÕES APÊNDICE ANEXOS REFERÊNCIAS vii

9 RESUMO Objetivo: Investigar as características físicas e examinar a associação entre o somatotipo e o desempenho em corredores de 100 e 400m. Métodos: As características antropométricas e o desempenho atlético de corredores de 100 e 400m foram avaliados e comparados. A amostra foi composta de corredores do sexo masculino (n = 39) de nível regional no Rio Grande do Norte, Brasil. Estatura, massa corporal, dobras cutâneas, circunferência do membro e diâmetros ósseos foram medidos. Em seguida, o somatotipo foi calculado pelo método de Heath-Carter. Corridas de 100 e 400 m foram realizadas para avaliar o desempenho atlético. Para a análise entre os grupos de corredores (100m x 400m) foi utilizado o teste t de Student para amostras independentes. Foram calculadas estatísticas descritivas para a amostra total, bem como para os grupos de 100 e 400m e estabelecidos quatro subgrupos, nomeados quartis. Na comparação dos subgrupos oriundos da distribuição quartil foi aplicada a análise de variância de um critério (ANOVA), seguida do pós-teste de Tukey. Para analisar a relação entre os tempos de corrida e as variáveis antropométricas, foi utilizado o teste de correlação de Pearson. A comparação entre os quartis foi feita utilizando-se a distância de dispersão entre os somatotipos (DDS) e a distância espacial entre os somatotipos (DES) para a análise das dispersões bidimensionais e tridimensionais dos somatotipos 24. Como critério para determinação da existência de diferenças entre os grupos observou-se para a DDS valores 2 e para a DES Em toda a análise foi considerado um p valor padrão de 0,05 e intervalo de confiança de 95%. Resultados: Atletas de 100 e 400m apresentaram somatotipo com dominância de mesomorfia e ectomorfia. A endomorfia foi baixa em ambos os grupos, especialmente em corredores de 400m que apresentaram tipo físico mais alongado do que os corredores de 100m. Quando comparados separadamente por quartis de desempenho, corredores de 100m de melhor qualificação (G100-G1) tinham somatotipo com dominância de mesomorfia, enquanto os corredores de 400m de melhor qualificação (G400-G1) tinham somatotipo com ectomorfia dominante. Foi observada uma correlação significativa (r = -0,55, p = 0,008) entre a circunferência de perna e os tempos na corrida de 100m o que mostra a importância da muscularidade, enquanto que uma correlação significativa (r = -0,53, p = 0,02) foi encontrada entre a estatura e os tempos na corrida de 400m mostrando a importância da linearidade. Conclusão: Corredores de 100 e 400m apresentam algumas diferenças nas características físicas, dependendo do nível de desempenho atlético. Avaliações antropométricas periódicas podem ajudar no processo de treinamento destes atletas. No entanto, parâmetros de avaliação mais específicos devem ser levados em conta, pois o somatotipo, por si só, não tem poder para predizer se um indivíduo terá sucesso em corridas de velocidade. Palavras-chave: antropometria, somatotipo, endomorfia, ectomorfia, mesomorfo. viii

10 ABSTRACT Objective: The aim of the study was to investigate physical characteristics and to examine association between somatotype and performance in collegiate runners of 100 m and 400 m. Methods: The sample, male runners (n=39) competing at the regional level in the state of Rio Grande do Norte, Brazil, had height, body mass, skinfolds, limb circumference and skeletal breadths measured. Then, the somatotype was calculated by Health-Carter method. Races (100 m and 400 m) were held to assess athletic performance. Descriptive statistics were calculated for the total sample, as well as for the 100 m and 400 m groups, and established four subgroups, named quartiles. For analysis between groups of runners (100 m x 400 m) was used Student's t test for independent samples. To examine the relationship between the race times and anthropometric variables, was used the Pearson correlation test. The somatotype dispersion distance and somatotype spatial distance were calculated among subgroups. One-way analysis of variance, the Wilcoxon test followed of Tukey post test, and correlation analysis were used with a significance level of p<0.05. Results: Somatotype with mesomorphy and ectomorphy dominance was exhibited by 100 m and 400 m athletes. Endomorphy was low in both groups, especially in 400m runners, who had more elongated body types than 100 m runners. When separately compared by athletic performance quartile, 100 m sprinters of better qualifications (G100-G1) had somatotype with dominant mesomorphy, whereas 400 m runners had somatotype with dominant ectomorphy. A significant correlation (r = -0.55, p=0.008) between calf circumference and 100 m race times was observed showing the importance of muscularity, whereas a significant correlation was found between height and 400 m race times (r = -0.53, p=0.02) showing the importance of linearity. Conclusion: Runners of 100 and 400 may show differences in physical characteristics, depending on the level of athletic performance. Anthropometric periodic evaluations may help in the training process of these athletes. However, more specific assessment parameters should be taken into account, because somatotype by itself has not power to predict whether an individual will succeed in racing speed. Keywords: anthropometry, somatotype, endomorphic, mesomorphic, ectomorphic. ix

11 1 1. INTRODUÇÃO As corridas no atletismo são eventos populares e muito prestigiados no Brasil em virtude das medalhas conquistadas por atletas brasileiros nas Olimpíadas de Los Angeles em 1984, Seul em 1988, Atlanta em 1996, Sydney em 2000 e Atenas em No atletismo são disputadas desde corridas muito curtas que duram poucos segundos como as provas de 100 a 400m, assim como provas longas como a maratona que demora horas para ser concluída. Os atletas corredores podem ser fisicamente muito diferentes uns dos outros dependendo da distância em que competem, não sendo difícil distinguir um velocista de um corredor de longa distância 2-4. No entanto, entre os corredores de velocidade, o que diferencia os corredores de 100m dos de 400m? E entre os corredores de cada uma das distâncias, o que diferencia os melhores dos demais? Dentre os vários fatores que envolvem esta questão, as características antropométricas têm grande relevância, pois nos esportes, aqueles que têm um tipo físico adequado podem levar uma grande vantagem no desempenho em comparação com aqueles de características desfavoráveis 2,5-9. O somatotipo classifica os sujeitos de acordo com as suas características corporais, permitindo observar aquelas que têm maior influência para o sucesso no esporte 10. O tipo físico, proporcionalidade corporal, massa corporal, estatura, gordura corporal são fatores a considerar em atletas corredores, pois podem favorecer o desenvolvimento das

12 2 qualidades físicas velocidade, força e resistência, e conseqüentemente, influenciar o desempenho 2-4, As provas de distância curta no atletismo, competições realizadas nas distâncias de 100 a 400m são disputadas em grande velocidade e normalmente são vencidas por sujeitos fortes, potentes e com características anaeróbicas A técnica de corrida e a preparação física e psíquica são determinantes para o sucesso 16. A utilização de metodologias de treinamento que favoreçam a identificação, seleção e desenvolvimento de atletas com talento para o alto rendimento esportivo necessitam de instrumentos de avaliação permanente que apontem os caminhos de intervenções seguras Vários estudos tentam relacionar características genéticas, antropométricas e somatotipo com variáveis de desempenho na busca de um perfil de rendimento que possa servir de modelo e orientar os trabalhos de avaliação e seleção no esporte de competição 6, Infelizmente não há estudos sobre o assunto com velocistas brasileiros e este trabalho visa contribuir para que os treinadores de corredores possam dispor de dados científicos na avaliação, seleção e orientação correta dos seus atletas. A análise do somatotipo e de suas variáveis pode contribuir na orientação do treinamento de corredores velocistas do atletismo 2. Sendo o somatotipo uma metodologia de avaliação que observa a variação dos tipos físicos tanto de maneira qualitativa quanto quantitativa, optou-se no presente estudo pelo uso desta técnica

13 3 para comparar a especificidade do tipo físico frente ao desempenho em competições de 100 e 400m no atletismo 24. Este estudo teve por objetivo investigar as características físicas e examinar a associação entre o somatotipo e o desempenho em corredores de 100 e 400m.

14 4 2. OBJETIVOS 2.1. Objetivo geral Investigar as características físicas de corredores de 100 e 400m do sexo masculino que competem a nível regional no Rio Grande do Norte Objetivos específicos a) Avaliar as características físicas de corredores de 100 e 400m do sexo masculino. b) Comparar as características físicas e somatotipo de corredores de 100m separados por níveis de desempenho. c) Comparar as características físicas e somatotipo de corredores de 400m separados por níveis de desempenho.

15 5 3. JUSTIFICATIVA Corredores de 100m e 400m no atletismo fazem parte do mesmo grupo de provas, o grupo dos velocistas. Competem em provas curtas, explosivas, anaeróbicas e que têm a duração de 10 a 50 segundos. Muitas vezes corredores de 100m e 400m rasos têm desempenho esportivo parecidos, treinam com o mesmo treinador, no mesmo local, no mesmo horário e, em alguns dias, praticando quase os mesmos tipos de exercícios. Por causa de características genéticas e das adaptações provocadas pelo treinamento, eles podem apresentar diferenças nas características físicas quase imperceptíveis. O treinador pode ter dúvidas se um sujeito é mais talentoso para competir em uma ou outra especialidade. Os dados obtidos em testes físicos e resultados de competições dão indicações de qual das duas corridas seria a melhor escolha. Ocorre que as informações de que o treinador dispõe muitas vezes não são suficientes, pois não respondem a muitas questões e carecem de especificidade. Uma escolha equivocada pode levar a insucessos, frustrações, lesões e abandonos da prática esportiva. A comparação dos atletas de um mesmo grupo de corridas com base nas características físicas, no somatotipo e no desempenho específico da corrida pode fornecer informações objetivas e precisas sobre o estado atual dos atletas, além de identificar quais são as diferenças que existem entre os corredores de 100 e 400m. Esta mesma técnica também pode identificar entre os corredores de cada uma das distâncias, o que diferencia os melhores dos demais. É uma técnica de avaliação

16 6 simples, rápida, de baixo custo, não invasiva e que pode ser repetida com muita freqüência ao longo do ano. 4. MATERIAIS E MÉTODOS 4.1. Participantes A amostra foi composta de 39 corredores de 100m rasos (n = 21) e 400m rasos (n = 18) do atletismo com idade de 18,0 29,8 anos que competem em nível regional no Rio Grande do Norte - Brasil. Os sujeitos desse estudo eram estudantes universitários em sua maioria, todos do sexo masculino e treinavam cerca de duas horas por dia, cinco dias por semana. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, sob o protocolo n o CEP-UFRN: 149/06. Todos os sujeitos participaram como voluntários e assinaram um documento de consentimento. Os atletas dos 100 metros rasos (G100m) tinham idade de 21,2 ± 3,4 anos, massa corporal de 67,2 ± 6,2kg e estatura de 173,5 ± 6,7cm. Os atletas dos 400 metros rasos (G400m) tinham idade de 21,4 ± 3,5 anos, massa corporal de 65,5 ± 5,2kg e estatura de 174,0 ± 6,7cm Medidas antropométricas e somatotipo As medidas antropométricas foram tomadas pela manhã e nesta ordem: estatura corporal, massa corporal, dobras cutâneas (tríceps, subescapular, supraespinhal e perna medial), circunferências de membros (braço e perna) diâmetros ósseos (bi-epicôndilo umeral e bi-epicôndilo femural) de acordo com

17 7 protocolos aceitos 10, 25. As medidas unilaterais foram tomadas do lado direito do corpo. Os participantes usavam roupas leves e estavam descalços. As circunferências de membros e as dobras cutâneas foram tomadas três vezes. A estatura foi determinada por intermédio de um estadiômetro (Balmak, Bk50F, Brasil), cuja precisão era de 0,5cm. Para determinar o peso corporal foi utilizada uma balança (Balmak, Bk50F, Brasil) devidamente calibrada e aferida, cuja precisão era de 50 gramas e a escala variava de 0 a 150 Kg. Para a avaliação das dobras cutâneas foi empregado um compasso de dobras cutâneas (Lange skinfold caliper, Brasil), as circunferências de membros foram tomadas por uma fita métrica de metal flexível (Sanny, TR4011, Brasil), com 2m de comprimento e precisão de 0,1cm e os diâmetros ósseos foram medidos com um paquímetro (Sanny, PQ5012, Brasil). Todos os instrumentos foram previamente aferidos antes da coleta dos dados. Para minimizar a possibilidade de erro na obtenção dos dados, o mesmo avaliador fez a coleta em todos os sujeitos do estudo. O somatotipo é uma técnica de classificação corporal que indica o tipo físico do sujeito. Sheldon dividiu a estrutura física do ser humano em três condições diferenciadas: a endomorfia se refere à gordura relativa do indivíduo, a mesomorfia se refere ao desenvolvimento musculo-esquelético com relação à estatura e a ectomorfia se refere à linearidade do tipo físico do sujeito. O somatotipo foi estimado usando-se o protocolo de Heath & Carter,

18 Medida do desempenho na corrida Os corredores do grupo dos 100 metros rasos (G100m) realizaram uma corrida nesta distância em esforço máximo numa pista de atletismo de piso sintético após o disparo de uma pistola e usaram bloco de partida, como se faz numa competição oficial. Os corredores do grupo dos 400 metros rasos (G400m) realizaram uma corrida de 400m em condições idênticas. Durante o teste de corrida os atletas de ambas as distâncias usaram shorts e camiseta de malha, roupa que normalmente utilizam em competições e calçavam sapatos de pregos. Os resultados foram coletados durante o mês de junho, onde se utilizou cronometragem eletrônica totalmente automática (Finishlynx, Grand Prix Elite, Boston) Análise estatística No sentido de aumentar a potência dos resultados e garantir a confiabilidade dos mesmos, aplicou-se o teste Não-Paramétrico de Normalidade, Shapiro-Wilk, para verificar se os valores médios das respectivas variáveis apresentavam comportamento ajustado a uma Curva Normal. Para as variáveis paramétricas utilizou-se média e desvio padrão. Para a análise entre os grupos de corredores (100m x 400m) foi utilizado o teste t de Student para amostras independentes. Para analisar a relação entre os tempos de corrida e as variáveis antropométricas, foi utilizado o teste de correlação de Pearson. Ainda como estatísticas discricionárias foram feitas subdivisões baseadas em quartis de desempenho pelos tempos da corrida de 100 e 400m, onde os resultados de melhor qualificação foram os de 0-25% (1º Grupo), de 25-50% (2º

19 9 Grupo), de 50-75% (3º Grupo), e de % (4º Grupo), para verificar se haviam diferenças nas características físicas e no somatotipo entre os grupos de melhor e pior qualificação. Na comparação dos subgrupos oriundos da distribuição quartil foi aplicada a análise de variância de um critério (ANOVA), seguida do pós-teste de Tukey para determinar onde se encontrava a diferença detectada previamente. Como inferência que compõe o teste de hipóteses, a comparação entre as seleções foi feita utilizando-se a distância de dispersão entre os somatotipos (DDS) e a distância espacial entre os somatotipos (DES) para a análise das dispersões bidimensionais e tridimensionais dos somatotipos 24. Como critério para determinação da existência de diferenças entre os grupos observou-se para a DDS valores 2 e para a DES Em toda a análise foi considerado um p valor padrão de 0,05 e intervalo de confiança de 95%.

20 10 5. ANEXAÇÃO DE ARTIGO SUBMETIDO 5.1. INFLUENCE OF BOTH SOMATOTYPE AND ASSOCIATED FACTORS ON THE PERFORMANCE OF 100 AND 400 METER RUNNERS. Running Title: Somatotype and associated factors for runners. Keywords: anthropometry, somatotype, endomorphic, mesomorphic, ectomorphic

21 11 Abstract AIM: The aim of the study was to investigate physical characteristics and to examine association between somatotype and performance in collegiate runners of 100 m and 400 m. METHODS: Thirty-nine collegiate male runners (21.3±3.4 y, 66.4±5.8 kg, 173.7±6.6 cm) were studied. Anthropometric measurements (height, body mass, skinfolds, limb circumferences, and skeletal breadths) were obtained from all subjects and the Heath- Carter somatotype was calculated. Races (100 m and 400 m) were held to assess athletic performance. The anthropometric characteristics and performance of 100 m and 400 m runners were examined and compared. Descriptive statistics were calculated for the total sample, as well as for both groups, and four subgroups, named quartiles, were established. RESULTS: Mesomorphic and ectomorphic somatotype dominance was exhibited by 100 m and 400 m athletes, respectively. Endomorphy was low in both groups, especially in 400 m runners, who had more elongated body types than 100 m runners. All skinfold measurements were lower in 400 m group than 100 m group (p<0.05). Height, body mass, limb circumferences, and skeletal breadths did not show significant difference (p<0.05). When separately compared by athletic performance quartile, the fastest 100 m sprinters had dominant mesomorphy ( ), whereas the fastest 400 m runners had dominant ectomorphy ( ). A significant moderate correlation (r=-0.55, p=0.008) between calf circumference and 100 m race times was observed, whereas a significant moderate correlation was found between height and 400 m race times (r = -0.53, p = 0.02). CONCLUSION: The 100 m and 400 m runners differ to some extent in physical characteristics and somatotype depending on the athletic performance level. The 100 m and 400 m runners exhibit a somatotype with dominant mesomorphy and ectomorphy. Periodic evaluations of these parameters may help to coaches in the process of selection and orientation of the training of athletes for these two events, but other specific parameters should be taken into account because the somatotype, by itself, has no power to predict whether an individual will succeed in running speed. Keywords: anthropometry, somatotype, endomorphic, mesomorphic, ectomorphic

22 12 Introduction The physical characteristics of athletes depend on both genetic inheritance and adaptations resulting from training and competitions (Kerr et al., 2007; Malina, 1995). In some sports, factors such as height, body weight, and body fat and its distribution can be very relevant for achieving high performance levels (Baker & Newton, 2008; Bayios, Bergeles, Apostolidis, Noutsos & Koskolou, 2006; Fritzschel & Raschka, 2007; Malousaris et al., 2008; Slater et al., 2005). Somatotype is a powerful tool for determining the ideal physical type for a particular sport. Variations in somatotype and distribution of its components reflect the demands imposed by each sport (Berg, 2003; Chaouachi et al., 2009; Khosla & McBroom, 1985; Legaz & Eston, 2005). Sport performance depends on physiological aspects, but large somatotype variations can be found depending on the role the athlete plays on the team (Carter, Ackland, Kerr & Stapff, 2005; Gil, Gil, Ruiz, Irazusta & Irazusta, 2007; Gualdi-Russo & Zaccagni, 2001; Keogh, Hume, Pearson & Mellow, 2007; O'Connor, Olds & Maughan, 2007). Somatotype can also vary according to sex, age, length of time engaged in the sport, and performance level (Battista, Pivarnik, Dummer, Sauer & Malina, 2007; Campos et al., 2010; di Cagno, Baldari, Battaglia, Guidetti & Piazza, 2008; Legaz & Eston, 2005; Monsma & Malina, 2005; Sands et al., 2005; Stefani, 2006), as well as with the natural evolution of the sport over the years (Norton & Olds, 2001; Olds, 2001). The 100 m and 400 m sprinters need considerable power to generate initial acceleration and a very high racing speed. For this reason, in addition to race-specific exercises, their weekly training routines include several hours of strength and power training, producing a more muscular physique (Dintiman & Ward, 2003; Hart, 1993). In these races most subjects exhibit a mesomorphic somatotype characterized by a strong powerful body, well developed muscles, intermediate to high stature, and low body fat percentage (Dintiman & Ward, 2003; Hart, 1993; Wilmore, Costill & Kenney, 2007). However, a very heavy body may not be recommended for 400 m runners. These individuals lose considerable velocity in the final part of the race due to the reduced mechanical efficiency caused by the effects of fatigue (Ferro et al., 2001; Hobara et al., 2010; Krakowiak, Cabric, Sokolowska & Lewandowski, 2008). In 10 km races, on the other hand, performance depends on endurance. In these races most participants show an ectomorphic somatotype characterized by lean bodies, underdeveloped muscles, short to intermediate stature, and low body fat percentage (Khosla & McBroom, 1985). In track and field, somatotype differences between 100 m and 400 m sprinters and 10 km runners are obvious,

23 13 but this is not the case between the two sprint categories, where physical trait differences may be nearly imperceptible (Carter, 1982; De Garay, Levine, Carter, 1974). It is common for 100 m and 400 m dash runners to exhibit similar performance, to have the same coach and the same training site, to train for the same amount of time, and, sometimes, to perform almost the same exercise programs. The coach may have doubts whether an individual is more predisposed to compete in one category or another, primarily if they are young. Therefore, one day he/she will have to decide which of these the athlete should focus on (Pelin, Kurkcuoglu, Ozener & Yazici, 2009). Available data from the coach s expertise is often insufficient, since it does not answer a number of questions (Berg, 2003). A mistaken choice may result in training not producing the expected outcome, in addition to causing frustration and injuries, thus prompting athletes to abandon the sport. Data obtained from physical tests and competitions indicate which of the two race distances would be the better choice. Also, analysis of the anthropometric characteristics and somatotype may contribute to guide sprinter training (Kukolj, Ropret, Ugarkovic & Jaric, 1999). The aim of this study was to investigate anthropometric characteristics and somatotypes between 100 and 400 m sprinters. The idea was to determine whether 100 m sprinters have anthropometric characteristics and somatotype that are different from that of their 400 m counterparts and that the proper body shape may contribute to success in track and field sprinting events.

24 14 Methodology Participants The sample consisted of 39 runners, 100 m dash sprinters (n = 21, G100) and 400 m runners (n = 18, G400), aged between 18.0 and 29.1 years, competing at the local level in the state of Rio Grande do Norte, Brazil. Both G100 and G400 groups were split into four subgroups, quartiles (G1, G2, G3, and G4) according to their performance in their specific races. G1 was attributed for the best performing athletes and G4 for the worst ones. Participants were mostly college students who trained around two hours a day, five days a week. The study was approved by the Research Ethics Committee of the Federal University of Rio Grande do Norte under the protocol number CEP-UFRN 149/06, and all volunteer participants gave written informed consent. The 100 m athletes, (G100) aged 21.2 ± 3.4 years, body mass of 67.2 ± 6.2kg and height of ± 6.7cm. The 400 m runners (G400) aged 21.4 ± 3.5 years, body mass of 65.5 ± 5.2kg, and height of ± 6.7cm. Measures Anthropometric characteristics were measured in the morning in the following order: height, body mass, skinfolds, limb circumference, and skeletal breadths in accordance with accepted protocols (Lohman, Roche & Martorell, 1988; Malina, 1995). Unilateral measures were taken on the right side of the body. Participants wore light clothes and were barefoot. Limb circumference was measured twice and skinfolds three times (Lohman, Roche & Martorell, 1988; Malina, 1995). Somatotype was estimated using the Heath-Carter protocol (Carter & Heath, 1990). Body mass was determined with a calibrated scale (Balmak, Bk50F, Natal, Brazil), accurate to 50 grams and ranging from 0 to 150 kg. Height was measured by a stadiometer (Balmak, Bk50F, Natal, Brazil), accurate to 0.5cm. Limb circumferences were measured with a 2 m flexible metal measuring tape (Sanny, TR4011, Natal, Brazil), accurate to 0.1cm. A skinfold caliper (Beta Technology, Ann Arbor, MI) was used to evaluate skinfold thickness, and skeletal breadths were measured with a pachymeter (Sanny, PQ5012, Natal, Brazil). Every single instrument was calibrated before data collection. To minimize errors, all study data were collected by the same observer. The relative Technical Error of Measurement (rtem) intraobserver varied from 0.7 to 4.6.

25 15 The G100 group ran the 100 m distance at maximum effort on a synthetic track, with the use of a starting gun and starting block like a normal race. The G400 group ran 400 m under identical conditions. During the race, both groups wore jersey shorts and t-shirts, clothing normally worn in competitions, and spike shoes. Results were collected in June, using an automatic electronic stopwatch (Finishlynx, Grand Prix Elite, Boston). Statistical analysis, applying descriptive statistics, met the basic proposal of this study to develop the analysis of sample subgroups (from G1 to G4) in order to determine the profile of each one, observing descriptive concepts structured in measures of central tendency and their derivatives. The Shapiro-Wilks non-parametric test of normality was applied to ensure result reliability and determine if mean values for the respective variables showed behavior fitting a normal Gaussian curve. Sample size, mean, and standard deviation were used for parametric variables. Discretionary statistics included subdivisions based on the performance quartiles of 100m and 400m race times, where the best results were those of 0-25% (Group 1-G1), 25-50% (Group 2-G2), 50-75% (Group 3-G3), and % (Group 4-G4) to establish whether there were differences between the groups regarding best and worst results. Analysis of variance (ANOVA) followed by Tukey post-test was applied to compare the subgroups from the quartile distribution. To examine the relationship between race times and anthropometric variables, the Pearson correlation test was applied. Inter-group comparisons were made using somatotype attitudinal mean (SAM) which is based on a three-dimensional viewpoint involving the values of the components. The higher the SAM, the greater the differences between the compared somatotype groups. SAM values 1 were used as criteria to determine the existence of inter-group differences (Carter, 1997).

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