Avaliação de Stress em Motoboys

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1 Avaliação de Stress em Motoboys Lélio Moura Lourenço* Lucas de Azevedo Martins** RESUMO: O objetivo dessa pesquisa foi investigar os níveis de stress a que os motoboys da cidade de Juiz de Fora MG estão submetidos, partindo da hipótese de que estes seriam altos a ponto de oferecer riscos à sua integridade física e psicológica. Procuramos ainda associar stress com turno de trabalho, rendimento financeiro mensal, média de horas de trabalho por dia e associação a cooperativas de trabalhadores dessa categoria. Com esse intuito, utilizamos o método de pesquisa survey e aplicamos o ISSL em 135 sujeitos. Os resultados indicam que esses profissionais estão submetidos a níveis intermediários de stress, já que 85,3% dos estressados encontram-se na fase de resistência. Contudo, foi percebida uma alta presença de stress, observada em 50,4% da amostra total. O stress não apresentou associação com nenhuma das variáveis estudadas. ABSTRACT: The objective of this survey was to investigate the levels of stress that the bike riders from Juiz de Fora MG are going through, starting from the hypotheses that these risks could be high enough and offer great physical and psychological problems. We tried to associate stress with the work shift, the monthly income, the average of working hours per day and an association with cooperatives of workers in this area. With this in mind, we used the method of research called survey and we applied the ISSL in 135 people. The results indicate that the professionals are being submitted to intermediate levels of stress, since 85,3% of the stressed ones are in a resistance phase. However, it was noticed a high presence of stress, observed in 50,4% of the full amount. The stress did not present any association with the studies that were done. PALVRAS CHAVES: stress; motoboys; trânsito. *Professor do Departamento e Psicologia a Universidade Federal de Juiz de Fora MG **Graduando em Psicologia pela Universidade Federal de Juiz de Fora - MG

2 INTRODUÇÃO O stress tem sido apontado como um dos maiores vilões de nossa sociedade, caracterizada pela instabilidade das transformações intensas e rápidas. O termo stress ganhou, em nossos tempos, amplo uso. Não raramente podemos encontrá-lo em jornais e revistas de vários segmentos e no próprio linguajar popular.são também conhecidas as conseqüências negativas, tanto físicas como psicológicas e comportamentais, que o stress excessivo pode gerar na vida do sujeito. Os últimos anos têm assistido a um crescimento do stress ocupacional, fruto das novas demandas do mercado de trabalho, cada vez mais competitivo e exigente. Incluídos nesse contexto estão os motoboys, membros de uma classe de profissionais ainda mais rica em estressores externos: os trabalhadores urbanos. Assim, procuramos estudar o stress nesse grupo de sujeitos em Juiz de Fora MG. O trabalho realizado por Almeida e Martins (2004) com motoboys dessa cidade mineira entre os meses de outubro e dezembro do ano citado levantou alguns dados assinalados pelos respondentes que nos permitiram acreditar na hipótese da existência de altos níveis de stress, já que cremos que as variáveis mencionadas são fontes potenciais dessa síndrome, tais como: necessidade de urgência nas entregas, presença de dores musculares devido ao trabalho, prejuízos em relação ao padrão alimentar, baixa renda, insegurança financeira, medo de sofrer acidente de trânsito, medo de ser assaltado, a percepção de que a profissão é desvalorizada, desejo de mudar de profissão. Dessa forma, investigamos se os níveis de stress aos quais os motoboys estão submetidos são considerados altos, a ponto de oferecer riscos à sua integridade física e psicológica. O presente trabalho também objetiva dar continuidade a uma linha de pesquisas sobre stress em trabalhadores urbanos que é desenvolvida desde o ano de Foi realizada no município de Formiga MG uma pesquisa com motoristas de ônibus da Viação Campo Belo (Câmara e Lourenço, 2004), na qual 56% da amostra pesquisada apresentou stress em algum nível. Outro estudo realizado sobre o stress em trabalhadores urbanos teve como amostra as profissionais do sexo da cidade de Juiz de Fora MG (Lourenço et al, 2003), divididas em institucionalizadas e não-institucionalizadas. Os resultados apontaram que 63,5% da amostra apresentava stress em algum nível, dos quais 61% trabalhava na rua e 39% eram institucionalizadas. Em trabalho anterior, realizado com taxistas da mesma cidade de Minas Gerais (Lourenço et al, artigo inédito), divididos nas classes de permissionários e não-permissionários, constatou que 26,8% da amostra apresentava algum nível de stress.

3 Dessa forma, pretendemos tecer comparações entre os resultados que encontramos e os dados dessas pesquisas já realizadas. Como nosso objetivo específico, procuramos investigar também se há relação positiva entre a presença de stress e o baixo rendimento financeiro mensal, investigar se há correlação positiva entre o aumento do nível de stress e o aumento da média de horas de trabalho por dia, se existe diferença entre o nível de stress de motoboys que pertencem (ou não) a cooperativas dessa categoria e qual a influência do turno de trabalho sobre o nível de stress do profissional. Destacamos ainda que o termo stress, assim como motoboy, têm origem na língua inglesa, e por essa razão foram representados neste trabalho na forma itálica. Entretanto, alguns textos apresentam a palavra estresse como um equivalente do termo inglês na língua portuguesa. O leitor perceberá que, durante este artigo, serão encontradas as duas possibilidades de uso, de acordo com a preferência dos autores citados. Iniciamos nossa caminhada com uma revisão da literatura existente sobre stress e sua relação com o trabalho, com o trânsito e sobre a categoria dos motoboys. I- REVISÃO TEÓRICA A palavra stress começou a ser usada para expressar ação de força, pressão ou influência muito intensa sobre uma pessoa, causando nela uma deformação, assim como um peso suficiente pode envergar um pedaço de madeira (Lipp, 2003). No século XX, foi retomada a idéia da ligação entre eventos estressantes e doenças, iniciada no século anterior. Segundo Lipp (2003, p. 17), em 1926, Hans Selye nomeou o conjunto de reações semelhantes identificadas em pacientes frente a situações que lhes havia causado angústia e tristeza como síndrome geral de adaptação ou síndrome do stress biológico. Em 1936, esse mesmo autor sugeriu o uso da palavra stress para definir esta síndrome, conceituando-a como a quebra da homeostase ou equilíbrio interno do organismo. Neste trabalho, o stress foi definido como uma reação psicofisiológica muito complexa que tem em sua gênese a necessidade do organismo fazer face a algo que ameace sua homeostase interna (LIPP, 2003, p. 18). O que podemos perceber desta definição é que o stress não é, em si, bom ou ruim. O equilíbrio interno de uma pessoa pode ser quebrado em uma situação que a irrite, amedronte, excite ou confunda, ou mesmo que a faça imensamente feliz (Lipp; Romano; Covolam; Nery, 1990 apud Lipp, 2003, p. 18). Assim, o stress pode ocorrer frente a fatores negativos ou eventos desafiadores.

4 Ballone, Neto e Ortolani (2002) afirmam que o estresse é a atitude biológica necessária para a adaptação do organismo a uma nova situação. Além dessas fontes externas, deve-se levar em conta aspectos internos do sujeito. Um deles, a personalidade, pode ser entendida, segundo Hall e Lindzey, como conjunto de termos descritivos usados para caracterizar o indivíduo... (Malagris, 2003). Sua influência no grau com que o indivíduo se estressa se deve ao fato de ser ela geradora de modos de pensar, sentir e comportar, que podem se constituir em estressores internos desse sujeito. Pensar, sentir e agir compõem, de acordo com a Psicologia Cognitiva, processos internos de todo sujeito frente a qualquer situação. Os princípios básicos da Psicologia Cognitiva apontam para o sistema representacional humano como o principal fator de gerenciamento dos processos psíquicos tanto básicos como superiores, num processo que engloba desde a atenção e a percepção até a capacidade metacognitiva humana (Caminha; Vasconcelos apud Caminha, 2003, p. 23). Assim, são as representações mentais que o estímulo externo gera (e não o estímulo em si) desencadeadoras de sentimentos e comportamentos. Dessa forma, o modelo cognitivo parte do pressuposto de que nossos sentimentos são decorrentes da interpretação que fazemos dos acontecimentos, já que a visão cognitiva afirma que cada um de nós desenvolve esquemas cognitivos que são estruturas cognitivas que regulam o processamento das informações e todos os processos do conhecimento incluídos aí percepção, imaginação, memória, etc. (Rangé, 2003, p.75). Desse modo, o medo surge quando uma situação é avaliada como perigosa, a raiva quando outra é percebida como injusta, a alegria diante da crença de se ter alcançado uma vitória, e assim por diante. A partir dessas informações, o que se pode perceber é que as cognições estão sempre fortemente relacionadas ao nosso nível de stress (p. 76). Em decorrência, um indivíduo pode se considerar satisfeito em estar submetido a uma situação que para outro sujeito é geradora de stress. Diante disso, cada vez mais se aumenta a importância dada aos fatores internos na ocorrência dessa síndrome. Em 1956, Hans Selye propôs que o stress se desenvolve em três fases: Alerta, quando o organismo se prepara para a reação de luta ou fuga; Resistência, quando o organismo tenta uma adaptação diante da permanência da situação de stress; e Exaustão, quando o organismo extingue suas reservas de energia adaptativa e doenças sérias aparecem. Marilda Novaes Lipp (2000), durante a padronização do instrumento utilizado no presente trabalho (Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp), identificou uma quarta fase além

5 das três propostas por Selye: a de Quase-Exaustão. Desse modo, de acordo com o modelo quadrifásico de Lipp, o stress se desenvolve seguindo as seguintes fases: a) Fase de Alerta: nesta fase a pessoa precisa produzir mais força e energia a fim de enfrentar aquilo que está lhe exigindo maior esforço. Esse processo se inicia com um desafio ou ameaça percebida. As mudanças hormonais que ocorrem contribuem para que haja aumento da motivação, entusiasmo e energia, o que pode, desde que não excessivo, gerar maior produtividade no ser humano. Existe, contudo, uma quebra da homeostase, pois esse maior esforço despendido visa não à manutenção da harmonia interna, mas ao enfrentamento da situação desafiadora. b) Fase de Resistência: neste estágio ocorre um aumento na capacidade de resistência acima do normal. Há uma busca pelo reequilíbrio, acarretando uma utilização grande de energia, que pode ser geradora de uma sensação de desgaste generalizado sem causa aparente e de dificuldades com a memória, dentre outras conseqüências. A homeostase, quebrada na fase de alerta, volta a ocorrer, ao menos temporariamente, desgastando o organismo que luta pela manutenção do equilíbrio. O processo de stress é interrompido sem seqüelas quando o organismo consegue se adaptar completamente e resistir adequadamente ao estressor. c) Fase de Quase-Exaustão: nesta etapa as defesas do organismo começam a ceder e ele já não consegue resistir às tensões e restabelecer a homeostase interna. O indivíduo oscila entre momentos em que se sente razoavelmente bem e tranqüilo e momentos de desconforto, cansaço e ansiedade. Algumas doenças começam a surgir demonstrando que a resistência já não está bem eficaz. d) Fase de Exaustão: neste estágio há uma quebra total da resistência e alguns sintomas são semelhantes aos da fase de alerta, embora de maior magnitude. Ocorre aumento das estruturas linfáticas, exaustão psicológica em forma de depressão e exaustão física, na forma de doenças que começam a aparecer, podendo gerar a morte. A fase de exaustão não é, necessariamente, irreversível. Já dissemos que toda essa síndrome pode ser desencadeada por características pessoais (fatores internos) ou se originar das várias áreas da vida do indivíduo (fatores externos), tais como social, familiar e ocupacional. No que se refere particularmente ao stress ocupacional, constata-se que as modificações nos processos e na organização do trabalho, além da competitividade organizacional gerada pela globalização, vêm causando um fenômeno de instabilidade emocional e física nos ocupantes dos postos de trabalho, que pode afetar a saúde do trabalhador por meio de

6 agentes estressantes lesivos derivados direta ou indiretamente do trabalho. A partir disso, o stress ocupacional passou a gerar preocupação. O trabalho pode ser fonte de reconhecimento, crescimento, independência e sentimento de realização, bem como de insatisfação, irritação, fadiga e outros sintomas típicos de um quadro de stress. O stress no trabalho prejudica a interação do trabalhador com o contexto em que trabalha. Tal síndrome ocorre nas situações em que o indivíduo percebe seu ambiente de trabalho como ameaçador às suas necessidades de realização pessoal e profissional e/ou a sua saúde física ou mental, à medida que esse ambiente contém demandas excessivas a ele, ou que ele não possui recursos adequados para enfrentar tais situações (FRANÇA, 1999, p. 31). O stress entre funcionários vem se tornando um problema cada vez maior nas organizações. As pessoas trabalham cada vez mais, com cargas e horários cada vez maiores em virtude do enxugamento de suas empresas. Funcionários reclamam de stress criado pela necessidade de equilibrar as responsabilidades do trabalho com as familiares (Robbins, 2002, p. 548). A pessoa estressada lida mal com as mudanças já que sua capacidade de adaptação está envolvida inteiramente no combate ao stress. Em um país em desenvolvimento como o nosso, onde as transformações ocorrem em todas as áreas com uma rapidez surpreendente, quem estiver incapacitado para lidar com as mudanças estará menos apto para contribuir para o sucesso da nação (LIPP, 2003, p. 20). Robbins (2002) aponta três fontes potenciais de stress: os fatores ambientais, organizacionais e individuais. As inseguranças ambientais são citadas como importante fonte de stress, sejam elas incertezas econômicas, políticas ou tecnológicas. Como fatores organizacionais estressantes, o autor inclui as demandas das tarefas, referentes às características do trabalho; as demandas dos papéis, existentes em função do papel que o indivíduo desempenha na organização; as demandas interpessoais, fruto das pressões exercidas pelos outros funcionários; a própria estrutura organizacional, que envolve número de regras e regulamentações existentes, nível de participação nas decisões, etc; e o estilo de liderança organizacional presente. O stress, quando se apresenta em tempo e intensidades acima do que o indivíduo suporta, pode gerar um trabalhador menos motivado, menos produtivo e mais faltante ao trabalho. O stress excessivo é capaz de produzir um número grande de conseqüências para o indivíduo em si, para sua família, a empresa para a qual trabalha e a comunidade onde vive (Lipp, 2003, p. 20). Ele é capaz de produzir cansaço mental, dificuldade de concentração, perda de memória imediata, apatia e indiferença emocional. Como é possível imaginar, tais comprometimentos geram efeitos negativos

7 no âmbito do trabalho. A produtividade sofre quedas e a criatividade fica prejudicada. Autodúvidas começam a surgir em virtude da percepção do desempenho insatisfatório (op. cit.). Soma-se a isso o fato de que, em função da queda do sistema imunológico, o trabalhador estressado está mais vulnerável ao desenvolvimento de infecções e ao contágio de doenças. Essa redução imunológica também permite o desencadeamento de doenças até então latentes. Tais fatores aumentam o número de faltas ao serviço. O quadro se torna mais preocupante quando se trata de um trabalhador urbano, visto que o cotidiano das grandes cidades é, em si, um ambiente propício ao desenvolvimento da síndrome do stress. As aglomerações, a urgência, a poluição sonora e visual, são alguns dos fatores que compõem esse cenário. Acredita-se então que os trabalhadores urbanos, profissionais expostos a tal situação durante todo o período de trabalho, estão persistentemente submetidos a fatores estressores capazes de gerar prejuízos psicofisiológicos que repercutem pessoal e profissionalmente. Nesse contexto, destaca-se ainda o trânsito, reconhecidamente um componente estressor do ambiente urbano, submetendo os profissionais que nele trabalham a uma situação ainda mais extrema. Quanto ao trabalho no trânsito, sabe-se que o motorista está sujeito a um trabalho extenuante que compromete não só a sua saúde, mas também a segurança de passageiros e pedestres (COSTA; KOYAMA; MINUCCI, 2003 apud COSTA e KOYAMA, 2003). O estudo realizado por Costa e Koyama (2003) revelou a existência de relações muito importantes entre algumas das condições de trabalho dos motoristas e a sintomatologia de morbidade declarada pelos mesmos, na região de Belo Horizonte e São Paulo. Na ótica do instrumento de trabalho dos motoristas o ônibus verificou-se que várias características dos coletivos (a trepidação, o ajuste vertical do banco, apoio anatômico para as costas, a emanação de gases tóxicos, ventilação inadequada e muito ruído), estão associadas a diversos problemas de saúde, tais como: dores osteomusculares, vista irritada, problemas respiratórios e auditivos. Em relação à organização do trabalho dos motoristas, a extensão da jornada mostrou-se associada à obesidade, ao aparecimento de dores osteomusculares, problemas do sono e stress. Além disso, esta pesquisa mostrou que cada motorista é acompanhado diariamente por diversos medos (ser assaltado, sofrer acidente, morrer, ficar doente, ser demitido) que repercutem sobre sua saúde, gerando stress, problemas do sono e outros sintomas. Ficou constatada também a associação entre o medo de ser assaltado e problemas gastrintestinais e entre o medo de acidentes e problemas do sono e stress. Trabalhando cotidianamente no trânsito estão os motociclistas de transporte de mercadorias ou, simplesmente, motoboys. Essa é uma classe de trabalhadores fruto do mercado de trabalho atual

8 e de suas exigências. Fato facilmente observável nas cidades brasileiras é o aumento progressivo do número desses profissionais. Contudo, esse grupo de trabalhadores permanece ainda pouco estudado, e as conseqüências geradas pelas particularidades desse trabalho pouco conhecidas. A definição que a Classificação Brasileira das Ocupações (1994) possui para motociclista de transporte de mercadorias afirma que ele conduz uma motocicleta, triciclo motorizado ou veículo similar, manipulando os comandos de marcha e direção no trajeto indicado, segundo as regras de trânsito, para transportar cargas de pequeno volume: dirige o veículo, manipulando os comandos de marcha e direção, seguindo o itinerário e os regulamentos de trânsito, para conduzi-lo ao local de recolhimento ou entrega de cargas; efetua a carga e descarga das mercadorias, retirando-as ou arrumando-as no porta-bagagem do veículo e comparando-as com os documentos de recebimentos ou entrega, para evitar irregularidades e atender corretamente à clientela; efetua a manutenção do veículo, limpando-o, executando pequenos reparos e providenciando seu conserto e abastecimento, para assegurar o bom estado do mesmo. Pode efetuar a cobrança das mercadorias entregues. Entretanto, percebemos através de afirmações dos próprios motoboys e de dados coletados em pesquisa realizada com essa classe de trabalhadores por Almeida e Martins (2004), que essa definição não contempla muitas das características que hoje compõem a atividade desses profissionais, como urgência nas entregas, conseqüente infração de regras de trânsito, medo de ser assaltado, medo de sofrer acidente de trânsito, falta de horários para alimentação, etc. Rogério Santos Lara, na época presidente do Sindicato dos Trabalhadores Motociclistas, Ciclistas e Afins de Minas Gerais, afirmou em entrevista ao jornal Estado de Minas de 03 de abril de 2004 que a categoria é injustiçada, pois é mal preparada, mal remunerada, trabalha sob constante pressão e muitas vezes tem que conseguir mais de dois empregos para garantir uma renda melhor. A exigência de rapidez, algo comum a esses profissionais, influencia todas essas questões. Durante as entrevistas preliminares realizadas por Almeida e Martins (2004), os motoboys afirmaram que os pedidos recebidos quase sempre se tratam de algo a ser feito com rapidez, já que se propõem a fazer um serviço de entrega rápida. Além disso, no contexto extremamente competitivo dessa profissão, a rapidez tem sido usada como um diferencial na busca por clientes. Esse pode ser um fator muitas vezes gerador de imprudência no trânsito, de desrespeito às suas leis e normas. Como um agravante para essa situação está o fato de que poucos motoboys investem em equipamentos de proteção individual. O argumento para isso está nos baixos salários que não

9 permitem a manutenção dos capacetes e outros. A baixa renda é também apontada como causadora de jornadas de trabalho excessivas de até três empregos. Ainda segundo Rogério Santos Lara, os motoboys são acusados de pilotar suas motos com imprudência, trançando entre outros veículos e batendo nos retrovisores dos carros. O que poucos sabem é que o artigo de lei que proibia o tráfego entre os espaços deixados pelos carros no trânsito, nos chamados corredores, foi vetado em 1997 por Fernando Henrique Cardoso, o então presidente da República. Contudo, os governos não possuem condições de fornecer segurança ao motoboy que se vale desse recurso. II- METODOLOGIA Nesse trabalho pretendemos estudar o stress relacionando-o a uma população específica: os motoboys da cidade de Juiz de Fora. Planejamos saber se esses profissionais estão submetidos a altos níveis de stress. Face às informações coletadas em material bibliográfico referente ao tema, acreditamos que os motoboys dessa cidade mineira estão submetidos a altos níveis de stress, a ponto de oferecerem riscos à sua integridade física e psicológica. Nosso objetivo específico foi investigar a existência de associação entre stress e as variáveis: turno de trabalho, rendimento financeiro mensal, média de horas de trabalho por dia e associação a cooperativas de motoboys. Com esse objetivo, foi utilizado o método de pesquisa survey. Para tal, entrevistamos uma amostra representativa de profissionais dessa categoria, composta por 135 sujeitos, pertencentes e não-pertencentes a cooperativas, divididos entre os turnos diurno e noturno. Pretendeu-se saber ainda quais as variáveis relacionadas ao stress dentro da categoria de motoboys. Assim, os dados coletados foram submetidos à análise estatística, a fim de observarmos a validade de nossa hipótese. Para tal, fizemos uso do software SPSS (Statístical Package for Social Sciences) versão 10.0 como auxiliar para a análise dos dados. Dessa forma, pudemos conhecer as freqüências de cada variável e, através da análise bivariada de correlação Pearson, procuramos conhecer a existência de associação entre as variáveis investigadas. Utilizamos a amostragem por conglomerados, considerando como conglomerações os pontos da cidade de Juiz de Fora (MG) em que os motoboys habitualmente se reúnem. Para descobrirmos tais pontos, fizemos uso da amostragem por bola de neve, em que os próprios sujeitos já entrevistados indicam novos membros da amostra. Ao final, somamos 135 motoboys entrevistados.

10 Os pesquisadores foram a campo para a coleta de dados, solicitando o preenchimento de questionários por motoboys pertencentes e não-pertencentes a cooperativas, divididos nos turnos de trabalho diurno e noturno. Os questionários foram entregues aos motoboys para serem preenchidos ao ar livre, nas ruas da cidade de Juiz de Fora. A fim de darmos continuidade a linha de pesquisas sobre stress em trabalhadores urbanos citada na introdução do presente trabalho, fizemos uso do mesmo Inventário de Sintomas de Stress de Lipp (ISSL adaptado) utilizado nesses trabalhos anteriores, adaptado de acordo com especificações do manual do instrumento e que identifica quatro fases do stress de acordo com sua gravidade: alerta, resistência, quase-exaustão, exaustão. Tal adaptação visou adequar o vocabulário do instrumento à realidade cultural dos sujeitos da amostra, visto que, a fim de aumentar a confiabilidade das respostas, ele foi auto-aplicado. Como pretendemos ainda relacionar o stress a outras variáveis do trabalho dos motoboys, nosso questionário contou com questões fechadas em que os sujeitos puderam informar se pertenciam ou não a cooperativas de motoboys, seu turno de trabalho (diurno ou noturno), sua renda mensal e a média de horas trabalhadas por dia. O ISSL, validado em 1994 por Lipp e Guevara, é aprovado pelo Conselho Federal de Psicologia, entidade responsável pela regulamentação de testes psicológicos no Brasil. Ele é considerado um instrumento eficaz no reconhecimento da presença de stress, na identificação da fase em que a síndrome se apresenta no sujeito e na percepção da predominância de sintomas, físicos ou psicológicos. Esse instrumento faz, por si mesmo, uma comparação entre a amostra investigada e uma amostra neutra, utilizada na construção do inventário. É por essa razão que o ISSL foi utilizado em mais da metade das pesquisas (61,2%) comunicadas no Congresso Brasileiro de Stress, realizado pelo Centro Brasileiro de Controle de Stress, de 15 a 16 de agosto de 2003, em São Paulo (Reinhold, 2003). III- RESULTADOS E DISCUSSÃO Da amostra total composta por 135 sujeitos, 76 indivíduos (56,3%) possuem renda mensal de até dois salários mínimos. Quanto à média de horas trabalhadas por dia, a resposta que obteve maior freqüência foi a opção que representa o intervalo de oito a dez horas trabalhadas por dia (27,4%). Somando-se ao número de respostas de motoboys que trabalham de seis a dez horas diárias, temos 50,4% da amostra total. No que tange ao turno de trabalho, a amostra se divide em diurno, noturno e ambos conforme a tabela que se segue.

11 Tabela 1: Distribuição da amostra entre os turnos de trabalho. Turno de trabalho Freqüência Percentual Diurno 85 63,0 Noturno 20 14,8 Ambos 30 22,2 Total ,0 Contudo, conforme demonstraram as análises estatísticas realizadas através do SPSS, nenhuma dessas variáveis apresentou correlação positiva com os níveis de stress encontrados ou mesmo com a presença de stress. A tabela abaixo apresenta os resultados da análise de correlação Pearson entre as variáveis. Tabela 2: Análise bivariada Stress 0,104-0,066 0,059 0,043 0,036 0,007 0, Uso de outras drogas 0,155 0,297** 0,025-0,151-0,127 0,210* 3- Uso de tabaco 0,089 0,092 0,024-0,087 0, Uso de álcool 0,016-0,158-0,046 0,190* 5- Renda mensal 0,218* 0,132 0, Média de horas trabalhadas por dia 0,410** -0, Turno de trabalho 0, Associação a uma cooperativa * p 0,05; ** p 0,01 Após a aplicação do Inventário de Sintomas de Stress de Lipp (ISSL), percebemos que aproximadamente cinqüenta por cento (50,4%) dos respondentes apresentaram algum tipo de resposta positiva ao questionamento de stress, ou seja, apresentaram essa síndrome em algum nível. A tabela abaixo apresenta a divisão da amostra de acordo com a fase de stress. Tabela 3: Distribuição da amostra entre as fases de stress. Fases Freqüência Valor percentual Sem stress 67 49,6 Alerta 5 3,7 Resistência 58 43,0 Quase exaustão 4 3,0 Exaustão 1 0,7 Total ,0

12 Alguns números encontrados chamam a atenção e merecem ser discutidos. Apenas um respondente no universo de 135 (0,7%) chegou ao nível Exaustão, o que pensamos ser pouco significativo. De igual forma, somente quatro indivíduos (3,0%) encaixaram-se no nível Quase- Exaustão do ISSL. O que nos chama atenção nesses dados é que se trata de um percentual baixo de incidência para os níveis mais altos de stress. O número mais chamativo foi encontrado no quesito Resistência, ou seja, 43,0% da população entrevistada via ISSL. Nesse inventário, esse nível de stress representa aquele em que ocorre um aumento na capacidade de resistência acima do normal, havendo busca pelo reequilíbrio através de uma grande utilização de energia. A homeostase, quebrada na fase de alerta, volta a ocorrer, pelo menos temporariamente, desgastando o organismo que luta por esse equilíbrio. Como conseqüência, podem ocorrer: sensação de desgaste generalizado sem causa aparente, problemas com a memória, entre outros. Diante disso, podemos afirmar que esse alto índice de motoboys encontra-se em uma fase de transição, visto que o organismo pode proceder a uma adaptação completa e resistir ao estressor adequadamente, o que interromperia o processo de stress sem seqüelas. Caso isso não ocorra, o indivíduo avança para o próximo nível da síndrome. Os indivíduos nas fases de Resistência, Quase-Exaustão e de Exaustão compreendem 46,7% da amostra total. Assim, podemos dizer que em torno de cinqüenta por cento da amostra encontra-se em fases mais caracterizadas do stress. Somando-se a esses números a fase de Alerta, que é uma fase de stress, essa perspectiva fica ainda mais fortalecida, na medida em que a soma dos seus 3,7% totaliza 50,4% do total de entrevistados. Dos sintomas listados no ISSL, os que obtiveram os maiores índices de resposta positiva foram: tensão muscular nas últimas 24 horas, assinalado por 60,0% da amostra total de motoboys; sensação de desgaste físico constante na última semana, marcado em 57,78% dos inventários e cansaço constante na última semana, presente em 54,07% dos respondentes. Observa-se que esses sintomas obtiveram uma freqüência maior do que o percentual de indivíduos estressados (50,4%). Gráfico 1: Percentual de incidência dos sintomas mais marcados.

13 Sintomas mais marcados: percentual de incidência 70,00% 60,00% 50,00% percentual 40,00% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% Tensão muscular Sensação de desgaste físico constante Cansaço constante Vontade súbita de iniciar novos projetos Cansaço excessivo Mudança de apetite (24 horas) Mudança de apetite (semana) Irritabilidade excessiva Problemas com a memória Perda do senso de humor sintomas CONCLUSÃO A fim de avaliarmos nossa hipótese inicial de que encontraríamos altos níveis de stress entre os motoboys de Juiz de Fora, observamos os níveis mais profundos da síndrome (Quase-Exaustão e Exaustão), que alcançaram, juntos, somente 3,7% da amostra. A maior concentração de indivíduos ocorreu em torno da fase de Resistência (43,0%). Assim, podemos afirmar que os resultados encontrados não apontam a presença de altos níveis de stress na amostra conforme levantava nossa hipótese. Entretanto, esses profissionais estão submetidos a um contexto que fornece estímulos estressores que possibilitam que cerca de cinqüenta por cento da amostra (50,4%) apresente stress em algum nível. Assim, não encontramos altos níveis de stress, mas uma alta presença dessa síndrome. Qual seria a justificativa para os níveis de stress encontrados? Podemos então pensar que um dos fatores que podem se relacionar ao fato de não encontrarmos altos níveis de stress entre trabalhadores de uma profissão que julgamos ser facilitadora de tais níveis é que a manifestação dessa síndrome depende não só do contexto externo, mas também das variáveis internas dos sujeitos. No nível interno, cabe aqui perguntar o que representa o trabalho de motoboy para essas pessoas. Ele pode ser entendido como uma possibilidade de emprego para indivíduos que talvez não visualizem

14 melhores oportunidades em função da baixa escolaridade, característica que creditamos à amostra através de dados não objetivos. A ocupação de motoboy pode ser mais rica na oferta de estressores externos, mas também pode representar, na visão desses trabalhadores, a possibilidade de maiores salários do que os pagos no comércio local. Além disso, a motocicleta e a profissão podem ser entendidas como possibilitadoras de liberdade, de conhecimento de novos lugares e pessoas. Outra variável subjetiva que acreditamos também se relacionar de forma importante com os resultados encontrados é a média de idade dos motoboys. Em sua maioria, os respondentes estão na faixa etária compreendida entre vinte e quarenta anos. A força, a flexibilidade e o vigor característicos da juventude poderiam ser responsáveis por fornecer a esses sujeitos energia necessária, a ponto de apenas 3,7% deles chegarem aos níveis mais profundos de stress, em que a resistência do organismo começa a perder a luta para o stress ocupacional. Sem dúvida essa hipótese precisaria ser mais bem estudada numa exaustiva pesquisa longitudinal. Deixamos a sugestão para os próximos trabalhos de que levem em consideração a variável idade, importante em uma profissão hipoteticamente perigosa e, como tal, com conseqüente risco de óbito. Percebemos que, embora as variáveis internas forneçam aos indivíduos resistência suficiente para que não apresentem grande incidência dos altos níveis de stress, a existência dos estímulos estressores externos gera alta presença da síndrome. A ocorrência de stress em 50,4% dos motoboys é muita próxima dos 56% encontrados entre motoristas de ônibus, inferior aos 63,5% das profissionais do sexo e supera em quase cem por cento os 26,8% de taxistas estressados, números de trabalhos já citados anteriormente. Nossos objetivos específicos eram de avaliar se o stress apresentava correlação positiva com algumas variáveis, a saber: turno de trabalho, rendimento financeiro mensal, média de horas de trabalho por dia e associação a cooperativas de trabalhadores dessa categoria. As análises estatísticas indicam que não ocorreu nenhuma associação entre essas características e o nível ou a presença de stress. Entretanto, gostaríamos de explicitar a possível existência de uma dificuldade dos respondentes em preencher os campos relacionados às questões que dizem respeito à média de horas trabalhadas diariamente e à renda mensal. No questionário criado existiam, por exemplo, as opções 0 a 4 horas e 4 a 6 h. Um motoboy que trabalha em média quatro horas diárias poderia marcar qualquer uma das duas respostas, variando de acordo com a interpretação de cada sujeito. Essa falha questiona a confiabilidade dos dados obtidos no que tange a essas duas variáveis.

15 Faz-se importante mencionar aqui outra questão envolvendo o questionário utilizado na coleta de dados, que diz respeito à adoção do termo cooperativa nesse instrumento. Essa expressão foi obtida junto aos próprios motoboys em entrevistas iniciais sobre a profissão. Sabemos que o cooperativismo envolve características diferentes das que encontramos nos grupos de trabalhadores motoboys como: posse coletiva, relação horizontalizada, participação igualitária nos lucros e dividendos, etc. Entretanto, acreditamos que o emprego desse termo pelos entrevistados se deve ao fato de que esses trabalhadores unem-se em favor de uma causa comum, tornando cooperativa uma denominação que críamos ser comum a esses profissionais. Não obstante as imperfeições, cuja ocorrência é comum a qualquer trabalho, o conjunto de informações e dados reunidos e construídos através dessa pesquisa somam-se aos demais já existentes a respeito de stress e da ainda pouco conhecida ocupação de motoboy na intenção de fornecer maior entendimento sobre esses temas. Aos próximos trabalhos cabem as sugestões de que se abstenham das falhas aqui cometidas, sejam elas mencionadas ou por nós desapercebidas, e preocupem-se em agregar novas variáveis, como as já citadas faixa etária e escolaridade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, P. S. de; MARTINS, L. A. Construção de um instrumento para avaliação da qualidade de vida em motoboys. Juiz de Fora : UFJF, (trabalho apresentado em 2004 como pré-requisito para aprovação na disciplina Psicometria, do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Juiz de Fora / MG). BALLONE, G. J.; NETO, E. P.; ORTOLANI, I. V. Da emoção à lesão: um guia de medicina psicossomática. São Paulo : Manole, 2002, p. 77. BRASIL. Ministério do Trabalho. Classificação brasileira de ocupações. Brasília: CÂMARA, E. C. S.; LOURENÇO, L. M. Estresse e situação de trabalho: um estudo de caso dos motoristas de ônibus. Revista Acadêmica da FACECA, Varginha MG, v. 1, n. 4, p , CAMINHA, R. M.; VASCONCELOS, J. L. C. de. Os processos representacionais nas práticas das TCCS. In: CAMINHA, R. et al. Psicoterapias cognitivo-comportamentais. São Paulo : Casa do Psicólogo, p

16 COSTA, L. B; KOYAMA, M. A. H et al. Morbidade declarada e condições de trabalho: o caso dos motoristas de São Paulo e Belo Horizonte. Revista São Paulo em perspectiva, São Paulo, vol. 17, n 2, p , Estado de Minas, Belo Horizonte, 3 abr LIPP, M. E. N. Inventário de sintomas de stress para adulto de Lipp (ISSL). São Paulo : Casa do Psicólogo, LIPP, M. E. N. O modelo quadrifásico do stress. In:. Mecanismos neuropsicofisiológicos do stress. São Paulo : Casa do Psicólogo, p LOURENÇO, L. M.; MAGNABOSCO, M. de B.; MARTINS, L. de A.; TEIXEIRA, A. F.; VEIGAS, G. S.; VIEIRA, C. D. M. et al. Estresse e situação de trabalho: um estudo com as profissionais do sexo em Juiz de Fora. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOLOGIA, 33., 2003, Belo Horizonte. Resumos de comunicação científica. Belo Horizonte : SBP, 2003, p LOURENÇO, L. M.; BLÁSIO, C. S.; ALIANE, P. P.;TEIXEIRA, A. F. Avaliação do stress em trabalhadores urbanos: motoristas de táxi. Artigo inédito. MALAGRIS, L. E. N. Influência da diátese personológica. In: LIPP, M. Mecanismos neuropsicofisiológicos do stress. São Paulo : Casa do Psicólogo, p OLIVEIRA, N. L. B.; SOUSA, R. M. C. Diagnostico de lesões e qualidade de vida de motociclistas vítimas de acidentes de trânsito. Revista Latino Americana de Enfermagem. Vol. 11(6), p , RANGÉ, B. Influência das cognições na vulnerabilidade ao stress. In: LIPP, M. Mecanismos neuropsicofisiológicos do stress. São Paulo : Casa do Psicólogo, p

17 REINHOLD, H. H. Trabalho preliminar: análise da produção científica de um congresso brasileiro de stress. In: Congresso Brasileiro de Stress: Pesquisa e Intervenção, realizado agosto de 2003, São Paulo. ROBBINS, S. P. Comportamento organizacional. São Paulo : Prentice Hall, 2002.

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