ADIANDO O PÓS-CARREIRA: UM ESTUDO SOBRE OS FATORES QUE LEVAM SERVIDORES FEDERAIS A ADIAR A APOSENTADORIA EM UMA INSTITUIÇÃO DE PESQUISA

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1 sid.inpe.br/mtc-m19/2011/ tae ADIANDO O PÓS-CARREIRA: UM ESTUDO SOBRE OS FATORES QUE LEVAM SERVIDORES FEDERAIS A ADIAR A APOSENTADORIA EM UMA INSTITUIÇÃO DE PESQUISA Mauro André Gouveia da Cruz Dissertação apresentada para obtenção do título de Mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional do Programa de Pós-Graduação em Administração do Departamento de Economia, Contabilidade e Administração da Universidade de Taubaté, orientada pela Dra. Rogéria de Arantes Gomes Eller, aprovada em 01 de abril de 2011 URL do documento original: <http://urlib.net/ 8JMKD3MGP7W/39KCMR5 > INPE São José dos Campos 2011

2 PUBLICADO POR : Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE Gabinete do Diretor (GB) Serviço de Informação e Documentação (SID) Caixa Postal CEP São José dos Campos - SP - Brasil Tel.:(012) /6921 Fax: (012) CONSELHO DE EDITORAÇÃO E PRESERVAÇÃO DA PRODUÇÃO INTELECTUAL DO INPE (RE/DIR-204): Presidente: Dr. Gerald Jean Francis Banon - Coordenação Observação da Terra (OBT) Membros: Dr a Inez Staciarini Batista - Coordenação Ciências Espaciais e Atmosféricas (CEA) Dr a Maria do Carmo de Andrade Nono - Conselho de Pós-Graduação Dr a Regina Célia dos Santos Alvalá - Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CST) Marciana Leite Ribeiro - Serviço de Informação e Documentação (SID) Dr. Ralf Gielow - Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPT) Dr. Wilson Yamaguti - Coordenação Engenharia e Tecnologia Espacial (ETE) Dr. Horácio Hideki Yanasse - Centro de Tecnologias Especiais (CTE) BIBLIOTECA DIGITAL: Dr. Gerald Jean Francis Banon - Coordenação de Observação da Terra (OBT) Marciana Leite Ribeiro - Serviço de Informação e Documentação (SID) REVISÃO E NORMALIZAÇÃO DOCUMENTÁRIA: Marciana Leite Ribeiro - Serviço de Informação e Documentação (SID) Yolanda Ribeiro da Silva Souza - Serviço de Informação e Documentação (SID) EDITORAÇÃO ELETRÔNICA: Vivéca Sant Ana Lemos - Serviço de Informação e Documentação (SID)

3 sid.inpe.br/mtc-m19/2011/ tae ADIANDO O PÓS-CARREIRA: UM ESTUDO SOBRE OS FATORES QUE LEVAM SERVIDORES FEDERAIS A ADIAR A APOSENTADORIA EM UMA INSTITUIÇÃO DE PESQUISA Mauro André Gouveia da Cruz Dissertação apresentada para obtenção do título de Mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional do Programa de Pós-Graduação em Administração do Departamento de Economia, Contabilidade e Administração da Universidade de Taubaté, orientada pela Dra. Rogéria de Arantes Gomes Eller, aprovada em 01 de abril de 2011 URL do documento original: <http://urlib.net/ 8JMKD3MGP7W/39KCMR5 > INPE São José dos Campos 2011

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5 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ Mauro André Gouveia da Cruz ADIANDO O PÓS-CARREIRA: um estudo sobre os fatores que levam servidores federais a adiar a aposentadoria em uma instituição de pesquisa Taubaté SP 2011

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8 AGR

9 AGRADECIMENTOS Ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais pelo incentivo ao meu desenvolvimento profissional e pela concessão da bolsa de estudos; A minha orientadora, Profa. Dra. Rogéria de Arantes Gomes Eller pela orientação durante todo o trabalho e pelo incentivo e confiança demonstrada; Ao Prof. Dr. Paulo César Ribeiro Quintairos e Dr. Edson Del Bosco, pela participação na minha Banca de Defesa Pública, pelos comentários que muito contribuíram para o enriquecimento do estudo; À amiga Fernanda Maria Guadalupe Nunes, pelo incentivo, amizade e coleguismo, durante todo curso; À amiga Gislene Lima Oliveira, pela ajuda nas correções e traduções; À amiga Adriana Helena Fonseca Porto da Silva, pela ajuda na configuração das páginas de tabelas, gráficos e sumário; Aos colegas da Turma XII do Mestrado em Gestão e Desenvolvimento Regional; Aos colegas Mestres Carlos Roberto Marton da Silva e José Agnaldo Pereira Leite Júnior, pela experiência, incentivo e apoio durante o curso; Aos colegas do INPE pela compreensão e apoio, em especial aos que colaboraram de alguma forma com minha pesquisa; A minha esposa Sueli Feliciano Ferreira, pela paciência nos momentos em que estive ausente e motivação ficando sempre ao meu lado; A meus filhos, Gabriel e Guilherme, por compreenderem minha falta de tempo; A minha Mãe e em memória de meu Pai, dedico este trabalho.

10 Jamais considere seus estudos como uma obrigação, mas como uma oportunidade invejável para aprender a conhecer a influência libertadora da beleza do reino do espírito, para seu próprio prazer pessoal e para proveito da comunidade à qual seu futuro trabalho pertencer. Albert Einstein

11 RESUMO Devido às dificuldades de planejamento do pós-carreira em um ambiente caracterizado pelo dinamismo e descontinuidade, este estudo tem como objetivo identificar os motivos que levam servidores públicos federais, que já possuem o direito a aposentadoria, a não o fazerem, e identificar possibilidades de atuação da Instituição na preparação desses servidores para o pós-carreira. Utilizou-se como método, pesquisa descritiva documental, e de estudo de caso realizado por meio de levantamento, com abordagem quantitativa. A pesquisa envolveu a aplicação de questionários para a obtenção dos dados. A população estudada corresponde a 114 servidores das carreiras de Ciência e Tecnologia (Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Gestão), que representam 83% do total de servidores que se encontravam em condições de requerer o benefício em dezembro de 2009, mas ainda não o haviam feito. Alguns resultados, de acordo com a pesquisa, são que os servidores se sentem produtivos podendo ainda contribuir para a instituição, se sentem valorizados e reconhecidos, não há pressão da instituição para que eles se aposentem e que nada mudou em sua via profissional após adquirirem o direito à aposentadoria. Conclui-se como importante para a instituição, a implantação de um Programa de Preparação para Aposentadoria, visto que 34 servidores não se sentem ainda preparados para se aposentar, e que 62 servidores se propõem a participar do programa. Para o servidor, o programa é uma oportunidade de obter informações adequadas sobre a aposentadoria; identificar alternativas de atividades pós-aposentadoria e discutir, com pessoas que estão vivenciando um momento semelhante, sentimentos e possibilidades que a nova condição pode oferecer. Palavras-chave: Aposentadoria. Pós-carreira. Servidores Públicos.

12 ABSTRACT Due to the difficulties on post-career planning at an environment characterized by dynamism and discontinuity, this study is aimed at identifying the reasons that lead the 138 federal public workers that already have the right to retire, not to do so, and identify possibilities of the Institution acting on preparing these workers for the postcareer. The documental descriptive research method and case study have been used by raising, with quantitative approach. The research involved the application of a questionnaire for obtaining data. The population studied corresponds to 114 workers from the Science and Technology careers (Research, Technological Development and Management), which represent 83% of the total number of workers in conditions of applying for the benefit in December 2009, but hadn t done it, yet. Some results, according to the research, are that the workers feel yet productive, being yet able to contribute to the institution, feel valued and recognized, there is no pressure from the institution for them to retire and nothing has changed in their professional life after they got the right to retire. It is concluded as important for the institution the implantation of a Preparation Program for Retirement, once 34 public workers no longer feel prepared to retire, and 62 workers propose themselves to join the program. For the public worker, the program is one opportunity to obtain adequate information about retirement; identify alternatives of post-retirement activities; and discuss with people who are living a similar moment, feelings and possibilities that the new condition might offer. Keywords: Retirement. Post-career. Public employee.

13 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Valores dos Benefícios pela Previdência Social 2005 a 2010, corrigidos para o ano de 2010 pelo INPC (IBGE) Tabela 2 Servidores da instituição que possuem abono de permanência Tabela 3 Servidores com abono de permanência, por ano e carreira Tabela 4 Servidores do sexo feminino por faixa etária Tabela 5 Servidores do sexo masculino por faixa etária Tabela 6 Servidores ambos os sexos em relação ao número total de servidores.. 46 Tabela 7 Número de aposentadorias no período de 1991 e Tabela 8 Aposentadorias por carreira no período de 1991 e Tabela 9 Média da idade servidores aposentados no período de 1991 e Tabela 10 Servidores divididos por sexo e carreira admitidos a partir de agosto de Tabela 11 Servidores divididos por sexo e carreira que saíram da Instituição a partir de agosto de

14 LISTA DE GRAFICOS Gráfico 1 - Pólo de interesse - Trabalho Gráfico 2 - Pólo de interesse Lazer Gráfico 3 - Pólo de interesse Família Gráfico 4 - Pólo de interesse - Estabilidade financeira Gráfico 5 - Pólo de interesse - Relações de amizade Gráfico 6 Significado do trabalho Fonte de renda Gráfico 7 Significado do trabalho Fonte de atividade/criatividade Gráfico 8 Significado do trabalho Engajamento social (amigos) Gráfico 9 Significado do trabalho Fonte de auto realização Gráfico 10 - Outros significados para trabalho Gráfico 11 - Dedicação a outras atividades Gráfico 12 - Outras atividades Grupos sociais/assistenciais Gráfico 13 - Outras atividades Grupos religiosos Gráfico 14 - Outras atividades Cultura / Artes Gráfico 15 - Outras atividades Lazer Gráfico 16 - Outras atividades Esportes Gráfico 17 - Dedicação a outras atividades Gráfico 18 - Significado de aposentadoria Desligamento ocupacional Gráfico 19 - Significado de aposentadoria Mudança do eixo central da vida Gráfico 20 - Significado de aposentadoria Descanso merecido (desejo) Gráfico 21 - Significado de aposentadoria Imposição Gráfico 22 - Significado de aposentadoria Tempo para dedicar-se a outras atividades profissionais ou não Gráfico 23 - Significado de aposentadoria Redução de rendimentos... 66

15 Gráfico 24 - Significado de aposentadoria Sentimento de inutilidade Gráfico 25 - Significado de aposentadoria Perda de status Gráfico 26 - Significado de aposentadoria Perda do vínculo institucional Gráfico 27 - Significado de aposentadoria Perda do vínculo social Gráfico 28 - Significado de aposentadoria Encerramento de uma etapa, início de nova etapa de vida Gráfico 29 Você se sente preparado para a aposentadoria? Gráfico 30 Fatores de adiamento da aposentadoria Possibilidade de manter/melhorar o salário (abono de permanência) Gráfico 31 - Fatores de adiamento da aposentadoria Se sente produtivo, podendo contribuir Gráfico 32 - Fatores que levam a adiar a aposentadoria Não há substituto para a função Gráfico 33 - Fatores que levam a adiar a aposentadoria Possibilidade de recontratação em um momento melhor Gráfico 34 - Fatores que levam a adiar a aposentadoria Família não preparada Gráfico 35 - Fatores que levam a adiar a aposentadoria Possibilidade de se preparar melhor para se aposentar Gráfico 36 - Fatores que levam a adiar a aposentadoria Pensa que é melhor vir ao trabalho do que ficar em casa Gráfico 37 - Fatores que levam a adiar a aposentadoria Não abrir mão dos benefícios Institucionais Gráfico 38 Você acha que a sociedade tem preconceito em relação às pessoas aposentadas? Gráfico 39 Sobre a instituição, você se sente Reconhecido e valorizado... 76

16 Gráfico 40 Sobre a instituição, você se sente Pensa que poderia ter tido mais oportunidades profissionais Gráfico 41 Sobre a instituição, você se sente Pensa que poderia ter sido mais bem preparado para a aposentadoria Gráfico 42 Sobre a instituição, você se sente Satisfeito com seu próprio desempenho Gráfico 43 - Sobre a instituição, você se sente - Não tem qualquer sentimento pessoal (você e a instituição cumpriram o contrato) Gráfico 44 - Sua experiência profissional adquirida na instituição faz você capaz de conseguir novo emprego? Gráfico 45 - Na sua visão, seu trabalho contribui para atingir os objetivos da instituição? Gráfico 46 Com sua aposentadoria, você considera que todos os seus anos de trabalho serão esquecidos? Gráfico 47 Você participaria de um programa de preparação para aposentadoria se promovido pela instituição? Gráfico 48 - Que tipo de atividades você acha que deveriam fazer parte de um programa como esse? Gráfico 49 Como você acha que a instituição trata seus aposentados? Gráfico 50 Há quantos meses você adquiriu seu direito a aposentadoria?... 84

17 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO PROBLEMA OBJETIVOS Objetivo Geral Objetivos Específicos DELIMITAÇÃO DO ESTUDO RELEVÂNCIA DO ESTUDO ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO REVISÃO DA LITERATURA INTRODUÇÃO A Carreira e o Pós-Carreira EVOLUÇÃO DO SISTEMA DE APOSENTADORIAS NO BRASIL O Regime da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT Considerações sobre Aposentadoria pela CLT O Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Federais Abono de Permanência HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO ESTUDADA MÉTODO INSTRUMENTO PLANO PARA COLETA DE DADOS PLANO PARA ANÁLISE DE DADOS RESULTADOS PESQUISA DE CAMPO... 51

18 5 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS CONCLUSÃO REFERÊNCIAS Anexo A - Carta de apresentação Anexo B - Termo de consentimento livre e esclarecido institucional Anexo C - Termo de consentimento livre e esclarecido Anexo D - Questionário

19 14 1 INTRODUÇÃO A espécie humana necessitou de milhões de anos para atingir um bilhão de pessoas, o que teria ocorrido provavelmente em Havia o dobro deste número de pessoas em A população mundial chegou a três bilhões de habitantes em Após 14 anos a marca dos quatro bilhões foi atingida; em 1987 veio o quinto bilhão e, em 1999, 12 anos depois, alcançamos o sexto bilhão (VERAS, 2003). Segundo Teixeira (2002), e de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, a população do Brasil em 2000 superou os 169 milhões de habitantes, correspondendo a um incremento de 15,7% em relação à população residente no País segundo o Censo Demográfico de 1991 (146,8 milhões de habitantes). Ao longo da década de 90, o ritmo de crescimento médio anual da população foi de 1,6%. A população de 65 anos de idade ou mais, no mesmo período, elevou-se em 41%, com uma taxa média de crescimento anual próxima aos 4%. Para Patrício (2006), paralelamente ao aumento populacional, estendeuse a longevidade humana por fatores como: melhorias na saúde desde a fase da infância até o envelhecimento, melhor controle das doenças infecciosas, diminuição da mortalidade infantil e materna, tratamento de doenças associadas à idade e diminuição de suas complicações e sequelas, frutos do avanço da tecnologia da saúde. Na língua portuguesa, o vocábulo aposentadoria remete, etimologicamente, à noção de recolhimento ao interior da habitação, aos seus aposentos. No entanto, nem sempre a aposentadoria representa um rompimento com o mundo do trabalho. No Brasil, por exemplo, pressões econômicas, sociais e culturais concorrem para a permanência no mercado, implicando ou não em alterações no local de trabalho, no tipo de atividade, no ritmo e na jornada (SHIBATA, 2006). Não só pressões econômicas, sociais e culturais, concorrem para a permanência no mercado de trabalho, mas o baixo valor dos proventos pagos aos aposentados pelo Instituto Nacional de Seguridade Social - INSS faz com que o aposentado continue a trabalhar, para recompor ou melhorar sua renda.

20 15 Segundo Shibata (2006), o fato de a aposentadoria ser desejada ou forçada afetará o ajustamento à mesma. O impacto da aposentadoria é perceptível fortemente no contexto da família, o que vem provocar uma série de modificações cruciais na sua dinâmica. Em alguns casos pessoas que, em decorrência de experiências anteriores, não conseguiram lidar com o afastamento profissional, podem ser levadas a um processo regressivo de depressão e pânico perante a vida, culminado com doenças ou até a morte. Daí a importância de um programa de preparação para aposentadoria com o envolvimento de psicólogos e pessoas ligadas à área de assistência social. Não há como ignorar os estigmas que cercam o idoso aposentado, apreendido como incapaz ou como aquele que nada tem a contribuir. Perdeu sua força de trabalho. Assim, ao corpo envelhecido associam-se as representações de improdutividade e de incapacidade. Às pessoas que envelhecem e não participam diretamente do processo produtivo é imposto, na sociedade, o isolamento social. As relações sociais estabelecidas ao longo da vida se enfraquecem ou deixam de existir (MORI, 2006). Trata-se de nova desigualdade social imposta pelas relações econômicas, políticas, sociais e culturais da sociedade, que consiste na forma como os trabalhadores desenvolveram suas atividades no sistema produtivo e vivenciaram sua aposentadoria (GONÇALVES, 2006). Uma das faces mais perversas da questão social configura-se pela exclusão social expressa na vida dos trabalhadores, que não encontram mais reconhecimento na sociedade ou até, muitas vezes, são excluídos desse universo. Portanto, um dos fenômenos dessa relação diz respeito à aposentadoria vivenciada enquanto exclusão social e às consequentes relações desiguais que podem se estabelecer a partir da escolha desse direito social (GONÇALVES, 2006). A exclusão do mundo do trabalho, desencadeada pelas transformações já elencadas, constitui-se em aspecto que merece nova reflexão e novo olhar. Nessa perspectiva, um grande contingente de homens e mulheres encontra-se alijado do processo produtivo, não tendo espaço para sua colocação no mercado de trabalho, que se apresenta altamente restritivo (GONÇALVES, 2006). Ainda segundo Gonçalves (2006), de outro lado, a não valorização da experiência e o descarte daqueles cuja idade e perfil não correspondem aos critérios

21 16 de competência e interesse definidos pelo mercado, delineiam uma situação que exige atenção enquanto questão social. Pode-se afirmar, neste contexto, que a aposentadoria é um momento importante de mudança na vida das pessoas. Este período será resultante da maneira como o servidor organizou toda sua vida, desde a importância dada ao trabalho como também ao seu vínculo familiar e social. Podemos entender então que aposentadoria representa, sob o ponto de vista psicológico e social, um momento estressante e de muita expectativa na vida do indivíduo, que promove reações diversas, de uma sensação de liberdade até um sentimento de exclusão. As mudanças que ocorrem com a aposentadoria requerem uma adaptação antecipada. Diante dessa visão, um processo de preparação para aposentadoria não só traria benefícios para o indivíduo como também para a organização que seria estimulada a explorar atividades que trariam ajuda inclusive no contexto familiar. Cada vez mais se percebe que organizações empresariais públicas ou privadas, deveriam compor ações para a implantação de um programa de pós-carreira que vise primordialmente à preparação das pessoas para que elas construam um projeto de vida na aposentadoria, que facilite o processo de sucessão profissional, e pudesse transformar a aposentadoria em uma fase produtiva e feliz da vida (RESENDE, 2006). 1.1 PROBLEMA Quais os motivos que levam servidores públicos federais da Instituição estudada, que já adquiriram o direito ao gozo de sua aposentadoria, a não se aposentar? 1.2 OBJETIVOS Objetivo Geral Verificar os motivos que levam os servidores da instituição a não se aposentar e o papel da instituição na preparação dos indivíduos para esta situação.

22 Objetivos Específicos Identificar os motivos que levam esses servidores da instituição a permanecer na atividade e as possibilidades de atuação da Instituição na preparação desses servidores para o pós-carreira. 1.3 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO Este estudo foi realizado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, uma Instituição Pública Federal de Pesquisas, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e localizada na região do Vale do Paraíba Paulista. Em um universo de servidores ativos, a amostra utilizada para análise engloba 114 servidores a quem foram entregues os questionários. Esses servidores pertencem às carreiras de Pesquisa em Ciência e Tecnologia; Desenvolvimento Tecnológico; Gestão, Planejamento e Infra-Estrutura em Ciência e Tecnologia. Justifica-se o presente estudo pela disponibilidade de dados e devido ao tema transição para o pós-carreira ser pouco analisado na literatura, apesar de ser um fenômeno complexo, atual e cada vez mais frequente nas carreiras contemporâneas. Na literatura pesquisada foram encontradas referências sobre o assunto pós-carreira em publicações relacionadas a atividades esportivas e, em planos de preparação de aposentadoria em empresas privadas, devido à ausência de estudos sobre pós-carreira para o servidores públicos. O intuito de desenvolver estudos nesta área é fruto de uma série de observações relacionadas ao tema que o autor teve oportunidade de verificar em sua experiência de 17 anos trabalhando em Recursos Humanos. 1.4 RELEVÂNCIA DO ESTUDO Odebrecht (2003) afirma que o envelhecimento da força de trabalho já é uma realidade nas organizações brasileiras. Já Paschoal (2002 apud CINTRA; RIBEIRO, 2007), afirma que economicamente, a pessoa pode ser caracterizada idosa a partir do momento de sua aposentadoria. Pelo lado cronológico, segundo a

23 18 Organização das Nações Unidas - ONU, para os países em desenvolvimento, o indivíduo é classificado como idoso a partir dos 60 anos. No Brasil, ser idoso muitas vezes significa estar excluído dos lugares sociais, onde o mais valorizado é aquele inserido no contexto chamado mundo do trabalho (MERCADANTE, 2002 apud CINTRA; RIBEIRO, 2007). O Setor Público tem sofrido mudanças significativas em sua organização, que resultam, por exemplo, em formas diversas de enxugamento dos seus quadros de pessoal pelo aumento significativo de aposentadorias e a reposição limitada de pessoal (LANCMAN et al, 2006). O trabalho oferece subsídios e possibilidades da instituição desenvolver um modelo de gestão que vise, também, à preparação do servidor para o póscarreira. 1.5 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO Este trabalho é apresentado em seis capítulos distribuídos da seguinte forma: O primeiro capítulo refere-se à Introdução onde são apresentados o problema, os objetivos da pesquisa, a delimitação e a relevância do estudo, além da organização do trabalho. No segundo capítulo é apresentada a revisão da literatura, mostrando a Carreira e o Pós-Carreira como foco do estudo, como também a evolução do sistema de aposentadorias no Brasil, o Regime da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, considerações sobre aposentadoria pela CLT, o Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos da área Federal, o Abono de Permanência e o histórico da instituição estudada. No terceiro capitulo é apresentado o método empregado no desenvolvimento do trabalho. No quarto capitulo são apresentados os resultados e a pesquisa de campo. No quinto capitulo apresenta-se a discussão dos resultados. Finalmente no sexto capitulo a conclusão

24 19 2 REVISÃO DA LITERATURA 2.1 INTRODUÇÃO A aposentadoria é um fenômeno historicamente recente. Apareceu, na sociedade industrial, como um direito adquirido pelos trabalhadores. No entanto, esta passagem do trabalho ao repouso é acompanhada de certas modificações que marcam profundamente a vida do indivíduo. A aposentadoria pode representar o afastamento do sistema produtivo e a perda do papel profissional. Mas é também a reorganização espacial e temporal da vida do indivíduo, confrontando com a velhice e momento de reorganização de identidade pessoal (SANTOS, 1990). De acordo com França (1999), aposentadoria é a saída de um trabalho regular e, normalmente, o termo está associado ao envelhecimento. Entretanto, ser jovem ou velho para o trabalho não diz respeito apenas a uma avaliação da capacidade física, mental ou psicológica para tanto, mas também vai depender dos contextos demográfico, histórico, sociocultural, econômico e político nos quais o trabalhador está inserido. Muitos se aposentam jovens e outros falecem antes que ocorra a aposentadoria. O prolongamento da expectativa de vida e o consequente crescimento da população de idosos coincidem com a falta de recursos para alguns sistemas de previdência. Justificativas para a existência de sistemas previdenciários podem ser divididas em três categorias. Previdência existe ou porque governos são benevolentes e paternalistas; ou porque governos são benevolentes e buscam corrigir as ineficiências dos mercados; ou, ainda, porque governos não são benevolentes e sim agem em função do resultado de grupos de pressão e de coalizões entre eleitores. As duas primeiras hipóteses levam às teorias normativas que explicam por que o governo deve intervir. Já a última leva às teorias positivas que tentam explicar porque o governo de fato intervém (IPEA, 2007). Baseados em dados econômicos, países da America do Sul vêm, desde a década de 90, empreendendo reformas em seus sistemas previdenciários, propondo mudanças nos sistemas de aposentadoria e introduzindo novas regras para retardar esse processo. No Chile é exigida idade mínima de 65 anos para homens e 60 para mulher, com dez anos de contribuição, e sua permanência no mercado de trabalho depende de sua ocupação. A Argentina assim como o Brasil, possui diferenciação

25 20 por sexo para a idade mínima de se aposentar: 60 anos para homens e 55 anos para mulheres (CARLOS et al, 1999). Conforme Giambiagi (2000), a necessidade de reformar a Previdência Social brasileira já é discutida há tempos. A situação da Previdência Social do Brasil, já era, há muitos anos, tida como delicada, No entanto, o desequilíbrio atuarial foi considerado durante décadas um problema meramente potencial, não merecendo maior atenção por parte dos Governos. Somente em meados dos anos 90, quando o mencionado desequilíbrio se converteu em um problema de caixa, foi que ocorreu, por parte do Poder Executivo, mobilização para a modificação das regras que regiam as aposentadorias e pensões, com o intuito de minimizar o desajuste que começava a agravar-se. O setor público tem sofrido mudanças significativas na sua organização, tais como privatizações de empresas públicas seguidas de demissões, transferência para o setor privado por meio de ações de terceirização e externalização de setores da produção, enxugamento de efetivos e implantação de metas de produtividade. Em muitas situações, essas mudanças são acompanhadas por deterioração das condições de trabalho, sobrecarga para os que permanecem, falta de inovação tecnológica para suprir o aumento na demanda de serviço, deterioração da imagem do funcionário público e responsabilização dos mesmos pelas inoperâncias dos serviços e pelas crises das instituições públicas (LANCMAN et al, 2006). Ainda segundo Lancman et al (2006), os serviços públicos têm adotado formas diversas de enxugamento dos seus quadros que vão desde programas de demissões voluntárias até a não reposição de trabalhadores afastados por doenças ou aposentadorias. Apesar de terem relações menos instáveis de trabalho (menor exposição ao risco de demissão sumária) os servidores públicos estão expostos a outras formas de instabilidade e precarização, tais como: oscilações políticas e de planejamento que geram descontinuidade de projetos em curso; achatamento salarial e perda de direitos trabalhistas; acúmulo de papéis; mudanças na organização do trabalho ou na natureza das tarefas que, por vezes, se chocam com o sentido e as crenças que os trabalhadores construíram em relação ao seu trabalho. A relação desenvolvida entre os servidores públicos e os usuários dos serviços públicos está permeada de conflitos. Em situações de insatisfação, por vezes, os usuários direcionam sua ira ao trabalhador que está a sua frente e que

26 21 representa a instituição prestadora do serviço, transformando os funcionários que trabalham na linha de frente em anteparo para as inoperâncias do sistema (LANCMAN et al, 2006). Apesar da aposentadoria não estar necessariamente vinculada à velhice, a transição normalmente coincide com o processo de envelhecimento. A adaptação à aposentadoria, tal qual o envelhecimento, dependerá da antecipação dos aposentáveis aos fatores de risco como a promoção da saúde e do alcance de uma poupança para o futuro, e a adoção de medidas que facilitem os fatores de bemestar nesta transição, como a educação, trabalho, renda, vínculos sociais, afetivos e familiares (FRANÇA, 2009). A propensão é que o trabalho não se realize apenas em locais tradicionais, ampliando-se as possibilidades do trabalho em casa, adotando-se contratos temporários e ampliando-se às oportunidades de trabalho em regime de meio-expediente. Por certo, a flexibilidade dos horários e as alternativas dos contratos de trabalho precisam estar disponíveis não só para os trabalhadores mais velhos, que gostariam e têm condições de saúde para continuar trabalhando, mas também para os estudantes e mães que cuidam de crianças menores e que precisam trabalhar (HENRETTA, 2000 apud FRANÇA, 2009). A aposentadoria é o contraponto do trabalho, mas seu conceito vem se modificando, já que um número crescente de aposentados prefere continuar trabalhando. É possível que, independentemente da remuneração, aqueles que continuam imprimindo sua produtividade desenvolvam o senso de maior utilidade e obtenham maiores oportunidades para a interação social. Assim, a aposentadoria pode ser a maior perda social, sobretudo porque outras perdas estão associadas ao trabalho (FRANÇA, 2009). Portanto, o período da aposentadoria não é a causa de todos os males ou problemas ocorridos, mas é o período de mudança em um momento crucial na vida das pessoas que é o envelhecimento. Tal fenômeno é irreversível e inevitável, motivo de angustia e questionamento sofre o fim da existência. A aposentadoria e a velhice estão ligadas e muitos consideram o mesmo fenômeno. Devido a isso, verifica-se a importância para o servidor de que ele se conscientize e se prepare para o momento da aposentadoria.

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