LIVRO DE RESUMOS. 27 de Fevereiro a 1º de Março de 2013 Campus Darcy Ribeiro Universidade de Brasília

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1 LIVRO DE RESUMOS 27 de Fevereiro a 1º de Março de 2013 Campus Darcy Ribeiro Universidade de Brasília

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3 IV Congresso Latino-Americano de Formação de Professores de Línguas (CLAFPL) Universidade de Brasília 27 de Fevereiro a 1º de Março de 2013 Livro de Resumos 3

4 Realização Instituto de Letras da Universidade de Brasília Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada Programa de Pós-Graduação em Linguística Reitor Prof. Dr. Ivan Marques Toledo Camargo Vice-reitora Profa. Dra. Sonia Báo Decanato de Administração Prof. Dr. Luís Afonso Bermúdez Decanato de Assuntos Comunitários Prof a. Dr a. Denise Bomtempo Decanato de Ensino de Graduação Prof. Dr. Mauro Luiz Rabelo Decanato de Extensão Prof a. Dr a. Thérèse Hofmann Gatti Rodrigues da Costa Decanatod e Pesquisa e Pós-Graduação Prof. Dr. Jaime Martins de Santana Decanato de Gestão de Pessoas Prof a. Dr a. Gardênia da Silva Abbád Decanato de Planejamento e Orçamento Prof. Dr. Carlos Alberto Müller Lima Torres Diretora do Instituto de Letras Prof a. Dr a. Maria Luísa Ortiz Vice- diretor do Instituto de Letras Prof. Dr. Enrique Huelva Unternbäumen Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada Prof a. Dr a. Maria da Glória Magalhães dos Reis Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Linguística Prof. Dr. Dioney Moreira Gomes 4

5 ORGANIZAÇÃO Comissão Científica Latino-Americana Amparo Clavijo Olarte (Colombia) Ana Longhini (Argentina) Anne-Marie Mejia (Colombia) Aparecida De Jesus Ferreira Carla Lynn Reichmann Deise Prina Dutra Fernanda Liberali Glória Gil Inês Kayon De Miller Maria Antonieta Alba Celani Maria Cecilia Camargo Magalhaes Maria Helena Vieira Abrahão Melba Cardenas (Colombia) Miguel Farias (Chile) Nora Basurto ( México) Paula Tatianne Carréra Szundy Rebeca Tapia (México) Rosinda De Castro Guerra Ramos Solange Teresinha Ricardo De Castro Tania Regina De Souza Romero Telma Nunes Gimenez Comissão Organizadora Nacional Maria Cristina Faria Dalacorte (Presidenta) Ana Maria Ferreira Barcelos Carla Lynn Reichmann Glória Gil Inês Kayon de Miller Kleber Aparecido da Silva Maria Antonieta Alba Celani Maria Helena Vieira Abrahão Tania Regina de Souza Romero Comissão Organizadora Local Kleber Aparecido da Silva (Presidente) 5

6 Ana Adelina Lôpo Ramos Cesário Alvim Pereira Filho Cibele Brandão de Oliveira Dioney Moreira Gomes Karina Mendes Nunes Viana Mara Lúcia Mourão Silva Márcia Pereira de Almeida Mendes Maria del Carmen de la Torre Aranda Maria Luisa Ortiz Alvarez Mariana R. Mastrella-de-Andrade Michelle Machado de Oliveira Vilarino Ormezinda Maria Ribeiro Rachel do Valle Dettoni Roberta Gomes Ferreira Ulisdete Rodrigues de Souza Rodrigues Vanessa Borges de Almeida Comissão do Caderno de Resumos Márcia Pereira de Almeida Mendes Mariana R. Mastrella-de-Andrade Sabrina Lima de Souza Cerqueira Vanessa Borges de Almeida Secretaria Monitores Arte e Diagramação Sabrina Lima de Souza Cerqueira Vanessa Borges de Almeida Fotografia de: René Gottlieb Strehler Editoração Sabrina Lima de Souza Cerqueira Vanessa Borges de Almeida Com a colaboração de: Mara Lúcia Mourão Silva Márcia Pereira de Almeida Mendes Isadora da Silva Bernardes 6

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8 REALIZAÇÃO E APOIO 8

9 ÍNDICE GERAL Prefácio Apresentação Programação Conferências Plenárias Conferência de Abertura Painel Latino-Americano Conferência de Encerramento Pôsteres Comunicações Individuais Sessões Coordenadas Simpósios Índice remissivo por nome do autor

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11 PREFÁCIO Estimados/as Colegas, É uma grande alegria dar as boas vindas a todas e todos ao IV Congresso Latino-Americano de Formação de Professores de Línguas, em nome do Grupo de Trabalho Formação de Educadores na Linguística Aplicada, vinculado à Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL). Em sua quarta edição, este encontro bienal já se constituiu como um importante evento no calendário de professores-pesquisadores no cone sul das Américas, atraindo, desde sua primeira edição em 2006, centenas de nós para um profícuo diálogo informado. Sublinhando a relevância do constante intercâmbio de saberes, o CLAFPL exprime da maneira abrangente o propósito do GT que o organiza, que é proporcionar oportunidade real de interação colaborativa para e com pessoas engajadas que incessantemente questionam, problematizam, refletem e apresentam inovações nesta antiga e sempre instigante área profissional e científica. Especialmente neste evento temos um importante feito a celebrar: passamos de sub-gt à condição de GT, um reconhecimento da ANPOLL às realizações e produções acadêmico-profissionais dos integrantes do Grupo. A conquista espelha nossa disposição e empenho para nos comprometermos com maiores desafios. Celebrando, portanto, nosso novo status, lançamos uma proposta que envolve parcerias interinstitucionais e focaliza diferentes abordagens do uso da língua em contextos de formação inicial e continuada. Propomo-nos, portanto, a fortalecer redes colaborativas de pesquisadores em LA, incentivando estudos situados em práticas de formação, letramento e identidade profissional docente, discutindo temas relativos à responsabilidade social, ética e cidadania. Em consonância ao tema do evento - Fortalecendo Redes Colaborativas de Pesquisas em Linguística Aplicada e Formação de Professores de Línguas -, ao mesmo tempo em que os recebemos para o IV CLAFPL, convidamos vocês também a se envolverem ainda mais nessa rede colaborativa de investigação desde já, aproveitando este Congresso para estabelecer mais contatos dentro do Brasil e com nossos ilustres vizinhos latino-americanos, (in)formando-se, discutindo, compartilhando, identificando oportunidades para a realização de projetos conjuntos, difundindo saberes do ser e constituir-se professorde línguas. 11

12 Nossos agradecimentos a todas e todos os participantes das Comissões Local e Nacional que, apesar das conhecidas dificuldades conjunturais, conseguiram realizar este fundamental foro de discussão. E nosso especial agradecimento a todas e todos os Congressistas, que trazem seus trabalhos, seus questionamentos, suas sugestões, suas curiosidades e sobretudo seu interesse para alimentar nosso desenvolvimento comum. Ótimo CLAFPL, férteis interações, entusiasmantes reflexões! Tania Romero Coordenadora do GT em exercício ( ) 12

13 APRESENTAÇÃO Os resumos dos trabalhos apresentados no IV Congresso Latino-Americano de Formação de Professores de Línguas (CLAFPL), promovido bienalmente pelo Grupo de Trabalho Formação de Educadores na Linguística Aplicada, vinculado à Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL), encontram-se reunidos neste caderno. O evento, sediado no Departamento de Linguística, Português e Letras Clássicas (LIP) / Programa de Pós- Graduação em Linguística (PPGL) e em Linguística Aplicada (PPGLA) da Universidade de Brasília (UnB) acontece no período de 27 de fevereiro a 01 de março de O CLAFPL tem como públicoalvo principalmente a comunidade acadêmica latino-americana, e agrega pesquisadores docentes e discentes ligados a Programas de Pós-Graduação em Linguística Aplicada (LA) e áreas afins, e profissionais ligados à formação de professores e ao ensino e aprendizagem de línguas também de outras partes do mundo. O CLAFPL vem de encontro das demandas da área de formação de professores na LA e de áreas afins promovendo a discussão acadêmica dos desafios e problemas enfrentados pelos pesquisadores e docentes envolvidos com formação de professores de línguas, estruturando-se, desta forma, em decorrência das necessidades do GT Formação de Educadores na Linguística Aplicada vinculado à ANPOLL. O evento oferece espaço para o debate e a discussão de temas relevantes que visam aprimorar o sistema educacional envolvendo investigadores latino-americanos e pesquisadores de outras partes do mundo. O evento é constituído por conferências, mesas-redondas, simpósios, sessões de comunicações coordenadas, comunicações individuais e sessões interativas de pôsteres, que contam com nomes representativos da área de formação de professores do Brasil e do exterior. As propostas de trabalho recebidas foram selecionadas pela Comissão Científica do IV CLAFPL, tendo sido escolhidos prioritariamente temas de relevância para a Linguística Aplicada. Os resumos dos trabalhos apresentados neste livro retratam as tendências, preocupações e reflexões dos pesquisadores e professores que atuam na área de formação de professores de línguas e convergem para a busca da compreensão do processo de formação do docente de línguas e de modos para aprimorá-lo. Dentre as temáticas discutidas, encontram-se a construção de identidades, as políticas linguísticas, as novas tecnologias de informação e comunicação e a educação à distância, ou as parcerias universidade-escolas, dentre outras, são aqui discutidas. Todos estes trabalhos refletem a seriedade e o interesse dos pesquisadores envolvidos em 13

14 aprofundar as discussões de temas relevantes e intrigantes da área de formação de professores de línguas com vistas a uma maior compreensão e desenvolvimento das pesquisas na área. Maria Cristina Faria Dalacorte Ferreira Presidenta da Comissão Nacional do IV CLAFPL Kleber Aparecido da Silva Presidente da Comissão Organizadora Local do IV CLAFPL 14

15 PROGRAMAÇÃO GERAL Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira :00 9:00 9:00 10:00 8h 9h Credenciamento 9h 10:30 Abertura oficial e conferência de abertura Mesa-redonda 1 Mesa-redonda 3 10:00 10:30 10:30 11:00 Intervalo para café Intervalo para café Intervalo para café 10:30 12:30 11:00-12:30 Simpósios 10:30-12:30 Simpósios 10:30-12:30 Comunicações coordenadas e individuais 12:30 14:00 Intervalo para almoço Intervalo para almoço Intervalo para almoço 14:00 16:00 Comunicações coordenadas e individuais Comunicações coordenadas e individuais Comunicações coordenadas e individuais 16:00 16:30 Intervalo para café Intervalo para café Intervalo para café 16:30 18:00 Painel Latino- Americano Mesa-redonda 2 16:30-18:30 18:00 19:00 19h00 às 20:00 Lançamento de Livros e Coquetel Sessão Interativa de pôsteres Comunicações coordenadas e Individuais 19:00 Apresentação artístico-cultural Conferência de Encerramento Hilário Bohn (UCPEL) 15

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17 CONFERÊNCIAS PLENÁRIAS CONFERÊNCIA DE ABERTURA Have we been displaced? Or have we given up? The weakened role of teachers and teacher educators in the design and implementation of English language education policies Adriana Maria Gonzalez Moncada (Universidad de Antioquia) The growth of English language teaching and learning has become an international phenomenon. It is has been an important component of national agendas that seek competitiveness and productivity in the labor market. This expansion is usually materialized in language education policies that shape classroom practices, assessment models, teacher education and teachers professional development programs. A close look at the implementation of language education policies for English in Latin America, reveals an increasing number of initiatives where the private sector has taken control of teaching English and providing professional development alternatives for EFL teachers. In this presentation, I will analyze critically how teachers and teacher educator have experienced a serious loss of opportunities to participate and make decisions about these policies. I will explore our situation as a consequence of being displaced by powerful non academic organizations or as our own inability to negotiate our participation and take a more active role in education. Some examples of educational initiatives will be discussed. As a conclusion, I propose that teachers and teacher educators take a more critical stand and become involved directly, as we are informed citizens and critical intellectuals, in the design and implementation of language education policies. PAINEL LATINO-AMERICANO O papel das pesquisas sobre formação de professores de línguas: perspectivas latino-americanas Allen Quesada (Universidad de Costa Rica, Costa Rica) Beatriz Gabiani (Universidad de la República/Uruguai) Deise Prina Dutra (Universidade Federal de Minas Gerais / Brasil) Mediadora: Gloria Gil (Universidade Federal de Santa Catarina -UFSC/Brasil) Dentre os objetivos mais importantes do Congresso Latinoamericano de Formação de Professores de Línguas CLAFPL- desde sua primeira edição, podemos destacar os seguintes: 1) incentivar o estudo e a pesquisa, promovendo o debate na área de formação de professores de línguas entre pesquisadores docentes e discentes e professores das universidades latino-americanas; e 2) propiciar a divulgação de conhecimentos para a melhoria da área de formação de professores no Brasil e nos demais países da América Latina. Com base nesses objetivos, convidamos os representantes de quatro países latino-americanos (Brasil, Costa Rica, México e Uruguai) para relatar e problematizar sobre qual o papel das pesquisas sobre formação de professores de línguas nos seus países. Seguindo o formato do primeiro painel, realizado em 2006, as seguintes perguntas nortearão os relatórios críticos dos pesquisadores convidados: - Quais instituições se dedicam a pesquisar a formação de professores de línguas?que tipos de pesquisas são realizadas (quantitativas/qualitativas)?quais os assuntos mais pesquisados - Como essas pesquisas são divulgadas e ou veiculadas? - Qual o impacto das pesquisas nas políticas públicas? - Existe apoio governamental para realização de pesquisas? - Existem pesquisas sendo realizadas por professores das escolas regulares? - Como tem sido as relações entre pesquisas, universidades/centros de pesquisa e as escolas regulares? - Existem redes de pesquisadores? Se sim, como elas são, se não, porque não acontece? 17

18 - Existe algum projeto de pesquisa(s) em rede? Se sim, pode descrever? - O que seria importante realizar para a construção de uma rede latino-americana de pesquisa sobre formação de professores de línguas? MESA REDONDA 1: POLÍTICAS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE LÍNGUAS Dermeval da Hora (UFPB) Gretel Eres Fernández (USP) Pedro M. Garcez (UFRGS) Mediadora: Telma Gimenez (UEL) Formação continuada para professores de língua portuguesa em João Pessoa: uma experiência que deu certo Dermeval da Hora (UFPB/CNPq) Por mais de cinco anos, a Secretaria de Educação e Cultura do Município de João Pessoa tem investido na formação continuada dos professores de Língua Portuguesa da Educação Básica do primeiro ao nono ano. Utilizando seus recursos financeiros, a Secretaria tem investido na concessão de bolsas para 200 alunos do Curso de Letras da UFPB, promovendo o acompanhamento do trabalho dos docentes pelos discentes. Inúmeras tarefas têm sido desenvolvidas, e o resultado tem-se mostrado bastante frutífero. Semanalmente, os alunos, juntamente com professores experientes ligados à Universidade Federal da Paraíba, se reúnem para planejar as atividades que serão desenvolvidas nas escolas da rede municipal. Os conteúdos trabalhados são os definidos pela escola, mas com o olhar do aluno do curso de Letras, tais conteúdos acabam assumindo uma nova roupagem. A proposta dessa participação é apresentar, em linhas gerais, como o trabalho se desenvolve e como os resultados obtidos justificam a proposta. Serão apresentados os resultados relativos à evolução dos alunos após a implementação do projeto de acompanhamento. Da formação inicial à formação continuada: uma política eficaz, uma solução ou um arremedo? Gretel Eres Fernández (USP) Como bem se sabe, a formação de docentes de línguas estrangeiras deve considerar o domínio do conteúdo linguístico (a LE em questão) e do seu ensino ou, no dizer de Almeida (2005, p.3), discutir os pressupostos da formação do professor é discutir como assegurar um domínio adequado da ciência, da técnica e da arte da profissão docente, ou seja, é tratar da competência profissional. A atual LDB-EN, em seu artigo 62, 1º, estabelece que A União, o Distrito Federal, os estados e os municípios, em regime de colaboração, deverão promover a formação inicial, a continuada e a capacitação dos profissionais de magistério. Se pensarmos na oferta de cursos presenciais e à distância, não há dúvida que o cumprimento da letra da lei é uma realidade. Contudo, o que a meu ver merece uma discussão minuciosa é o papel que tais cursos exercem e o seu verdadeiro caráter: podemos dizer que eles integram uma política eficaz de formação de docentes? Estamos frente a iniciativas que objetivam, em sua essência, solucionar problemas enfrentados pelos professores em sua prática pedagógica? Ou tudo isso não passaria de um arremedo de formação na medida em que nem ataca frontalmente as dificuldades do cotidiano escolar, nem eleva substancialmente a qualidade da formação dos professores?. Apesar de terem natureza e características diferentes, ambas as modalidades de formação têm o mesmo objetivo, que é propiciar preparo ao professor para atuar bem, de maneira criativa, assegurando aprendizagem de qualidade aos alunos (GUIMARÃES, 2005, p. 3) e, nesse sentido, estão interligadas. Portanto, torna-se imprescindível analisar a validade e qualidade da atual formação de professores de línguas estrangeiras na perspectiva de uma política que considere as contribuições efetivas que tanto a formação inicial e a continuada oferecem para o desenvolvimento da competência profissional. 18

19 Integrando formadores de professores da educação linguística e além: o caso do Programa das Letras e dos números para professores de países africanos de língua oficial portuguesa Pedro M. Garcez (UFRGS/CNPq) Examinando o caso de um programa de formação de professores com o qual tenho estado envolvido desde 2009, destaco a importância de redes colaborativas em Linguística Aplicada e formação de professores, sobretudo no que diz respeito à colaboração entre formadores que de outro modo estariam restritos a segmentos especializados no ensino de Língua Portuguesa, ou de Literatura, ou de línguas adicionais específicas. O Programa das Letras e dos Números (PLLN), iniciativa apoiada por diferentes agências governamentais brasileiras para a formação presencial de professores da rede pública de ensino básico em países africanos de língua oficial portuguesa, particularmente Cabo Verde e Guiné-Bissau, reúne formadores brasileiros em educação linguística e matemática, acadêmicos universitários e docentes do ensino fundamental e médio em diferentes redes de ensino. Ao direcionar-se a um professorado da educação básica que tem no português a única língua escrita e oficial, sem ser essa a língua corrente ou preferencial das comunidades que atendem, o PLLN demanda formadores com experiência nos diversos quadrantes de formação em educação linguística. Nessa configuração, fica patente, por exemplo, que qualificar o português que é objeto ou meio de ensino como língua materna ou língua estrangeira é tecnicamente impreciso e politicamente inadequado, percepção que descortina reflexões inusitadas para quem se vê como profissional do ensino de língua materna ou de língua estrangeira. Com base na experiência de interlocução entre os atores nas formações do PLLN, e ainda mais entre os formadores em educação linguística e educação matemática, discuto possibilidades e desafios que podem ser contemplados para a concepção de políticas mais amplas de formação de professores de línguas em ações assim integradas. MESA REDONDA 2: FORMAÇÃO DE PROFESSORES E PEDAGOGIA CRÍTICA Walkyria Monte-Mor (USP) Fernanda Coelho Liberali (PUC-SP) Rosane Rocha Pessoa (UFG) Mediadora: Tânia Romero (UFLA) Formação de professores e educação crítica: a construção de sentidos como agência Walkyria Monte Mór (Universidade de São Paulo) A apresentação pretende debater as tensões e ao mesmo tempo, as possibilidades de expansão interpretativa entre o que se entende por controle de sentidos e as propostas para o desenvolvimento de construção de sentidos como forma de agência. As teorias dos letramentos críticos reconhecem as mudanças em linguagem e comunicação, colocando em discussão: 1) as tensões e o controle social das interpretações; 2) o conceito de construção de sentidos (meaning making) e sua atualidade na visão de leitura como prática social, com base nos estudos de Lemke (2004); Kress (2000, 2010) e Gee (2003, 2010). Para tal, reporta-se aos estudos sobre multimodalidade, segundo os quais a linguagem se constrói por novos modos e modalidades, havendo também novas formas de interação. Esta é uma percepção que conduz às revisões nas noções sobre compreensão e interpretação em suas interfaces com o conceito de construção de sentidos nos estudos de linguagem como prática social (KRESS, 2005; GEE 1997, 2004; FREEBODY & LUKE, 1997). Levando-se em conta o fato de que as sociedades atuais demandam expandir as suas funções educacionais tradicionais voltadas à qualificação e à socialização, a habilidade de construção de sentidos revela ter um potencial de desenvolvimento de agência, possibilitando o trabalho de subjetificação (subjectification), conforme defendido por Biesta (2009), uma função educacional que muito bem atende às necessidades da formação da sociedade contemporânea. A proposta, portanto, preocupa-se com a formação docente e discente, voltando-se para práticas sociais e culturais ativas/críticas (LANKSHEAR & KNOBLE, 2003; COPE & KALANTZIS, 2000, 2004; GIROUX, 2005; MENEZES DE SOUZA, 2006, 2010; MONTE MÓR, 2006, 2009, 2010). 19

20 Gestão crítico colaborativa Fernanda Coelho Liberali (PUC-SP) Esta apresentação tem como objetivo discutir a formação de educadores a partir da compreensão da gestão escolar como uma cadeia de atividades envolvendo diretores, coordenadores, funcionários, professores e alunos. No cenário brasileiro, o conceito de gestão educacional tem sido importado dos contextos empresariais, que muitas vezes não leva em consideração aspectos importantes do contexto escolar. Esta apresentação discute uma abordagem para a gestão escolar a partir de uma tradição de Vygotskiana (1934) que implica que a produção de significados e motivos compartilhados é aspecto essencial para o desenvolvimento de uma possibilidade crítico-colaborativa para transformar a escola. Nesses termos, o conceito de gestão precisa ser pensado em função do reconhecimento da importância da participação consciente e esclarecida das pessoas nas decisões sobre a orientação e planejamento de seu trabalho, o que implica o fortalecimento do coletivo. Envolve um caráter de participação responsável de todos nas decisões necessárias e na sua realização, mediante um compromisso coletivo com resultados educacionais cada vez mais efetivos e relevantes (LUCK, 2009). Assim, torna-se essencial entender as transformações sociais atuais, em uma perspectiva na qual, dialeticamente, seja possível estabelecer um elo entre estrutura social e individual (ENGESTRÖM, 1999), dando consideração às ações praticadas pelo indivíduo e sua relação com o todo que se pretende transformar. Além disso, é preciso levar em conta que a gestão é uma atividade dirigida (CLOT, 1999; COLE e ENGESTROM, 1993; LAVE e WNEGER, 1991) que não se estrutura como uma corrida em direção a uma meta conhecida de antemão. Ao contrário, tem um caráter desenvolvimentista que implica considerar o desenvolvimento do trabalho, sua história e empecilhos a ele. Gerir tem um valor crítico-colaborativo, em que os sujeitos envolvidos estão em processos constantes de aprendizagem e desenvolvimento individual e coletivo. Mais ainda, é condição essencial que essa gestão seja compreendida no âmbito de Redes de Atividades em cadeia intencional (LIBERALI, 2011), o que envolve ações para diagnóstico, planejamento, desenvolvimento, acompanhamento e avaliação de projetos comuns. Para que esses projetos possam ser realizados, considerando o caráter mutável das condições de trabalho, a criatividade e a intencionalidade atuam como modo de agir essencial de todos os envolvidos. Ademais, a argumentação se torna a base para a gestão, pois permite que o resultado seja construído a partir de objeto idealizado comum, reconstruído ao longo do processo de trabalho conjunto por meio da produção compartilhada de novos significados. Essa perspectiva crítico-colaborativa de gestão será exemplificada a partir de discussão sobre o Projeto Gestão em Cadeias Criativas, desenvolvido na Secretaria Municipal de Educação de São Paula para o desenvolvimento amplo de todos os níveis de educadores da escola (formadores de educadores, diretores, coordenadores, professores e alunos) com foco em diferentes dimensões da gestão que articuladas transformem a comunidade de modo mais amplo. Conhecer como reconhecer: estudos na formação crítica de professoras/es de língua estrangeira Rosane Rocha Pessoa (UFG) Em que mundo vivemos? É esse o mundo em que queremos viver? Alguns minutos de reflexão sobre as iniquidades do mundo hoje são suficientes para que nos interroguemos criticamente sobre a natureza e a qualidade moral da nossa sociedade, interrogações essas que estiveram sempre na base da teoria crítica moderna (Boaventura de Souza Santos, 1999). No entanto, o que prevaleceu na modernidade foi o conhecimento totalizante da ordem da regulação social em detrimento da ordem da emancipação social. Assim, a posição de Santos (1999) é a de que, pelo fato de serem múltiplas as faces da dominação e da opressão no atual mundo multicultural, outro tipo de conhecimento se faz necessário, o conhecimentoemancipação, que, segundo o autor, consiste em reconhecer, em tirar o outro da condição de objeto e elevá-lo à condição de sujeito, ou seja, um conhecimento que funcione como princípio de solidariedade. Pautadas/os nesse tipo de conhecimento, vimos tentando desenvolver o nosso trabalho na formação de professoras/es e no ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras na Universidade Federal de Goiás, por acreditar que tanto professoras/es e alunas/os precisam ser reconhecidas/os como sujeitos que produzem conhecimento e o façam de forma prudente. Nesta comunicação, discuto estudos de graduação e de pós-graduação que se inserem na perspectiva crítica de linguística aplicada, focalizando as possibilidades e os desafios encontrados. 20

21 MESA REDONDA 3: PROJETOS E PARCERIAS EM ESCOLAS PÚBLICAS Rosinda de Castro Guerra Ramos (PUC-SP) Maria do Socorro Oliveira (UFRN) Walkyria Magno-e-Silva(UFPA) Mediadora: Maria Helena Vieira Abrahão (UNESP São José do Rio Preto) Um projeto que deu certo: Reflexão sobre a ação Rosinda de Castro Guerra Ramos (PUC-SP) É fato notório que a formação de professores é uma área que necessita especial atenção no contexto de educação do país, tendo em vista que as políticas educacionais não têm dado o devido valor à aprendizagem de línguas. Além disso, o surgimento de instituições nem sempre qualificadas para a formação adequada de docentes para a formação de professores de línguas estrangeiras, não tem contribuído para a constituição de docentes preparados para enfrentar os desafios da educação e, principalmente, da educação na escola pública. Se essa situação é crítica no que diz respeito ao ensino de línguas estrangeiras, torna-se crucial, em relação ao ensino da língua inglesa, tendo em vista a posição que essa língua ocupa no cenário mundial, nos dias atuais. Este trabalho objetiva mostrar o curso de especialização Práticas reflexivas e ensino-aprendizagem de Inglês na escola pública, uma parceria Associação Cultura Inglesa São Paulo e PUCSP/Programa de Estudos Pós-Graduados em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL), que em um esforço conjunto promoveram um programa cujo objetivo geral é o aprimoramento profissional de professores da rede pública estadual. Serão trazidos para a apresentação: um breve histórico do projeto e seu desenvolvimento; dados referentes à constituição do curso; exemplos de formação docente e sua construção desencadeada a partir de leituras e discussões de pressupostos teórico-práticos embasados em exercícios de reflexão críticocolaborativos realizados durante o curso; e, reflexões sobre suas ações, desenvolvimentos e desdobramentos. Letramentos e políticas públicas: escola, família, comunidade Maria do Socorro Oliveira (UFRN) A consideração de que o letramento está na vida social, e não, especificamente, na escola, tem levado muitos pesquisadores a explorar as práticas de leitura e escrita fora do contexto escolar, na intenção de compreender não só o modo como essas práticas são instituídas mas também a forma como elas interferem no desempenho dos alunos, manifestando-se como pontos de continuidade ou de ruptura no processo de ensinoaprendizagem. Os estudos de letramento que exploram a articulação entre escola, família e comunidade estão exatamente nessa direção. Buscam alternativas que tentem explicar os gaps, as dissonâncias e predisposições que afetam os baixos desempenhos de leitura e escrita, evidenciados em diversos indicadores de avaliação educativa (INAF, IDEB), e que apontam para a necessidade de políticas públicas voltadas para a questão do letramento. Este estudo, que se insere no Projeto Letramentos e políticas públicas: escola vs mundo contemporâneo, tem como objetivo discutir a importância da articulação escola x família x comunidade no letramento cívico e as implicações dessa relação no desenvolvimento social e econômico de comunidades urbanas. O estudo fundamenta-se nas contribuições teóricas de Bourdieu (1975; 2003), principalmente nas noções de habitus, campo e capital cultural; nos estudos de letramento situado, interessados na articulação local x global (BARTON ET AL., 1998; 2000; STRET, 1993) e na perspectiva ecológica/social, discutida por Brofenbrenner (1996), segundo a qual a escola faz parte de um espaço ecológico (rede de estruturas encaixadas). Metodologicamente, o trabalho é de natureza exploratória, servindo-se também de instrumentos etnográficos. Os dados para análise foram gerados em escolas públicas da cidade do Natal-RN. A análise discute ações de natureza cooperativa realizadas por meio de projetos de letramento, aqui sugeridos como uma alternativa pedagógica eficaz para o desenvolvimento de políticas de letramento, neste caso, com foco na rede escola x família x comunidade. Palavras-chave: Letramentos. Políticas públicas. Projetos de letramento. Escola. Família. Comunidade. 21

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