TOXICOMANIAS SINTOMA NA CONTEMPORANEIDADE Paradoxo do gozo no encontro do objeto a com o objeto droga

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1 TOXICOMANIAS SINTOMA NA CONTEMPORANEIDADE Paradoxo do gozo no encontro do objeto a com o objeto droga 2008

2 NÁDIA AFONSO SOUZA MARTINS TOXICOMANIAS SINTOMA NA CONTEMPORANEIDADE Paradoxo do gozo no encontro do objeto a com o objeto droga MESTRADO PROFISSIONAL EM PSICANÁLISE, SAÚDE E SOCIEDADE ORIENTADORA: Dra. Betty Bernardo Fuks Rio de Janeiro 2008

3 UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA SISTEMA DE BIBLIOTECAS Rua Ibituruna, 108 Maracanã Rio de Janeiro RJ Tel.: (21) Fax.: (21) FICHA CATALOGRÁFICA M379t Martins, Nádia Afonso Souza FICHA CATALOGRÁFICA Toxicomanias sintoma na contemporaneidade: Paradoxo do gozo no encontro do objeto a com o objeto droga / Nádia Afonso Souza Martins, p. ; 30 cm. Dissertação (Mestrado) Universidade Veiga de Almeida, Mestrado Profissional em Psicanálise, Saúde e Sociedade, Rio de Janeiro, Orientação: Betty Bernardo Fuks 1. Toxicomania. 2. Psicanálise. 3. Gozo. I. Fuks, Betty Bernardo. II. Universidade Veiga de Almeida, Mestrado Profissional em Psicanálise, Saúde e Sociedade. III. Título. CDD Ficha Catalográfica elaborada pela Biblioteca Setorial Tijucal/UVA

4 NÁDIA AFONSO SOUZA MARTINS TOXICOMANIAS SINTOMA NA CONTEMPORANEIDADE Paradoxo do gozo no encontro do objeto a com o objeto droga MESTRADO PROFISSIONAL EM PSICANÁLISE, SAÚDE E SOCIEDADE Aprovada em BANCA EXAMINADORA Profa. Dra. Betty Bernardo Fuks Dra. em Comunicação e cultura (UFRJ-ECO) Profa. Dra. Sandra Vilma Paes Barreto Edler Dra. em Teoria Psicanalítica (UFRJ) Profa. Dra. Maria Anita Carneiro Ribeiro Pós-Dra. em Psicologia (PUC) SUPLENTE Profa. Vera Pollo Mestre em Psicanálise (PUC RJ)

5 Para Zé, meu amor, amigo e companheiro pela cumplicidade nos projetos da vida e aos meus filhos amados Guto e Carol, o resultado dos momentos em que não estivemos juntos.

6 AGRADECIMENTOS A Professora Betty Fucks pela orientação e suporte aos meus passos iniciais, nesse trabalho de pesquisa. A Professora Maria Anita pela incansável dedicação a todo o meu percurso clínico e teórico de formação psicanalítica nas FCCL o que me abriu as comportas do desejo de saber. Aos meus professores e colegas de FCCL pela interlocução generosa durante o desenvolvimento desse trabalho. A Professora Clara Inem da Rede de Pesquisa em Toxicomania pela escuta, sempre interessada e pela paixão com que nos transmite sua experiência nesta área de saber psicanalítico com o toxicômano. A professora Glória Sadala, Coord. do Mestrado, pelo incentivo e aposta nesse tema de trabalho e pelo sucesso que tem sido esse espaço de trabalho acadêmico. A Professora e Doutora Sandra Vilma Paes Barreto Edler pela colaboração com avaliações e críticas construtivas, durante minha formação acadêmica, incentivando-me na trajetória pela psicanálise. Ao Prof.º Marco Antônio Coutinho da UERJ pelas dicas preciosas durante parte desse estudo e por sua gentileza na colaboração com envio de seus preciosos textos. Às colegas de outras sociedades psicanalíticas que se debruçaram com cumplicidade e parceria, durante algumas partes desse estudo, em especial: Ana Paola Staynhauser da Letra Psicanalítica, pela contribuição dos termos em alemão. Aos meus pacientes pela fonte inesgotável de estudo e pesquisa que se submeteram autorizando-me no trabalho com a clínica psicanalítica. À minha preciosa família pelo apoio e incentivo que sempre dedicaram a todos meus interesses profissionais. Ao Zé meu marido, parceiro, amigo e amante que sempre me incentivou em todo crescimento profissional e pessoal. Aos meus filhos Guto e Carol - amores da minha vida, pelas horas que deixei de estar com eles estabelecendo intensa dedicação, me debruçando sobre os autores escolhidos nessa bibliografia. Ao meu saudoso pai, por suas memórias aos incentivos que me inspirava em todos esses momentos de passagens e viradas na vida, há quem muito devo retribuições amorosas. Ao Professor Antonio Quinet por ocupar brilhantemente, durante tantos anos, o lugar de objeto a, no dispositivo mais íntimo de minha vida, o dispositivo analítico.

7 RESUMO A questão privilegiada nesse estudo sobre as toxicomanias foi o momento paradoxal do encontro subjetivo do objeto droga com o objeto a, no dispositivo analítico, durante o tratamento. Trata-se de focalizar a evitação do sujeito à castração, posto que a droga pode funcionar como uma tentativa de anular o sofrimento decorrente da perda do objeto, na verdade, desde sempre perdido. Nossa investigação parte do paradoxo do gozo que apresenta um predomínio sobre o movimento desejante do sujeito, que altera o sentido da castração e a noção de limite. Na toxicomania, o sujeito submerge no discurso capitalista também afeito ao fascínio pelo consumo de drogas e pelos efeitos medicamentosos dos psicofármacos, abrindo espaço para o fracasso do laço social. O que justamente caracteriza o sintoma como sintoma social é a manifestação do esgarçamento do laço social, fundado na dimensão simbólica do sujeito submetido à clandestinidade com o uso das drogas, à violência, à agressividade exagerada e ao excesso de gozo. Lacan parte de Marx e das relações do sujeito com o capital e a cultura para aprofundar a discussão sobre o mal-estar na estrutura subjetiva. Tal formulação levou-o a positivar o conceito de sintoma ao final de análise como uma forma de gozo, própria do sujeito, seu estilo, sua verdade e o que enlaça os registros real, simbólico e imaginário. O sujeito toxicômano, mergulhado no gozo que incide no real de seu corpo, encontra dificuldade na mediação fálica, no estabelecimento de laços sociais e em sua permanência na análise. À luz da dialética da teoria dos discursos psicanalíticos lacanianos, nas toxicomanias, o sujeito estaria submetido ao discurso capitalista, como objeto de gozo, exposto à banalização da violência, do sexo e da morte. Lacan diz que o amor é o sinal de que trocamos de discurso, a cada aproximação da verdade, desse ponto mais real da verdade, desse impossível, há uma mudança de discurso... é o que chamamos de amor à verdade. ( ). Para desenvolver essa hipótese, nos colocamos como objeto a, causa de desejo e nos preparamos para enfrentar uma clínica do real ao simbólico, aguardando esse sinal do amor, que segundo Lacan se revela numa mudança de discurso. Apresentamos a trajetória de alguns pacientes toxicômanos, que inebriam suas angústias de imediato com o uso da droga tornando-a um antídoto ao tratamento psicanalítico, para ilustrar nossos estudos em busca de um saber teórico. Palavras-chave: toxicomania, ato, gozo, desejo e contemporaneidade.

8 ABSTRACT Our approach to this study on drug addiction was the paradoxical moment of the subjective encounter among the object, the drug and the object a, in the analytical device, during therapy. It is about placing the focus on how the subject tries to avoid castration, since the drug may work as an attempt to nullify the suffering brought about the loss of the object that, actually, has always been lost. The starting point of our investigation is the paradox of lust that prevails over the subject s desiring movement that changes the sense of castration and the idea of limitation. What clearly typifies it as a social symptom is precisely the manifestation of shredding social ties, based on the symbolic dimension of the subject led to clandestinity due to drug use, violence, exacerbated aggressiveness and excess of lust. In drug addiction, the subject is drowned into the capitalist discourse and gets used to the fascination of drug consumption and the medical effects of psycho-drugs that brings about failure of social ties. Based on Marx and on the subject s relation with the capital and the culture, Lacan deepens the discussion on uneasiness in the subjective structure. Such formulation made him establish the concept of symptom at the end of the therapy as a means of lust, typical of the subject, of his style, of his truth and that ties the real, symbolic, and imaginary records. The drug-addicted subject, plunged into that lust that falls on the true part of his body and without phallic mediation, finds it difficult to establish social ties and to stay in therapy. From the point of view of the dialectics of Lacan s psychoanalyst discourses on drug-addiction, the subject would be subordinated to capitalist discourse, as an object of lust, exposed to violence, sex and death, as something ordinary. Lacan says that love is the sign that we change discourses every time we get closer to truth, to this more real point of truth, to this impossible, there is a change in discourse... it is what we call love of truth. ( ). In order to develop such thesis, we place ourselves as object a, cause of desire, and get ready to face a clinic from the real to the symbolic, awaiting this love sign that, according to Lacan, reveals itself in a change of discourse. We present the trajectory of some drug-addicted patients that inebriate their anguish immediately by using drugs making the latter an antidote to psychoanalytic therapy, to illustrate our studies in search of some theoretical knowledge. Keywords: drug addiction, act, lust, desire and contemporaniety.

9 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 9 1 O OBJETO a E O DESEJO O IMPOSSÍVEL E A FALTA O DESEJO E DAS DING A PULSÃO E SEUS DESTINOS QUESTÕES ESPECÍFICAS EXTRAÍDAS DA PRÁTICA CLÍNICA COM TOXICÔMANOS 36 2 VICISSITUDES DO ATO FREUD E O ATO CASO CLÍNICO PARADIGMÁTICO DA ENTRADA EM ANÁLISE COM UM ACTING OUT LACAN - ACTING OUT, ATUAÇÃO OU PASSAGEM AO ATO ANGÚSTIA DESEJO E GOZO 50 3 A DIMENSÃO DO GOZO NA CONTEMPORANEIDADE FREUD DELINEOU O CAMPO DO GOZO A DIMENSÃO DO GOZO EM LACAN DISCURSOS E LAÇOS SOCIAIS O GOZO DISCURSIVO TOXICOMANIA FORMAS DE GOZO E TRANSFERÊNCIA PARADOXOS DO GOZO CASO CLÍNICO UMA EXPRESSÃO DO GOZO CONTEMPORANEIDADE E FORMAS DE MODERNIDADE SINTOMAS NA CONTEMPORANEIDADE 120 CONCLUSÃO 139 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 148

10 INTRODUÇÃO O tema que investigamos, no presente trabalho, vem de uma trajetória de experiência clínica tanto em consultório quanto em serviços de atendimento a usuários de drogas que nos endereçam seu sofrimento. Os inúmeros impasses encontrados nessa prática, particularmente aqueles relacionados à demanda de tratamento e ao verdadeiro desejo do sujeito, foram articulados com o estatuto do gozo e a Teoria dos Discursos da obra lacaniana. Partimos da concepção da droga como produto da ciência elevada à categoria de mercadoria no Discurso Capitalista e as toxicomanias concebemos como uma forma de gozo do sujeito agravado pelo o mal-estar na contemporaneidade. Iniciamos, em 1997, uma experiência de trabalho com crianças e adolescentes infratores, atendidos nas unidades de internação do DEGASE (Departamento Geral de Ações Sócio-educativas), destinado a receber jovens, autores de ato infracional, encaminhados pelo Juizado da Infância e Juventude para cumprimento de medidas socio-educativas, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA Lei nº ). Participamos, então, do desenvolvimento de um projeto de prevenção e tratamento ao uso/abuso de drogas, intitulado Projeto Nossa Casa, junto a uma equipe composta por psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, terapeutas educacionais e médicos, que teve a consultoria da Superintendência de Saúde da Secretaria de Estado e Justiça. O trabalho propiciou, além de uma extensa experiência com adolescentes infratores envolvidos com a droga e a criminalidade, a

11 10 oportunidade ímpar de colaborar na autoria coletiva da elaboração do projeto mencionado. No período de 2001 a 2003, acompanhamos pacientes toxicômanos e alcoólatras no Hospital Escola São Francisco de Assis da UFRJ, experiência que muito contribuiu para configurar algumas interrogações desde o campo da psicanálise. Finalmente, a partir de 2004, trabalhamos com adultos usuários de drogas lícitas e ilícitas, junto ao CEAD (Centro de Atendimento Anti Drogas). Foi, portanto, a partir da riqueza de tais experiências institucionais, além do trabalho de consultório, assim como da análise pessoal, de supervisões e estudos complementares, que formulamos algumas questões sobre a demanda de análise do sujeito toxicômano. Participamos também, como integrante, durante quatro anos consecutivos, da Rede de Pesquisa em Toxicomania da escola de psicanálise lacaniana Formações Clínicas do Campo Lacaniano Rio 1, cuja proposta é construir um saber a partir da clínica do sujeito nas toxicomanias. No delineamento dos caminhos iniciais dessa investigação, uma questão especial se destacou: na toxicomania, o sujeito busca livrar-se da angústia, através da droga, que traz um alívio imediato, enquanto o tratamento psicanalítico implica, justamente, num certo confronto com a angústia como meio de produzir mudanças. Eis o desafio da clínica do sujeito toxicômano: o embate do objeto a e do objeto droga. Trata-se de tentar focalizar o momento de evitação do sujeito à castração, posto que a droga pode funcionar como uma tentativa de anular o sofrimento decorrente da perda do objeto, na verdade, desde sempre perdido. Nossa investigação parte do paradoxo do gozo que apresenta um predomínio sobre o movimento desejante do sujeito, que altera o sentido da castração e a noção de limite do sujeito. Na toxicomania o sujeito submerge no discurso capitalista também afeito ao fascínio pelo consumo de drogas e pelos efeitos medicamentosos dos psicofármacos, abrindo espaço para o fracasso do laço social. Lacan parte de Marx e das relações do sujeito com o capital e a cultura, para aprofundar a discussão sobre o mal-estar na estrutura subjetiva. Tal formulação levou-o a positivar o conceito de sintoma ao final de análise como uma forma de gozo, própria do sujeito, seu estilo, sua verdade e o que enlaça os registros real, simbólico e 1 Formações Clínicas do Campo Lacaniano Escola de Psicanálise do Campo Lacaniano.

12 11 imaginário. O sujeito toxicômano, mergulhado no gozo que incide no real de seu corpo, encontra dificuldade na sua mediação fálica, logo no estabelecimento de laços sociais e em sua permanência na análise. À luz da dialética da teoria dos discursos psicanalíticos lacanianos, nas toxicomanias, o sujeito estaria submetido ao discurso capitalista, como objeto de gozo, exposto à banalização da violência, do sexo e da morte. Apresentamos, portanto, para ilustrar nossos estudos em busca de um saber teórico, a trajetória de alguns pacientes toxicômanos, que inebriam suas angústias de imediato com o uso da droga, tentando torná-la um antídoto ao tratamento psicanalítico. Lacan diz que o amor é o sinal de que trocamos de discurso, a cada aproximação da verdade, desse ponto mais real da verdade, desse impossível, há uma mudança de discurso... é o que chamamos de amor à verdade. ( ). Para desenvolver esta hipótese, nos colocamos como objeto a, causa de desejo e nos preparamos para enfrentar uma clínica do real ao simbólico, aguardando esse sinal do amor, que segundo Lacan se revela numa mudança de discurso. Conduzimos nossa pesquisa a partir dessa prática pulsional 2, ligada à lógica do corpo pulsional no trabalho psicanalítico. Tomando por base os textos de Sigmund Freud e Lacan, destacamos os conceitos de objeto a, desejo, pulsão, atos, sintoma, angustia, gozo e contemporaneidade ao longo dos quatro capítulos. E, tentamos articular a teoria com a práxis através de casos clínicos e uma construção literária, para ilustrar nossos estudos. Um caso clínico paradigmático da experiência no DEGASE, cujo tratamento foi interrompido com a morte trágica do paciente, fato bastante comum no destino de muitos adolescentes envolvidos com o tráfico e a criminalidade. Muitos jovens morrem, como uma espécie de queima de arquivo, justamente quando buscam outra saída, para desvincular-se do mundo do tráfico. Propomos fazer uma construção teórica referidos ao Complexo de Édipo ou seja, paradigma do gozo fálico (JΦ). Um caso clínico da experiência de consultório modelo de entrada em análise com um acting out, que endereça à analista um pedido de ajuda através de um ato. Permanecendo, em análise durante quatro anos e interrompendo o 2 Prática pulsional Expressão criada pela autora para nomear e destacar a característica central da práxis psicanalítica com o sujeito na toxicomania.

13 12 tratamento com uma atuação, não atingindo em termos psicanalítico o final de análise. Propomos comentar o paradigma do gozo do sentido (JS). Aquele que na passagem do significante ao significado produz-se um efeito de sentido e não há uma perda de gozo, mas produção do sentido, em lugar do não- sentido, do enigma. Abordamos o relato literário de uma adolescente de classe média/alta, que procura aliviar seu sofrimento através da droga. Trata-se da personagem do livro Hell, Lolita Pille, que foi um sucesso entre os adolescentes de nossos tempos e que aponta para um gozo sem limite. Coloca, de modo exemplar, a questão da articulação entre desejo, excesso de gozo e mais-de-gozar, elaborações conceituais lacanianas a partir de Freud, que pretendemos explorar para discutir o paradoxo que circunscrevemos como impasse no tratamento do sujeito na toxicomania. Articulamos a busca pelo excesso de gozo com o objeto a, mais de-gozar que está para o sujeito do inconsciente, assim como, a mais-valia está para o capitalista, é aquilo pelo qual se dá a vida. O mais-de-gozar instiga a causa do desejo. A fim de estabelecer um contraponto entre os casos apresentados, enfocamos o paradoxo do gozo, ou seja, os contra censos, os absurdo, as incertezas, as negociações para dar conta do clima atmosférico dos nossos tempos. Ressaltando nos três casos, o limite com a morte na busca por uma solução imediata da angustia. Na contemporaneidade, a psicanálise tem lidado com as mesmas referências diagnósticas empregadas por Freud, variando, segundo a época, o invólucro formal do sintoma, que, como diz Lacan se reverte em efeitos de criação. (LACAN, 1998: p. 70). Para abordar as questões suscitadas pela toxicomania na atualidade, devemos lembrar que a práxis psicanalítica está voltada para a consideração da posição que o sujeito ocupa na relação edípica e para sua forma de gozar, não se apoiando unicamente na fenomenologia. Assim, nosso propósito é contribuir para estabelecer conexões entre clínica, pesquisa e articulação teórica no campo da psicanálise, problematizando a questão do sujeito na toxicomania e sua forma de gozo. O tema da toxicomania, certamente, coloca em cena, para além da clínica, outros questionamentos atuais: a vida acelerada, o excesso e a velocidade das informações, a globalização, entre outros. Sabemos que o tratamento psicanalítico implica em um trabalho de elaboração do sofrimento, seja o sujeito neurótico,

14 13 psicótico ou perverso. É o dispositivo da transferência que permite desvelar a posição ocupada frente ao desejo do Outro e a modalidade de gozo. Nossa hipótese é que uma análise bem encaminhada, necessariamente, leva o sujeito a uma modificação de suas possibilidades de suportar e manejar a experiência da angústia. Certamente, a clínica, como forma de acesso ao sujeito do inconsciente, é sempre o campo da pesquisa em psicanálise 3. Para a psicanálise, o sujeito só pode ser incluído na investigação científica como sujeito do inconsciente, que é aquele que emerge entre dois significantes, portanto, de forma intervalar (S1 S2). O objeto da pesquisa psicanalítica é o inconsciente, ou, melhor dizendo, suas manifestações na clínica revelam-se por meio das formações do inconsciente: atos falhos, acting out, atuações, passagens ao ato, sonhos, sintomas, chistes e lapsos. Toda pesquisa em psicanálise é, portanto, clínica e implica o analista no lugar de escuta do sofrimento do analisando. As questões fundamentais sexo, vida, morte, procriação, paternidade e maternidade, em especial a forma pela qual o sujeito as articula, nos fornecem as pistas para construir um diagnóstico estrutural. Este só pode ser buscado no registro do simbólico, referido à travessia do complexo de Édipo. O diagnóstico diferencial remete, assim, aos três modos de negação do Édipo negação da castração do Outro, correspondendo às três estruturas clínicas: no recalque (Verdrängung) veremos o neurótico, nega conservando o elemento no inconsciente, e no desmentido (Verleugnung) o perverso, nega conservando-o no fetiche, esses dois modos de negação que conservam o elemento, implicam a admissão do Édipo no simbólico, o que não acontece na psicose com a foraclusão (Verwerfung) que é um modo de negação que não deixa rastro, nega o elemento, não o conserva no inconsciente. No primeiro capítulo partimos dos primeiros esboços do conceito de desejo e das Ding. Retomamos nosso estudo prévio 4 sobre o Projeto para uma Psicologia Científica de Freud de (1950 [1895]), o qual elegemos como um dos textos freudianos fundamentais ao desenvolvimento de nossa discussão e buscamos acompanhar, passo a passo, a construção e a elaboração das formulações 3 MARTINS, N.A.S. e RANGEL M.B. Psicanálise, Ciência, Pesquisa e Clínica, na disciplina Metodologia Científica, no Curso Psicanálise, Saúde e Sociedade, da Universidade Veiga de Almeida, MARTINS, N.A.S. O Inconsciente intérprete e o Estilo. Monografia de conclusão do Curso de Especialização de Freud à Lacan na Universidade Estácio de Sá, 1998.

15 14 freudianas para, então, realizar uma articulação com as idéias de Lacan, discutidas no Seminário da Ética da Psicanálise ( ). Abordamos os caminhos da pulsão e seus destinos, conforme colocados por Freud, para desenvolver as articulações lacanianas sobre objeto a, em relação aos três registros Real, Simbólico e Imaginário, além de trazer a contribuição de autores atuais como Antônio Quinet, Marco Antônio Coutinho Jorge e Diana Rabinovich, sobre o objeto a. Quinet defende a idéia de que o objeto a não pode ser explicitado pela pulsão sexual, por não ter representação psíquica portanto, sendo implícito, seria objeto condensador de gozo. O capital e a libido conjugam os princípios fundamentais para pensar a questão do objeto a, uma vez que a vertente metafórica da falta, implicada no desejo, aparece o substituto do objeto representa a falta, ou seja, a castração. Seria uma ilusão achar que os objetos compráveis e desejáveis não têm relação com o objeto a. O dinheiro vinculado ao desejo entra em circulação nessa série de objetos imaginários marcados pela falta, como é aquilo que permite um ciframento do gozo. A libido é definida, por Freud, como energia, como a grandeza quantitativa das pulsões que remete ao que podemos entender como amor: a libido era a manifestação dinâmica da força do amor, na vida psíquica da pulsão sexual (FREUD, 1923[1922]: p. 308). Já capital seria o conjunto das riquezas possuídas e, no sentido figurado, é o conjunto de bens intelectuais, espirituais ou morais que um indivíduo ou um país possui (QUINET, 1991: p. 89). Outro autor que destacamos, em nosso estudo, é Marco Antônio Coutinho Jorge, que ressalta a diferença entre os significantes impossível e proibido, quando se refere à natureza própria do objeto em sua distinção da Coisa. A pulsão estaria referida, essencialmente, ao impossível e das Ding, ao proibido, assunto a ser desenvolvido no capítulo em questão. A visão topológica de Diana Rabinovich, sobre o objeto a na sua configuração entre o desejo e a pulsão, constitui um caminho profícuo para a discussão de nosso tema. O objeto a é, pois, sempre solidário de uma topologia que, por estrutura, recusa à delimitação externo-interno, dentro-fora. Estabelece-se, pois, a especificidade da mesma em relação ao desejo e a pulsão. Rabinovich examina o assunto à luz dos termos freudianos, apontando, com muita clareza, os passos do caminho que conduz Lacan a formular o mais-de-gozar como um lugar de captura de gozo.

16 15 No segundo capítulo, abordaremos a dimensão do ato na clínica psicanalítica. A toxicomania, assim como a anorexia e a bulimia, entre outros exemplos possíveis, são dimensões sintomáticas que se destacam na contemporaneidade. Trabalhamos os conceitos de sintoma e angústia, buscando destacar seus elementos centrais e estabelecer algumas referências para discutir a questão da angústia no âmbito do tratamento analítico. O sintoma em Freud aponta para o que vai mal e assim deslocado pode dizer respeito às condições gerais de nosso acesso ao sexo. A clínica freudiana,apoiada no Édipo, tem se confrontado com situações diferentes das que Freud estudou e descreveu. Lacan nos adverte para a fidelidade ao invólucro formal do sintoma, como o verdadeiro traço clínico. Em 1958, Lacan diz que o sintoma vai no sentido de um desejo de reconhecimento, mas esse desejo permanece excluído, recalcado. Depois em 1975 acrescenta que o sintoma é aquilo de mais Real, vem do Real, ele é o Real, esclarecendo seu pensamento, explica que o sintoma deve cair, e que o sinthoma é aquilo que não cai, mas modifica-se, transforma-se, para que continue sendo possível o gozo, o desejo. Abordamos o manejo da transferência e sua função na direção do tratamento, particularmente no que diz respeito ao trabalho com o que é da ordem da castração. Diz Lacan: a castração significa que: é preciso que o gozo seja recusado, para que possa ser atingido na escala invertida da Lei do desejo. (LACAN, 1998: p. 841). Com o auxílio de outros três autores atuais, Paul-Laurent Assoun, Maria Anita C. Ribeiro e Sonia Albert, articulamos também a trilogia inibição, sintoma e angústia no contexto dos três registros lacanianos. No terceiro capítulo, fazemos uma peignage sobre o conceito de gozo e as ampliações expressivas que este passou nos mais de trinta anos do ensino de Lacan. Freud atentou para a expressão de um gozo, em si mesmo ignorado, cujo estatuto remeteria à maldade imanente ao homem. Gozo maligno enraizado na utopia de uma felicidade e explorado pelo capitalismo crescente que tende a ofuscar qualquer outra escolha que não o brilho efêmero de medidas paliativas. Freud faz uma referência explícita sobre a droga: O mais grosseiro, embora também o mais eficaz, desses métodos de influência é o químico: a intoxicação. (FREUD, 1930: p. 96). Em Lacan, percorremos as modificações do conceito de gozo, desde sua significação para a formulação-chave lacaniana no Discurso de Roma, em 1953, o inconsciente é estruturado como uma linguagem, até o novo panorama

17 16 descortinado, vinte anos mais tarde, no seminário 20, Mais, ainda. Os anos 70 trazem os marcos inovadores da teoria lacaniana que destacamos nesse capítulo. Para finalizar, articulamos a clínica dos discursos com a posição que o sujeito na toxicomania ocupa no tratamento psicanalítico. Trata-se não só de investigar a relação estrutural do sujeito e suas estratégias para lidar com o desejo e o gozo do Outro, mas também de verificar como ele se insere nos discursos, com o saber, com a mestria, com o outro do laço social, com o mais-de-gozar, ou seja, com os objetos pulsionais e sua posição no gozo. No quarto capítulo, enfocamos a discussão atual, sobre o fim da modernidade e a queda de seus paradigmas. Há autores que supõem uma ruptura com a modernidade, ou seja, o fim de uma época e o início de outra, chamada pósmodernidade, conforme Lyotard, ou modernidade líquida, segundo Bauman. Outros, entretanto, como Lipovetsky, acreditam na mudança de um registro fundado na exacerbação de algo que já existe, tendo apenas se agigantado, assumindo novas proporções. Na busca de um suporte conceitual que legitime o aparente caos em que vivemos, a presença do excesso é salientada com o significante hipermodernidade para marcar um tempo em que o homem está alienado à cultura do excesso, porém, ao mesmo tempo, mais livre e independente, autônomo e crítico em relação às instituições que o cercam, socializam e controlam. Traçamos um paralelo entre o pensamento de Freud sobre o desamparo fundamental Hilflosigkeit, (FREUD, 1895), com o termo alemão Unsicherheit, (BAUMAN, 2006), para situar a experiência de incerteza, insegurança e falta de garantias. A palavra alemã Unsicherheit remete ao sentimento de impotência, cujo impacto mais assustador é o medo em suas várias vertentes. Segundo Bauman: Os vínculos da era líquida moderna se tornam tênues, a vida vira um ensaio diário de morte e da vida após a morte. (BAUMAN, p. 65). O autor comenta que a fragilidade dos vínculos humanos é um atributo proveniente, e talvez definidor, da vida líquidomoderna. Apresentamos a síntese das idéias de autores atravessados pelo discurso lacaniano, tais como Zizek, que toma duas grandes fontes filosóficas, o idealismo alemão e a psicanálise. Iniciamos com a Sociedade do Espetáculo de Debord, filósofo, artista e crítico social que aponta para o surgimento de um novo homem, marcado pelo excesso de gozo, dessimbolizado, sem culpabilidade e sem capacidade crítica um sujeito consumido pelo capitalismo que estende seu

18 17 território até a subjetivação humana. E, fomos com Lipovetsky da Era do Vazio estabelecendo os marcos do paradigma individualista, aos Os Tempos Hipermodernos (2004), que se aproxima de um modelo mais otimista. Abordamos os medos na era líquido-moderna de Zigmunt Bauman (2008). Situamos, portanto, a visão de pensadores que estudam as mudanças sociais e podem nortear uma reflexão mais ampla sobre a relação da toxicomania com os sintomas sociais contemporâneos. Devemos ressaltar que, de saída, os termos toxicomania e sintoma social interrogam a teoria e a clínica da psicanálise. O que caracteriza um sintoma como sintoma social é conseqüente a um esgarçamento do laço social, fundado na dimensão simbólica do sujeito. A delinqüência, a clandestinidade e a violência seriam algumas de suas manifestações. Podemos dizer que, na toxicomania, o sujeito responde ao discurso capitalista, que instiga o consumo de drogas e à fascinação pelos efeitos dos psicofármacos frente ao fracasso dos laços socais. O que caracteriza o discurso capitalista é a foraclusão da castração 5, ou seja, a foraclusão da sexualidade e da diferença dos sexos. É o discurso que exclui o outro do laço social, pois o sujeito só se relaciona com os objetos mercadoria comandados pelo significante-mestre capital. Trata-se de um discurso que não faz laço social, como verificamos em seu matema: não há relação entre o agente e o outro ao qual esse discurso se dirige. Além da dificuldade de estabelecer laços sociais permanentes o toxicômano tende a realizar um curto-circuito nos seus laços sociais ao buscar o objeto droga, o sujeito funde-se ao objeto droga, um objeto que se pode comprar. O discurso sobre a toxicomania, com ênfase no objeto droga, ganha força nos anos 50 junto com o nascimento da farmacologia, mas tem a sua consagração ao longo dos anos 70, ligada à efervescência do discurso da ciência ao capitalismo. Localizar os impasses do sujeito na contemporaneidade, frente à queda dos paradigmas da modernidade e o advento de novos paradigmas, eis a tarefa que se apresenta como mais um desafio neste presente estudo. 5 QUINET, A. Psicose e laço social: esquizofrenia, paranóia e melancolia. 2006, p. 38. Expressão in: O saber do psicanalista. LACAN, J., Inédito.

19 1 OBJETO a E O DESEJO O IMPOSSÍVEL E A FALTA Eu te amo, mas, porque inexplicavelmente amo em ti algo que é mais do que tu objeto a minúsculo, eu te mutilo. LACAN, Seminário 11, p O DESEJO E DAS DING O ponto de partida que elegemos, para a discussão proposta no presente capítulo, é o estudo freudiano sobre o desejo e das Ding, presente, inicialmente, no Projeto para uma psicologia científica (1950[1895]). Focalizamos, a princípio, a elaboração do pensamento freudiano para, posteriormente, retomar as contribuições de Lacan, colocadas no Seminário da Ética da Psicanálise, de O Projeto é um rascunho escrito por Freud em 1895 e abandonado antes de sua conclusão. Sua publicação, em 1950, permite uma releitura, a partir de textos posteriores, o que lhe confere uma importância particular em relação ao contexto da obra. O manuscrito esteve sob os cuidados de seu guardião, Wilhelm Fliess, que o manteve afastado do acesso público, tendo também ele próprio um papel relevante no que diz respeito ao seu conteúdo. O Projeto, como é conhecido, é considerado o primeiro modelo consistente da subjetividade humana, construção frente a qual o próprio Freud se mostrou ambivalente, ora qualificando-o como o mais importante e ambicioso trabalho teórico, ora negando-lhe qualquer valor. É importante salientar que Freud utiliza a terminologia, mas não o modelo neurológico ou biológico. Isola o

20 19 aparelho psíquico em relação ao organismo, atendo-se a sua especificidade. Na primeira parte, afirma: O propósito desse projeto é propor uma psicologia como ciência natural. Freud estava tentando fazer uma psicologia dos processos, porém, aos poucos, percebeu que seu empreendimento trazia algo de diferente, que chamará, depois, de psicanálise. Trata-se de um trabalho teórico de natureza fundamentalmente hipotética e não de um trabalho baseado na observação prática, como foi todo seu trabalho com a clínica. Quando o Projeto veio à luz, toda a teoria psicanalítica já estava elaborada e seu caráter ambíguo logo foi disseminado: para uns, seria o ponto de partida da psicanálise, enquanto, para outros, apenas uma tentativa de estabelecer uma linguagem neurológica ou física. Após a descoberta deste manuscrito, os conceitos elaborados posteriormente foram projetados sobre seu conteúdo, em uma tentativa de traçar uma linha contínua até os textos metapsicológicos. A proposta de Freud, no Projeto, é elaborar uma teoria do funcionamento psíquico, segundo uma abordagem quantitativa, uma espécie de economia da força nervosa (FREUD, 1895: p. 382). Freud fala em excitação pulsional, estímulos externos (fonte exógena) e estímulos internos (fonte endógena), provenientes do corpo. Não haveria evitamento possível em relação aos estímulos internos, ligados às grandes necessidades, tais como a fome, a respiração e a sexualidade. Aos estímulos provenientes do próprio corpo, Freud articula, posteriormente, o conceito de pulsão (trieb). Para desaparecerem ou diminuírem de intensidade, requerem uma ação específica. Só com o sistema primário, o aparelho não disporia de reserva de energia para realizá-la, devendo, então, tolerar o acúmulo de Q para exercer tal finalidade. Como essa tendência se opõe à inércia inicial (Q=0), o aparelho procura manter a quota de Q em um nível o mais baixo possível. Buscando a proteção contra o aumento de energia, procura mantê-la constante. Eis a lei da constância, que Freud retoma em 1920, em Além do princípio do prazer, como princípio de constância. No Projeto há, na verdade, uma quase equivalência entre o princípio da inércia e o princípio de prazer. O desprazer é identificado ao aumento de estímulo, enquanto o prazer resulta em sua diminuição. Só em 1920, no texto Além do princípio do prazer, é que Freud admite que um estado de tensão seja também desprazeroso. Em 1924, com O problema econômico do masoquismo, afirma claramente a impossibilidade de identificar o princípio de inércia com o princípio do prazer. Freud toma o sentimento de prazer na dor e o sentimento de culpa, este

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