PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO: ANÁLISE DE DOMÍNIO DAS DISSERTAÇÕES DO PPGCI/UFPE

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1 PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO: ANÁLISE DE DOMÍNIO DAS DISSERTAÇÕES DO PPGCI/UFPE RESUMO Erinaldo Dias Valério Tiago José da Silva Karla Meneses Farias Pedro Manoel da Silva Fábio Assis Pinho Enfatiza a Análise de Domínio (AD) como uma abordagem da Ciência da Informação (CI) que permite inferir sobre determinados comportamentos ao fazer relações entre os sujeitos sociais e suas temáticas na construção do conhecimento. Pretende-se, assim, identificar qual é a AD das dissertações produzidas pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Pernambuco PPGCI/UFPE depositadas na BDTD/UFPE até novembro de 2012, época da coleta de dados. Esta pesquisa é de cunho exploratório, de natureza bibliográfica, com um delineamento qualiquantitativo. A metodologia baseia-se em dois dos onze aspectos apontados por Hjorland (2002) para este tipo de análise: o primeiro é a produção de guias de literatura, que consiste na produção de fontes de informações sobre um determinado domínio e o segundo são as estruturas e instituições de comunicação científica que organizam os principais atores e instituições de acordo com a divisão interna do trabalho em um domínio. Conclui que esta análise serviu para identificar que as dissertações do PPGCI estão dialogando com a área de concentração e linhas de pesquisa do programa, uma vez que esse é entendido como instituição de produção e comunicação de literatura científica. PALAVRAS-CHAVE: Ciência da Informação. Produção Científica. Análise de Domínio. PPGCI/UFPE. ABSTRACT This article emphasizes the Domain Analysis (DA) as an approach of Information Science (CI) that allows inferences about certain behaviors when making social relations between the subjects and their thematic knowledge construction. It is intended, therefore, to identify what is the dissertations AD produced by Postgraduate Program in Information Science from the Universidade Federal de Pernambuco - PPGCI / UFPE deposited in BDTD/UFPE until November This research is exploratory, with bibliographic nature with qualitative and quantitative design. The method is based on two aspects of the eleven indicated by Hjørland (2002) for this type of analysis: the first is the production of literary guides, which consist in information fonts production about a field and the second is structures and scientific communication institutions which organize the major actors and institutions in accordance with the internal division of labor in a domain. It concludes that this analysis served to identify the dissertations of PPGCI which are dialoguing with the concentration area and research lines of the program, since this is seen as a production and communication institution for scientific literature. KEYWORDS: Information Science. Scientific production. Domain Analysis. PPGCI / UFPE.

2 1 INTRODUÇÃO Quando se trata do debate sobre a evolução da produção científica e seus desdobramentos nas questões de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) torna-se necessário avaliar tais avanços (VANTI, 2002) e identificar quais as disciplinas do conhecimento estão em desenvolvimento. Para a ciência, a quantificação de suas produções são medidas através de indicadores científicos. Estes indicadores podem ser divididos em: indicadores de produção científica estabelecidos pela contagem das publicações e por tipo de documento (livros, artigos, publicações científicas, relatórios etc.), onde a dinâmica da pesquisa em um determinado país pode ser monitorada e sua tendência traçada ao longo do tempo (MACIAS-CHAPULA, 1998, p. 137); indicadores de citação instituídos pela contagem de citações recebidas pelas publicações de artigos de periódico; e os indicadores de ligação criados pelas coocorrências de autoria, citações e palavras, sendo aplicados na elaboração de mapas de estruturas de conhecimento e de redes de relacionamento entre os pesquisadores e as diversas instituições e países (SANTOS; KOBASHI, 2005, p. 3). Dentre os indicadores, alguns estudos são apontados na literatura da Ciência da Informação (CI) pelo seu uso mais frequente, como a bibliometria, a informetria e a cienciometria. A Análise de Domínio (AD), que é uma abordagem nos estudos epistemológicos da CI, lança mão desses métodos para fazer inferências sobre o comportamento de uma determinada área. Dessa maneira, tem-se aqui a proposta de um estudo exploratório, de natureza bibliográfica, com um delineamento quali-quantitativo, focando de maneira particular as dissertações defendidas no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Pernambuco PPGCI/UFPE, ou seja, 13 (treze) no total. A pesquisa se justifica pelo fato de haver a necessidade de identificar a estrutura de padrões de cooperação dentro dessa comunidade científica, de modo que se percebam os elementos coesivos dentro das dissertações, evidenciando os conjuntos discursivos relacionados a linhas de pesquisa do programa. Portanto, o objetivo desta pesquisa consiste em identificar, através da AD, elementos bibliométricos oriundos das dissertações produzidas pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Pernambuco PPGCI/UFPE, tais como: tipos de produção científica (artigo, livro, dissertação, tese, entre outros), autores referenciados e as palavras-chave das dissertações.

3 2 CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO Na atual conjuntura, é eminente a necessidade de se compreender o valor que a informação possui para a sociedade, já que esta desempenha papel importante no cotidiano dos indivíduos. Todavia, essa preocupação e atenção com a informação tem se intensificado a partir de meados dos anos 60 quando pesquisadores, cientistas, dentre outros indivíduos de diversas áreas e campos do saber passaram a dedicar maior empenho e tempo ao estudo e compreensão sobre os principais aspectos e fatores associados à informação e sua relação com a sociedade. Para Le Coadic (2004) o conceito de informação é associado a várias áreas do saber, entretanto, o autor limita-se a uma definição relacionada à cognição e comunicação humana. As informações podem ser vistas como estruturas possuidoras de sentidos, que carecem de um suporte para que haja a sua comunicação aos indivíduos. Nessa perspectiva, Brookes (1980 apud ARAÚJO, 2001) busca novos sentidos para o termo informação, estabelecendo que esta seja [...] um elemento que provoca transformações nas estruturas. Assim, quando se envia uma mensagem (conjunto de informações) a um ser consciente, baseada num código conhecido, tanto pelo sujeito-emissor, como pelo sujeito-receptor, esta mensagem pode ser interpretada e, a partir daí adquirir sentido. Ao utilizar essa informação (com sentido) para resolver determinado problema ou se informar sobre qualquer situação o sujeito social produz conhecimento. Tal conhecimento pode ser a simples identificação de determinado objeto ou a compreensão exata e completa deste mesmo objeto. (BROOKES, 1980, p. 58 apud ARAÚJO, 2001, [não paginado]). De acordo com o autor supracitado, pode-se dizer que exista uma estreita relação entre a informação e o conhecimento, ou seja, depreende-se que a informação seja uma prática social que envolve ações de atribuição e comunicação de sentido, sendo o uso da informação algo que nos leva a mudança de estado de conhecimento. Com a existência desse objeto de estudo - a informação -, fez-se necessário uma ciência que estudasse suas propriedades, seu comportamento, suas relações, seu desenvolvimento e concepções conceituais acerca desse objeto. Daí surge a CI, no intuito de abarcar essas responsabilidades com métodos e técnicas interdisciplinares, ou seja, estudar seu objeto de estudo com procedimentos próprios e outros originários de outras disciplinas. No final da década de 60, houve um grande desenvolvimento dos estudos métricos da ciência representados por Solla Price e Garfield entre outros. A CI engloba esses estudos cientométricos a fim de fazer ciência da ciência (POLANCO, 1995), o que autores como Capurro (2003) classificam como paradigma físico da CI. Para este autor, existem três

4 paradigmas na epistemologia desta ciência: física, cognitiva e social. Por gerar uma discussão conceitual, prefere-se usar o termo abordagem ao invés de paradigma. A abordagem física está relacionada à Teoria Matemática da Comunicação de Shannon e Weaver, assim como à Cibernética de Wiener. A informação é vista como um sinal elétrico e os estudos dessa abordagem se concentram na observação da comunicação da informação por meio de canais mecânicos, isso permite a mensuração de quantidade de informação passível de transmissão evitando, segundo Araújo citado por Campos e Venâncio (2007), a ocorrência das distorções possíveis na propagação. A partir da década de 70, percebe-se a necessidade de se observar como a informação é compreendida pelo o usuário, de maneira que a visão da informação como algo concreto, informação como coisa (BUCKLAND, 1991) não atendia mais a alguns cientistas. Surgem então as expressões mentalismo (BROOKES, 1980, apud CAMPOS e VENÂNCIO, 2007) e estados anômalos do conhecimento (BELKIN; ODDY; BROOKS, 1982, apud CAMPOS e VENÂNCIO, 2007). Brookes é considerado um dos proponentes da abordagem cognitiva. Nessa abordagem, são percebidas as questões relacionadas ao significado e significante, ou seja, as características e as relações de um universo externo ao usuário são captadas e representadas na mente deste. Dessa maneira, o usuário é um sujeito cognoscente que utiliza os sistemas de recuperação de informação para atender o estado anômalo de seu conhecimento. Por enfatizar numa natureza individual das estruturas cognitivas dos usuários, essa abordagem passou a sofrer críticas, pois a interpretação da informação precisa de fatores externos ao usuário. Assim, surge a abordagem pragmática, o paradigma social (CAPURRO, 2003), no intuito de trabalhar a informação como algo social que se constitui nas interações dos sujeitos sociais com outros sujeitos. Observar a cronologia dessas abordagens se faz necessário para se perceber os aspectos físicos da informação, como ela é representada e apreendida pela mente do usuário, assim como as relações sociais estabelecidas por este usuário circundado de informações oriundas de um construto social. Mas abordagens da CI não se restringem a essas três (física, cognitiva e social), mas também ao que se vem sendo chamada de abordagens emergentes, como podem ser vistas em Campos e Venâncio (2007). As informações por si só não falam sobre as relações que elas estabelecem com outros objetos de uma determinada área. É necessário que um sujeito social faça as inferências

5 necessárias na construção de significados, de relações e comportamento dentro de uma comunidade. Dessa maneira, abordaremos uma dessas abordagens emergentes, a AD. 3 ANÁLISE DE DOMÍNO EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO A CI é um campo científico interdisciplinar por natureza que mantém estreita relação com varias áreas e domínios do conhecimento, posto que, seus pressupostos teóricos e metodológicos propiciam os subsídios para a base conceitual destes, como é o caso da Biblioteconomia, por exemplo, que encontra na produção, na organização e no uso da informação, enquanto etapas do ciclo de operações documentárias, [...] a base sobre a qual se assenta seu universo epistemológico (GUIMARÃES, 2009, p. 105). Nesta perspectiva, tal estudo visa estabelecer um entendimento acerca da AD conforme concebido pela CI, esta prioritariamente se direciona ao planejamento e desenvolvimento de sistemas de recuperação da informação. Assim sendo, o tema de AD não se restringe apenas a este fim, no contexto da CI. Já que a AD envolve também um entendimento acerca das comunidades de pensamento (discursivas). Cabe destacar que, a priori, o termo foi primeiramente utilizado na Ciência da Computação em meados dos anos 80 por Neighbors, sendo posteriormente inserido no contexto da CI por Hjørland (2002). Segundo Husserl (ABBAGNANO, 2007, p. 53), análise volta-se para o mundo da consciência como intencionalidade (v.) e é análise intencional, direcionada para a determinação das estruturas da consciência e as formas essenciais dos seus conteúdos objetivos. O argumento de Husserl refere-se à intencionalidade do olhar como sendo o item básico da análise. Desta forma, infere-se que análise é um olhar intencional sobre determinado objeto ou domínio. Para Hjørland (2004, p. 4), domínio pode ser uma disciplina, um campo escolar. Pode ser ainda uma comunidade discursiva conectada a um partido político, à religião, ao comércio, ou a um lazer. Ao fazer esse comentário Hjørland situa o domínio como uma abordagem e um campo de atuação. E nesse sentido, entende-se que O domínio se aplica em qualquer campo científico. Conforme Hjørland (2004) há três dimensões de domínios. São elas: as dimensões definidas por teorias ontológicas (seus objetos); as dimensões epistemológicas e as dimensões sociológicas, centrais na análise de domínio, referem-se aos grupos de pessoas estudando os diferentes campos do conhecimento.

6 Conforme Campos e Venâncio, (2007, p. 1113) a análise de domínio de Hjorland é intrinsecamente transdisciplinar e faz parte de sua metodologia a consideração dos aspectos sociais, históricos e epistemológicos das comunidades discursivas. Infere-se, pois, que a AD trata-se de um olhar intencional e transdisciplinar sobre um determinado campo de estudo. Na AD, é importante observar o comportamento das comunidades de discurso como área do conhecimento e suas informações como fonte de estudo da CI. Hjørland (1995; 1997) observa que a unidade de análise da CI é formada pelos campos coletivos de conhecimento ou domínios de conhecimento referentes às suas comunidades de discurso. Tennis (2003) diz que é mais fácil fazer análise de domínio do que defini-la, é uma questão que está em aberto. Contudo, o autor se preocupa com os procedimentos de operacionalização de AD, assim, ele apresenta dois eixos de domínio. O primeiro eixo tem como objetivo estabelecer parâmetros sobre termos, os nomes e a extensão do domínio, que é seu escopo total, esse eixo é chamado de áreas de modulação. Já o segundo eixo objetiva qualificar e estabelecer a intenção, compreensão e articulação de um domínio, o que é denominado de grau de especialização. Hjørland (2002) sugere que a AD seja combinada com os métodos já tradicionais da CI para que possa ser incorporada na formação dos especialistas da informação. E assim, indica onze áreas de pesquisa da CI que podem se beneficiar da abordagem da AD. São elas: guias de literatura e portais; classificações e thesaurus especiais (especialmente as abordagens de classificação facetada); especialidades da indexação e recuperação; estudos empíricos de usuários; estudos bibliométricos; estudos históricos; estudos do gênero e sobre documentos; estudos críticos e epistemológicos; estudos terminológicos, linguagens para propósitos especiais e estudos do discurso; estudos de estruturas e instituições em comunicações científicas; e a cognição científica junto à inteligência artificial. Nos estudos publicados sobre a aplicação da AD na CI percebeu-se a combinação de pelo menos dois aspectos, das onze áreas supracitadas. Trata-se, certamente, de uma decisão em busca de uma maior abrangência do domínio a ser observado. Entretanto, a AD não é uma metodologia é, pois, um olhar, uma perspectiva e uma verificação do contexto sobre um determinado comportamento das comunidades discursivas. Compreende-se, a partir do exposto que a AD pressupõe a identificação clara dos limites e do contexto do assunto que se deseja analisar, sendo, portanto, a análise de domínio uma abordagem.

7 4 MÉTODO O Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação PPGCI do Departamento de Ciência da Informação vinculado ao Centro de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco foi criado no ano de O programa tem como finalidade formar docentes, pesquisadores e recursos humanos especializados, para contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico da região nordeste. Oferecido na modalidade acadêmica o curso de mestrado possui a área de concentração em informação, memória e tecnologia. O curso está estruturado em duas de linhas de pesquisa: a linha 1 - memória da informação científica e tecnológica e a linha 2 - comunicação e visualização da memória. Apresenta a estrutura curricular composta de 12 créditos obrigatórios e 12 créditos eletivos que deverão ser cumpridos no período de dois anos. Até meados de novembro de 2012 (período da coleta de dados), o corpo docente do PPGCI era formado por doze (12) professores doutores permanentes, e quatro (04) professores doutores visitantes. A formação dos professores permanentes no tocante aos cursos de doutorado se apresentaram da seguinte forma: quatro (04) com doutorado em Ciência da Informação, três (03) em História, dois (02) em Ciência da Computação, um (01) em administração, um (01) em Serviço Social e um (01) em Engenharia de Produção. Quanto aos professores colaboradores três (03) eram doutores em Ciência da Informação e um (01) em Letras, dois (02) eram professores da Universidade Federal da Paraíba, um (01) da Universidade de São Paulo e o outro da Universidade Federal de Pernambuco. Para analisar a produção científica dissertações - do PPGCI/UFPE, baseou-se em uma pesquisa de cunho exploratório, que segundo Gil (2007. p.43) objetiva proporcionar uma visão geral, do tipo aproximativo de um determinado fato. De natureza bibliográfica, elencando uma discussão teórico-conceitual sobre a temática, utilizando-se como recursos, artigos, livros, dissertações entre outros. Teve uma abordagem quali-quantitativa que para Rodrigues (2006, p. 89), a quantitativa está relacionada à quantificação, análise e interpretação dos dados obtidos mediante pesquisa, ou seja, formular generalizações a partir da análise objetiva dos dados. Já abordagem qualitativa, permite observar o fenômeno estudado, conferindo significados no sentido de explicar suas relações para o processo de geração de conhecimento. O universo da pesquisa foi as dissertações depositadas no Departamento de Ciência da Informação DCI/UFPE, que totalizam 13 (treze) à época da coleta de dados (novembro de

8 2012), dessas, 09 (nove) podem ser acessadas pela Biblioteca Digital de Teses e Dissertações BDTD da própria instituição. Para a coleta e análise dos dados, utilizou-se da abordagem AD, levando em consideração, dois dos onze aspectos apontados na literatura para este tipo de análise: produção de guias de literatura, que consiste na produção de fontes de informações sobre um determinado domínio, no caso aqui a CI e estruturas e instituições de comunicação científica, ou seja, avaliar o PPGCI/UFPE uma vez entendido como instituição de produção e comunicação de literatura científica. Ao selecionar o material para análise, atentaram-se principalmente aos títulos, resumos, palavras-chave e referências das dissertações, ainda teve um olhar apurado sobre o texto na íntegra, no intuito de observar quais autores os discentes tomaram embasamento teórico para construção do trabalho. 5 COLETA E ANÁLISE DOS DADOS 5.1 Tipos de produção científica encontrados nas dissertações Classifica-se nesse trabalho a produção científica materializada nos seguintes gêneros discursivos: artigos de periódicos e de anais de eventos; livros e capítulos e trabalhos de conclusão de curso de graduação (TCCs); e pós-graduação (dissertações e teses). Constatou-se que a partir do levantamento da produção elencada acima, o número total de referências equivale a 1.219, distribuídos da seguinte maneira: 470 livros (38,5%), 93 capítulos de livros (7,5%), 31 teses (2,5%), 35 dissertações (3%), 4 TCCs (0,5%), 421 artigos de periódicos (34.5%), 65 publicações em anais de encontros científicos (5,5%) e 100 referências a sites em geral (8%). Com esses dados, verifica-se que o livro é o artefato mais utilizado nas pesquisas dos discentes, e que os artigos de periódicos também assumem um papel de destaque, uma vez que eles representam uma literatura de fácil acesso na conjuntura atual, já que muito dos livros e artigos estão disponíveis na rede - Internet. Constata-se que os únicos TCCs citados são de autoria dos próprios discentes, o que evidencia uma continuidade da temática trabalhada na graduação. Porém, questiona-se se há um receio por parte dos discentes em referenciar TCCs, uma vez que são oriundos de acadêmicos ainda não conceituados. Os sites mencionados se referem às páginas de instituições governamentais ou não, ministérios, secretarias e empresas públicas/privadas. Esses sites geralmente estão relacionados aos objetos de pesquisas dos discentes, não como um aporte teórico em si, mas como extensão dos próprios objetos.

9 Uma vez entendida que os anais de encontros científicos revelam, em um determinado momento, as tendências de uma área do conhecimento, configurando-se como verdadeiro mecanismo para obtenção de conhecimento em um curto espaço de tempo, percebe-se através da AD, que essa alternativa foi uma das menos referenciadas. As teses e dissertações ocuparam lugar quase semelhante, mesmo servindo como exemplo para a construção dos trabalhos. 5.2 Autores referenciados Dentro da categoria de autores citados, fez-se um recorte dos autores que foram referenciados mais de uma vez, levando em consideração a quantidade de alunos que os citaram, não a quantidade de trabalhos referenciados desses autores. Também ficou manifestado na pesquisa o fato de que no tangente ao referencial teórico utilizado estes focalizam suas pesquisas em determinados autores, sejam estes: Le Goff, Hjorland e Capurro mencionados em 10 dissertações, logo em seguida têm-se Aldo Barreto, Le Coadic, Murilo Cunha, Buckland, Marteleto, González de Gómez, como mostra na Tabela 1. Esta observação leva a entender o viés teórico e conceitual que esta sendo trilhado pelo programa. Quando os discentes tomam Le Goff, querem conceituar o termo memória em várias concepções, principalmente a histórica. A referência a Capurro e Hjorland se faz necessária no momento em que se quer contextualizar os termos dentro da CI, a partir de uma visão mais epistemológica. Aldo Barreto é mencionado para abordar o conceito de informação, assim como os termos memória e esquecimento. Le Coadic trabalha com a linguagem e a transmissão da informação, assim como a epistemologia da CI. Murilo Cunha aborda a relação da CI com a tecnologia na atualidade. Buckland é também usado para conceituar informação. Marteleto trabalha a relação entre educação e informação. Por fim, González de Gómez trabalha com vários conceitos dentro da CI, informação e sociedade, metodologia de pesquisa de campo em CI, epistemologia, entre outros. Percebe-se, com esses autores citados por mais de 46 % dos discentes, a preocupação de olhar para o seu trabalho contextualizando em um universo epistemológico dentro CI, o que consegue mostrar as relações históricas, comportamentais e sociais de cada objeto de pesquisa.

10 Tabela 1 - Autores mais referenciados nas dissertações analisadas Autores Quantidade de referências Autores Quantidade de referências LE GOFF 10 BOURDIEU 3 HJORLAND 10 BARDIN 3 CAPURRO 10 ALVARENGA 3 ALDO BARRETO 9 ARISTÓTELES 2 LE COADIC 8 WERSIG 2 CUNHA (M) 7 TARGINO 2 BUCKLAND 7 SAYÃO, 2 MARTELETO 6 BELKIN 2 GONZALEZ DE 6 MEADOWS 2 GÓMEZ; SARACEVIC 5 GRAMSCI 2 PINHEIRO (LENA) 5 KURAMOTO 2 MORIN 5 LANCASTER 2 MALHEIRO 5 KOBASHI 2 GIL 5 JAPIASSU 2 ROBREDO 4 CASTELLS 2 MINAYO 4 MUELLER 2 AURELLANO 4 OTLET 2 RICHARDSON 3 ROBERTSON 2 MCGARRY 3 ROUSSEAU 2 LÉVY 3 BUFREM (LEILAH) 2 KUHN 3 BRASCHER 2 BURKE 3 Fonte: Pesquisa in loco 5.3 Palavras-chave Outro aspecto salientado concerne à análise das palavras-chaves utilizadas como pode ser visto na Tabela 2. O objetivo aqui foi perceber a ambiência que aproxima ou distancia as abordagens adotadas por cada autor em seu texto. Ou seja, a pergunta principal era saber se havia uma linha temática entre os trabalhos e assim poder notar uma tendência teórica ou epistemológica se evidenciando no âmbito da CI no programa estudado. As palavras-chave foram extraídas exatamente como se apresentam nas dissertações, a partir da análise, verifica-se que mediante a frequência da utilização de determinadas categorias pelos estudantes, como é o caso de Memória, Informação, há uma maior diluição de palavras selecionadas, isto se deve talvez em virtude de que os autores ao selecionarem os termos para representar seus respectivos trabalhos optarem por palavras mais específicas e que sejam o mais fidedignas às suas pesquisas. Outra razão é considerando a natureza da CI, que oscila entre o tecnológico e o social/humano, neste conjunto os temas perpassam por estes dois vieses.

11 A presença da categoria Memória e suas classificações totalizam nove (09) dos treze (13) trabalhos estudados, ou seja, há uma ocorrência do termo memória em 70% das dissertações, o que ajuda a identificar que existe uma preocupação dos discentes em dialogar com a área de concentração do referido programa. Pensando em uma categorização dessas palavras-chave em um grupo maior, nota-se que os discentes estão voltados para pesquisas do estudo da memória e suas nuances; aos aspectos que tangem a informação como objeto central; a comunicação científica e as tecnologias de informação e comunicação. Tabela 2 - Palavras-chave das dissertações Palavras-chave Quantidade de ocorrência Palavras-chave Quantidade de ocorrência Memória 7 Ladjane Bandeira 1 Informação 4 Literatura de cordel 1 Ciência da Informação 2 Gestão da informação 1 Interdisciplinaridade 2 ENANCIB 1 Políticas públicas 2 Biopaisagem 1 FUNDARPE 2 Manifestações Culturais 1 Esquecimento 1 Certificação digital 1 Junta Comercial do Estado de 1 Temas da Ciência da 1 Pernambuco Informação Marcas registradas históricas 1 Memória da informação 1 científica Web semântica 1 Tecnologia da informação 1 Metadados 1 Documento eletrônico 1 Ontologias 1 Preservação 1 Sudene 1 Microfilme e digital 1 Educação 1 Repositório institucional 1 Periódicos científicos 1 Comunidade Quilombola 1 eletrônicos Nêgo do Timbó Políticas de gestão 1 Comunicação científica 1 Publicações científicas 1 Memória institucional 1 Tecnologia da informação 1 Representação da 1 e comunicação TIC Informação Memória organizacional 1 Preservação digital 1 Inteligência competitiva 1 Acesso livre 1 Cultura 1 Fonte: Pesquisa in loco Assim, em um total de 54 palavras-chave e diante desta breve análise sobre sua ocorrência, pode-se afirmar que existe uma linha de abordagem aproximada entre as pesquisas e o programa aqui analisado, uma vez que a área de concentração é Informação, Memória e Tecnologia.

12 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao trabalhar com domínios especialmente no contexto da análise de documentos, é pertinente salientar a atividade para a análise de assuntos destes documentos. De acordo com a abordagem domínio-analítica, um documento pode servir para diferentes grupos de usuários que podem utilizá-lo para propósitos diversos. (RIBEIRO, 2001, p. 120). Neste sentido, os assuntos não precisam ser identificados de forma individualista, generalista, mas devem, entretanto ser atinentes aos interesses dos seus respectivos usuários que estão sobre análise de domínio em estudo. Assim, esse trabalho se configurou com o propósito de identificar quais as temáticas, materiais de análise, citação e outros, nas dissertações dos discentes do PPGCI/UFPE estão em evidência. Esta análise serviu para identificar que esses trabalhos estão dialogando com a área de concentração e linhas de pesquisa do programa supracitado, ou seja, este trabalho foi desenvolvido visando procurar identificar, capturar, organizar e representar toda a informação relevante deste domínio. Já que a análise de domínio deve cobrir, dentre outros esforços, a análise, o entendimento, a formulação e exteriorização de uma situação (RIBEIRO, 2001, p. 121). À vista dos resultados, a análise de domínio é uma interessante abordagem, especialmente pertinente para a pesquisa em CI, pois permite a identificação das configurações dos estudos epistemológicos da área, bem como estudos dos processos sociais que permeiam a construção da área, tendo em vista a produção e comunicação científica. Em suma, pode-se asseverar que foi possível através deste estudo mapear a configuração das dissertações do PPGCI/UFPE, tendo em vista a abordagem de análise de domínio. Cabe destacar também que a pesquisa, embora esteja em andamento já evidencia alguns resultados conforme apresentados ao longo deste estudo. Dessa maneira, pretende-se contribuir para PPGCI no intuito de fornecer subsídios para a discussão entre o corpo docente e discente sobre a continuidade e aproximações de conteúdos tão necessários à área.

13 REFERÊNCIAS ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fonte, ARAÚJO, Eliany Alvarenga de. A construção social da informação: dinâmicas e contextos. Datagramazero Revista de Ciência da Informação, v. 2, n. 5, out Disponível em: < Acesso em: 02 nov BUCKLAND, M. Information as thing. Journal of the American Society for Information Science, v.42, n.5, p , CAMPOS, L.F.B. VENÂNCIO, L.S. Perspectivas em (in)formação: tendências e tensões entre abordagens físicas, cognitivistas e emergentes. TransInformação, Campinas, 19(2): , maio/ago CAPURRO, R. Epistemologia e Ciência da informação. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 5., Belo Horizonte, Anais... Belo Horizonte: UFMG, Disponível em: <http://www.capurro.de/enancib_p.htm>. Acesso em: 06 out GIL, Antonio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 5. ed. São Paulo: Atlas, GUIMARÃES, José Augusto Chaves. Abordagens teóricas de tratamento temático da informação (TTI): catalogação de assunto, indexação e análise documental. Ibersib, p , HJØRLAND, Biger; ALBRECHTSEN, Hanne. Toward a new horizon in information science: domain-analysis. Journal of the American Society for Information Science, v. 46, n. 6, p , Information seeking and subject representation: an activity-theoretical approach to Information Science. New York: Greenwood Press, Domain analysis in information science: eleven approaches traditional as well as innovative. Journal of Documentation, v.58, n.4, p , Domain analysis in information science. In: KENT, A. Encyclopedia of library and information science. New York: Marcel Dekker, p Disponível em: <www.dekker.com/servlet/product/doi/101081eelis >. Acesso em: 2 out LE COADIC, Yves-François. A ciência da informação. Brasília: Brinquet de Lemos, MACIAS-CHAPULA, Cesar A. O papel da informetria e da cienciometria e sua perspectiva nacional e internacional. Ci. Inf., Brasília, v. 27, n. 2, p , maio/ago POLANCO, Xavier. Aux sources de la scientométrie: bibliometrie, scientometrie, infometrie, [S. l.], n. 2, Disponível em: <http://www.info.unicaen.fr/bnum/jelec/solaris/ d02/2polanco1.html>. Acesso em: 22 nov

14 RIBEIRO, C. J. S. Em busca da organização do conhecimento: a gestão da informação nas bases de dados da Previdência Social Brasileira com o uso da abordagem de Análise de Domínio. 2001, 173 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) Convênio UFRJ/IBICT, Rio de Janeiro, RODRIGUES, Auro de Jesus. Metodologia científica. São Paulo: Avercamp, SANTOS, R. N. M.; KOBASHI, N. Y. Aspectos metodológicos da produção de indicadores em ciência e tecnologia. In: VI Encontro Nacional de Ciência da Informação, 2005, Salvador. Informação, Conhecimento e Sociedade Digital, TENNIS, J. T. Two Axes of Domains for Domain Analysis. In Knowledge Organization. v. 30, n. 3, p , UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO. Programa de Pós Graduação e Ciência da Informação. Disponível em: <http://www.ufpe.br/ppgci/index.php?option=com_content&view=article&id=300&itemid=1 75>. Acesso em: 01 dez VANTI, Nadia Aurora Peres. Da bibliometria à webometria: uma explosão conceitual dos mecanismos utilizados para medir o registro da informação e a difusão do conhecimento. Ciência da Informação, Brasília, v. 31, n. 2, p , maio/ago

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