O CONSELHO DE ORNITOLOGIA RECOMENDAÇÕES PARA O USO DE AVES SILVESTRES EM PESQUISA

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1 O CONSELHO DE ORNITOLOGIA Fornecendo informação científica sobre aves Publicação Especial 1997 Segunda Edição 1999 RECOMENDAÇÕES PARA O USO DE AVES SILVESTRES EM PESQUISA Editado por Abbot S. Gaunt e Lewis W. Oring Versão para o português: Carla Suertegaray Fontana Museu de Ciências e Tecnologia, PUCRS. Av. Ipiranga, Porto Alegre, RS. i

2 RECOMENDAÇÕES PARA O USO DE AVES SILVESTRES EM PESQUISA Editado por Abbot S. Gaunt e Lewis W. Oring RECOMENDAÇÕES PARA O USO DE AVES SILVESTRES EM PESQUISA Abbot S. Gaunt 1, Lewis W. Oring 2, Kenneth P. Able 3, Daniel W. Anderson 4, Luis F. Baptista, Jon C. Barlow 6, e John C. Wingfield 7 1 Department of Zoology, The Ohio State University, 1735 Neil Avenue, Columbus, OH Department of Environmental and Resource Sciences, University of Nevada, Reno, NV Department of Biology, State University of New York, Albany, NY Department of Wildlife, Fish and Conservation Biology, University of California, Davis, CA Falecido 6 Department of Ornithology, Royal Ontario Museum, 100 Queen's Park, Toronto, ON M5S 2C6, Canada 7 Department of Zoology, Box , University of Washington, Seattle, WA Copyright 1997 THE ORNITHOLOGICAL COUNCIL 1725 K Street, Suite 212 Washington, D.C ii

3 SUMÁRIO CONSELHO DE ORNITOLOGIA... vi Tabela I. Abreviaturas usadas no texto... vii PREFÁCIO... viii I. INTRODUÇÃO...8 A. Panorama geral...8 B. Relacionamento entre organizações interessadas...9 C. Considerações gerais...10 D. Comitê institucional para o cuidado e uso de animais...12 II. LICENÇAS...14 A. Panorama geral...14 Tabela II-1. Vários tipos de licenças e suas agências...16 fornecedoras...16 B. Licenças para coleta...17 C. Licenças de anilhamento e resgate...18 D. Licenças para espécies ameaçadas...19 E. Licenças de exportação/importação...19 F. Licença de refúgios...20 G. Outras licenças e acordos...20 H. Protocolos do IACUC...20 I. Registros...20 III. IMPACTO DO PESQUISADOR...20 A. Panorama geral...20 B. Considerações...21 C. Alterações causadas pelo pesquisador...21 D. Sugestões para pesquisadores de campo...22 E. Publicação...22 F. Conclusão...23 IV. COLETAS E CAPTURAS...23 A. Por que ornitólogos coletam espécimes...23 B. O que é uma amostra suficiente?...23 C. Métodos para coletar espécimes...24 D. Considerações sobre habitat e populações...25 V. PROCEDIMENTOS PARA MARCAÇÃO...25 iii

4 A. Panorama geral...25 B. Anilhas metálicas...26 C. Anilhas coloridas plásticas e de celulóide...26 D. Tintura e marcadores ultravioleta...27 E. Colares para pescoço...28 F. Discos nasais e "selas"...28 G. Marcadores para patágio (asa) e identificadores de perna...28 H. Radio transmissores...28 I. Marcadores eletrônicos...29 J. Responsabilidade do anilhador...30 VI. TRANSPORTE DE ANIMAIS SILVESTRES...31 A. Panorama geral...31 B. Transporte aéreo...32 C. Transporte por terra...32 D. Cativeiro por curto período...32 VII. MANUTENÇÃO E REPRODUÇÃO EM CATIVEIRO...33 A. Panorama geral...33 B. Quarentena e Isolamento de Animais...33 C. Prevenção, diagnose, tratamento e controle de doenças animais...33 D. Separação por espécie e origem...34 E. Cuidado diário...34 F. Gaiolas, recintos e manutenção em geral...35 G. Considerações especiais para aves aquáticas...38 H. Aves de rapina...39 I. Identificação e Registros...40 J. Destino das aves após experimentos...40 K. Variações nos procedimentos padrões...40 L. Zoonoses...41 VIII. PROCEDIMENTOS DE MANIPULAÇÃO MENORES...41 A. Panorama geral...41 B. Coleta de amostras de sangue...42 C. Coleção de outros tecidos...43 D. Coleta de amostras de alimento e alimentação forçada...43 E. Lavagem cloacal...44 F. Injeções e inserção de implantes...44 G. Determinação da viabilidade do ovo...45 iv

5 H. Reprodução de vocalizações gravadas e o uso de chamas (iscas)...45 I. Ovos artificiais...46 J. Manipulação experimental da plumagem...46 IX. TÉCNICAS DE MANIPULAÇÃO MAIORES...46 A. Panorama geral...46 B. Algumas considerações básicas...47 C. Imobilidade...47 D. Anestesia...48 E. Cirurgia...51 F. Laparotomia e outras técnicas de verificação de sexo (sexagem)...53 G. Eutanásia...54 X. AGRADECIMENTOS E ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE...55 Xl. REFERÊNCIAS...56 APÊNDICE A...66 RECURSOS DA INTERNET...69 APÊNDICE B...70 APÊNDICE C...72 APÊNDICE D...73 Anexo I. Portaria Nº 332, de 13 de março de ANEXO II. Instrução Normativa N 109/97, de 12 de setembro de Anexo III. Espécies Brasileiras da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção Anexo IV. Decreto nº , de Anexo V. Portaria 55 de 14 de março de Anexo VI. Medida Provisória No , de 28 de junho de Anexo VII. Portaria Nº 016, de 04 de março de Anexo VIII. Instrução Normativa nº 5, de 18 de maio de v

6 CONSELHO DE ORNITOLOGIA A premissa básica do Conselho de Ornitologia é que a habilidade para fazer uma política saudável e tomar decisões de manejo a respeito das aves e seus hábitats seja dependente da aplicação de dados científicos imparciais e da coleção continuada desses dados. O Conselho trabalha para apoiar essa importante missão. Ele serve como uma interface entre a ornitologia e legisladores, gerenciadores de terras, organizações conservacionistas e indústria privada, fornecendo informação científica e análises especializadas sobre aves a quem necessite dessa informação. O Conselho foi fundado por sete sociedades de ornitologia na América do Norte: União de Ornitólogos Americanos (American Ornithologists' Union [AOU]); Associação para Ornitologia de Campo (Association for Field Ornithology [AFO]); Sociedade de Aves Aquáticas Coloniais (Colonial Waterbird Society [CWS]); Sociedade Cooper de Ornitologia (Cooper Ornithological Society [COS]); Grupo Aves Marinhas do Pacífico (Pacific Seabird Group [PSG]), Fundação para a Pesquisa de Aves de Rapina (Raptor Research Foundation [RRF]) e a Sociedade Wilson de Ornitologia (Wilson Ornithological Society [WOS]). Cada sociedade tem dois representantes no quadro de diretores. Em 1998, a Sociedade para Ornitologia do Caribe (Society for Caribbean Ornithology [SCO]) e a Seção Mexicana do Conselho Internacional para a Preservação das Aves (Seccíon Mexicana del Consejo Internacional para la Preservacíon de las Aves [CIPAMEX]) aderiram ao Conselho de Ornitologia. Em 1999, a Sociedade de Aves Aquáticas Coloniais tornou-se conhecida como a Sociedade de Aves Aquáticas (The Waterbird Society) e a Sociedade de Ornitólogos do Canadá (Society of Canadian Ornithologists/La Société des Ornithologistes du Canada) tornou-se o décimo membro do Conselho Ornitológico. DIRETORIA Diretor Executivo: Ellen Paul, 3713 Chevy Chase Lake Drive, Apartment 3, Chevy Chase, MD, (301, voice, Presidente: David E. Blockstein, Committee for the National Institute for the Environment, 1725 K St. NW, Suite 212, Washington, D.C (202, voice, Para comprar cópias em inglês desta publicação envie um cheque de U$ 8.00 (postagem e taxas de remessa incluídas dentro dos Estados Unidos), ou U$ (endereços fora dos Estados Unidos), nominal ao "Ornithological Council " para: David Blockstein, Chairman, Ornithological Council, 1725 K St., N. W., Suite 212 Washington, DC vi

7 Tabela I. Abreviaturas usadas no texto AAALAC ABA ABS ASAB AOU APHIS AVMA AWA BBL BRD CCAC CFR CITES CWS DVM ESA Guide IACUC IATA MTAB MTBA NBS NIH NSF NWHC OMA OSNA USDA USFWS USGS Associação Americana para Credenciamento de Laboratórios de Cuidados Animais /American Association for Accreditation of Laboratory Animal Care Associação Americana de Observadores de Aves/American Birding Association Sociedade de Comportamento Animal/Animal Behavior Society Associação para o Estudo do Comportamento Animal/Association for the Study of Animal Behaviour União dos Ornitólogos Americanos/American Ornithologists' Union Serviço de Inspeção da Saúde de Animais e Plantas/Animal and Plant Health Inspection Service Associação Americana de Medicina Veterinária/American Veterinary Medical Association Acordo para o Bem-estar Animal/Animal Welfare Act Laboratório de Anilhamento de Aves/Bird-Banding Laboratory Divisão de Recursos Biológicos/Biological Resources Division (of USGS: was NBS) Conselho Canadense de Cuidado Animal/Canadian Council on Animal Care Código Federal de Regulamentos/Code of Federal Regulations Convenção Internacional sobre o Tráfico de Espécies Ameaçadas da Flora e Fauna Silvestres/Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Flora and Fauna Serviço Canadense de Vida Silvestre/Canadian Wildlife Service Doutor de Medicina Veterinária/Doctor of Veterinary Medicine Acordo sobre Espécies Ameaçadas/Endangered Species Act Normas para o Cuidado e Uso de Animais de Laboratórios/Guidelines for the Care and Use of Laboratory Animals Comitê Institucional para o Cuidado e Uso de Animais/Institutional Animal Care and Use Committee Associação Internacional de Transporte Aéreo/International Air Transport Association Memorando para Anilhadores/Memorandum to Banders Acordo para Aves Migratórias/ Migratory Bird Treaty Act Censo Biológico Nacional/National Biological Survey (now BRD) Instituto Nacional de Saúde/National Institute of Health Fundação Nacional de Ciências/National Science Foundation Centro Nacional de Saúde da Vida Silvestre/National Wildlife Health Center Escritório de Gerenciamento/Office of Management Authority (of USFWS) Sociedades Ornitológicas da América do Norte/Ornithological Societies of North America Departamento de Agricultura dos Estados Unidos/United States Department of Agriculture Serviço de Pesca e Vida Silvestre dos Estado Unidos/United States Fish and Wildlife Service Censo Geológico dos Estados Unidos/United States Geological Survey vii

8 PREFÁCIO Em 1988, a União de Ornitólogos Americanos, Sociedade Cooper de Ornitologia e a Sociedade Wilson de Ornitologia, com o incentivo e financiamento da Fundação Nacional de Ciência, publicaram a primeira edição das Recomendações para o Uso de Aves Silvestres em Pesquisa. Essa publicação mostrou-se extremamente útil para muitos ornitólogos e para os órgãos reguladores (e.g., AAALAC). Avanços em técnicas durante a última década tornou apropriada a atualização desta valiosa referência. A edição atual, publicada pelo Conselho de Ornitologia (um consórcio dos editores originais somados à muitas outras sociedades de ornitologia profissionais), expande substancialmente as edições anteriores, atualiza referências e adiciona muitas seções novas. Entre as maiores adições encontram-se a discussão sobre o papel da AAALAC e lacucs, uma descrição das responsabilidades de órgãos reguladores e cientistas, informações sobre licenças para pesquisa e uma seção sobre o cuidado e manutenção de espécies aquáticas. As seções são escritas para serem de entendimento completamente individual, evitando que o documento necessite ser lido na íntegra para a compreensão de qualquer uma das seções. Também foram incluídas muitas referências cruzadas [em colchetes e em itálico]. A maioria dos autores da primeira edição auxiliaram na revisão. Adicionalmente, cada seção foi revisada por uma ampla gama de colegas das comunidades ornitológica e veterinária. Essa informação destina-se a indicar para as lacucs ou outros órgãos reguladores, os procedimentos gerais apropriados para aves. Esses procedimentos podem ser muito diferentes daqueles apropriados para mamíferos. Não se pretende que ela seja uma referência completa sobre técnicas e procedimentos, nem, exceto quando especificado, sirva para definir os limites nos quais procedimentos são permitidos: essas são Recomendações, não leis. Os procedimentos discutidos aqui não tem a intenção de ser exaustivos, sendo que variações nos mesmos podem ser aceitáveis, desde que o pesquisador proporcione uma justificativa adequada do valor científico da modificação requisitada. Ela é uma responsabilidade profissional de todos os pesquisadores e reguladores, para que se mantenham informados sobre os novos avanços no seu campo de pesquisa. O Conselho Ornitológico solicita comentários e recomendações sobre todos os aspectos desta publicação. Esta publicação tem sido revisada e endossada pelas seguintes sociedades de ornitologia: União de Ornitólogos Americanos/American Ornithologists' Union Associação de Ornitólogos de Campo/Association of Field Ornithologists Sociedade de Aves Aquáticas Coloniais/Colonial Waterbird Society Sociedade Cooper de Ornitologia/Cooper Ornithological Society Grupo Aves Marinhas do Pacífico/Pacific Seabird Group Fundação de Pesquisa de Aves de Rapina/Raptor Research Foundation Sociedade Wilson de Ornitologia/Wilson Ornithological Society I. INTRODUÇÃO A. Panorama geral Conforme interesses existentes há longo tempo em conservação, educação, pesquisa e bem-estar das aves, o Conselho de Ornitologia endossa as seguintes Recomendações e princípios para cientistas que fazem pesquisa em aves silvestres. Estas Recomendações são formuladas levando-se em consideração o bem-estar do animal e as necessidades de pesquisa. Recomendações para o cuidado de mamíferos de laboratório (veja I.B) freqüentemente não são apropriadas para vertebrados silvestres, mesmo para viii

9 aqueles mantidos em cativeiro. Por outro lado, a utilização de animais silvestres apresenta aspectos que não são encontrados em situações de laboratório. O primeiro destes é investigações que podem afetar populações. Investigações geralmente envolvem, ou necessitam, risco de ferimentos ou morte do objeto de estudo experimental. Riscos para animais individuais devem ser minimizados, mas não podem ser inteiramente eliminados. Riscos que ameaçam a saúde ou a existência de populações são bem mais sérios. É com estes que a comunidade de ornitologia e conservação deve estar mais preocupada. Exceto sob circunstâncias extraordinárias, experimentos que ameacem a estabilidade ou a existência de populações são proibidos. Uma segunda diferença entre a prática de ornitologia e a pesquisa biomédica é que a segunda raramente envolve amadores e não possui o componente de recreação. Em contraste, ornitólogos amadores freqüentemente se engajam na pesquisa, e o uso recreacional de aves (incluindo avicultura, observação de aves, falconaria e caça) é apreciado por milhões de pessoas. Essas atividades estão além dos objetivos destas Recomendações, mas nós incluímos o Código de Ética da ABA (Apêndice B). O cuidado de vertebrados silvestres na pesquisa de campo é essencial por razões éticas, científicas e legais (Young 1975, ASAB e ABS 1993, Peck e Simmonds 1995). Animais traumatizados não se comportam normalmente e são mais suscetíveis à predação ou ferimento acidental do que co-específicos não traumatizados. Perturbação de animais ou microhabitats podem comprometer observações e estimativas de sobrevivência. A aquisição de novos conhecimentos constitui a principal justificativa para qualquer investigação, porém sabe-se que todos os efeitos de novos procedimentos de pesquisa possivelmente válidos (ou novas aplicações de técnicas estabelecidas) não podem ser previstos. A descrição e distribuição geográfica de uma espécie recém descoberta, por exemplo, freqüentemente justifica estudos de organismos que são pobremente conhecidos. Muitas espécies de aves melhor conhecidas são amplamente usadas para uma variedade de estudos em biologia básica e aplicada. É impossível prever toda a observação potencial ou oportunidades de coleta no início da maioria dos trabalhos de campo, ainda que observação ou aquisição de um táxon não esperado possa ser de valor científico considerável. Estudos de aves em campo geralmente envolvem muitas espécies, algumas das quais podem ser desconhecidas para a ciência antes dos primeiros estágios de um estudo. Uma conseqüência desses pontos é que pesquisadores freqüentemente precisam referir-se a táxons supraespecíficos, assim como à espécies individuais, nos seus projetos de pesquisa. Pesquisadores que estudam vertebrados silvestres geralmente reconhecem a necessidade de colaboração entre biólogos, conservacionistas, veterinários, e outros profissionais preocupados com a sobrevivência e bem-estar da vida silvestre. As seguintes Recomendações assemelham-se àquelas preparadas pelo Conselho Canadense de Cuidado Animal para Vertebrados Selvagens (Canadian Council on Animal Care for Wild Vertebrates) (última revisão em 1991). Para aqueles que observam preceitos de pesquisa de campo cuidadosa, essas Recomendações podem parecer simplesmente uma recomendação formal do óbvio. Estas Recomendações foram preparadas para incluir informações atualizadas sobre técnicas relevantes para aves; avanços em metodologias irão requerer retificações futuras. Devido à considerável diversidade anatômica, comportamental e fisiológica de muitas das espécies tratadas por essas Recomendações e ao fato de que o pesquisador usualmente será uma autoridade no que diz respeito às necessidades e tolerâncias das espécies sob estudo, a responsabilidade final por certas técnicas ou procedimentos devem ser deixadas a cargo do mesmo. B. Relacionamento entre organizações interessadas Além de considerações éticas, o cuidado e o uso apropriado de animais em pesquisa tem tido um modelo mais formal. A maioria das pesquisas sobre aves ficam sob a égide do Acordo para Aves Migratórias (MTBA) fiscalizado pela USFWS, CWS e agências estaduais e provinciais de vida silvestre (veja II.A). Muito do conhecimento legal para práticas atuais envolvendo animais de laboratório nos Estados Unidos baseiam-se no Acordo do Bem-estar Animal de 1970 (P.L ) e nas Emendas de 1976 do 9

10 referido Acordo (P.L ). Curiosamente, a AWA não considera ratos, camundongos, ou aves como "animais", e exclui estudos de campo que "não alterem materialmente o comportamento dos animais em estudo". Entretanto, ambos os Departamentos de Agricultura e do Interior dos Estados Unidos (consequentemente USFWS e BRD), juntamente com NIH e NSF, são signatários dos Princípios para a Utilização de Animais Vertebrados Usados em Testes, Pesquisas e Treinamentos, do Conselho Interagências de Pesquisa Animal (Interagency Research Animal Committee's Principles for the Utilization of Vertebrate Animals Used in Testing, Research and Training). Assim, todos os funcionários públicos bem como aqueles que recebem recursos financeiros dessa ou outra agência governamental, devem adequar-se aos critérios estabelecidos para animais de laboratório. Os critérios são apresentados no Guia para o Cuidado e Uso de Animais de Laboratório (=Guide), do Conselho Nacional de Pesquisa (National Research Council), inicialmente publicado pelo NIH em 1962 e periodicamente revisado; a última revisão é de Esta publicação é uma referência essencial para todos os pesquisadores que lidam com animais vivos. Muitas organizações executam papéis na implementação do Guide, principalmente a Associação Americana para Credenciamento de Laboratórios de Cuidados Animais (American Association for Accreditation of Laboratory Animal Care [AAALAC]), que regula o uso de todos os vertebrados (exceto humanos) usados em pesquisa. A AAALAC é um grupo de supervisores ao qual virtualmente todas as instituições acadêmicas e de pesquisa se filiam. Ela é responsável pelo credenciamento de laboratórios de pesquisa animal. A AWA determina que todas as instituições que fazem pesquisa com animais vivos devem estabelecer um Comitê Institucional de Cuidado e Uso de Animais (IACUC), que é responsável pela supervisão institucional e verificação do cumprimento da regulamentação da AWA, e de qualquer outra regulamentação que possa ser aplicada. As Normas (Guide) referem-se principalmente à animais de laboratório e não são direcionadas especificamente à criação e cuidado de aves silvestres. Pretende-se que partes do Guide que tratem de programas e assuntos sobre instalações sejam aplicadas com o juízo de um profissional, exercido através do IACUC (veja D). O novo Guide, enfatiza padrões de desempenho fundamentados para todas as espécies, isto é, baseados em opiniões de profissionais. No caso de aves silvestres, essas opiniões requerem familiaridade com as necessidades da espécie em questão. Modificações nos procedimentos padrões podem ser aceitáveis se o valor científico da variável for apropriadamente justificada. É de responsabilidade do pesquisador fornecer tal justificativa, juntamente com dados e documentação que possam ser necessários. Muitas fontes e informações a respeito da vida silvestre (e.g., Giron Pendleton et al. 1987, Orlans et al. 1987, Friend et al., 1994; ou o detalhado e ainda aproveitável Manejo de Animais de Laboratório: Aves Silvestres [Laboratory Animal Management: Wild Birds], King et al. 1977) são muito gerais ou direcionadas a mamíferos, ou a certas espécies de aves, ou estão desatualizadas. Assim, estas Recomendações para o Uso de Aves Silvestres em Pesquisa visam fornecer informações específicas e atuais sobre aves para ambos, IACUC e pesquisadores, a fim de facilitar a interação entre os mesmos. C. Considerações gerais Atualmente muitos pedidos e projetos para financiamento de pesquisa exigem que cada pesquisador forneça uma garantia por escrito de que o trabalho de campo com aves cumprirá os seguintes prérequisitos: a. Procedimentos com animais devem evitar ou minimizar o estresse e a dor para os mesmos, em concordância com um plano robusto de pesquisa [ver IX] b. Procedimentos que possam causar mais do que dor leve ou momentânea, ou estresse para os animais devem ser conduzidos com sedação ou analgesia apropriados, exceto quando, por razões científicas, for justificado previamente pelo pesquisador, por escrito [ver IX.C]. c. Não é ético fazer um animal sofrer dor profunda ou crônica que não possa ser aliviada. Se um procedimento necessitar induzir o animal a essa condição, o animal deve ser sacrificado ao final do procedimento [ver IX.E]. 10

11 d. Métodos de eutanásia deverão ser realizados em acordo com as recomendações do Grupo AVMA sobre Eutanásia (AVMA Panel on Euthanasia) (Andrews et al. 1993), ao menos que exceções sejam justificadas por escrito, pelo pesquisador, por razões científicas [ver IX.E]. e. As condições de sobrevivência de animais mantidos em cativeiro em locais de estudo devem ser apropriadas para satisfazer os padrões de higiene, nutrição, composição e número de animais no grupo, requerimento de refúgio e proteção contra estresse por condições ambientais, necessárias para manter uma espécie em bom estado de saúde e bem-estar. A hospedagem, alimentação e cuidados não-veterinários dos animais serão coordenados por uma pessoa (geralmente o pesquisador) treinada e experiente no cuidado adequado, manuseio e utilização das espécies que estão sendo mantidas ou estudadas. Alguns experimentos (e.g., estudos de competição) irão necessitar a acomodação de muitas espécies, possivelmente no mesmo recinto. Recintos mistos são também apropriados para manter ou expor certas espécies [ver VII] Considerações adicionais que devem ser incorporadas em qualquer plano de pesquisa que use aves silvestres incluem o seguinte: f. Táxons escolhidos devem ser apropriados para responder a (s) questão (ões) proposta (s). g. O pesquisador deve ter conhecimento de todos os regulamentos relativos aos animais sob estudo e deve obter todas as licenças necessárias para o desenvolvimento dos estudos propostos. Pesquisadores trabalhando fora dos U.S. devem certificar-se que estão cumprindo todos os regulamentos relativos à fauna Silvestre do país onde a pesquisa está sendo realizada. O transporte de muitas espécies é regulado pelas condições da CITES. Regulamentos referentes a uma única espécie podem variar de acordo com o país. Regulamentos estaduais, federais ou municipais podem também ser aplicados [ver II]. Ao submeter manuscritos ou para a apresentação em encontros científicos, autores devem apresentar evidências de que a pesquisa relatada foi desenvolvida sob os auspícios de todas as permissões apropriadas [ver II.A]. h. Indivíduos de táxons ameaçados ou em perigo nunca devem ser removidos da natureza (mesmo em colaboração com esforços de conservação), nem importados ou exportados, exceto em conformidade com os regulamentos aplicáveis [ver II] i. Antes de iniciar uma pesquisa de campo, pesquisadores devem estar familiarizados com a espécie a ser estudada e sua resposta à perturbação, sensibilidade à captura e cativeiro, e, se necessário, seus requerimentos para manutenção em cativeiro para saber até que ponto esses fatores são conhecidos e podem ser aplicados a um dado estudo. Remoção da natureza de indivíduos que, possivelmente, estejam nidificando ou alimentando filhotes, deve, como regra geral, ser evitada, ao menos que isto seja justificado por razões científicas. j. Todos os esforços para o entendimento do status da população (abundante, ameaçado, raro, etc.) do táxon a ser estudado devem ser realizados anteriormente a qualquer remoção de animais da natureza, e o número de animais removidos deve ser reduzido ao mínimo estipulado pelo observador para alcançar os objetivos do estudo. Esta afirmação não deve ser interpretada como um desencorajamento ao estudo ou coleção de espécies incomuns. Coleções para estudos científicos podem ser fundamentais para o entendimento do porquê uma espécie não é abundante. k. Procedimentos que podem ocasionar efeitos prolongados em populações devem ser conduzidos com muita precaução. Exceto na circunstância mais extraordinária, procedimentos que afetem potencialmente a estabilidade ou existência de uma população são proibidos. Nesses casos, o pesquisador deve demonstrar a concordância de especialistas reconhecidos de que o procedimento é necessário. l. O número de espécimes necessários para uma investigação irá variar muito, dependendo das questões que estão sendo pesquisadas. Como será posteriormente discutido [ver IV.B], certos tipos de investigação requerem coleções de números relativamente grandes de espécimes, apesar da percentagem real de qualquer população capturada ser muito pequena. No caso de mortalidade acidental, é desejável guardar os espécimes para depósito em museus ou coleções didáticas. Estudos devem usar o menor número de animais necessário para responder com confiança as 11

12 questões propostas. O uso de amostras adequadas ao estudo irá evitar repetições desnecessárias do mesmo, prevenindo desperdício ou aumento da perturbação para as aves. m. O aproveitamento de espécimes deve ser maximizado pela preservação de não somente peles mas também carcaças, esqueletos, amostras de DNA e tecidos específicos. n. O pesquisador principal deve assegurar-se que todo o pessoal associado ao projeto tenha sido apropriadamente treinado. Estudantes e técnicos são obrigados a solicitar auxílio quando em dúvida. Qualquer pessoa que desejar usar uma técnica não tradicional obrigatoriamente deve procurar ajuda de um pesquisador experiente e, se possível, estagiar e praticar com ele. Experiência apropriada pode existir fora do meio acadêmico ou das comunidades que trabalham com vida silvestre, por exemplo, avicultores particulares (hobby) e profissionais (zoológicos) possuem informações e habilidades aproveitáveis. D. Comitê institucional para o cuidado e uso de animais Cada instituição educacional e de pesquisa nos Estados Unidos que tenha programas de pesquisa envolvendo animais deve ter um Comitê Institucional (Laboratório) para o Cuidado e Uso de Animais. Para uma discussão detalhada das responsabilidades dos IACUCs, veja Orlans et al. (1987). A função legal dos IACUCs com respeito aos estudos de campo é, até o momento deste manuscrito, em parte um pouco ambígua, pois em alguns contextos legais, aves não são considerados "animais" 1 e porque a jurisdição do IACUC (Laboratório) é, supostamente, direcionada à animais de laboratório. Adicionalmente, "estudos de campo", definidos no Acordo para Bem-estar Animal (Animal Welfare Act) como "qualquer estudo conduzido com animais silvestres em liberdade nos seus hábitats naturais, que não envolva procedimentos invasivos, e que não danifique materialmente ou altere o comportamento dos animais estudados", poderia ser excluído da jurisdição do IACUC. 2 Entretanto, discussões sobre a legalidade da definição de "animal" ou sobre a autoridade do IACUC em relação a estudos de campos são irrelevantes. Em primeiro lugar, o tratamento respeitoso e ético de animais não depende da legalidade; em segundo, quase todas as agências de financiamento requerem um protocolo aprovado da IACUC como parte da solicitação de auxílio financeiro. Nós recomendamos que um protocolo da IACUC seja realizado para qualquer experimento em que ocorra o manejo ou manipulação de aves, especialmente se há o envolvimento de metodologias invasivas. O trabalho de campo, que por sua própria natureza lida com ambientes amplamente não controlados, é fundamentalmente diferente do trabalho de laboratório em muitos aspectos. Assim, o IACUC deve necessariamente considerar as metodologias e técnicas que sejam práticas para implementação no local da pesquisa. Entretanto, existe um consenso de que a aprovação de procedimentos invasivos no campo pelo IACUC não requer inspeção dos locais de "cirurgia"! Condições especiais podem evitar que os pesquisadores sigam sempre estas Recomendações literalmente. Pesquisadores devem, entretanto, fazer um esforço para entender a essência dessas Recomendações e para justificar os desvios, quando eles puderem ser previstos. A omissão de uma pesquisa específica ou técnica de criação (ou suas aplicações à espécies particulares) nestas Recomendações não deve ser interpretada como uma proibição da técnica. Os IACUCs devem estar cientes de que, apesar dos vertebrados tipicamente usados em pesquisas de laboratório representarem uma pequena parcela das espécies cujos requerimentos para criação é bem conhecido, a classe Aves contém pelo menos espécies com características comportamentais, fisiológicas e ecológicas freqüentemente muito pouco conhecidas. Esta diversidade, juntamente com a diversidade de situações encontradas na pesquisa, requer que cada projeto seja julgado independentemente, de acordo com o seu próprio mérito. Técnicas que são utilizadas e adequadas para um táxon, experimentos, ou situação de campo, podem ser menos úteis em tempo, local ou design diferentes. Por isso, na maioria dos casos é impossível gerar recomendações específicas para grupos maiores do que umas poucas espécies intimamente relacionadas. A estipulação prematura de recomendações específicas poderiam inibir substancialmente o cuidado e a pesquisa. Além disso, a avaliação do estresse em situações de campo é um tema complexo. Animais comportam-se de maneira que promovam a sua própria sobrevivência ou sobrevivência de seus genes, freqüentemente de maneiras 12

13 que parecem "cruéis". Mesmo pessoas bem intencionadas irão avaliar a situação de maneira muito diferente (compare Bekoff 1993 com Emlen 1993). Os lacucs devem notar o uso freqüente da palavra "deve," ao longo dessas Recomendações, e terem o cuidado de observar que isto é um reconhecimento deliberado da diversidade de animais e situações abrangidas pelas Recomendações. Pesquisadores devem estar cientes que o uso da palavra "deve" denota a obrigação ética de seguir essas Recomendações quando for realisticamente possível. Antes de aprovar solicitações e projetos ou propor mudanças significativas em atividades em andamento o IACUC deve fazer uma revisão da seções relacionadas com o cuidado e uso de animais e determinar que as atividades propostas estejam de acordo com estas Recomendações, ou que uma mudança em relação às Recomendações é necessária por razões científicas. 1 Em uma notícia no Federal Register, datada de 28 de janeiro de 1998 (64 FR 4356), o APHIS anunciou que uma petição tinha sido preenchida por muitas organizações e indivíduos particulares visando forçá-lo a retificar a definição de "animal" no AWA, a fim de eliminar a exclusão expressa de aves, ratos e camundongos. Até primeiro de março de 1999, nenhuma decisão final tinha sido anunciada pelo APHIS. O Conselho de Ornitologia está acompanhando este problema e irá informar os ornitólogos da decisão, quando esta for feita pelo APHIS, no endereço de Internet da BIRDNET (www.nmnh.si.edu/birdnet- na página referente a "Ornitologia e Sociedade" (Ornithology and Society) ou na página "Tudo sobre Licenças". ( All about Permits ). Ornitólogos também são conclamados a consultar o APHIS. 2 Em 31 de julho de 1998 (63 FR 40844) o Serviço de Inspeção da Saúde de Animais e Plantas (Animal and Plant Health Inspection Service [APHIS]) propôs retificar o regulamento do Acordo para o Bem-estar Animal (Animal Welfare Act) através do esclarecimento da definição do termo trabalho de campo (field study). O propósito declarado para a mudança de definição é tornar claro que se um estudo inclui qualquer uma das três condições - trauma, procedimentos invasivos, ou alteração material do comportamento - o estudo não é considerado um "trabalho de campo" e, desta forma, está sujeito a revisão da IACUC. Não é necessário que um estudo inclua todas as três condições para ser submetido à revisão do IACUC. A definição poderia ser corrigida pelo acréscimo das palavras "potencial para" causar trauma ou alteração no comportamento de um animal sob estudo. Até primeiro de março de 1999, nenhuma decisão final tinha sido anunciada pelo APHIS. O Conselho de Ornitologia está acompanhando este problema e irá informar os ornitólogos da decisão, quando esta for feita pelo APHIS, no endereço de internet da BIRDNET (www.nmnh.si.edu/birdnet- na página referente a "Ornitologia e Sociedade" (Ornithology and Society) ou na página "Tudo sobre Licenças" ( All about Permits ). Ornitólogos também são conclamados a consultar o APHIS. 13

14 Quando estudos sobre vertebrados silvestres forem revisados, o IACUC deve incluir pessoal que possa fornecer um entendimento da natureza e impacto que a investigação de campo proposta possa causar, os alojamentos para espécies a serem estudadas, e o conhecimento a respeito dos riscos associados à manutenção de certas espécies de aves em cativeiro. Cada IACUC deve, desta forma, incluir pelo menos um membro experiente em investigações zoológicas de campo, indicado pela instituição. Esse pessoal pode ser designado para o comitê com base em uma comprovação ad hoc de capacidade. Quando não existirem na instituição membros capazes nesta área, cabe ao IACUC requisitar um consultor qualificado para esse tema. O AWA estipula que tais consultores poderão ser convidados a fornecer informação porém não terão direito a voto. Se a manipulação de parâmetros do ambiente natural (por exemplo, comprimento do dia) não fizerem parte do protocolo de pesquisa, alojamentos em campo para aves silvestres mantidas por um extenso período de tempo devem aproximar-se tanto das condições naturais quanto possível, de forma compatível aos padrões de cuidados apropriados (e.g. Nace 1974). O enjaulamento e a manutenção devem proporcionar segurança, saúde e bem-estar ao animal, ao mesmo tempo em que servem adequadamente aos objetivos do estudo [ver VII]. O papel dos IACUCs na supervisão da utilização de animais em salas de aula varia um pouco de acordo com as instituições (Elliott 1995). Exercícios de campo nos quais animais são observados porém não manipulados não precisam solicitar uma autorização do IACUC. Comportamento ético em relação a esses exercícios tem sido desenvolvidos pela ABA (Apêndice B, especialmente seção 4). A maioria das instituições requer que qualquer exercício envolvendo manipulação de vertebrados vivos esteja de acordo com o IACUC, e se a manipulação é extensiva, um protocolo apropriado pode ser requisitado. Como as regras e normas a respeito do uso de animais estão em constante melhoramento, é responsabilidade do professor atualizar-se. Permanecer atualizado pode ser facilitado através da consulta de s e websites II. LICENÇAS A. Panorama geral Através de leis numerosas e complexas, regulamentos e políticas (por conveniência, aqui chamadas "regras") entre unidades administrativas em vários níveis (nacional, estadual, municipal e eventualmente campus), aves silvestres estão entre os táxons mais rigidamente protegidos. Somente às espécies em perigo ou ameaçadas de extinção são destinadas maior proteção. Apesar de que a principal autoridade estatutária ao nível nacional é o Migratory Bird Treaty Act (MBTA), o termo migratório não deve ser tomado literalmente. Em termos legais, aves "migratórias" são qualquer uma das espécies citadas nos regulamentos (50 CFR 10). Por propósitos práticos, a lista do MBTA inclui todas as espécie nativas com exceção das aves galiformes (veja abaixo). Estatutos como os da MBTA fornecem às agências a autoridade para fazer os regulamentos que prescrevem os requerimentos específicos para a obtenção de licenças e limitações para o trabalho com aves silvestres. Regulamentos aos níveis federal e estadual são ocasionalmente revisados para fornecer uma maior clareza e simplicidade aos solicitantes. O USFWS e algumas agências estaduais estão trabalhando com o Conselho de Ornitologia para assegurar que mudanças em regulamentos ou procedimentos sejam rapidamente disseminados para os pesquisadores de aves silvestres tanto através do Informativo de Ornitologia (Ornithological Newsletter) como também através dos Registro Federal (Federal Register [FR]). O FR, que é publicado semanalmente, é a listagem oficial de todas mudanças propostas e adotadas no Código de Regulamento Federal (Code of Federal Regulations), o qual é publicado anualmente. Quando essas mudanças tornam-se definitivas outra informação aparece no FR, dando a data efetiva da mesma, que é geralmente 30 dias depois da regra tornar-se definitiva. Por este motivo é importante que se determinem quaisquer mudanças que forem feitas nas regras. Como consultas a FR podem consumir muito tempo, e ainda assim é possível que se percam informações pertinentes, pode ser melhor solicitar aos administradores de licenças uma cópia da versão mais recente dos regulamentos que se apliquem a licença que se quer solicitar. Pessoas que trabalham com manejo de vida silvestre e conservacionistas levam a sério o trabalho de preservação dos recursos naturais. Assim sendo, tem sido promulgadas muitas regras delineadas para proteger populações de aves silvestres. Todos os pesquisadores devem estar cientes dos regulamentos que protegem aves silvestres e obter as licenças necessárias para o desenvolvimento de seus trabalhos. 14

15 Fazer isso requer o conhecimento das regras. Como os resultados da pesquisa podem ter uma relação direta com os esforços para conservação, e, desta maneira, com as regras, pesquisadores e oficiais fiscalizadores devem considerar-se como uma equipe. Agências regulamentadoras devem assegurar que a informação a respeito dos requerimentos para obtenção de licenças esteja disponível rapidamente e seja facilmente interpretada por aqueles que não estejam acostumados com a linguagem de regulamentos. Agências de fiscalização devem prover assistência a pesquisadores que a requisitarem de uma forma eficiente e amigável. Como nem todo projeto de pesquisa irá ter aplicação direta para o manejo e conservação, agências fiscalizadoras devem reconhecer o valor e a necessidade de ambos os tipos de pesquisas, básica e aplicada. Agências devem procurar o auxílio de pesquisadores de campo reconhecidos e suas experiências profissionais ao tomar decisões a respeito do fornecimento de recursos para projetos pouco usuais. O pessoal da Agencia deve ajudar a viabilizar pesquisa científica com aves silvestres, a despeito de que a conservação de recursos biológicos deve sempre receber prioridade na emissão de licenças e na condução de pesquisa em campo e laboratório com aves silvestres. Qualquer tipo de posse, captura, manuseio, coleta (total ou parcial), marcação ou perturbação de aves silvestres nativas, seus ninhos ou seus ovos requer algum tipo especial de licença ou permissão. Quase todas as espécies de aves da América do Norte estão protegidas por uma ampla variedade de leis (ver Lundo 1980 para uma revisão da filosofia deste sistema de proteção legal). Trabalhar em terras públicas ou terras gerenciadas por organizações privadas também pode requerer licenças. Alguns exemplos de agências e organizações que necessitam ser consultadas são: U.S. National Park Service (Monumentos e Parques Nacionais), USFWS (Refúgios de Vida Silvestre Nacionais), U.S. Department of Defense (terras e bases militares), U.S. Forest Service (Floresta Nacionais), U.S. Bureau of Land Management (terras públicas), agências e organizações estaduais, e administradores de terras privadas (The Nature Conservancy and National Audubon Society [reservas naturais]), ou mesmo apenas o proprietário da terra. Trabalho em terras públicas pode requerer permissão em vários níveis administrativos (como os escritórios regionais e locais). Com freqüência, a melhor política é começar nos níveis mais baixos de hierarquia. Assumindo que o pesquisador tenha todas as licenças necessárias, o gerente local ou proprietário da terra pode ser a única pessoa com quem o pesquisador necessite manter contato para obter aprovação para utilização de várias áreas de terra para uma área de estudo. Pesquisadores devem permanecer em contato próximo com os oficiais locais e mantê-los informados regularmente do progresso de sua pesquisa. Pesquisas que requeiram coleta, manuseio, causem perturbação, manutenção em cativeiro ou qualquer maneira de manipulação de aves, geralmente requerem aprovação por escrito das organizações listadas na Tabela II-1. Muitos outros detalhes a respeito da proteção da vida silvestre e encaminhamento de licenças são fornecidas por Little (1993), que atualiza Estes e Sessions (1983, 1984) e King e Schrock (1985). O pesquisador de campo deve consultar essas referências para detalhes adicionais. Normas atuais, tanto quanto recomendações, em relação à licenças estão disponíveis em Little (1993) e diretamente através de vários escritórios estaduais e USFWS regionais, ou seus equivalentes em outros países. Pesquisadores que pretendam manusear e coletar aves ou partes delas, ovos ou ninhos, devem contatar as agências apropriadas (Tabela II-1) ao menos seis meses antes do início das atividades de campo propostas. Para pesquisas dentro dos Estados Unidos, pesquisadores devem contatar a agência estadual apropriada, escritório regional do USFWS, agência específica de gerenciamento, se a pesquisa for ser conduzida em terras federais ou estaduais, e o proprietário local, se a pesquisa proposta for realizar-se em terras particulares. Para licenças estrangeiras de pesquisa, sugerimos que os pesquisadores norte-americanos contatem o USFWS, o CWS, ou o Instituto Nacional de Ecologia (INE), no MEXICO, para obter instruções sobre solicitações de licenças nesses países ou outros países que não os seus (ver Apêndice A para endereços). As embaixadas de qualquer país onde licenças para atividades de pesquisa são desejadas, freqüentemente podem sugerir fontes de contato adicionais e advertir sobre regras e procedimentos para solicitação de licenças em seus países. A embaixada do país de origem do pesquisador deve ser contatada também. Por exemplo, para a obtenção de licenças, o INE no México requisita que 15

16 pesquisadores norte-americanos sejam encaminhados através do Escritório de Assuntos Científicos (Scientific Affairs Office) da embaixada dos Estados Unidos na cidade do México. Tabela II-1. Vários tipos de licenças e suas agências fornecedoras Tipo de Licença Licença para uso local e cuidado de animais Licença para áreas restritas (propriedades públicas ou privadas) Licença provincial/estadual para coleta ou anilhamento Licença federal para coleta Licença federal para anilhamento BBL Licença federal para espécies ameaçadas Licença para pesquisa/coleta estrangeira Licença para imigração estrangeira Licença para o uso de equipamentos estrangeiros Licença para exportação (para espécimes) Licença de importação pelos Estado Unidos (para espécimes) Licença para importação/exportação de espécies ameaçadas dos Estados Unidos (CITES) Licença para instalações nos Estados Unidos, materiais restritos Permissões para instalações, museus como depositários Agência Fornecedora IACUC, USDA Agência ou pessoa encarregada Agência Estadual/Provincial Seção de aves migratórias dos escritórios do USFWS ou CWS. (USGS); CWS Escritório regional da USFWS O país via embaixada dos Estados Unidos ou Canadá naquele país. Idem acima; passaporte, visto Idem acima; agência apropriada no país O país USDA; USFWS (OMA) USFWS (OMA) USDA USFWS As regras estaduais e regionais variam extensivamente e pesquisadores devem estar prevenidos sobre essas diferenças. Coletas de algumas espécies de aves (usualmente aquelas consideradas como "pestes") podem ser isentas de regras em alguns estados, porém podem não o ser em outros. Todas as espécies incluídas no MTBA de 1918, conforme emenda de 1972 (código norte-americano 16: , ver Código de Regulamentos Federais [50 CFR 10] para atualizar listas de aves migratórias) requerem tanto a Licença federal como a provincial para colecionamento ou manuseio. Todas as espécies incluídas no ESA (Endangered and Threatened Wildlife and Plants, CFR 50: and 17.12) requerem licenças adicionais ou acordo cooperativo (uma forma de contrato ou acordo de trabalho entre o pesquisador e o USFWS) que direciona as atividades a serem conduzidas. Alguns estados, entretanto, requerem também uma licença especial para anilhamento ou outras formas potenciais de alterações. A posse de um espécime completo e/ou partes dele, é interpretada de forma distinta em diferentes estados e províncias. Assim, é fundamental que o pessoal das agências de manejo de vida silvestre do estado e da província, gerenciadores de unidades de manejo locais e, inclusive, IACUCs em campus e outras unidades menores, sejam consultados antes do início de um projeto. Publicação: muitas publicações da área biomédica requerem que os números de protocolo do IACUC sejam incluídos nos Agradecimentos de qualquer artigo sobre pesquisa com animais de laboratório. Até o presente momento, esses regulamentos não são aplicados para pesquisas com animais silvestres, nem tampouco agradecimentos são requisitados pelas agências que fornecem tais licenças. Além disso, esses agradecimentos ajudam a assegurar ao público em geral que a pesquisa foi desenvolvida de acordo com a lei e que os pesquisadores mantêm e conservam altos padrões éticos sobre o uso de recursos naturais e cuidado com os animais. Adicionalmente, muitas agências solicitam separatas de qualquer publicação feita sob os auspícios de sua licença. Assim como para muitas agências que oferecem suporte financeiro, agradecimentos pela cooperação das agências fornecedoras de licenças são freqüentemente muito apreciados. Desta forma aconselhamos autores de publicações científicas sobre aves silvestres a agradecer um protocolo aceito e qualquer licença relevante, na seção de agradecimentos de seus manuscritos, e encorajamos revisores de manuscritos submetidos a procurar esses agradecimentos e 16

17 comentar criticamente quando eles não forem mencionados. Editores devem então, com sua discrição, assegurar que a falha de um pesquisador em evidenciar que seu trabalho foi desenvolvido legalmente, seja um fator a ser analisado no momento de publicar ou não publicar. Da mesma maneira, encarregados de programas das sociedades ornitológicas podem de forma justificada requisitar que evidência similar acompanhe pedidos de participação no programa. Entretanto, a responsabilidade última permanece com cada pesquisador envolvido. B. Licenças para coleta Uma Licença para Coleta Científica confere ao portador o direito de coletar (matar), apanhar (possuir espécimes que morreram por razões diferentes das originadas pela ação do portador da licença, como por exemplo, os mortos em rodovias, colisões com torres e janelas, ou acidentalmente a partir das ações do próprio portador da licença), e possuir espécimes de aves silvestres. Uma licença de coleta é necessária se qualquer espécime de ave silvestre (ou partes de espécimes, tais como amostras de sangue e outros fluídos, biópsias, penas e outras partes duras, etc.) for coletado, preso em armadilha, transportado ou manipulado de alguma forma (alguns tecidos podem ser coletados com uma Licença de Anilhamento e Resgate [veja abaixo]). As licenças normalmente definem o número de espécimes que podem ser coletados, a área geográfica coberta, os meios que podem ser usados para obter os espécimes e o indivíduo (s) que é (são) autorizado(s) a coletar. Uma questão importante é a "posse", um termo que é melhor interpretado de forma ampla. Um pesquisador pode possuir espécimes para propósitos educacionais ou de pesquisa, mas não deve estabelecer uma coleção particular. Todos os espécimes não destruídos no processo da pesquisa devem ser depositados em uma coleção institucional no final do estudo. A posse pode também determinar a legalidade da atividade. Por exemplo, o estado de Ohio permite a qualquer um, com ou sem uma licença, matar algumas espécies em qualquer quantidade, e.g., Passer domesticus, mas a posse de exemplares desta espécie requer uma licença. Uma exceção à regra "posse requer uma licença" é o caso de espécimes emprestados. Muitos museus e coleções emprestam conjuntos de exemplares para serem usados em atividades educativas. Um professor, guarda-parque, ou qualquer indivíduos usando exemplares emprestados não necessita uma licença de coleta ou de resgate. Em vez disso, a instituição que empresta deve providenciar um documento (usualmente na forma de uma carta) que acompanha o empréstimo e indica os seus detalhes. Da mesma forma, indivíduos com empréstimos de espécimes para pesquisa de uma coleção reconhecida não necessitam uma licença. Empréstimos para pesquisa são sempre acompanhados por documentação abundante, que deve ser mantida prontamente disponível em caso de dúvida. Licenças federais: Licenças de coleta federais nos Estados Unidos (Migratory Bird Permit) são expedidas para indivíduos (inclusive indivíduos que representam instituições) pelos escritórios regionais da USFWS. Licenças canadenses são expedidas pelos escritórios regionais do CWS (Apêndice A). Estas licenças permitem a captura, manuseio, coleta e posse de aves migratórias, suas partes, ninhos e ovos. Algumas aves não migratórias, e.g. muitas aves de caça, requerem somente uma licença estadual para coleta e estudo, a menos que o estudo seja feito em terras com administração federal. Em poucos estados, as licenças de coleta federal e estadual são combinadas em uma só, mas essa licença requer a aprovação de ambas agências. Licenças estaduais ou provinciais: o México não requer licenças estaduais atualmente, mas os Estados Unidos e Canada exigem. Pesquisadores individuais ou unidades devem solicitá-las para a divisão apropriada do departamento de caça e pesca do estado ou província, ou seu equivalente. Usualmente a divisão de fiscalização da lei fornece os formulários e instruções. O oficial local de fiscalização da lei (delegado, etc.) da área onde a pesquisa é proposta poderá prestar assistência. Em todos os estados e províncias uma licença comum de caça com os carimbos apropriados é necessária se o pesquisador coletar qualquer ave de caça durante a estação de caça. 17

18 Licenças estrangeiras: a maioria dos países estrangeiros requer licenças especiais para conduzir pesquisa e coletar espécimes ou partes de espécimes, e para exportá-los. Além disso, muitos países requerem licenças especiais para equipamentos (aviões, carros, armas de fogo, etc.), de departamentos apropriados. Se o pesquisador não tem nenhum contato no país da pesquisa proposta, o melhor lugar para começar é na embaixada ou consulado do país. Aqueles que trabalham com aves nos países da América Latina devem consultar Rosemberg e Wiedenfeld (1993). Muitos países requerem uma contrapartida estrangeira para pesquisa nos seus territórios. Em alguns casos, o pesquisador pode coletar e fazer pesquisa com a licença do seu colega estrangeiro, se o seu nome e atividades propostas estiverem listadas na sua licença. O colega estrangeiro usualmente pode ajudar significativamente na obtenção de quaisquer outras licenças que possam vir a ser requeridas no seu país. Licenças de coleta estrangeiras seguidamente têm taxas associadas. É uma cortesia (e freqüentemente um requisito) que as agências licenciadoras sejam mantidas bem informadas através de relatórios e separatas. Se o pesquisador pretende coletar espécimes, licenças de armas de fogo e armadilhas são freqüentemente requeridas. Uma licença de arma de fogo é usualmente expedida pela força militar e requer solicitação especial e, com freqüência, uma taxa. Normalmente o melhor local para iniciar é a embaixada do país nos Estados Unidos ou Canadá. Ainda, apenas estar em muitos países estrangeiros requer um passaporte e talvez um visto ou cartão de turista, além de licenças para veículo e barco. Prova de cidadania é necessária para voltar aos Estados Unidos, mesmo do Canadá ou do México. O processo para obter a documentação apropriada é sempre muito demorado e algumas vezes frustrante. Entretanto, pesquisadores que relembram a condição de convidados em um país estrangeiro, e que se comportam adequadamente, quase sempre acham o sistema menos assustador e as agências e pessoal envolvido mais receptivos. C. Licenças de anilhamento e resgate Uma Licença de Anilhamento e Resgate (muitas vezes chamada simplesmente de Licença de Anilhamento) permite anilhar e resgatar aves, mas não coletar (matar) espécimes. Essa licença também permite a posse breve de aves. Para a licença federal dos Estados Unidos, os prazos são 24 horas para aves vivas e seis meses para aves resgatadas, mas eles podem ser consideravelmente mais curtos para uma licença estadual. Essas licenças também são geograficamente restritas. Licenças federais: há três tipos de licenças de anilhamento: master (licença pessoal no Canadá), estação e sub-licença. Muitos estudantes nos Estados Unidos e a maioria dos anilhadores no Canadá tem sub-licenças, trabalhando sob a direção de um pesquisador com licença master (diretor de pesquisa ou, com freqüência, orientador) ou de uma licença de estação. O Canadá fornece dois tipos de licenças individuais. Uma autoriza o uso de armadilhas comuns e o anilhamento de jovens que ainda não voam; a outra autoriza o uso de redes de neblina, marcadores auxiliares, etc. Estas condições de uso são incluídas diretamente nas licenças dos Estados Unidos. Licenças dos Estados Unidos são expedidas pelo BBL, licenças canadenses pelo CWS (Tabela 11-1; Apêndice A). Um anilhador deve ter pelo menos 18 anos de idade, ser qualificado como biólogo, e ter uma boa razão para anilhar aves. O objetivo do programa de anilhamento é fornecer vários tipos de dados científicos sobre as aves. Dados sobre todas as aves anilhadas nos Estados Unidos e Canadá e a informação sobre a sua recuperação são processados pelo sistema combinado do USGS (BRD) e CWS. Se as aves são marcadas com cores, com radio-transmissores, ou de alguma forma manipuladas além do anilhamento, uma autorização adicional é necessária. Alguns estados também coordenam as freqüências de rádio-telemetria usadas em aves silvestres, de forma que os responsáveis devem ser notificados das atividades e freqüências utilizadas. Alguns estados requerem licenças adicionais para liberar radiofreqüências. Muitos pesquisadores desejam obter amostras de sangue ou de penas durante o anilhamento. Tais amostras podem ser coletadas com uma licença de anilhamento e resgate modificada, pois o BBL tem agora uma convênio interno com a divisão de fiscalização do USFWS para autorizar tais atividades sob 18

19 regras específicas. Tal autorização requer uma cláusula especial na licença de anilhamento. Solicitações desta cláusula devem ser dirigidas ao BBL. Pesquisadores de campo que não necessitam coletar podem querer usar a porção de resgate das suas licenças. Espécimes resgatados podem fornecer informação científica valiosa e podem reduzir a necessidade de coletas. Qualquer pesquisador que encontrar uma fonte de espécimes potencialmente valiosos, mas que não possui uma licença de coleta ou resgate autorizando a obtenção destes espécimes, deve tentar assegurar que estes não serão perdidos para a ciência pedindo a assistência das agências de fiscalização estaduais ou federais. Tais ações podem ser especialmente importantes quando envolvem espécies ameaçadas de extinção ou mortandades (por causa de intempéries, doenças ou colisões com torres, etc.). Departamentos de ornitologia em muitos museus públicos são repositórios legítimos para espécimes e também podem estar aptos a fornecer ajuda. Licenças estaduais ou provinciais: requisitos para licenças de anilhamento e resgate estaduais ou provinciais variam. Um estado pode requerer uma licença de anilhamento, ou requerer a licença somente se o pesquisador não possui uma licença de coleta estadual, ou pode ainda separar a autorização de resgate em uma licença separada. D. Licenças para espécies ameaçadas Qualquer atividade com uma espécie da lista federal de espécies ameaçadas requer uma licença do escritório regional do USFWS (que possui uma licença "master" de espécies ameaçadas) [ver F]. Muitos estados e províncias tem as suas próprias listas de espécies ameaçadas que podem incluir espécies não listadas na lista federal. Os pesquisadores devem determinar o status da espécie ao nível federal e estadual ou provincial, para saber quais licenças são necessárias. E. Licenças de exportação/importação Transpor espécimes biológicos, especialmente vivos, através de uma fronteira internacional é um procedimento complexo, em parte por que as leis de mais de um país estarão envolvidas, e em parte por que algumas leis pertinentes podem ter pouco a ver com pesquisa ou conservação. Outras considerações são se o animal era originalmente silvestre ou criado em cativeiro, se a espécie é coberta pelo MBTA, se a espécie é ameaçada de extinção ou listada pelo CITES, ou se a espécie é sujeita a preocupações de saúde ou de agricultura. Uma vez que a maioria dos museus e zoológicos rotineiramente transpõem espécimes por fronteiras internacionais, eles normalmente são familiarizados com os procedimentos. Pesquisadores individuais são encorajados a trabalhar com tais instituições sempre que possível. Ainda assim, é melhor começar consultando o USFWS ou CWS nos seus escritórios nacionais (Apêndice A). Nós assumimos que a maioria dos pesquisadores que coletam espécimes em países estrangeiros estarão fazendo-o em conexão com alguma coleção institucional estabelecida. Muitas instituições possuem licença da APHIS e Certificados para Intercâmbio Científico do CITES, e/ou múltiplas licenças para espécies em perigo/ameaçadas que possam garantir as atividades de pesquisadores. Ainda que um apoio institucional torne mais fácil a aquisição da documentação apropriada, isso de nenhuma maneira diminui a responsabilidade dos pesquisadores em assegurar-se de que estão familiarizados com os requerimentos e que possuem todas as licenças apropriadas. Muito do que se segue está direcionado à pesquisadores individuais, que possam desejar importar espécimes ou partes desses (inclusive amostras de tecido), e cujas atividades não estejam cobertas por permissões institucionais. Qualquer importação de aves, suas partes (inclusive amostras de sangue e tecidos), ovos, ou ninhos requerem declaração específica de que os espécimes foram coletados sob licenças válidas no local de onde eles estão sendo importados. Se o espécime é uma espécie ameaçada, isto irá requerer uma licença do CITES. Adicionalmente, nos Estado Unidos uma licença de importação do APHIS é requisitada (Apêndice A). Se a espécie importada é listada no MTBA, será requisitado uma licença de uma coleção que assegure a sua importação e manutenção. Licenças do CITES são solicitadas para a exportação ou importação de espécies, tecidos, ou produtos feitos pelas espécies listadas na Convenção, as quais não são necessariamente àquelas listadas no ESA. Se algum desses países não for signatário da Convenção, 19

20 um documento substituto contendo a mesma informação de uma licença do CITES, deve ser anexado à remessa. Como os U.S., Canadá e México são todos signatários, permissões poderiam ser requisitadas por qualquer pesquisador nesses países, sem importar-se se o outro país é signatário. Deve-se notar que a Convenção contêm certas imunidades para instituições educacionais e científicas que rotineiramente encarregam-se do intercâmbio de espécimes entre fronteiras. F. Licença de refúgios Qualquer pesquisa envolvendo aves silvestres em um Refúgio Nacional de Vida Silvestre ou outras terras públicas requer uma licença que delineie as atividades propostas e as áreas onde a pesquisa será conduzida. Essas permissões são divulgadas pelo administrador do refúgio particular. G. Outras licenças e acordos Alguns estados requerem uma permissão adicional emitida para um indivíduo ou unidade, para outras atividades como uso de armadilhas, manuseio, amostragem, marcação, tingimento, injeção de contraste radioativo, etc. Alguns estados combinam todas essas licenças (incluindo coleta) em uma única licença (uma prática que nós endossamos). Licença por escrito é usualmente requisitada para conduzir atividades especiais como aquelas listadas acima, bem como pesquisas envolvendo espécies ameaçadas ou aves silvestres protegidas de alguma maneira (como as águias protegidas sob o Acordo para Proteção da Águia Americana [Bald Eagle Protection Act], 16. U. S. C. 668). A maior parte dos estados têm as suas próprias listas de espécies controladas. A lista federal de espécies ameaçadas (Animais Silvestres e Plantas em Perigo e Ameaçadas [Endangered and Threatened Wildlife and Plants], 50 CFR e 17.12) é usualmente utilizada como uma diretriz básica. Regulamentos locais protegendo aves migratórias ou em perigo podem ser mais restritivas, nunca menos. Em muitos estados, adicionalmente, o trabalho com espécies em perigo ou especialmente protegidas é comumente permitido por uma "carta de entendimento" entre a agência estadual e o indivíduo ou unidade de pesquisa. H. Protocolos do IACUC Pesquisa envolvendo aves pode requerer uma aprovação institucional na forma de um protocolo do IACUC. Exceções a esta regra incluem algumas pesquisas em frangos domésticos e aquelas atividades sem manipulação de espécimes, como simples observações [ver I. D.]. Nós recomendamos que tal aprovação seja buscada para qualquer experimento que requeira manipulação de indivíduos e populações, mesmo se a instituição do pesquisador formalmente não a necessitar. A maior parte das agências financiadoras requerem um protocolo aprovado do IACUC como parte da solicitação de verba, e a experiência é demonstrada pela preocupação do pesquisador com o comportamento ético. I. Registros Uma das primeiras lições aprendidas, freqüentemente da pior maneira, por cada pesquisador é que não é possível fazer anotações em demasia ou tomar registros muitos detalhados. Esta máxima é especialmente verdadeira para pesquisas que requerem licenças. Pesquisa de campo licenciada sempre requer relatórios regulares das atividades. Esses relatórios freqüentemente requerem formulários ou formatos especiais. Além disso, registros envolvendo a atividade licenciada devem estar disponíveis para inspeção a qualquer momento. Assim, vale a pena o esforço de manter registros absolutamente atualizados no formato apropriado. III. IMPACTO DO PESQUISADOR A. Panorama geral Ornitólogos tem a obrigação de avaliar os efeitos negativos potenciais de suas pesquisas sobre as populações sob estudo, bem como sobre o ambiente em geral, e minimizar esses efeitos. Uma vez que pesquisa pode promover conhecimento científico, pesquisadores devem pesar qualquer ganho potencial 20

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