Programa da disciplina de Direitos Fundamentais. Ano lectivo de 2011/2012

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1 Programa da disciplina de Direitos Fundamentais Ano lectivo de 2011/2012 Regente: Jorge Reis Novais 1- Apresentação da disciplina: programa, bibliografia, aulas e método de avaliação. O objectivo da disciplina: o estudo dos direitos fundamentais enquanto garantias jurídicoconstitucionais. A distinção entre direitos fundamentais e direitos humanos. Os direitos fundamentais enquanto garantias jurídicas e enquanto objecto de luta política e de transformação social. Bibliografia: A bibliografia sobre direitos fundamentais, mesmo considerando só a escrita em língua portuguesa, é já quase inabarcável, pelo que, para além dos textos do regente da disciplina que serão expressamente indicados em cada ponto específico do programa como textos de apoio ao estudo da matéria leccionada, se sugerem apenas as principais obras que podem auxiliar o acompanhamento do programa. Com a advertência que nessas obras se sustentam, em geral, posições muito diversas do sentido com que a matéria é leccionada neste curso, aconselhamos, em língua portuguesa, as anotações aos direitos fundamentais constantes das duas principais Constituições Anotadas (de Gomes Canotilho/Vital Moreira e de Jorge Miranda/Rui Medeiros) e ainda: Jorge Miranda, Manual de Direito Constitucional, IV, Direitos Fundamentais, Coimbra, 2008 Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da Constituição, Coimbra, 2007 Vieira de Andrade, Os Direitos Fundamentais na Constituição Portuguesa de 1976, Coimbra, 2009 Melo Alexandrino, Direitos Fundamentais, Lisboa,

2 Ingo Sarlet, A Eficácia dos Direitos Fundamentais, Porto Alegre, Os direitos fundamentais na história do Estado de Direito: no Estado de Direito liberal; no Estado social e democrático de Direito. Jorge Reis Novais Os Princípios Constitucionais Estruturantes da República Portuguesa, págs. 15 ss. Jorge Reis Novais Contributo para uma Teoria do Estado de Direito, págs. 59 segs, 179 segs. 3. Os direitos fundamentais enquanto garantias jurídico-constitucionais em Estado de Direito democrático. Sua natureza, alcance e relevância jurídica. A relação entre o princípio do Estado de Direito e o princípio democrático. O papel do poder judicial na garantia dos direitos fundamentais em Estado democrático. Os direitos fundamentais como trunfos contra a maioria. segs. Jorge Reis Novais Direitos Fundamentais: Trunfos contra a Maioria, págs. 17 e 4. A complexidade, as vantagens e as dificuldades da compreensão dos direitos fundamentais como trunfos. A necessária compatibilização entre direitos fundamentais e outros bens dignos de protecção jurídica. A dependência que a garantia e a realização dos direitos fundamentais apresentam face à necessária intervenção e actuação do Estado. A inadequação constitucional do princípio in dubio pro libertate. A necessidade de uma dogmática sólida de enquadramento jurídico-constitucional dos direitos fundamentais. 2

3 segs. Jorge Reis Novais Direitos Fundamentais: Trunfos contra a Maioria, págs. 56 e Jorge Reis Novais Direitos Sociais, págs. 319 ss; Jorge Reis Novais As Restrições aos Direitos Fundamentais não Expressamente Autorizadas pela Constituição, págs. 708 segs; págs. 693 segs. 5. Conceito de direito fundamental. Direitos fundamentais em sentido formal e em sentido material. A cláusula aberta. A estrutura típica das normas de direitos fundamentais. Titulares, destinatários e conteúdo dos direitos fundamentais. Algumas distinções dogmáticas essenciais. Enunciado normativo e norma de direito fundamental. Direito fundamental como um todo e cada uma das diferentes faculdades que o integram. Dimensão principal e dimensões secundárias no conteúdo dos direitos fundamentais. Dimensão objectiva e dimensão subjectiva das garantias jurídicas jusfundamentais. Direito fundamental e direito subjectivo. Jorge Reis Novais As Restrições aos Direitos Fundamentais não Expressamente Autorizadas pela Constituição, págs. 51 e segs, 57 e segs. 6. Classificações e tipos de direitos fundamentais. As classificações de direitos fundamentais e a Constituição portuguesa. A distinção entre direitos de liberdade e direitos sociais: na doutrina, nos textos de Direito Internacional de Direitos Humanos e na Constituição portuguesa. Direitos, liberdades e garantias e direitos económicos, sociais e culturais: critérios de sistematização e de distinção. O art. 17º da Constituição e a concepção tradicional sobre a distinção entre direitos, liberdades e garantias e direitos económicos, sociais e culturais. Os direitos análogos a direitos, liberdades e garantias e o pretenso regime 3

4 de protecção especial dos direitos de liberdade. O regime especial de protecção dos direitos, liberdades e garantias enquanto regime material, orgânico e de revisão constitucional. Jorge Reis Novais Direitos Sociais, págs. 333 segs. 7. Crítica da concepção tradicional sobre a distinção entre direitos de liberdade e direitos sociais na Constituição portuguesa. Crítica da concepção tradicional sobre a existência de dois regimes diferentes de protecção dos direitos de liberdade e dos direitos sociais. Jorge Reis Novais Direitos Sociais, págs. 340 segs, 358 segs. Jorge Reis Novais As Restrições aos Direitos Fundamentais não Expressamente Autorizadas pela Constituição, págs. 125 segs. 8. Crítica da desqualificação dos direitos sociais enquanto direitos fundamentais. A reserva do financeiramente possível, a natureza positiva, a determinabilidade de conteúdo e a questão da aplicabilidade directa dos preceitos constitucionais sobre direitos fundamentais. Jorge Reis Novais Direitos Sociais, págs. 65 segs., 89 segs., 251 segs. 9. A natureza constitucional das garantias jusfundamentais e a necessidade de uma dogmática de direitos fundamentais unitária e abrangente. Os factores de diferenciação no quadro de uma dogmática de direitos fundamentais unitária e os seus reflexos na fixação de diferentes margens de decisão de legislador, administração e poder judicial. A diferente 4

5 densidade normativa das normas de direitos fundamentais. A diferente natureza dos deveres estatais e das reservas que os afectam. A natureza negativa ou positiva dos direitos. Jorge Reis Novais Direitos Sociais, págs. 255 segs., 269 segs. 10. A diferente densidade normativa das normas de direitos fundamentais. Regras e princípios. Direitos definitivos e direitos sujeitos a ponderação. Jorge Reis Novais As Restrições aos Direitos Fundamentais não Expressamente Autorizadas pela Constituição, págs. 322 segs. Jorge Reis Novais Direitos Sociais, págs. 269 segs. 11. A diferente natureza dos deveres estatais correlativos ou associados aos direitos fundamentais (dever de respeitar, dever de proteger e dever de promover) e o controlo judicial da respectiva realização à luz do princípio da separação de poderes. As reservas próprias de cada tipo dos diferentes deveres estatais associados aos direitos fundamentais e o princípio da separação de poderes. O dever estatal de respeito dos direitos fundamentais e a reserva geral imanente de ponderação. O dever estatal de protecção dos direitos fundamentais e a reserva do politicamente adequado ou oportuno. O dever estatal de promoção dos direitos fundamentais e a reserva do financeiramente possível. Jorge Reis Novais Direitos Sociais, págs. 255 segs., 271 segs. concreto 12. A natureza negativa ou positiva dos direitos fundamentais em apreciação no caso 5

6 Jorge Reis Novais Direitos Sociais, págs. 282 segs. 13. A figura e o conceito de restrição aos direitos fundamentais enquanto instância central da teoria de direitos fundamentais. O problema do fundamento da admissibilidade de restrições aos direitos fundamentais ou de limites dos direitos fundamentais. Teoria externa, teoria interna e teoria dos direitos fundamentais como princípios. Jorge Reis Novais As Restrições aos Direitos Fundamentais não Expressamente Autorizadas pela Constituição, págs. 289 e segs. 14. Posição adoptada sobre o fundamento e as necessidades de controlo das restrições aos direitos fundamentais. A inadequação da teoria dos limites imanentes à luz das necessidades de protecção da liberdade em Estado de Direito. A adequação constitucional do recurso à metodologia da ponderação de bens. A ponderação de bens e os riscos de subjectivismo e decisionismo. A reserva geral imanente de ponderação como pressuposto lógico da admissibilidade de restrições e as necessidades do controlo da sua constitucionalidade em caso de ocorrência. Jorge Reis Novais As Restrições aos Direitos Fundamentais não Expressamente Autorizadas pela Constituição, págs. 569 segs., 602 segs., 693 segs. segs. Jorge Reis Novais Direitos Fundamentais: Trunfos contra a Maioria, págs. 49 e 6

7 15. Estado de Direito, necessidades de controlo das afectações desvantajosas dos direitos fundamentais e adequação do modelo proposto pela teoria externa. A primeira fase ou fase preliminar do processo de controlo: a delimitação do conteúdo constitucionalmente protegido do direito fundamental. A necessidade dessa fase de controlo face aos modelos alternativos: a concepção restritiva própria da teoria interna (que concentra todo o processo de controlo na interpretação do conteúdo protegido do direito fundamental e prescinde do controlo da restrição) e a concepção ampliativa própria da teoria dos princípios (que concentra todo o controlo na ponderação de bens que conduz à imposição de um limite e prescinde da necessidade de interpretação do conteúdo protegido do direito fundamental). Jorge Reis Novais As Restrições aos Direitos Fundamentais não Expressamente Autorizadas pela Constituição, págs. 354 e segs, 396 e segs. 16. A fase de verificação da existência de uma restrição ao conteúdo protegido do direito fundamental. A irrelevância prática da distinção entre restrições e conceitos afins. A distinção entre restrição e suspensão de direitos fundamentais. Leis restritivas e intervenções restritivas. O controlo da constitucionalidade da restrição. A autorização ou a justificação para restringir. Restrições expressamente autorizadas pela Constituição e restrições não expressamente autorizadas. O sentido do art. 18º, 2, da Constituição portuguesa. Jorge Reis Novais As Restrições aos Direitos Fundamentais não Expressamente Autorizadas pela Constituição, págs. 172 segs, 192 segs., 254 segs., 581 segs. 17. O controlo da justificação das restrições. A concepção dos direitos fundamentais como trunfos, a necessidade de uma justificação forte e a inadmissibilidade de algumas razões para restringir. A natureza constitucional ou infraconstitucional dos bens susceptíveis 7

8 de justificar a ocorrência de uma restrição. O problema dos limites aos limites e os seus diferentes tipos. Jorge Reis Novais As Restrições aos Direitos Fundamentais não Expressamente Autorizadas pela Constituição, 602 e segs, 626 e segs, 727 e segs. segs. Jorge Reis Novais Direitos Fundamentais: Trunfos contra a Maioria, págs. 49 e 18. O art. 18º, nº 2. O princípio da proibição do excesso e os seus diferentes subprincípios (aptidão, indispensabilidade, proporcionalidade, razoabilidade, determinabilidade). Jorge Reis Novais Os Princípios Constitucionais Estruturantes da República Portuguesa, págs. 161 segs. 19. O art. 13º e ao art. 18º, nº 3. O princípio da igualdade. A proibição de leis restritivas não gerais e não abstractas. Jorge Reis Novais Os Princípios Constitucionais Estruturantes da República Portuguesa, págs. 101 segs. 20. O art. 2º e o art. 18º, nº 3. O princípio da segurança jurídica e da protecção da confiança. A proibição de leis restritivas retroactivas. 8

9 Jorge Reis Novais Os Princípios Constitucionais Estruturantes da República Portuguesa, págs. 261 segs. 21. A garantia do conteúdo essencial dos direitos fundamentais. A discutível relevância desta garantia entre a retórica e a identificação com a proibição do excesso ou com a dignidade da pessoa humana. As várias teorias explicativas: absoluta, relativa, objectiva, subjectiva. Os limites orgânicos. O sentido da reserva de lei parlamentar. Jorge Reis Novais As Restrições aos Direitos Fundamentais não expressamente autorizadas pela Constituição, págs. 727 e segs. e págs. 779 e segs, 872 ss. 22. A relevância jurídica dos direitos fundamentais enquanto direitos positivos. O controlo judicial da afectação dos direitos fundamentais no âmbito dos deveres estatais de protecção e de promoção. O princípio da proibição do défice. Mínimo de protecção, mínimo social, razoabilidade e dignidade da pessoa humana. Jorge Reis Novais Direitos Sociais, págs. 302 segs. 23. O princípio da dignidade da pessoa humana. O sentido da relevância do princípio nos direitos de liberdade e nos direitos sociais. O dever estatal de protecção e a protecção contra si próprio. A renúncia a direitos fundamentais. Jorge Reis Novais Os Princípios Constitucionais Estruturantes da República Portuguesa, págs. 51 segs. 9

10 segs. Jorge Reis Novais Direitos Fundamentais, Trunfos contra a Maioria, págs. 211 e 24. A tutela dos direitos fundamentais. A tutela jurisdicional dos direitos fundamentais. A tutela pelo Tribunal Constitucional. As possibilidades limitadas de os particulares acederem ao Tribunal Constitucional para protecção dos direitos fundamentais contra intervenções restritivas actuadas pela Administração e pelo poder judicial. A Convenção Europeia dos Direitos do Homem e a protecção dos direitos fundamentais pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Jorge Reis Novais Direitos Fundamentais, Trunfos contra a Maioria, págs. 11 e seg., págs. 155 e segs. 25. A tutela por parte dos tribunais comuns e a controvérsia doutrinária acerca da invocabilidade dos direitos fundamentais nas relações jurídicas entre privados. O sentido controverso do art. 18º, nº 1, da Constituição. As diferentes teses de enquadramento do problema. segs. Jorge Reis Novais Direitos Fundamentais, Trunfos contra a Maioria, págs. 69 e Jorge Reis Novais "A intervenção do Provedor de Justiça nas relações entre privados" in "O Provedor de Justiça, Novos Estudos", Lisboa, 2008, págs. 227 e segs. (este texto está no site do ICJP, no link Institutos da página da FDL). 10

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