Maria do Rocio Luz Santa Ritta RELATORA

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1 Apelação Cível n , de Guaramirim Relatora: Desa. Maria do Rocio Luz Santa Ritta AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. NÃO CONHECIMENTO DO AGRAVO RETIDO POR AUSÊNCIA DE PEDIDO PRELIMINAR NA APELAÇÃO. EXEGESE DO ART. 523 DO CPC. CERCEAMENTO DE DEFESA. JUNTADA EXTEMPORÂNEA DO ROL TESTEMUNHAL. DEMANDA QUE TRAMITA SOB O RITO SUMÁRIO (ART. 275, II, DO CPC). TESTEMUNHAS QUE DEVERIAM SER APRESENTADAS COM A INICIAL. INTELIGÊNCIA DO ART. 276 DO CPC. PREJUDICIAL AFASTADA. CONDUTOR DO VEÍCULO SEGURADO QUE SE ENCONTRAVA SOB O EFEITO DE BEBIDA ALCOÓLICA. EXISTÊNCIA DE AUTO DE CONSTATAÇÃO DE SINAIS DE EMBRIAGUEZ, CONFIRMADO POR DEPOIMENTO EM JUÍZO. CONTEXTO PROBATÓRIO QUE APONTA O AGRAVAMENTO DO RISCO COMO FATOR PREPONDERANTE PARA A ECLOSÃO DO SINISTRO. EXCLUDENTE DE RESPONSABILIDADE CONFIGURADA. INDENIZAÇÃO DESCABIDA. RECURSO DESPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível n , da comarca de Guaramirim (1ª Vara), em que é apelante Valmira Uber, e apelado Bradesco Auto/Re Companhia de Seguros S/A: A Terceira Câmara de Direito Civil decidiu, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Custas legais. O julgamento, realizado nesta data, foi presidido pelo Exmo. Sr. Des. Fernando Carioni, com voto, e dele participou o Exmo. Sr. Des. Marcus Tulio Sartorato. Florianópolis, 31 de janeiro de Maria do Rocio Luz Santa Ritta RELATORA

2 RELATÓRIO Trata-se de apelação cível interposta por Valmira Uber contra a sentença proferida pelo MM. Juiz de Direito da 1ª Vara da comarca de Guaramirim que, na ação de cobrança de seguros proposta em face de Bradesco Auto/Re Companhia de Seguros, resolveu o mérito com decisão de improcedência (art. 269, I, do CPC) nos termos do seguinte dispositivo (fl. 277): Ante o exposto, resolvo o mérito da demanda nos termos do art. 269, I do CPC para julgar improcedente o pedido inicial, condenando a parte autora ao pagamento das custas e honorários advocatícios no total de 10% sobre o valor da causa corrigido monetariamente pelo INPC desde o protocolo da inicial, restando a verba suspensa em sua cobrança ante a gratuidade da justiça. Em suas razões recursais, alega a autora, preliminarmente, a ocorrência de cerceamento de defesa em razão da não oitiva de suas testemunhas, arroladas mais de 30 dias antes da audiência. No mérito, aduz serem inverídicas as provas que concluem que o condutor do veículo segurado estava alcoolizado, uma vez que não foi feito o teste do bafômetro e o motorista foi hospitalizado logo em seguida ao acidente. Por fim, sustenta que ainda que o condutor estivesse sob o efeito de bebidas alcoólicas, tal fato, por si só, não autoriza a exclusão da cobertura do seguro, motivo pelo qual pugna pela reforma da sentença e o consequente provimento do pedido inicial. Com as contrarrazões, ascenderam os autos a este Tribunal.

3 VOTO A - Agravo retido Inicialmente, não se conhece do agravo retido interposto à fl. 166, visto que nas razões recursais da parte autora não foi reeditado o pedido de apreciação do recurso, contrariando o que dispõe o art. 523, 1º do Código de Processo Civil. Nelson Nery Junior (in Código de Processo Civil comentado e legislação processual civil extravagante em vigor. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1997, p. 763), comentando o aludido dispositivo legal ressalta que: O agravo retido é matéria preliminar de apelação. Para que o agravo retido possa ser conhecido e julgado pelo seu mérito, devem estar presentes dois requisitos: a) a apelação deve ser conhecida; b) o agravante deve ter reiterado sua vontade de ver o agravo conhecido nas razões ou contra-razões de apelação. Portanto, prejudicada a análise do agravo. B - Apelação Sustenta a apelante, preliminarmente, a ocorrência de cerceamento de defesa em razão do indeferimento da produção de prova testemunhal. No mérito, aduz que não são válidas as provas que atestam a ingestão de bebida alcoólica pelo condutor do veículo segurado, uma vez que não foi feito o teste do bafômetro ou de alcoolemia em decorrência da hospitalização do sinistrado. Por outro lado, alega que ainda que estivesse comprovada a embriaguez do condutor, o fato por si só não autoriza a exclusão da cobertura securitária. Pois bem. Em primeiro lugar, no que diz respeito à alegação de cerceamento de defesa, razão não assiste à recorrente. De acordo com o art. 275, II, a, do CPC, o procedimento a ser observado nas ações de cobrança de seguro, com relação aos danos causados em acidente de trânsito, é o sumário. E, neste rito, a oferta do rol de testemunhas deve se dar com a inicial, de acordo com o art. 276 do CPC ou, quando muito, dentro de um prazo razoável, antes da audiência de conciliação, de acordo com entendimento doutrinário e jurisprudencial. Essa é a lição de Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery: (Código de processo civil comentado e legislação extravagante. 10. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, p. 542): O momento processual para o autor arrolar testemunhas e, caso requerida perícia, formular os quesitos e indicar assistente técnico, é o da petição inicial. Caso o autor não arrole testemunhas, nem ofereça quesitos de perícia ou indique assistente técnico já na petição inicial, ocorrerá preclusão consumativa, estando ele impedido de fazê-lo em momento posterior do procedimento, ainda que o consinta o réu. Nesse sentido, já decidiu este Tribunal: PROCESSUAL CIVIL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PROVA TESTEMUNHAL EM AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO. PROCEDIMENTO SUMÁRIO. AUSÊNCIA DE JUNTADA DE ROL DE TESTEMUNHAS NA INICIAL. PRECLUSÃO. AGRAVO RETIDO E RECURSO DE APELAÇÃO DESPROVIDOS.

4 "A não-apresentação do rol de testemunhas quando do ajuizamento da causa sob procedimento então denominado sumaríssimo, hoje sumário, importa em preclusão" (STJ, Ministro Cesar Asfor Rocha). (AC n , de Forquilhinha. Rel. Des. Luiz Carlos Freyesleben). E mais: RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANO DECORRENTE DE ACIDENTE DE TRÂNSITO. RITO SUMÁRIO. ROL DE TESTEMUNHAS DOS RÉUS APRESENTADO A DESTEMPO. DECISÃO QUE INDEFERIU A OITIVA FACE A INTEMPESTIVIDADE. AGRAVO RETIDO INTERPOSTO NOS AUTOS. PEDIDO DE APRECIAÇÃO. DESPROVIMENTO. CONTESTAÇÃO DESACOMPANHADA DO ROL DE TESTEMUNHAS, QUE FOI APRESENTADO POSTERIORMENTE. MOMENTO INOPORTUNO DE ACORDO COM O RITO ADOTADO NA DEMANDA. EXEGESE DO ARTIGO 278 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. [...] "Nas ações submetidas ao procedimento sumário, o rol de testemunhas deverá acompanhar a petição inicial, ou a contestação, sob pena de preclusão do direito à realização de sua oitiva. Somente em situação excepcional, quando o julgador entender necessária a oitiva de testemunhas para o esclarecimento da matéria controvertida, é que se admitirá a apresentação em momento posterior". (Apelação Cível n rel. Des. Stanley da Silva Braga, j. 05/03/2010). (AC n , de Joaçaba. Rel. Des. Marcus Tulio Sartorato, j. em 07/04/2011). In casu, além do oferecimento do rol testemunhal a destempo, o magistrado a quo, como destinatário das provas, entendeu pela prescindibilidade da oitiva das testemunhas, dispensando a produção de tal prova, nos termos do art. 130 do CPC, uma vez que a prova pretendida pela autora não teria o condão de desconstituir os documentos trazidos pela própria inicial, aliás, corroborados com os depoimentos de fls. 251/253, não havendo, portanto, falar em cerceamento de defesa. Afastada a prejudicial, adentra-se à analise do mérito. Alega a seguradora estar dispensada de efetuar o pagamento da indenização securitária, tendo em vista que o condutor do veículo segurado estava embriagado no momento do sinistro, fato que configura agravamento do risco segurado, com a consequente exclusão da cobertura contratada. Pois bem. O contrato de seguro, por definição, é o enlace volitivo por meio do qual o segurado, mediante pagamento de um prêmio, translada à seguradora, entidade autorizada pelo governo a explorar a atividade securitária, riscos predeterminados incidentes sobre um dado bem jurídico (art. 757 do CC/2002). Conceituando o contrato de seguro como avença pela qual "um dos contratantes se obriga a indenizar o outro, ou terceiros, mediante o recebimento de determinada importância, denominada prêmio, de prejuízos decorrentes de riscos futuros e especificamente previstos" (in Contratos. 2 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 539), Arnaldo Rizzardo observa que "no caso do segurado agravar por sua conta e risco, e vindo ele a ocorrer, não há obrigação em indenizar o valor avençado. Identicamente, se concorrer para o agravamento, ou não tomar as medidas que estavam em seu alcance para evitá-lo" (op cit., p. 553). Todavia, embora conste nas Condições Gerais do Seguro Automóvel a

5 exclusão da responsabilidade quando o veículo tiver sido conduzido por pessoa sob o efeito de álcool (fl. 105), o STJ vem firmando o posicionamento de que "O estado de ebriedade exime o ente segurador do dever de indenizar apenas em hipóteses tais em que a embriaguez é causa determinante para a ocorrência do sinistro. É dizer, em outras palavras, que a indenização deixa de ser devida tão-somente se houver relação direta entre o elevado nível de concentração etílica no sangue do segurado e o acidente" (cf. REsp. n /SC, Rel. Min. Massami Uyeda, j. em ). Não obstante se saiba que a embriaguez, por si só, não é suficiente para imputar culpa pelo acidente de trânsito, pois é necessário que exista relação de causalidade entre o ato e os prejuízos sofridos, entendo, no presente caso, estar perfeitamente delineado o referido nexo. É que o acervo probatório revela que o acidente, que resultou na perda total do veículo segurado, deu-se por conta da total desorientação do condutor do veículo que invadiu a pista contrária, vindo a colidir frontalmente com outro automóvel que seguia em sua mão de direção. Tal desorientação não pode ser imputada a circunstâncias externas, pois, conforme boletim de ocorrência, a pista, de pavimento asfáltico, estava seca e iluminada, assim como o tempo era bom (fl. 19). Tampouco houve a concorrência de outros veículos que justificasse tamanho equívoco, o que confirma a influência decisiva do álcool para essa conduta. É importante ressaltar que da declaração dada pelo próprio condutor do veículo (fl. 19) no momento da elaboração do Boletim de Ocorrência, extrai-se que o motorista "teve a visão ofuscada por outro veículo que transitava em sentido contrário, instante que perdeu o controle da direção de seu veículo, vindo com isso ocasionar o acidente". Ressalta-se ainda que o sinistro ocorreu de noite, em uma curva aberta, onde é situação normal a incidência dos faróis dos veículos que transitam em sentido contrário, levando a crer que se não fosse o estado ebrioso, o condutor não teria cometido tamanho equívoco (perder o controle do veículo e invadir a pista contrária), não havendo como negar que a causa certa para o acidente foi a embriaguez do condutor do veículo segurado. Quanto à alegação da recorrente de que as provas que atestam o consumo de álcool pelo motorista não seriam válidas, uma vez que não foi feito o teste do bafômetro ou de alcoolemia, tal argumento é, no mínimo, descabido. Isso porque consta no boletim de ocorrência (fl. 19), o qual possui presunção juris tantum de veracidade, sendo derruído apenas diante de contraprova segura e concreta (cf. AC n , de minha relatoria), a declaração do próprio condutor de que "havia ingerido bebida alcoólica horas antes do acidente". Embora não tenha sido feito o teste do bafômetro, os policiais elaboraram o auto de constatação de sinais de embriaguez (fl. 18), no qual constou os sinais e sintomas observados no condutor, informações essas que foram ratificadas pelos policiais em juízo (depoimentos de fls. 251/253), inexistindo dúvida acerca da embriaguez do condutor do veículo segurado. Acerca dos efeitos da ingestão de substância etílica no motorista, leio na obra de Rui Stoco: O álcool, inclusive em pequenas doses, como salienta Mario Arango Placio, citado por Geraldo de Faria Lemos Pinheiro, deprime os centros coordenadores do

6 cérebro e retarda sensivelmente as reações normais do condutor experimentado. Em conseqüência, apesar de sua lucidez mental aparente e de sua habilidade ao volante, o condutor que tenha ingerido bebidas embriagantes tarda muito mais que o normal em atuar ante circunstâncias imprevistas, o que é causa de numerosos e graves acidentes de trânsito. Fato que se torna realmente arriscado é conduzir veículo depois de haver ingerido álcool, pois os transtornos neuromusculares (como retardos nas reações psicomotoras, diminuição da atenção perturbação dos reflexos com aumento do tempo de reação) ocorrem muito antes de aparecerem sintomas de embriaguez, de modo que nem o condutor nem aqueles que o acompanham dão conta do transtorno, até que surge uma circunstância imprevista que exige decisão e reações rápidas são impossíveis porque existe álcool no organismo, mesmo sendo em pequena quantidade (Embriaguez ao volante, JTACSP 48/23). Qualquer seja a dose ingerida, o álcool, como elemento perturbador dos fenômenos oxidativos celulares que é, tem sempre ação deprimente sobre os centros superiores do sistema nervoso. [...] Se no campo penal "a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos" não exclui a imputabilidade (CP, art. 28, II), no campo da responsabilidade civil por acidentes de trânsito a embriaguez do motorista é uma das mais marcantes manifestações de imprudência. Não se admite, não se justifica, nem se releva, em hipótese nenhuma, o ato de dirigir sob o efeito etílico. Em resumo, caracteriza culpa grave dirigir veículo sob influência de libações alcoólicas, sendo presumida a culpa se demonstrada a embriaguez do motorista por ocasião do acidente. [...] impor a condição de que o agente esteja conduzindo o seu veículo na via pública e, ao mesmo tempo, exigir prova da possibilidade concreta do dano, constitui verdadeira contraditio in terminis pois o resultaddo do silogismo ressuma evidente: estar embriagado + dirigindo na via pública (juntamente com outros veículos ou na presença de outra pessoas) = possibilidade concreta de de dano à incolumidade de outrem. (in Tratado de Responsabilidade Civil. 6 ed. São Paulo: RT, p. 1476/1477). Assim, a identificação do estado alcoólico relacionado com o desastre revela o descabimento da cobertura, na medida em que as provas constantes nos autos mostram-se suficiente à imputação de culpa grave ou dolo ao condutor do veículo segurado pelo acontecimento danoso. Destarte, levando em consideração que o estado de embriaguez foi o fator preponderante para o acontecimento do sinistro, afastada está a responsabilidade da seguradora pelos danos desse evento. Esse é o entendimento que vem despontando neste Tribunal, tendo ficado decidido que se a causa do acidente decorre do fato de o motorista estar embriagado, constitui fator suficiente para exclusão da responsabilidade da seguradora: AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO AUTOMOBILÍSTICO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. NEGATIVA DE PAGAMENTO DA INDENIZAÇÃO FULCRADA NA EMBRIAGUEZ DO CONDUTOR NO MOMENTO DO SINISTRO (8,8 DECIGRAMAS POR LITRO).CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICAS QUE INDICAM O ESTADO EBRIOSO COMO CAUSA DETERMINANTE PARA O ACIDENTE. MOTORISTA QUE, AO

7 REALIZAR MANOBRA DE CONVERSÃO À ESQUERDA, OBSTRUI A TRAJETÓRIA DE VEÍCULO QUE TRANSITAVA EM SUA MÃO DE DIREÇÃO. INFRAÇÃO AOS PRINCÍPIOS QUE REGEM AS RELAÇÕES CONTRATUAIS. DEVER DE INDENIZAR DA SEGURADORA NÃO EVIDENCIADO. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA REFORMADA. RECURSO PROVIDO. O estado ebrioso do condutor isenta a seguradora quanto aos deveres contratuais assumidos quando restar cabalmente comprovado que tal circunstância foi a causa determinante para a ocorrência do sinistro. (Ap. Cív. n , Rel. Des. Marcus Tulio Sartorato, j. 02/08/2010) APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS, PERDAS E DANOS CUMULADOS COM DANOS MORAIS. CONTRATO DE SEGURO VEICULAR. ACIDENTE DE TRÂNSITO. RECUSA NA COBERTURA. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE. CONCATENADO DE PROVAS QUE SUSTENTAM O AGRAVAMENTO DO RISCO. CLÁUSULA CONTRATUAL DE EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE EXPRESSA. NEGATIVA LÍDIMA. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. "Quando o risco segurado é agravado, quebra-se o equilíbrio contratual, sendo justificada a negativa de pagamento. Caso em que a embriaguez do condutor do veículo restou evidente, agravando sobremaneira o risco segurado" (TJSC, Ap. Civ. n , de Blumenau, rel. Des. Sérgio Izidoro Heil, j. em ). (Ap. Cív. n , Rel. Des. Fernando Carioni, j. 02/08/2010) E ainda: APELAÇÃO CÍVEL AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS CAUSADOS EM ACIDENTE DE VEÍCULO ACIDENTE DESENCADEADO POR COMPROVADA EMBRIAGUEZ DO CAUSADOR DO ILÍCITO DENUNCIAÇÃO DA LIDE À SEGURADORA NEGATIVA DO PAGAMENTO DA INDENIZAÇÃO AGRAVAMENTO DO RISCO INDENIZAÇÃO VEDADA PRECEDENTES DA CÂMARA DENUNCIAÇÃO JULGADA IMPROCEDENTE RECURSO PROVIDO. A embriaguez do condutor, quando devidamente comprovada, configura agravamento de risco e desobriga a seguradora do pagamento da indenização do seguro contratado, ainda que o bem segurado esteja sendo conduzido por terceiro estranho à relação contratual. (AC n , de Rio do Sul, Rel. Des. Fernando Carioni, j. em ). Sobre o assunto, segue precedente do STJ: RECURSO ESPECIAL - CONTRATO - SEGURO DE VIDA - EMBRIAGUEZ - CONDIÇÃO INSUFICIENTE A AFASTAR O DEVER DE INDENIZAR - PRECEDENTES - CIRCUNSTÂNCIA EM QUE O SEGURADO, AGINDO COM CULPA, CAUSA O EVENTO DANOSO - EXCLUDENTE CARACTERIZADA - RECURSO NÃO CONHECIDO. 1 - Este Tribunal já se manifestou no sentido de que a constatação de dosagem etílica no sangue do condutor em patamar superior ao permitido por lei, por si, não é causa apta a eximir a seguradora de pagar a indenização. 2. É de se afastar o dever de o ente segurador indenizar em ocasiões tais em que a embriaguez do segurado agrava potencialmente o risco do acidente, tendo sido, inclusive, condição determinante para a ocorrência do sinistro. 3. Recurso especial não conhecido. (REsp n /SC, Rel. Min. Massami Uyeda, j. em ).

8 Isso posto, o voto é pelo desprovimento do recurso.

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