POTENCIALIDADE DOS INDICADORES URBANÍSTICOS PARA A DETERMINAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA: ABORDAGEM DO USO E OCUPAÇÃO DO SOLO

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1 IX ENCONTRO NACIONAL DA ECOECO Outubro de 2011 Brasília - DF - Brasil POTENCIALIDADE DOS INDICADORES URBANÍSTICOS PARA A DETERMINAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA: ABORDAGEM DO USO E OCUPAÇÃO DO SOLO Ricardo Siloto da Silva (UFSCAR) - Arquiteto, Professor do Departamento de Engenharia Urbana - UFSCAR André Giovanini de Oliveira Sartori (UFSCAR) - Geógrafo, aluno do curso de mestrado do Departamento de Engenharia Urbana - UFSCAR Thiago Marchiori Visintin (UFSCAR) - Engenheiro Civil, formado pela UFSCAR

2 1 POTENCIALIDADE DOS INDICADORES URBANÍSTICOS PARA A DETERMINAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA: ABORDAGEM DO USO E OCUPAÇÃO DO SOLO EIXO TEMÁTICO Seção: cidades sustentáveis Subseção: habitats urbanos sustentáveis. RESUMO O presente trabalho apresenta uma análise da potencialidade dos indicadores urbanísticos para a determinação da qualidade de vida, no que tange a abordagem do uso e ocupação do solo, na utilização de dois sistemas de indicadores, que são: Indicadores da Agenda Habitat, do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos UN-HABITAT, e GEO Cidades Global Environment Outlook, do Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente. Indicadores são parâmetros que apontam e fornecem informações sobre o estado de um fenômeno, ou de parte do mesmo. Tem o poder de transmissão qualitativa das mesmas e podem ser utilizados como balizadores na estruturação e na aplicação de políticas públicas urbanas. Os sistemas selecionados, Indicadores da Agenda Habitat e GEO Cidades, ambos produzidos por programas da Organização das Nações Unidas - ONU - são reconhecidos e tem credibilidade junto à comunidade técnico-científica, porém têm sido pouco utilizados pelos gestores que atuam sobre as áreas urbanizadas. Neste trabalho, foram ressaltados os indicadores voltados para a gestão e o planejamento urbanos, a fim de se estabelecer um bom padrão de qualidade de vida a todos os cidadãos e, ao mesmo tempo, a sustentabilidade dos recursos naturais. Buscou-se analisar, dentro do conjunto de indicadores existentes em cada sistema, os indicadores que lidam diretamente com a problemática do uso e da ocupação do solo. O resultado foi uma análise da potencialidade de uso de cada indicador componente voltada para o planejador urbano.

3 2 Palavras chave: Indicadores, Planejamento Urbano, Qualidade de Vida, Uso e ocupação do solo. ABSTRACT This paper presents an analysis of the potential of urban indicators for determining the quality of life, regarding the approach of use and land occupation, the use of two systems of indicators, which are Habitat Agenda Indicators, from United Nations Human Settlements Programme - UN-HABITAT, and GEO Cities - Global Environment Outlook, from United Nations Environment Programme. Indicators are parameters which point out and provide information about the state of a phenomenon, or a part of it. It has the power of qualitative transmission and it can be used as a guide in structuring and implementation of urban policies. The selected systems, Habitat Agenda Indicators and GEO Cities, both programs produced by the United Nations - UN - are recognized and have credibility with the technical-scientific community, but it has been used a few times by managers who work on urban areas, specifically in the use and land cover process. In this paper, it was highlighted the indicators focused on urban management and planning in order to establish a good standard of quality of life for all citizens and at the same time, the sustainability of natural resources. It was analyzed, within the set of indicators in each system, the indicators that deal directly with the problematic use and land cover. The result was an analysis of the potential use of each indicator component, oriented for the urban planner. Key words: Indicators; Urban Planning; Quality of Life; Use and Land Cover INTRODUÇÃO Ocupar o solo e lhe conferir função, estrutura e forma, sempre foi uma prática comum de nossas sociedades. A cidade, locus da concentração, se caracterizou como centro, econômico, onde aglomerar-se significava diminuir custos de

4 3 produção, facilitar acesso a bens sociais, materiais, direitos políticos e outros benefícios. Mais do que isso, tal fenômeno se mostrou, historicamente, uma condição para o avanço de relações sociais e políticas, permitindo um estado propício à inovação nos costumes, nos modos de produções e, em diversos outros escopos de atividades humanas. Com o advento da produção em escala, o recrudescimento econômico, causado pela inovação tecnológica, configurou uma condição, antes não conhecida, de demanda por insumos, mão de obra e novos mercados de consumo. A procura por oportunidades da população caracterizou um movimento demográfico de migração campo e cidade. A população mundial passou por um aumento progressivo da expectativa de vida, acompanhado de uma diminuição acentuada da mortalidade infantil e maternal. Com mais habitantes residentes, em proporções cada vez maiores na cidade, esta teve seu espaço mercantilizado, o qual foi a base material para relações socioespaciais cada vez mais complexas e diversas. Tendo como predominância um modo de produção assinalado pelo objetivo do lucro individual, a interação entre ação humana e a dinâmica do meio ambiente apresentou-se de forma conflitante, com a utilização intensa de recursos naturais e alta produção de rejeitos, com a respectiva destinação feita, em geral, de forma inadequada. Os resultados obtidos foram marcados por degradações ambientais, tais como a poluição do ar e dos cursos d água, a compactação e a contaminação de solos, o desmatamento da mata ciliar, a eliminação ou substituição da vegetação natural e tantos outros efeitos negativos incidindo diretamente na qualidade de vida das pessoas. Neste quadro, onde as cidades abrigam a maior parte da população mundial, os trabalhos sobre a qualidade de vida urbana ganham especial interesse e o processo de planejamento e gestão do meio urbano adquire uma importância mais significativa. Este é o contexto do aprimoramento das ferramentas de informação, base para provisão de dados significativos nas tomadas de decisão das políticas públicas urbanas. Entre estas, ressalta-se, neste trabalho, os indicadores aplicáveis nos estudos sobre a cidade e o meio urbano, em especial os voltados para a gestão e o planejamento urbanos, a fim de se estabelecer um bom padrão de qualidade de vida a todos os cidadãos e, ao mesmo tempo, a sustentabilidade dos recursos naturais.

5 4 METODOLOGIA O método utilizado na confecção do presente trabalho consistiu na sistematização do material já produzido na literatura técnico-científica. O primeiro critério para a escolha de indicadores foi o de os mesmos terem como alvo de suas avaliações o monitoramento da qualidade de vida e/ou da sustentabilidade, e o fato destas experiências monitorarem características relativas, em sua grande maioria, ao meio urbano. O segundo critério para a escolha das experiências foi o do reconhecimento, no meio técnico-científico, das agências formuladoras das experiências analisadas, selecionando-se apenas àquelas desenvolvidas pelas Nações Unidas, pioneira e referência mundial na formulação de sistemas de indicadores. Como terceiro critério para a escolha das experiências buscou-se àquelas em que as informações estivessem amplamente difundidas e que fossem conhecidas por estudiosos da utilização de indicadores no planejamento urbano. O quarto critério baseou-se na escolha de produções que fossem acessíveis ao público geral, através de meio impresso e / ou de meio digital, gerando, dessa forma, condições mais propícias àqueles que futuramente buscarem pelas fontes deste trabalho. Sendo assim, foram escolhidos dois indicadores, que são o GEO - Cidades, e Indicadores da Agenda HABITAT. Com os indicadores já coletados, buscou-se relacionar os indicadores componentes de cada conjunto com as características principais envolvidas na análise do uso e ocupação do solo urbano, propiciando, assim, uma análise da potencialidade de uso de cada indicador componente voltada para o planejador urbano. O PROCESSO DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO E O PLANEJAMENTO URBANO A ocupação do território é o resultado da expressão da interação das dinâmicas demográfica e econômica sobre o ambiente natural, podendo ser entendida ainda, como fruto da progressiva adequação e incorporação dos recursos ambientais à expansão urbana, o que implica em algum grau de destruição e ameaça à integridade dos ecossistemas lindeiros, como a alteração e contaminação de

6 5 ecossistemas e recursos. A base física, sobre a qual se desenvolve o conjunto de atividades urbanas, através da construção de habitações, da abertura de rua e avenidas, sofre influência e pressão diversas como as decorrentes de: características da dinâmica populacional; características da dinâmica econômica; características físico-naturais do território; estrutura e a atuação do poder público; atuação das organizações da sociedade civil; grau e as características da desigualdade social; A busca por uma forma de gestão do território tornou-se vital para que o planejamento da estrutura, do crescimento e da distribuição espacial das cidades pudesse ocorrer e, assim, garantir o funcionamento delas. Dentre os diversos instrumentos de planejamento, destaca-se o Plano Diretor, revalorizado após a obrigatoriedade do mesmo ser estabelecida na Constituição Federal de Esta, no entanto difere da concepção disseminada nas décadas de 70 e 80. Então, o Plano trazia um discurso pelo qual buscava atender à demanda de promover um desenvolvimento integrado e o equilíbrio entre as cidades brasileiras, em uma época de grande expansão do processo de urbanização. Naquele momento, prevalecia uma visão técnica do planejamento, onde o ponto de partida era o estabelecimento de parâmetros adequados ou aceitáveis de organização do espaço físico, que se consolidavam através de uma série de investimentos públicos e de uma legislação de uso e ocupação do solo conforme o modelo proposto. Contrapondo-se a este, a partir do final da década de 1970, os movimentos sociais urbanos iniciaram uma fomentação por debates cujo objetivo era o de incorporar a cidade irregular, informal e clandestina na esfera do plano urbanístico, evidenciando a necessária relação entre plano e gestão, mostrando assim a prevalência da dimensão política no Plano. Com isto, buscava-se uma mudança no paradigma da concepção tradicional do plano para um modelo que reconhecesse a multiplicidade dos agentes. O planejamento urbano passou a ser tratado como um processo, com sucessivas etapas das quais podem ser destacadas a formulação dos instrumentos urbanísticos, a aprovação do Plano Diretor pela Câmara Municipal, sua fiscalização e revisão periódica, comparando-se a

7 6 estratégia proposta e os resultados obtidos. (FERNANDES, 1998; SANTOS, 1996; VILLAÇA, 1999; MARICATO, 2000). O Estatuto da Cidade, lei que regulamentou o capítulo sobre Política Urbana da Constituição de 88, define o Plano Diretor como sendo um conjunto de princípios e regras de orientação para a ação dos agentes que constroem e utilizam o espaço urbano. De acordo com Bonduki (2004), a legislação que se pretende reguladora do uso e da ocupação do solo urbano tem considerado o município a partir divisão do seu território em zonas destinadas a um ou mais usos distintos, estabelecendo parâmetros urbanísticos, tais como coeficientes para a ocupação e aproveitamento dos terrenos, taxas de permeabilidade, recuos e outros. Indo além desses fatores, esta legislação também objetiva proporcionar localização adequada para as diferentes funções e atividades urbanas; a preservação da fluidez dos sistemas viários municipais; o estabelecimento de parâmetros de compatibilidade entre diferentes intensidades e usos entre si e, principalmente a compatibilidade os mesmos com a capacidade da infraestrutura instalada ou passível de instalação. Outro fator, que cada vez mais tem se tornado preponderante, é o da condição de sustentabilidade ecológica urbana, buscada por meio da adequação desta implantação antrópica às características ambientais de cada parcela do território. A identificação e classificação dos biótopos existentes e o entendimento destes enquanto unidades de planejamentos tem se tornado um instrumento apropriado para a apreensão, e posterior proposição, dessa realidade. Ao binômio planejamento gestão, soma-se o monitoramento, compondo assim em uma tríade de ações complementares essenciais para o desempenho da política interveniente no espaço antrópico do município. USO DE INDICADORES NO MEIO URBANO Meadows (1998) afirma que a utilização de indicadores é uma maneira intuitiva de monitorar sistemas complexos, que a sociedade considera importantes e que visualiza a necessidade de controle. Porém, como lembram Hardi e Zdan (1997), os indicadores devem ser considerados como um modelo e não a realidade em si, eles são fragmentos de informação que indicam características dos sistemas. A

8 7 utilização de indicadores é extremamente útil para a gestão e para o monitoramento, sendo, de acordo com a Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento OECD (1994), um parâmetro ou valor derivado de parâmetros que aponta e fornece informações sobre o estado de um fenômeno. Proveniente do latim indicare, indicador significa destacar, mostrar, anunciar, tornar público, estimar. Assim sendo, os indicadores tem, em seu potencial intrínseco, o poder de transmissão de informações que objetiva deixar claro uma série de fenômenos que não são observáveis de imediato. As principais funções dos indicadores, de acordo com Gallopin (1996), giram em torno da sua capacidade de avaliar estados e mudanças; comparar diferentes lugares, situações e até mesmo um lugar ao longo de um tempo; fornecer avisos de mudanças que irão acontecer; e antecipar futuros estados e mudanças, de forma preditiva. Sua utilização promove um agrupamento de informações que permite ao usuário estabelecer concatenação lógica de idéias acerca daquilo que o indicador propõe medir, para isso, o mesmo deve ser compreensível. Decorre daí, segundo esse autor, ao comparar este com outras formas de informações, a sua principal característica, que é a sua relevância para o tomador de decisão. A eficiência do indicador, neste contexto, depende da sua aceitabilidade pelo conjunto dos envolvidos com o processo decisório. INDICADORES SELECIONADOS: AGENDA HABITAT E GEO- CIDADES Indicadores da Agenda HABITAT O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos UN-HABITAT é a agência da ONU responsável por promover o desenvolvimento social e ambientalmente sustentável dos assentamentos humanos, tendo como meta principal assegurar moradia adequada para todos e todas. As atividades desenvolvidas pelo UN-HABITAT contribuem para o objetivo global da ONU de reduzir a pobreza e promover o desenvolvimento sustentável. O UN-HABITAT é, também, responsável pelo Objetivo 7 Garantir a Sustentabilidade Ambiental -,

9 8 em especial as Metas 11 Melhorar até 2020 a vida de pelo menos cem milhões de pessoas e 12 até 2015 reduzir a metade o número de pessoas sem acesso a água potável. Seu histórico de atividades data de 1991, quando iniciou-se o Programa de Indicadores de Habitação, que abordou o estado das habitações. Uma função vital da UN-HABITAT é o monitoramento das tendências e condições globais, e o progresso dos assentamentos na implementação da Agenda HABITAT, em níveis locais, regionais, nacionais e internacionais. A função do monitoramento é dada através de dois principais instrumentos: Observatório de Estatísticas Urbanas Globais e Melhores Praticas. Através da demanda da Comissão de Assentamentos Humanos, a agência desenvolveu este sistema de monitoramento, que tem três principais componentes: o Programa de Estatísticas que regularmente coleta dados de países membros e cidades; o Programa de Indicador Urbano que, regularmente, coleta indicadores de mais de 200 cidades; o Programa de Melhores Práticas que tem, compilados, mais de cases de melhores praticas em 600 cidades; A agencia está participando da Declaração das Metas do Milênio fornecendo quatro indicadores e um índice de favelas, ou moradias precárias, baseado na Meta 7, objetivo 11. Estes indicadores são: porcentagem de pessoas com acesso ao saneamento; porcentagem de pessoas com acesso a água segura e limpa; porcentagem de pessoas com direito de posse seguro; porcentagem de pessoas em moradias permanentes. No ano de 1993, foi criado um programa com o objetivo de confeccionar um conjunto de Indicadores Urbanos voltados para se analisar uma ampla gama de questões urbanas. Tal programa produziu dois principais bancos de dados, datados de 1996 e 2001, componentes do sistema Global Urban Indicators. Estes foram utilizados na Conferência Habitat II e na sua sessão especial de seguimento, conhecida como Istambul +5 e realizada em Nova Iorque, que ajudaram a estabelecer as tendências regionais nas principais questões urbanas. A base de dados do Global Urban Indicators (III) foi formulada para continuar abordando as questões-chave da Agenda Habitat, interligando-a com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), no que tange a sua Meta 11, relativa à melhoria da vida dos habitantes de favelas. A meta 7, garantir a sustentabilidade

10 9 ambiental, também ficou sob a incumbência deste órgão. Os Indicadores Urbanos da ONU são frutos da junção entre os indicadores da Agenda HABITAT e o dos Indicadores dos ODM. A base de desenvolvimento dos indicadores da Agenda Habitat, remete as Resoluções 15/6, e 17/1 da Comissão das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos. Os indicadores da Agenda Habitat são compostos de: 20 indicadores-chave, que são importantes para a política e relativamente fáceis de coletar. Eles são números, porcentagen e proporções; 9 são indicadores check-lists, que dão uma avaliação de áreas que não podem ser facilmente medidas quantitativamente. São questões de auditoria, geralmente acompanhadas de questões qualitativas, com resposta sim ou não ; 13 indicadores extensivos, que se destinam a complementar os resultados da chave indicadores e dados qualitativos, a fim de fazer uma avaliação mais aprofundada da questão. A composição dos indicadores se fez através da definição de capítulos relativos às características importantes da Agenda Habitat, onde cada um possui metas a serem alcançadas. Dessa forma, os indicadores da Agenda Habitat são estes: Capítulo habitação: Meta 1: promover o direito à moradia adequada, composto pelos seguintes indicadores: Indicador-chave: estruturas duráveis; Indicador-chave: superlotação; Indicador check-list: direito à moradia adequada; indicador extensivo: o preço da habitação em relação à renda. Meta 2: proporcionar segurança, composto pelos seguintes indicadores: Indicadorchave: regularização fundiária; indicador extensivo: habitação autorizada; indicador extensivo: despejos. Meta 3: proporcionar igualdade de acesso ao crédito, composto pelo seguinte indicador: Indicador check-list: financiamento habitacional. Meta 4: proporcionar o acesso igual à terra, composto pelos seguintes indicadores: Indicador extensivo: preço da terra em relação à renda. Meta 5: promover o acesso a serviços básicos, composto pelos seguintes indicadores: Indicador-chave: acesso à água potável; Indicador-chave: acesso a saneamento básico; Indicador-chave: ligação a serviços. Capítulo 2: O desenvolvimento social e a erradicação da pobreza.

11 10 Meta 6: proporcionar a igualdade de oportunidades para uma vida segura e saudável, composto pelos seguintes indicadores: Indicador-chave: mortalidade de menores de cinco; Indicador-chave: homicídios; Indicador chek-list: a violência urbana; Indicador extensivo: a prevalência do HIV. Meta 7: promover a integração social e apoiar os grupos desfavorecidos, composto pelos seguintes indicadores: Indicador-chave: as famílias pobres. Meta 8: promover a igualdade no desenvolvimento dos assentamentos humanos, composto pelos seguintes indicadores: Indicador-chave: taxas de alfabetização; Indicador chek-list: matrícula escolar; Indicador extensivo: número de vereadoras; Indicador extensivo: a inclusão de gênero. Capítulo 3: Planejamento Ambiental. Meta 9: promover a resolução de estruturas geograficamente equilibrada, composto pelos seguintes indicadores: Indicador-chave: crescimento da população urbana; Indicador-chave: assentamentos planejados. Meta 10: gerenciar oferta e demanda de água de uma forma eficaz, composto pelos seguintes indicadores: Indicador-chave: preço da água; Indicador extensivo: o consumo de água. Meta 11: reduzir a poluição urbana, composto pelos seguintes indicadores: Indicador-chave: águas residuais tratadas; Indicador-chave: eliminação de resíduos sólidos; Indicador extensivo: coleta de resíduos sólidos. Meta 12: prevenir as catástrofes e reconstruir assentamentos, composto pelos seguintes indicadores: Indicador chek-list: casas em locais perigosos; Indicador extensivo: instrumentos de prevenção e mitigação de desastres. Meta 13: promover sistemas de transporte eficiente e ambientalmente saudável, composto pelos seguintes indicadores: Indicador-chave: tempo de viagem; Indicador extensivo: modos de transporte. Meta 14: os mecanismos de apoio para preparar e implementar planos locais de meio ambiente e iniciativas da Agenda 21 local: Indicador chek-list: planos locais ambientais. Capítulo 4: Desenvolvimento Econômico.

12 11 Meta 15: fortalecer as micro e pequenas empresas, particularmente aquelas desenvolvidas por mulheres, composto pelos seguintes indicadores: Indicadorchave: o emprego informal. Meta 16: incentivar a parceria público-privada do setor e estimular oportunidades de emprego produtivo: Indicador-chave: produto cidade; Indicador-chave: o desemprego. Capítulo 5: Governança: Meta 17: promover a descentralização e reforçar as autoridades locais, composto pelos seguintes indicadores: Indicador-chave: a receita do governo local; Indicador chek-list: a descentralização. Meta 18: promover e apoiar o envolvimento e a participação cívica, composto pelos seguintes indicadores: Indicador chek-list: a participação dos eleitores; Indicador extensivo: associações cívicas; Indicador extensivo: a participação dos cidadãos. Meta 19: garantir a governança transparente, responsável e eficiente de vilas, cidades e áreas metropolitanas, composto pelos seguintes indicadores: Indicador chek-list: a transparência e a responsabilização. Inserção dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: alvo favela. Objetivo 7: garantir a sustentabilidade ambiental. Responde ao atendimento da meta 7D, que é a de até 2020, ter alcançado uma significativa melhoria na vida de pelo menos 100 milhões de moradores de favelas. O indicador componente é: Proporção da população urbana em favelas. O resultado final esperado da utilização dos Indicadores da Agenda Habitat é o de prover medidas de performances e tendências em determinadas áreas-chave da Agenda Habitat. Juntos, eles devem fornecer uma base quantitativa comparativa para a condição de cidades, e mostrar progressos para a realização da Agenda Habitat. Metodologia GEO Cidades O projeto GEO Cidades é parte da série de relatórios GEO, produzida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) que, desde 1995,

13 12 produz, de forma periódica, informações sobre o estado do meio ambiente em nível global, regional, subregional, nacional e local. A metodologia GEO Cidades trata da análise da interação entre o desenvolvimento urbano e o meio ambiente, avaliada com o uso da matriz Pressão Estado Impacto - Resposta (PEIR). Em 1995, o PNUMA aprimorou o modelo ao acrescentar o elemento impacto. Assim, os relatórios GEO Cidades foram formulados também com o objetivo de aferir o impacto da urbanização sobre o meio ambiente, especialmente sobre os recursos naturais e os ecossistemas locais. Os seus componentes remetem a uma concatenação lógica de questões básicas, onde: estado se refere ao que está acontecendo com o meio ambiente; a pressão é relacionada ao por que o estado do meio ambiente se encontra em sua forma atual; o impacto responde as conseqüências da pressão sobre o estado do meio ambiente; a resposta remete ao que está acontecendo, em termos de ações, em relação ao impacto da pressão sobre o estado do meio ambiente. Há também um fator diacrônico nesta análise, que é o do cenário futuro, uma ferramenta que permite a análise do estado do meio ambiente, em médio e longo prazo, de acordo com o tipo de resposta a ser tomado pela sociedade. Consideram-se respostas que surtiram efeito, a inexistência das mesmas ou a sua insuficiência. O uso desta ferramenta emergiu no sentido de conscientizar o tomador de decisão em relação às consequências de suas ações. O relatório GEO Cidades delimita quais são os agentes referentes aos impactos, chamados de forças motrizes. No contexto da escala urbana, eles são relativos a três componentes: o demográfico, o econômico e a ocupação territorial. Baseado na delimitação daquilo que é primaz para se aferir, a metodologia GEO Cidades instituiu um número de indicadores para a análise da Matriz PEIR. Foram instituídos oito indicadores de estado, 14 indicadores de pressão, 16 indicadores de impacto e 15 indicadores de resposta, constituindo um total de 53 indicadores. Os indicadores são classificados em cinco diferentes categorias de recurso: água, ar, solo, biodiversidade, meio ambiente construído. O mesmo indicador pode ser comum a mais do que uma categoria, ou seja, pode estar relacionado diretamente ao recurso, água, ar, solo e outros simultaneamente, por exemplo. Os indicadores também são relacionados a cada fator pelo qual mantém uma relação direta. Dessa

14 13 forma, os mesmos vinculam-se aos fatores: dinâmica demográfica, ocupação do território, desigualdade social e outros. A cesta básica de indicadores da metodologia GEO Cidades é constituída por: Indicadores de Pressão: crescimento populacional (comum a todos os recursos); índice de GINI da desigualdade de renda (comum a todos os recursos); mudança de solo não urbano para urbano (comum a todos os recursos); área e população dos assentamentos urbanos formais e informais (comum aos recursos solo, água, biodiversidade; redução da cobertura vegetal (comum aos recursos biodiversidade, solo, água); distribuição modal (comum aos recursos solo, ar, meio ambiente construído); taxa de motorização (comum aos recursos solo, ar, meio ambiente construído); consumo anual de energia, per capita (recurso ar); consumo de água (recurso água); produção de resíduos sólidos (comum aos recursos solo e água); disposição de resíduos sólidos (comum aos recursos solo e água); volume total de águas residuais domésticas não tratadas (comum aos recursos água e biodiversidade); emissões atmosféricas (recurso ar); emissão de gases produtores de chuva ácida (ar); Indicadores de Estado: escassez de água (recurso água); qualidade de água de abastecimento (recurso água); sítios contaminados (comum aos recursos solo e água; cobertura vegetal (comuns aos recursos biodiversidade, solo, água, ar); espécies extintas ou ameaçadas/espécies conhecidas (recurso biodiversidade); porcentagem de áreas (centros históricos ou edificações) deterioradas em relação à área urbana construída (comum aos recursos meio ambiente construído e solo); porcentagem de áreas de instabilidade geológica (recurso solo); qualidade do ar (recurso ar); Indicadores de Impacto: perda de biodiversidade (recurso biodiversidade); incidência de enfermidades de veiculação hídrica (recurso água); incidência de enfermidades cárdio-respiratórias (recurso água); incidência de enfermidade por intoxicação e contaminação (recurso solo); alteração do microclima (recurso biodiversidade); população residente em áreas de vulnerabilidade urbana (recurso solo); incidência de inundações, desmoronamentos, etc. (recurso solo); taxa de criminalidade juvenil (recurso ambiente construído); despesas com saúde pública devido à incidência de enfermidades de veiculação hídrica (recurso água); custos

15 14 de captação e tratamento de água (recurso água); despesas com obras de contenção e prevenção de riscos ambientais (recuso biodiversidade); despesas com recuperação de monumentos e/ou centros históricos (recurso meio ambiente construído); desvalorização imobiliária (recurso solo); perda de arrecadação fiscal (recurso solo); perda de atratividade urbana (recurso solo); porcentagem de áreas de instabilidade geológica ocupadas (comum aos recursos solo, água, biodiversidade, meio ambiente construído); Indicadores de Resposta: plano diretor urbano (comum a todos os recursos); legislação de proteção a mananciais (recurso água); regulamentação e controle de emissões de fontes móveis e fixas (recurso ar); presença de atividades de Agenda 21 Local (comum a todos os recursos); educação ambiental (comum a todos os recursos); número de ONGs ambientalistas (comum a todos os recursos); tributação com base no princípio poluidor-pagador e/ou usuário pagador (recurso água); notificações preventivas e multas por violações das normas de disposição de resíduos (recurso solo); ligações domiciliares (comum a todos os recursos); total de áreas reabilitadas em relação ao total de áreas degradadas (recurso solo); investimentos em áreas verdes (comum a todos os recursos); investimentos em recuperação ambiental (comum a todos os recursos); investimentos em sistema de abastecimento de água e esgotos sanitários (comum ao recurso água); investimentos em gestão de resíduos (comum aos recursos água, solo e biodiversidade); investimentos em transporte público (comum a todos os recursos). OS INDICADORES SELECIONADOS E A OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO - Indicadores da Agenda HABITAT Grande parte dos Indicadores da Agenda Habitat possui indicadores que lidam diretamente com a problemática do uso e da ocupação do solo. A preocupação acerca de estruturas duráveis; superlotação e direito à moradia adequada incidem diretamente sobre o suporte da infraestrutura e o porte das edificações. Os indicadores relacionados ao saneamento básico (acesso à água potável, acesso a

16 15 saneamento básico, ligação a serviços, águas residuais tratadas, eliminação de resíduos sólidos, coleta de resíduos sólidos) remetem ao suporte de infraestrutura que o poder público provém à população. O crescimento da população urbana é um indicador que representa uma força motriz de uso e ocupação do solo, que é de vital importância para o planejador urbano, pois o crescimento populacional demanda a necessidade de novas habitações, oriundas da ocupação do solo para uso residencial, o que urge do planejador a utilização de suas habilidades para gerir um recurso escasso como a terra disponível para habitação. Indicadores referentes à mobilidade urbana (tempo de viagem e modos de transporte) são úteis para identificar o estado da infra-estrutura e a satisfação ou não da necessidade de locomoção da população.os indicadores do componente planejamento ambiental (casas em locais perigosos, instrumentos de prevenção e mitigação de desastres e planos locais ambientais) são relacionados diretamente com o uso e ocupação do solo e extremamente úteis, pois unem a capacidade de relatar o estado das habitações, na perspectiva de fragilidade ambiental, a capacidade institucional e também a mensuração do potencial de mitigação de futuros desastres, o que torna possível o desenho de cenários. Já o indicador anexo dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), se refere ao aspecto da incorporação de habitações caracterizadas à margem da legalidade e a necessidade de diminuí-las, fornecendo, em contrapartida, habitações adequadas aos seus moradores. De maneira geral, a utilização de muitos dos indicadores, aqui descritos, mostra um potencial de utilização por parte de muitos planejadores. A fonte de dados pode ser a própria prefeitura, pois muitos dados já estão disponíveis na prefeitura e outros são de fácil obtenção. A adaptação dos indicadores pode ser feita sem grandes problemas, pois, nas edições dos indicadores da Agenda Habitat estão acessíveis fichas metodológicas que esclarecem todo o procedimento de utilização dos indicadores, permitindo ao planejador adaptar variáveis de acordo com a sua realidade de trabalho. Há de se ressaltar, porém, que muitos indicadores se sobrepõem em seus objetos estudados. Casos notórios são moradia adequada e habitação autorizada, onde, para ser considerada como moradia adequada, a habitação teria de ser autorizada. Alguns indicadores que abordam dinâmicas sociais, governança, participação democrática

17 16 e economia possuem relações indiretas com o uso e ocupação do solo. Cabe destacar que todos eles influem, mas não incidem diretamente na qualidade de vida do cidadão em relação à habitação e infraestrutura, sendo mais fiéis a qualidades individuais e cívicas dos cidadãos que incidem em mais áreas com a mesma ou maior intensidade, no que tange o planejamento urbano. - Indicadores da Metodologia GEOCidades. Em relação aos indicadores de pressão, vários remetem ao processo de uso e ocupação de solo, seja em relação à demanda por novas habitações (crescimento populacional); regularização e adequação de moradias ilegais (área e população dos assentamentos urbanos formais e informais); diminuição de áreas de cobertura vegetal (redução da cobertura vegetal); mobilidade urbana (distribuição modal e taxa de motorização) e expansão da área urbana (mudança de solo não urbano para urbano). Todos os indicadores voltados a esta temática são muito importantes para o usuário por tratarem de temas básicos ao planejamento urbano. Outros indicadores (consumo de água e disposição de resíduos sólidos) possuem relação com a demanda por um recurso de qualidade, e também a necessidade de recuperação do meio ambiente degradado. Os indicadores de estado possuem relação com o uso e ocupação do solo quanto às características de qualidade ambiental (sítios contaminados, cobertura vegetal, espécies extintas ou ameaçadas / espécies conhecidas e porcentagem), de áreas de uso potencial para habitação (áreas de risco), e, de forma direta, em relação à estrutura de saneamento básico da cidade (qualidade das águas de abastecimento) e a qualidade das edificações (porcentagem de áreas deterioradas em relação à área urbana construída). Os indicadores de impactos podem ser utilizados em alguns aspectos comuns ao uso e a ocupação do solo, tais como aspectos relacionados a edificações adequadas (despesas com recuperação de monumentos e/ou centros históricos) e suas ligações com a qualidade do meio ambiente (população residente em áreas de vulnerabilidade urbana, incidência de inundações e desmoronamentos, áreas de risco, despesas com obras de contenção e prevenção de riscos ambientais). Outros aspectos como a dinâmica de uso e ocupação do solo (desvalorização imobiliária e

18 17 perda de atratividade urbana) são tratados de forma direta, além da relação com o saneamento básico (custos de captação e tratamento da água) que está mais diretamente relacionada à qualidade do meio ambiente. Os indicadores de resposta são úteis para sua utilização para o planejamento urbano, no uso e ocupação do solo, em diversos pontos. De forma mais geral, a existência de indicador referente ao Plano Diretor Urbano (Plano Diretor Urbano) remete a uma visão holística da gestão, que incide em todas as áreas do planejamento municipal. A qualidade do meio ambiente (legislação de proteção a mananciais, notificações preventivas e multas por violações das normas de disposição de resíduos, investimentos em áreas verdes e investimentos em recuperação ambiental) é bem representada com indicadores abrangentes. Sua correlação com a saúde através do saneamento básico (ligações domiciliares, investimentos em sistema de abastecimento de água e esgotos sanitários e investimentos em gestão de resíduos) também é representada por indicadores significativos. A mobilidade urbana (investimentos em transporte público) possui indicador com relação direta com uso e ocupação do solo no planejamento urbano. Há também indicadores que representam a articulação entre o planejamento urbano e ações complementares (presença de atividades de Agenda 21 local e educação ambiental) que buscam o aumento progressivo da qualidade de vida, bem como a articulação com ONGs (número de ONGs ambientalistas), na busca por diálogo e tomada de ações voltadas à melhora do meio ambiente. De um modo geral, O GEO Cidades pode ser amplamente utilizado pelo planejador público de diversas formas, sua concepção de sistema Pressão Estado Impacto Resposta permite ao usuário uma articulação melhor dos resultados, sendo um modelo mais claro que permite ao planejador analisar se as respostas tomadas surtem efeito ou não. CONSIDERAÇÕES FINAIS

19 18 Em relação ao provimento de informações voltadas para políticas públicas, um indicador tem como função apontar, informar e inferir informações sobre um determinado aspecto ou ainda por diversos aspectos ou situações. Conforme este aspecto, indicadores devem ser selecionados e devidamente relacionados, de acordo com a área que devem monitorar, de forma a produzir ou analisar informações relevantes para a sociedade, para que se possa avaliar a qualidade de vida de uma região, especificamente nas cidades. Pode-se salientar como a maior das dificuldades encontradas, neste trabalho, a dificuldade de encontrar indicadores específicos ao uso e a ocupação do solo urbano de maneira dissociada de outras características. Existem indicadores que podem, através de uma análise mais ampla, buscar esclarecer como o uso e a ocupação do solo interferem sobre a vida nas cidades, sendo mais diretos em relação ao uso e ocupação do solo. São eles: taxa de urbanização; taxa de crescimento; taxa de migração; densidade demográfica; forma de apropriação dos domicílios; existência e atualização da legislação urbanística; existência e atualização de programas urbanísticos; gastos com habitação; investimentos em recuperação e requalificação do espaço urbano; prazo de aprovação de empreendimento públicos e privados; existência de Conselhos Municipais e o caráter dos mesmos; índice de valorização do solo por urbanização; variação do preço das habitações; população residente em assentamentos irregulares e/ou impróprios; renda Familiar, entre outros. Esses são apenas alguns dos indicadores encontrados que podem informar sobre a qualidade de vida nas cidades e que podem ser associados indiretamente com o uso e a ocupação do solo urbano. Analisando-se o ambiente humano e a dinâmica populacional, como sistemas, reconhece-se no crescimento demográfico e no fluxo de população rumo a um determinado ponto do território, constituem dois dos fatores mais importantes para a compreensão do processo de urbanização crescente das sociedades, e, por conseguinte, para entender aspectos essenciais da relação entre o urbano e o ambiental e são diversos os processos, de ordem natural e social, particularmente relevantes para este propósito.

20 19 A dinâmica econômica apresenta-se como outro determinante fator do desenvolvimento urbano das cidades e um fator de pressão importante sobre o meio ambiente. Outro ponto a ser considerado refere-se à caracterização da estrutura político-institucional local, fator particularmente significativo quando se considera a importância da ação do Poder Público no que se refere aos processos relacionados com o desenvolvimento urbano e seus impactos sobre o meio ambiente, tais como regulação, normatização, fiscalização e controle do crescimento urbano e a proteção do meio ambiente. Os processos relacionados ao crescimento das cidades e à sua interação com os ecossistemas locais são fundamentalmente determinados pelas características, alcance, capacidade de intervenção e constituição do aparato do Poder Público em cada cidade, assim como pela dinâmica da suas relações com os diversos atores sociais presentes, seja no âmbito da sociedade civil, de um lado, seja na esfera do mercado, de outro. A partir disto é possível reconhecer que a estrutura político-institucional local apresenta grande importância para que se possa compreender a relação que, em cada localidade, se estabelece entre a urbanização e o ecossistema local, como também vislumbrar o conjunto de instrumentos que estarão disponíveis ou que precisarão ser criados para fazer frente aos problemas detectados no estado do meio ambiente local. Indicadores mais eficazes para monitorar a evolução de características que definam a qualidade de vida em uma região dependem da disponibilidade de informações existentes, que parametrizarão o grau de detalhamento de cada indicador. Para cada cidade é possível afirmar que a importância de cada um destes fatores será comprovada em algum momento, conforme se desenvolverem as relações entre o mundo urbano e o ecossistema circundante. Portanto, é essencial que o planejador e o gestor urbanos possam dispor de ferramentas para uma análise que lhes permitam compreender as grandes forças motrizes, as tendências e os problemas envolvidos na dinâmica da urbanização local, de maneira que, no processo de tomada de decisões relativas à orientação do crescimento das cidades, de investimento dos recursos públicos e de formulação

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