IDT incrementa qualidade nas respostas: CRI Vila Real e NAT Coimbra estendem rota da certificação

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1 Jan/Fev 2011 SÓ PARA PROFISSIONAIS IDT incrementa qualidade nas respostas: CRI Vila Real e NAT Coimbra estendem rota da certificação Associação Portuguesa de Adictologia já mexe World Bike Tour promove inclusão no Brasil Revista Mensal 2 Euros

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3 Editorial 3 Índice Editorial... 3 NAT... 4 CRI Vila Real... 5 Hospital de Joaquim Urbano e DRN do IDT renovam protocolo... 8 Nem coitadinhos nem betinhos Hospital de Joaquim Urbano... 9 Investigação em Português, Cristina Ribeiro Fórum Álcool e Saúde: membros fundadores Associação Portuguesa de Adictologia Agrupamento de Escuteiros de Silvares HSJD Opinião, Mireia Pascual Opinião, Godofredo Reinicke Borda Bike Tour S. Paulo FICHA TÉCNICA: Propriedade, Redacção e Direcção: News-Coop - Informação e Comunicação, CRL Rua António Ramalho, 600E Senhora da Hora Matosinhos Publicação periódica mensal registada no ICS com o nº Tiragem: exemplares Contactos: Director: Sérgio Oliveira Editor: António Sérgio Produção Gráfica: Ana Oliveira Impressão: Ginocar Produções, S.A. Um destes dias, infiltrei-me numa conversa entre dois UD s. Curiosamente, um tinha vivido dez anos de dependência de heroína e de cocaína, em Lisboa, encontrando-se actualmente em tratamento de substituição opiácea, dizia O outro, que ainda hoje, no alto dos seus 45 anos, partilha 16 da sua vida com a heroína, sempre habitou no Porto e foi a partir das experiências vividas nos locais mais emblemáticos para os portuenses que consomem drogas e têm que recorrer a canais de distribuição não legalizados para o fazer que o diálogo se iniciou. Dizia o portuense para o lisboeta: Ainda me lembro quando levávamos porrada a torto e a direito na Banharia e no Tarrafal A bófia aparecia e levava tudo à frente! Foi aí que me intrometi Então e hoje?, questionei Ai hoje Hoje parecemos betinhos, comparados com o que era dantes O aceno de cabeça e o reparo do lisboeta significava concordância absoluta: É verdade. Não é que haja a liberdade que, se calhar, devia haver mas olhe, alguém imaginava, na minha altura, que houvesse equipas nas ruas e nos bairros para tratarem de nós? Ou que não andássemos sempre a levar com processos-crime por causa dos consumos? Tive muitos colegas que foram presos e olhe que nenhum enriquecia à custa da droga Quando alguém nos falava em tratamento, pensávamos logo que, das duas uma: ou era para ver se tínhamos família com pasta que lhes pudesse dar uns milhares ou então que era bófia Infelizmente, esta é uma realidade que ainda impera em muitos países Felizmente, Portugal não é um deles há uns anos. Embora, esporadicamente, se ouçam ainda relatos de alguns profissionais das forças de segurança que se tentam apropriar de um tipo de intervenção que não é propriamente o deles, esses registos são cada vez mais pontuais. De ostracizados, maltratados, espezinhados e violentados, os toxicodependentes deste país de brandos costumes passaram a constituir, para o Sistema Nacional de Saúde e até, em certo modo, para a Segurança Social, uma espécie de betinhos que, no acesso, na qualidade assistencial e na proximidade de estruturas de que beneficiam, acabam por ser positivamente descriminados relativamente aos portadores de outras patologias ou desigualdades sociais. Hoje, fala-se neste país, por tantos criticado, como um exemplo para o mundo ao nível deste tipo de políticas que visam a diminuição de desigualdades sociais e a minimização do impacto que o fenómeno dependência pode originar ao nível da saúde individual e pública. O que também é possível de ser constatado através do relatório anual que Dependências publicou, na anterior edição. Por estas e por outras, só nos resta esperar que, em época de crise, não surjam os tão indesejáveis cortes cegos numa área tão importante, como é a da saúde. A nós, imprensa, resta-nos vigiar e cumprir, de igual modo, com o papel que temos desempenhado: elogiar quando as coisas são bem feitas mas também alertar ou criticar sempre que tal se afigure premente Com a consciência que estes momentos menos abastados traduzem oportunidades a não perder para uma, igualmente desejável, optimização e rentabilização de recursos e melhor utilização dos fundos públicos. Nem coitadinhos nem betinhos: é assim que se deseja que os portugueses não sejam encarados pelos seus decisores políticos e demais agentes interventivos, sejam esses portugueses toxicodependentes ou não. Sérgio Oliveira

4 4 NAT Porquê a certificação Existe um interesse cada vez maior na certificação no sentido de um aumento da qualidade dos serviços prestados. A implementação de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) parte daquilo que realmente o serviço faz, ou seja, orientar as acções e as decisões para os objectivos definidos com base na política da qualidade identificada para o serviço. A certificação implica a implementação de um (SGQ) e consequentemente mudanças que se pretendem que sejam uma mais-valia para o cliente final e que tem implicações no funcionamento e na gestão dos serviços, numa perspectiva de melhoria continua. O Núcleo de Apoio Técnico (NAT) da Delegação Regional do Centro é um órgão de assessoria técnica ao Delegado Regional, que em 2010 concluiu o seu processo de certificação. Desde o inicio que encarámos a certificação como um processo dinâmico e contínuo, obrigando a um trabalho de equipa na procura de inovação e na busca de soluções adequadas a cada situação. Este trabalho em equipa coadjuvado com a supervisão e consultoria técnica foi um facilitador na revisão contínua e na implementação de uma abordagem por processos. O primeiro passo para a caminhada da qualidade foi o determinar o que fazemos e como fazemos. Identificar, conhecer e gerir processos contribui para que o serviço atinja os seus objectivos de forma eficiente e eficaz, possibilitando aferir a sua eficácia. Compreender a importância de cada técnico, identificar os factores que limitam a sua actuação, detectando pontos de melhoria, assumindo e partilhando responsabilidades, aspectos presentes em todo o processo de certificação. Isto levou-nos a uma avaliação do serviço e da satisfação do cliente, o que permitiu um conhecimento melhor do serviço, dos processos que cada um utiliza na execução das suas tarefas, da facilidade na tomada de decisões, no verificar de responsabilidades e pensar no futuro numa lógica de empreendedorismo. Hoje, podemos dizer que a primeira etapa está cumprida, o NAT da DRC está certificado. A partir daqui novos desafios serão lançados, sendo que a mais-valia que o serviço retirará do seu SGQ dependerá da efectividades que todos souberem reconhecer os seus princípios, tendo em conta os seus requisitos normativos ou linhas orientadoras internas, bem como a forma como se desenvolverá o cumprimento dos mesmos.

5 CRI de Vila Real certificado no CRI Vila Real 5 tratamento e reinserção A exemplo do que tem vindo a suceder, fruto da adopção de uma política que privilegia a incrementação da qualidade ao nível da organização e dos serviços prestados, o IDT acaba de ver mais uma unidade certificada. Desta feita, foi o CRI de Vila Real que, após um longo trabalho de implementação, que demorou quatro anos a ser concretizado sob a liderança da equipa nacional da qualidade, encabeçada por Jesus Cartelle e Paula Sobrinho, recebeu a distinção por parte de uma entidade externa, a Lloyd s. Seguindo a norma ISO 9001:2008, o âmbito da certificação reside no tratamento e reinserção em regime ambulatório das dependências e patologias associadas. Dependências foi até Vila Real onde, em entrevista ao director do CRI local, Armindo Liberal, tentou perceber como decorreu o processo e que mais-valias poderão resultar para a equipa técnica e utentes da unidade. Era um desígnio do IDT começar por certificar determinadas unidades em diferentes valências e, finalmente, está concluído o processo no CRI de Vila Real. Como surgiu a ideia e de que forma decorreu o processo? Armindo Liberal (AL) Desde logo, isto surge fruto de uma política que tem vindo a ser seguida pelo IDT, quanto a mim de forma muito apropriada, no sentido de aumentar consideravelmente a qualidade dos serviços e, para isso, incrementar sistemas de gestão de qualidade nos mesmos. Isto implica também a certificação da qualidade, enquanto forma de operacionalizar estes incrementos e, de facto, o IDT tem promovido este tipo de processo numa série de unidades. Começou por escolher uma unidade de cada valência e nós fomos contemplados, há quatro anos, ainda eu não era director, com a possibilidade de sermos a primeira unidade deste género certificada dentro do IDT, mas nesta lógica de que o IDT pretende implementar esse sistema de gestão pela qualidade em todos os serviços assistenciais e não assistenciais que possui. Que tipo de alterações foram promovidas no serviço? AL Obviamente, isto obrigou-nos a reestruturar inúmeras coisas e a reformular o tipo de atendimento que fazemos, de forma a que pudéssemos dar essa resposta que o IDT pretendia e também para darmos esse contributo para a organização, de sermos a primeira unidade deste género a ser certificada. Mas fundamentalmente as alterações mais visíveis têm a ver com o modelo de atendimento adoptado, e com a dinâmica da própria equipa, que de facto está verdadeiramente implicada no processo, com todos os elementos a deterem uma cota parte de responsabilidade directa em cada um dos processos. Mas o que mudou concretamente no vosso modus operandi? AL Desde logo, é preciso realçar que esta política do IDT obrigou o serviço a repensar a forma como trabalhava e, para isso, tivemos um contributo muito importante, que foi prestado pela própria equipa técnica nacional da qualidade, com o Dr. Jesus Cartelle e a Dra. Paula Sobrinho, que foram excelentes e fundamentais nesse processo e que nos levaram a repensarmos a forma como trabalhávamos. Durante todo o tempo em que nos estiveram a fazer o acompanhamento - foram eles os responsáveis pela implementação deste processo obrigaram-nos a pensar na forma como atendíamos, a estabelecermos indicadores precisos para podermos monitorizar a actividade que fazíamos e o que mudou, basicamente, foi aquela perspectiva que é comum nos serviços de saúde, em que tudo está centrado num médico e o resto, digamos que é uma espécie de acessório. Neste momento, trabalhamos verdadeiramente numa equipa multidisciplinar, em que todas as valências são importantes, todas as áreas são importantes e, quando o utente entra aqui para fazer um acolhimento, à partida vai ser avaliado por todas as áreas. O diagnóstico é feito de uma forma transversal. Não nos limitamos a fazer um diagnóstico médico mas fazemos um diagnóstico de todas as áreas: médico, de enfermagem, de serviço social e psicologia. Perante este diagnóstico, é então proposto ao utente aquilo que designamos por plano individual personalizado, nada mais nada menos que um plano de intervenção terapêutica, contemplando todas estas áreas. Escusado será dizer que, sem a equipa fantástica que construímos nesta unidade, com características de grande dinamismo, profissionalismo e competência, nada disto teria sido possível. Como eu costumo dizer, e acredito mesmo nisso, tenho a honra de dirigir a melhor equipa do IDT. Era preciso haver um processo de certificação para que as coisas começassem a ser feitas assim? AL Se calhar não Mas, às vezes, precisamos de pensar nas coisas e esta foi, claramente, uma boa oportunidade para o fazermos. Se calhar, noutra situação normal, não havendo este processo de certificação a decorrer, não teríamos tido esta oportunidade ou entenderíamos que estaríamos a dar as respostas que se exigiam. Mas nada melhor do que monitorizar a nossa actividade e, para isto, este tipo de procedimento foi importante. Habituámo-nos a monitorizar a actividade que temos e este é um dos aspectos fundamentais que têm os sistemas de gestão da qualidade. Não podemos fazer nada sem que esteja planeado, previsto, descrito e, ao mesmo tempo, monitorizado. Só assim podemos adoptar aquela postura de melhoria contínua, que é o grande objectivo dos sistemas de gestão da qualidade. E quanto à equipa técnica, foi fácil vender o processo? AL Não. Mais uma vez, realço o papel determinante da equipa nacional da qualidade. Fizeram um trabalho inicial de consolidação da maturidade da equipa, trabalharam connosco muitas questões que não tinham directamente a ver com o próprio atendimento ao público mas sim das relações entre os elementos da equipa Digamos que fizeram uma supervisão da equipa. Esse trabalho, longo, realizado pelo Jesús Cartelle e pela Paula Sobrinho, foi fundamental. Só depois de atingirmos um grau de maturidade suficiente foi possível avançar para o resto. E esta maturidade permitiu-nos depois começar a absorver estas questões da certificação com outros olhos, percebendo as vantagens de usarmos um sistema de gestão da qualidade, as mais-valias que isto traduzia para o atendimento e

6 6 CRI Vila Real O Processo de Certificação da Qualidade da ETE de Vila Real só foi possível com a aposta que o IDT, I.P. fez nesta Equipa e no empenho, esforço e dedicação que todos os envolvidos tiveram neste percurso. Traduziu-se num processo crucial de crescimento, evolução e organização para a toda a Equipa/Serviço. Tratou-se de um processo bastante difícil e conflituoso, mas que no final (Certificação) foi de extrema importância para todos nós, no sentido da melhoria contínua do trabalho desenvolvido, tendo como âmbito de aplicação o Tratamento e Reinserção, em regime de ambulatório, das dependências e patologias associadas. O Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) foi conduzido de raiz pelo Comité da Qualidade, representado por Dr. Eduardo Fernandes e Dr.ª Benedita Mocho. Com as orientações da Equipa de Trabalho para a Qualidade (ETQ) Dr.ª Paula Sobrinho e Dr. Jesus Cartelle e, do Director, Enf. Armindo Liberal, com o auxílio e conhecimento de todos os Colaboradores da ETE de Vila Real. Trata-se de um sistema organizado por Manuais que contém todas as tarefas, procedimentos e processos no que concerne ao âmbito de aplicação, de acesso a toda a Equipa e em constante adaptação e mutação, no sentido da melhoria contínua do mesmo. Como Coordenadora do Comité da Qualidade vejo o SGQ como uma aposta diferenciada de melhoria e reorganização de um serviço, que oferece respostas cada vez mais assertivas e profissionais na especificidade de cada Utente. Benedita Seixas Mocho para a própria relação com o utente, para a própria relação entre nós A título de exemplo, o sistema prevê que existam instrumentos de correcção dos problemas que são identificados no dia-a-dia, como são os casos das acções correctivas e das acções preventivas. Neste momento, já temos isto quase que instituído entre nós. Se calhar, sem este sistema de gestão da qualidade, estaríamos aí a berrar uns com os outros O registo, agora, é outro. Em vez de adoptarmos aquele velho registo, comum noutros serviços públicos, de andarmos a recriminar as pessoas individualmente, o que não produz normalmente qualquer impacto em termos de melhoria, já temos um procedimento instituído e que toda a gente sabe cumprir. Quando se detecta um erro, não é assim tão importante saber quem o cometeu mas antes rectificá-lo. Abre-se uma acção correctiva, propõe- -se uma intervenção diferente e o director assume a obrigação de avaliar isso durante um determinado período de tempo, para saber se essa acção correctiva teve, de facto, impacto na melhoria daquele procedimento. É um registo diferente, muito mais fácil de implementar, que não causa tantos conflitos entre a equipa e que já traduz a nossa forma de trabalhar. Agora, devo realçar que com esta equipa que temos, todo este processo se tornou bem mais fácil de vender como diz, pois estamos a falar, não só de grande competência profissional, bem como de grande abertura para a mudança. Qual é a norma que orientou o processo de certificação? AL A norma é a ISO 9001:2008. O âmbito da certificação é tratamento e reinserção em regime ambulatório das dependências e patologias associadas. Em última instância, que benefícios representa todo este processo para o utente? AL Desde logo, uma melhor organização do trabalho. A par, esta monitorização permite-nos ter uma percepção da eficácia dos tratamentos que estão a ser implementados e do tal plano individual personalizado. A certificação tem vários processos integrados; cada um tem um responsável na equipa, que monitoriza a actividade de cada um dos processos, o que nos obriga, nas nossas reuniões gerais, a falar do assunto. Os responsáveis de cada processo vão dando o feedback da monitorização que têm feito, relatando se estamos ou não a atingir os objectivos, se tem havido impactos positivos ou negativos da forma como estamos a trabalhar Isto permite-nos estarmos sempre em melhoria. O que é excelente para o utente porque, ao monitorizarmos a actividade e ao termos a percepção do impacto que a mesma está a ter, estamos a prestar melhor serviço. E o próprio utente acaba por sentir isso. No âmbito da certificação, no final de cada ano procedemos à aplicação de um questionário de satisfação, tanto aos colaboradores como aos utentes e não terá sido por acaso que tivemos um grau de satisfação de 72 por cento junto dos utentes. Tínhamos uma meta de 65 por cento e conseguimos superá-la. E no próximo ano seremos ainda mais ambiciosos e pretendemos propor uma meta acima dos 75 por cento. Este é mais um dado concreto que resulta do facto de termos todos estes instrumentos a funcionar. Em vez de termos a sensação de que os utentes estão satisfeitos, sabemos claramente a percepção de quem mais interessa relativamente à melhoria da qualidade assistencial. Uma vez que o processo de certificação é feito de normas e de requisitos, obrigando a mais registos e a uma maior produção documental, há ainda quem o entenda como uma forma de vigilância do trabalho de cada um Foi essa a percepção inicial da equipa? AL Desde sempre, o que teve muito a ver com a forma como o sistema foi aqui implementado mais uma vez, um louvor ao trabalho realizado pela equipa nacional da qualidade foi-nos transmitido que isto não era meramente uma passagem de um selo de certificação. Interessa-nos muito mais perceber que vantagens traria o processo para o serviço. De facto, há uma primeira fase em que é necessário muito trabalho documental, muito trabalho burocrático mas isso acontece em tudo o que se faz de novo. É preciso relembrar que este tipo de trabalho nunca tinha sido feito neste tipo de unidade e foi preciso restringirmo-nos muito à norma e elaborar toda a documentação de acordo com a mesma, que ainda por cima era nova e nunca tinha sido usada. Tínhamos já feito algum trabalho documental com a norma antiga, de 2003, tivemos que adaptar tudo para a de 2008 mas agora já não é assim tão exigente em termos burocráticos mas mais na implementação do sistema. E este, ao contrário do que possa parecer, tem o condão de facilitar o trabalho em vez de o complicar. Porque, ao termos procedimentos devidamente descritos, imagine-se que chega alguém de fora para integrar esta equipa, temos o trabalho todo facilitado. Consultando os manuais, sabe perfeitamente os procedimentos a adoptar em determinado tipo de tarefas. O que também é bom para nós porque, a qualquer momento, se surgir algum problema, sabemos exactamente onde está e o que falhou. E aqui não posso deixar de fazer uma referência especial ao comité da Qualidade, constituído pela Dra. Benedita Seixas e pelo Dr. Eduardo Fernandes, que, muitas vezes, prescindindo de tempo da sua própria vida pessoal, deram tudo o que tinham para que este processo seguisse no trilho certo, mostrando sempre grande disponibilidade e grande lealdade com a organização. A eles se deve todo este trabalho de organização e elaboração altamente burocrática, que serviu de base para tudo o resto. Qual foi a entidade responsável pela certificação? AL Foi a Lloyd s. As acreditações, internacional e nacional, foram da UKAS e do IPAC. Um dos objectos de certificação foi a reinserção. Também aí a norma especifica procedimentos processuais, ao nível dos procedimentos, das parcerias com o exterior e dos outros instrumentos? AL Sim, especifica. Nomeadamente, na questão do encaminhamento para unidades que é feito pela área da reinserção. Esta é uma questão antiga no IDT: onde acaba o tratamento e onde começa a reinserção Nós temos uma perspectiva, como disse, multidisciplinar e faz todo o sentido, quando se trata de promover uma certificação da qualidade numa área

7 CRI Vila Real 7 O Processo de Certificação do Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) da ETE de Vila Real foi um objectivo cumprido com o esforço de uma equipa que não se finda pela ETE! O repto lançado pelo ID, I.P. e a colaboração da Equipa para a Qualidade do mesmo organismo, liderada pela Dr.ª Paula Sobrinho e Dr. Jesus Cartelle, foi a impulsão decisiva no decurso deste trabalho. O Director da unidade formou um grupo específico para trabalhar esta matéria, o Comité da Qualidade, onde dois profissionais, Dr.ª Benedita Mocho e Dr. Eduardo Fernandes, incrementaram todo o processo e conduziram a restante equipa a desenvolver tarefas/procedimentos/ processos adstritos. Foi com enorme esforço, dedicação e com sentido de responsabilidade que estes dois profissionais se entregaram à causa. A equipa foi constatando as vantagens do trabalho que estava a ser desenvolvido, nomeadamente na melhoria do funcionamento, a criação de uma cultura no sentido da melhoria contínua da qualidade, a definição clara de responsabilidades e no cuidado específico com o tratamento dos utentes. Os auditores parabenizaram e certificaram o SGQ da ETE de Vila Real em todos aos requisitos da norma ISO 9001:2008 e, desta forma, o orgulho de um SGQ com 100% de conformidades! Foi o reconhecimento merecido de um caminho realizado com muitas dificuldades pelos elementos da ETE, mas que nunca perdeu a sua orientação: destacando-se a saída de alguns colaboradores, tarefas realizadas após as horas de expediente, poucos recursos financeiros e humanos, resistência de alguns elementos a integrar esta nova filosofia de trabalho e as dificuldades de comunicação sentidas. Por fim, deve-se assentar muito bem os pés na terra e ter consciência que este SGQ é como um bebé que acabou de nascer, precisa de ser cuidado, alimentado e todos os elementos da ETE são agora os progenitores e responsáveis pelo seu desenvolvimento. Eduardo Fernandes assistencial, tratamento e reinserção estão de mãos dadas, integradas. Não é possível fazer uma coisa sem a outra. A área da reinserção teve avanços notáveis nos últimos anos. A área da reinserção, no CRI de Vila Real, está a trabalhar de forma organizada, que facilitou muito até a própria integração de toda a actividade da reinserção neste sistema de gestão de qualidade. Mas há que salientar que estão a trabalhar sob um modelo de organização muito bom e eficaz. E essa melhoria de procedimentos, além de facilitador na entrada deste processo de gestão pela qualidade, veio trazer mais-valias para o próprio processo de certificação. Neste momento, dentro do nosso sistema de gestão da qualidade, temos a possibilidade de monitorizar aquilo que é essencial quando se pratica a actividade assistencial: o utente, quando entra num serviço para tratar um problema de saúde, já está a ser, ao mesmo tempo, encaminhado de forma a que os seus problemas que têm a ver com as áreas sociais possam também estar a ser resolvidos. Daí o diagnóstico multidisciplinar que fazemos. Ao mesmo tempo que entra num programa farmacológico, o utente está a ser acompanhado do ponto de vista psicológico e, ao mesmo tempo, está a ser tratada a sua vertente social e a projectar-se a sua possível reintegração, caso seja necessária. Mas isto só foi possível porque mudámos o nosso paradigma de atendimento, a nossa forma de trabalhar. Identificámos todas as necessidades logo no início e começamos imediatamente a trabalhar nas mesmas. O que implicará todo este processo em termos futuros? AL Como disse no início, considero esta aposta do IDT brilhante na forma de reorganizar e até de valorizar os próprios serviços. Como tal, tendo sido escolhidos para sermos a primeira unidade do género a ser certificada, temos um papel a cumprir para a própria organização: testar o sistema e, caso outras unidades pretendam certificar-se, seremos uma espécie de referencial, sendo certo que cada equipa que se queira certificar seguirá o seu próprio caminho, apoiada e orientada pela equipa nacional da qualidade da mesma forma que fizeram connosco, procurando o sistema de qualidade que mais se adeqúe à sua realidade. Falando em termos de CRI, gostaríamos muito de avançar com o processo para Chaves, até porque já temos actualmente algum know-how que nos permite implementá-lo nas unidades do próprio CRI, não obstante a necessidade do acompanhamento por parte da equipa nacional da qualidade para trabalhar aquela equipa e fazer a supervisão, a exemplo do que sucedeu aqui, para que possam absorver estes conceitos. Mas temos alguma coisa facilitada, até porque a equipa do CRI é uma só e existem elementos que podem dar um apoio que, inicialmente, não tínhamos.

8 8 Hospital Joaquim Urbano e DRN do IDT renovam protocolo A excelência da terapêutica combinada, parte 2 No passado dia 29 de Dezembro, foi assinado o protocolo que garante a continuidade da parceria entre a Delegação Regional do Norte do IDT e o Hospital Joaquim Urbano, que resulta no acompanhamento cada vez mais especializado de utentes toxicodependentes numa lógica de terapêutica combinada. O acordo celebrado visa a renovação da consulta descentralizada do CRI Porto Oriental/Hospital Joaquim Urbano Centro de Terapêutica Combinada. Esta unidade, pioneira no país, tem vindo a dar resposta, ao longo das últimas duas décadas, a indivíduos toxicodependentes com patologias como o VIH, tuberculose ou hepatites e constitui já uma referência mundial, acompanhando cerca de 350 utentes, num só espaço físico, com valências como a substituição opiácea, clínicas e enfermagem, internamento ou ambulatório, psicologia ou serviços sociais. Face a uma população problemática e tantas vezes estigmatizada, os casos de sucesso que resultam numa melhoria substancial da qualidade de vida ou no simples acesso a direitos universais são bem significativos. E já não são assim tão raros os casos de reintegração socioprofissional Dependências esteve presente no acto de oficialização do compromisso e entrevistou o Delegado Regional do Norte do IDT, Adelino Vale Ferreira. O Programa de Terapêutica Combinada do Hospital de Joaquim Urbano é já uma referência, cada vem mais evidenciada pelos indicadores O que muda ou poderá ser melhorada a partir desta renovação do protocolo? Adelino Vale Ferreira (AVF) Há aqui algumas melhorias A primeira tem a ver com aquilo que consideramos mais importante neste momento, ou seja, a avaliação da evolução dos nossos utentes. Trata-se de uma avaliação não só empírica ou clínica mas também alicerçada em instrumentos que nos permitam medir claramente, numa lógica de investigação acção, a evolução dos nossos utentes, quer em indicadores de qualidade de vida, quer em indicadores de gravidade da doença. E isto, quer no âmbito da saúde mental, quer no âmbito da dependência. Ao mesmo tempo, permite aproximarmo-nos do lado do Hospital de Joaquim Urbano que, para a avaliação, utiliza indicadores infecciosos, não só dos marcadores mais específicos das doenças. Já a um nível mais interno, conseguimos ter técnicos colocados sob a responsabilidade do CRI Oriental, dedicados a esta resposta, que nos garantam uma continuidade e presença mais sistemática, de acordo com as necessidades do serviço. Há ainda outro ganho, que tem a ver com o facto de nós próprios podermos dar uma ajuda ao Hospital Joaquim Urbano nas problemáticas afectas às hepatites, nomeadamente à Hepatite C, uma patologia que, como os números indicam, está em crescendo, sendo importante que o IDT possa dar apoio a estes doentes. Por fim, a renovação deste protocolo traduz o reconhecimento de uma resposta muito válida. Afinal, o valor que está aqui em questão é a vida das pessoas e, associada à mesma, a qualidade. Sendo este um modelo cuja eficácia e eficiência não precisarão de muitos mais argumentos, face aos incrementos que o mesmo potenciou na população abrangida pela área geográfica da Delegação Regional do Norte do IDT, não lhe parece que, numa óptica de rentabilização dos recursos existentes na comunidade e dos saberes adquiridos, o mesmo deveria já estar replicado noutras zonas do país? AVF Sim, e conseguem-se ganhos de eficiência que são imensos. Não só em termos de custo benefício mas conseguem-se ganhos em termos de execução, do acompanhamento dos utentes e na própria especialização. Esta replicação é desejável, até porque atravessamos uma altura em que estamos muito constrangidos em termos de recursos financeiros e é a partir das parcerias, como aqui constatamos, que conseguimos rentabilizar esforços e ir mais longe com menor custo. De qualquer forma, este é um modelo aberto e também já é conhecido em várias partes do país e, não sendo propriamente um conhecedor de todas as realidades do país, parece-me evidente que eventuais replicações corresponderiam a ganhos. E mesmo em termos de custos para o IDT, o facto de os nossos técnicos estarem a atender os utentes na sua unidade ou deslocarem-se aqui acaba por ser igual. E com o cruzamento de pessoal conseguimos obter uma rentabilidade muito maior. O futuro da ET de Gaia À margem deste evento, já existe alguma solução preconizada para a ET de Gaia? AVF A resposta mantém-se. A consulta funcionará, tal como tem acontecido, diariamente, com uma capacidade que rondará aproximadamente os 500 utentes Recordo que, actualmente, estão inscritos cerca de 900 utentes Os restantes serão encaminhados para outras estruturas? AVF Pois, mas desses 900, quantos iriam apenas uma ou duas vezes por ano a uma consulta? De qualquer forma, os restantes serão encaminhados para uma solução à escolha deles próprios: temos a ET da Feira, a consulta de Espinho e as ETs do Porto, portanto, serão encaminhados em função das suas residência mas também dos seus interesses pessoais. Aliás, nós já tínhamos alguns utentes de Gaia que preferiam vir ao Porto porque consideravam que se deslocavam melhor. O mês de Janeiro servirá para prepararmos as instalações e a mudança ocorrerá em Fevereiro. Estamos a negociar com a Administração Regional de Saúde, no sentido da cedência de um espaço das suas instalações em Gaia, provavelmente mais central.

9 Hospital ao Serviço da Comunidade Hospital de Joaquim Urbano 9 O Hospital de Joaquim Urbano (HJU) é um hospital central especializado, que elege como missão a prestação de cuidados especializados no domínio das doenças infecciosas e pulmonares. A unidade, conta já com 125 anos de história mas com uma estrutura totalmente renovada, assegura padrões elevados de desempenho técnico-científicos, num ambiente acolhedor e humanizado, com total respeito pela individualidade dos doentes, fundamental para quem elege a excelência como meta para atingir os melhores resultados no tratamento. O compromisso da unidade, garante Jorge Mourão, Presidente do Conselho de Administração do Hospital de Joaquim Urbano, em entrevista a Dependências, consiste em envolver todos os profissionais numa política de proximidade com a comunidade, com elevada diferenciação técnica e humanização no contacto com os doentes. Reconhecido internacionalmente face às boas práticas implementadas, onde a inovação é já um lugar comum, o Joaquim Urbano dispõe de programas diferenciadores como o Centro de Terapêutica Combinada (CTC), bem conhecido pelos profissionais que intervêm em dependências face à excelência evidenciada e à total inovação e ruptura com o modelo então vigente que, na altura em que foi desenhado, projectou. Em entrevista Jorge Mourão, o gestor hospitalar que preside ao C.A. da unidade, abre as portas aos leitores de Dependências. Há anos que esta unidade tem vivido de incertezas relativamente ao seu futuro. Já se falou em encerramento, em integração noutro centro O que terá esta unidade de especial para logo se insurgirem vozes contra e se levantarem preocupações? Jorge Mourão (JM) Nos últimos 15 anos, esta unidade tornou-se muito especializada na área da infecciologia, com apoio da pneumologia, tratando principalmente patologias como o VIH, as hepatites e a tuberculose. A diferenciação técnica dos profissionais permitiu que se potenciasse esta especialização e a capacidade de se orientar para o utente, de o atender e de o acolher de forma humana e personalizada. A nossa expectativa em relação ao futuro, é que seja possível preservar a identidade daquilo que o HJU tem, reconhecidamente, feito bem ao longo dos anos e que tão útil tem sido para os nossos utentes e prestigiante para o Porto e para a região Norte. É uma unidade que está na vanguarda da terapêutica do VIH, com resultados que têm sido demonstrados um pouco por todo o lado e que apresenta uma dimensão que nos agrada bastante, que se prende com a satisfação evidenciada pelos nossos utentes. O facto de a unidade tratar de uma forma personalizada e multidisciplinar faz com que os doentes que seguimos se sintam bem acolhidos, frequentem o programa terapêutico e sintam bem nesta unidade. Creio que estas variáveis são distintivas do tratamento relativamente a hospitais gerais de elevada dimensão, com outro perfil e motivação. Numa altura em que tanto se fala em contenção de custos, convirá salientar que esta unidade sempre terá pensado nisso, na óptica do utente, particularmente quando, através do Programa de Terapêutica Combinada, o utente deixou de ter que recorrer a três ou quatro unidades, como sucedia antes para passar a dispor aqui de um serviço que lhe garante tudo aquilo que precisa JM Sim, são duas dimensões que se unem. A gestão, não só num passado recente mas já há 15 anos, fez sempre um esforço para conseguir providenciar a melhor solução terapêutica com custos aceitáveis. Eu próprio estou

10 10 Hospital de Joaquim Urbano Temos cerca de 230 doentes neste momento, existindo um histórico de mais de 2 mil doentes com VIH. De qualquer forma, o programa tem poucas perdas, as pessoas vão sendo monitorizadas ao longo do tempo e penso que aquilo que prova o sucesso do processo tem a ver com o que perguntou anteriormente: há, de facto, uma baixa taxa de perdas de pessoas e temos casos bastante interessantes de pessoas que recuperam as suas condições de vida. no Hospital há menos de quatro anos e encontrei uma estrutura de aquisição vocacionada para as melhores terapêuticas, que estão em determinado momento no topo, constituindo as mais recentes guidelines do tratamento, sendo os produtos negociados de forma a conseguir-se a situação mais vantajosa possível para o Hospital, que é um grande comprador, na medida em que tem muitos casos, logo, tem um poder negocial significativo. Portanto, o esforço de gestão é enorme e realizado da melhor forma que sabemos, com o Professor Rui Sarmento e Castro a conduzir há muito tempo o processo neste sentido. Do ponto de vista do utente, há sinergias, com o seu perfil de pessoa que precisa de ser apoiada porque, frequentemente, está socialmente desinserida. O facto de o Hospital conciliar alguns meios, dar apoio psicológico, o apoio em termos de ocupação de tempos livres, o facilitar a deslocação dos utentes ao Hospital, tudo isto é pensado e oferecido aos utentes no Centro de Terapêutica Combinada, associado à toma assistida. O doente chega aqui de manhã, quando vem tomar a metadona é-lhe providenciada a sua medicação, é acompanhado, tem um conjunto de actividades que o fazem sentir-se inserido, e é monitorizado. Portanto, há também uma sinergia que não é fácil de contabilizar mas que representa tudo o que ganhamos ao não deixarmos esse doente piorar, ao não perder a sua adesão ou ao evitar que faleça. Não sendo facilmente mensurável, podemos afirmar que a razão do sucesso tem a ver com o facto de termos doentes aderentes e satisfeitos, que ao longo dos anos têm a doença activa mas mantêm níveis controlados e até, pontualmente, atendendo às circunstâncias, com algum grau de integração na sociedade. Como imagina, isto é motivo de orgulho para os profissionais. Tudo isso justificará, muito provavelmente, outro indicador em que o HJU se diferencia, a baixa taxa de abandonos, o que é muito pouco comum nesta área JM Exactamente! Penso que mesmo no tipo de paciente que tratamos e de que aqui estamos a falar, essa é uma marca distintiva. Esse doente está frequentemente associado à toxicodependência e, como tal, tem que ser muito bem acompanhado. Esta capacidade evidenciada pelo projecto de vanguarda, o CTC, de manter o doente envolvido permite que se consiga que ele não abandone a medicação e se sinta inserido. A título de exemplo, numa das salas que temos no CTC podem realizar diversas actividades, jogam às cartas, convivem, com o apoio do animador cultural e da equipa de enfermagem, produzem um pequeno jornal as pessoas sentem-se envolvidas e percebem que estão a fazer o melhor para elas e que alguém se preocupa com elas. De facto, esta unidade teve essa capacidade de se dedicar a estes doentes, conseguindo resultados de sucesso, como tem sido frequentemente demonstrado em congressos. A dimensão satisfação ultrapassa os padrões normais de que hoje se fala, orgulhando-nos bastante. Pelo segundo ano consecutivo, uma entidade externa, mais concretamente uma Universidade Nova de Lisboa fez uma avaliação totalmente anónima com a base de dados da ACSS e, apesar das situações de doença crónica ou prolongada terem normalmente um maior envolvimento, o HJU aparece sempre nos lugares cimeiros das várias dimensões de análise. O que significa que os doentes reconhecem o empenho, a capacidade de trabalho, o esforço de constantemente tentarmos melhorar as condições, não obstante os constrangimentos financeiros, para lhes proporcionarmos este apoio que é vital. O que é gratificante para os profissionais no terreno é verem, de facto, as pessoas recuperarem dentro do possível a sua saúde, inserem-se, fazem parte de uma comunidade e todos sabemos o quão difícil isto é Recordo-me de, num congresso da especialidade, o HJU ter apresentado o CTC como um exemplo de boas práticas ao nível da facilitação do acesso dos utentes ao tratamento e da promoção das parcerias e do envolvimento da comunidade local. No caso, tratava-se de uma parceria com o Serviço de Transportes Colectivos do Porto, que resultava no transporte gratuito para os utentes JM Existem vários níveis e formas de entendimento, seja através de protocolos com instituições, seja através de parcerias que nos possibilitam a colocação de pessoas na vida activa com tarefas adequadas à sua formação e condição. O exemplo que citou é emblemático, em que, de acordo com as orientações que existem da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida no que concerne à promoção dos direitos de acesso, entendemos que as dificuldades económicas e de mobilidade que normalmente caracterizam o perfil destes doentes não deveriam constituir barreiras. A forma encontrada foi o estabelecimento de um protocolo, no âmbito do qual um conjunto de utentes se pode dirigir ao Hospital usando os transportes públicos sem encargos. Penso que isso constitui um incentivo à responsabilização e à parceria. Cada vez é mais difícil conseguir estabelecer este tipo de parcerias na área do social, embora isso seja vital para o trabalho que o HJU faz. Qual é o universo de utentes que o CTC do HJU serve actualmente? JM Temos cerca de 230 doentes neste momento, existindo um histórico de mais de 2 mil doentes com VIH. De qualquer forma, o programa tem poucas perdas, as pessoas vão sendo monitorizadas ao longo do tempo e penso que aquilo que prova o sucesso do processo tem a ver com o que perguntou anteriormente: há, de facto, uma baixa taxa de perdas de pessoas e temos casos bastante interessantes de pessoas que recuperam as suas condições de vida. Porém, como é sabido, o HJU não se resume ao CTC JM Apesar da pequena dimensão e do reduzido número de profissionais que tem, o Hospital faz anualmente perto de 30 mil consultas. Tem, nos últimos anos, uma tradição de seguir o HIV, hepatite e tuberculose com o apoio da Pneumologia. Dentro da área da Pneumologia, existe também um conjunto de práticas, como as provas funcionais respiratórias, broncofibroscopias, que são realizadas aqui no Hospital. Muito em complementaridade, o corpo profissional é relativamente pequeno mas temos cerca 650 doentes saídos do internamento no último ano, cerca de 30 mil consultas e 80 mil sessões do Hospital de Dia. Muito do nosso trabalho está concentrado em formas de ambulatório, sejam na realização de consultas, sejam em pessoas que precisam

11 Hospital de Joaquim Urbano 11 O que encontrei aqui, do ponto de vista da afeição ao doente, foi um grupo de profissionais altamente motivado e envolvido. Sabemos o tipo de utentes que estamos a tratar mas que é tratado exactamente com toda a atenção e carinho que qualquer outro utente. Nesse sentido, não é feita qualquer diferenciação. Há um histórico de fazer bem e de envolvimento. Não tenho conhecimento de haver algum tipo de insatisfação, no sentido de algum profissional dizer que preferia trabalhar noutro hospital para tratar outro tipo de utentes. E quanto ao método de referenciação, os utentes apenas entram no Programa através de uma primeira consulta no IDT? JM Não, eles têm acesso ao Programa através de um acompanhamento também nosso, que passa pela Dra. Ana Horta, a pessoa responsável por toda a área da consulta e por uma equipa clínica. Outros factores que distinguem muito a nossa prática têm a ver com o grau de empenho e a presença do Prof. Rui Sarmento e Castro, que acompanha o processo muito de perto, com a dimensão do quadro clínico, em que o número de médicos é relativamente reduzida, as guidelines sobre terapêutica, a própria discussão de casos numa lógica multidisciplinar com reuniões semanais os casos acabam por ser tratados de uma forma muito casuística e em função das necessidades. É aferido em concreto, quando existem duas ou três situações que podem justificar um determinado grau de tratamento, qual é o de primeira linha. Não é uma questão de ordem de chegada mas que é gerida de acordo com as melhores práticas clínicas. De qualquer forma, temos várias formas de referenciação: o hospital ou os centros de saúde referencia uma primeira consulta, nós pegamos no doente, havendo uma triagem quanto ao grau de necessidade realizada por nós. Em função dos dados que encontramos, são feitas análises ao utente, observados parâmetros essenciais e se se justifica internamento ou se é seguido em consulta. O nosso utente tipo provem sobretudo da zona Oriental do Porto e também de alguns concelhos limítrofes, nalguns casos reclusos, havendo inclusive um protocolo com Bragança, em que temos um médico que presta assistência na região Norte, proporcionando cuidados especializados de Infecciologia numa zona que não é de fácil acesso. de cuidados médicos e de enfermagem que são tratados em hospital de dia. Portanto, penso até que para o quadro profissional que temos, apresentamos uma produção bastante interessante porque são realizados muitos actos em comparação com outras unidades que têm quadros mais dotados, embora não estejam tão especializados. Penso que fazemos um trabalho bastante positivo de racionalização dos meios, conseguindo, com aquilo que temos, chegar o mais longe possível. Voltando ao CTC, existe lista de espera? JM Não. Neste momento, as pessoas que são seleccionadas e que entram no CTC estão de acordo com a nossa capacidade. O Programa é gerido directamente pela área clínica, com total autonomia. Para a equipa que gere, numa área em que não é particularmente fácil gerir emoções, até porque são normalmente maiores as derrotas do que as vitórias, como caracteriza a tarefa de motivar estes profissionais? JM É mais fácil do que a pergunta encerra. O que encontrei aqui, do ponto de vista da afeição ao doente, foi um grupo de profissionais altamente motivado e envolvido. Sabemos o tipo de utentes que estamos a tratar mas que é tratado exactamente com toda a atenção e carinho que qualquer outro utente. Nesse sentido, não é feita qualquer diferenciação. Há um histórico de fazer bem e de envolvimento. Não tenho conhecimento de haver algum tipo de insatisfação, no sentido de algum profissional dizer que preferia trabalhar noutro hospital para tratar outro tipo de utentes. Os profissionais, sejam de que áreas forem, estão altamente comprometidos. As limitações que temos ao nível da motivação não serão provavelmente específicas do HJU, que está muito satisfeito com aquilo que faz, mas traduzem questões que penso estarem para além da gestão de motivações. São problemas da sociedade, de carreiras, de vínculos, de sermos um Hospital que tem estatuto jurídico, até ao momento, do sector público administrativo, em que é difícil recrutar novos elementos, em que há dificuldades e limitações ao nível da progressão dos profissionais. Agora, nada disto tem sido transportado, tanto quanto eu consigo perceber, para o utente, o que é provado pelo estudo independente que inicialmente referi. Esta interacção só pode ser verdadeira: os profissionais, para estarem satisfeitos, tratam bem, os utentes sentem-se bem tratados e penso que a parte motivacional pré-existe nesta equipa que, quando vem para aqui, sabe a missão que tem, integra-se e as coisas têm corrido bem. O HJU já uma referência também a nível internacional, tendo sido convidado, pelo que conheço, para apresentarem modelos e boas práticas em congressos realizados fora do país JM Sim, e por outro lado, ainda no final do ano passado, tivemos uma visita de uma delegação da OMS e a indicação que tivemos foi que ficaram bastante agradados com o modelo do CTC e do acompanhamento que fazemos, considerando-o o caminho a seguir quando se pretende envolver, tratar e curar na medida do possível. Nesse sentido, foi-nos dito na altura que este seria um modelo a replicar. E eram peritos da Organização Mundial de Saúde. Mesmo internamente, é frequente termos visitas de outras instituições devido a outro factor muito distintivo, que tem a ver com o trabalho de motivação e envolvimento que fazemos junto do doente. Entendo que este exemplo não é fácil de replicar mas é preciso haver, do ponto de vista do decisor político e da sociedade em geral, uma preocupação em saber se quer apoiar este tipo de soluções.

12 12 Investigação em Português A Medicina Geral e Familiar e a Abordagem do Consumo de Álcool Detecção e Intervenções Breves no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários * Cristina Ribeiro, IDT IP A defesa da tese decorreu na Aula Magna da Faculdade de Medicina de Lisboa a 17 de Dezembro de 2011 e o júri esteve representado com doutorados de MGF, nomeadamente os Professores Doutores Augusto Alberto Pinto Hespanhol, da Universidade do Porto, Vasco António Jesus Maria e Luis Miguel Henriques da Silva Rebelo, da Universidade de Lisboa; Os outros elementos foram os Professores Doutores José Miguel de Barros Caldas de Almeida, da Universidade Nova de Lisboa e ainda os Professores Doutores José Manuel Pereira Miguel, Helena Maria Ramos Marques Coelho Cortez Pinto e Nuno Maria Félix da Costa, da Universidade de Lisboa. O Presidente do Júri foi o Professor Doutor Rui Vitorino. A defesa foi aprovada com distinção e louvor. O facto de haver doutorados em MGF como elementos do júri permitiu enquadrar de um modo apropriado o contexto da análise e da discussão desta tese no âmbito da Medicina Geral e Familiar assim como redimensionar em termos de futuro a aplicação prática deste objecto de investigação e integrá-lo na prática organizacional dos Cuidados de Saúde Primários. Este trabalho de Doutoramento pretendeu dar um contributo à resolução de um problema pertinente no domínio da Saúde Pública que é o dos Problemas Ligados ao consumo de Álcool (PLA) e à forma como intervir em termos preventivos, no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários, mais concretamente da Medicina Geral e Familiar. Para além da importância da detecção precoce, o Plano Europeu destacava o modelo de Intervenção Breve de base motivacional como forma de aconselhamento que a medicina baseada na evidência demonstra ser eficaz nas mudanças de comportamento de risco em relação ao consumo de bebidas alcoólicas. A Organização Mundial de Saúde tem feito um investimento na formação e treino de profissionais dos Cuidados de Saúde Primários, nomeadamente dos médicos, com a implementação de um programa formativo estruturado. Pretendeu-se, em Portugal, e tendo em conta os resultados da implementação e da avaliação do Programa a nível da OMS, promover a formação dos médicos dos Cuidados de Saúde Primários de modo a aumentar as aptidões e competências na gestão dos consumos de álcool no que se refere à detecção precoce e Intervenção Breve. Antes disso, pretendeu-se ainda analisar quais são as atitudes dos médicos de família em relação à problemática ligada ao álcool. Pretendeu-se ainda determinar a efectividade das Intervenções Breves realizada por Médicos de Família após identificação de consumidores de risco e nocivo. Os médicos dos Cuidados de Saúde Primários, encontrando-se no primeiro nível da abordagem em termos de saúde, poderão identificar os seus doentes com Problemas Ligados ao consumo de Álcool e ainda decidir quem necessita de ser referenciado e quem poderá beneficiar de uma Intervenção Breve. Enquadramento A União Europeia é das regiões do mundo com a proporção mais alta de consumidores de álcool e com mais altos níveis de consumo de álcool per capita. A Europa é a região com maior consumo de álcool do mundo. No que diz respeito à saúde, o álcool é um determinante de saúde responsável por 7,4% de todas as incapacidades e mortes prematuras na União Europeia. Ao medir o impacto do álcool através dos Anos de Vida Ajustados à Incapacidade (DALYs Disability Adjusted Life Years), este corresponde ao terceiro entre vinte e seis factores de risco de doença na União Europeia. O álcool é responsável por cerca de 60 tipos diferentes de doenças e problemas, incluindo perturbações mentais e comportamentais, problemas gastrointestinais, neoplasias, doenças cardiovasculares, perturbações imunológicas, doenças pulmonares, doenças ósseas e musculares, perturbações reprodutivas e danos pré-natais, incluindo um aumento do risco de prematuridade e baixo peso à nascença. No que se refere à mortalidade, o álcool é responsável por cerca de mortes por ano na UE. A percentagem de mortes atribuíveis ao álcool é maior nas idades compreendidas entre os anos e é mais elevado no sexo masculino (cerca de 25 a 30% do número total de mortes) que no sexo feminino (10 a 15. Cerca de 23 milhões de cidadãos europeus são dependentes de álcool e o risco da dependência de álcool aumenta com o acréscimo do consumo; os jovens adultos estão particularmente em risco e metade das pessoas que se tornam dependentes tiveram o seu primeiro consumo há aproximadamente dez anos. No que se refere aos jovens, cerca de 90% dos estudantes de anos beberam álcool em algum momento da sua vida, começando em média aos 12 ½ anos de idade e embriagando-se pela primeira vez aos 14 anos. Mais de 1 em 8 (13%) dos jovens entre anos embriagaram-se mais de 20 vezes e mais de 1 em 6 (18%) tiveram consumo tipo binge drinking (5 ou mais bebidas numa única ocasião três ou mais vezes no último mês). A maior parte dos países europeus apresentam uma subida no binge drinking para os rapazes e também para as raparigas desde 1995/9 a Tendo em conta estes indicadores globais, a Comissão Europeia desenvolveu um conjunto de acções no sentido de reduzir os danos relacionados com o álcool que incluem a definição de estratégias perante os Problemas Ligados ao consumo de Álcool com uma rede de políticas integradas a nível Europeu e a apresentação de um relatório de Saúde Pública que faz uma análise dos efeitos do álcool na sociedade. Após a detecção dos consumos, as Intervenções Breves correspondem, em termos de evidência, ao tipo de abordagem mais eficaz para evitar consumo de risco e nocivo a nível dos Cuidados de Saúde Primários. Outras medidas são também essenciais, como sejam a restrição da publicidade dirigida ao álcool ou a aplicação do teste de ar expirado na condução sobre o efeito do álcool. Os Cuidados de Saúde Primários oferecem oportunidades para avaliar os hábitos de consumo de álcool dos doentes, tendo em conta que todos

13 Investigação em Português 13 os anos cerca de 70% da população visita o seu médico de família e 90% consulta pelo menos uma vez em cinco anos. Vários estudos europeus sugerem que cerca de 20% dos doentes que utilizam os cuidados primários serão consumidores excessivos. Na rotina diária, a maioria destes consumidores excessivos não são diagnosticados. Habitualmente apresentam-se com sintomas ou problemas que aparentemente não estão associados directamente ao consumo de álcool e os Médicos de Família tem por vezes dificuldade em identificar esses consumidores excessivos. Estes doentes consultam os seus Médicos de Família duas vezes mais que um doente médio, com queixas de hipertensão, gastrointestinais, psiquiátricas e, por vezes, acidentes ou traumatismos, não se estabelecendo de forma oportuna a relação entre os consumos e as referidas queixas. O potencial de detecção e intervenção para reduzir os Problemas Ligados ao consumo de Álcool foi também demonstrado em vários países, nomeadamente através da utilização de questionários de detecção e com Intervenções Breves. Como já foi referido, o álcool está implicado numa variedade de doenças e problemas de natureza legal e social. Apesar de muitos destes problemas de saúde estarem relacionados com um contexto de dependência severa, consumos de bebidas alcoólicas em quantidades de cerca de 20g a 40g de álcool por dia já constituem um factor de risco para acidentes, traumatismos e problemas sociais. Muitos factores contribuem para o desenvolvimento dos problemas relacionados com o álcool, como sejam o desconhecimento dos limites aceitáveis quando se consome e dos riscos associados ao consumo excessivo. Influências sociais e ambientais, tais como aspectos culturais, usos e costumes que são favoráveis aos consumos excessivos, também desempenham um factor importante. Um dos benefícios de fazer a detecção é o facto de os doentes que não são dependentes poderem parar ou reduzir os seus consumos de álcool com adequada intervenção. Se forem dependentes alcoólicos, a abstinência torna-se indispensável, o que requer tratamento especializado. Entre os projectos que decorrem com a participação de vários Estados- -membros da UE, o Projecto PHEPA Primary Health European Project on Alcohol teve como objectivo integrar todas as intervenções nos consumos de risco e nocivo a nível dos Cuidados de Saúde Primários, elaborando recomendações europeias e guidelines clínicas, um programa de formação em Intervenções Breves para profissionais dos Cuidados de Saúde Primários e um site abrangente na Internet com divulgação de boas práticas e estratégias de disseminação em cada país. A Organização Mundial de Saúde desenvolveu também um questionário de detecção designado AUDIT (Alcohol Use Disorders Identification Test) e um manual sobre Intervenções Breves, de maneira a facilitar não só a detecção como a intervenção junto da população consumidora nos Cuidados Saúde Primários. Etapas do doutoramento Uma primeira etapa do trabalho de Doutoramento consistiu na aferição do questionário sobre atitudes (SAAPPQ Short Alcohol and Alcohol Problems Perception Questionnaire) e caracterização das atitudes dos médicos perante os Problemas Ligados ao consumo de Álcool, cujo resultado mais premente foi a necessidade de formação nesta área. A segunda etapa consistiu na preparação dos materiais da formação dos médicos de acordo com o modelo do Projecto Europeu PHEPA. Durante todo este processo há que valorizar a importância do Projecto Eu-

14 14 Investigação em Português Cerca de 23 milhões de cidadãos europeus são dependentes de álcool e o risco da dependência de álcool aumenta com o acréscimo do consumo; os jovens adultos estão particularmente em risco e metade das pessoas que se tornam dependentes tiveram o seu primeiro consumo há aproximadamente dez anos. ropeu PHEPA que, pela especificidade e oportunidade do mesmo, permitiu que este trabalho de doutoramento fosse enriquecido e viabilizado, através da produção de todo um conjunto de materiais facilitadores. A terceira etapa consistiu na formação de médicos e no trabalho de campo, com a colaboração desses médicos na detecção e intervenção junto de consumidores excessivos de álcool das suas listas de doentes e ainda na análise, após a intervenção, sobre se houve redução dos consumos e diminuição do nível de risco inerentes a esses consumos por parte dos doentes dos médicos formados e, também, se houve alguma mudança de atitudes desses médicos. Da formação para a prática clínica no contexto dos Problemas ligados ao álcool Ao nível dos efeitos, a avaliação deste impacto formativo pretende averiguar em que medida foram alcançados os objectivos da formação, em termos de aprendizagem por parte dos formandos, ou seja, em que medida o facto de se ter verificado essa aprendizagem resulta numa mudança ou melhoria do desempenho profissional dos formandos no contexto onde vão aplicar os conteúdos da formação.para a formação dos médicos no contexto do doutoramento, afigurou-se necessário conceber um programa de formação com conteúdos que fossem adequados e com uma metodologia de formação apropriada ao objectivo a que se destinava. Tendo em conta que o Projecto PHEPA Europeu preparou materiais e um programa de formação, em técnicas de intervenção para redução dos consumos de álcool, destinado a profissionais de saúde dos cuidados primários de saúde foi necessário proceder- -se à tradução e adequação desses materiais formativos considerando as realidades da cultura de cada país envolvido no projecto. Foi valorizado que o processo de aprendizagem decorrente da formação facilitasse a transferência para a prática clínica. Os métodos de aprendizagem corresponderam à aprendizagem activa para adultos, de modo a proporcionar a aplicação do apreendido na prática diária, integrando de preferência métodos que recorressem a normas de orientação clínicas baseadas em evidência científica e incluindo estratégias de capacitação e de reforço da prática.o modo como os materiais de formação foram adaptados, com conteúdos que foram ao encontro do programa de formação, permitiu preparar um pacote formativo na qual constam todos os conteúdos e o modo como pode ser utilizado pelo técnico de saúde que recebe a formação. Existe também um outro pacote, a ser utilizado pelo futuro formador, com exercícios de treino, slides replicáveis e casos para discussão em videograma para utilização no processo formativo. Conseguiu demonstrar-se que os Médicos de Família que receberam formação relacionada com esta temática e tinham um contexto de suporte adequado se sentiam mais seguros e tinham maior empenho na intervenção, conseguindo por isso intervir com melhores resultados junto de doentes com Problemas Ligados ao consumo de Álcool. Educação e treino estavam ainda associados a maior segurança e/ou confiança e compromisso para intervir junto destes utentes consumidores. Os dados do presente trabalho corroboram outros encontrados na literatura Existem vários estudos relatados na literatura, bem como de meta-análises, que confirmam a eficácia das Intervenções Breves para doentes com consumo de risco e nocivo de álcool em diferentes contextos clínicos. Uma das revisões mais recentes concluiu que a Intervenção Breve permitiu a redução do consumo entre homens e mulheres durante seis a doze meses que se seguem à intervenção, o que também aconteceu no nosso estudo. Esta revisão foi confinada a estudos levados a cabo em condições mais naturais dos cuidados primários de saúde sendo, portanto, mais relevante para as condições do mundo real da prática clínica. Um aspecto positivo de um teste de detecção é a identificação de doentes que possuam risco de desenvolver um problema ou que estejam nos estágios iniciais do mesmo, possibilitando uma maior eficácia/efectividade do tratamento e evitando a mortalidade associada ao problema. Das meta-análises existentes destaca-se a de Eileen Kanner, que analisou 28 estudos de vários países em CSP (23 estudos) e Serviços de Emergência (5 estudos) sobre esta temática. Cerca de participantes, com uma média de idade de 42 anos, foram considerados nestes estudos e receberam Intervenções Breves. Estes resultados foram similares tanto em vários serviços no contexto clínico de cariz mais naturalista, assim como em contextos mais rigorosos em termos de investigação com maiores recursos. Intervenções mais longas não surtiram efeitos acrescidos. E estes resultados são também similares aos obtidos aos apresentados nesta tese em termos da redução dos consumos, nomeadamente a nível semanal. No presente estudo, a ocorrência de casos positivos detectados pelo AU- DIT suporta a ideia da relevância da detecção precoce dos problemas associados ao uso de risco e nocivo de álcool nos Cuidados de Saúde Primários. Os problemas do uso excessivo de álcool já estão bem demonstrados, evidenciando ainda a relação positiva benefício/custo do procedimento. Existem benefícios decorrentes da redução ou paragem do consumo de álcool. Parte do prejuízo provocado pelo álcool é imediatamente reversível; todos os riscos associados podem ser completamente revertidos se o álcool for removido. As pessoas jovens que cessam o consumo, como estão no início da idade adulta reduzem significativamente o risco de danos relacionados com o álcool. Os estudos demonstraram que as intervenções baseadas nos cuidados de saúde para tratar o consumo de álcool de risco e nocivo reduzem o consumo de álcool, os problemas relacionados, bem como a mortalidade associada. Diante destas evidências pode propor-se a aplicação do AUDIT seguida por Intervenção Breve como uma ferramenta para reduzir o consumo do álcool e os problemas relacionados com o seu uso em contextos de Cuidados de Saúde Primários. Os profissionais de saúde deveriam usar rotineiramente um procedimento de avaliação que permita determinar se os doentes têm consumos de álcool que podem condicionar a sua saúde (se o doente está sob baixo ou elevado risco ou com problemas decorrentes do uso ou até de dependência). Por outro lado, a formação dirigida nesta área permitiu que os

15 Investigação em Português 15 Uma das revisões mais recentes concluiu que a Intervenção Breve permitiu a redução do consumo entre homens e mulheres durante seis a doze meses que se seguem à intervenção, o que também aconteceu no nosso estudo. Esta revisão foi confinada a estudos levados a cabo em condições mais naturais dos cuidados primários de saúde sendo, portanto, mais relevante para as condições do mundo real da prática clínica. profissionais de saúde melhorassem algumas dimensões da sua percepção de atitudes em relação ao consumo de bebidas alcoólicas dos doentes que assistem nos Cuidados de Saúde Primários, quando comparado com os médicos do grupo de controlo que não teve formação dirigida e que foi somente esclarecido sobre os objectivos e metodologia do estudo e tiveram conhecimento dos instrumentos/questionários de aplicação. Síntese Em síntese, a maioria dos PLA é provocada por consumos que ultrapassam os níveis considerados de risco e não necessariamente por dependentes. Uma das formas de reduzir os níveis de consumo na comunidade e nas populações é, portanto, providenciar a detecção e Intervenções Breves nos CSP, sendo esta actividade garantida por profissionais de saúde. Em CSP, os doentes deveriam ser rotineiramente questionados em relação aos seus consumos aquando de uma nova inscrição. Estes doentes podem não ter procurado necessariamente o serviço de saúde no sentido de abordar esta problemática mas, de uma forma tipo case-finding, iria permitir detectar precocemente problemas associados ao consumo excessivo de BA e, de um modo pró-activo, prevenir possíveis complicações associadas a níveis de consumo de álcool elevados. Assim, as fases desta intervenção incluem identificação, feed-back sobre o nível dos consumos junto do doente, com estratégias relacionais de coping, aumento da motivação e desenvolvimento de um plano pessoal de redução dos consumos, será possível contribuir para um possível controlo dos danos associados a esta matéria. O futuro A detecção de consumos de álcool e de PLA nos CSP e outras estratégias de aumento de identificação de casos complementadas por uma intervenção adequada permitirão, de acordo com a evidência, reduzir os consumos na população e os danos associados aos consumos excessivos. Assim, são viáveis objectivos estratégicos para a gestão dos PLA nos CSP, eventualmente complementares, que deverão ser alvo de opção na definição de protocolos entre instituições de cuidados primários e secundários: 1) O de melhorar a qualidade da abordagem dos doentes sobre esta problemática; e/ou 2) Melhorar o acesso de todos os doentes com PLA e a qualidade da abordagem dos PLA em qualquer ponto da sua evolução numa perspectiva de Saúde Pública. O conteúdo pedagógico destes programas de formação de formadores deverá percorrer as mesmas linhas acima definidas, se bem que de um modo mais desenvolvido e numa perspectiva de empowerment e capacitação, com envolvimento destes médicos em projectos de investigação e reconhecimento organizacional do seu papel. A formação de outros técnicos psicólogos clínicos, assistentes sociais e enfermeiros pode permitir adequar o trabalho em equipa com administração de instrumentos de detecção e de resultados com retorno de informação aos Médicos de Família, facilitando deste modo uma intervenção o mais proactiva possível no sentido da prevenção dos Problemas Ligados ao consumo de Álcool. A importância da detecção precoce e da rede de articulação entre serviços Um programa com o objectivo de diminuir o peso dos PLA poderia assentar em pilares fundamentais: 1) Melhoria dos papéis dos profissionais de saúde mediante o aumento de competências no sentido de detectar e intervir numa população de risco, no que se refere ao consumo de álcool, o mais precocemente possível. 2) A introdução de sistemas baseados na prática, incluindo os instrumentos e protocolos, e suporte no sentido de aumentar os níveis de identificação e de intervenção. 3) Adopção de um modelo de ligação através de uma rede de referenciação para os PLA com uma correcta abordagem centrada no doente, tendo os profissionais a capacidade de estratificar o risco e de referenciar em função de protocolos pré-definidos com critérios de gravidade clínica. 4) Os programas de formação e suporte devem ser adaptados às necessidades e atitudes dos profissionais. 5) A possibilidade de suporte, por parte de profissionais dos CS, poder ajudar a aumentar a actividade destes profissionais neste âmbito.

16 16 Fórum Álcool e Saúde: membros fundadores Depois de ter acompanhado todos os passos que levaram à constituição do Fórum Álcool e Saúde, e numa altura em que todos os parceiros já selaram o seu compromisso, através da assinatura da Carta de Compromisso, Dependências levará a cabo um périplo pelas instituições que compõem esta diversificada representação da sociedade civil, a quem cumprirá desenvolver projectos, dos quais se espera, resulte uma melhoria da situação portuguesa em matéria de consumos. Combinando a participação no Fórum enquanto membro fundador e uma distinção atribuída ao IDT, a medalha de mérito, visitámos a ANASP, a Associação Nacional de Agentes de Segurança Privada, uma instituição que, apenas com um ano de existência, congrega já perto de 3 mil associados, num universo de mais de 50 mil profissionais, cujo (bom) desempenho poderá ser vital para os desígnios comuns do Fórum. Fomos tentar perceber porquê, em entrevista com Ricardo Vieira, o presidente da ANASP. Segurança privada: um parceiro fundamental na prevenção e sensibilização Que motivos originaram a criação da ANASP? Ricardo Vieira (RV) - Diria que a ANASP nasceu quase de forma natural, dada a falta de capacidade evidenciada pelas organizações sindicais para representarem uma actividade tão vasta e com uma importância tão relevante na sociedade. Nós somos actualmente representados por dois sindicatos e nenhum deles é exclusivamente do sector, diversificando-se em actividades como a limpeza, porteiros, contínuos, etc. E, como por favor, incluíram também a segurança privada neste leque. O certo é que apenas se ouve falar nestes sindicatos aquando da revisão do contrato colectivo de trabalho, enquanto que o trabalho realizado em prol da dignificação da actividade, das empresas e dos profissionais é nulo. Então, eu, conjuntamente com alguns profissionais, decidi que o caminho seria fundarmos uma associação socioprofissional representativa da actividade, afastada do controlo político-económico e que funcionasse de forma transparente em prol dos interesses do sector no seu todo. E, nessa linha, tentar fazer com que o sector pudesse prestar serventia à sociedade e não apenas servir-se desta. Rapidamente, num espaço inferior a dois anos de actividade, atingimos cerca de 2500 associados e somos membros da Federação Mundial de Segurança, o que evidencia a qualidade do trabalho que temos vindo a desenvolver. Temos como parceiras todas as empresas do sector, entre as quais destacamos a importância daquelas que se assumem como motores da actividade, as seis maiores empresas do sector, com as quais trabalhamos de uma forma muito próxima. E friso isto porque a ANASP não se revê na velha prática da guerra de trincheiras que os sindicatos tanto apregoam, que é a divisão entre classes, desde os trabalhadores ao patronato. Assumimos uma política de convergência e de harmonia no sentido em que o sector seja, efectivamente, voltado e válido para a sociedade e um exemplo de cidadania. Foi nessa óptica que aceitaram o desafio de aderir ao Fórum Nacional Álcool e Saúde? RV - Exactamente! Quando fomos convidados pelo IDT para sermos membros fundadores do Fórum, para além do reconhecimento inequívoco face ao trabalho que vínhamos a desenvolver em prol da sociedade, o que tanto nos apraz, tratou-se de um desafio que fizemos questão de abraçar. Temos acompanhado e vivenciado, desde a nossa criação, este tipo de problemáticas existentes na sociedade e todas as outras associadas às dependências e sabíamos que um sector tão vasto, com 42 mil profissionais, também tinha um elevadíssimo número de pessoas que, não sendo necessariamente alcoólicos, recorrem muitas vezes ao álcool como último reduto. Nós temos casos de suicídio bem significativos no sector, tal como têm as forças de segurança públicas, com a diferença de aí serem muito mais mediatizados do que aqui, o que se justifica com turnos e condições de trabalho precárias, aos contratos precários, à falta de fiscalização e de um plano efectivo no seio das próprias empresas e do sector, que vá sinalizando e acompanhando estes casos. Temos a consciência de que a toxicodependência e o consumo excessivo ou abusivo de álcool traduzem problemas reais do sector.

17 Fórum Álcool e Saúde: membros fundadores 17 A ANASP nasceu quase de forma natural, dada a falta de capacidade evidenciada pelas organizações sindicais para representarem uma actividade tão vasta e com uma importância tão relevante na sociedade. Terão então surgido duas janelas de oportunidades: para o vosso público interno, que também viverá a problemática directa e pessoalmente mas também para os públicos com quem lidam os vossos associados e com quem eles intervém RV - Sem dúvida. Existem as duas direcções, ambas extremamente úteis. Numa fase inicial, ainda tentámos criar um princípio de acordo com a Associação de Discotecas Nacional e, juntamente com eles, desenvolvermos projectos no âmbito da sensibilização e da formação, para que os profissionais que trabalham nessas áreas, sobretudo na diversão nocturna, fossem formados e informados relativamente a questões inerentes a essas problemáticas. Não tanto por falta de vontade da Associação de Discotecas Nacional mas mais por carências logísticas e estruturais, a proposta caiu por terra e tivemos que assumir sozinhos o ónus de tentarmos fazer alguma coisa nessa vertente. Quando surgiu o desafio, em reunião magna da ANASP, delineámos logo como uma das prioridades para 2011 a apresentação de um projecto credível e que fosse viável, no sentido de, não só no seio das empresas criar mecanismos de sinalização e acompanhamento desses casos mas também a ANASP, através de técnicos especializados temos enfermeiros e psicólogos que trabalham em regime de voluntariado para a ANASP elegeu como meta, entretanto atingida, a criação de um gabinete dedicado em exclusivo a esta problemática. Através de um inquérito que realizaremos a nível nacional, no seio dos profissionais do sector, tentaremos compreender de que forma os mesmos lidam com o álcool e qual a consciencialização e nível de conhecimento que têm perante esta problemática. Depois de termos esse estudo concluído, apresentaremos propostas concretas às empresas. Em vez de terem que criar uma logística interna em cada empresa, poderão valer-se da logística da ANASP para a sinalização e o acompanhamento desses casos ligados ao álcool e à toxicodependência. Por outro lado, temos a intervenção dos profissionais de segurança privada nos espaços de lazer e de diversão nocturna Não será complicado pedir a estes profissionais que façam cumprir a lei, nomeadamente que não permitam o consumo de bebidas alcoólicas a menores ou a indivíduos aparentemente alcoolizados quando existem interesses um pouco contraditórios por parte dos donos dos estabelecimentos onde trabalham? Como é que isto funciona? Eles são formados?... RV - Actualmente, infelizmente, um dos grandes problemas do sector da segurança privada é a falta de formação. Portugal deve encontrar-se na cauda da Europa a este nível. Já estão a ser despertadas consciências para essa realidade mas existe ainda muito trabalho a fazer. A relação entre a actividade da segurança privada e os estabelecimentos de diversão nocturna não é pacífica. É uma relação bastante complicada porque os empresários do ramo da restauração nocturna, por motivos diversos, têm dificuldades para contratarem empresas credíveis para o exercício da actividade e preferem recorrer a empresas que, no seio do sector, apelidamos de vão de escada, em que, pura e simplesmente, o empresário da noite aluga o alvará à empresa de segurança mas os funcionários são pagos em dinheiro vivo ao final da noite pelo empresário. Por isso, não é muito fácil conseguir-se implementar um projecto desta natureza na área da consciencialização e da formação junto dos profissionais que trabalham na diversão nocturna. No entanto, a ANASP vai levar a cabo inúmeros workshops nesse âmbito, a nível nacional, como temos feito noutras áreas, para profissionais que trabalhem na área da diversão nocturna, para que adquiram conhecimentos relacionados com esta problemática, saibam como agir e conheçam o que a lei determina no que concerne aos consumos de álcool. No entanto, temos que admitir que, efectivamente, os interesses económicos dos empresários da restauração nocturna vão sempre sobrepor-se a todo o trabalho que tentemos fazer em prol dessa realidade. O que poderá a ANASP aportar a este Fórum? RV - A ANASP pode trazer uma grande consciencialização na área da segurança, não só pública como privada, para os problemas ligados ao álcool. Refiro-me a factos concretos como a alteração legislativa do sector, que urge concretizar e que deverá incluir formação ao nível do combate ao uso nocivo do álcool e à toxicodependência, nos seus módulos formativos. Problemáticas sociais como a toxicodependência, o uso nocivo do álcool ou a violência doméstica, por exemplo, têm que ser incluídas na formação obrigatória para os módulos da segurança privada. A segurança para estabelecimentos de diversão nocturna tem já uma formação específica, muito embora não inclua estas temáticas. Junto dos grupos com assento parlamentar, iremos pressionar para que se promova uma alteração legislativa a este nível. Muito embora nos debatamos sempre com o problema da falta de uma fiscalização efectiva, até porque a formação, embora esteja contemplada, nem sempre é levada a cabo na prática. Pode lá estar tudo escrito e contemplado mas se não se fiscalizar Mas acreditamos que o Ministério da Administração Interna tem um papel muito importante e o facto de o Sr. Ministro da Administração Interna ter estado presente na assinatura da Carta de Compromisso do Fórum Nacional Álcool e Saúde foi, para nós, uma demonstração clara para o sector de uma atenção reforçada, o que poderá traduzir ainda a existência de uma porta aberta para a ANASP, no sentido de vermos facilitada a missão e o trabalho que pretendemos desenvolver nesta área. Ainda é utópico pensar-se que o agente de segurança privada pode ser também um agente de prevenção? RV - Não! O agente de segurança privado é, acima de tudo, um agente de prevenção! É essa, acima de tudo, a função da segurança privada. Refiro-me concretamente a estas problemáticas, como o consumo nocivo de álcool e de outras substâncias psicoactivas RV - Em todas as áreas. O profissional de segurança privada não é um profissional de segurança interventiva mas sim preventiva. Em todas as áreas, seja na protecção civil, na saúde ou em outra qualquer que possa abranger e a segurança privada, transversalmente, abrange quase todas as áreas O operacional de segurança privada é hoje, e cada vez mais, um profissional preventivo e é esse o papel que lhe compete. Nesta área, pelo número de profissionais, pela importância do sector e pelo local onde a actividade é desenvolvida, nomeadamente nos estabelecimentos de diversão nocturna, na hotelaria, nos hospitais ou em todos os edifícios públicos, o segurança privado é, cada vez mais, um relações públicas. E é nessa perspectiva que deve ser desenvolvida a actividade: de uma forma preventiva, informativa, cooperante e subsidiária relativamente aos restantes serviços e forças de segurança pública.

18 18 Associação Portuguesa de Adictologia Associação Portuguesa de Adictologia já mexe Apresentada publicamente apenas há uma semana, a Associação Portuguesa de Adictologia, entidade dedicada ao estudo das drogas e das dependências, já começa a mostrar trabalho. O momento de apresentação pública foi promovido no passado dia 16 de Fevereiro, em Coimbra, e a única sociedade de cariz científico existente em Portugal na área das dependências elegeu também a cidade do conhecimento para a realização do seu primeiro encontro científico, dois dias depois. Fundada por profissionais da área ligados ao IDT, como são os casos do seu presidente, João Curto, Álvaro Pereira, Rocha Almeida e Graça Vilar, a instituição pretende representar os profissionais de várias áreas ligados à intervenção em dependências e promover e divulgar o conhecimento sobre estas matérias. Como se pode ler em comunicado enviado à imprensa, são cinco os principais objectivos eleitos pela APEDD. O primeiro, focado na representatividade, obrigatoriamente assente na multidisciplinaridade, e na dignificação da intervenção, refere a pretensão de a instituição se afirmar como verdadeiramente representativa dos profissionais que trabalham na área das dependências e contribuir para a dignificação do seu trabalho, independentemente da sua escola ou orientação. O segundo objectivo, que já adquiriu forma no passado dia 18, passa, pela promoção do desenvolvimento de actividades científicas relacionadas com os comportamentos aditivos. A par, a APEDD pretende incentivar e facilitar as relações entre os cientistas dedicados ao estudo, investigação, formação, prevenção e tratamento das questões sobre as drogas de abuso, o álcool e as dependências. Como qualquer outra sociedade científica, a Associação Portuguesa de Adictologia será, à partida, uma fonte privilegiada de Carlos Ramalheira, Delegado Regional do Centro, IDT Carlos Ramalheira atribui à aquisição de competências técnicas e à multidisciplinaridade que caracteriza a oferta de recursos e serviços na área das dependências uma justificação óbvia para a constituição da APEDD: Médicos de várias especialidades, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e juristas são alguns dos profissionais que operam na área das dependências. Estranho que, tendo sido adquirido e consolidado um conjunto de competências técnicas e saberes nesta área, ainda não houvesse uma agremiação profissional que juntasse todos os técnicos. O delegado regional do IDT e dirigente da Ordem dos Médicos congratulou-se com o surgimento da associação que, para os primeiros marcos da sua história, elegeu um dos territórios de acção da Delegação Regional do Centro do IDT, a cidade de Coimbra. acesso ao conhecimento, traduzido em novas evidências passíveis de replicar ou adaptar, com o intuito de melhorar a performance de todas as intervenções realizadas no seu domínio. Mas tal de pouco servirá se os conhecimentos obtidos não forem partilhados com toda a comunidade de profissionais portugueses que intervêm nesta área das dependências. E o que, em nosso entender, nunca se preten-

19 Associação Portuguesa de Adictologia 19 derá é que o domínio elitista e corporativista colado a muitas das sociedades científicas espalhadas pelo país constitua uma barreira à partilha e difusão de conhecimentos Há que definir canais de distribuição de informação, públicos-alvo e promover um bom acesso. Por isso, promete a direcção da também designada Associação Portuguesa para o Estudo das Drogas e das Dependências divulgar os conhecimentos que possam contribuir para melhores cuidados de saúde em relação aos consumidores de substâncias de abuso e outras dependências e promover contactos com os organismos dependentes da administração pública (central, regional, distrital ou municipal) e privada, pugnando para ser ouvida na planificação de intervenções nesta área, bem como na formação pré e pós graduada dos profissionais. Dependências marcou presença no primeiro grande momento da história da APEDD: a realização do I Encontro da Associação Portuguesa de Adictologia, no passado dia 18, no Auditório do Conservatório de Música de Coimbra. Neurobiologia e Cognição nas Dependências, O Espaço das Associações Científicas e Intervenções em Dependências foram os temas que reuniram um vasto conjunto de especialistas na realização de três mesas, que antecederam a realização da primeira assembleia-geral da APEDD, momento que os fundadores aproveitaram para começar a desenhar um futuro que se pretende cada vez mais eficaz e eficiente nesta matéria. Em entrevista a Dependências, João Curto, presidente da APEDD referiu que existe actualmente um esforço para aumentar o rigor Rocha Almeida, Membro da Comissão Fundadora da APEDD Para um dos profissionais envolvidos na realização do I Encontro da Associação Portuguesa de Adictologia, este momento de partilha não poderia ter surgido em melhor altura. De acordo com o psiquiatra Rocha Almeida, a APEDD terá dado um sinal de activismo logo à nascença, ao enfrentar o desafio de, num primeiro encontro, debater estratégias futuras e alguns aspectos ligados ao problema das dependências. O responsável clínico da Delegação Regional do Centro do IDT é membro da direcção e um dos fundadores da APEDD. Ao referir-se às novas adições, o presidente da APEDD lembrou ainda que já há pessoas em tratamento devido à dependência do telemóvel ou da Internet. Pelo reconhecimento da especialidade? Em que medida poderá a constituição desta Associação constituir um passo decisivo para o reconhecimento da especialidade ou da competência Adictologia, nomeadamente pela Ordem dos Médicos? João Curto Gostaríamos Já se fala nisso há algum tempo no seio da Ordem dos Médicos mas ainda não se conseguiu Há também algumas ideias diferentes, o que até considero razoável, e nem sempre é fácil um processo de decisão como este. Mas, efectivamente, pretendemos que, no futuro, esta possa vir a ser uma valência no interior da própria Ordem, relativamente às adições. Vamos pugnar por isso mesmo, falando sobre o assunto, quer no interior da Associação, quer no seio da Ordem dos Médicos, onde proporemos que se renove a discussão sobre o tema. E já temos algumas garantias de que a discussão será, pelo menos, reaberta. Existem corpos gerentes, no interior da Ordem, que estão dispostos a ouvir novamente essa reivindicação e a relançar o debate. No fundo, não será mais do que o reconhecimento de uma área com uma história importante, de uma patologia cada vez mais alargada e muito transversal na sociedade. Além disso, existem cada vez mais fundamentos científicos que comprovam as alterações de circuitos e de problemáticas cerebrais. Como tal, justifica-se que a Ordem se interesse e, ainda que não se constitua já como uma especialidade, que seja pelo menos uma valência dentro da medicina. científico e a eficácia das abordagens em matéria de adições. De acordo com o director da Unidade de Desabituação de Coimbra do Instituto da Droga e da Toxicodependência, estamos numa época com grandes desafios, onde a problemática da adição põe à prova modelos até então existentes, em que o contributo das neurociências vai alargando e aprofundando o nível de conhecimento sobre a acção e a influência das substâncias de abuso no comportamento humano. A propósito da constituição da APEDD, o psiquiatra salienta que as complexidades da problemática das adições, que atravessa toda a sociedade e mobiliza recursos económicos e humanos nunca vistos noutras doenças, justifica a importância de uma organização científica que atraia e vá ao encontro das expectativas dos milhares de profissionais de todos os campos que trabalham directa ou indirectamente nesta área.

20 20 Agrupamento de Escuteiros de Silvares Escuteiros: uma herança que vale mesmo preservar A Ceia de Reis serve anualmente de pano de fundo para o Agrupamento de Escuteiros de Silvares reunir os seus escuteiros, familiares e a população mais activa daquela freguesia vimaranense em torno de um ideal que privilegia a intervenção social e a adesão a causas nobres. A instituição, sediada numa freguesia do concelho de Guimarães, Silvares, que alberga pouco mais de 2500 residentes, mobiliza mais de 300 jovens e familiares em torno de projectos sociais com o cunho ou a participação do Agrupamento de Escuteiros de Silvares.Há três anos que Dependências tem vindo a acompanhar a actividade deste agrupamento de escuteiros e constatado mais-valias produzidas a partir de valores que são absorvidos e comungados por um grupo, que desde muitas tenras idades se afirma como uma espécie de líder de opinião junto da comunidade local onde interage. Como noutras edições afirmámos, parece-nos evidente a utilidade de entidades como esta enquanto veículos privilegiados de comunicação no que à transmissão de mensagens preventivas diz respeito. O papel de pares que desempenham junto da comunidade escolar em que intervêm, os ganhos que advêm da sua acção inclusiva - junto das suas famílias e a partir do efeito bola de neve potenciado por estas junto de outras famílias - e o perfil que adoptam os súbditos de Baden Powell, por natureza líderes de opinião nos grupos em que se inserem, poderia servir de argumento para uma escolha criteriosa quando se opta por grupos alvos a formar e sensibilizar numa estratégia de educação por pares. Fazer deles grupos estratégicos, fiéis a um movimento mundial, educacional, voluntariado, apartidário e sem fins lucrativos, cuja proposta é coincidente com o desenvolvimento do jovem por meio de um sistema de valores que concede prioridade à honra, através da prática do trabalho em equipa e da vida ao ar livre, fazendo com que o jovem assuma o seu próprio crescimento, tornando-se um exemplo de fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e disciplina Princípios e valores muitas vezes esquecidos mas mais que suficientes para que Dependências marcasse, uma vez mais, presença num encontro anual de um dos agrupamentos nacionais mais míticos. Em Silvares, freguesia de Guimarães, participámos na Ceia de Reis, organizada pelo agrupamento local para servir a comunidade, e conversámos com Porfírio Faria, membro do Agrupamento de Escuteiros de Silvares desde lobito, chefiando-o há cinco anos. O Agrupamento tem 35 anos de existência Porfírio Faria, chefe do Agrupamento de Escuteiros de Silvares A Ceia de Reis deste Agrupamento é invariavelmente preenchida por um simbolismo inerente à figura eleita. Este ano, foi a Madre Teresa de Calcutá Porfírio Faria (PF) Exactamente, Madre Teresa de Calcutá como um modelo de vida para todos e para os escuteiros em particular. A par, começámos o ano de 2011, eleito como o ano do voluntariado na Europa, daí que também a nossa escolha tivesse recaído sobre o voluntariado, que é precisamente aquilo que fazemos, por base. Nesse sentido, cada uma das secções do nosso Agrupamento escolheu uma rota que visava materializar esse esforço de voluntariado, optando cada uma por um meio de transporte, como aqui tivemos oportunidade de ilustrar, quer através dos posters desenhados, quer através das coreografias encenadas: desde os Lobitos, que foram de avião até Moçambique fazer a alfabetização das crianças locais; dos Exploradores, que foram de barco até ao Chile prestar assistência aos necessitados, como representantes da Cruz Vermelha; tivemos os Pioneiros, que foram de trotineta ao Lar de Santa Estefânia, em Guimarães, uma instituição que recebe crianças abandonadas; en-

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