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3 R ELAÇÃO PRODUTIVA ENTRE A GRICULTURA E APICULTURA

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5 R ELAÇÃO PRODUTIVA ENTRE A GRICULTURA E APICULTURA

6 W ORKSHOP R ELAÇÃO PRODUTIVA ENTRE A GRICULTURA E APICULTURA Campinas, SP, 30/10 a 1/11/2013 Realização: SBDA - Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária Diretoria : Presidente: Paulo Emílio Torres (ADAB) Vice-presidente (licenciado): Luís Eduardo Pacifici Rangel (MAPA) Secretário-Geral: Nataniel Diniz Nogueira (IMA) Tesoureira: Suely Xavier de Brito Silva (ADAB) Equipe de Produção dos Anais Coordenação: Regina Sugayama Compilação de conteúdo: Luíza Baggio, Giliardi Anício Alves e Andrea Ramos Stancioli, Sabrina Rita Resende e Sofia Kiyomi Iba da Gama Capa: Karyne Akemy Sugayama Fotos: Regina Sugayama e imagens de arquivo dos autores Assessoria geral: Joenilma Nogueira Leite Gráfica: Scalla Gráfica Coordenadores do workshop: Décio Gazzoni (Embrapa) Luís Eduardo Pacifici Rangel (MAPA) Tiragem: 500 exemplares Belo Horizonte, Agosto de

7 A PRESENTA ÇÃO Luís Eduardo Pacifici Rangel & Décio Gazzoni Esta publicação é resultado de um workshop realizado em Campinas, de 30 de outubro a 1 de novembro de 2013, que tinha três objetivos prédefinidos: estabelecer uma agenda de pesquisa, estruturar uma rede de pesquisadores e definir estratégias para captar os recursos necessários para executar as ações propostas. O evento consistiu de nove sessões, entre palestras, mesasredondas e painéis abordando a relação entre apicultura e agricultura. O evento foi motivado pela reavaliação proposta pelo IBAMA de se reavaliar quatro produtos fitossanitários. Portanto, é natural que o direcionamento do evento tenha sido dado pelo IBAMA, que explanará sobre a fundamentação para a proposta de reavaliação, as medidas tomadas, os estudos que embasaram a tomada de decisão, os riscos identificados e, principalmente, as soluções possíveis para todas essas questões. Durante o workshop, os participantes foram instigados a construir uma visão de futuro sobre como conciliar as tecnologias correntemente usadas em programas de manejo integrado de pragas e a proteção a agentes polinizadores. Realizam o evento a Coordenação Geral de Agrotóxicos e Afins do MAPA e a Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária (SBDA). A SBDA tem a importante missão institucional de coordenar ações da academia, setor privado e governo em prol da melhoria do sistema brasileiro de Defesa Agropecuária como um todo. É importante deixar claro que, dentro do governo federal, existe toda uma regulamentação que rege o registro de novas tecnologias para controle de pragas, sempre buscando alternativas que estejam dentro do nível aceitável de risco ambiental, incluindo o risco para organismos polinizadores. Não há, preconceitos de nenhuma espécie quanto ao tema em tela, devendo ser desenvolvido um projeto de gestão do risco que envolva aspectos agronômicos e ambientais, integrados e inspirados na realidade nacional e nas experiências internacionais. No entanto, o que se percebe é que há uma polarização na pesquisa, com especialistas voltados para a questão de fitossanidade e outros para o meio-ambiente. A relevância deste workshop se dá pela integração de opiniões e na busca um projeto de consenso. 7

8 O Brasil entende que importar decisões regulatórias é um assunto complexo pois há diferenças marcantes tanto do ponto de vista biótico quanto abiótico mas, para que possamos tomar nossas decisões com base em ciência, é necessário levantar o que já foi feito na pesquisa no Brasil, identificar lacunas e saná-las de maneira sistematizada. Felizmente, tanto o governo quanto o setor privado têm uma ampla revisão bibliográfica sobre o tema mas há, ainda, muito a ser feito, conforme poderá ser depreendido ao longo da leitura dos artigos que compõem esta publicação. 8

9 S UMÁRIO L I STA DE AU TORES, 11 D E FESA AG ROPECUÁRIA: U MA RE SP ONSA BILIDADE C OMPARTILHADA, 13 R E A VA L I A ÇÃO AMBIE N TAL DE TI A METOX A M, IMIDACLOPRID O, C L OTIANIDINA E FI PRONIL, 15 E STADO DA ARTE DA P E SQUISA C OM ABEL HAS NO BRASIL, 21 A EX PERIÊNCIA INTERNACIONAL, 26 C RIAÇÃO MA SSAL DE POLINIZA D O RES, 36 A VISÃO DO SE TOR PRODUTIVO, 40 U SO DE NEONICOTIN OIDES E PI RAZOL NO B RASIL - SI TUAÇÃO A TUAL D OS PRODUTOS RE G I STRADOS, 47 C ONVIIVÊNCIA E N TRE A G RICULTURA E AP I CU L TURA, 54 C ONVIVÊNCIA E N TRE F RUTICULTURA E AP ICULTURA, 64 I N I CIATIVA S DO SE TOR DE IN SUMOS AG RÍCOLAS, 69 P ROGRA MA S DE MA N E JO DA RE SISTÊNCIA DE PRAGAS A A G ROTÓX I COS, 71 A PLICAÇÃO AÉ REA DE AG ROTÓX I C OS: S I TUAÇÃO ATUAL E DEMA N D A S, 74 S I G L A S E ABREVIATURAS, 81 9

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11 L ISTA DE AUTORES Alcindo Alves. Federação das Associação de Apicultores e Meliponicultores do Estado de São Paulo Christoph Schneider. BASF SE, Crop Protection Global Ecotoxicoloty Cristiano Menezes. Embrapa Amazônia Oriental Décio Gazzoni. Embrapa Soja Edivandro Seron. Associação Brasileira dos Produtores de Algodão Edmundo Marchetti. Associação de Apicultores e Agroprodutores de Santa Cruz e Região Eduardo Daher. Associação Nacional de Defesa Vegetal Fábio Yoshio Kagi. Associação Nacional de Defesa Vegetal Fabrício Rosa. Associação dos Produtores de Soja. Fernando Henrique Marini. Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal Geraldo Papa. Universidade Estadual Paulista João Paulo Rodrigues da Cunha. Universidade Federal de Uberlândia José Annes. Associação Nacional de Defesa Vegetal José Francisco Garcia. Global Cana Leandro Bortoluz. Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã Leonardo Machado. Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil Lothar Langer. Syngenta ) Luís Eduardo Pacifici Rangel. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 11

12 Luiz Gustavo Asp Pacheco. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Marcelo Pedreira de Miranda. Fundo de Defesa da Citricultura ) Marcelo Poletti. Promip Márcio Rosa Rodrigues de Freitas. Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Marcos Botton. Embrapa Uva e Vinho Nelson Paim. Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola Osmar Malaspina. Universidade Estadual Paulista Paulo Emílio Torres. Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária Pedro Takao Yamamoto. Universidade de São Paulo Ricardo Costa Rodrigues de Camargo. Embrapa Meio Ambiente Roberto Ramirez. Bayer Crop Science Samuel Roggia. Embrapa Soja Sílvia Fagnani. Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal Stephan Carvalho. Universidade Federal de Uberlândia Tom Prado. Itaueira Ulisses Antuniassi. Universidade Estadual Paulista Vera Lúcia Imperatriz Fonseca. Universidade de São Paulo 12

13 D EFESA AGROPECUÁRIA: UMA R ESPONSABILIDADE C OMPA RT ILHADA Paulo Emílio Torres A Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária (SBDA) é uma associação civil, sem fins lucrativos, fundada em agosto de A entidade prima pelo incentivo e divulgação do desenvolvimento técnico-científico na área de Defesa Agropecuária. Tem como objetivo facilitar a interação de órgãos regulatórios, setor privado e academia, através da promoção de eventos, capacitação e discussão técnica. Acredita que a interação entre esses agentes permitirá um círculo virtuoso de pesquisa e desenvolvimento capaz de manter o Brasil dentro dos mais altos patamares produtivos da agropecuária mundial. A SBDA compreende a multidisciplinaridade como fator primordial para o desenvolvimento e a disseminação do conhecimento em Defesa Agropecuária. Também compreende que o compartilhamento de responsabilidades é a chave para o avanço da Defesa Agropecuária brasileira. Seu primeiro presidente foi o professor da Universidade Federal de Viçosa, Evaldo Ferreira Vilela, que percebeu a necessidade de uma maior organização da sociedade civil em torno do assunto. Enquanto presidente da SBDA trabalhou para articular universidades, empresas, instituições de pesquisa e governo e criou a Conferência Nacional sobre Defesa Agropecuária, que é o maior evento da área no Brasil. As duas primeiras edições foram realizadas em Belo Horizonte (MG), nos anos de 2006 e 2010, a terceira em Salvador (BA) em 2012 e a quarta em Belém (PA) em 2013, quando - durante a Assembleia Geral - tive a satisfação de ser eleito para a diretoria da entidade, com a grata missão de suceder o professor Evaldo Vilela. Para a SBDA é motivo de orgulho lançar esta publicação, que resume as palestras e discussões realizadas durante o workshop Relação produtiva entre Agricultura e Apicultura. Trata-se de um tema extremamente atual e sensível, considerando que ele engloba dois grandes patrimônios do nosso país: sua megadiversidade biológica e a inegável importância que o agronegócio tem para o crescimento econômico 13

14 do Brasil. O desafio de conciliar exploração agrícola e proteção de polinizadores é imenso, mas, conforme se depreende a partir das páginas desta revista, importantes avanços foram obtidos durante o workshop. Expressamos nosso agradecimento a todos os profissionais que participaram do evento, especialmente aos palestrantes por haverem compartilhado sua experiência e suas expectativas quanto ao tema. Agradecemos, também, às entidades que viabilizaram sua realização: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Embrapa Soja, Associação dos Apicultores e Agroprodutores de Santa Cruz do Rio Pardo e Região, Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal e Associação Nacional de Defesa Vegetal. Desde já, o convidamos para a V Conferência Nacional sobre Defesa Agropecuária que acontecerá em Florianópolis (SC), entre os dias 25 e 28/11/2014, bem como, a associar-se à SBDA. Para mais informações, acesse: ou 14

15 R EAVALIAÇÃO A MBIENTAL DE T IAMETOXAM, IMIDA CLOPRIDO, C L OTIANIDINA E FIPRONIL Márcio Rosa Rodrigues de Freitas O processo de reavaliação de três neonicotinoides (tiametoxam, imidacloprido e clotianidina) e um pirazol (fipronil) dentro do IBAMA está avançando dentro do que entendemos como nossa obrigação e as indústrias têm atendido às nossas demandas, entregando os estudos solicitados. O trabalho vem sendo desenvolvido dentro do cronograma previsto e estima-se que serão ainda três anos discutindo o assunto. Não há, por parte do IBAMA nenhuma ansiedade sobre como proceder o trabalho de reavaliação mas o que se percebe é uma apreensão por parte do setor privado, que precisa de soluções para os problemas que nossa agricultura enfrenta. Assim como o registro, a reavaliação de agrotóxicos é feita conjuntamente pelo MAPA, IBAMA e ANVISA. Como o registro de agrotóxicos é feito sem prazo de validade, os três órgãos têm autonomia para iniciar uma reavaliação sempre que se detectar um problema de natureza agronômica, ambiental ou ligado à saúde humana associado a um determinado produto ou grupo de produtos. Os motivos que levaram o IBAMA a abrir um processo de reavaliação de neonicotinoides foram: Sua natureza sistêmica e tendência a se translocarem na planta; Alta persistência em campo; Meia-vida de degradação longa observada em solos brasileiros; Relatos de efeitos subletais, que podem afetar o comportamento, o desenvolvimento e a reprodução. Essas características distinguem esse grupo de inseticidas de outros registrados no Brasil. Se, por um lado, conferem maior eficácia e efeito residual, por outro podem estar afetando polinizadores que visitam as culturas. Como esses efeitos crônicos e subletais não são considerados na avaliação ambiental realizada no momento do registro do produto, o IBAMA julgou que seria importante iniciar uma reavaliação. O pirazol pertence a outro grupo químico, mas é altamente tóxico mesmo em doses subletais. Há dados da Europa que subsidiaram a decisão de restringir seu uso. Em abril de 2013, 15

16 neonicotinoides e pirazol tiveram seu uso suspenso na Europa por dois anos e, no mês seguinte, houve um incidente em Lucas do Rio Verde, que foi a aplicação aérea de um dos produtos em reavaliação sobre uma escola durante o horário de aulas. Também em maio de 2013, foi publicado um estudo nos EUA relacionando a questão de mortalidade de abelhas aos neonicotinoides. O IBAMA tem sido pressionado no sentido de manter esses produtos pela sua grande importância para as cadeias de produção de algodão, soja, cana e citros, resultando em medidas que flexibilizam a proibição de aplicação aérea. Atualmente, estamos discutindo com o MAPA a elaboração de um termo de referência de curto prazo para tratar da questão do uso de neonicotinoides em algodão e um termo de referência de longo prazo que trata da indução de linhas de pesquisa que permitam levantar os subsídios necessários para uma tomada de decisão. O PROCESSO DE R EAVALIAÇ ÃO NO BRASIL A minuta da proposta de abertura de reavaliação foi realizada em fevereiro de O MAPA e o SINDIVEG foram contatados em abril de 2011, para dar início à reavaliação de fato em julho de 2012 pois estávamos aguardando a publicação de algumas metodologias europeias para avaliação de toxicidade sobre larvas de abelhas e monitoramento de resíduos em pólen, por exemplo. No dia 12 de julho de 2012, foi publicado o comunicado com prazo de 30 dias para que as empresas apresentassem novos estudos relacionados à questão de toxicidade às abelhas, o que foi prontamente atendido. Foi solicitado Márcio Freitas: Não há, por parte do IBAMA nenhuma ansiedade sobre como proceder o trabalho de reavaliação mas o que se percebe é uma apreensão por parte do setor privado, que precisa de soluções para os problemas que nossa agricultura enfrenta. também ao MAPA e às indústrias que apresentassem a listagem de produtos que poderiam ser usados em substituição aos neonicotinoides. Recebidos esses estudos, compete ao IBAMA analisar e emitir um parecer técnico que justifique ou não a necessidade de se realizarem estudos adicionais. O que se constatou é a necessidade de estudos em condições naturais e semi-naturais, os 16

17 L I NHA DO TEMPO Mês/Ano Acontecimento 5 a 10/2009 Normativa de reavaliação e criação a equipe no IBAMA 2 a 3/2010 Levantamento de ocorrências de mortandade de abelhas no Brasil 7/2010 IBAMA contrata consultoria sobre efeitos de agrotóxicos sobre abelhas 10/2010 IBAMA contrata pesquisadores sobre mortandades de abelhas em SP 11/2010 IBAMA capacita seis analistas ambientais em avaliação de risco na EPA 1/2011 Brasil participa do SETAC, nos EUA 2/2011 Primeira versão do Comunicado de Reavaliação 4/2011 IBAMA contata MAPA e SINDAG sobre a reavaliação - proibição da aplicação érea 5/2011 Conclusão do trabalho sobre monitoramento de abelhas 6 a 11/2011 IBAMA participa de eventos no México e Holanda 1/2012 Primeiras avaliações de risco usando metodologia europeia 3/2012 Resultados do GEF valoração econômica do serviço de polinização 6/2012 Participação de pesquisadores brasileiros na OECD (Metodologia de testes em larvas) 7/2012 Início formal da reavaliação - Publicação do comunicado 7/2012 IBAMA solicita formalmente ao MAPA estudo de produtos substitutos 7/2012 Assessoria jurídica do SINDAG solicita bases da reavaliação 9/2012 IBAMA altera comunicado por solicitação das empresas 10/2012 Ato 1 IBAMA e MAPA flexibiliza proibição da aplicação aérea 11/2012 Reunião com especialistas internacionais a pedido da Bayer e Sindag 12/2012 Publicação da INC 01, com flexibilização e formulação dos estudos necessários à conclusão da reavaliação 4/2013 EUROPA suspende neonicotinoides por dois anos 5/2013 Acidente em Rio Verde (GO) com tiametoxam 5/2013 Estudo do USDA publica resultados da queda de população de abelhas e EPA associa queda aos agrotóxicos 7 a 11/2013 Discussão dos TR para contratação de estudos sobre algodão e pesquisa da Embrapa (alternativas de manejo para mitigação de risco e produtos alternativos) 17

18 O Brasil é um dos países de maior biodiversidade do mundo e este é um patrimônio a ser preservado. Da mesma forma, temos uma das agriculturas mais pujantes do planeta e muito tem sido investido em pesquisa, tecnologia e inovação. (Foto: Agropec) quais estão sendo desenvolvidos pelas empresas com prazo para concluir no final de Concluídos esses estudos, as empresas apresentarão um parecer técnico, que é submetido a consulta pública por 30 dias para, então, o IBAMA emitir seu parecer técnico final. Esse parecer técnico é analisado conjuntamente pelos três órgãos envolvidos no registro e a decisão é tomada de forma conjunta e quais serão os procedimentos a serem seguidos para, se for o caso, iniciar a mitigação de risco. Entre as possibilidades estão a alteração de doses, alternância de produtos, modificando o sistema de manejo ou, numa situação mais drástica, 18 retirada do produto do mercado. O IBAMA tem consciência de que, além de produtos usados em agroecossistemas, um fator que pesa muito sobre a população de abelhas é a perda de habitats naturais, o que se agrava ainda mais com a expansão da fronteira agrícola. Todas as medidas adotadas pelo IBAMA são pautadas em conhecimento científico. Em dezembro de 2012, publicamos a INC 01, que trata de medidas de flexibilização vigentes até hoje e que garantiram uma medida de segurança. Ou seja, a aplicação desses produtos somente fora do período de floração em todas as culturas para quais eles são registrados, com exceção do

19 algodão pois o período de maior ocorrência de pragas coincide com o período de floração. Para o algodão, foi adotada a janela de um ano para que sejam gerados dados científicos para fundamentar a tomada de decisão. Esta expansão afeta não só as abelhas mas a biodiversidade como um todo. A modificação de habitat causada pela implantação de novas áreas agrícolas exerce uma pressão de seleção para todo tipo de organismo nativo, ou seja, ou as populações sucumbem ou se adaptam. As práticas de manipulação de habitat, tais como o uso de plantas atrativas nas bordaduras das áreas agrícolas, podem ajudar a manutenção da população de polinizadores. Portanto, é fundamental que tenhamos resultados de pesquisa sobre o comportamento de forrageamento dos polinizadores e sobre a maneira como eles se relacionam com o ambiente para que seja possível conciliar desenvolvimento agrícola com preservação da biodiversidade. O Brasil é um dos países de maior biodiversidade do mundo e este é um patrimônio a ser preservado. Da mesma forma, temos uma das agriculturas mais pujantes do planeta e muito tem sido investido em pesquisa, tecnologia e inovação. Por esse motivo, o IBAMA se propôs a conduzir o processo de reavaliação de forma a conciliar gestão ambiental e manejo agrícola, de maneira a evitar que uma medida de proteção à biodiversidade tenha um impacto deletério sobre a agricultura. A reavaliação está sendo feita de maneira criteriosa e ouvindo todas as partes envolvidas. O IBAMA capacitou seis técnicos para conduzirem o processo de reavaliação de neonicotinoides e pirazol. Esse grupo foi responsável por identificar as rotas de exposição e os pontos de maior risco em relação à questão das abelhas forrageiras, que podem estar levando os resíduos para a colmeia. imidacloprido, envolvendo 21 produtos comerciais e 220 indicações de uso. As avaliações foram feitas considerando três cenários e, a partir dessa avaliação de rico para pulverização aérea e considerando a deriva técnica de 8m que se proibiu o uso em aplicação aérea. Essa fundamentação técnica é o que deixa o IBAMA muito confortável para lidar com as cobranças que vêm de todas as camadas da sociedade. N EONICO TI NO IDES E CCD O fenômeno de desaparecimento de colmeias foi constatado inicialmente na Europa em 1998 e, nos EUA, em 2006 e relacionado a um fenômeno que é o CCD. A mortandade de abelhas e a relação com o uso de agrotóxicos e perda de habitat são conhecidas há muito tempo. Nos EUA, até 1947, a taxa de declínio da população de abelhas era de 1% ao ano. Nos últimos quatro anos, subiu para 29-36%. Esses números são baseados em monitoramentos periódicos da população de abelhas, que é um procedimento que o Brasil não realiza. O Brasil não tem nenhum levantamento sistemático e de longo prazo para a produção de mel e tampouco sobre a criação de abelhas. Portanto, urge que o Brasil passe a documentar e monitorar suas colmeias para que possamos ter números em cima dos quais trabalhar. Normalmente, a redução na população de abelhas é considerada CCD, o que não é verdade. Não há qualquer comprovação científica de que a CCD seja resultado do uso de neonicotinoides. No Brasil, há apenas dois casos suspeitos de CCD, sendo um em São Paulo e um em Minas Gerais, mas esse não é o foco do IBAMA no momento. A primeira avaliação de risco foi a do 19

20 C O NSIDER AÇÕ ES FINAIS O processo de reavaliação de neonicotinoides e pirazol alerta o IBAMA para a importância de se rever o processo de avaliação para registro pois os estudos agudos não são suficientes frente à natureza de novos produtos que surgiram na última década. Efeitos crônicos e subletais podem e devem ser considerados. É necessário, também, definir que organismos serão considerados no futuro no processo de avaliação de agrotóxicos. Atualmente, trabalhamos apenas com Apis mellifera africanizada, mas esta problemática pela qual estamos passando alerta para a premência de incluir organismos nativos da fauna brasileira e que podem desempenhar um papel mais importante na polinização do que A. mellifera. A realização deste workshop é louvável pois temos que estar preparados para reagir de maneira adequada quando o relatório técnico final da reavaliação de neonicotinoides e pirazol for publicado e os três órgãos registrantes tomarem as medidas cabíveis para mitigação de risco. 20

21 O ESTA DO DA A RTE DA P ESQUISA COM A BELHAS Osmar Malaspina, Vera Fonseca, Christoph Schneider & Stephan Carvalho O Brasil possui diversos grupos de pesquisa relacionados ao estudo de polinizadores, como, por exemplo, o Grupo de Pesquisa Ecotoxicologia de Abelhas da Unesp e o da Universidade Federal de Uberlândia, que também é focado na ecotoxicologia e proteção de polinizadores. A abertura de processo de reavaliação pelo IBAMA em 2012 desencadeou uma série de ações e avanços para o setor, entre eles, o aumento do nível de informação da população sobre a importância dos polinizadores. Ao longo dos anos, tem sido acumuladas evidências de que os inseticidas têm efeitos deletérios sobre as abelhas e é fundamental que pesquisa e agricultura caminhem lado a lado para que o país avance na resolução da questão dos neonicotinoides e pirazol. O serviço de polinização é fundamental tanto para a proteção dos ecossistemas silvestres quanto para a produtividade agrícola. Estudos realizados na Inglaterra mostraram o valor do serviço prestado pelas abelhas, que demonstrou que o valor do serviço de polinização é mais de dez vezes maior do que o valor de mel e outros produtos apícolas. A polinização aumenta a produtividade de sementes, a qualidade de frutas e a produtividade. Pode, portanto, ser considerada um serviço básico. Na área de Sanidade Apícola, a pesquisa foi iniciada quando da identificação da Cria Ensacada Brasileira. A pesquisa demonstrou que a doença era causada pelo pólen de barbatimão e não a um vírus, como se supunha. Um segundo e importante desafio foi a Cria Pútrida Americana, crucial para o estabelecimento do Plano Nacional de Sanidade Apícola. Embora não regulamentado, esse plano representa um importante avanço para o setor. Outros desafios foram a Cria Giz, a Cria Pútrida Europeia e, mais recentemente, a Nosema ceranae e a Cria Marrom (ou Cria Anômala), esta dizimando colmeias no estado de São Paulo. A partir de 2005, os relatos de abelhas morrendo em frente às colmeias aumentaram, mas sem presença de Nosema. A associação entre essa mortalidade e o uso de fipronil e neonicotinoides não foi, até o momento, comprovada cientificamente e que merece ser estudado. 21

22 plantas, da disponibilidade de néctar/ pólen e do regime de chuvas; Modelagem ecológica, para analisar o efeito de fragmentação de paisagem e urbanização sobre rendimento agrícola e manejo de populações, como ferramentas para avaliar se a população é sustentável em função dos recursos disponíveis. Através destas técnicas, é possível gerar cenários mais otimistas ou mais pessimistas para fazer inferências sobre o futuro da produção agrícola; Vera Fonseca: É fundamental que sejam tomadas ações no sentido de implementar políticas públicas de proteção aos polinizadores, partindo de uma análise já existente e conjugando-a a uma política para o setor de produção. A compatibilização de necessidades será o grande desafio. São consideradas prioritárias as seguintes linhas de pesquisa: A FAO tem realizado diversas meta-análises para, por exemplo, analisar o efeito de mudanças climáticas e o impacto que elas terão sobre a agricultura e também sobre os polinizadores. Esta é uma grande ameaça e que mudará os ciclos dos parasitas, da abelha, das Genética de populações e conservação, lembrando que é necessário entender o sistema como um conjunto de metapopulações pois, na eventualidade de uma doença, as mudanças vão ocorrer em nível de comunidade e espécies; Implementação de coleções biológicas que possam ser usadas como padrões de comparação e também para obtenção de dados moleculares; Produção em massa de polinizadores; Ecologia de interações, para definir os locais onde devem ser realizadas ações de conservação, combinando dados de distribuição geográfica de polinizadores e os recursos florais por eles explorados, já que a qualidade do alimento disponível vai influenciar as colônias, a população, os indivíduos e também as células. Os patógenos e agrotóxicos têm seus efeitos manifestados desde o nível de DNA até colônia; É fundamental que sejam tomadas ações no sentido de implementar políticas públicas de proteção aos polinizadores, partindo de uma análise já existente e conjugando-a a uma política para o setor de produção. Os dois temas precisam evoluir paralelamente pois á uma interface forte entre eles. A compatibilização de necessidades será o grande desafio. 22

23 Através de bioensaios em laboratório, é possível calcular a mortalidade e observar alterações comportamentais causadas por agrotóxicos, bem como calcular a DL 50. (Foto: Stephan Carvalho) A VALIAÇÃO DE RI SC O Os produtos utilizados para controle de pragas são substâncias químicas introduzidas intencionalmente no ambiente, com o propósito de proteger as plantas cultivadas contra pragas. Portanto, eles têm atividade biológica contra uma certa praga e os estudos de Ecotoxicologia têm a função de avaliar os possíveis efeitos colaterais que eles podem ter no ambiente, bem como propor medidas para mantê-los em níveis aceitáveis. Uma das ferramentas mais importantes para esse trabalho é a avaliação de risco, que pressupõe a existência de informações sobre o perigo representado pela substância (ex.: toxicidade) e o grau de exposição. A toxicidade é uma característica intrínseca da substância, ou seja, não variável, enquanto a exposição pode variar em função das condições locais, formas de administração, entre outros. Resumidamente, a avaliação de risco consiste na comparação entre perigo e exposição, ou seja, se o perigo é mais alto do que a exposição, então não há risco significativo. Se você dividir a exposição pelo perigo e o valor for menor do que 1, então não há risco. Por outro lado, se você tem um perigo alto mas uma exposição baixa, então 23

24 Ensaios em condições seminaturais são mais realistas e permitem avaliar alterações no comportamento de forrageamento e a mortalidade. (Foto: Basf) também não há risco significativo. Há diferentes delineamentos na Europa e EUA para integrar essas informações e que dependem do conhecimento sobre toxicidade e exposição, de forma que é possível avaliar o risco. No que se refere a ensaios com abelhas, é utilizado o conceito de HQ (hazard quotient) e é calculado como taxa de aplicação dividido pela DL 50. Tudo o que tiver HQ acima de 50 é considerado um risco para abelhas e tudo o que estiver abaixo de 50 é considerado de baixo risco para abelhas. Esse limiar não é arbitrário, foi validado usando dados de campo e é considerado bastante adequado. Considerando dois cenários com os conceitos de perigo e exposição: Se você tem uma substância com DL50 para abelhas definida em laboratório como 1 ug de ingrediente ativo e tem uma taxa de aplicação em campo de 100 g/há. O valor de HQ será de 100, significando que o risco não pode ser desconsiderado e que os estudos são necessários para avaliar perigo que a substância representa. No segundo cenário, a toxicidade permanece constante mas a taxa de aplicação muda para 40 g/ha, o HQ será de 40 o que dispensaria estudos adicionais. A ideia é começar com um estudo simples de laboratório para eliminar as substâncias com baixo potencial de perigo e focar nas substâncias que podem vir a representar risco significativo para os polinizadores e realizar estudos mais realistas, já que os estudos de laboratório são muito artificiais. Em geral, inicialmente, são realizados ensaios simples, com 10 abelhas por repetição contendo água, açúcar e a substância testada. Então, é possível determinar a DL 50. Se o valor de HQ fica acima de 50, podem ser tomadas ações de mitigação, como reduzir a taxa de aplicação se não comprometer a eficácia, aplicar em diferentes horas do dia, em determinadas épocas do ano ou fazer ensaios mais realistas, para verificar se há um potencial de risco para as abelhas, colocandoas em situações mais realistas. Há várias diretrizes internacionais para este tipo de análise. Além da mortalidade, podem ser feitas 24

25 observações sobre comportamento, comportamento de forrageamento, desenvolvimento da colônia de forma que não serão testadas abelhas individuais e sim colônias como um todo pois algumas substâncias podem afetar a colônia e não o indivíduo. Pode-se também avaliar o efeito sobre as larvas. Ensaios em túneis de vento e in vitro podem ser realizados. Para realizar ensaios em túneis de vento, com protocolos da EPPO e OECD, são instalados os túneis sobre a cultura atrativa para as abelhas, com três tratamentos para comparação: Não tratada (só água); Substância teste; Substância de referência, com efeito conhecido. São usadas colônias pequenas e sadias, com cerca de abelhas com cerca de células com larvas, a substância é pulverizada sobre a planta atrativa para as abelhas durante a florada ou quando as abelhas estão com atividade de forrageamento, o que representa a pior condição possível. A área é de 8 metros quadrados por túnel de vento e, por este motivo, devem ser usadas colônias pequenas. O ensaio dura cerca de 20 dias, com 2-3 dias de adaptação prévia das colônias. É realizada uma avaliação prévia da colônia para avaliar seu estado geral e, depois de aplicação, são feitas avaliações de mortalidade, comportamento, produção de larvas (dependendo do objetivo do ensaio). Diariamente, é checada a atividade de forrageamento, antes e depois de aplicar o produto, para identificar se há algum efeito sobre o comportamento ou ação repente. Depois, são realizadas seis avaliações para analisar a colônia como um todo, levantando número de células com larvas, pupas, pólen e néctar. A condução destes ensaios é complexa e requer expertise sobre abelhas para poder interpretar os resultados pois as colônias estão sujeitas a variabilidade natural. Um novo ensaio será requerido pela Europa e EUA para testar o desenvolvimento larval no laboratório. Uma diretriz nova da OECD descreve a metodologia, que é bastante mais complexa, pois as larvas precisam ser colocadas sobre meio de cultura artificial contendo geleia real, açúcares, leveduras, etc. A confiabilidade desse método ainda é questionável, mas este método passará a ser exigido em breve. 25

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27 A EXPERIÊNCIA I NTERNACIONAL Lothar Langer, Roberto Ramirez, Vera Fonseca & Eduardo Daher Conheça algumas iniciativas desenvolvidas em outros países relacionadas à preservação de polinizadores em consonância com o desenvolvimento da agricultura. O PERAÇÃO PO LLI NAT O R Em 2013, os apicultores europeus foram entrevistados sobre os motivos que levam a mortalidade de colônias de abelhas. Os principais agentes de mortalidade são, segundo os entrevistados, a Varrhoa, o loque e outras doenças. Em segundo lugar, as perdas de colmeias são atribuídas a características intrínsecas, como a constituição genética e, em seguida, aspectos ambientais como a baixa disponibilidade de alimento e as práticas de manejo. O motivo menos importante, segundo os entrevistados, é o envenenamento por substâncias químicas, o contato com pesticidas ou outros agentes. É interessante notar que eles não atribuíram a mortalidade de colmeias a perda habitats naturais. Em uma meta-análise, foi observada uma correlação entre perda de habitat e resposta das abelhas. Os resultados indicam que, quando há uma perda moderada de habitat, pode haver uma compensação tanto do ambiente quanto da população e, portanto, não há um impacto significativo. Por outro lado, quando a perda de habitat é grande, tanto abundância quanto riqueza são impactadas. A partir desses dados, pode-se concluir que as abelhas são negativamente afetadas pela atividade humana, então uma solução possível seria banir os seres humanos. A Operação Pollinator é um programa relacionado à biodiversidade e busca impulsionar populações de polinizadores em agroecossistemas. Conceitualmente, ele iniciou como um serviço de suporte para uma agricultura tensionada por pressões como a demanda aumentada por alimentos, as exigências quanto à segurança do produto agrícola, a redução de áreas disponíveis para agricultura, a degradação dos ecossistemas e a perda de biodiversidade. Estes são desafios globais e o programa Operação Pollinator busca promover melhorias através do aumento da produtividade e do aumento de biodiversidade em ecossistemas. Esses dois 27

28 A Operação Pollinator promoveu o aumento na população de abelhas, borboletas e outros polinizadores, protegendo a biodiversidade e aumentando o rendimento das cultivos. (Foto: Agropec) aspectos devem caminhar de maneira combinada, para que se obtenha o melhor resultado. Quando se fala em ecossistemas, associa-se imediatamente a ideia de perda de habitats, ou seja, redução de disponibilidade de áreas adequadas para nidificação das abelhas ou redução da oferta de alimento, que podem ser considerados fatores decisivos para o declínio da população de polinizadores. Portanto, a premissa seria aumentar a abundância e a diversidade da flora melífera nos campos, para suportar comunidades mais diversificadas e maiores de polinizadores o que, em última instância, promoverá o aumento da atividade de polinização nos agroecossistemas. Portanto, os benefícios do Operação Pollinator são a proteção e aumento da biodiversidade, o aumento de rendimento das culturas e a sustentabilidade da produção agrícola. Ele foi iniciado no Reino Unido entre 2001 e 2004 com uma espécie de Bombus e o resultado foi: Aumento de 600% na população da espécie que vinha declinando (no caso Bombus 28

29 ruderatus; Aumento de 12% na população de borboletas; Aumento de 10 vezes na população de outros polinizadores. Os resultados foram tão promissores que o projeto se tornou um programa, denominado Operation Bumblebee, com adesão imediata de um grande número de produtores rurais que implantaram o programa em uma área de ha. Foram iniciadas parcerias com cadeias de produção de alimentos e apoio do governo através de um mecanismo compensatório, ou seja, o governo passou a compensar financeiramente os produtores que deixassem de plantar uma área para manter a vegetação nativa. Rapidamente, o programa foi estendido para toda a Europa. De 2009 a 2014, 14 países aderiram ao projeto, resultando em 10 mil hectares. As parcerias com governos, produtores de alimentos, grandes redes de produção de alimentos, centros de pesquisas, ONGs foram fundamentais. Mais recentemente, os EUA aderiram ao programa, que está sendo implantado em áreas críticas para a polinização e que têm alta demanda pelos serviços de polinização. Foi criado um modelo matemático para avaliar a recolonização de uma área após a aplicação de glifosato e considerando a utilização de sementes de apenas uma espécie anual, uma mistura de espécies de plantas anuais, uma mistura envolvendo espécies anuais, perenes básicas e em diferentes combinações. Os EUA conseguiram modelar o custo para implementação do programa e também otimizar o processo conforme a época, a região e a espécie cultivada, de forma a suprir ou complementar as fontes de alimentos para os polinizadores existentes na região. O que se observa é que a vegetação morre após um período, de forma que a solução é inviável no longo prazo. Assim, torna-se necessário obter uma área de alta biodiversidade coexistindo com a área plantada, onde cada tipo de polinizador responde à oferta de alimentos. Devem-se tomar as precauções necessárias nas situações em que um novo organismo é transportado de uma região para outra, como é o caso do transporte de colmeias de Apis. É preciso planejar a operação de acordo com a demanda observada, ou seja, não há uma receita pronta, todo o programa é customizado por país e cultura. O programa já conta com 15 misturas de sementes adequadas para uso em agroecossistemas da Europa e EUA e que já foram implantadas em mais de 50 campos de demonstração, somando ha plantados. Temos acumulado dados em função de clima, tipo de solo, cultura e benefícios multifuncionais, tais como os benefícios que as espécies plantadas têm ao servirem de alimento para pássaros, refúgio para pequenos mamíferos e corredores para fauna. Esse aspecto está representando no logotipo do Operation Pollinator, que passou a se chamar Multifunctional Landscapes ou seja, o desenvolvimento de habitats ou ambientes multifuncionais. Apesar do foco inicial ter sido a agricultura através do aumento da produção, depreende-se, hoje, uma entrega muito maior, embasada em ciência. É importante determinar, entre outros aspectos, qual o mix de sementes vai prover o pasto apícola durante toda a safra. Afinal, não seria efetivo ter uma única espécie com florada numa determinada época do ano pois, uma vez 29

30 Média annual de perdas de abelhas em colônias domesticadas devido ao ácaro Varroa. Fonte: Neumann et al. (2010) encerrada a florada, os polinizadores têm que se deslocar para outros habitats para encontrar alimento. A faixa de Operation Pollinator deve ser determinada em função da extensão da área cultivada e também da dominância das espécies que ocorrem na região. É necessário definir as misturas de flores mais úteis em termos de resistência, pressão por ervas daninhas e custo. Então, a implementação tem um custo e, em função disso, pode ser interessante incluir espécies perenes pois o custo se dilui ao longo do tempo. O ideal é que seja estabelecido um habitat que promova a manutenção de espécies nativas de polinizadores, de forma a dispensar o deslocamento de abelhas africanizadas ou manejadas para fazer o serviço de polinização. O Operation Pollinator valida o conceito de que as práticas de conservação não impactam a produtividade e a rentabilidade da fazenda. Para ser convencido, o produtor precisa compreender como o sistema funciona e demonstrar os resultados posteriormente. B AYER BEE CARE CENTER O Conceito de Bee Care da Bayer diz respeito à adoção de práticas para melhorar a saúde das abelhas, através de uma visão multidimensional. Ele engloba algumas áreas de importância para a empresa, como a Bayer HealthCare Animal Health, que procura melhorar o estado de saúde para as abelhas e o Bayer Crop, que reconhece a importância das abelhas para a sustentabilidade do negócio, juntamente com a proteção dos cultivos. O trabalho é realizado buscando promover o 30

31 diálogo entre agricultor e apicultor, pois ambos precisam trabalhar de maneira coordenada para prevenir os perigos e otimizar resultados. O conceito tenta, também, envolver áreas como jurídica, regulatória, relações públicas, comunicação e saúde animal em torno da discussão da saúde das abelhas, com vistas a propor medidas de prevenção e mitigação de risco. Assume-se que a saúde das abelhas é o ponto chave no processo, por esse motivo, são feitos investimentos em segurança ambiental e pesquisa sobre efeitos crônicos e subletais de defensivos, com vistas a obter produtos inovadores, mais seguros para as abelhas. O conceito de BeeCare Center surgiu em Monheim, na Alemanha, foi expandido para a América do Norte e poderá vir a ser aplicado também no Brasil. Para sua efetiva aplicação em campo, é necessário adotar um sistema de gestão ambiental e práticas agrícolas sustentáveis, como o trabalho de stewardship de custódia. Diversos agentes que possam afetar a saúde das colmeias são discutidos no conceito de BeeCare Center, como o ácaro Varrhoa, que é um problema sério na Europa. A discussão envolve parceiros como apicultores, agricultores e universidades. A pesquisa sobre outros fatores potenciais de mortalidade também é estimulada, juntamente com o desenvolvimento de produtos inovadores e soluções para controle do ácaro Varrhoa e avaliação de medidas de promoção de aumento de biodiversidade na paisagem agrícola. Neste ponto, o Brasil tem uma vantagem sobre outros países, pela sua elevada biodiversidade. São realizados também: Levantamentos globais para avaliar a atratividade e relevância de culturas agrícolas para as abelhas, pois nem todas se comportam Roberto Ramirez: O conceito de Bee Care Center assume que a saúde das abelhas é o ponto chave do processo e, por esse motivo, são feitos investimentos em segurança ambiental e pesquisa sobre efeitos crônicos e subletais. da mesma maneira; Estudos em campo de longo prazo sobre efeitos subletais de pesticidas; Atividades para apoio à criação de hábitats para forrageamento por abelhas em áreas urbanas; Publicações; Campanhas de comunicação. As medidas de stewardship devem ser promovidas, para garantir que os nossos produtos 31

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