Reformas e Políticas Microeconômicas para Aumentar a Competitividade da nossa indústria: as necessárias e as possíveis.

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1 Reformas e Políticas Microeconômicas para Aumentar a Competitividade da nossa indústria: as necessárias e as possíveis Elizabeth Farina 1

2 Plano da Apresentação 1. Propostas de Reformas Microeconômicas (PAC1 e PAC2) 2. Competitividade brasileira como local de investimento no Mundo (indicadores) 3. O Papel do Estado e os incentivos ao investimento privado 4. Gargalos e Medidas Necessárias 2

3 1. PROPOSTAS MICROECONÔMICAS (PAC1 E PAC2) 3

4 Programa de Aceleração do Crescimento (PAC1-2007) Diagnóstico: crescimento aquém do possível e desejável Incentivar investimento público e privado em infraestrutura - reconhecido como gargalo para o Desenvolvimento Econômico e Social Investimento total da ordem de R$ 503,9 bilhões (transporte, energia, saneamento, habitação e recursos hídricos) Estimular a eficiência produtiva dos principais setores da economia; Modernização tecnológica; Aumento da competitividade e integração do Brasil com seus vizinhos e com o mundo 4

5 PAC: Medidas Institucionais e Econômicas para o Crescimento do País Medidas fiscais de longo prazo: (como é caso da modernização do processo de licitação), para garantir o equilíbrio dos gastos públicos Medidas de desoneração tributária: (estímulo do investimento,sem prejuízo à sustentabilidade fiscal) Medidas econômicas: Estímulo ao Crédito e ao Financiamento; Melhoria do Ambiente de Investimento 5

6 PAC 2 (2010): ampliação das ações No eixo de transportes: os investimentos para a expansão das malhas rodoviária e ferroviária e sua integração com portos, hidrovias e aeroportos, tornando a matriz logística multimodal e menos poluente Promoção da eficiência energética Qualificação da gestão pública Aprimoramento os marcos regulatórios setoriais Simplificação dos procedimentos de licitação, contratação e pagamento com controle e transparência Fonte: 7

7 2. O BRASIL COMPETINDO POR INVESTIMENTOS - INDICADORES SOBRE O AMBIENTE DE NEGÓCIOS 8

8 Competitividade no mundo e Ambiente de negócios Doing Business Report, do Banco Mundial, faz uma avaliação comparativa de 183 países sobre aspectos que melhoram a atividade empresarial e aqueles que o dificultam Indicadores procuram mostrar como a regulamentação dos negócios mudou em todo o mundo e como as mudanças têm afetado as empresas e as economias A atividade econômica requer um bom conjunto de regras (eficientes, acessíveis e simples na sua execução) 9

9 10

10 Mudanças no Brasil entre Mudanças Positivas: Iniciar um novo negócio: número de dias cai de 152 para 120 Pagamento de impostos: números de tributos pagos cai de 23 para 10 Negociar além das fronteiras: cai número de dias necessários para importar (de 43 para 17) e exportar (de 39 para 13) Negociar além das fronteiras: cai número de documentos necessários para importar (de 14 para 7) Mudanças Negativas: Enforcing Contracts: aumenta do número de procedimentos (de 24 para 45) e de dias (546 para 616) Áreas em que não houve avanços significativos: Registro de propriedade Permissão para construções Obtenção de crédito Proteção aos investidores. 11

11 Posição do Brasil no Doing Business ( ) Posição do Brasil no ranking geral do Doing Business Posição do Brasil no ranking latino do Doing Business 12

12 Indicadores Governamentais BANCO MUNDIAL 1. Qualidade Regulatória Capta a capacidade do governo de formular e implementar políticas sólidas e regulamentações que permitam e promovam o desenvolvimento do setor privado.

13 3. O PAPEL DO ESTADO E OS INCENTIVOS AO INVESTIMENTO PRIVADO 14

14 Se o ambiente para o investimento privado é adverso, mais Estado é a solução? Avaliação: Capitalismo de Laços Prof. Sergio Lazzarini 1) Privatização dos anos 1990 vendeu 165 empresas públicas, gerou uma receita de 87 bilhões de dólares 2) A expansão do setor privado sobre a mineração, telecomunicações, portos, rodovias e no setor elétrico não colocou mais competidores no mercado 15

15 Laços e Centralidade Empresas Participação direta e indireta do Estado (BNDES e Fundos) Laços por Cruzamentos Societários, Conselhos de Administração, Contribuições de Campanha Mundo pequeno (small world): Aglomerações conectadas entre si por meio de atores de ligação (Milgram, 1967; Watts, 1999; Kogut e Walker, 2001) 16

16 Brasil: Evolução do índice de mundo pequeno nas redes de proprietários Índice mede o grau com que a rede exibe laços cruzados, sem perda de conectividade dos atores, em relação a uma rede equivalente simulada (aleatória)

17 Centralidade nas redes de propriedade 1000% brasileiras 800% 600% 400% 200% 0% -200% Entidades governamentais (incluindo BNDES) Investidores institucionais e fundos privados Indivíduos, famílias e firmas locais Fundos de pensão de estatais Firmas e investidores estrangeiros

18 Donos que mais exibiram ganho de centralidade ( ) Proprietário 1 Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) 2 União Federal (inclui BNDES) 3 Petros (fundo de pensão dos funcionários da Petrobras) 4 Funcef (fundo de pensão dos funcionários na Caixa Econômica) 5 Participações Morro Vermelho (grupo Camargo Corrêa) 6 Banco Opportunity (banco nacional) 7 Família Moreira Salles (grupo Unibanco) 8 JP Morgan Chase (banco internacional) 9 Família Villela/Setubal (grupo Itaú) 10 Família Ermírio de Moraes (grupo Votorantim) Nota. Ganhos calculados com base em variações absolutas do indicador de centralidade normalizado de Bonacich (1987).

19 Implicações Característica Aspectos positivos Aspectos negativos Aglomeração de proprietários em consórcios e grupos entrelaçados. Junção de recursos e redução de risco sob condições de infra-estrutura e crédito escassos. Conflitos societários. Menos competição. Atores diretamente ou indiretamente ligados ao governo como elementos centrais. Capital de longo-prazo, a menor custo, para suportar projetos de larga escala. Má alocação potencial: estratégias empresariais influenciadas pelo governo em exercício e emergência de canais clientelistas. Desincentivo ao investimento privado

20 4. GARGALOS E MEDIDAS NECESSÁRIAS 21

21 Gargalos: Reformas Microeconômicas Não se propiciou ambiente favorável ao investimento Aumento da participação do Estado na atividade produtiva provoca a exclusão do investimento privado Em áreas de infraestrutura, a sociedade com o Estado é necessária 22

22 Gargalos na Melhoria do Ambiente de Investimento previstas no PAC (não implementadas) Medidas Descrição Situação De melhora do ambiente regulatório - PAC I- Marco Legal das Agências Reguladoras PL nº 3.337/2004 apensado ao PL 2057/ Visa a gestão e disciplina das agências reguladoras - Define padrão de interação entre agências e o orgão de defesa da concorrência - Proporciona a criação de um ambiente institucional/legal que favoreça o investimento privado em infraestrutura Em tramitação no Congresso: aguardando votação na Câmara dos Deputados. II- Reestruturação do Sistema Brasileira de Defesa da Concorrência PL nº 3.937/2004 Câmara PLC 06/2009 Senado - Racionalização do desenho institucional do SBDC (criação do Novo Cade ) - Determina notificação anterior à concretização dos atos de concentração (exame prévio) em lugar da definição atual de notificação após 15 dias de consumada a operação - Enfatiza combate a condutas anticompetitivas (95% dos casos não apresentam qualquer prejuízo à concorrência, de acordo com a média internacional), em detrimento da repressão a condutas anticompetitivas) - Objetivo é a criação de ambiente institucional/legal que favoreça o livre funcionamento dos mercados e o investimento privado. O projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados em 2008 e mais recentemente pelo Senado, com várias emendas, o que obriga o retorno do projeto à Câmara. 23

23 Reestruturação do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência: principais emendas Principais emendas do Projeto de Lei 5877/2005 (Camara) feitas pelo Senado (Projeto de Lei da Camara PLC Nº6/2009) Projeto de Lei 5877/2005 (Camara dos Deputados) Projeto de Lei da Camara (PLC) Nº 6/2009 I - PENAS "...multa de 1% (um por cento) a 30% (trinta por cento) "...multa de 0,1% (um décimo por cento) a 20% (vinte por do valor do faturamento bruto da empresa, [...], no cento) do valor do faturamento bruto da empresa,[...], no último exercício anterior à instauração do PA, no último exercício anterior à instauração do PA, no ramo de mercado relevante em que ocorreu a infração (...)" atividade empresarial em que ocorreu a infração, (...)" II Critérios de notificação de AC O projeto original previa a manutenção do valor atual de R$ 400 milhões para a empresa adquirente e introduzia um valor mínimo de R$ 30 milhões para a empresa alvo O controle dos Acs será prévio e realizado em, no máximo, 240 dias, a contar do protocolo de petição ou de sua emenda. Esses valores foram alterados para R$ 1 bilhão e R$ 40 milhões, respectivamente "O controle dos ACs será prévio e realizado em, no máximo, 120 dias a contar do protocolo da petição, podendo ser prorrogado: I por até 60 (sessenta) dias, a pedido das empresas requerentes do ato de concentração econômica; ou II por até 90 (noventa) dias, mediante decisão fundamentada do Tribunal, em que sejam especificadas as razões para a extensão, o prazo da prorrogação, que não será renovável, 24

24 Gargalos em Licitações Simplificação da formação de consórcios para participarem de licitações de obras públicas: Projeto de Lei prevê a não exigência de aprovação prévia do Cade quando estes possuírem caráter temporário. (PLC 06/2009 Art. 90) Projeto de Lei prevê análise prévia de atos de concentração realizados com o propósito específico de participação em leilões, licitações... (PLC 06/2009 Art. 89)

25 Gargalos Regulatórios Diagnóstico: Governo (ministérios, conselhos) deve formular as políticas públicas setoriais e as agências devem regular e fiscalizar os mercados regulados Agências autônomas são necessárias para regular e fiscalizar falhas de mercado estabilidade regulatória fluxo de investimentos privados

26 Eliminação de outros gargalos Combate a formação de cartéis em licitações públicas: Em 2007, a SDE criou uma coordenação específica para concentrar-se no combate a cartéis em licitações e em promover a concorrência em compras públicas. Consequências 1. Alta artificial dos preços pagos pelo Governo de 10 a 20%, segundo a OCDE; 2. Prejuízos à inovação: impedem que novos produtos ou processos produtivos surjam no mercado; 3. No longo prazo, perda de competitividade da economia em geral. Estima-se que as compras públicas (administração direta, autarquias e fundações) em bens e serviços, em 2010, foram de R$ 57,3 bilhões. Grandes obras públicas prevista para os próximos anos: Copa do Mundo, Olimpíadas e Pré-sal.

27 Há recursos financeiros, apetite pelo risco de investir e capacidade empresarial para que se promova uma revolução na infraestrutura. Basta uma política agressiva de concessões e um marco regulatório adequado. 28

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