Coisas do Brasil 13/08/2007

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1 Coisas do Brasil 13/08/2007 Ana Lúcia Medeiros* Resumo: O texto analisa como as reportagens que ocupam as primeiras páginas da revista Carta Capital tratam de uma realidade pouco explorada na chamada grande imprensa brasileira. As reportagens revelam o modo de ser e de viver de comunidades que estão à margem da mídia. Além de eleger pautas pouco exploradas pelas redes de TV, pelos jornais e revistas de circulação nacional, Carta Capital dá um tratamento humanizado às reportagens e mostra a diversidade cultural do país. Identificadas como narrativas jornalísticas, Brasilianas, como são chamadas as matérias das primeiras páginas de Carta Capital, resgatam o modo de fazer jornalístico de Paulo Barreto (João do Rio), no início do Século XX. João do Rio não se limitava às redações dos jornais. Saía para as ruas em busca de pautas que revelassem uma realidade que os cariocas não conheciam ou se negavam a conhecer. Palavras-chave: Narrativa jornalística, Revista Carta Capital, Humanização do fato. Ela tem 1,64 metro de altura. Pesa 58 quilos. Está, portanto, fora dos padrões de exigência das passarelas do Brasil e do mundo. Mas para o júri do Motoboy Festival 2006, Fernanda santos, 22 anos, paulista de Mairiporã, é a musa dos motoboys. O evento, que lotou de motoqueiros o Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, no domingo, 29 de janeiro, revela que mesmo os assuntos de interesse restrito, voltados para um grupo específico, podem ser tema de reportagem em veículos de circulação nacional. Foram assuntos como esse, tratados de uma forma muito peculiar, que observei em cinco edições da revista Carta Capital, no período de janeiro e fevereiro de Carta Capital elege assuntos, quase sempre periféricos, para ocuparem as privilegiadas primeiras páginas (6 e 7) daquela que é considerada uma das revistas mais bem editadas do país. Batizadas de Brasiliana, as reportagens selecionam temas pouco explorados pela mídia nacional e dão um tratamento específico, trabalhado. E valorizam personagens quase sempre esquecidos ou cuja realidade a maior parte da população desconhece. O diferencial destas reportagens sobre coisas do Brasil está mesmo na forma de apurar, de narrar, de valorizar elementos que, em princípio não seriam noticiáveis.as imagens capturadas durante o processo de apuração, o próprio processo de apuração presente no texto final, os recursos de edição, o texto leve, recheado de informações tão bem colocadas que despertam a curiosidade do leitor pelo assunto, pelo lugar, pelas pessoas que passam a ser notícia, o uso da primeira pessoa pelo repórter, a ironia, o bom-humor, a pluralidade de informações dadas por fontes não-oficiais ou por fontes que proporcionam um aprofundamento do assunto. O ambiente é sempre muito bem representado (o que leva o leitor ao lugar sobre o qual e o repórter fala e aos personagens da notícia). Na edição de 1º de fevereiro, o indicativo no alto da página da revista deixa de ser Brasiliana e ganha o nome de Boliviana. O motivo é justo: A posse de Evo Morales Ayma como presidente da Bolívia. O repórter brasileiro Marcelo Câmara somou-se a uma multidão de mais de 100 mil pessoas, no centro de La Paz, e lembra que a posse do

2 primeiro indígena em 180 anos de vida republicana do mais indígena dos países sulamericanos, envolveu a Bolívia num raro clima de confiança e otimismo. Qual a fundamentação para a análise de Carta Capital A análise das reportagens de Carta Capital (identificadas como Brasiliana e Boliviana ) tem na essência alguns procedimentos de análise pragmática da narrativa jornalística, adotados por Luiz Gonzaga Motta. Os procedimentos de análise pragmática da narrativa jornalística propostos por Motta (2005:81) são divididos em seis movimentos. Vejamos, a seguir, quais são esses movimentos: 1º Movimento: Recomposição da intriga ou do acontecimento jornalístico: Nesta fase da análise, Motta lembra que a noticia diária não é completa. É um fragmento. E propõe a integração dessas notícias isoladas em um conjunto significativo solidário como uma história única. Diz que é preciso juntar o que a dinâmica da atividade jornalística separa. O autor observa que sem uma história completa, a análise da narrativa é impossível. Propõe que o jornalista se posicione como receptor para observar a história de uma forma mais completa. 2º Movimento: Identificação dos conflitos e a funcionalidade dos episódios: Há sempre um fato que irrompe, desorganiza e transforma. Motta observa que, ao identificar o conflito (o núcleo em torno do qual tudo gravita), o analista recompõe o acontecimento, constrói a própria interpretação do fato e relata os motivos que correspondem às transformações da história. Esses motivos têm nomes: complicação, clímax, resolução, vitória, recompensa. 3º Movimento: Construção de personagens jornalísticas (discursivas): No jornalismo, os personagens existem, são reais. Costumam ser fortemente individualizados. Têm nome, idade, profissão, cargo. Esses identificadores de coreferência devem ser particularmente observados. Motta alerta para o fato de que mesmo na narrativa realista do jornalismo, os personagens são figuras de papel, ainda que tenham correspondentes na realidade histórica. Embora lembre que o jornalista deve respeitar os dados do real e não pode perder a consciência da mediação jornalística. 4º Movimento: Estratégias comunicativas e construção de efeitos de sentido: Nesta fase dos procedimentos de análise, Motta observa que o jornalismo é um discurso argumentativo dissimulado e que o jornalista é, por natureza, um narrador discreto que utiliza recursos de linguagem para camuflar seu papel como narrador, apagar sua mediação. Nega, até o limite, sua narração. Faz os fatos surgirem no horizonte como se estivessem falando por si mesmos. 5º Movimento: A relação comunicativa e o contrato cognitivo : Na análise pragmática da narrativa proposta por Motta, a atenção desvia-se da relação narrador-texto para a relação comunicativa narrador-narratário, para o jogo entre as intencionalidades do narrador e as interpretações da audiência. É no movimento interpretativo do leitor que o analista pode reconhecer a relação entre os interlocutores. A análise da narrativa jornalística deve observar particularmente o contrato cognitivo implícito entre jornalistas (narradores) e audiência (narratário) em seu contexto operacional. 6º Movimento: revelando as metanarrativas ou fábula da história: Para Motta, cabe ao analista identificar, interpretar e elucidar a construção desse significado simbólico na comunicação jornalística. A notícia realiza não apenas um fato cognitivo, mas também uma experiência estética. As categorias criadas para a análise de Carta Capital No momento a seguir, são feitas as observações das reportagens de Carta Capital que ora obedecem aos procedimentos de análise pragmática da narrativa jornalística,

3 adotados por Luiz Gonzaga Motta ora adotam as próprias categorias de análise com base no conteúdo de Brasiliana : 1. O metajornalismo em Brasiliana A reportagem de Brasiliana revela uma adaptação da expressão metacomunicação, que trata da comunicação sobre a comunicação. Juan Diaz Bordenave (1986:59) explica o conceito de metacomunicação: a pessoa que comunica em geral necessita dar a seus interlocutores uma idéia sobre como ela deseja que sua mensagem seja decodificada e interpretada. É possível observar, na construção do texto de Brasiliana, um jeito de fazer jornalístico que foge ao padrão convencional. Nessas narrativas jornalísticas de Carta Capital, o repórter preocupa-se em revelar ao leitor o processo de produção do texto. Se na metacomunicação a pessoa sente a necessidade de dar aos seus interlocutores uma idéia de como ela deseja que a mensagem que emitiu seja decodificada e interpretada, no metajornalismo (conceito adotado pelo professor e pesquisador português Jorge Pedro Sousa), o jornalista fala sobre o processo de escolhas que fez para descrever aquele fato. O processo de apuração (que passa a fazer parte do texto final) proporciona ao leitor a oportunidade de acompanhar os passos dados pelo repórter no momento de levantar informações para produzir a matéria. No metajornalismo, o repórter fala da sua pauta, das razões que o levaram a fazer a matéria. Trata do processo de criação e de produção. O jornalista assume, nessas matérias, o verdadeiro papel do repórter: ele procura retratar a situação do modo mais fiel possível. Ele dá uma visão do ambiente, da cena, para quem não foi ao local. Ele fala sobre as escolhas feitas no momento da apuração, conversa sobre o que faz a coisa ser tratada de uma forma ou de outra. Faz referência ao percurso. Ao fazer referência ao momento em que (na reportagem A musa dos motoboys ) a organização do evento adia a divulgação do resultado do concurso de musas, o repórter revela o processo de apuração da notícia:...anuncia o mestre-de-cerimônias, sob vaias e gritos impublicáveis. O repórter permite que o momento em que o fato acontece seja levado ao leitor, aproxima o leitor da história, dos personagens, da situação vivida e revela do processo de seleção das informaçõoes que serão divulgadas. 2. A edição Os títulos são sempre criativos, poéticos. Convidam o leitor a acompanhar o desenrolar da história. As fotos revelam cenas do momento de captação das informações. Denotam movimento, tempo presente, continuidade. Os personagens agem com espontaneidade, mesmo quando posam para as fotos. Em todas as reportagens de Brasiliana se destaca uma frase de impacto. A frase fica no centro da 1ª página, abaixo da bandeira do Brasil. No caso de Boliviana, a bandeira que ocupou a posição de destaque foi a da Bolívia. Quando o assunto é música, quem ganha destaque são as letras de música. Na reportagem Apoteose da marcha, que trata do resgate da marchinha - ritmo que animava os carnavais em todo o país desde o fim do século XIX até os anos , letras picantes ganham destaque na página. A letra da música campeã, de Homero Ferreira, 77 anos, fala do milagre do viagra. A marchinha do compositor Eduardo Dusek, que propõe um ménage à trois, também ganha destaque na página. 3. O contexto O repórter aproxima o leitor do fato quando explica, sem complicações no texto, os valores (diz quantos reais já que está voltado quase que especificamente para um público brasileiro custa um Bs, a moeda boliviana). Detalhes das histórias são contados. Os ambientes são descritos. Na reportagem Miss Jones, o retorno, o repórter Flávio Lobo traça parâmetros, descreve cenas que,

4 mesmo sem a foto que ilustra a página, o leitor conseguiria visualizar a situação: Cada pose de Paula em seu cockpit erótico é registrada por dezenas de câmeras, celulares e filmadoras. A maioria dos fotógrafos e cineastas amadores que cercam a performer demonstra uma explícita predileção pelo, digamos, plano fechado, por closes e detalhes, numa atitude que chega a remeter à pesquisa médica. Já no início, o texto permite ao leitor a visualização do fato: Vestida com uma capa vermelha, a mulher começa a descer a escada. Imediatamente captura a atenção dos marmanjos, que cercam, no andar de baixo, uma curiosa peça de mobiliário envolta em estampa de pele de onça. A cada degrau, ela fustiga a platéia com poses sugestivas. Ainda na reportagem sobre Miss Jones, agora descrevendo a atriz pornô americana, o texto do repórter dispensaria as fotos publicadas: Desfilando um visual Barbie para barbados, com vestidinho azulzinho [é interessante observarmos o uso do diminutivo na descrição da roupa da atriz], curto e transparente, a celebridade da noite exibe para as câmeras um clássico cardápio de caras e bocas, que contempla desde a colegial com dedinho na boca até a vampy, passando por dois ou três meios-tons. Os movimentos, as características de uma pessoa, os percursos que faz, o tempo que leva realizando uma determinada atividade são descritos detalhadamente. A história de um brasileiro que pratica esqui na Grama, em Campinas, é tão bem contextualizada que mesmo quem não conhece e esporte, tampouco o esquiador, passa a se interessar pela história e pelo personagem ao ler a narrativa Brasil abaixo de zero, escrita por Phydia de Athayde, como se pode ver no trecho a seguir: a terça-feira 10 não é diferente dos fins de tarde do ano passado inteiro. Hélio despede-se dos colegas de repartição e, antes de sair do prédio da Receita, vai ao toalete vestir um calção esportivo por baixo da roupa. Entra no carro e, no percurso de 15 minutos até o canteiro central da avenida Norte-Sul (a avenida José de Souza Campos), termina de se vestir para o treino: camiseta regata e calção. Nos pés, uma botinha e um par de esquis próprios para um all terrain (qualquer terreno), que esquiadores de cross-coumtry normalmente usam para treinar fora da neve. Passados dez minutos de exercício, Hélio sua a cântaros. Os termômetros marcam 32 graus às 18h30. É o verão campineiro. 4. Jogos de palavras Na reportagem Apoteose da marcha, sobre o retorno das marchinhas, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o repórter resgata a letra de uma marcha famosa e usa a letra da marcha para descrever o ambiente: Quanto riso, quanta alegria. Havia arlequins, palhaços, pierrôs e colombinas no salão. E descreve uma realidade bem diferente da época em que a marcha à qual ele faz referência: Havia também punks de butique, malandros de playground, funkeiros da periferia [uma referência à música Punk da Periferia, de Gilberto Gil], todos sem cordões de isolamento [uma referência aos carnavais com trios elétricos, que separam os blocos das pipocas, formadas por quem não compra o abadá, roupa que dá acesso aos blocos]. 5. A ironia presente no texto Brincar com as informações, fazer jogos de palavras, interpretar as cenas junto com o leitor são alguns recursos das reportagens de Brasiliana. Informa, como se estivesse dando uma ordem marcial, a atendente telefônica. Será que ela fez um estágio na prisão de Guantânamo?.... Fiquem calados. Vocês atrapalhar o trabalho da gente. O tom assusta. Depois de perder o direito de me virar na fila, o direito de falar. Qual seria o próximo? O próximo seria o direito de entender (reportagem Estilo Guantânamo). 6. As fontes: quem são e como são encontradas Nem sempre as fontes oficiais são as melhores opções para o repórter obter informações que tornem o texto interessante.

5 Na reportagem O gorro e a faixa, em La Paz (Bolívia), o repórter observa a presença de sem-terra, mineiros, desempregados e representantes de associações de moradores. Entrevista a vendedora ambulante Segundina Ribeiro, que se deslocou de Santa Cruz de La Sierra na expectativa de vender 200 bandeiras a Bs. 10, o equivalente a R$ 3,330 (o repórter faz questão de fazer a conversão de valores, já que a revista é destinada a um público brasileiro). Para dar consistência histórica às festividades de posse de Evo Morales, o repórter Marcelo Câmara entrevista o escritor uruguaioeduardogaleano, que atento à concentração de mais de 100 mil pessoas (aqui aponto uma falha do repórter, que não informa como chegou a esse número), declara: Este é um dia de festa, porque ontem foi o último dia de medo na Bolívia. Um outro entrevistado é o arqueólogo Osvaldo Tinajeros, que informa: o báculo que o presidente vai receber é feito de ouro, prata e basalto. Aqui, o repórter comete uma falha porque não explica que o termo báculo quer dizer bastão. No momento em que os organizadores de uma recepção ao presidente anunciam que Evo Morales não mais participaria daquelas comemorações, o repórter atento registra o comentário do bem-humorado vendedor de biografias: leia a biografia de Evo Morales e saiba por que ele não compareceu à praça. 7. Os números: como aparecem Ao contrário do que ocorre nas reportagens de caráter objetivista, nas quais os números representam simplesmente quantidades, sem diferencial. São 93 mortos no conflito entre xiitas em Bagdá, nas reportagens de Brasiliana os números são informações que representam dados que contextualizam as situações. Na posse de Evo Morales como presidente da Bolívia, o repórter Marcelo Câmara informa, com números, que os bolivianos queriam Morales no poder: Respaldado por um inquestionável mandato popular (obteve 53% dos votos já no primeiro turno das eleições), e por importantes sinais de apoio vindos do exterior após seu primeiro giro internacional já como presidente eleito, Morales assumiu o governo prometendo uma era de prosperidade para a Bolívia. 8. O uso de adjetivos Não se usam adjetivos no texto jornalístico? Por quê? Fazer essa pergunta faz sentido quando vemos nas reportagens de Brasiliana uma série de caracterizações que realçam o texto e, principalmente, situam o leitor. Enquanto o aclamado DJ Negralha passava despercebido com seus efeitos funkeiros, o sumido Eduardo Dusek emergia na graça popular, cantando uma obra-prima de provocação (reportagem Apoteose da Marcha). Considerações finais As histórias contadas nas narrativas jornalísticas da revista Carta Capital revelam a diversidade de culturas do Brasil e mostram que é possível fazer um jornalismo informativo, agregador de valores, original. De um lado, existem técnicas de análise dessas narrativas. De outro lado, há formas de construção das narrativas que tornam o texto rico e digno de ocupar espaços privilegiados em veículos de circulação nacional. Neste artigo, observamos os dois aspectos: o da produção e o da análise das narrativas. Percebemos que, apesar de existir um padrão de textos que são difundidos na maior parte dos veículos de circulação nacional, há alternativas a esse modelo e que são criados procedimentos de análise dessas narrativas que se impõem pela riqueza de informações e de valorização das diferenças. Referências

6 BORDENAVE, Juan E. Diaz. O que é comunicação. 8ª ed. São Paulo: Brasiliense, CUNHA, Helena Parente. Melhores contos de João do Rio. 2ª ed. São Paulo: Global, MOTTA, Luiz Gonzaga. Narratologia: teoria e análise da narrativa jornalística.brasília: Casa das musas, SOUSA, Jorge Pedro. As notícias e seus efeitos. Coimbra: Minerva, Edições da revista Carta Capital ALMEIDA, Edu Simões de. Estilo Guantânamo. In Carta Capital: Ano XII, n São Paulo, 11 de janeiro de ATHAYDE, Phydia de. Brasil abaixo de zero. In Carta Capital: Ano XII n São Paulo, 18 de janeiro de BARRETO, Felipe Corazza. A musa dos motoboys. In Carta Capital: Ano XII, n São Paulo. 8 de fevereiro de CÂMARA, Marcelo. O gorro e a faixa. In Carta Capital: Ano XII n São Paulo, 1º de fevereiro de LOBO, Flavio. Miss Jones, o retorno. In Carta Capital. São Paulo: Ano XII n São Paulo, 25 de janeiro de LOPES, Timoteo. Apoteose da marcha. In Carta Capital: Ano XII n.381. São Paulo, 22 de fevereiro de * Ana Lúcia Medeiros é jornalista, professora substituta da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília, mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília, autora do livro "Sotaques na TV". Todos os direitos reservados:

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