Veículo de Comunicação da AHERJ. Associação de Hospitais do Estado do Rio de Janeiro Ano XIII Nº 97 Janeiro / Fevereiro de 2011

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1 N /2010 DR/RJ Veículo de Comunicação da AHERJ. Associação de Hospitais do Estado do Rio de Janeiro Ano XIII Nº 97 Janeiro / Fevereiro de 2011 Seguro na Saúde Crescem os processos por dano moral contra médicos, hospitais, clínicas e laboratórios em todo o país. Com isso, aumenta também a necessidade do segmento da saúde de proteger o patrimônio através dos seguros de responsabilidade civil. O Correio Hospitalar mostra como esse serviço funciona. Páginas 4 e 5 Unificação do prontuário eletrônico do paciente A advogada Soraya Marina Barcelos explica que a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) 1821/07 autorizou a elaboração de prontuários sob a forma eletrônica, eliminando a obrigatoriedade de registro físico, o que já está ocorrendo nos estabelecimentos de saúde. Em outro artigo, o advogado Walace Cardoso, revela que os hospitais podem pedir a revisão dos valores das autuações do INSS. Páginas 6 e 7 Acesse o site da AHERJ:

2 SUS - Realidade e Esperança Quando se fala em Sistema Único de Saúde - SUS- não podemos deixar de nos orgulhar de ter sido o nosso país o criador de um sistema sem igual em todo o mundo. A realidade, porém veio a nos mostrar que a esperança de fornecer meios, inteiramente gratuitos, de se atender a toda uma grande população, esbarrou na má distribuição de verbas, agravada, no nosso entender, pelo péssimo uso das mesmas. A municipalização de todo o sistema, subordinando-o a interesses políticos variados que, cada vez mais, dificultam o atendimento do povo, nos fazem pensar que o mais lógico seria que voltássemos à inicial centralização parcial, muito mais justa e de melhor controle. O fato de que 40% da população assistida aprovam o tipo de atendimento que recebem,não nos deixa tranqüilos,principalmente porque se sabe que ¼ do povo brasileiro já recorre aos serviços da Saúde Suplementar. Em suma a realidade não é agradável e só nos resta a esperança de que um dia possamos nos orgulhar do Sistema que criamos Dr. Mansur José Mansur - Presidente 2

3 FBH envia pesquisa aos associados A Federação Brasileira de Hospitais solicitou às associações de hospitais, através da circular 007/2011, de 7 de fevereiro, que obtenham juntos aos seus associados informações sobre quantidade de leitos e valor das diárias em enfermaria, apartamento e UTI. O objetivo da pesquisa é realizar mais um estudo sobre o setor de saúde suplementar para subsidiar futuras diretrizes junto ao Ministério da Saúde. Os associados da AHERJ podem responder à pesquisa acessando o site da entidade: Informações: ANS quer estimular plano com previdência privada A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) pretende concluir até julho deste ano a formatação de um novo tipo de plano que une assistência médica e previdência privada. O produto seria oferecido por meio de parceria entre uma operadora de saúde e uma instituição financeira que trabalhe com planos do tipo Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), que permite acumular recursos por um prazo contratado. O resgate do dinheiro - hoje sujeito ao imposto de renda a uma alíquota mínima de 10% e máxima de 27,5% - seria totalmente isento de tributação caso fosse usado com despesas médicas ou para o pagamento de um plano de saúde. Governo cria grupo de trabalho para estudar tabela do SUS O secretário de Atenção à Saúde, Helvécio Magalhães, aceitou a proposta das entidades médicas nacionais de criação de um grupo de trabalho para estudar a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), em reunião realizada no dia 15 de fevereiro, em Brasília. O grupo abordará todas as questões relacionadas ao valor da remuneração médica, possíveis distorções, forma de pagamento do código 45 e 7, além de reavaliar a forma contratual do Ministério aos hospitais. Rio renova Programa de Apoio aos Hospitais do Interior O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, acertou a renovação do Programa de Apoio aos Hospitais do Interior (PAHI) e a ampliação para os hospitais de Referência Regional do Interior. O PAHI foi criado pela Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil (Sesdec) com objetivo de fomentar, em parceria com as prefeituras, a organização da atenção à saúde por regiões, com a qualificação do acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estatísticas do Setor Federal 53 Hospitais Públicos Estadual Municipal Hospitais Privados Sem Fins Lucrativos Lucrativos Hospitais Universitários e de Ensino TOTAL Fonte CNES - 12/2010 3

4 Seguro de Responsabilidade Civil Uma decisão estratégica dos hospitais para a proteção do patrimônio A todo o momento aumenta o número de médicos e estabelecimentos de saúde em todo o país que são processados por dano moral. As áreas mais comuns são as cirurgias plásticas e procedimentos obstétricos. Segundo o advogado Lymark Kamaroff, é preciso investir em prevenção. Além de uma boa relação com o paciente, o fundamental para evitar esse tipo de processo é um prontuário médico eficiente e a utilização de Termos de Consentimentos Esclarecidos. No entanto, se a prevenção falhar, quem protegerá o patrimônio do médico, do profissional ou do estabelecimento de saúde? Segundo o sócio diretor da Corretora SEGPRO-Seguros Profissionais, Maurício Basséres, uma outra forma de prevenção é o seguro de responsabilidade civil, que aos poucos cresce no país. O benefício em caso de sinistro, pode ser a própria sobrevivência da empresa e a continuação da carreira profissional para o autônomo, ensina. O executivo explica que, assim como todas as outras modalidades de seguro, o do segmento da saúde é uma opção estratégica que foca a autopreservação a longo prazo. Traz tranquilidade para o hoje ao se saber protegido das eventualidades do amanhã. E esta é a principal vantagem para o hospital, para o médico ou para o laboratório - cada qual, evidentemente, com seu seguro dimensionado ao tamanho do risco que representa, orienta Basséres. Proteção do patrimônio Na opinião do diretor da AHERJ, Roberto Vellasco, pela tranqüilidade que oferece, a contratação de um seguro de responsabilidade civil justifica plenamente o seu custo. Quando menos se espera os processos envolvem grandes quantias e complicam completamente a rotina de atuação dos próprios médicos e hospitais, opina. O presidente da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas, Irineu Grinberg, recomenda a contratação de seguros profissionais pelos laboratórios para a proteção dos processos por danos moral e material. Os seguros profissionais em linhas gerais são de baixo custo e previnem os laboratórios clínicos de situações, quase sempre imprevisíveis, pois em caso de ocorrerem citações judiciais, haverá a garantia de equipes jurídicas e cobertura da indenização em caso de condenação, orienta. Segundo Irineu Grinberg, os laboratórios clínicos estão sujeitos a inconformidades técnicas de todas as origens, que podem começar até na marcação de exames e no preparo inconveniente do cliente. O presidente da SBAC lembra o caso de um laboratório, que ao liberar um resultado de falso reagente para HIV, ter sido acionado judicialmente, condenado a pagar uma soma considerável a título de indenização por danos morais. Além disso, por ter ficado desacreditado em sua comunidade, foi obrigado a encerrar suas atividades. O Diretor do Hospital Joari, José Mansur Jr. também acredita que a contratação de um seguro é importante para proteger tanto o estabelecimento de saúde quanto o médico, evitando com isso a dilapidação do patrimônio. Acho que vale a pena, apesar de nem sempre a indenização cobrir totalmente as despesas, explica. Na visão do 1º vice-presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Roberto Saad Jr., o cirurgião deve se preocupar primeiro com os cuidados básicos: fazer bem o Maurício Basséres, da Segpro. Eduardo Teixeira, diretor da SBMCPE. O advogado Lymark Kamaroff. 4

5 que sabe e manter a qualidade na relação médico-paciente. Em sua opinião, o erro verdadeiro, dano moral ou material, deve ser punido com rigor. No entanto, acredita que na maioria das vezes discute-se o suposto erro médico. Isso dá margem a um grande numero de processos que não possuem bases substanciais para serem rotulados de erros, opina. O impacto dos processos O advogado Lymark Kamaroff acredita que o seguro de responsabilidade civil traz tranquilidade aos médicos e estabelecimentos de saúde. O principal argumento é que as ações referentes ao erro médico normalmente possuem pedidos indenizatórios altos, acima de mil reais. Além disso, lembra, surgem despesas no decorrer do processo, como o pagamento de honorários periciais, pagamento de assistente pericial, de custas processuais e honorários advocatícios quando a ação é julgada procedente para o paciente. Segundo Lymark Kamaroff, todas essas despesas são pagas pela seguradora. Lymark Kamaroff revela que uma condenação por danos morais pode complicar o dia-a-dia do médico e hospitais em vários sentidos: a penhora de contas bancárias, bens móveis e imóveis, sem contar o constrangimento de receber, na frente dos pacientes, um oficial de justiça informando sobre a existência do processo. O seguro de responsabilidade civil é uma garantia indispensável para quem pretende atuar na profissão, adverte o diretor da Sociedade Brasileira de Medicina e Cirurgia Plástica Estética, Eduardo Teixeira. É como em qualquer modalidade de seguro, seja de automóvel, residência ou mesmo de saúde, em que pagamos para termos uma garantia de que, diante de um imprevisto, os prejuízos sejam limitados e não comprometam nossa estabilidade. Ou seja, pago esperando não precisar usar nunca, mas sei que a chance de ter que recorrer a ele existe e, que se esta hora chegar, vou me sentir mais tranquilo e resguardado, define. Eduardo Teixeira lembra que a Medicina não é ciência exata. Imprevistos acontecem todos os dias, mesmo com todos os cuidados. Quem opera 10 pacientes por semana tem, estatisticamente, um risco real de se deparar com uma complicação per-opertatória, um acidente anestésico ou uma intercorrência clínica. Além disso, existe sempre um grau de imprevisibilidade na evolução dos pacientes no pósoperatório, e os resultados podem não atingir o esperado, orienta. Na opinião de Maurício Basséres, existe um agravante na questão da Responsabilidade Civil. A incapacidade das pessoas jurídicas de arcar com uma condenação. Muito além da falência da instituição, esta poderá ter sua personalidade jurídica desconsiderada e os bens dos sócios serem utilizados para pagamento das indenizações. Como Funciona o seguro de responsabilidade civil É um seguro à base de reembolso. Ou seja, a seguradora reembolsa o segurado pelas indenizações que for obrigada a pagar por consequência de sua atividade profissional. Também reembolsa os gastos do segurado com honorários advocatícios e custas processuais, tanto em fórum cível como em processos administrativos. Diante de um sinistro, o segurado entra em contato com sua corretora especializada que fará, a partir daí, a interlocução entre ele e a seguradora. Se o segurado não tiver advogado próprio, tanto a seguradora quanto a corretora poderão apresentar alternativas de escritórios com especialidade reconhecida na defesa médica. A partir daí a corretora vai trabalhar para que o fluxo de cada recurso desembolsado pelo segurado retorne a ele, vindo da seguradora, com a maior brevidade possível. Isso, dia-a-dia, até o fim do processo, o que pode até durar alguns anos. No segmento de hospitais, o diretor da Segpro explica que cada seguro é totalmente individualizado por tamanho, especialidades, volume de atendimento, histórico de sinistros, características próprias, além do valor desejado para o seguro. Preenche-se um questionário onde todas essas questões serão levantadas e as seguradoras, a partir daí, estabelecerão o valor que cada uma pretende para garantir aquele segurado, naquela quantia. A importância da prevenção O advogado Lymark Kamaroff orienta que dano moral é o que não acarreta prejuízo econômico ao lesado. É originário de um ato ilícito que atinge a honra, a dignidade, a intimidade do lesado, que são direitos fundamentais do cidadão previstos na Constituição Federal. Lymark Kamaroff explica que ultimamente os julgamentos têm sido favoráveis aos profissionais da saúde. O alcance desse êxito vem justamente da utilização, pelos profissionais, de uma documentação completa do paciente. O profissional da área de saúde precisa prestar ao paciente todas as informações sobre o procedimento que será realizado, principalmente as possíveis intercorrências inerentes ao procedimento e todo o acompanhamento e tratamento pós-operatório que deverá ser feito pelo paciente. O objetivo, explica o advogado, é estabelecer o livre consentimento do paciente para a realização do procedimento proposto. Além disso, o profissional deve inserir em toda a documentação médica, detalhes sobre o procedimento realizado, consultas de revisão, dentre outros, recomenda. 5

6 Carlos Eduardo de Toledo Blake Hospitais podem pedir revisão dos valores das autuações do INSS Após inúmeras discussões travadas no âmbito dos tribunais superiores, o Supremo Tribunal Federal (STF), editou a Súmula Vinculante nº 8, declarando inconstitucional parte da legislação que autorizava o INSS a cobrar seus créditos retroativamente a 10, permitindo a cobrança relativa a cinco anos apenas. PORTARIAS - Ministério da Saúde Dessa forma, os hospitais que foram autuados pelo fisco Federal em relação às contribuições previdenciárias sobre competência de 10 anos e incluíram os valores dos débitos em parcelamento, podem realizar revisões dos parcelamentos firmados e ainda não concluídos. É possível, inclusive, suspender o parcelamento por meio de procedimento administrativo, até que o INSS equalize o montante total que por ventura ainda seja devido, para alocação dos valores Portaria MS/ SAS Nº 694 de 16 de dezembro de 2010, republicada no DOU Nº 20 de 28 de janeiro de dos débitos com os créditos. O resultado é que pode ser gerado,se for o caso, crédito para efetuar pagamento com débitos vencidos ou vincendos, administrados pela Receita Federal do Brasil. Walace Cardoso Advogado Monteiro e Monteiro Advogados Associados Tel.: Exclui da Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS, oito procedimentos na área de neurocirurgia. Portaria MS/ GM Nº 104 de 25 de janeiro de 2011, publicada no DOU Nº 18 de 26 de janeiro de 2011, seção 1, páginas 37/38. Define as terminologias adotadas em legislação nacional, conforme o disposto no regulamento Sanitário Internacional 2005 (RSI 2005), a relação de doenças, agravos e eventos em saúde pública de notificação compulsória em todo o território nacional e estabelece fluxo, critérios, responsabilidades e atribuições aos profissionaisl. PORTARIAS - Secretaria da Receita Federal Instrução Normativa / SRF Nº 1125 de 31 de janeiro de 2011, publicada no DOU Nº 23 de 02 de fevereiro de 2011, seção 1, página 08. Aprova o programa multiplataforma para preenchimento da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, da Declaração de Final de Espólio e da Declaração de Saída Definitiva do País, referentes ao exercício de 2011, ano-calendário de 2010 (IRPF2011), para uso em computador que possua a máquina virtual Java (JVM), versão 1.6 ou superior, instalada. 6

7 A Unificação do Prontuário Eletrônico do Paciente através do Projeto de Lei 474/08 Os médicos têm o dever de elaborar um prontuário para todos os pacientes que atenderem, registrando informações sobre sua saúde e a assistência que lhes foi prestada. É dever do médico e das instituições de saúde a guarda do prontuário de forma sigilosa, mas mantendo-o disponível ao paciente e para possibilitar o seu tratamento de forma continuada. A Resolução CFM 1821/07 autorizou a elaboração de prontuários sob a forma eletrônica, eliminando a obrigatoriedade de registro físico, e a partir de então, os Prontuários Eletrônicos do Paciente (PEP) têm sido implantados nos estabelecimentos de saúde. Atualmente está tramitando no Senado o Projeto de Lei 474/08, que trata da utilização do Prontuário Eletrônico, agora sob a forma de um cadastro único que abrangerá os cidadãos brasileiros, todos os profissionais de saúde e os serviços de saúde públicos e privados do país, a ser criado e gerenciado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto reforça o valor probante do prontuário eletrônico, e dispõe que os registros no prontuário serão feitos mediante assinatura eletrônica. Haverá um cadastramento prévio e fornecimento de senha para possibilitar o acesso via internet O Projeto de Lei desperta preocupação com o sigilo, pois o ambiente virtual é passível de invasões. de todos os cadastrados, mas o sistema será feito de modo a preservar o sigilo, a identidade, a integridade e a autenticidade dos registros. A unificação do Prontuário eletrônico tem como vantagem a obtenção instantânea do histórico do paciente em qualquer local do país, e também deverá ser observado pelos planos de saúde e seus beneficiários. O PL 474/08 desperta preocupação com o dever de sigilo do prontuário, visto que o ambiente virtual é passível de invasões e principalmente de acesso inapropriado e desnecessário de pessoas autorizadas, pois os profissionais da saúde não podem acessar dados de pessoas que não estejam sob seus cuidados. Não obstante, nenhum sistema de arquivo está absolutamente isento de riscos de violação; mas os sistemas eletrônicos podem controlar o acesso de dados de acordo com a permissão específica de quem o utiliza, bem como gravar todos os acessos realizados, de forma a impedir a utilização indevida do sistema. Mas para que este controle seja efetivado, faz-se necessária uma regulamentação mais detalhada. O projeto está em fase de tramitação no Senado, havendo forte expectativa de que se converta em lei. Soraya Marina Barcelos Elcio Reis & Advogados Associados Tel.:

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