Uso de software livre e de código aberto em escolas portuguesas: cinco estudos de caso

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1 Uso de software livre e de código aberto em escolas portuguesas: cinco estudos de caso Introdução José Luís Pires Ramos Vítor Duarte Teodoro Francisco Melo Ferreira José Moura de Carvalho Vicência M. Gancho do Maio Este estudo tem como objectivo investigar e compreender as formas como o software livre e de código aberto tem sido usado, quer no que diz respeito a processos educativos quer no que diz respeito a processos de gestão/administração e infra-estruturas tecnológicas em cinco escolas do território continental português. 1 A proposta de realização dos estudos de caso levou em linha de conta a escassez de investigações realizadas sobre esta matéria, quer em Portugal quer em outros países, embora neste último caso existam vários estudos, sobretudo no Reino Unido, promovidos quer por agências governamentais quer por entidades privadas, e que reflectem o momento actual relativamente ao uso de software livre na educação. De acordo com um relatório europeu, actualmente as iniciativas de software livre e código aberto para fins educativos estão dispersas a nível local, nacional, europeu e internacional, bem como distribuídas através de todos os níveis de ensino e sistemas. Não existe uma perspectiva compreensiva do estado da arte identificando quais as iniciativas que poderiam ser aplicadas ao nível de escola. Como resultado, muitos esforços existentes e viáveis não são explorados tal como não existe nenhuma estimativa para determinar em que medida o Linux estará disseminado pelas escolas 2. Este estudo procurou respostas para algumas questões relacionadas com os processos de adopção de FLOSS nas escolas. A principal questão foi averiguar de que modo ou modos estariam as escolas sob observação a adoptar o software livre e de código aberto para fins educativos. Esta questão conduziu à formulação de questões mais específicas, tais como: que condições dispunham as escolas para prosseguir, se definida, uma estratégia de adopção de FLOSS? Que recursos TIC, humanos e materiais, dispunham as escolas para esta actividade? Se definidas, quais as orientações da escola em matéria de FLOSS? Quais os conhecimentos e competências dos professores para conduzir e implementar esses processos? Quais as motivações de professores e alunos? Quais as principais barreiras ao seu uso e disseminação por todos os sectores da escola? O que podemos aprender com estas escolas com vista à disseminação do FLOSS é, no essencial, o objectivo do estudo Foi realizado no âmbito das actividades incluídas na proposta de concepção e desenvolvimento do Sistema de Avaliação, Certificação e Apoio ao Uso de Software para a Educação e Formação, objecto de protocolo entre o Ministério da Educação DGIDC, a Equipa de Missão Computadores, Redes e Internet na Escola e a Universidade de Évora. 2 Fonte: Why Europe Needs Free and Open Source Software And Content in Schools. 51

2 As escolas foram seleccionadas tomando como critério de participação no estudo o facto de terem desenvolvido actividades pedagógicas utilizando FLOSS com os alunos e de, para além disso, mostrarem disponibilidade para o efeito. Antecedentes O papel das tecnologias de informação e comunicação na escola portuguesa tem sofrido mudanças nestes últimos anos. Assim, foram tomadas algumas medidas que, de forma directa ou indirecta, influenciam os processos de integração das TIC na Escola e desde logo os processos de adopção de FLOSS, o objecto deste estudo. Em primeiro lugar, no plano das condições de infra-estrutura e de equipamento, é de destacar a medida que diz respeito ao processo de instalação e ligação das escolas em banda larga concluída nesta fase (2006). Uma outra medida, no plano curricular, foi a criação da disciplina TIC (2004) no currículo do ensino básico e secundário e, mais especificamente, nos 9.º e 10.º anos de escolaridade, medida acompanhada pela instalação do programa de equipamento 1000 Salas TIC. As TIC ganharam, assim, o seu espaço curricular próprio desde há muito reclamado por alguns sectores da escola e da sociedade. Uma alteração muito recente vem mudar as condições e pressupostos iniciais na criação da disciplina TIC. Não só a disciplina deixou de ser obrigatória para todos os cursos do ensino secundário como passou a ser leccionada em espaço interdisciplinar no 8.º ano, através da atribuição de um tempo lectivo (noventa minutos) destinado à utilização das tecnologias de informação e comunicação (TIC), na carga horária relativa às áreas curriculares não disciplinares, preferencialmente na Área de Projecto. Para além da liberdade da escola em matéria de oferta de TIC, de acordo com o seu próprio projecto educativo que, neste aspecto, constitui uma importante mudança de orientação. Uma outra medida que caracteriza estes últimos anos diz respeito à instituição da figura de Coordenador TIC da escola no ano Na sequência destas medidas, as escolas passam a apresentar e a tornar público o Plano TIC, no âmbito do projecto educativo, instrumento que ajuda a escola a pensar as TIC no quadro global das suas actividades e projectos. Finalmente, uma medida que continha em si a ideia de projecto de trabalho educativo com os alunos foi a iniciativa Escola, Professores e Computadores Portáteis que permitiu a chegada à escola e a muitas salas de aula, bem como aos alunos e professores, de um instrumento de trabalho de grande interesse, disponível e transportável para diversos contextos: o computador portátil. Este conjunto de medidas e iniciativas estará certamente a influenciar os processos de utilização e integração das tecnologias de informação e comunicação na escola e naturalmente os processos em estudo nesta investigação. Constituem de algum modo o pano de fundo onde ocorrem os fenómenos sob observação e que deverão ser levados em linha de conta na apreciação e análise do conteúdo deste relatório. 52

3 Para além destas medidas, torna-se ainda necessário considerar alguns acontecimentos que podem certamente ajudar a compreender e explicar algumas das situações descritas na investigação e que estão mais directamente relacionados com os processos de adopção de FLOSS na escola. Podemos, assim, referir três acontecimentos de relevo no panorama da adopção e uso de FLOSS nas escolas: a instalação de FLOSS, em simultâneo com software proprietário, em todas as 1000 Salas TIC (Linux Caixa Mágica numa primeira fase e Alinex numa fase posterior) e nos portáteis fornecidos às escolas da Iniciativa Escolas, Professores e Computadores Portáteis ; a emergência e consolidação de organizações cuja missão é a promoção e a divulgação de FLOSS; e a generalização do Moodle (sistema de gestão de aprendizagem) pelas escolas portuguesas, enquadrado neste movimento. O primeiro acontecimento tornou acessível aos professores e alunos sistemas operativos e outro software que se enquadra no movimento de FLOSS. As 1000 salas TIC e a iniciativa dos portáteis, representam um importante esforço do Estado na divulgação de soluções não proprietárias. A partir dessa altura a escolha passou a estar do lado das escolas, dos professores e alunos, já que os computadores poderiam usar qualquer sistema operativo (Windows ou Linux) em regime de dual boot nos computadores disponíveis. O segundo acontecimento, embora lançado alguns anos antes, permitiu a criação de estruturas sociais mais ou menos formais que incluem empresas e indivíduos (por exemplo, a ANSOL, Associação para a defesa do FLOSS fundada em 2002, integrada numa rede internacional de organismos coordenados pela Free Software Foundation) mas também estruturas informais, como os Núcleos de FLOSS com origem em universidades e escolas do ensino básico e secundário. A consolidação destas organizações produziu um conjunto de oportunidades muito significativas que tiveram impacto na comunidade académica e educativa, nomeadamente a organização de conferências, seminários, concursos, LAN parties, etc. O terceiro acontecimento teve a sua origem na política educativa deste período que contribuiu com alguns recursos adicionais à dinamização e divulgação do FLOSS e do código aberto. Em primeiro lugar, pelo lançamento do projecto moodle-edu.pt. Com este projecto, a Equipa de Missão Computadores, Redes e Internet na Escola do Ministério da Educação pretendia lançar um movimento de potenciação do ensino e aprendizagem on-line por todos os actores do ensino básico e secundário, através da apropriação generalizada da plataforma Moodle, consensualmente considerada das melhores, se não a melhor, plataforma de gestão ensino-aprendizagem (LMS-Learning Management System). 3 Do nosso ponto de vista, o estado actual dos processos de adopção e uso de FLOSS na escola foi claramente marcado e influenciado pela combinação e sucessão destas medidas e acontecimentos. A existência de FLOSS e de código aberto parece ser uma realidade nas nossas organizações públicas e também nas nossas escolas e na educação em geral. Identificar o estado destes processos é o objectivo do estudo, ainda que em apenas cinco escolas. 3 Documento disponível em: Último acesso 31 de Dezembro de

4 Conceitos Definidos de forma breve, os termos software livre e software de código aberto, referem-se a produtos de software distribuídos sob termos que permitem ao utilizador usar, modificar e redistribuir o software de maneira que possa corresponder às necessidades de cada um [implica o acesso livre ao código ou a fontes do produto] sem ter de pagar ao autor do software qualquer verba ou taxa. Em geral estes termos de distribuição também protegem aquilo que os editores chamam os direitos morais dos autores do software, identificado enquanto tal. (Feller, J. 2005) Informação mais detalhada sobre as definições de software livre e software de código aberto podem ser encontradas nos locais da FSF (Free Software Foundation) 4, no local da OSI (Open Source Initiative) 5, as duas principais organizações mundiais neste domínio. Neste estudo, adoptamos a expressão software livre e de código aberto e utilizamos a sigla internacional relativa ao mesmo conceito Free, Libre and Open Source Software (FLOSS). Uma nota importante no debate sobre esta matéria é a que diz respeito à confusão acerca do entendimento de software livre como software grátis, devido à palavra free com significado de grátis em língua portuguesa, mas que não corresponde à realidade, uma vez que o software livre não é necessariamente grátis e pode ser comercializado. Aliás, esta advertência está bem destacada no local da FSF: Free software is a matter of liberty, not price. To understand the concept, you should think of free as in free speech, not as in free beer. Metodologia Do ponto de vista metodológico trata-se de uma opção por estudos de caso considerando que o objectivo principal da investigação é compreender em profundidade o como e os porquês da adopção de FLOSS na Escola. Importa analisar como é que em cada escola, atendendo às suas circunstâncias e condições, é usado o FLOSS. É uma investigação que se assume como particularística (sic) isto é, que se debruça deliberadamente sobre uma situação específica que se supõe ser única ou especial, pelo menos em certos aspectos, procurando descobrir a que há nela de mais essencial e característico e, desse modo, contribuir para a compreensão global de um certo fenómeno de interesse (Ponte, J. P., 2006). Como adianta o mesmo autor, um caso funciona sobretudo como um exemplo. E neste caso, um exemplo pela positiva, ou seja, procurando mostrar como funciona uma situação particularmente bem sucedida. Trata-se, então, de exibir e compreender um caso exemplar, que mostra a possibilidade de existência de um certo objecto, como nos estudos de Castells e Himanen (2002) (Ponte, J. P., 2006). Para além da opção pelos estudos de caso como metodologia da investigação foi igualmente considerada a vantagem de analisar múltiplos casos, pela possibilidade e oportunidade introduzir comparações com o fim de ajudar a conhecer melhor a diversidade de realidades existentes dentro de um certo grupo (Ponte, J. P., 2006) Free Software Foundation em 5 Open Source Initiative em

5 O critério de selecção das escolas baseou-se no conhecimento da equipa de investigação relativamente a escolas no território continental português que tivessem experiência no trabalho educativo com alunos na utilização de FLOSS. O conhecimento de evidências (notícias, informação em páginas na Internet, informação prestada por professores, participação em projectos e iniciativas, etc.) foi a base de decisão relativamente à selecção das escolas. A quantidade de escolas que preencheriam os requisitos de selecção das escolas ultrapassaria largamente os limites do número de casos a estudar, pelo que, para além dos critérios referidos, a equipa de investigação tomou igualmente em conta a acessibilidade aos locais e a disponibilidade de professores e alunos em participar na investigação, ou seja razões de ordem prática. Trata-se, por isso, de uma amostra de conveniência e não representativa do universo das escolas portuguesas relativamente aos aspectos em observação. O trabalho de campo foi realizado no primeiro semestre de Esta décalage relativamente ao início do projecto, teve implicações no estudo na medida em que durante este período algumas das Escolas sofreram alterações nos seus quadros pela mobilidade dos seus docentes e de alguns professores nas suas funções, considerando a instituição do coordenador TIC por despacho ministerial, para dar um exemplo. No que diz respeito aos respondentes, foram indicados pelas Comissões Executivas e envolvem os Coordenadores TIC e um pequeno grupo de professores da área de Informática, variando em número e em função de cada escola, mas não ultrapassando os quatro professores. Estes professores responderam aos questionários e participaram nas entrevistas realizadas em grupo. Foram entrevistados, no total, 14 professores e 26 alunos no conjunto dos casos. A selecção dos alunos respondentes foi realizada pelo grupo de professores. A escolha dos alunos obedeceu apenas aos critérios dos professores das escolas que indicaram os alunos que mais e melhor conhecimento teriam acerca da temática em estudo. As visitas às escolas e a realização do trabalho empírico implicaram a construção e redacção de um protocolo de investigação. Este protocolo assegurou uma maior objectividade na execução das tarefas de recolha de dados em cada um dos casos. No que diz respeito aos instrumentos, o estudo utilizou o questionário e a entrevista como principais instrumentos de recolha de dados. O questionário levou em consideração estudos já realizados 6 tendo sido desenhado de modo a corresponder aos objectivos da investigação e contemplou as seguintes dimensões: Características da instituição escolar e do respondente; Orientações da escola relativas ao software para uso educativo; Competências e conhecimento dos professores e de outro pessoal em relação ao FLOSS; Uso e desenvolvimento de software para servidores; Uso e desenvolvimento de software para computadores da Escola; Uso de software em contexto curricular. 6 BECTA (2005) Open Source Software in Schools. A case study report. British Educational Communications and Technology Agency. Coventry, UK. 55

6 Foram realizadas as entrevistas aos professores e aos alunos de acordo com um guião previamente desenhado para o efeito e que continha as seguintes dimensões: Motivações dos professores/alunos para o uso de FLOSS na Escola; Percepção dos professores/alunos acerca do nível de conhecimento e de disseminação de FLOSS na escola; Percepção dos professores/alunos acerca dos usos educativo de FLOSS na escola e na sala de aula; Percepção dos professores/alunos acerca das barreiras ao uso educativo de FLOSS na escola e na sala de aula. Cada uma das opções apresenta um conjunto de questões de carácter indicativo sendo que os entrevistadores/as poderiam alterar a ordem das questões ou colocar novas questões que se justificassem em função das respostas obtidas pelos respondentes. No que diz respeito à análise de conteúdo realizada sobre as entrevistas aos professores e alunos, cabe referir também alguns aspectos de carácter técnico. O corpus foi constituído pelo conjunto do conteúdo das entrevistas realizadas em grupo, aos professores e alunos das escolas sob observação. O conteúdo das entrevistas foi sujeito a procedimentos de análise, nomeadamente no que respeita às operações de descrição, inferência e, posteriormente, interpretação (Bardin, L., 2006). As unidades de registo foram definidas pelas afirmações dos entrevistados que poderiam constituir núcleos de sentido (Bardin, L., 2006). Cada uma das afirmações dos entrevistados foi codificada em núcleos de sentido a que correspondeu, por processo de categorização semântica, uma temática. As temáticas emergentes resultaram assim da análise do conteúdo das entrevistas aos professores. Nem todas e nem sempre as afirmações dos entrevistados se enquadravam nas temáticas descobertas e se apresentaram líquidas, o que significa que algumas das afirmações misturam aspectos de uma ou mais temáticas, tornando difícil a sua interpretação. Alguma das afirmações não encontraram núcleos de sentido e, por esse motivo, não foram incluídas todas as afirmações dos entrevistados. Nestes casos, as afirmações foram sujeitas a operações de análise e interpretação por terceiros (juízes) e permitiram identificar o aspecto temático predominante da afirmação ou a impossibilidade de inclusão da afirmação ou núcleo de sentido numa temática. Estes recortes foram reunidos em matriz de respostas e posteriormente objecto de inferência tendo sido depois agrupados em função das dimensões em análise: motivações, barreiras e estratégias de disseminação de FLOSS na escola, dos diferentes entrevistados, primeiro dos professores e depois dos alunos. 56

7 As temáticas que resultaram das inferências obtidas a partir dos núcleos de sentido e identificadas no conteúdo das entrevistas a professores e alunos são as seguintes: Temática Educativa esta dimensão agrupa as inferências estritamente relacionadas com a escola, com o currículo e com a aprendizagem dos alunos; Temática Política esta dimensão agrupa as afirmações das entrevistas que remetem para um conjunto de valores e princípios de carácter universal e que ultrapassam a esfera estrita da escola e da educação; Temática Económica esta dimensão diz respeito às razões apresentadas pelos entrevistados e que se referem explicitamente a aspectos relacionados com a percepção dos custos do FLOSS e da sua utilização; Temática Técnica esta dimensão diz respeito às afirmações dos respondentes relativas às características técnicas do FLOSS, como por exemplo, facilidade, fiabilidade, velocidade, segurança, etc.; Temática Sociocultural esta dimensão remete para as percepções dos respondentes que se referem aos hábitos sociais e culturais dos indivíduos. As opções descritas, quer no que diz respeito à metodologia do estudo quer no que diz respeito em particular à selecção da amostra, impõem sérias limitações quer quanto aos resultados em si mesmo (que devem ser analisados no seu contexto, ou seja, no caso) quer quanto às eventuais leituras desses mesmos resultados, não estando evidentemente autorizada qualquer generalização para o universo das escolas básicas e secundárias do território português a partir dos resultados obtidos, independentemente da aprendizagem que constituiu esta investigação e que se pretende transmitir e divulgar neste relatório. Análise e interpretação dos resultados Com o objectivo de obter uma síntese da investigação são apresentados os resultados por caso. Os dados recolhidos através dos questionários são apresentados nas páginas seguintes de modo a obter uma perspectiva de cada escola. Para efeito de tratamento da informação recolhida pelos questionários, as dimensões relativas ao uso e desenvolvimento de software para servidores e uso e desenvolvimento de software para computadores da escola foram integradas na dimensão recursos TIC na Escola. RESUMO DO ESTUDO DE CASO 1 CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA E DOS RESPONDENTES Escola Secundária localizada no Alentejo. Tem cerca de 620 estudantes e 85 professores. Os respondentes são três professores do Grupo de Informática, incluindo a coordenadora TIC. RECURSOS TIC EXISTENTES NA ESCOLA A escola dispõe de cerca de 136 computadores. São seis os servidores instalados na escola e que constituem a infra-estrutura de suporte às actividades. Destes servidores, dois correm em ambiente de FLOSS (nomeadamente de origem Linux: Red Hat, Suse, Debian, Alinex, Caixa Mágica) e os outros quatro correm em ambiente proprietário, especificamente o Windows Server. O software de gestão da aprendizagem é o Moodle. Os professores fazem uma referência especial ao Moodle que tem registado uma adesão significativa por parte dos mesmos. O FLOSS é usado para serviços de gestão dos 57

8 equipamentos e redes da escola e, apenas em alguma medida, para apoio às disciplinas de TIC e de Informática do Curso Tecnológico de Informática. ORIENTAÇÃO DA ESCOLA EM MATÉRIA DE FLOSS No que diz respeito à orientação da escola face ao uso de software, a orientação é considerar o FLOSS como uma entre outras opções. A médio prazo, considera a possibilidade de usar mais FLOSS e menos software proprietário, considerando ser esta a melhor opção. A promoção do uso educativo de FLOSS na escola faz agora parte do seu Plano TIC. O apoio da Direcção da Escola é considerado importante pelos professores porque lhes permite desenvolver as iniciativas que consideram úteis e possíveis de acordo com as condições que têm. CONHECIMENTOS E COMPETÊNCIAS DOS PROFESSORES ACERCA DE FLOSS A maioria dos professores da escola tem conhecimento básico (ou seja, tem capacidade de instalar e usar qualquer programa ou aplicação) quer seja de software proprietário quer seja de FLOSS para uso educativo. USO DE FLOSS EM CONTEXTO CURRICULAR Até ao momento, o uso de FLOSS na escola tem uma expressão limitada: apenas é usado pelos alunos do Curso Tecnológico de Informática e pelos alunos na disciplina TIC, embora por estes muito pontualmente e de forma incipiente. O apoio e alguma formação dos professores na escola neste domínio são igualmente muito limitados pois apenas beneficiam do apoio de uma universidade pública e, como consequência, são muito poucos os professores a usar FLOSS na Escola com os seus alunos em contexto curricular. Em termos relativos, o uso de software proprietário em outras áreas disciplinares, incluindo a disciplina TIC, é muito frequente enquanto o uso de FLOSS na disciplina TIC é pouco frequente, considerando as próprias indicações metodológicas que constam do Programa da disciplina TIC. RESUMO DO ESTUDO DE CASO 2 CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA E DOS RESPONDENTES Escola Secundária da região do Alentejo. Tem 900 alunos e 125 professores. Os respondentes são três professores do Grupo de Informática, incluindo o coordenador TIC. RECURSOS TIC EXISTENTES NA ESCOLA A Escola dispõe de 140 computadores e cinco servidores e em todos está instalado software proprietário. A maior parte dos computadores da escola tem instalado programas e aplicações da família Windows: Microsoft Office, Internet Explorer e Outlook, etc. O software de gestão da aprendizagem é o Moodle, instalado e à disposição dos professores numa instância própria num dos servidores de uma universidade pública. A escola dispõe de escasso número de títulos (dez) de software proprietário disponíveis para os seus professores e alunos. No que diz respeito ao FLOSS, foi gravado e distribuído um CD-ROM que se encontra no Centro de Recursos à disposição da comunidade educativa. Este CD-ROM contém cerca de 50 títulos de FLOSS para várias áreas disciplinares. O levantamento e a avaliação de FLOSS continuam a ser realizados pelo Núcleo de FLOSS da Escola. Nesta escola, o FLOSS é usado apenas para serviços e gestão de alguns equipamentos e redes da escola. Só raramente é usado em outros contextos, como sejam o da disciplina TIC e/ou disciplinas de Informática. 58

9 Em contexto de outras disciplinas e/ou em áreas transversais, o FLOSS não é utilizado para trabalho educativo com os alunos. ORIENTAÇÃO DA ESCOLA EM MATÉRIA DE FLOSS A escola não tinha, à data do trabalho de campo, orientações relativas ao uso de FLOSS, nem formais (no Projecto Educativo da Escola e/ou no plano TIC da Escola) nem informais. O envolvimento da escola neste domínio decorreu apenas do envolvimento de um pequeno grupo de Professores no quadro da colaboração com uma universidade pública e um dos seus Centros de Investigação que promove o uso do Alinex como sistema operativo nas salas TIC em todo o país, de acordo com protocolo celebrado entre a universidade e o ME. No entanto, e já este ano lectivo (2007/2008), a situação alterou-se radicalmente, pois a mudança de Direcção da Escola levou à reelaboração do Plano TIC que, não só considera relevante o FLOSS do ponto de vista educativo, como prevê a implementação gradual de software opensource/freeware na escola. A escola, na perspectiva dos professores respondentes, prevê usar mais FLOSS e menos software proprietário nas suas actividades escolares. CONHECIMENTOS E COMPETÊNCIAS DOS PROFESSORES ACERCA DE FLOSS No que diz respeito a esta dimensão, a maioria dos professores não tem conhecimento sobre FLOSS para uso educativo. Apesar da disponibilidade dos professores mais familiarizados com o FLOSS, não tem sido possível a sua disseminação, como era desejo destes professores do Núcleo de FLOSS. Várias tentativas foram desenvolvidas, mas sem grandes resultados práticos, considerando alguma inércia natural dos professores à mudança e também algumas dificuldades técnicas de muitos dos professores das áreas não técnicas da Informática. USO DE FLOSS EM CONTEXTO CURRICULAR No que diz respeito ao uso de FLOSS na escola em contexto curricular este tipo de software é muito pouco utilizado. A sua utilização é promovida na disciplina de Informática do Curso Tecnológico e muito pontualmente em outras áreas disciplinares, incluindo a disciplina TIC. Isto apesar de existir FLOSS disponível para todas as áreas e disponibilidade de apoio dos professores mais familiarizados com este domínio. RESUMO DO ESTUDO DE CASO 3 CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA E DOS RESPONDENTES Escola Básica 2.º e 3.º Ciclos (sede de Agrupamento) localizada numa cidade do distrito de Lisboa com cerca de habitantes. Tem cerca de 650 alunos e 80 professores. Os respondentes são professores do grupo de Francês, Física e Educação Visual. O coordenador TIC limitou-se a responder ao inquérito. RECURSOS TIC EXISTENTES NA ESCOLA A escola dispõe de cerca de 50 computadores. Tem seis servidores e em nenhum deles está instalado FLOSS, com excepção de um servidor Moodle. No que diz respeito a sistemas operativos, são utilizados o Windows XP na maior parte dos computadores e o Windows 95 em alguns. A maior parte dos computadores da escola tem instalados programas e aplicações da família Windows: Microsoft Office, Internet Explorer e Outlook, etc. Com uma utilização menos frequente são também referidos o Mozilla/Firefox e o Moodle. O FLOSS é usado apenas para serviços e gestão dos equipamentos e redes da escola, e muito pontualmente para uso em contexto da disciplina TIC e/ou disciplinas de Informática. Não é usado FLOSS em contexto de outras disciplinas e/ou em áreas transversais com os alunos. 59

10 ORIENTAÇÃO DA ESCOLA EM MATÉRIA DE FLOSS A escola tem uma orientação que considera o FLOSS como uma entre outras opções. A escola realiza as actividades habituais para a identificação de recursos necessários: tenta conhecer as necessidades dos seus diferentes sectores em matéria de software (educativo e de gestão) e adquirir software para satisfazer as suas necessidades (situação pouco frequente). Também promoveu acções de sensibilização de software educativo (não especificamente FLOSS) nas várias áreas disciplinares. A escola fez uma adaptação do software de gestão de alunos (JPM) para envio de informação aos encarregados de educação. Em matéria de opções futuras em relação ao uso de FLOSS, a escola pretende usar mais FLOSS e menos software proprietário CONHECIMENTOS E COMPETÊNCIAS DOS PROFESSORES ACERCA DE FLOSS A maioria tem conhecimento básico de FLOSS para uso educativo e um ou mais professores têm conhecimento aprofundado. USO DE FLOSS EM CONTEXTO CURRICULAR Uso de FLOSS nas várias áreas curriculares é raro. O FLOSS de utilização mais frequente em algumas disciplinas é o Moodle, que é utilizado como gestor de conteúdos da plataforma da escola, sendo também utilizado pela maioria dos alunos. O uso de FLOSS na disciplina TIC é muito frequente. O uso de software proprietário é muito frequente em várias áreas disciplinares e frequente na disciplina TIC. RESUMO DO ESTUDO DE CASO 4 CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA E DOS RESPONDENTES Escola Secundária com 3.º Ciclo localizada na região da Grande Lisboa. Tem 1332 alunos e 148 professores. Os respondentes são professores do grupo de Informática, incluindo o coordenador TIC. RECURSOS TIC EXISTENTES NA ESCOLA A escola dispõe de cerca de 80 computadores e quatro servidores. Estes servidores têm instalado software proprietário. Em nenhum servidor da escola corre FLOSS. Os sistemas operativos usados nos computadores baseiam-se no MS Windows: Windows XP e também no OS Linux, distribuição Alinex (nos computadores portáteis fornecidos pelo Ministério da Educação). É utilizada a plataforma Moodle, referida como Centro de Apoio a Distância. Nos computadores desta escola estão instalados e são usados quer software proprietário quer FLOSS. A escola dispõe entre 21 e 50 títulos de software proprietário e de menos de 10 títulos de FLOSS. ORIENTAÇÃO DA ESCOLA EM MATÉRIA DE FLOSS As orientações para o uso de FLOSS passam pela aquisição de software para satisfazer as necessidades da escola, pela promoção de acções de formação no uso desse mesmo software e pela sensibilização e promoção de utilização de software educativo nas várias áreas disciplinares. A escola não tem qualquer orientação em matéria de FLOSS. A médio prazo, prevê-se uma utilização maior de FLOSS e menor de software proprietário. CONHECIMENTOS E COMPETÊNCIAS DOS PROFESSORES ACERCA DE FLOSS A maioria dos professores não têm conhecimento sobre FLOSS para uso educativo. 60 USO DE FLOSS EM CONTEXTO CURRICULAR A utilização de FLOSS nas várias áreas disciplinares é raro. O software proprietário é utilizado frequentemente nas diferentes áreas curriculares incluindo a disciplina de TIC, contexto curricular onde o FLOSS nunca é usado.

11 RESUMO DE ESTUDO DE CASO 5 CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA E DOS RESPONDENTES Escola Secundária com 3.º Ciclo. Tem 1300 alunos e 110 professores. Os respondentes são professores de Informática e de Electrónica, sendo o primeiro Coordenador TIC e o responsável pelo Centro de Recursos. RECURSOS TIC EXISTENTES NA ESCOLA A escola tem cerca de 130 computadores. Dispõe de um servidor que corre em FLOSS e quatro que correm software proprietário. Os sistemas operativos instalados são o Microsoft Windows (diversas edições), o Linux e ainda em alguns casos o MS-DOS. Os principais programas/aplicações usados regularmente pelos professores e alunos nos computadores da escola em contexto curricular são o Internet Explorer e os diversos programas do MS Office sendo estes os programas mais utilizados. É referido pelos respondentes que o Moodle e o OpenOffice são frequentemente utilizados. A escola dispõe de aproximadamente 30 títulos de software proprietário e de 10 de FLOSS. A maior parte do software utilizado é proprietário mas também é utilizado FLOSS. No caso de software de gestão da aprendizagem (LMS) em uso na Escola é utilizada a plataforma Moodle, referida como Portal de E-Learning da escola. ORIENTAÇÃO DA ESCOLA EM MATÉRIA DE FLOSS A escola tem uma orientação na qual o FLOSS é a opção preferida e definiu no projecto educativo e/ou plano TIC orientações para o uso de software livre e de código aberto. No que diz respeito a opções futuras da escola em relação ao uso de FLOSS, a médio prazo prevê-se uma utilização maior de FLOSS e menor de software proprietário. CONHECIMENTOS E COMPETÊNCIAS DOS PROFESSORES ACERCA DE FLOSS A maioria dos professores tem conhecimento básico de FLOSS para uso educativo e um ou mais professores têm conhecimento aprofundado. USO DE FLOSS EM CONTEXTO CURRICULAR Uso de FLOSS e de software proprietário nas várias áreas curriculares é pouco frequente, tal como acontece na disciplina TIC. Comparação dos casos Foram apresentados nos resumos de caso os resultados obtidos através da administração do questionário, procurando sintetizar dados de cada uma das escolas no que diz respeito às principais dimensões do questionário. Comparemos agora entre si as respostas fornecidas pelas escolas e vejamos as semelhanças e diferenças detectadas. Uma das questões levantadas tinha a ver com as condições de que cada uma destas escolas dispunha para prosseguir uma estratégia sólida e sustentável no processo de adopção de FLOSS. Ou seja, que recursos TIC, humanos e materiais dispunha a escola que pudessem ser mobilizados para os processos de adopção de FLOSS. Todas as escolas sob observação dispõem de infra-estrutura de rede, de equipamentos e tecnologias considerados suficientes para as necessidades, levando em consideração a sua dimensão e o número de 61

12 62 alunos e de professores que fazem parte da escola, não apenas em número mas também em qualidade, o que, em matéria de tecnologias, se traduz por equipamentos actualizados e em condições de funcionamento. No entanto, num ou outro caso, os professores fazem referência à necessidade de actualização dos equipamentos disponíveis e às dificuldades de manutenção de equipamentos mais antigos. Mas, precisamente por serem mais antigos, o FLOSS também aparece, por vezes, como uma alternativa para manter esse equipamento a funcionar, considerando que as suas exigências tecnológicas são bastante menores do que as exigências do software proprietário. Em todos os casos ainda existem equipamentos com sistemas operativos obsoletos. Todos os casos dispõem de sala TIC, esta recentemente equipada e portanto ainda em condições de utilização por parte da comunidade educativa. Todas as escolas participaram na iniciativa dos computadores portáteis, equipados com dois sistemas operativos: um proprietário, Windows XP e outro o sistema operativo Alinex. No que diz respeito às infra-estruturas de rede e equipamentos, incluindo servidores, parece evidente que a maioria destes equipamentos tem instalado software proprietário e, em menor número, algumas escolas dispunham também de servidores com FLOSS e que serve principalmente para gestão de equipamentos e da própria rede. Em todos os casos observados a plataforma Moodle aparece como o melhor exemplo da utilidade e, para alguns professores, da superioridade do FLOSS e do código aberto sobre o software proprietário. Para muitos dos professores entrevistados, esta adopção do Moodle tem a ver com o facto de a escola não encontrar recursos financeiros que lhe permitam adquirir um sistema de gestão de aprendizagem no mercado. As evidências recolhidas mostram ainda que os recursos humanos das escolas sob observação são recursos humanos qualificados (muitos com mestrado ou em formação), empenhados e motivados para as funções que desempenham, conscientes que estão da importância do seu contributo, desde o portal da escola, à formação dos professores, através dos centros de formação. Para além de terem sob a sua responsabilidade um parque de máquinas a precisar de algumas (ou muitas, consoante os casos) melhorias, são solicitados para inúmeras tarefas que vão muito para além das suas possibilidades, mas que, ainda assim, não rejeitam, antes pelo contrário. Estes recursos humanos desempenham hoje em dia um papel vital na escola. Em todos os casos têm como função, para além de ensinar, a supervisão da rede e o suporte técnico às actividades escolares que fazem uso das tecnologias de informação e comunicação na sua escola. Há apenas a registar uma excepção em que a escola utiliza serviços de uma empresa para manutenção da infra-estrutura de rede e dos servidores. Nas outras escolas, são os professores, e num dos casos um funcionário a tempo parcial, que fazem esta manutenção essencial das máquinas. As preocupações destes professores são sobretudo de carácter técnico pois sabem que a existência de condições mínimas de funcionamento da infra-estrutura está, em grande parte, nas suas mãos. Todos os professores respondentes foram unânimes nas preocupações quanto aos aspectos legais do software instalado, quer do destinado à gestão quer do destinado à aprendizagem. Neste aspecto, o FLOSS parece constituir para os professores, uma porta de saída que consideram muito digna e de valor igual ao do software proprietário. Em alguns casos, não vêem outra saída. No que diz respeito às orientações da escola em matéria de FLOSS não foi encontrado apenas um caminho. Uma das escolas refere no seu projecto educativo a intenção de tomar o FLOSS como opção preferida, enquanto duas outras escolas consideram o FLOSS como uma entre outras opções. Uma quarta escola não tem qualquer orientação em matéria de opções entre FLOSS e software proprietário.

13 Finalmente uma das escolas mudou de orientação durante o processo de recolha de dados, que coincidiu com a mudança do orgão de gestão da escola. Parece assim evidente a importância do apoio da gestão e da direcção da escola aos professores que procuram promover a utilização de FLOSS. Em todas as escolas esse apoio é mencionado como relevante. A sua ausência tornaria ainda mais difíceis os processos de divulgação e adopção do FLOSS. Num dos casos, não só esse apoio não existia como a direcção da escola se opunha a medidas que tivessem como objectivo essa divulgação. E só a mudança de direcção da escola veio repor esse apoio de que os professores necessitavam e que já tinham tido em períodos anteriores. Não foi visível a existência de uma estratégia perfeitamente delineada e intencional relativamente à vontade de adopção do FLOSS enquanto opção consciente e consequente. O que foi visível foi a preocupação das escolas e destes professores em promover a utilização dos computadores e de software educativo em geral e, também neste quadro, do FLOSS para fins educativos. Esta preocupação de promover especificamente o FLOSS para fins educativos, aparece como algo difuso para as escolas e é apenas visível no caso quer das duas escolas que acolhem os Núcleos de FLOSS quer numa terceira escola que toma como orientação a preferência do FLOSS sobre o software proprietário. No entanto, foi possível constatar a intenção de, a médio prazo, as escolas desejarem e preverem uma maior utilização de FLOSS em detrimento de software proprietário, pelo menos na voz dos professores respondentes. As razões são sobretudo de natureza económica, considerando as dificuldades neste domínio. A maioria das escolas, por sua iniciativa, já promoveu acções de sensibilização para o uso de FLOSS. Mas, mais uma vez, sem uma estratégia clara e inequívoca que indiciasse uma política de adopção de FLOSS. O que parece igualmente visível é a existência de um pequeno grupo de professores que conduz, com maior ou menor autonomia, as iniciativas tendentes à promoção e uso de FLOSS e de código aberto na escola. Em duas das escolas, esses professores fazem parte uma rede de Núcleos de FLOSS e têm, por isso, uma ligação, ainda que informal, ao movimento do FLOSS, nestes dois casos em parceria com uma universidade pública. O que a escola é ou faz neste domínio tem a ver com este grupo de professores, que pode estar sujeito a mobilidade docente e isso pode explicar que em alguns anos a escola pode desenvolver um conjunto de iniciativas neste campo e em outros anos não conseguir manter essa actividade. Quanto aos conhecimentos e competências dos professores acerca de FLOSS para fins educativos, as evidências recolhidas permitem afirmar que, em dois dos casos, as percepções dos professores respondentes são comuns visto terem considerado que os professores das respectivas escolas não detinham os conhecimentos e as competências necessárias no que diz respeito ao uso de FLOSS na escola. Nos outros três casos, a percepção dos professores respondentes assegura que a maioria dos professores da sua escola tem os conhecimentos básicos e suficientes para usar FLOSS. Finalmente, e no que diz respeito à utilização de FLOSS em contextos disciplinares, a situação é igualmente diversificada entre as escolas. No contexto da disciplina TIC, três das Escolas fazem uso muito frequente ou frequente de FLOSS e as outras duas escolas fazem um uso pouco frequente ou raro. 63

14 No contexto das disciplinas de informática, a utilização de FLOSS é frequente em quatro escolas e pouco frequente numa das escolas. Nas outras áreas disciplinares, o uso de FLOSS é raro em quatro escolas e pouco frequente numa. No que diz respeito ao uso de software proprietário, no contexto da disciplina TIC e nos contextos das várias áreas disciplinares, o seu uso é muito frequente ou frequente em quatro das escolas e pouco frequente numa. No contexto das disciplinas de informática, o uso de software proprietário é muito frequente em quatro das escolas sob observação e apenas numa o software proprietário é usado com pouco frequência. A plataforma Moodle representa, de momento, nestas escolas, a maior parte da utilização de FLOSS, incluindo o trabalho com alunos. O Moodle é usado como gestor de conteúdos em particular para a disponibilização de materiais, fichas de trabalho e outros recursos digitais por parte dos professores destas escolas. A PALAVRA AOS PROFESSORES: AS MOTIVAÇÕES, AS BARREIRAS E AS ESTRATÉGIAS PROPOSTAS PARA USO E DISSEMINAÇÃO DO FLOSS NA ESCOLA Vejamos agora algumas das afirmações, a título de exemplo, que constituíram núcleo de sentido produzidas pelos professores no que diz respeito aos vários aspectos em análise e às temáticas obtidas por processos de inferência. Os sublinhados são da nossa responsabilidade e servem para ilustrar e destacar os indicadores considerados no processo de inferência. Motivações dos professores para uso de FLOSS na escola TEMÁTICA EDUCATIVA A existência na Internet de produtos de FLOSS em quantidade e qualidade suficiente para uso na Escola; O Moodle, um caso paradigmático do uso e dos benefícios do FLOSS, permite aos professores ganhos em organização, planeamento e facilidade de acesso a conteúdos necessários ao trabalho educativo, havendo a possibilidade de concentrar todos os conteúdos e recursos num mesmo espaço e com a possibilidade de uso de diversas ferramentas. TEMÁTICA POLÍTICA O acesso a FLOSS (e gratuito) por parte de todos os cidadãos que o desejem deve ser um princípio a seguir pelo Estado. [Este acesso é entendido como um direito cívico]; O sentimento de liberdade em poder alterar, modificar e adaptar às necessidades individuais o FLOSS e o código aberto. [A ideia de liberdade de usar algo que é considerado pelos professores como um bem comum ]. TEMÁTICA ECONÓMICA ( ) a grande vantagem do FLOSS em relação ao software proprietário é de carácter financeiro. O facto de as escolas terem orçamentos muito restritos no que respeita à aquisição de mate- 64

15 riais, como seja software, leva forçosamente à procura de alternativas ao software proprietário, que residem no FLOSS; Uma vez que no orçamento da escola (orçamento de Estado) não há quaisquer verbas para aquisição de software, mesmo quando pedidas e justificadas, incluindo para uso em disciplinas profissionais e como não é autorizado transferir verbas de outra rubrica para adquirir software, só têm possibilidade de usar, além do software fornecido pelo Ministério da Educação, FLOSS ou versões demo de software proprietário. Estas versões são, muitas vezes, suficientemente operacionais para poderem ser utilizadas nas aulas, nomeadamente em aulas de disciplinas tecnológicas. TEMÁTICA TÉCNICA A possibilidade de alterar, modificar e adaptar o código do produto, considerando as competências técnicas dos professores do grupo de informática; A existência de uma comunidade de desenvolvedores que permite resolver problemas técnicos de forma célere, ao contrário do software proprietário. Barreiras ao uso e disseminação de FLOSS identificadas pelos professores TEMÁTICA EDUCATIVA A falta de promoção do uso de FLOSS na Escola por parte das entidades educativas oficiais, como, por exemplo, em projectos curriculares, formação de professores e produção de materiais didácticos para acompanhar o uso educativo deste tipo de software; Faltam exemplos de boas práticas educativas neste domínio para que as escolas comecem também a usar o FLOSS no seu contexto; A escassez de FLOSS no domínio específico de cada uma das disciplinas e sobretudo o escasso conhecimento da existência desse tipo de software por parte de professores e alunos. TEMÁTICA TÉCNICA A falta de formação e em particular a actualização técnica dos professores nesta área é gritante. O que não se compreende se levarmos em linha de conta a evolução da tecnologia, quer hardware quer software. Esta falta de formação é extensível aos produtos proprietários; A principal barreira a um uso mais generalizado de FLOSS prende-se com o facto de o software proprietário estar instalado nos computadores da escola. Este facto implica uma espécie de laissez-faire que, obviamente, não é conducente à adopção de software alternativo ao que está disponível neste momento. TEMÁTICA SOCIOCULTURAL As principais dificuldades prendem-se com a falta de conhecimento sobre o significado do FLOSS. A desresponsabilização social quanto à aquisição de software também contribui para a noção, quase generalizada, de que o software não tem custos. A adopção de FLOSS esbarra sempre na barreira dos hábitos de consumo disseminados na sociedade e em especial em casa dos alunos e professores, o que não facilita a adopção de FLOSS. TEMÁTICA POLÍTICA A falta de conhecimento e de formação no uso de FLOSS dos cidadãos em geral também é uma barreira à sua adopção, dificultando a sua disseminação pela sociedade; 65

16 A obrigatoriedade de utilização de FLOSS no Estado ou na administração pública (e na escola) é motivo de divergência de opiniões dos professores. Alguns consideram-na necessária, outros, impensável. O Estado ou o ME, na elaboração dos programas e propostas de actividades, deveria dar liberdade de escolha. TEMÁTICA ECONÓMICA O facto da venda de computadores ser acompanhada pelas licenças de software proprietário também é um obstáculo, pois, se facilita a vida ao utilizador comum também o prende aos modos de uso próprios do software proprietário. TEMÁTICA SOCIOCULTURAL Os hábitos e as rotinas de utilização de produtos proprietários, pela grande maioria das pessoas (especialmente em casa) tornam mais difícil a adopção de produtos de tipo FLOSS. As pessoas são formatadas para isso O hábito de cópia ilegal de software proprietário por parte de alunos e professores acaba por ser um obstáculo à adopção de FLOSS, já que existe grande facilidade em fazer cópias de software proprietário, tornando assim dispensável alguma alternativa no domínio do FLOSS. Estratégias de disseminação identificadas pelos professores Um programa de informação/formação dos professores na escola; Sensibilização do Coordenador de TIC da escola para acções de divulgação da utilização, por parte do corpo docente, deste tipo de software; Um levantamento do software existente, quer geral quer educativo, seria muito útil e constituiria o primeiro passo para a eventual adopção de FLOSS; Planeamento e execução de curtas sessões de apresentação de FLOSS que pode ser usado para determinadas disciplinas ou grupos disciplinares é considerado crucial para uma maior disseminação de informação sobre este tipo de software e sua eventual utilização posterior por parte dos professores. A PALAVRA AOS ALUNOS : MOTIVAÇÕES, PRINCIPAIS BARREIRAS E PROPOSTAS DE DISSEMINAÇÃO PARA PROMOÇÃO DO USO DE FLOSS Motivações dos alunos para uso de FLOSS TEMÁTICA POLÍTICA O FLOSS é um modo de vida é uma teoria política e é uma maneira fácil de adquirir software sem ter custos ; O FLOSS também significa contradizer o capitalismo e a natureza comercial de algo que deveria ser livre que é o Conhecimento ; O sentimento de trabalhar para o bem comum e de partilhar o resultado de um esforço com os outros ; A possibilidade de produzir à medida das necessidades de cada pessoa e não apenas consumir algo que é feito para todos, como é o caso do software proprietário. 66

17 TEMÁTICA SOCIOCULTURAL O Moodle foi uma iniciativa muito interessante e importante por parte das universidades que a disseminaram pelas escolas ; A participação nos fóruns é hoje em dia a principal via de comunicação e informação da comunidade de FLOSS. Além de aprendermos muito com os outros, conseguem-se resolver muitos problemas técnicos. TEMÁTICA TÉCNICA Comparando com um navegador de Internet proprietário ou livre este é melhor em quase tudo: velocidade, rapidez, optimização, instalação, bloqueio de coisas indesejadas, compatibilidade com Plug-in s, etc. ; O FLOSS tem qualidade técnica igual ou melhor do que o software proprietário ; A existência de bons programadores e autodidactas que promovem a produção e a partilha desinteressada de FLOSS ; A qualidade do FLOSS, ao nível do design e do grafismo é progressivamente melhor ; A falta de reconhecimento do trabalho dos programadores e técnicos que desenvolvem o software proprietário (ninguém sabe quem são) leva os jovens à procura de soluções que lhes permitam demonstrar o seu potencial técnico e criatividade no quadro do FLOSS. Barreiras identificadas pelos alunos ao uso de FLOSS na escola TEMÁTICA TÉCNICA Uma das principais barreiras ao uso de FLOSS é a assistência técnica, pois não é qualquer pessoa que a consegue fazer, o que limita a iniciativa da sua adopção; Os jovens com formação técnica tanto usam FLOSS como software proprietário, mas outros não usam porque dão mais atenção ao aspecto gráfico e ao design, onde o software proprietário aposta muito. TEMÁTICA POLÍTICA Há uma certa fobia pelas máquinas e receio pela mudança, o que leva os cidadãos a não querer arriscar, experimentar, inovar ; Existe uma normalização, uniformização dos comportamentos e das aprendizagens impostas pelo uso de software proprietário omnipresente nas máquinas e nos computadores e que é prejudicial à inovação e à diversidade cultural; É a normalização que condiciona a produção de FLOSS, de tal maneira que parece quase igual ao software proprietário. O FLOSS limita-se a seguir as normas também porque é isso que os utilizadores esperam de determinado tipo de produtos; Tal como os professores, também os alunos divergem quanto à necessidade ou oportunidade do Estado impor a utilização de FLOSS na administração pública e na escola; O Estado suporta a aquisição de software proprietário por diversas formas, dando a possibilidade de escolha aos cidadãos, o que os impede de procurar alternativa mais económica. TEMÁTICA SOCIOCULTURAL Os hábitos sociais e culturais de consumo de produtos proprietários e dificuldade de mudança por parte dos cidadãos; Uma outra barreira é a falta de publicidade e disseminação dos produtos de FLOSS à sociedade, porque não existe essa forma de disseminar os produtos; 67

18 A falta de esforços de sensibilização e familiarização dos mais jovens, uma vez que os mais velhos só conhecem software proprietário e como tal têm mais dificuldade em mudar, não adoptando outras possibilidades; A falta de conhecimento e de hábito dos cidadãos na utilização de produtos de uso livre e em particular dos alunos da escola, ou seja o nível reduzido de literacia [tecnológica]. TEMÁTICA EDUCATIVA A escola não adopta abertamente uma política de utilização de FLOSS no quadro das actividades escolares e institucionais; Não utilizar FLOSS em nenhuma outra disciplina do currículo, o que poderia ser feito; Os professores nem sempre influenciam os alunos na adopção de FLOSS; Existem orientações da escola que não facilitam a divulgação do FLOSS, como sejam a retirada de computadores antigos, onde corria FLOSS, da Biblioteca da escola; Faltam acções de sensibilização e divulgação do FLOSS por parte da escola; As disciplinas desta área, com raras excepções, poderiam ser todas leccionadas através da utilização de FLOSS, porque existe bastante. Mas nem todos os professores estão disponíveis para isso. Estratégia para a disseminação e promoção do uso de FLOSS na escola Os alunos referem era boa ideia que a escola nos desse um CD-ROM com todo o software necessário para as aulas, software do tipo Office e software educativo. Afirmaram que poderiam utilizar esse software em vez de ir à Internet e que os professores poderiam mandar fazer trabalhos com esse software. Se os professores começarem a utilizar FLOSS nas suas aulas, os alunos serão levados, também eles, a utilizar este tipo de software. Há, pois, uma cadeia de disseminação que é necessário pôr em marcha para que os alunos comecem a ser utilizadores de FLOSS. As temáticas retiradas do conteúdo das afirmações dos entrevistados podem resumir-se no Quadro 1. Antes ainda é preciso notar que o conteúdo da tabela diz respeito à frequência das afirmações ou núcleos de sentido e respectivas temáticas em que foram organizados e portanto se trata de uma simples contagem dessas unidades, não sendo possível que estas correspondam a casos específicos ou a professores e alunos específicos. E é evidente que não representam algo mais senão as próprias afirmações dos entrevistados. Quadro 1: Temáticas encontradas através da análise de conteúdo das entrevistas a professores e alunos 68

19 Não se poderá daqui deduzir qualquer ideia de representatividade nem dos casos, nem da população (professores e alunos), nem sequer do conteúdo das entrevistas, uma vez que as afirmações de todos os entrevistados foram aqui agregadas. Por exemplo, as entrevistas de alguns alunos de algumas escolas foram mais produtivas do que as de outros alunos de outras escolas, situação que não é aqui visível nem representada. Apesar destas limitações, vale a pena fazer uma leitura da tabela, onde se mostra que para os professores entrevistados no conjunto das escolas as motivações para uso de FLOSS são sobretudo de carácter educativo, isto é, têm a ver com o currículo, a escola e a aprendizagem dos alunos. As razões de carácter sociocultural são a segunda temática mais importante revelada por estes professores, logo seguidas das razões de natureza política e económica. Os professores entrevistados apresentam em menor número motivos ou razões de carácter técnico para a utilização de FLOSS na escola. Os professores entrevistados encontram também na escola, nos professores e no currículo, as principais razões para as dificuldades e barreiras ao uso de FLOSS na escola e para a sua disseminação. Em muito menor número aparecem as inferências relacionadas com a temática política e a temática sociocultural. As barreiras relacionadas com os aspectos técnicos e a temática económica têm uma expressão limitada. Já os alunos, e de forma algo inesperada, apresentam motivações para o uso de software na escola de natureza sociocultural e de natureza técnica com maior frequência, não mencionando razões de carácter económico, nem razões que possam ter a ver com os aspectos educativos. No que diz respeito às temáticas relacionadas com as barreiras ao uso de FLOSS na escola, os alunos apresentam um maior número de inferências relacionadas com as temáticas educativas, socioculturais e políticas. Será na própria escola e também no sistema político e sociocultural que se encontrarão os maiores obstáculos ao uso e disseminação de FLOSS na escola. Menor número de referências é feito pelos alunos entrevistados quanto aos aspectos técnicos e económicos. Como referido anteriormente, estas afirmações não representam nenhum caso em particular, até pela falta de representatividade dos conteúdos analisados, relativamente aos entrevistados. Conclusões Foram apresentados os resultados obtidos através da administração de questionários e entrevistas aos professores de cada escola. Foram igualmente estabelecidas algumas comparações entre escolas, no que diz respeito aos aspectos em estudo. Procuramos agora responder às questões que orientaram os processos de investigação desenvolvidos nas cinco escolas. A primeira conclusão diz respeito ao papel à expressão do FLOSS na escola para fins educativos, questão principal a que este conjunto de estudos de caso procurou responder. Assim, e levando em consideração que as escolas seleccionadas constituíam de algum modo exemplos de escolas com boas práticas na utilização de FLOSS, podemos afirmar que, no conjunto dos casos, e no que diz respeito ao seu uso em processos educativos, o FLOSS tem uma expressão limitada do ponto de vista da sua extensão e preponderância no panorama da utilização e integração das tecnologias de informação e comunicação na escola. 69

20 Queremos precisar que entendemos por expressão limitada quer o escasso número de professores e alunos envolvidos em actividades educativas que implicam o uso de FLOSS para fins educativos quer o número de disciplinas e áreas disciplinares onde existe trabalho educativo com utilização de FLOSS. Nos principais contextos curriculares de utilização de FLOSS são as áreas de Informática as que mais se destacam na exploração das potencialidades educativas do FLOSS. A utilização de FLOSS na disciplina TIC acontece com frequência em três das escolas e é pouco frequente em duas das que foram observadas. O uso de FLOSS nas outras áreas disciplinares é raro ou muito pouco frequente. As explicações para esta situação são fornecidas pelos professores e alunos quando se referem às barreiras, e salientamos as que mais foram referidas por professores e alunos: escassez de informação relativa ao potencial educativo de FLOSS e escassez de oportunidades de formação de professores e alunos, entre outras dificuldades e barreiras mencionadas. Outros aspectos devem ser invocados no momento da explicação para a expressão limitada do uso de FLOSS nestas escolas como, por exemplo, as dificuldades de integração dos computadores no quotidiano da vida escolar e em particular no contexto da sala de aula. Não se trata por isso de uma dificuldade específica no uso de FLOSS na escola, mas de todo o tipo de software educativo, seja de matriz proprietária ou seja de distribuição livre, além de outros factores que igualmente condicionam e limitam estes processos e já abordados em estudos anteriores (Ramos, J. L., 1999; Ramos, J. L. et al., 2002). As dificuldades estão, aliás, bem expressas no relatório da Comissão Europeia (2006) e a situação das escolas portuguesas nesta matéria não pode ser ignorada no sentido em que a utilização de software (livre e proprietário) para fins educativos é uma parte de um processo mais abrangente de integração das TIC na escola e é, evidentemente, condicionado por factores de ordem mais geral e que fazem parte da explicação para este tipo de processos. Para ilustrar esta situação confira-se a posição de Portugal face aos outros países europeus no referido relatório da Comissão Europeia, nomeadamente nos resultados obtidos através da administração de questionários ao professores, usando o modelo de indicadores ACM como grelha de análise, relativo à percepção das condições de acesso aos equipamentos pelos professores portugueses, às competências no domínio e uso do software para fins educativos e à percepção de que do uso das TIC decorrem benefícios para a aprendizagem dos alunos. 7 No que diz respeito à gestão de equipamentos e redes na escola, a utilização de FLOSS para esta finalidade não é semelhante entre as escolas em estudo: enquanto três dos casos referem que o FLOSS é usado para essa finalidade, os restantes casos utilizam soluções combinadas de software proprietário e software livre. No que diz respeito ao uso de software livre destinado a processos de gestão e administração da Escola (aspectos de contabilidade, gestão de recursos humanos, etc.) em nenhum das escolas foi referido o seu uso pelos respondentes Cf. EUROPEAN COMMISSION. Information Society and Media Directorate General (2006) Use of Computers and the Internet in Schools in Europe. CountryBrief: Portugal. 8 No que diz respeito a sistemas de informação para a escola no domínio do software livre podemos assinalar a existência de alguns projectos, como, por exemplo, o sistema de informação Administração Aberta para Escolas. Para mais informações consultar: O Ministério da Educação tem em desenvolvimento um sistema de informação integrado a partir do qual gere de forma centralizada as informações processadas pelas escolas através de aplicações informáticas, no campo da gestão e administração escolar. Estas aplicações abrangem principalmente as áreas de Gestão de Alunos, Gestão de Pessoal Docente, Pessoal Não Docente e Funcionamento, Gestão da Acção Social Escolar e são desenvolvidas por empresas (que devem previamente submeter os seus produtos a processos de certificação pelo ME). A Escola pode adquirir e contratar quer os produtos e aplicações quer os serviços (geralmente formação de utilizadores e suporte, incluindo actualizações). O Ministério da Educação criou o Gabinete Coordenador do Sistema de Informação do Ministério da Educação (MISI) responsável pelo desenvolvimento do sistema de informação e que transmite todas as orientações às escolas e às empresas envolvidas neste actividade. Mais informação disponível em:

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