REABILITAÇÃO AOS DEPENDENTES QUÍMICOS EM EMPRESA DE ECONONIA MISTA

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1 1 REABILITAÇÃO AOS DEPENDENTES QUÍMICOS EM EMPRESA DE ECONONIA MISTA Cláudia Cristina Augusto Currículo: Pedagogia pela - Pontifícia Universidade Católica de Campinas ( ); Pós-Graduação em Pedagogia Empresarial( ). Endereço: Avenida da Saudade, 500, Campinas - SP. Ponte Preta - Cep Telefone: FAX: PALAVRAS-CHAVE: DEPENDÊNCIA QUÍMICA.

2 2 1. INTRODUÇÃO Para evitar que os prejuízos causados pelo uso de drogas e álcool afetem o ambiente corporativo, é necessário o investimento das empresas. Geralmente elas ignoram este problema e simplesmente desligam o empregado, mas estudos revelam que empresários percebem que o mais vantajoso para elas é investir na prevenção e na recuperação de empregados dependentes, do que fazer de conta que o problema não é com elas. Para a vítima das drogas, é a chance de detectar e tratar o problema precocemente. Foi em oposição a estes preconceitos que foi desenvolvido este Programa de Reabilitação aos Dependentes Químicos. O Programa realiza técnicas especializadas abaixo descritas que propicia ao doente admitir sua realidade dando com isto o passo mais importante na recuperação de qualquer doente. O desenvolvimento do programa surgiu com o objetivo de obter resultados efetivos de reinclusão do portador da doença no seu contexto profissional, familiar e social, promovendo acesso à sociedade daqueles que são vistos como os excluídos. Programa este que contribui para que a empresa atue de forma ética, eficaz, voltada ao cliente e ao cidadão, possibilitando assim a transformação da sociedade numa sociedade mais justa e igualitária, através de seu papel de responsabilidade. Consideramos lidar com a dependência química, ser uma das questões mais delicadas dentro das empresas. Como já citado acima, geralmente elas ignoram este problema e simplesmente desligam o empregado. Foi em oposição a estes preconceitos que a Empresa criou o Programa de Reabilitação aos Dependentes Químicos. Alcoolismo é uma doença crônica de êxito fatal que leva o paciente usar mecanismo de defesa como negação, projeção e racionalização. O programa realiza técnicas especializadas abaixo descritas que propicia ao doente admitir sua realidade dando com isto o passo mais importante na recuperação de qualquer alcoólatra o abandono das técnicas de negação, projeção e racionalização. O desenvolvimento do programa surgiu com o objetivo de obter resultados efetivos de reinclusão dos alcoólatras no seu contexto profissional, familiar e social. Programa este que contribui para que a empresa atue de forma ética, eficaz, voltada ao cliente e ao cidadão. Foi pensando na doença que o Projeto Alcoolismo teve início em 29/11/1982 na Empresa. Em 1989, é realizado na Empresa uma divulgação sobre Alcoolismo ministrada por Donald Lazo, com o objetivo de proporcionar aos empregados uma visão correta da 3 ª doença que mias mata no mundo, onde a dispensa ou ausência só seria aceita com a ciência do Diretor da Área. Em Agosto de 1989 é elaborado e distribuído o manual da chefia, para que os objetivos do Programa fossem alcançados, seria necessário o apoio e a aceitação das chefias, visto tratarse de um programa a ser trabalhado em equipe: Serviço Social, Médico e Chefias até hoje. Em 1995 é decretada a Portaria onde se determina o funcionamento do Programa e as sanções administrativas. De 1995 até os dias de hoje, o Programa não mais deixou de existir, apenas durante este período o quadro de técnicos que coordenavam o Programa diminuiu. O Programa passou a ser referência em Dependência Química para outras empresas de Campinas e Região.

3 3 2. OBJETIVO O desenvolvimento do programa surgiu com o objetivo de obter resultados efetivos de reinclusão dos alcoólatras no seu contexto profissional, familiar e social. Programa este que contribui para que a empresa atue de forma ética, eficaz, voltada ao cliente e ao cidadão. Principais objetivos: Conscientizar e mobilizar os empregados da empresa, o portador da doença e seus familiares, sobre a dependência química; Propiciar tratamento para que o portador da doença busque sua recuperação; Ampliar os conhecimentos sobre a doença e criar novas alternativas para o desenvolvimento do Programa; Oferecer subsídios para que o empregado busque a recuperação para que este retorne a uma vida profissional, familiar e social satisfatória, através da abstinência química (bebida alcoólica e/ou drogas). 3. METODOLOGIA 1 PROCEDIMENTOS 1.1. Da participação no programa O empregado procurará por vontade própria, ou será encaminhado por familiares, gerentes/coordenadores ao Setor responsável pelo Programa, sempre que houver uma suspeita do uso abusivo de álcool, drogas, bem como de comportamento compulsivo. Passará por abordagem, sendo convidado a participar de oito reuniões no grupo de mútua ajuda. Concomitante, passará por abordagem com um dependente químico abstêmio. Na 4ª reunião passará por abordagem individual com o profissional responsável pelo Programa, com o intuito de verificar sua aceitação no tratamento. Após a oitava reunião, o empregado passará por abordagem com o profissional responsável pelo Programa, com o objetivo de avaliar sua integração no mesmo, com assinatura do Termo e, conforme necessidade, poderão também participar: gerentes, coordenadores, familiares, colegas de trabalho, etc., Após assinatura do Termo, serão oferecidos 06 meses de tratamento, sendo que o empregado deverá se empenhar na busca da abstinência. O empregado que tendo o período vencido e não alcançar a abstinência terá seu prazo prorrogado até mais 06 meses, desde que haja interesse e parecer favorável da equipe interprofissional. O empregado que tenha alcançado a abstinência, poderá continuar seu tratamento, através do grupo de mútua ajuda, por ser a recuperação um processo contínuo Desligamento

4 4 O empregado será desligado do Programa de Reabilitação aos Dependentes Químicos, quando não estiver correspondendo ao tratamento em qualquer uma de suas etapas. Quando o empregado solicitar o desligamento do Programa de Reabilitação aos Dependentes Químicos, assinará termo de responsabilidade, que constará a observação do profissional responsável pelo Programa. 1.3 Reintegração O empregado poderá ser reintegrado no Programa desde que haja interesse do mesmo e parecer favorável da equipe interprofissional. Serão oferecidos 03 meses de tratamento, sendo que o empregado deverá se empenhar na busca da abstinência. O empregado que tendo o período vencido e não alcançar a abstinência terá seu prazo prorrogado até mais 03 meses, desde que haja interesse e parecer favorável da equipe interprofissional. O empregado que tenha alcançado a abstinência, poderá continuar seu tratamento, através do grupo de mútua ajuda, por ser a recuperação um processo contínuo. O empregado que tiver usufruído da internação em Clínica Especializada, não poderá fazê-lo novamente, pois a Empresa dará direito a uma única internação. 1.4 Ferramentas Abordagem Podem ser classificadas: individuais, grupais, com abstêmio, familiares, gestores. A primeira abordagem será realizada pelo profissional responsável pelo Programa, empregado e a pessoa que o encaminhou (seja coordenador, família etc.) refletindo-se sobre a doença e informando sobre o Programa de Reabilitação aos Dependentes Químicos, ressaltando as ferramentas disponíveis para o tratamento Avaliação Médica Passará por avaliação clínica no Setor Médico da Empresa, após primeira abordagem com o responsável pelo Programa. Quando necessário, será encaminhado para tratamento especializado em dependência química (psicoterapia, internação), ou secundária (gastrite, diabetes, etc) através do convênio médico da Empresa ou em clínica especializada Internação em Clínica Especializada

5 5 Clínica contratada para o encaminhamento do empregado que desejar a internação deverá seguir os seguintes critérios: Ter pelo menos dois anos de efetivo trabalho na Empresa; A internação se dará em uma tentativa independentemente do número de dias utilizados; O período de internação será de no mínimo quatro meses; Ter passado por algum processo de tratamento e demonstrar interesse e disposição para a recuperação; Contribuir com o pagamento da internação, respeitando o acordo firmado; A família juntamente com o empregado passará por abordagem junto ao profissional responsável pelo Programa, para esclarecimento sobre o processo a ser realizado, referente a custo/benefício, pagamento, e comprometimento no tratamento proposto. A empresa assumirá com a clínica especializada o pagamento integral da internação e o empregado ressarcirá a empresa o que lhe é devido através da folha de pagamento. A Clínica contratada, só poderá efetuar a internação do empregado através do formulário próprio, encaminhado pelo profissional responsável pelo Programa na Empresa Grupo de mútua ajuda As reuniões do grupo de mútua ajuda serão realizadas às segundas-feiras, das 8h às 10h, tendo como programação: Roteiro Mensal 1ª semana Reunião de convidados 2ª semana Reunião de sentimentos ou Palestra 3ª semana Literatura 4ª semana Tema Livre As faltas nas reuniões serão justificadas mediante atestado médico, ou pelo responsável da área; Apresentar-se ao trabalho após a reunião do grupo como se nele tivesse participado normalmente, sofrerá sanções administrativas, conforme norma existente para este fim. 2 CABERÁ AO PROFISSIONAL RESPONSÁVEL PELO PROGRAMA - Realizar as abordagens com os empregados, bem como com seus gestores e ou familiares, colegas de trabalho etc.;

6 6 - Orientar os familiares, gerente e coordenador, quanto ao Programa desenvolvido pela Empresa, bem como da importância de buscarem ajuda em grupos especializados (Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos, etc.); - Encaminhar o empregado ao Setor Médico da Empresa para a realização da avaliação médica, que verificará sua condição física e/ ou mental; - Dar subsídios e orientações aos abstêmios, para manter o processo de recuperação; - Acompanhar e encaminhar para tratamento de desintoxicação (internação ou ambulatório), quando necessário. - Encaminhar para tratamentos psiquiátricos e/ou psicoterápicos, quando necessário; - Avaliar a participação do empregado e os resultados obtidos no processo de tratamento, através da análise: das ferramentas disponibilizadas ao empregado, abordagens individuais e grupais com o empregado, responsáveis e familiares; - Proporcionar aos familiares conhecimentos da doença e condições para melhoria na qualidade de vida, através de contato com AA, NA, Naranon e outros. - Participar juntamente com o Setor Médico da Empresa, de cursos, seminários e congressos sobre dependência química, com o objetivo de atualização, reciclagem e aprimoramento. - Planejar as atividades do grupo de mútua ajuda; - Elaborar escalas de apoio para a realização de atividades, como: organizar sala, controlar o tempo das reuniões, terapia do telefone, etc. envolvendo os participantes do grupo; - Informar os coordenadores e gerentes sobre a participação do empregado no grupo, desenvolvendo um trabalho de parceria com o mesmo; - Promover palestras sobre dependência química, nos vários setores da Empresa; - Planejar e organizar treinamentos sobre Dependência Química para gestores, facilitando a compreensão da doença e procedimentos necessários para o encaminhamento e tratamento da doença. 3 CABERÁ AO SETOR MÉDICO DA EMPRESA - Avaliar o empregado, em relação ao seu aspecto de saúde; - Encaminhar aos profissionais especializados os empregados que necessitarem de acompanhamento médico específico; - Realizar um trabalho de parceria com o profissional responsável pelo Programa, no sentido de encaminhar, acompanhar e avaliar o tratamento do empregado; - Acompanhar o profissional responsável pelo Programa em palestras e treinamentos.

7 7 4 CABERÁ ÁS GERÊNCIAS - Encaminhar os empregados ao profissional responsável pelo Programa quando houver suspeita de uso abusivo de álcool e/ou outras substâncias. - Aplicar sanções administrativas (advertências, suspensões) aos empregados, nos termos da Norma interna da empresa e encaminhar cópia do documento aos setores responsáveis, nos seguintes casos: a. Ingestão de álcool e/ou drogas durante o horário de trabalho; - Falta no grupo de apoio, não justificada, bem como apresentar-se ao trabalho após a reunião do grupo como se nele tivesse participado normalmente; - Observar e avaliar o comportamento e desempenho profissional do empregado, comunicando o profissional responsável pelo Programa. - Montar um dossiê funcional, relatando faltas injustificadas e justificadas, atrasos, faltas com atestado médico, aplicações de sanções administrativas, para uma possível reclamação trabalhista. 5 - CONSIDERANÇÕES GERAIS A gerência passará a acompanhar o empregado que está inserido no Programa, que se negar a participar do tratamento oferecido pela Empresa, bem como aquele que venha a ser desligado do Programa, observando seu desempenho profissional (ausências e atrasos constantes) justificados ou não, e demais atitudes que prejudiquem a equipe de trabalho, a produtividade e a Empresa, cabendo à Gerência tomar medidas administrativas; registrando todas as ocorrências para montar um dossiê funcional. O empregado estando afastado do serviço por motivos de doença ou em férias, poderá participar das reuniões do grupo de apoio, não gerando nenhuma espécie de obrigatoriedade por parte da Empresa. Os portadores do CID F 63.0, sobre comportamentos compulsivos, sendo doença comportamental, poderão fazer parte do Programa, considerando que o empregado utilizando-se destas ferramentas poderá obter resultados significativos. 4. CONCLUSÃO De acordo com estudos, o uso de álcool entre outras drogas é comum no ambiente de trabalho, mas costuma passar despercebido. Podemos dizer que isso é reflexo do uso na sociedade. A compreensão de que a dependência química é uma doença (e não um desvio de comportamento) é fundamental para que os empregadores passem a investir na recuperação dos empregados e na prevenção do problema.

8 8 Para evitar que os prejuízos causados pelo uso de drogas e álcool afetem o ambiente corporativo, é necessário o investimento das empresas. Além disso, empregados envolvidos com drogas e álcool faltam mais do que os que não são usuários, chegam mais atrasados, são menos produtivos e usam mais os serviços de saúde. O sucesso do Programa está na forma como esta questão é tratada. Na medida em que a empresa divulga o Programa, ocorre a educação de que a dependência química é uma doença (reconhecido pelo código Internacional de Doenças CID F-10. 2), e que a empresa pode contribuir para o tratamento e para minimização do problema, visando sua responsabilidade social. As pessoas passam a confiar e contribuir para os resultados do Programa. Todo programa deve ser encarado com seriedade e responsabilidade pelas empresas, gerentes, profissionais de RH e pelo próprio empregado. É a partir deste preceito é que chegamos à dignidade do dependente químico, proporcionando um bem estar bio-psico-social e profissional, mantendo-os produtivos, evitando a sua marginalização e ociosidade.

9 9 AGRADECIMENTOS Responsável pela área de desenvolvimento: Alexandre Leoni Silva Lima Responsável pela Gerência de Recursos Humanos: Mário Guerreiro

10 10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALCOHOLICS ANONYMOUS WORD SERVICES. 1962, 1953, O s Doze Passos e as doze tradições. Traduzido na Língua Portuguesa pela JUNAAB Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil. Caixa Postal 3180 CEP São Paulo SP GOHN, Maria da Glória. Educação Não Formal e Cultura Política. Coleção Questões de Nossa Época. São Paulo. Cortez 1999.

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