BOLETIM CITRÍCOLA Maio n o 6/1998 UNESP/FUNEP/EECB LIMA ÁCIDA TAHITI. Eduardo Sanches Stuchi e Fábio Luiz Lima Cyrillo

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2 BOLETIM CITRÍCOLA Maio n o 6/1998 UNESP/FUNEP/EECB LIMA ÁCIDA TAHITI Eduardo Sanches Stuchi e Fábio Luiz Lima Cyrillo

3 Funep Via de Acesso Prof. Paulo Donato Castellane, s/nº Jaboticabal - SP Tel: (16) Fax: (16) Home Page: Ficha catalográfica preparada pela Seção de Aquisição e Tratamento de Informação do Serviço de Biblioteca e Documentação da FCAV. S929l Stuchi, Eduardo Sanches Lima ácida Tahiti / Eduardo Sanches Stuchi e Fábio Luiz Lima Cyrillo. -- Jaboticabal : Funep, p. : il. ; 21 cm 1. Lima ácida Tahiti. I. Título. CDU:

4 ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO VARIEDADES PORTA-ENXERTOS IMPLANTAÇÃO DO POMAR Preparo do terreno Sistema de plantio Espaçamento Preparo das covas Plantio TRATOS CULTURAIS ADUBAÇÃO Adubação de Plantio Adubação de formação Adubação de produção Adubação foliar com micronutrientes Adubação orgânica DOENÇAS Gomose de Phytophthora dos citros Cuidados no replantio Controle químico Podridão floral de Colletotrichum ou estrelinha Outras doenças (CVC, Declínio, Cancro)... 21

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6 LIMA ÁCIDA TAHITI Eduardo Sanches Stuchi 1 Fabio Luiz Lima Cyrillo INTRODUÇÃO O Tahiti conhecido como limão, pertence a um grupo de citros chamado de limas ácidas. Seu nome científico é Citrus latifolia Tan., não tendo, portanto, nenhum parentesco com limão Siciliano e outros limões verdadeiros. É conhecido como limão Persa no México, lima Bears na Califórnia, lima Tahiti na Flórida (05) e como lima ácida de fruto grueso na Espanha (16). Difere do limão Galego (Citrus aurantifolia) pelo seu maior tamanho e pela ausência de sementes. Estima-se a área plantada no Brasil com Tahiti ao redor de ha (15), havendo estimativas que a área colhida esteja próxima aos ha (25). O Estado de São Paulo é o principal produtor, sendo responsável por 70 a 73% da safra brasileira (15; 25). Contaria em 1997 com 2,17 milhões de pés novos e 6,45 milhões de pés em produção, que produziriam, segundo estimativa do Instituto de Economia Agrícola e da Cati, 18,17 milhões de caixas de 40,8 kg (19). No ano agrícola 1996/97, a produção de limão e lima ácidas atingiu 29,74 milhões de caixas de 25,0 kg, ou 19,8 milhões de caixas de 40,8 kg. O valor desta produção foi estimado ao redor de 113 milhões de reais. Isto corresponde a 1,27% do valor de toda a atividade agropecuária do Estado de São Paulo (08), superando assim a cultura da banana (1,18%) e a uva fina para mesa (0,38%), estando muito próximo a atividade tangerina (1,29%), que engloba Poncã, Murcote, Cravo e Mexerica. 1 Engenheiros Agrônomos - EECB, doutorando e mestrando FCAV-UNESP, respectivamente. 1

7 2. VARIEDADES Na verdade, não existem variedades de lima ácida Tahiti, mas sim clones. Os clones mais difundidos são o IAC-5 ou Peruano e o Quebra-galho. Na região Nordeste, os clones mais difundidos são o CNPMF-1 e o CNPMF-2 (24). Um clone obtido por microenxertia e premunizado contra tristeza na EMBRAPA-Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas - BA, está sendo testado na Estação Experiemental de Citricultura de Bebedouro desde de 1989 (plantio). Nas cinco últimas safras (5º ao 9º ano), as plantas deste clone, enxertado sobre tangerina Cleópatra, produziram cerca de quatro caixas de colheita (27,2 kg) por planta. O percentual de falhas no nono ano foi de 20%. O Peruano apresenta maior produtividade, melhor tolerância ao vírus da tristeza, ausência de fissuras na casca do tronco e ramos, e menor incidência de hipertrofia do cálice das flores (14). O Quebra-galho é o mesmo Peruano, só que contaminado com o complexo de viróides da exocorte, daí seu menor porte e a grande variação entre árvores de um mesmo talhão. É comum se encontrar quem diga que existe um Quebra-galho verdadeiro, muito pouco vigoroso, e um misto, com vigor intermediário. Estas diferenças ocorrem em função do tipo de viróide que esteja contaminando o material, o que antigamente se atribuía a raças. Também podem ser atribuídas à segregação de viróides durante o processo de propagação ou inoculação (32). Existe uma controvérsia quanto as vantagens de um ou outro clone. Alegam os que preferem o Quebra-galho que este material apresenta maior produção na entressafra (fora de época) (22), entretanto, estudos realizados pelo IAC (13) mostraram que não há diferenças na produção de frutos, em outubro, entre o Quebra-galho e o Peruano. Em função disto, e da maior longevidade das plantas, deve-se usar o Peruano, em grande escala, e, em pequena 2

8 escala, o clone microenxertado do CNPMF. Para se contornar o problema do tamanho das plantas, deve-se lançar mão de porta-enxertos. 3. PORTA-ENXERTOS O limão Cravo é o porta-enxerto utilizado na quase totalidade dos pomares do Estado de São Paulo, muito mais pela tradição do uso deste cavalo e pela falta de estudos de porta-enxertos alternativos para material sadio de Tahiti do que por razões técnicas (12). Apesar de induzir boas produções logo nos primeiros anos e mantê-las durante a vida útil da planta, a combinação de Tahiti sobre limão Cravo tem vida útil curta por ser muito atacada pela gomose de Phytophthora (12), o que foi comprovado num experimento de porta-enxertos conduzido na EECB, onde aos nove anos do plantio, 100% das plantas sobre limão Cravo estavam mortas, principalmente devido à gomose. Outros cavalos indutores de boa produtividade apresentaram no máximo 40% de plantas mortas. Entre estes porta-enxertos pode-se destacar, em ordem decrescente, o citrange Morton, o tangelo Orlando, o citrumelo Swingle ou 4475, o Trifoliata, e o limão Volcameriano. (Tabela 1) (FIGUEIREDO et al., dados não publicados). Neste estudo, as tangerinas confirmaram seu mau desempenho como porta-enxertos para Tahiti, conforme já relatado (12). A tangerina Cleópatra, que é um porta-enxerto recomendado para Tahiti (29), induziu uma produtividade muito inferior à dos melhores cavalos (mais de meia caixa), entretanto, quando a copa é o clone microenxertado do CNPMF, a sua produtividade é boa e o tamanho das plantas, aos 9 anos de idade, é maior (altura média de 4,5 m e diâmetro da copa de 6,1 m) com apenas 20% de plantas mortas. Possivelmente, estas diferenças existam devido aos clones, que são de origens distintas. 3

9 Tabela 1. Produção média de frutos (92 a 97), tamanho médio das plantas e percentagem de plantas mortas (aos nove anos-1998) de limão Tahiti IAC-5 sobre onze diferentes porta-enxertos em Bebedouro. * medida de plantas remanescentes em 1997 ** calculado conforme descrição no item implantação do pomar *** calculado a partir do espaçamento provável. 4

10 A tolerância à seca de uma série de combinações de Tahiti IAC-5 com diferentes porta-enxertos foi relatada (12), conforme pode ser visto na Tabela 2. Tabela 2. Resistência à seca de 11 porta-enxertos, por ordem de classificação do mais para o menos resistente, quando enxertados com limão Tahiti. Avaliações realizadas em período de seca nos anos de 1994 e 1995, em Bebedouro. Porta-enxertos Média limão Volcameriano limoeiro Cravo tangerina Sunki tangerina Cleópatra citrumelo Swingle laranja Caipira DAC Trifoliata EEL citrange Morton tangerina Batangas tangerina Oneco tangelo Orlando O citrumelo Swingle, além da boa produtividade e nula mortalidade de plantas, possui boa tolerância à seca, e induziu menor altura das planta e menor diâmetro da copa, o que facilita a colheita e permitiria a instalação de pomares ligeiramente mais adensados que os porta-enxertos citrange Morton e tangelo Orlando e com a mesma densidade do limão Cravo. O Trifoliata, entre os porta-enxertos que se destacaram, é o que permitiria maior aumento da densidade de plantio, além de ser o que induziu menor altura de plantas. 5

11 Para se obter maior redução do porte das plantas de Tahiti, uma das alternativas é o uso de porta-enxertos ananicantes, como o Poncirus trifoliata cv. Flying Dragon.(FD). Está em uso comercial como porta-enxerto para limões na Argentina (34). Na Martinica, este tipo de citros está sendo testado como cavalo para Tahiti. A primeira safra pode ser colhida aos dois anos do plantio, enquanto o padrão (Macrophylla) só produziu no terceiro ano, quando a produtividade foi de 12 t/ha para a combinação Tahiti / FD, plantada com densidade de 1000 plantas/ha, contra 4,4 da combinação Tahiti /Macrophylla, plantada na densidade usual (20). O FD está sendo testado como porta-enxerto para Tahiti num experimento da EECB, onde o plantio foi feito em novembro de 1994, com quatro espaçamentos: 4 x 1, 4 x 1,5, 4 x 2 e 4 x 2,5. As principais constatações são: produção de alguns frutos no segundo ano de plantio e boa qualidade externa dos frutos. Na Tabela 3, podem ser vistos os valores da produção acumulada de frutos por planta e por hectare no ano de 1998 (até agosto), e o tamanho médio das plantas em abril de A produtividade em toneladas por hectare alcançada é muito boa, mas deve-se ter em mente que são informações preliminares, pouco se sabe sobre a longevidade das plantas e que o FD apresenta extrema sensibilidade à seca, o que torna obrigatório o uso de irrigação para pomares comerciais. Em outros países, foram estudados muitos portaenxertos para o Tahiti. Entre os que apresentaram melhores produções de frutos de boa qualidade, na maioria dos experimentos, foram: Citrus macrophylla, laranja Azeda e limão Volcameriano. Um segundo grupo alternou bons e maus resultados, dependendo das condições. Entre eles estiveram: citrange, citrumelo, pomelo, kalpi (Citrus excelsa), limão Cravo, limão Rugoso, shekwasha (Citrus depressa) e sweet lime (04). 6

12 Tabela 3. Produção de frutos na primeira safra (44 meses de idade) e tamanho médio das plantas de Tahiti sobre Trifoliata Flying Dragon em abril de EECB, agosto IMPLANTAÇÃO DO POMAR O plantio de mudas de boa qualidade, tanto genética como sanitária, garante o sucesso de um pomar no que se refere à sua produtividade, menor incidência de doenças, longevidade e manutenção de stand economicamente viável, complementado por técnicos, comentados a seguir Preparo do terreno Um bom plantio começa com um bom preparo de solo, incluindo a correção da acidez através da calagem. A calagem profunda propiciará melhor desenvolvimento das plantas que terão um maior volume de solo em condições de ser explorado. Como conseqüência, o pomar resistirá mais aos períodos de estiagem e será mais produtivo. A dose de calcário deverá ser calculada para elevar a saturação de bases a 70%, de acordo com a análise do solo (33). 7

13 4.2. Sistema de plantio Existem dois sistemas de plantio recomendados: o plantio em linhas retas e o plantio em nível, que devem ser adotados em função das características de cada área (declividade e uniformidade) Espaçamento A escolha do espaçamento é influenciada pelo tipo de solo (fertilidade e textura), pelo porta-enxerto, pelo clima e pelos tratos que se pretende dar ao pomar. Existe uma maneira prática para se definir o espaçamento: medir o diâmetro de plantas adultas presentes na mesma região, isto é, medir a largura da projeção da copa, e calcular a média. A esta largura média devem ser somados 2,5 m; o resultado será o espaçamento entre as linhas de plantio. O espaçamento entre as plantas na linha será igual ao diâmetro. Por exemplo, na Tabela 3, o diâmetro médio das plantas de Tahiti enxertado sobre citrumelo Swingle é de 6,2 m, então, para se definir o espaçamento soma-se 2,5 a 6,2 e o resultado é o espaçamento entre as linhas, 8,7 m; como o espaçamento entre as plantas na linha deve ser igual ao diâmetro, o espaçamento será de 8,7 x 6,2 m. Com isto, se consegue plantar uma maior quantidade de plantas por hectare e minimiza-se o risco de ocorrer fechamento do pomar na fase adulta, dificultando o trânsito de máquinas e a colheita Preparo das covas O preparo das covas deve ser feito bem antes do plantio. Por preparo da cova se entende as operações de 8

14 abertura e adubação. Uma boa cova deve ter as dimensões de 40 cm de boca por 40 cm de profundidade. O sulco de plantio também deve ter 40 cm de profundidade. As aplicações de calcário e adubos, quando recomendadas, são as etapas seguintes do preparo da cova. Os adubos e corretivos devem ser bem misturados com a terra da cova. As covas devem ser tampadas e marcadas com estacas para localização Plantio É uma operação muito importante, que precisa ser feita com o máximo de cuidado. Dele depende o bom pegamento e desenvolvimento das mudas. Pode ser feito em qualquer época do ano, desde que existam mudas e condições de regar, no tempo certo, todas as mudas. A melhor época para fazê-lo é a do início das chuvas, pois se consegue reduzir o número de regas. Não é recomendável que as mudas fiquem armazenadas por muito tempo. Devem ficar depositadas em lugar de fácil irrigação que não acumule água e deve-se evitar a rega em excesso. Deve ser levada para o campo a quantidade necessária para um dia de trabalho. O transporte e manuseio deve ser cuidadoso para evitar a quebra do torrão ou danos às radicelas. As covas devem ser reabertas de acordo com o tamanho do torrão, sendo a profundidade ajustada pelo tamanho do torrão. O torrão deve ficar ligeiramente exposto, isto é, a sua superfície deve ficar aproximadamente 5 cm acima do nível natural do terreno. É o que se convencionou chamar de plantio alto. Retira-se a embalagem, acerta-se a muda na profundidade recomendada, firma-se ao solo chegando terra ao torrão e apertando suavemente. Em seguida, pisoteia-se 9

15 sucessiva e cuidadosamente em volta do torrão. O torrão não deve ser pisoteado. O passo seguinte é puxar terra com enxada até se conseguir uma crista redonda (coroa ou bacia), distante 30 a 50 cm do tronco da muda. Uma primeira rega deve ser feita logo após a construção da bacia, usando-se entre 10 a 50 L por muda. A finalidade desta rega é eliminar eventuais bolsões de ar que dificultam o desenvolvimento das raízes, facilitar a liga entre a terra do torrão e a da cova, além do fornecimento de água. 5. TRATOS CULTURAIS O primeiro trato cultural a ser dispensado a um pomar em formação é a rega periódica das mudas até o início do período chuvoso e, em algumas condições, mesmo durante este. As mudas que eventualmente não peguem devem ser replantadas rapidamente (07). A retirada de brotos (esladroamento ou desbrota) do cavalo e os da copa, que surjam abaixo das pernadas, deve ser feita tão logo estes brotos surjam, assim são fáceis de retirar, não causando ferimentos. Os ferimentos que porventura ocorrerem devem ser tratados com produtos a base de cobre ou tinta plástica. Também, para que o pomar tenha um bom desenvolvimento, é necessário que as plantas não sofram com a competição das ervas daninhas. O controle do mato nas linhas pode ser feito com herbicidas pré-emergentes, geralmente diuron ou oxifluorfen, ou com enxada no primeiro ano. A partir do segundo ano também podem ser usados herbicidas de contato e translocação (geralmente, glifosato ou paraquat + diuron). A entrelinha deve ser roçada quando o mato atingir uma altura de 50 10

16 cm. O uso de leguminosas como cobertura verde também é uma boa opção. O uso constante de grade apresenta uma série de desvantagens: corte de raízes e radicelas, e distribuição do fungo da gomose por todo o pomar, o que causa aumento da incidência de gomose; aumento da erosão do solo; diminuição da matéria orgânica, entre outras (07). O uso de grade deve ficar restrito a uma ou duas vezes por ano, sempre no período de seca, para incorporação de calcário ou quando ocorrerem infestações de ervas de difícil controle como os capins brachiaria e colonião. A poda lateral ou de topo de árvores de Tahiti, não é empregada nas condições do Estado de São Paulo. Na Flórida, quando recebem esta poda, as árvores de Tahiti, retornam rapidamente à produção (03), talvez por isto e pela necessidade de reduzir o porte das plantas, a poda não muito severa seja uma prática comum atualmente. As árvores podadas geralmente emitem novos brotos que não são produtivos, entretanto, os ramos não podados mantém a produção (31). 6. ADUBAÇÃO Dos dezessete elementos considerados essenciais na cultura do limão, apenas oito devem ser motivos de preocupação do produtor: nitrogênio, fósforo e potássio, que são fornecidos por adubações químicas via solo, em doses parceladas na época das chuvas; cálcio e magnésio, que são fornecido a planta através das calagens realizadas no pomar; e, finalmente, os micronutrientes boro, zinco e manganês, fornecidos através de adubações foliares realizadas no decorrer do ano. O programa de adubação de um pomar de Tahiti deve estar alicerçado por análise de solo e foliar feitas 11

17 periodicamente. A interpretação dos resultados analíticos deve ser efetuada utilizando-se as Tabelas 4, 5 e 6, que refletem as classes de teores de macro e micronutrientes, em análises de solo e folha para citros. Tabela 4. Padrões de fertilidade para interpretação de resultados de análise de solo para citros 1. Fonte: Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros (1994). 1 Manter, no mínimo, 10% de CTC com Mg ++ e 40% com Ca ++ Tabela 5. Interpretação preliminar de resultados de análise química de solo para enxofre e micronutrientes. Fonte: Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros (1994). 12

18 Tabela 6. Faixas para Interpretação de teores de macro e de micronutrientes nas folhas de citros, geradas na primavera, com 6 meses de idade de ramos com frutos. Nutrientes Baixo Adequado Excessivo g/ kg Nitrogênio < > 30 Fósforo < 1,2 1,2 1,6 > 2,0 Potássio < > 20 Cálcio < > 50 Magnésio < 2,5 2,5 40 > 5,0 Enxofre < 2,0 2,0 3,0 > 5,0 mg/ kg Boro < > 150 Cobre < 4,1 4,1 10,0 > 15,0 Ferro < > 200 Manganês < > 100 Zinco < > 100 Molibdênio < 0,10 0,10 1,00 > 2,00 Fonte: Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros (1994) Adubação de Plantio A adubação de plantio é feita em sulcos profundos. A recomendação oficial do GPACC (1994) sugere doses fixas de calcário dolomítico, boro e zinco, conforme recomendado na Tabela 7, enquanto que as doses de P 2 O 5 são baseadas na análise química do fósforo no solo. O zinco e o boro podem ser fornecidos na forma de óxidos silicatados ( fritas ) ou na forma de sais (sulfato de zinco ou borax). 13

19 Tabela 7. Recomendação de calcário e adubo para o sulco de plantio. RECOMENDAÇÃO g/m sulco Calcário Dolomítico 250 Zinco 2 Boro 1 P resina (mg/ dm 3 ) P 2 O (1) > Fonte: Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros (1994). (1) Utilizar, de preferência, o superfosfato simples Adubação de formação A adubação do pomar deve ser feita de acordo com a idade da planta e em função da análise de solo, iniciando-se logo após o pegamento das mudas e estendendo-se até o quinto ano de idade. Neste período, cujas exigências são proporcionalmente maiores que no período produtivo, as doses dos nutrientes foram estabelecidas para suprir as necessidades de crescimento e formação das plantas (Tabela 8). Tabela 8. Recomendação de adubação para citros em formação por idade e em função da análise de solo. Fonte: Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros (1994). 14

20 6.3. Adubação de produção As recomendações de adubação de produção para citros são baseadas na expectativa de produção (t/ ha), no máximo lucro, nos teores foliares de N e K, nos teores de P e K da análise de solos (07), como mostrado na Tabela 9. Tabela 9. Recomendação de adubação para lima ácida Tahiti em produção, em função da análise de solo e das folhas. Fonte: Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros (1994) (1) Quando o teor de N nas folhas for superior a 30 g/kg, reduzir sua dose em 1/3 da recomendada. (2) Quando o teor de K nas folhas for superior a 19 g/kg, reduzir a adubação potássica suprimindo o K do último parcelamento Adubação foliar com micronutrientes As fontes mais tradicionais para a aplicação foliar com micronutrientes são na forma de sais, conforme recomendado na Tabela 10. Observa-se que no caso do uso de sais devem ser adicionados a uréia e o cloreto de potássio, que auxiliam numa absorção mais rápida e eficaz dos micronutrientes. A época mais adequada para adubação foliar é o período de vegetação das plantas. Nos pomares em formação recomenda-se 3 a 4 aplicações. Naqueles em produção, três 15

21 aplicações normalmente no período de setembro março, sendo a primeira na época do florescimento, logo após a queda das pétalas, aproveitando o tratamento fitossanitário; a segunda durante o fluxo de vegetação, e a terceira cerca de 45 a 60 dias após, lembrando-se que deve ser incluído o boro apenas na primeira pulverização foliar, quando do uso do mesmo no solo. Podem ser utilizados como fontes de micronutrientes, produtos quelatizados, principalmente para zinco e manganês, os quais, desde que oriundos de um bom quelato, tem vantagens na economia da dose, bem como diminuem riscos de incompatibilidade no interior do tanque de pulverização (33). Tabela 10. Composição da solução de micronutrientes para aplicação via foliar em citros. FONTES Concentração Quantidade por 100 litros de água % Gramas Sulfato de Zinco 0, Sulfato de Manganês 0, Ácido Bórico 0, Uréia 0, Cloreto de Potássio 0, Fonte: Grupo Paulista de Adubação e Calagem para Citros (1994) Adubação orgânica A adubação orgânica traz inúmeros benefícios em propriedades químicas, físicas e biológicas do solo. Além de fornecer nutrientes, principalmente nitrogênio, proporciona a quelatização de micronutrientes evitando que os mesmos sejam precipitados e consequentemente tornando-se 16

22 insolúveis. Esta prática também melhora as propriedades físicas do solo, melhorando retenção de umidade e a aeração. Tabela 10. Composição da solução de micronutrientes para aplicação via foliar em citros. Fase de desen- Esterco Esterco Torta volvimento da de cural de galinha de mamona cultura Kg/planta COVA ,5 FORMULAÇÃO PRODUÇÃO Fonte: Vitti e Cabrita (1998). 7. DOENÇAS 7.1. Gomose de Phytophthora dos citros A gomose é uma doença presente em todas as regiões produtoras de citros do mundo. Várias espécies de fungos do gênero podem causá-la. No Brasil, Phytophthora parasitica e Phytophthora citrophthora são as espécies mais encontradas nas regiões produtoras. No Estado de São Paulo, Phytophthora parasitica é a principal espécie responsável pela doença em viveiros e pomares comerciais. Sua ocorrência é muito elevada em plantios novos devido, principalmente, à utilização de mudas contaminadas na implantação de pomares (11). Portanto, a primeira e fundamental medida de controle deve ser o uso de mudas sadias (67). 17

23 Manejo ou controle integrado da gomose O manejo ou controle da gomose deve ser feito de maneira integrada, o que quer dizer que devem ser adotadas uma série de medidas de controle que, empregadas ao mesmo tempo ou em seqüência, conseguem manter a doença num nível tolerável. Estas medidas, ligeiramente modificadas (11), são: 1) evitar solos rasos, pesados e com problemas sérios de drenagem; 2) no caso de renovação de pomares velhos e/ou muito afetados por gomose, proceder uma boa limpeza da área, com enleiramento e queima dos resto do pomar anterior, e plantar culturas anuais por pelo menos dois anos; 3) adotar as práticas de conservação do solo; 4) preparar bem o solo, com a incorporação a pelo menos 20 cm dos corretivos (calcário) e adubos (químicos e orgânicos); 5) fazer adubação orgânica com estercos bem curtidos; nos pomares adultos não incorporar a matéria orgânica com equipamentos pesados, e sim distribuí-la pela superfície; 6) uso de porta-enxertos resistentes ou tolerantes, como o citrumelo Swingle e o Trifoliata; 7) uso de mudas de boa qualidade e sadias, com altura de enxertia entre 20 e 30 cm; 8) plantar alto, isto é, o cavalo não deve ficar enterrado, uma vez que o Tahiti é mais sensível à gomose devendo, portanto, ficar o mais longe possível do solo; 9) evitar ferimentos causados por pragas (larvas de Naupactus e de Pantomorus, cupins e cochonilhas de raiz e do tronco), implementos agrícolas (grades e enxadas, principalmente) e agroquímicos (fertilizantes nitrogenados, principalmente) que serviriam como porta de entrada ; 18

24 10) fazer, durante os meses frios e secos do ano, os seguintes tratamentos: a) descalçamento de plantas muito enterradas ou com acúmulo de terra e detritos junto ao tronco; b) poda de ramos doentes (30 cm abaixo das lesões), secos, improdutivos ou mal posicionados; c) pincelamento dos cortes com tinta plástica (esmalte sintético ou tinta a óleo) ou com calda preparada com produto à base de cobre; d) pulverização do tronco e das raízes principais descalçadas, e da superfície do solo com produtos cúpricos em concentração elevada. 11) aplicação de fungicidas sistêmicos Cuidados no replantio É comum, em pomares recém-formados e nos pomares novos, o aparecimento de plantas com sintomas da doença. Normalmente, nestas situações os danos causados são muito grandes (mais da metade do tronco afetado e poucas radicelas) e mesmo tratadas com fungicidas sistêmicos, as plantas jovens nunca atingirão todo seu potencial. Estas plantas devem ser substituídas. Nos pomares adultos só devem ser tratadas as plantas nas quais os sintomas só se manifestaram numa parte da copa e as plantas muito afetadas devem ser arrancadas e queimadas. Como o fungo consegue sobreviver no solo por longos períodos, o solo deverá ser tratado antes do replantio. O tratamento mais barato consiste na retirada e distribuição do solo da cova na superfície, ao redor da cova, para que fique exposto ao sol por pelo menos 3 meses. Após isto, as novas covas devem ser preparadas com a utilização de esterco bem curtido. O uso de esterco bem curtido favorecerá a vida de outros microrganismos que dificultam o desenvolvimento da gomose. O replantio deve ser feito 2 meses após o preparo das covas, sempre utilizando mudas livres de doenças, enxertadas sobre cavalos tolerantes. 19

25 As mudas recém-plantadas devem ser protegidas com fungicidas sistêmicos aplicados a cada 60 dias, até o seu pegamento completo Controle químico As lesões em troncos e ramos podem ser controladas eficazmente com pulverizações foliares e pincelamentos de tronco com fosetyl-al, sendo dispensável a eliminação de tecidos lesionados (tratamento cirúrgico). No controle de podridões de raízes e radicelas, tanto o metalaxyl como o fosetyl-al são eficientes. O metalaxyl é recomendado para aplicação via solo, enquanto o fosetyl-al para aplicação foliar. Estes dois produtos, em pomares adultos, só devem ser usados no período chuvoso, quando as condições são mais favoráveis ao fungo. Mas, em pomares irrigados, as aplicações devem ser aumentadas, acompanhando os surtos de vegetação das plantas (11) Podridão floral de Colletotrichum ou estrelinha O Tahiti é uma das variedades cítricas mais sujeitas à queda prematura dos frutos jovens, causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides. Alta umidade e temperaturas amenas na época da florada são as condições ideais para o estabelecimento da doença, notando-se no início um necrosamento dos botões florais e, posteriormente, as pétalas apresentam manchas róseas sobre sua superfície. Após a queda ou secamento das pétalas verifica-se o amarelecimento dos frutinhos com posterior queda. O cálice da flor fica retido por, aproximadamente, um ano na planta, dando o aspecto de estrelinhas, o que originou o nome popular da doença. O tratamento é bastante oneroso, sendo recomendada a aplicação de benomyl (100 g/ 100 L) em três aplicações com intervalos de 15 em 15 dias. 20

26 7.3. Outras doenças (CVC, Declínio, Cancro) A bactéria causadora da CVC, Xylella fastidiosa, não foi detectada em plantas de Tahiti cultivadas no campo em área muito afetada pela doença (LARANJEIRA et al., 1998). O Tahiti quando enxertado em limão Cravo, é suscetível ao declínio, o que também ocorre quando o cavalo é o Trifoliata e o Volcameriano. O limão Tahiti e considerado altamente resistente ao Cancro Cítrico. 8. PRAGAS 8.1. Ortézia (Orthezia praelonga) A Ortézia é a principal cochonilha que ataca a cultura do Tahiti. Sua importância tem crescido consideravelmente nos últimos anos, pois seu controle é difícil, tem que ser realizado sistematicamente, resultando em aumento considerável nos custos de produção. A Ortézia é um coccideo provido de placa ou lâmina cerea; tanto as fêmeas adultas como as ninfas podem moverse sobre a planta. Segundo (15), esta cochonilha, além de um excelente sugador, ao alimentar-se injeta toxinas que contribuem para o enfraquecimento da planta. Além disto, durante este processo, a exsudação eliminada pelo inseto desenvolve a fumagina, que impede a realização plena da fotossíntese pelas plantas. A época de maior incidência desta praga é no período mais seco do ano, pois sua disseminação ocorre, principalmente, pelo vento. O controle deve ser efetuado com a aplicação alternada de inseticidas sistêmicos, granulados aplicados no solo e pulverizados via foliar. O 21

27 recomendado seria a intercalação do aldicarb (130 g/ planta), aplicado ao redor da copa, a uma profundidade de 5 a 7 centímetros, em sulcos ou em pontos de ambos os lados da planta, e do acephate, na dosagem de 50 gramas/ 100 litros de água, repetindo-se a pulverização depois de 15 dias Escama farinha (Pinnaspsis aspidistrae) São cochonilhas cujas carapaças (escamas) aparentam pequenos pontos, assemelhando-se à farinha de trigo. Desenvolvem-se,principalmente, no tronco e nos ramos das plantas. A sucção intensa da seiva causada pelo inseto, além do enfraquecimento da planta, causa rachadura na casca e ramos do tronco, facilitando a entrada de fungos, como Phytophthora, causador da gomose. Seu controle deve ser feito com pulverização com jato dirigido sobre a cochonilha com produtos como methidethion (125 ml/ 100 litros), ethion (150 L/ 100 litros) ou dimethoate (190 ml/ 100 litros), adicionados a 0,5% de óleo vegetal ou mineral, apresentam um controle bastante eficiente sobre a praga Ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus) É o principal ácaro que ataca a cultura do Tahiti, sendo que seu potencial de dano aumentou muito na última década. Seu ataque na planta cítrica se concentra, principalmente, em folhas novas, ponteiros de brotações e frutos novos, cujos sintomas nos frutos é a perda de cor e posterior manifestação opaca como um prateamento na superfície do fruto, depreciando-o para o mercado interno. A infestação com 8 a 32 ácaros por fruto começam a mostrar os danos 4 a 6 dias depois da presença do ácaro e apresentam danos severos (30 65%) na epiderme dos frutos 22

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