Validade da estrutura dimensional da escala de avaliação do acesso ao capital social utilizada no Elsa-Brasil

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1 Validade da estrutura dimensional da escala de avaliação do acesso ao capital social utilizada no Elsa-Brasil Dissertação apresentada com vistas à obtenção do título de Mestre em Epidemiologia em Saúde Pública na subárea de Epidemiologia Geral Ester Paiva Souto Orientadora: Rosane Härter Griep- IOC/FIOCRUZ Coorientadora: Ana Glória Godoi Vasconcelos ENSP/FIOCRUZ Rio de Janeiro, junho de 2013

2 Agradecimentos A Deus pelo Dom da vida. Ao CNPQ e a FAPERJ, pelo apoio financeiro que permitiu minha dedicação integral a esta pós-graduação. Aos trabalhadores do ELSA- Brasil, participantes voluntários que possibilitaram a construção do banco de dados desta pesquisa. Aos pesquisadores do ELSA-Brasil, em especial às professoras Dóra Chor, Maria de Jesus Fonseca, Márcia Guimarães e Letícia Cardoso, que estimulam e contribuem para a minha formação prática e teórica em pesquisa. Ao corpo de doutores da ENSP, pelos conhecimentos passados e pelo exemplo de conduta ética e de dedicação ao ensino e à pesquisa. Aos professores Michael Reichenheim e Yara Hökerberg, que através de excelentes aulas encorajaram-me no estudo de validação de escalas. As professoras Rosane Griep e Ana Glória Godoi, minhas estimadas orientadoras, que acompanharam de perto em todas as etapas deste trabalho, realizando valiosas contribuições com direcionamentos e discussões imprescindíveis para a construção deste estudo. Ao Luiz Fausto Brito, meu querido esposo, que me ajudou durante todo o mestrado de várias formas possíveis; desde cansativas revisões do meu texto a madrugadas insones com nosso bebê chorando. Ao meu pai, que incentivando certo desafio familiar estimula todos os filhos a um desenvolvimento integral, e especialmente acadêmico e profissional. A minha mãe que de maneira afetuosa alegra meus dias e se torna indispensável para lembrar-me do equilíbrio entre a vida acadêmica e familiar. As minhas queridas irmãs Judite e Alice, e amigas Liliane, Luciana e Janaína, que de maneiras distintas e especiais compartilham de minhas angústias e promovem superações. E por fim a todos os colegas da pós-graduação e da equipe de trabalho do ELSA- Brasil, que tornam o trabalho árduo mais prazeroso. ii

3 É uma doença natural no homem acreditar que possui a verdade. Blaise Pascal iii

4 Resumo O capital social tem sido pesquisado em várias áreas do conhecimento e abordagens distintas em sua conceituação são apresentadas na literatura. Há concordância por parte de importantes pesquisadores de que o capital social refere-se a um conceito multidimensional, relacionado com a estrutura das redes sociais e com os recursos nela inseridos. Na pesquisa do capital social ainda há pouca padronização nos instrumentos de medida utilizados nos diferentes países. O presente estudo busca um conjunto de indicadores que qualifiquem a escala de mensuração de capital social Resource Generator desenvolvida por pesquisadores da Holanda e aplicada pioneiramente em uma população brasileira no Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto (ELSA-Brasil). Portanto, o objetivo da presente dissertação foi avaliar aspectos da validade da estrutura dimensional da versão brasileira da escala Resource Generator, utilizada para medir o acesso ao capital social. Foram utilizados dados da linha de base do ELSA-Brasil, realizada entre 2008 e 2010, quando entrevistas, medidas e exames clínicos foram realizados em servidores de seis instituições públicas. Os procedimentos metodológicos incluíram a validade cruzada, estudando-se três subamostras selecionadas de forma aleatória. Diversas etapas de análise foram realizadas, sendo que para a primeira e para a segunda subamostra a metodologia foi idêntica: realizou-se análise fatorial exploratória (AFE) seguida de análise fatorial confirmatória (AFC). Na terceira subamostra, procedimentos de AFC foram utilizados para testar quais dos modelos gerados nas análises anteriores teriam melhor adequação, sugerindo a escolha de um modelo final. Para os procedimentos da análise fatorial utilizou-se a rotação Geomin e o estimador WLSMV, disponíveis no pacote estatístico Mplus versão 7.1. iv

5 O modelo que apresentou melhores indicadores de ajuste (CFI=0,968, TLI=0,965 e RMSEA=0,030) e foi escolhido como aquele que melhor reproduz a estrutura dimensional da escala Resource Generator foi aquele que excluiu quatro itens e apresentou três fatores. O primeiro fator, denominado habilidades simples, com dois itens, o segundo, prestígio e educação, com 15 itens e o terceiro, apoio social, com 10 itens. A validade convergente foi satisfatória, apresentando valores acima de 0,50 para a variância extraída e acima de 0,70 para a confiabilidade composta em todas as dimensões. Entretanto duas dimensões apresentaram validade discriminante limítrofe entre si ( prestígio e educação e apoio social ). O aprofundamento em análises futuras acerca do desempenho do instrumento em diferentes características no contexto do ELSA-Brasil, tais como entre homens e mulheres ou diferentes níveis socioeconômicos, ou mesmo seu uso em populações gerais contribuirá para o desenvolvimento do programa de pesquisa da escala no contexto brasileiro. Palavras-chave: validade dimensional, confiabilidade, validade cruzada, capital social, análise fatorial exploratória, análise fatorial confirmatória. v

6 Abstract Social capital has been researched in various knowledge areas, and different approaches in its concept are presented in the literature. However, there is an agreement by leading researchers that social capital refers to a multidimensional concept, related to the structure of social networks and the resources embedded in it. On the research of social capital, there is still limited standardization of the measurement instruments used in different contexts. This study seeks a set of indicators to qualify the "Resource Generator" social capital measurement scale, developed by researchers from the Netherlands and innovatively applied in a Brazilian population in the Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil). Therefore, the aim of this dissertation was to evaluate the dimensional validity aspects of Brazilian version of the Resource Generator scale, used to measure the access to social capital. The study used data from the ELSA-Brasil baseline, conducted between 2008 and 2010, when interviews, measurements and clinical examinations were performed on 15,105 public servants of six institutions. The methodological procedures included the cross-validity, using three subsamples selected randomly. Various stages of analysis were performed, and for the first and the second subsample, the methodology was identical: exploratory factor analysis (EFA) followed by confirmatory factor analysis (CFA). In the third subsample, CFA procedures were used to test which of the models generated in the previous analysis would better fit, suggesting the choice of a final model. The procedures of the factor analysis used the Geomin rotation and the WLSMV estimator, available in Mplus statistical package version 7.1. vi

7 The model with better adjustment indicators (CFI = 0.968, TLI = and RMSEA = 0.030) chosen as the one that better reproduces the dimensional structure of the Resource Generator scale indicated the exclusion of four items and presented three factors. The first (called "simple skills") with two items, the second ("prestige and education") with 15 items and the third ("social support") with 10 items. The convergent validity was satisfactory, with values above 0.50 for the extracted variance and above 0.70 for composite reliability in all dimensions. However, two dimensions showed borderline discriminant validity among themselves ("prestige and education" and "social support"). Deepening in future analysis about the performance of the instrument in different characteristics in the context of ELSA-Brasil (such as between men and women or different socioeconomic levels) or even its use in general populations will contribute with the development of the scale research program in the Brazilian context. Keywords: dimensional validity, reliability, cross-validity, social capital, exploratory factor analysis, confirmatory factor analysis. vii

8 Sumário 1 - Introdução Apresentação Revisão de Literatura Definições de Capital Social Como medir o capital social Nível coletivo Nível Individual Principais desfechos em saúde associados ao Capital Social Mensuração da qualidade de instrumentos: aspectos psicométricos Confiabilidade Validade Modelos de traços latentes: Análise Fatorial e TRI Estudos de validação e concordância da escala Resource Generator Objetivo Geral Objetivos Específicos Material e Métodos O estudo ELSA-Brasil Descrição da escala Resource Generator Procedimentos de análise dos dados Validade Cruzada Validade dimensional Aspectos éticos Resultados Características da população em estudo Caracterização das subamostras Descrição dos itens da escala Resource Generator Validade dimensional Primeira subamostra Segunda subamostra Terceira subamostra Discussão viii

9 6 - Considerações Finais e Recomendações Bibliografia Apêndice A - Comparação da escala RG original Holandesa com a escala do Reino Unido proposta por Webber e Huxley (2007) Apêndice B - Análises adicionais da primeira subamostra Apêndice C - Análises adicionais da segunda subamostra Anexo 1 - Escala Resource Generator no questionário ELSA-Brasil ix

10 Lista de Figuras Figura 1 Formas do capital social com sua operacionalização em estudos empíricos. (Adaptado de Islam, et al., 2006)... 8 Figura 2 Fluxograma do procedimento de análise de dados Figura 3 Frequência de itens acessados pelos participantes na escala Resource Generator aplicada na Holanda (Van Der Gaag, et al., 2005) e no ELSA-Brasil x

11 Lista de Quadros Quadro 1 Indicadores frequentemente utilizados para medir o capital social cognitivo e estrutural Quadro 2 Principais estudos com associação entre capital social e desfechos em saúde Quadro 3 Estudos de validação da escala Resource Generator Quadro 4 Modificações realizadas na adaptação da escala Resource Generator xi

12 Lista de Tabelas Tabela 1 Características sociodemográficas da população Elsa-Brasil Tabela 2 Variáveis socioeconômicas das subamostras Tabela 3 Frequência de acesso aos itens da escala Resource Generator Tabela 4 Autovalores para Análise Fatorial Exploratória da 1ª subamostra Tabela 5 Critérios de exclusão utilizados nos itens retirados na AFE iterativa da 1ª subamostra Tabela 6 Cargas padronizadas e índices de ajuste da análise fatorial exploratória (modelo A) e da análise fatorial confirmatória da primeira subamostra Tabela 7 Correlações entre as dimensões e o quadrado das correlações entre fatores da primeira subamostra Tabela 8 Confiabilidade composta e variância extraída da primeira subamostra Tabela 9 Proporção da variância explicada pelo critério do autovalor Tabela 10 Critérios de exclusão utilizados nos itens retirados na AFE iterativa Tabela 11 Cargas padronizadas e índices de ajuste da análise fatorial exploratória (modelo B) e da análise fatorial confirmatória da segunda subamostra Tabela 12 Correlações entre as dimensões e o quadrado das correlações entre fatores da segunda subamostra Tabela 13 Confiabilidade composta e variância extraída da segunda subamostra Tabela 14 Cargas fatoriais, variância residual (Uniqueness) e índices de ajuste da análise fatorial confirmatória dos modelos A e B, aplicada na subamostra Tabela 15 Confiabilidade composta e variância extraída do modelo A e do modelo B Tabela 16 Correlações entre as dimensões e o quadrado das correlações entre fatores do modelo A e do modelo B Tabela 17 Cargas fatoriais, índices de ajuste, variância média extraída e confiabilidade composta da análise fatorial confirmatória dos modelos aplicados nas três subamostras xii

13 Lista de Anexos Apêndice A - Comparação da escala RG original Holandesa com a escala do Reino Unido proposta por Webber e Huxley (2007) Apêndice B - Análises adicionais da primeira subamostra Apêndice C - Análises adicionais da segunda subamostra Anexo 1 - Escala Resource Generator no questionário ELSA-Brasil xiii

14 Lista de Siglas AFC AFE AVE CAPES CEP CFI CI CNPq ELSA ENSP ESEM FIOCRUZ RG RMSEA SEM TLI TRI TRIn WLSMV Análise Fatorial Confirmatória Análise Fatorial Exploratória Average variance extracted Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Comitê de Ética em Pesquisa Comparative Fit Index Centro de Investigação Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca Exploratory Structural Equation Modeling Fundação Oswaldo Cruz Resource Generator Root Mean Square Error of Aproximation Structural Equation Model) Tucker-Lewis Index Teoria de Resposta ao Item Teoria de Resposta ao Item não-paramétrica Robust weighted least squares xiv

15 1 - Introdução Apresentação Na história da ciência, observa-se que as ideias desenvolvidas pelos pensadores não são definitivas, pois estão constantemente em construção, seja através de mudanças de paradigmas ou por conceitos que são sistematicamente ampliados. Na tentativa de compreender o método científico, Lakatos (1978) propôs a metodologia dos programas de investigação como uma abordagem original para realizar a construção racional da história da ciência. Para ele, a história da ciência não é uma história de teorias sucessivas, mas de teorias concorrentes, sendo até desejável certa competição para acelerar o progresso científico. Com este olhar, é possível compreender e dar crédito ao desenvolvimento de novas teorias, ainda que apresentem algumas restrições quanto ao seu escopo e aplicações. Como muitos temas novos em desenvolvimento na linha de estudos dos determinantes sociais da saúde, o capital social tem atraído a atenção de pesquisadores de várias áreas do conhecimento e talvez devido a este olhar multifacetado, encontramos discordâncias e abordagens distintas em sua conceituação. Além das diferenças conceituais e formas de mensuração, a utilização recente do termo de maneira ampliada, dificulta a sua delimitação em relação às abordagens mais tradicionais das relações sociais, como os estudos de rede e apoio social (Portes, 1998). A definição de capital social está relacionada aos conceitos de rede e apoio social. Por exemplo, a definição proposta por Bourdieu (1986) descreve o capital social como a soma de recursos acessados pelo indivíduo através de relações com um grupo. Portanto, está ligada ao conceito de apoio social na medida em que através destas relações é que o indivíduo receberá apoio emocional, material ou de informação, para enfrentar situações que geram tensão emocional (Caplan, 1974). 1

16 Já o conceito de redes sociais é imprescindível para este e outros enfoques do capital social, como o de Lin (2001), que entende o capital social como um conjunto de recursos imersos em uma rede social pessoal e uma rede mais ampla, comunitária. Ou a abordagem de Putnam (2002), que analisando instituições e formas de associação, relata que o capital social de determinada comunidade depende de características e relações da organização social, tais como confiança, normas e relações estabelecidas por organizações civis e econômicas que contribuem para aumentar a eficiência da sociedade. Outro debate em torno da utilização do capital social se refere ao nível de análise (coletivo ou individual). Há muitos estudos na área da Epidemiologia que utilizam a medida no nível coletivo, agregando dados individuais. Entretanto, a forma mais frequente de analise do capital social é no nível individual (Yang, 2007). Alguns pesquisadores defendem a utilização integrada dos dois níveis de medida, na tentativa de fortalecer o conceito do capital social (Kawachi, et al., 2004). Apesar das diferenças conceituais e metodológicas na operacionalização da medida, importantes pesquisadores na área compartilham a ideia de que os investimentos nas redes sociais e a forma como elas se organizam são fatores de desenvolvimento econômico (Bourdieu, 1986; Coleman, 1988; Lin, 2001). Na área da Epidemiologia, Kawachi e colaboradores foram os principais responsáveis por trazerem o debate acerca da importância do capital social para a saúde. Seus estudos empíricos em grandes pesquisas americanas buscam avaliar a influência do capital social sobre desfechos de saúde (Kawachi, et al., 1999; Fujiwara & Kawachi, 2008); suas reflexões adicionam solidez ao tema e seus estudos propõem aprimoramento de medidas e novas formas de análises. Suas participações em pesquisas de diversos países desenvolvem o tema com a utilização de indicadores como confiança e participação social; e contribuem para a investigação do capital social em diferentes contextos (Borges, et al., 2010; Hamano, et al., 2010; Hurtado, et al., 2011). No Brasil, a influência do capital social sobre a saúde ainda é pouco explorada. Os artigos publicados são em sua maioria conceituais e de revisão (Marteleto & Silva, 2004; Pattussi, et al., 2006); e abordam a questão na perspectiva da Sociologia (Baquero, 2003) e da Economia (Abramovay, 2000), e também na abordagem do nível coletivo (Milani, 2005; Idrovo, et al., 2011). 2

17 Entre os determinantes sociais de saúde, o capital social é uma das exposições de interesse do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil). Assim, uma escala de mensuração do capital social (Resource Generator Scale) foi incluída no questionário da linha de base do estudo. Esse instrumento, desenvolvido na Holanda (Van Der Gaag & Snijders, 2005), contém originalmente 33 perguntas, que representam situações práticas para avaliar o acesso a diversos tipos de recursos. Em conjunto, cobre quatro dimensões da vida, consideradas essenciais ao capital social: 1) prestígio e educação (ex.: conhecer alguém que fale uma língua estrangeira); 2) habilidades políticas e financeiras (ex.: contato com ativista de partido político); 3) habilidades pessoais (ex.: conhecer alguém que conserte uma bicicleta); 4) apoio pessoal (ex.: alguém que possa dar conselhos sobre conflitos no trabalho). Além disso, avalia a força da ligação do indivíduo com os membros da rede social por meio dos quais os recursos podem ser obtidos (familiares, amigos ou conhecidos) (Granovetter, 1973; Van Der Gaag, 2005). No entanto, compreender e aferir os fenômenos sociais e sua relação com a saúde constitui-se uma tarefa complexa. Além disso, em epidemiologia, utilizar instrumentos concebidos em um contexto diferente daquele em que se pretende aplicar um novo estudo, requer avaliação cuidadosa da equivalência entre o original e a nova versão, levando em conta as definições, crenças e comportamentos relacionados ao construto, conforme ressaltam Reichenheim e Moraes (2007). Parte dessa avaliação, no que se refere às etapas de tradução para o Português brasileiro e estabilidade temporal dos itens da escala de capital social, foram apresentadas em estudo anterior (Griep, et al., 2013). A presente dissertação complementa etapas de avaliação psicométrica e de desempenho do instrumento no contexto brasileiro; apresenta um conjunto de parâmetros relacionados à estrutura dimensional e à adequação dos itens componentes da escala de mensuração de capital social Resource Generator, aplicada pela primeira vez no país na linha de base do ELSA-Brasil. Espera-se que esse estudo possa subsidiar o uso da escala no ELSA-Brasil e também em outros estudos epidemiológicos, contribuindo para o desenvolvimento do tema no Brasil. 3

18 A dissertação inicia-se pela revisão de literatura, que descreve o desenvolvimento do conceito de capital social, apresenta um panorama e uma sistematização das diferentes formas de capital social, assim como descreve os principais instrumentos utilizados para sua medida e os desfechos associados. Em seguida após uma breve reflexão acerca da qualidade dos instrumentos epidemiológicos, serão relatados os estudos mais importantes de validação e concordância da escala Resource Generator. Na seção referente à abordagem metodológica apresenta-se uma descrição mais detalhada do ELSA-Brasil e da escala utilizada, assim como o detalhamento dos procedimentos de análises dos dados. Em seguida, será relatado o resultado de cada etapa das análises realizadas nas três subamostras estudadas. Por fim, será discutida a escolha do modelo, assim como sua aplicabilidade e limitações. 4

19 2 - Revisão de Literatura Definições de Capital Social O conceito de capital social possui diferentes abordagens, de acordo com filiações teórico-metodológicas distintas. Apesar da ideia já estar implícita em trabalhos da sociologia do século XIX em Durkheim, Marx e Simel, a difusão do termo é recente (Portes, 1998). A partir da década de 80, os trabalhos de Pièrre Bourdieu (1986) que desenvolveu o tema no âmbito da teoria social; de Putnam (2002), em seu estudo sobre participação em associações cívicas na Itália; e de Coleman (1988), em suas discussões sobre o contexto social da educação possibilitaram maior desenvolvimento do tema. Bourdieu (1986), responsável pela primeira análise sistemática contemporânea do termo capital social, expande a concepção econômica de capital para além das trocas materiais, para incluir formas "não materiais", como o capital cultural e social. Portanto, postula que diferentes tipos de capital podem ser adquiridos, trocados e convertidos em outras formas (Portes, 1998), e define capital social como o conjunto de recursos reais ou potenciais que estão ligados através de uma rede. Trata-se, portanto, da soma de recursos acessados através da vinculação a um grupo que possui reconhecimento mútuo e está unido por laços permanentes e úteis (Bourdieu, 1986). Fica claro neste contexto a abordagem individual, em que alguém contribui e utiliza os recursos da rede para fins próprios. Em sua conceituação, Putnam difere de Bourdieu salientando o aspecto coletivo do capital social. Ele acredita que por estar associado a redes de relacionamentos é propriedade de toda a comunidade e não pode ser possuído por um indivíduo (Lannoo, 2009). Essa abordagem, mais ampla, é vista como uma característica de comunidades, regiões e estados, e não individual. Para identificar se uma determinada comunidade tem capital social verifica-se a presença de instituições formais ou informais, como clubes e associações que estejam voltadas para o bem-estar coletivo. E a investigação do capital social passa pela análise das relações tecidas em torno do cumprimento de normas de reciprocidade e confiança que permeiam estas instituições (Uphoff, 2000; Putnam, 2002). 5

20 Uma sociedade com alto nível de capital social apresenta também grande participação social e confiança mútua, o que aumenta a interação de indivíduos. Assim, dentro desta perspectiva, os indivíduos podem obter os benefícios de morar em uma área com alto nível de participação social, sem necessariamente eles mesmos contribuírem para a existência destes benefícios (Nyqvist, et al., 2008). Para Coleman (1988), o capital social também é considerado um bem público e algo inalienável. A existência, a manutenção e a destruição do capital social dependem da interação de indivíduos, não sendo desta forma transferível de uma pessoa para a outra. Sua visão de capital social é próxima da de Bourdieu no entendimento que o mesmo facilita os interesses e as ações individuais. Ele ainda fornece importantes contribuições para o estudo do capital social abordando-o através de sua função, isto é, o capital social é produtivo, assim como o capital econômico, cultural e humano, sendo deste modo possível atingir certos fins que não seriam alcançados na sua ausência. Quanto às formas, Coleman (1988) distingue pelo menos três principais: i- estruturas de obrigações, expectativas e confiança; ii-canais de informação; e iii-normas e sanções. A primeira refere-se à existência de um ambiente em que haja confiança para que um indivíduo, ao realizar um favor a outro, tenha expectativa de retorno e que ao mesmo tempo este outro se sinta na obrigação de retribuí-lo. A segunda forma refere-se ao uso dos canais de informação disponíveis em uma estrutura social. Ciente de que manter-se atualizado pode ter um custo alto, pois demanda tempo e acesso à informação; pode-se adquirir informações com um menor custo, através dos contatos de nossas redes. E por último, as normas e sanções surgem como tentativas de restringir ações negativas e encorajar ações positivas do indivíduo em relação às suas redes. 6

21 O debate entre uma abordagem no nível individual ou coletivo é um dos principais desafios observados na literatura na tentativa de entender consensualmente o conceito de capital social. Por exemplo, para Portes (2000) o valor teórico do capital social está presente em sua concepção inicial, o nível individual, e ampliá-lo para abarcar a ideia de que ele é uma característica de agregados populacionais, diminui sua solidez teórica. Entretanto, Kawachi (2004) salienta que apesar da pesquisa do capital social no nível individual contribuir com as pesquisas na área de rede social e apoio social, que já estão bem estabelecidas em sua relação com desfechos em saúde, a novidade da contribuição do capital social reside nas potenciais influências do nível coletivo na saúde do indivíduo. E ainda pontua que isso não significa que a abordagem tenha que ser escolhida de forma dicotômica, e sim analisada em conjunto nos dois níveis, individual e coletivo (Kawachi, et al., 2004; Yip, et al., 2007). Portanto, embora se observe frequentemente a escolha entre as duas abordagens, elas poderiam atuar de forma complementar nas análises. Observa-se também na literatura a distinção entre capital social cognitivo e estrutural (Uphoff, 2000; De Silva, et al., 2005), assim como a especificação de diferentes formas de capital social divididas em relacionamentos do tipo ligação (bonding), ponte (bridging) e conexão (linking) (Kawachi, et al., 2004; Marteleto & Silva, 2004). O capital social estrutural está ligado a várias formas de organização social e de instituições locais que são úteis ao desenvolvimento de uma comunidade, favorecendo o auxílio mútuo através do estabelecimento de papéis, regras e procedimentos. Esses elementos, ao estabelecerem padrões de comportamento, favorecem que os resultados da ação coletiva tornem-se mais adequados e desejáveis ao grupo (Uphoff, 2000; De Silva, et al., 2005). O capital social cognitivo por sua vez, manifesta-se por meio de normas, valores, atitudes e crenças, e é resultante de processos mentais reforçados pela cultura e ideologia de um grupo. A confiança, solidariedade e reciprocidade são fatores que propiciam o reforço desta cultura e que quando compartilhados entre os indivíduos, também contribuem para o comportamento cooperativo (Uphoff, 2000; De Silva, et al., 2005). 7

22 Ambas as categorias de capital social, cognitivo e estrutural, que devem ser entendidas de forma dinâmica e interdependentes, podem se referir a diferentes formas de capital social. Através de relacionamentos horizontais próximos, entre indivíduos que compartilham similaridades do ponto de vista de características demográficas (como familiares e vizinhos), referem-se ao capital social de ligação. Ao estabelecerem relacionamentos horizontais com pessoas não tão similares, caracterizando uma ampliação do alcance de suas ações, conectando-se a outra rede, referem-se ao capital social de ponte. Por último, estabelecendo contatos com pessoas em posição de poder e que podem trazer benefícios para o desenvolvimento da comunidade, referem-se ao capital social de conexão, também chamado de capital social vertical. (Kawachi, et al., 2004; Szreter & Woolcock, 2004). A Figura 1 ilustra a sistematização destes conceitos. CAPITAL SOCIAL Capital Social Cognitivo Capital Social Estrutural Operacionalização Operacionalização Medidas de redes sociais, padrões de engajamento cívico. Percepção do indivíduo a respeito do nível de confiança, solidariedade e reciprocidade. Capital Social Horizontal Capital Social Vertical (Capital Social de Conexão) Capital Social de Ligação Capital Social de Ponte Operacionalização Operacionalização Relacionamentos entre grupos homogeneos, isto é, laços fortes que conectam familiares, vizinhos e amigos próximos. Operacionalização Relacionamentos através de laços fracos que conectam individuos com caracteristicas demográficas distintas (como cor da pele e ocupação). Relações hierárquicas ou desiguais, devido a diferenças na posição de poder ou status. Figura 1 Formas do capital social com sua operacionalização em estudos empíricos. (Adaptado de Islam, et al., 2006) 8

23 2.2 - Como medir o capital social As divergências conceituais dos autores que estudam capital social são amplas e, desta forma, criar uma medida válida e amplamente aceita é tarefa trabalhosa (Marteleto & Silva, 2004; Chen, et al., 2009). Cada abordagem e interpretação do conceito prioriza indicadores e unidades de análise diferentes. Além da variedade de fontes de dados e indicadores, o pequeno número de estudos de confiabilidade e validade dos instrumentos existentes permite compreender alguns dos problemas de mensuração do capital social (Pattussi, et al., 2006). Na tentativa de resumir os principais indicadores de capital social, o Quadro 1 apresenta alguns exemplos, classificando-os entre indicadores de capital social cognitivo e estrutural; assim como de maneira não exaustiva, delimita as principais áreas temáticas encontradas nos estudos dos últimos cinco anos. Deve-se considerar também que um mesmo tema pode ser utilizado para uma abordagem no nível coletivo ou individual, dependendo da forma como a pergunta será elaborada. 9

24 Quadro 1 Indicadores frequentemente utilizados para medir o capital social cognitivo e estrutural. Tipos Temas Indicadores Cognitivo Estrutural Confiança Social Eficácia Coletiva Medidas de rede Participação social Medida por perguntas sobre confiança nas pessoas em geral, sobre confiança mútua, confiança no governo etc. Medida por perguntas sobre coesão social (Ex: se a vizinhança é confiável, prestativa) e sobre controle social (Ex: se pode contar com a vizinhança para evitar problemas como vandalismo). Medidas de volume, densidade e diversidade de redes. Ex: Position Generator e Resource Generator Medidas sobre participação política, voluntariado, participação na comunidade. Ex: Taxa de participação eleitoral, número de associações não governamentais de uma área, frequência a atividades religiosas etc. Pode-se observar que conceitos como confiança social e reciprocidade que estão na raiz das definições de capital social, também estão em sua operacionalização. No entanto, frequentemente estes conceitos são nomeados de formas diversas, por exemplo, confiança social pode ser chamada de confiança mútua ou confiança no outro. Dada a necessidade de delimitar e padronizar os indicadores de capital social, as pesquisas que buscam fazê-lo ainda são incipientes. Algum esforço vem sendo feito na tentativa organizar conceitualmente e validar o conceito de confiança social (Thönia, et al., 2012), entretanto, dependendo do fraseamento da questão, do período histórico ou ainda da cultura dos respondentes, esses conceitos podem captar fenômenos completamente diferentes. Além disso é possível observar alguns estudos que utilizam escalas testadas com algum estudo psicométrico prévio, e ao invés de utilizar os indicadores de confiança social ou controle social de maneira isolada, tentam mapear o construto do capital social em diferentes dimensões (Chen, et al., 2009; Oksanen, et al., 2011; Leal, et al., 2011). 10

25 Assim, alguns autores mencionam que o capital social não pode ser medido diretamente; é um construto que requer interpretação subjetiva, e não pode ser captado com uma pergunta única, requerendo grupos de indicadores para avaliar suas múltiplas dimensões (Lochner, et al., 1999; Yang, 2007). Sua operacionalização pode apresentar dificuldades, pois há controvérsias sobre o que é fonte e o que é efeito do capital social (Lin, 1999; Portes, 1998). Considerações sobre a medida do capital social nos levam invariavelmente ao debate do nível em que ele deve ser analisado (coletivo ou individual) Nível coletivo Os pesquisadores que optam por medir o capital social no nível coletivo, frequentemente utilizam conceitos como confiança social, valores, normas, coesão social, ampliam demasiadamente o seu escopo de análise e colocam-no em aplicações cada vez mais complexas (Portes, 1998). Entretanto, mesmo com a ampliação conceitual, uma extensa produção teórica tem sido realizada com essa abordagem. Após uma breve revisão bibliográfica, Pattussi (2006) relata a existência de pelo menos oito áreas de conhecimento em que os benefícios do capital social têm sido estudados: comportamento juvenil e familiar, educação, vida comunitária, trabalho e organizações, ciências políticas, desenvolvimento econômico, criminologia e saúde pública. Para investigar a medida do capital social no nível coletivo, uma abordagem frequente tem sido coletar dados individuais e agrupá-los. Este agrupamento pode ser feito no nível da vizinhança, da cidade ou até mesmo de um país. Entretanto, há implicações diferentes, pois o capital social de um país sofre influência da cultura e de políticas socioeconômicas, enquanto que no nível local, dependente mais de interações do dia-a-dia (Lochner, et al., 1999). A abordagem de agrupamento mais frequente no nível coletivo tem sido realizada no nível de vizinhança. É comum encontrarmos a expressão capital social de vizinhança em alguns estudos em que as perguntas realizadas para os participantes do estudo referem-se à relação dele com a vizinhança e posteriormente os dados são analisados para a vizinhança como um todo (Kawachi, et al., 1999). 11

26 Uma forma menos usual de coleta de dados no nível coletivo, talvez devido às limitações atribuídas aos estudos ecológicos, é através de questões que consideram características de contexto de determinada região. Neles, os dados são coletados diretamente no nível coletivo, e encontramos como indicadores de capital social o número de associações civis de uma determinada região, a taxa de participação eleitoral, índices de criminalidade, entre outros (Mohan, et al., 2005; Lofors & Sundquist, 2007). Desta forma, com a proliferação dos estudos de capital social, podemos ainda observar que o nível coletivo é tipicamente subdividido em dois: macro e meso. O nível macro prioriza a análise de países e estados considerando o contexto histórico, social, político e econômico na investigação da estrutura social que pode produzir o capital social. As análises no nível meso incluem medidas das características de uma vizinhança ou uma pequena comunidade que podem produzir capital social (Macinko & Starfield, 2001). Esta classificação também inclui outras duas dimensões; o nível individual comportamental em que é analisada a participação social do indivíduo; e o nível individual psicológico de atitude, em que se avalia principalmente o conceito de confiança social que o indivíduo possui. Para muitos autores estes dois últimos níveis são entendidos apenas como o nível individual ou como nível micro. Um grande grupo de pesquisa coordenado pelo banco mundial, o Grupo Temático de Capital Social (Social Capital Thematic Group), elaborou um instrumento através de vários questionários que investigam o capital social no nível organizacional, comunitário e domiciliar, utilizando ferramentas quantitativas e qualitativas para esta análise. O instrumento The World Bank s Social Capital Assessment Tool (SOCAT), é um exemplo da ampliação do escopo do capital social e da tentativa de apreendê-lo nos níveis macro, meso e micro (Grootaert, et al., 2004) Nível Individual O nível individual é o mais frequentemente utilizado para a coleta de dados em capital social. Mesmo os instrumentos que se propõem a realizar análises no nível coletivo, muitas vezes coletam e analisam também dados de forma individual (Sudarsky, 1999). 12

27 A análise de redes é a temática mais comumente associada ao capital social nesta abordagem, mas também encontramos instrumentos que utilizam temas como confiança social e ação coletiva para investigar o construto capital social (Fujiwara & Kawachi, 2008; Ueshima, et al., 2010; Giordano, et al., 2012). Outros estudos, como o realizado pelo Grupo Temático de Capital Social, também abordam questões politicas e econômicas, objetivando desfechos como o fortalecimento da economia local ou redução da pobreza. Este grupo elaborou um instrumento com o objetivo de gerar dados quantitativos sobre o capital social em países de baixa renda. O Integrated Questionnaire for the Measurement of Social Capital (SC- IQ), construído para ser integrado a outras pesquisas, como por exemplo, sobre levantamento de índices de pobreza, investiga o capital social através de seis dimensões: grupos e redes, confiança e solidariedade, cooperação e ação coletiva, informação e comunicação, coesão social e inclusão, emponderamento e ação política (Grootaert, et al., 2004). Na temática de análise de redes, o capital social é entendido como os recursos sociais inseridos na rede de relações sociais do indivíduo, e as análises priorizam aspectos relacionados ao volume (número de pessoas que compõem a rede), a estrutura (análise da densidade da rede) e a diversidade (tipos de laços, contato com pessoas de diferentes idades, sexo e escolaridade) (Lin, et al., 1998; Van Der Gaag, 2005). Uma rede social é formada por um conjunto de agentes (ou atores, nós) ligados por relações sociais (os elos). Os elos formados por algum tipo de relacionamento possibilitam a existência de recursos inseridos nesta rede (Granovetter, 1973). Assim, na pesquisa do capital social no nível individual deve-se levar em consideração um dos dois elementos: os recursos incorporados na rede ou a localização do indivíduo na rede social (Lin, 1999). A identificação da localização dos nós nas redes sociais ajuda a avaliar o quão longe ou o quão perto o nó está de localizações estratégicas que podem dar acesso a recursos valiosos. Já a análise dos recursos incorporados na rede aborda o valor dos recursos disponibilizados na mesma, pelo outro, como riqueza, poder e status e a possibilidade do indivíduo acessá-los (Lin, 1999). A partir desta concepção teórica, foram desenvolvidas basicamente quatro formas para medir o capital social, que serão brevemente descritos a seguir. 13

28 A técnica de saturação é uma técnica de medida utilizada quando é possível mapear toda uma rede social definida. É usada principalmente em empresas ou em pequenas redes entre empresas. Esta pesquisa permite fazer uma análise detalhada da localização e do recurso inserido em cada ponto da rede (Lin, 1999). A escala Name Generator, tem o objetivo de montar a rede do indivíduo, permitindo sua análise, assim como os recursos que estão inseridos nesta rede. Nesta escala pergunta-se ao indivíduo o nome de pessoas que ele conhece e em que ele pode contar para ajudá-lo em determinadas situações. O entrevistador anota o nome das pessoas e faz perguntas sobre eles (idade, sexo, relação com o entrevistado etc.) (Lannoo, 2009). Já a escala Position Generator ajuda a identificar a estrutura dos laços pelos quais o indivíduo tem acesso ao capital social. Neste instrumento pede-se para o indivíduo identificar se conhece alguém com determinadas profissões de uma lista prédefinida. Seu objetivo é descobrir se o indivíduo tem acesso a profissões de alto prestígio e se ele tem acesso a uma ampla gama de profissões com valorizações sociais diferentes (Lin, et al., 1998; Lin, 2001). A escala Resource Generator questiona mede o acesso a diferentes recursos aos quais o indivíduo tem ou não tem acesso, assim como através de quem ele tem este acesso (familiares, amigos ou conhecidos). Diferentemente das outras medidas de capital social e propondo-se a superar os seus limites, na construção da escala não foi incluído o mapeamento completo da rede como na Name Generator, o que reduz de maneira significante o tempo de entrevista e evita a coleta de informações redundantes, já que vários indivíduos podem dar acesso ao mesmo tipo de recurso. Além disso, refere-se a diversas fontes de acesso ao capital social ao invés de deter-se apenas ao prestígio das ocupações, como na Position Generator (Gaag & Snijders, 2005). Desta forma a Resource Generator foi criada através da combinação dos aspectos positivos da Name Generator (como a informação detalhada dos recursos) e da Position Generator (como a validade interna e menor tempo de entrevista). Assim, é considerado um instrumento de aplicação fácil, objetivo e com interpretações mais claras sobre o capital social de determinada população. 14

29 A questão mais importante na construção da Resource Generator é a compreensão do que é útil em cada rede social de diferentes populações, e assim, como pré-requisito de qualquer adaptação transcultural, a seleção de itens necessita de um estudo teórico prévio. Gaag (2005) relata que para esta escala um processo cuidadoso foi utilizado de forma que os itens cobrissem a maioria dos domínios em que o capital social possui um papel significativo na vida dos holandeses. Outra questão a ser considerada na construção da escala é se ela fará a medida do acesso ou do uso do capital social. A Resource Generator investiga o acesso, ou seja, a possibilidade de utilização dos recursos e não a sua real utilização. Isso pode ser entendido como uma limitação, já que só é possível descobrir se determinado recurso está de fato disponível quando o mesmo é solicitado. Entretanto, a medida do uso do capital social é mais adequada a estudos retrospectivos. Além de incluir algumas dificuldades em sua medida, pois a decisão de mobilizar certo recurso está permeada por decisões individuais, como por exemplo, o custo envolvido em pedir ajuda (Van Der Gaag, 2005). Para ilustrar como o capital social tem sido medido nos últimos seis anos, o Quadro 2 lista os principais estudos realizados associando o capital social com desfechos em saúde. Podemos observar através deste quadro várias situações descritas anteriormente; como a coleta de dados individuais, agrupados em diversos níveis; o uso da confiança social ora medida com apenas um item, ora como parte de uma dimensão de uma escala de capital social; e a presença de uma medida de rede em todos os estudos que buscam análises no nível individual. 15

30 Quadro 2 Principais estudos com associação entre capital social e desfechos em saúde. Autor /Ano Nível de análise (descrição da forma de coleta) População em estudo Instrumento utilizado/ variáveis coletadas Principais Resultados Yip, et al Coletado no nível individual e analisado no nível individual e coletivo (agregado em vilas) Linha de base de um estudo de uma coorte populacional com 1218 moradores (16-80 anos) de três regiões rurais na China. Capital social medido pelo número de participação em organizações e um questionário de 12 itens sobre confiança, reciprocidade e ajuda mútua. O capital social individual (medido pela confiança social) apresentou associação positiva com saúde mental, auto avaliação de saúde e bem-estar subjetivo. Kouvonen et al Coletado no nível individual e analisado no nível individual e coletivo (unidade de trabalho) Estudo longitudinal com 4853 trabalhadores públicos fumantes da Finlândia. Capital social medido por uma escala de oito itens sobre valores compartilhados, atitudes e normas de confiança no ambiente de trabalho. Alto capital social no nível individual no ambiente de trabalho foi associado com parar de fumar. Kouvonen et al Coletado no nível individual e analisado no nível individual e coletivo (unidade de trabalho) Estudo longitudinal com trabalhadores públicos com histórico de depressão da Finlândia. Capital social medido por uma escala de oito itens sobre valores compartilhados, atitudes e normas de confiança no ambiente de trabalho Alto capital social no nível individual no ambiente de trabalho foi associado com tratamento com antidepressivo e diagnóstico médico de depressão. Fujiwara, Kawachi 2008 Coletado e analisado no nível individual Estudo longitudinal, de base populacional, com 724 adultos nos Estados Unidos. Capital social cognitivo medido por um item de confiança social, três itens sobre senso de pertencimento e três sobre ajuda mútua. Capital social estrutural medido por um item sobre voluntarismo e outro sobre participação na comunidade. Apenas o capital social cognitivo encontrou-se associado com a depressão durante os 2-3 anos de seguimento. Aida, et al 2009 Coletados no nível individual e analisados no nível individual e coletivo (agregado em comunidades) Estudo seccional realizado com 5560 idosos de 25 comunidades no Japão Capital social mesurado por uma pergunta sobre quais grupos de associação o indivíduo frequentava. O capital social foi classificado entre horizontal e vertical, Capital social horizontal analisado no nível individual e coletivo encontrou-se associado com o número de dentes remanescentes nos idosos. Moore, et al Coletado e analisado no nível individual Estudo seccional realizado com 332 adultos em Montreal, Canadá Capital social foi mensurado através do Position Generator, de uma pergunta sobre confiança social e uma sobre participação em grupos de associações civis. Níveis altos de capital social foram associados com uma menor probabilidade de circunferência de cintura elevada, de sobrepeso e obesidade. 16

31 Autor /Ano Nível de análise (descrição da forma de coleta) População em estudo Instrumento utilizado/ variáveis coletadas Principais Resultados Ueshima, et al Coletado e analisado no nível individual Estudo seccional realizado com adultos na cidade de Okayama, Japão. Capital social mensurado através de um item sobre confiança social e outro sobre voluntariado. Níveis baixos de capital social foram associados com sedentarismo. Hamano, et al Coletado no nível individual e analisado no nível individual e coletivo (agregado em vizinhanças) Estudo seccional realizado com 5956 adultos de 199 vizinhanças do Japão. Capital social mensurado através de um item sobre confiança social e outro sobre voluntariado. Capital social analisado no nível ecológico pode influenciar a saúde mental. Borges, et al Coletado e analisado no nível individual Estudo seccional realizado entre 363 adolescentes (16 e 17 anos) de uma ONG brasileira. Capital social medido por 14 dos 27 itens do SC-QI (World Bank Integrated Questionnaire to Measure Social Capital) O capital social apresentou associação positiva com saúde auto avaliação de saúde. Aslund, Starrin e Nilsson 2010 Coletado no nível individual e analisado no nível individual e coletivo (agregado em vizinhança). Estudo seccional realizado com 7757 adolescentes na cidade de Vestmanland, Suécia. Capital social mensurado por sete perguntas sobre a vizinhança e seis itens sobre confiança social. Baixos níveis de capital social e baixa confiança social estão associados com altas taxas de sintomas psicossomáticos, dor musculoesquelética e depressão. Leal, et al Coletados no nível individual e analisados no nível individual e coletivo (agregado em cidade) Estudo de follow-up com 1485 mulheres grávidas em duas cidades no Rio de Janeiro, Brasil. Questionário composto por cinco dimensões: confiança social, emponderamento, controle social, segurança na vizinhança e eficácia política. Capital social, analisado de forma não agregada, foi associado com a utilização de pré-natal inadequado. Aida, et al Coletado e analisado no nível individual Estudo de coorte realizado com idosos em Aichi Prefecture, Japão. Capital social aferido por 17 itens, incluindo redes sociais e participação na comunidade, confiança social, apoio social e reciprocidade. Uma das medidas de rede social network friendship foi um bom preditor para todas as causas de mortalidade. Han, Kim e Lee 2011 Coletado no nível individual e analisado no nível individual e coletivo (agregado em áreas administrativas). Estudo seccional, de base populacional, realizado com 4730 moradores (25 anos ou mais) de Seul, Coréia. Capital social medido pelo Position Generator e pelo número de participações em organizações. Capital social individual associado positivamente com boa/muito boa saúde. Oksanen, et al Coletado no nível individual e analisado no nível individual e coletivo (unidade de trabalho) Estudo seccional com trabalhadores públicos hipertensos da Finlândia. Capital social medido por uma escala de oito itens sobre valores compartilhados, atitudes e normas de confiança no ambiente de trabalho. Não foi encontrada associação entre capital social no ambiente de trabalho e aderência à medicação hipertensiva. 17

32 Autor /Ano Nível de análise (descrição da forma de coleta) População em estudo Instrumento utilizado/ variáveis coletadas Principais Resultados Hurtado, Kawachi, Sudarsky 2011 Coletado no nível individual e coletivo e analisado no nível coletivo (agregado para o país). Estudo seccional, de base populacional, com 3025 adultos na Colômbia (amostra representativa nacional). Capital social medido por seis itens, um de cada temática: confiança interpessoal, reciprocidade, voluntariado, participação politica, participação cívica e adesão em associações. Capital social cognitivo (confiança e reciprocidade) e adesão em associações foram associados com boa classificação em auto avaliação de saúde. Verhaeghe e Tampubolon 2012 Coletado no nível individual e analisado no nível individual e coletivo (agregado em vizinhanças). Estudo seccional, de base populacional, em adultos da Inglaterra Capital social medido pelo Position Generator, por uma pergunta sobre confiança social e uma de participação social (frequência com que se encontra com amigos e familiares). Confiança social, participação social e possuir rede social com membros da classe assalariada estão associados positivamente com auto avaliação de saúde. Poulsen, et al Coletado no nível individual e coletivo e analisado no nível coletivo (REVER) Estudo longitudinal, de base populacional, com idosos na Dinamarca. Foram avaliadas duas coortes com idosos de 75 e 80 anos. Capital social medido por uma escala de 14 itens, que buscaram medir o capital social de ligação, de ponte e conexão. Encontrada associação entre capital social de ponte e conexão com mortalidade na coorte de idosos com 80 anos, entretanto as associações foram atenuadas quando controlados os confundidores. Giordano, Björk, Lindström 2012 Coletado e analisado no nível individual Estudo longitudinal, de base populacional, com 8114 indivíduos do Reino Unido. Capital social medido por um item sobre confiança social e dois itens sobre participação social (voluntariado e frequência. de conversas com os vizinhos) Confiança social mostrou-se associada com auto avaliação de saúde podendo ser considerada como um preditor independente de estado de saúde futuro. Langille, et al Coletado e analisado no nível individual Estudo seccional realizado com 1597 estudantes entre 15 e 17 anos, na cidade de Nova Scotia, Canadá. Capital social medido por um item sobre confiança social, dois itens sobre participação social (freq. ativ. religiosa e em atividades extracurriculares) e um item sobre ser prestativo (helpfullness). Alto capital social cognitivo foi fator protetivo para ideação suicida e tentativa de suicídio no ano anterior. Calvo, et al Coletado no nível individual e analisado no nível individual e coletivo (agregado para o país). Estudo seccional realizado com indivíduos (15 anos ou mais) de 142 países. Apenas indivíduos com a medida de confiança social. Capital social medido por três perguntas; uma de cada temática: apoio social, voluntariado e confiança social. Altos níveis de apoio pessoal e confiança social estão associados com o bem-estar social na maior parte dos países analisados. 18

33 Autor /Ano Nível de análise (descrição da forma de coleta) População em estudo Instrumento utilizado/ variáveis coletadas Principais Resultados Farajzadegan, Jafari, Nazer, Keyvanara, Zamani, 2013 Coletado e analisado no nível individual Estudo seccional realizado com 120 pacientes diabéticos de uma instituição de caridade do Irã. Capital social medido pelo Integrated Questionnaire for the Measurement of Social Capital (SC-IQ). Altos níveis de capital social estiveram associados à adesão aos medicamentos e a dieta, e consequentemente ao controle glicêmico. 19

34 2.3 - Principais desfechos em saúde associados ao Capital Social Apesar do aumento de publicações que envolvem o conceito de capital social com desfechos em saúde, ainda há várias lacunas sobre quais mecanismos explicam essas associações. Por exemplo, como é possível promover saúde através do capital social e em que nível, ou ainda de que forma o capital social pode beneficiar grupos populacionais diferentes. Entretanto, mesmo com definições distintas, há uma concordância geral entre os pesquisadores de capital social, que ele é um importante determinante social em saúde (Portes, 1998; Yip, et al., 2007; Eriksson, 2011). Observando o Quadro 2 acima, nota-se que o capital social tem sido caracterizado como fator protetor de diversos desfechos em saúde; promovendo o melhor estado de saúde e bem-estar (Yip, et al., 2007; Borges, et al., 2010; Hurtado, et al., 2011; Han, et al., 2012; Giordano, et al., 2012; Verhaeghe & Tampubolon, 2012), a saúde mental (Yip, et al., 2007; Fujiwara & Kawachi, 2008; Kouvonen, et al., 2008; Hamano, et al., 2010; Aslund, et al., 2010) e saúde bucal (Aida, et al., 2009), e a diminuição de riscos de mortalidade geral (Aida, et al., 2011) (Poulsen, et al., 2012) e do comportamento suicida (Langille, et al., 2012). Além disso, diversos estudos tem apontado a influência do capital social em comportamentos de saúde, tais como na diminuição do sedentarismo (Ueshima, et al., 2010), e hábito de fumar (Kouvonen, et al., 2008), com efeitos na diminuição da obesidade e do sobrepeso (Moore, et al., 2009), e no controle do diabetes (Farajzadegan, et al., 2013). Observamos também que ele é frequentemente analisado através de seus aspectos estruturais (principalmente das redes sociais) e cognitivos, sendo possível encontrar correlações com diversos desfechos em ambos os aspectos. Em alguns estudos ele é entendido como um mediador entre as desigualdades sociais e o estado de saúde e em outros, como um fator componente (Macinko & Starfield, 2001). 20

35 Alguns autores, ao estudarem as relações entre o capital social, as desigualdades sociais e a saúde, acreditam que intervir nas comunidades para aumentar o seu nível de capital social pode ser um caminho para reduzir as desigualdades sociais em saúde de uma população. Um achado importante relatado por Islam et al. (2006) e pertinente para o Brasil, um país com desigualdade socioeconômica acentuada, é a existência de uma forte associação encontrada entre capital social avaliado no nível coletivo e desfechos em saúde, em países com alta desigualdade social. Em países com sociedades mais igualitárias esta associação não é tão consistente. Indicadores de capital social e voluntariado também são encontrados associados com taxas de mortalidade. Kawachi et al. (1997), analisaram 39 estados nos Estados Unidos e encontraram forte associação entre baixos níveis de confiança social (medida pela densidade per capita de associação em grupos de voluntários) com taxas maiores de mortalidade total. Neste estudo os autores também relataram que um dos caminhos pelo qual a desigualdade de renda influencia as taxas de mortalidade, é a ausência de investimento no capital social. Outros estudos corroboram a associação entre mortalidade por todas as causas e o nível do capital social (Islam, et al., 2008; Poulsen, et al., 2012), contudo, é necessário que o Estado, ao investir em capital social, não ignore os efeitos que as políticas econômicas e sociais têm sobre a saúde da população, ou ainda culpe as comunidades de não terem saúde por não serem coesas (Pearce & Smith, 2003). Um problema frequentemente encontrado e relatado nos estudos sobre capital social (Pearce & Smith, 2003; Islam, et al., 2006; Islam, et al., 2008) refere-se à impossibilidade de descartar a causalidade reversa entre o capital social e os desfechos em saúde, pois a maior parte dos estudos é seccional. Murayam e colaboradores (2012), conduziram uma revisão sistemática de estudos multiníveis, prospectivos e com desfechos em saúde e concluíram que a literatura ainda é incipiente para traçar conclusões sobre o efeito do capital social na saúde. Apenas 13 artigos foram encontrados de acordo com estes critérios e quase todos foram conduzidos em países ocidentais. As comparações entre estudos foram dificultadas devido à variação do período de acompanhamento, o perfil dos participantes e o método de mensuração do capital social. 21

36 Contudo, com a maior produção científica é possível observar inúmeros estudos com desfechos em saúde relacionados ao capital social, com diferentes tipos de desenhos, tornando o mesmo um tema de grande importância para a epidemiologia. É possível identificar alguns temas mais frequentes nas pesquisas empíricas associando o capital social à saúde, como por exemplo, a saúde mental e auto avaliação de saúde. Com o objetivo de dar um breve panorama nesta produção literária, serão descritos alguns dos principais estudos que utilizaram a abordagem ao nível individual (semelhante à concepção teórica da escala em estudo nesta dissertação). O capital social foi associado a transtornos mentais comuns em um estudo no Reino Unido no qual os autores utilizaram a escala Resource Generator na população em geral. Em seus resultados eles encontraram associação independente entre ter menor acesso a determinados recursos e ser classificado positivamente para transtornos mentais comuns (Webber & Huxley, 2007). Essa associação também foi encontrada em relação a traços depressivos em um estudo entre mulheres do sudeste asiático (Son, et al., 2008). Entre os estudos de saúde mental, o capital social cognitivo parece possuir maior impacto na saúde do que os seus aspectos estruturais (De Silva, et al., 2005) (Fujiwara & Kawachi, 2008) (Langille, et al., 2012). Ambos os aspectos de capital social parecem ser determinantes relevantes da saúde auto avaliação de saúde (Cullen & Whiteford, 2001) (Hurtado, et al., 2011). Uma pesquisa realizada com dois grupos étnicos diferentes na Finlândia demonstrou associação positiva entre capital social cognitivo e desfechos em saúde como saúde auto avaliação de saúde, saúde mental e consumo de álcool e cigarro. Este estudo também indicou a importância de considerar as diferenças étnicas nos determinantes em saúde, já que um dos grupos estudados apresentou maior capital social individual e estrutural do que o outro (Nyqvist, et al., 2008). Uma pesquisa que utilizou a linha de base de uma coorte realizada na região rural da China (Yip, et al., 2007) analisou as relações entre capital social, saúde e bemestar. Adotando a distinção entre capital social cognitivo e estrutural, os desfechos pesquisados incluíram saúde auto avaliação de saúde, saúde mental e bem-estar subjetivo. Os três desfechos foram positivamente associados ao capital social cognitivo, entretanto poucas evidências foram encontradas na associação com o capital social estrutural. 22

37 Encontramos também o capital social associados com alguns desfechos relacionados aos comportamentos relacionados à saúde. Níveis altos de capital social foram associados com menor probabilidade de circunferência de cintura elevada, de sobrepeso e obesidade (Moore, et al., 2009). Níveis baixos de capital social apresentaram associação com sedentarismo (Ueshima, et al., 2010) e níveis altos capital social no ambiente de trabalho com parar de fumar (Kouvonen, et al., 2008). No entanto, o capital social também pode ter consequências negativas para a saúde, podendo ser usado para restringir oportunidades para os que não pertencem à rede social, para exercer demanda excessiva ou diminuir a autonomia dos que pertencem, ou ainda para restringir liberdades individuais ou reforçar o comportamento delinquente, como em organizações clandestinas (Portes, 1998) (Pattussi, et al., 2006). É importante notar que existem estudos em que os resultados do capital social como um determinante social em saúde é inconclusivo (Kawachi, et al., 2004) (Oksanen, et al., 2011) Mensuração da qualidade de instrumentos: aspectos psicométricos A psicometria refere-se ao estudo da atribuição de valores numéricos a fenômenos psicológicos, de maneira que as diferenças em um determinado fenômeno sejam representadas por variações nesses valores numéricos (Pasquali, 2009). Este campo de estudo desenvolveu-se na ciência psicológica e nos dias atuais é notável a sua inserção em diferentes áreas, utilizando-se de componentes das ciências exatas na tentativa de analisar e descrever o funcionamento psicológico. As técnicas de construção de escalas que foram inicialmente desenvolvidas pela psicologia, foram gradualmente inseridas na área de indicadores de saúde e atualmente são amplamente utilizadas em outras áreas como na epidemiologia (McDowell, 2006). 23

38 Confiabilidade Em uma pesquisa, é essencial a escolha apropriada de um instrumento que meça, quantifique ou avalie de maneira adequada as informações que se deseja investigar. Para isso, é necessário atentar-se aos critérios de confiança e precisão do instrumento de medida que será utilizado. Ainda que existam diversas formas de classificações das avaliações psicométricas, a literatura indica dois parâmetros essenciais para averiguar a qualidade de um instrumento: a confiabilidade e a validade (Streiner & Norman, 2008). A confiabilidade refere-se à precisão e a constância dos resultados obtidos quando o objeto é avaliado ou medido mais de uma vez (Hair, et al., 2009). Em uma situação ideal, para que haja confiabilidade em uma medida, deve-se se chegar a dados de mesmo valor através de várias medições realizadas de modo idêntico. A confiabilidade avalia o grau de concordância entre os resultados obtidos na coleta entre diferentes observadores, instrumentos ou procedimentos, ou no mesmo observador, instrumento e procedimento em diferentes momentos do tempo (Szklo & Nieto, 2007). Por estar relacionada ao contexto da aplicação, revelando a dinâmica ocorrida no momento da entrevista, a confiabilidade precisa ser investigada em cada estudo (Reichenheim & Moraes, 1998). A consistência interna é uma medida baseada na correlação entre diferentes itens de uma escala, que verifica se os diversos itens que se propõe a medir o mesmo construto o fazem. Para atingir uma confiabilidade satisfatória é necessário que cada item se correlacione adequadamente com a escala que ele hipoteticamente representa (Hair, et al., 2009). Existem diferentes medidas de consistência interna disponíveis na literatura, como o Alfa de Cronbach, Ômega de McDonald, a fórmula de Kuder-Richardson (KR- 20), entre outros. O coeficiente Alfa de Cronbach é o indicador mais utilizado para aferir a consistência interna de uma escala. Este coeficiente, que é apropriado para escalas com mais de duas opções de respostas, baseia-se no número de itens (quanto maior o número de itens, mais alto é o seu valor) e na intercorrelação dos itens. Ele varia entre 0 e 1 e possui valores mínimos de aceitabilidade entre 0,60 e 0,70 (Hair, et al., 2009). Quando superior a 0,90 sugere um elevado grau de redundância dos itens (Streiner & Norman, 2008) (Oviedo & Arias, 2005). 24

39 Já o ômega de Mc Donald é um coeficiente pouco conhecido e apresenta uma medida menos conservadora de confiabilidade quando comparado com o Alfa de Cronbach (Silva Júnior, et al., 2011). O coeficiente Kuder-Richardson fórmula 20, que equivale matematicamente ao Alfa de Cronbach, é utilizado quando se investiga a consistência interna de testes com escalas de respostas dicotômicas (Oviedo & Arias, 2005) Validade A validade de um instrumento é um processo em que se busca determinar o grau de confiança das inferências sobre a população estudada através dos escores da escala (Streiner & Norman, 2008). É uma propriedade do instrumento que pode ser aplicada a uma população externa ao estudo (Reichenheim & Moraes, 1998). Dentre vários tipos de validade descritos por Streiner e Norman (2008), três aparecem em destaque: a validade de conteúdo (ou conceitual), validade de critério e validade de construto. A validade de conteúdo avalia a relevância e a adequação da escala, verificando se o conteúdo dos itens abrange os diversos aspectos que o construto se propõe a medir (McDowell, 2006). Ela ainda corresponde à representatividade dos itens do questionário, da teoria que inspira a sua construção, e desta forma espera-se que a escala não inclua variáveis que não representem adequadamente um conceito (Hair, et al., 2009). Uma boa revisão bibliográfica para verificação dos pressupostos teóricos existentes na literatura, auxiliando na definição do construto e seu domínio, é essencial para assegurar este tipo de validade (Reichenheim & Moraes, 1998). A validade de critério avalia se um instrumento correlaciona-se de forma adequada com um padrão-ouro para o construto avaliado (Streiner & Norman, 2008). Van der Gaag e Snijders (2005) justificam a elaboração da escala Resource Generator em função da inexistência de uma escala adequada para medir o acesso ao capital social. Nesses casos em que não é possível estimar a validade de critério, devido à ausência de padrão-ouro, os estudos de validação de construto são ainda mais importantes. 25

40 A validade de construto visa revelar o relacionamento existente entre as dimensões que se pretende captar pelo instrumento e outros conceitos, características e atributos vinculados à teoria geral em que o construto em estudo está inserido (Reichenheim & Moraes, 2002). Um construto é um conceito teórico, concebido no plano mental, que não é diretamente observado ou quantificado, mas cuja presença pode ser identificada através de um conjunto de comportamentos atribuídos a ele (Souza & Penaloza, 2005; Streiner & Norman, 2008). Dimensões ou fatores referem-se a diferentes aspectos englobados por um determinado construto, ou diferentes construtos avaliados por uma mesma escala. A dimensionalidade é usualmente avaliada através da análise fatorial, e através desta é possível avaliar se a escala é unidimensional, em que os itens são agrupados em um único fator; ou multidimensional, em que são agrupados em dois ou mais fatores (Pasquali, 2009; Hair, et al., 2009). A busca pela dimensionalidade da escala pode ser chamada de validade dimensional, que é entendida como uma parte da validade de construto (Strauss & Smith, 2009; Silva Júnior, et al., 2011). Durante a realização de um estudo sobre a validade dimensional de determinada escala, podem-se obter hipóteses teóricas a respeito das relações entre as dimensões e/ou construtos através da validade convergente e a validade discriminante. A validade convergente refere-se ao grau em que indicadores de um construto específico compartilham uma elevada proporção de sua variância comum. Se o valor for alto, significa dizer que o instrumento está medindo o que pretende medir. A validade discriminante refere-se à capacidade do construto de ser verdadeiramente distinto de outros (Hair, et al., 2009; Strauss & Smith, 2009). Ainda neste campo de estudo, de classificação da qualidade dos instrumentos de pesquisas, importantes avanços têm sido realizados pelo COSMIN (Consenso baseado em normas para a seleção de instrumentos de saúde). Com o objetivo de buscar padrões com amplo consenso para avaliar a qualidade metodológica de estudos sobre propriedades psicométricas, este grupo de pesquisa apresenta um extenso trabalho multidisciplinar internacional, revisitando os conceitos tradicionais de confiabilidade e validade e mostrando muitas vezes como eles se inter-relacionam ou se superpõem (Mokkink, et al., 2010). 26

41 Um destes trabalhos, elaborado para melhorar a seleção de instrumentos de medida em saúde, foi a criação de uma lista de verificação com diretrizes para avaliar a qualidade metodológica destes estudos (Mokkink, et al., 2010). Ela pode ser utilizada em revisões sistemáticas para obter um índice da qualidade da metodologia e é um excelente guia dos passos desejáveis em uma avaliação psicométrica Modelos de traços latentes: Análise Fatorial e TRI Os modelos de traços latentes buscam explicar o comportamento das variáveis observadas em relação ao comportamento de um conjunto de variáveis não observadas (traços latentes ou fatores). A análise fatorial, o modelo de traços latentes mais conhecido, é um método estatístico que investiga a dependência deste conjunto de variáveis manifestas, em relação a um número menor de variáveis não observáveis. Ela é utilizada essencialmente para determinar o número de fatores em uma matriz de dados, para determinar quais variáveis pertencem a qual fator e em que grau as variáveis pertencem ou estão saturadas com os fatores. Comparar os fatores encontrados pela análise fatorial com aqueles que fizeram parte da hipótese teórica durante a elaboração da escala pode ser útil para a validade de conteúdo do instrumento (Hair, et al., 2009) (Mingoti, 2005). Dois métodos de análise fatorial são comumente utilizados para aferir a validade de construto em estudos sobre propriedades psicométricas de escalas de medidas: análise fatorial exploratória (AFE) e análise fatorial confirmatória (AFC). O primeiro procura identificar as características e a quantidade de fatores presentes em determinado conjunto de itens que avaliam um construto. Já a análise fatorial confirmatória parte de uma estrutura fatorial pré-determinada e busca analisar se os dados obtidos são adequados à hipótese testada (Mingoti, 2005; Hair, et al., 2009). 27

42 Assim como a análise fatorial, a TRI propõe modelos para medição de traços latentes, e também pode ser utilizada de maneira paralela ou complementar à análise fatorial. Utilizada de forma paralela, alguns trabalhos realizam análises com ambas as metodologias e comparam a melhor solução para os dados (Gutierrez, 2005). De forma complementar ela pode ser utilizada para avaliar algumas propriedades da escala, como a monotonicidade e a escalabilidade (Reichenheim, et al., 2011). Na metodologia de avaliação da dimensionalidade da escala original holandesa foi utilizada a TRI exclusivamente (Van Der Gaag & Snijders, 2005). Portanto abaixo são pontuados brevemente alguns conceitos desta teoria, para facilitar a comparação entre as diferentes metodologias de análise da escala Resource Generator. A TRI é um conjunto de modelos matemáticos construídos para representar a probabilidade de um individuo dar uma determinada resposta a um item, como função dos parâmetros do item e da sua habilidade. Os diversos modelos de TRI existentes se diferenciam na forma matemática da função característica do item e/ou no número de parâmetros especificados no modelo. A abordagem paramétrica impõe uma fórmula, uma expressão algébrica definida, para a curva resposta do traço latente. A teoria não paramétrica impõe apenas que quanto maior seja o valor do traço latente, maior seja a probabilidade de possuir a habilidade, desta forma possui um ajuste dos dados mais fácil do que a TRI paramétrica (Sijtsma & Molenaar, 2002). Uma formulação não paramétrica da TRI, foi proposta por Mokken, e define de maneira geral a teoria não paramétrica. Este método, pouco comum no Brasil, pode ser visto como a versão probabilística da escala de Guttman 1 e possibilita averiguar o quanto a escala construída se afasta da escala perfeita (escala determinística de Guttman) utilizando o coeficiente de homogeneidade de Loevinger. Este modelo pode ser aplicado com itens dicotômicos ou ordinais, e além do H de Loevinger, utiliza-se para esta avaliação de confiabilidade como o coeficiente Rho de Mokken (Schuur, 2011). 1 Nesta escala as pessoas que responderam positivamente a itens mais difíceis, também responderam aos itens mais fáceis. Assim, em uma escala de Guttman, é possível determinar quais itens as pessoas responderam positivamente quando o seu escore é conhecido. 28

43 Estes coeficientes estimam até que ponto os itens agregam informação adicional sobre a dimensão em estudo e podem ser usados para averiguar o número mínimo de itens requeridos para a construção de uma escala unidimensional, assim como também avalia a possibilidade de exclusão de itens de uma determinada dimensão ou construto. O coeficiente de Loevinger (H) é uma medida de escalonabilidade que pode ser utilizada para medir o grau de homogeneidade ou de associação entre pares de itens, entre um item e os demais itens da escala ou para medir a homogeneidade da escala como um todo (Arias & Rivas, 1991) (Gutierrez, 2005). O índice de escalonabilidade H classifica as escalas de acordo com a segurança com que se pode ordenar os itens, em relação ao traço latente que ele se propõe medir. Desta forma, para selecionar itens com bom desempenho na constituição da escala, tem sido utilizadas as seguintes referências: itens que têm o H inferior a 0,3 são rejeitados, itens com 0,3 H < 0,4 correspondem a escalas fracas, itens com 0,4 H < 0,5 formam escalas médias e H 0.5 corresponde a escalas fortes (Arias & Rivas, 1991) (Gutierrez, 2005). Já o coeficiente Rho de Mokken é calculado para cada item e indica até que ponto este se integra na mesma dimensão que os itens restantes. Ele possui valores que se situam entre 0 e 1, e para sua interpretação não está totalmente estabelecido padrão de referência. Entretanto, na prática, observa-se que valores superiores a 0.7 sugerem uma escala com boa confiabilidade (Arias & Rivas, 1991) Estudos de validação e concordância da escala Resource Generator A escala Resource Generator (RG), além de sua versão original holandesa, foi adaptada e utilizada em estudos com diferentes populações, tais como na Inglaterra, Estados Unidos, Bélgica, Canadá, na Áustria e na República Checa (Van Der Gaag, s.d.). A escala original teve suas propriedades psicométricas avaliadas através do método Mokken de escalonabilidade. A escala final foi validada em uma amostra de 1004 holandeses e apresentou adequados valores do coeficiente de Loevinger (0,4< H <0,49) e confiabilidade variando entre moderada e muito boa (0,54<Rho<0,86) (Van Der Gaag & Snijders, 2005). 29

44 Por se tratar de uma escala dependente da cultura e do contexto, em cada estudo a escala tem sido traduzida e adaptada para se adequar à realidade local de cada população. Gaag descreve em seu site (Van Der Gaag, s.d.) algumas orientações para a construção de versões novas, como utilizar como base os recursos das escalas Name Generator e Position Generator (se existentes para a população em estudo) e organizar estudos com grupos focais e painel de especialistas. Assim, podemos considerar todas as escalas descritas a seguir como escalas novas, que foram baseadas na versão holandesa. Webber e Huxley (2007) foram os primeiros a aplicar uma versão da escala em um estudo realizado no Reino Unido com 335 participantes. No processo de adaptação, foi mantida a estrutura do instrumento original, mas seus itens foram alterados para tornarem-se adequados para a população do Reino Unido. Eles avaliaram a validade de conteúdo de forma qualitativa através de grupos focais da população em geral e através de um painel de especialistas. Foram realizados pré-testes e um estudo de confiabilidade teste-reteste foi conduzido. Na impossibilidade de comparar o instrumento com um padrão ouro, eles também conduziram um estudo em um grupo com capital social conhecido ( Know Group ) para avaliar a validade convergente/discriminante. Ao final, dentre os 27 itens na escala, seis foram excluídos, seis itens novos e os demais foram refraseados (ver Apêndice A). Através do método Mokken definiram-se quatro subgrupos/dimensões que foram nomeadas como: 1-recursos domésticos, 2- conselho de especialista, 3-habilidades pessoais e 4-recursos para resolução de problemas. Observou-se nas dimensões adequados valores do coeficiente de Loevinger (0,37< H <0,54) e confiabilidade variando entre boa e muito boa (0,6<Rho<0,83) Uma versão reduzida e modificada foi proposta por Michal Grinstein e colaboradores (2013) em um estudo nos Estados Unidos com 2403 participantes. Foram utilizados oito itens para quantificar o número de pessoas que poderiam disponibilizar determinado recurso para o entrevistado (com valores variando de 0 a 20). Os autores utilizaram a escala com a mesma população, para que o respondente se referisse, através de resposta dicotômica (sim ou não), se o respondente possuía o recurso em sua vizinhança. A análise fatorial indicou que nas duas formas de aplicação da escala os itens compõem apenas um fator (Grinstein-Weiss, et al., 2013). 30

45 Outra versão reduzida da RG foi adaptada na República Tcheca por Julia Häuberer em Esta versão, aplicada em 1011 tchecos, foi composta de 12 itens que levavam em consideração em quantas categorias o individuo possuía o recurso disponível. Ou seja, quatro valores eram atribuídos aos itens da escala: 0 - ausência do recurso deste tipo, 1 - presença do recurso em uma das três categorias, 2 - presença do recurso em duas categorias e 3 - presença do recurso em todas as categorias. Foi realizada análise fatorial confirmatória para três fatores, já que com a redução da escala não foram contemplados os itens relativos ao subgrupo de habilidades pessoais. Através desta análise foi possível confirmar que estes três fatores reproduzem a estrutura que foi encontrada na escala original (Häuberer, 2008). Encontra-se também validada uma versão adaptada por Lannoo (2009), que foi aplicada em 498 belgas através de uma coleta de dados por correio. Em sua pesquisa, cujo objetivo principal é contribuir para o desenvolvimento da Resource Generator, foram elaboradas perguntas mais específicas e buscou-se reforçar para o participante que a resposta deveria ser positiva para o real acesso ao capital social, e não apenas para relatar a sua presença. Após a análise de componentes principais realizada com 53 itens, 20 foram excluídos por apresentarem cargas cruzadas ou abaixo de 0,30. Ao final, a escala apresentou-se com 33 itens distribuídos em quatro fatores de forma similar à versão original. As estimativas de confiabilidade foram satisfatórias para as duas primeiras dimensões (apoio pessoal; prestígio e educação) e baixas para as outras duas (habilidades pessoais; habilidades políticas e financeiras). No Brasil, a confiabilidade da escala já foi avaliada através de um estudo testereteste. Este estudo realizado por Griep e colaboradores (2012) utilizou dados de 281 participantes do ELSA Brasil e encontrou grande frequência (acima de 50%) nos recursos sociais investigados. Em relação à presença ou ausência dos recursos, as estimativas de confiabilidade foram realizadas pelo Kappa ajustado pela prevalência, e identificaram-se bons níveis de confiabilidade, que variaram de moderado a bom (0,54 a 0,96). O Quadro 3 mostra um resumo das principais informações de validação descritas acima. 31

46 Quadro 3 Estudos de validação da escala Resource Generator. Autores (Ano) Tamanho amostral / Localidade Nº de itens da escala Método de estimação / Tipo de variável Tipo de análise / Nº de fatores encontrados Van der Gaag, Snijders (2005) Webber e Huxley (2007) Julia Häuberer (2008) Steven Lannoo (2009) Michal Grinstein (2013) 1004 / Holanda 33 Mokken scaling method Loevinger H-coefficient / 4 fatores Loevinger H-coefficient/ / Reino Unido 27 Mokken scaling method fatores 1011 / República Tcheca 12 Rotated Factor Solution AFE e AFC / 3 fatores Componentes principais 498 / Bélgica 33 c/ rotação oblíqua AFE / / EUA AFE / 1 fator Objetivo Geral Avaliar aspectos da validade dimensional da versão brasileira da escala Resource Generator, utilizada para medir o acesso ao capital social Objetivos Específicos o Avaliar a estrutura dimensional da escala por meio da medida da carga dos fatores, do ajuste do modelo e da correlação de resíduos; o Estimar a consistência interna através da confiabilidade composta; o Mensurar a validade fatorial convergente e discriminante da escala; o Verificar a estabilidade da estrutura fatorial encontrada através da validação cruzada. 32

47 3 - Material e Métodos O estudo ELSA-Brasil O Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) é uma pesquisa prospectiva e multicêntrica, com uma coorte de funcionários públicos de seis instituições de ensino superior (UFMG, UFBA, UFES, UFRGS, USP) e pesquisa (FIOCRUZ) brasileiras. O ELSA-Brasil tem por objetivo principal investigar diversos aspectos relacionados à incidência e aos fatores de risco associados à ocorrência das doenças cardiovasculares e do diabetes. Considerando o contexto heterogêneo brasileiro, as informações obtidas com o estudo serão essenciais para promover intervenções preventivas e de promoção à saúde, adequadas a este contexto (Aquino, et al., 2012). O estudo tem caráter multidisciplinar e procura abarcar vários campos do conhecimento nessas investigações, considerando fatores psicológicos, sociais, comportamentais, ocupacionais, contextuais, entre outros aspectos estudados. Dentre os aspectos psicossociais envolvidos na ocorrência das doenças, foi incluída uma escala de acesso ao capital social Resource Generator (RG), conforme descrito adiante. A linha de base do estudo foi realizada no período de 2008 a 2010 quando foram coletados dados através de questionários, exames clínicos, laboratoriais e de imagem. O questionário foi respondido pelos participantes nos Centros de Investigação ELSA, após a assinatura do termo de consentimento, e aplicado por entrevistadores treinados e certificados. O treinamento padronizado dos entrevistadores teve como meta principal apresentar o projeto de pesquisa em seus aspectos metodológicos, éticos e operacionais, de forma a uniformizar a compreensão de procedimentos e desenvolver habilidades para o registro de respostas na entrevista. Com duração de 40 horas, o treinamento teve em sua composição exposição oral, leitura e discussão de questionários e manuais, observação de supervisores aplicando o questionário e entrevistas com voluntários sob supervisão. 33

48 A certificação dos entrevistadores para a aplicação do questionário foi realizada através de duas avaliações, uma teórica e outra prática. A avaliação teórica foi desenvolvida a partir de questões incluídas no manual de entrevista e na resolução de problemas. A prática constou de entrevistas com voluntários com características semelhantes àquelas da população do ELSA-Brasil, buscando-se reproduzir as mesmas condições de uma entrevista real (Chor, et al., 2013). Durante todo o estudo, atenção especial foi dada à padronização e ao controle de qualidade das entrevistas. Este desafio foi enfrentado através de algumas ações executadas por uma rede de supervisão eficiente que foi formada com a participação dos seis centros ELSA e mantida durante toda a coleta de dados. Esta rede, formada por supervisores treinados, possibilitou um canal de comunicação para centralizar dúvidas e estabelecer condutas idênticas a questionamentos relativos a diversos aspectos do estudo, como o conteúdo dos manuais dos instrumentos, gerenciamento de entrevistadores e manejo dos participantes (Chor, et al., 2013). Outras atividades da rede de supervisão, na busca da qualidade necessária para garantir a validade interna das respostas coletadas, consistiram em treinamentos intensivos e continuados de toda a equipe de entrevistadores, revisão de questionários e monitoramento periódico de entrevistas através de gravações. Gravações estas que foram realizadas pelo próprio centro de pesquisa e também através de supervisão cruzada, em que um centro de pesquisa avaliava a gravação do outro Descrição da escala Resource Generator A escala utilizada foi elaborada originalmente na Holanda na pesquisa Survey on the Social Networks of the Dutch que foi realizada com 1004 adultos. Esse instrumento, que possui 33 perguntas operacionalizadas em duas ou três etapas, apresenta algumas situações do cotidiano para discriminar o acesso a diversos tipos de recursos. Primeiramente, o indivíduo responde se tem ou não acesso a um determinado recurso e logo após, caso a resposta seja positiva, ele especifica a fonte de quem o recurso pode ser obtido (familiares, amigos ou conhecidos). Na versão original, para os 20 primeiros itens, havia uma terceira etapa, onde era perguntado após cada um destes itens, se o indivíduo poderia prover aquele recurso a si mesmo. No entanto, essa etapa não foi utilizada no ELSA-Brasil. 34

49 O instrumento se propõe a mensurar quatro dimensões do capital social, que foram nomeadas como: 1) capital social relacionado ao prestígio e educação (ex: conhecer alguém que leia livros de literatura); 2) capital social relacionado a habilidades políticas e financeiras (ex: alguém que conheça assuntos financeiros); 3) capital social relacionado a habilidades pessoais (ex: conhecer alguém que tenha habilidade para consertar equipamentos domésticos); 4) capital social relacionado ao apoio pessoal (ex: alguém que possa te abrigar em casa por uma semana) (Van Der Gaag & Snijders, 2005). A partir da versão inicial, composta por 33 itens, foi construída a versão brasileira da Resource Generator. Primeiramente, a escala foi traduzida para o português falado no Brasil por uma equipe de pesquisadores do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ). No âmbito do ELSA-Brasil, a validade de face e adaptações adicionais da versão em português foi realizada por um grupo de especialistas (um sociólogo e três epidemiologistas com experiência no uso de escalas e com domínio da língua inglesa), que avaliou a adequação da tradução e dos itens (Griep, et al., 2013). Desta forma, a versão final do instrumento utilizada no ELSA foi composta por 31 itens em que se averiguava a percepção da presença do recurso disponibilizado pela rede e, caso o mesmo estivesse presente, a fonte do recurso. Portanto, as opções de resposta apresentavam duas etapas: 1 - sim versus 2 - não; no caso daqueles que responderam sim, foi identificada a fonte do recurso através de opções de resposta (familiar, amigo ou conhecido) apresentadas por meio de um cartão, no início da escala. A versão holandesa da escala foi aplicada através de um questionário autopreenchido. No ELSA-Brasil, a entrevista face-a-face foi realizada. Para esta escolha, um estudo de campo com 144 indivíduos foi executado, no qual o questionário foi aplicado nas duas modalidades através de um delineamento cruzado e com alocação randomizada dos participantes. A partir deste estudo, foi possível identificar as dificuldades na operacionalização de ambas as estratégias. Através dos resultados obtidos e por meio das observações dos aplicadores (que relataram, por exemplo, dificuldades em instruções mais complexas como as da escala Resource Generator), concluiu-se que a entrevista face-a-face era a mais adequada. 35

50 É possível acompanhar as principais modificações na escala pelas duas equipes através do Quadro 4. Da versão original holandesa para a tradução brasileira, quatro questões foram excluídas e duas foram incluídas; da tradução brasileira para a versão utilizada pelo estudo ELSA-Brasil foi incluído um item e excluído outro item. Em resumo, observa-se que a versão utilizada no ELSA-Brasil, quando comparada com a original apresentou quatro perguntas excluídas e duas incluídas. Essas modificações foram realizadas, porque os itens excluídos não foram considerados bons representantes do construto na cultura brasileira. Pequenas adaptações na forma da pergunta também foram feitas para adequá-las a um instrumento aplicado por entrevistador. Quadro 4 Modificações realizadas na adaptação da escala Resource Generator. Versão original holandesa Versão brasileira Versão ELSA-Brasil Do you know anyone who... Você conhece alguém que: O (a) Sr (a) conhece alguém que Can repair a car, bike, etc. 1. Pode consertar um carro, uma bicicleta, etc. 1. Possa consertar um carro, uma bicicleta, etc. 2. Owns a car 2. Possui um carro 2. Possua um carro 3.Is handy repairing 3. Tem habilidade para 3. Tenha habilidade para household equipment consertar equipamentos consertar equipamentos domésticos domésticos 4.Can speak and write a 4. Fala uma língua 4. Fale uma língua estrangeira foreign language estrangeira 5.Can work with a personal computer 5. Pode trabalhar com um computador 5. Possa trabalhar com um computador 6. Saiba tocar algum instrumento musical 6.Can play an instrument 6. Sabe tocar algum instrumento musical 7.Has knowledge of 7. Leia livros de literatura 7. Leia livros de literatura literature 8.Has senior high school 8. Se formou no segundo 8. Se formou no segundo grau education grau 9. Reads a professional journal 10.Is active in a political party 11.Owns shares for at least Dfl.10, Works at the town hall 13.Earns more than Dfl monthly 9. Leia revistas técnicas 9.Leia revistas profissionais (especializadas) 10.Seja ativista de algum 10.Seja ativista de algum partido político partido político 11.Tenha mais de R$2.000,00 na poupança ou outro tipo de investimento. 12.Trabalhe na Prefeitura ou no governo do Estado. 13.Ganhe mais de R$2.000,00 por mês 11.Tenha mais de R$ 2000,00 na poupança ou outro tipo de investimento? 12.Trabalhe na Prefeitura ou no governo do Estado 13.Ganhe mais de R$2.000,00 por mês 36

51 Versão original holandesa Versão brasileira Versão ELSA-Brasil 14.Owns a holiday home abroad 14.Tenha uma casa de campo 14.Tenha uma casa de campo ou praia 15. Is sometimes in the 15.De vez em quando 15.De vez em quando contrate opportunity to hire people contrate pessoas para pessoas para trabalhar trabalhar 16.Knows a lot about governmental regulations 17. Has good contacts with a newspaper, radio or TV station 18.Has knowledge about financial matters (taxes, subsidies) 19.Can find a holiday job for a family member 20. Can give advice concerning a conflict at work 21.Can help when moving house (packing, lifting) 22.Can help with small jobs around the house (carpeting, painting) 23.Can your shopping when you (and your household members) are ill 24.Can borrow you a large sum of money (Dfl. 10,000) 25.Can provide a place to stay for a week if you have to leave your house temporarily 26.Can give advice concerning a conflict with family members 27. Can discuss what political party you are going to vote for 28.Can give a good reference when you are applying for a job 29. Can babysit for your children 16.Conheça bastante sobre as leis e regulamentos do governo 17.Tenha bons contatos com a imprensa ou com pessoas de radio ou televisão 18.Conheça bem assuntos de finanças 19.Pode arranjar um emprego temporário para um membro da família 20.Pode dar conselhos a respeito de teus conflitos no ambiente de trabalho 21.Pode te ajudar a fazer uma mudança de casa (empacotar as coisas, ajudar a carregar). 22.Pode te ajudar em pequenas tarefas domésticas. 23.Pode fazer compras para você se você estiver doente 24.Pode te emprestar uma boa quantidade de dinheiro se você precisar 25.Pode te abrigar em casa por uma semana se você precisar 26. Pode te dar conselhos a respeito de conflitos entre membros de tua família 27.Pode discutir com você sobre em que candidato ou partido votar nas eleições 28.Pode ter dar uma boa referencia quando você estiver procurando emprego 29.Pode tomar conta das crianças enquanto você estiver fora 16.Conheça bastante sobre as leis e regulamentos do governo 17.Tenha bons contatos com a imprensa ou com pessoas de rádio ou televisão 18.Conheça bem assuntos financeiros 19.Possa arranjar um emprego temporário para um membro da família 20.Possa dar conselhos a respeito de seus conflitos no ambiente de trabalho 21.Possa te ajudar a fazer uma mudança de casa (empacotar, ajudar a carregar) 22.Possa te ajudar em pequenas tarefas domésticas 23.Possa fazer compras para o (a) Sr (a), se o (a) Sr (a) estiver doente 24.Possa lhe emprestar uma boa quantidade de dinheiro se o(a) Sr(a) precisar 25.Possa te abrigar em casa por uma semana se o(a) Sr(a) precisar 26.Possa te dar conselhos a respeito de conflitos entre membros de sua família 27.Possa discutir com o(a) Sr(a) sobre candidato ou partido para votar nas eleições 28. Possa dar boas referências sobre o(a) Sr(a) quando estiver procurando emprego 29.Possa tomar conta das crianças enquanto o(a) Sr(a) estiver fora 37

52 Versão original holandesa Versão brasileira Versão ELSA-Brasil 30.Can give advice on matters of law (problems with landlord, boss, municipality) Can give medical advice when you are dissatisfied with your doctor 32.Has higher vocational education - 30.Possa facilitar uma internação hospitalar ou lhe conseguir a realização de um exame knows about soccer Pode conversar com você a respeito de assuntos muito importantes 31.Possa conversar com o(a) Sr(a) a respeito de assuntos muito importantes 31.que você possa visitar - socialmente (festa, churrasco, baile, etc.). Adaptado de (Griep, et al., 2013) Na aplicação da escala, os entrevistadores orientavam os participantes a usar uma definição padrão de conhecido, assim como apresentavam um cartão para que a cada resposta positiva da presença do recurso pudesse ser escolhida apenas uma entre as opções de pessoas, priorizando a mais próxima (1 familiar; 2 - amigo, e 3 - conhecido). A opção não se aplica foi excluída, pois poderia levar a dificuldades na interpretação dos resultados. Por exemplo, caso o participante referisse que não possui filhos pequenos, na pergunta sobre conhecer alguém que possa cuidar das crianças, era solicitado a ele que imaginasse tal situação e respondesse de acordo Procedimentos de análise dos dados Validade Cruzada Na análise de bancos de dados muito extensos, a subdivisão dos mesmos em partes, tem maior utilidade para a replicação de uma determinada estrutura fatorial, ao invés de utilizar todos os dados em uma análise (Floyd & Widaman, 1995). Muitos estudos (Laros & Peuente-Palacios, 2004; Pilati & Abbad, 2005; Palma & Maroco, 2009) utilizaram naestratégia da validade cruzada para comparar resultados e verificar a estabilidade fatorial entre as partes, agregando informações às análises de validade dimensional. 38

53 Desta forma, foi realizada a divisão do banco em subamostras aleatórias (n 1 =6.020, n 2 =4.515 e n 3 =4.516) na aplicação da validade cruzada, analisadas de maneira independente em três fases utilizando análise fatorial exploratória e confirmatória, conforme explicado adiante Validade dimensional A validade de construto foi realizada através da investigação da estrutura dimensional da escala. Esta estrutura foi identificada através da análise fatorial exploratória seguida de confirmatória. Posteriormente, foi avaliada em termos de consistência interna, da validade fatorial convergente e da validade fatorial discriminante Análise Fatorial Exploratória e Confirmatória A versão original holandesa apresentou a estrutura dimensional de apenas 17 dos 31 itens componentes do instrumento de capital social (Van Der Gaag & Snijders, 2005). Além disso, a escala passou por um processo de adaptação em que houve inclusões e exclusões de itens (Griep, et al., 2013). Desta forma, não havia um modelo a priori para orientar e posteriormente, comparar a estrutura dimensional testada com a versão original. Estes aspectos nortearam a decisão de começar as análises, com a verificação da estrutura dimensional no contexto do ELSA-Brasil utilizando-se a AFE. Essa análise, combinada com a avaliação da afinidade teórica dos itens guiou a etapa de estruturação do modelo a ser testado na AFC. Portanto, AFE seguida de AFC foram aplicadas na primeira e segunda subamostras, buscando-se verificar a estabilidade da estrutura fatorial através da comparação dos modelos indicados nas duas subamostras. Considerando que esses modelos indicados nas análises exploratórias das duas primeiras subamostras pudessem divergir (diferentes número de itens e/ou fatores identificados), avaliações com uma terceira subamostra foram utilizadas. Nessa subamostra, testou-se a adequação dos modelos sugeridos nas analises exploratórias anteriores, utilizando-se a AFC. Um fluxograma com as etapas utilizadas no estudo é apresentado na Figura 2. 39

54 Figura 2 Fluxograma do procedimento de análise de dados Um passo importante anterior à exploração de dados através da AFE é a definição de quantos fatores devem ser extraídos. Neste estudo, levou-se em consideração o critério do autovalor superior a um, a técnica de análise paralela (Zwick & Velicer, 1986) e o número de itens por fator, além dos índices de ajuste do modelo. Na técnica de análise paralela, a partir do banco de dados original, constroem-se de maneira aleatória, conjuntos de dados de mesma dimensão e número de variáveis. Comparam-se os autovalores dos dados reais com a média dos autovalores resultantes dos dados aleatórios. Os fatores para os quais os autovalores calculados a partir dos dados reais forem maiores do que os obtidos de forma aleatória são retidos para a análise fatorial (Fabrigar, et al., 1999). 40

55 Para os procedimentos de AFE e AFC, utilizou-se o estimador robusto de mínimos quadrados ponderados (WLSMV), apropriados para variáveis (itens) categóricas ou ordinais, disponível no pacote estatístico Mplus versão 7.1 (Muthén & Muthén, ). No caso de exclusão de itens, a AFE foi realizada de maneira iterativa, ou seja, uma nova AFE era realizada após a exclusão de um item, até que não houvesse itens a serem excluídos segundo os critérios de exclusão adotados neste estudo, descritos a seguir. Na AFE iterativa consideraram-se os seguintes critérios para exclusão de itens: primeiro foram excluídos das análises itens cuja maior carga não atingisse o valor absoluto de 0,4. (Floyd & Widaman, 1995). Segundo, foram excluídos itens cruzados, ou seja, aqueles com cargas maiores que 0,4 em mais de um fator e com diferença <0,1 entre elas (Laros & Peuente-Palacios, 2004). Por fim, foram excluídos aqueles que não possuíam similaridade teórica com os demais na interpretação do fator (Smith & McCarthy, 1995). A matriz de correlação tetracórica foi utilizada considerando a natureza dicotômica de resposta aos itens. Dado que a estrutura fatorial ficou mais clara e melhor delineada através da rotação Geomin, esta foi a rotação de escolha para a matriz de cargas. A utilização deste tipo de rotação (processo oblíquo) pressupõe que os fatores apresentam-se correlacionados. No estudo do modelo de capital social proposto por Gaag e Snijders (2005) pode ser considerado o argumento teórico de que as dimensões que compõem o capital social estão relacionadas entre si. Para avaliar a adequação do modelo foram utilizados três índices de ajuste; o índice de ajuste comparativo (CFI), o índice Tucker-Lewis (TLI) e a raiz do erro médio quadrático de aproximação (RMSEA). O índice de ajuste comparativo e o índice de Tucker-Lewis avaliam o ajuste incremental do modelo comparado com um modelo nulo. Ambos variam de 0 a 1, e valores acima de 0,90 indicam ajuste adequado (Hair, et al., 2009). A raiz do erro médio quadrático de aproximação (RMSEA) é um índice de ajuste que avalia a parcimônia do modelo proposto em relação ao número de coeficientes estimados. É uma medida que tenta corrigir a tendência da estatística χ² de rejeitar qualquer modelo especificado com uma amostra suficientemente grande. Valores abaixo de 0,06 podem ser considerados adequados (Brown, 2006) 41

56 Consistência interna A consistência interna, que indica se os itens representam um construto teórico em comum é frequentemente aferida por meio do coeficiente alfa de Cronbach como uma medida de confiabilidade (Hair, et al., 2009). Entretanto, neste estudo optou-se por utilizar um coeficiente de confiabilidade baseado na modelagem de equações estruturais, com o objetivo de superar as limitações do alfa de Cronbach que subestima a confiabilidade da escala, como por exemplo, em situações de violação do pressuposto de tau equivalência (Brown, 2006; Hökerberg, 2010). A confiabilidade composta avalia se os itens apresentam consistência interna e para essa medida, valores iguais ou maiores do que 0,7 são considerados satisfatórios. Ela baseia-se nas estimativas de cargas fatoriais, variância e covariância de erros de medida e é obtida através da seguinte forma (Raykov, 2001). Onde ρ cc representa o indicador de confiabilidade composta, λ as cargas padronizadas, δ a variância única dos itens (uniqueness) e k o número de itens Validade convergente e discriminante da escala Neste estudo, a validade convergente e discriminante foram avaliadas pela apreciação da magnitude das cargas fatoriais, da consistência interna, da variância média extraída e das correlações entre os fatores obtidos da análise fatorial confirmatória. Para verificar a validade convergente avaliou-se a carga padronizada de cada um dos indicadores, considerando-se como critério um valor mínimo de 0,5 e como ideal valores de 0,7 ou mais. Outras duas medidas foram usadas para se avaliar a validade convergente: a variância média extraída e a confiabilidade composta. Em relação à primeira, o valor aceitável atribuído como critério foi o de pelo menos 0,50 para cada construto. Para a confiabilidade composta os valores deveriam ser de pelo menos 0,60, sendo que valores acima de 0,70 foram considerados bons (Hair, et al., 2009). 42

57 A validade discriminante foi avaliada identificando-se se os itens de uma dimensão não se correlacionam com outros itens de dimensões diferentes. Valores <0,85 foram considerados indicadores da existência de validade discriminante. Além disso, a validade discriminante foi avaliada através da comparação dos percentuais da variância extraída dos construtos com a estimação do quadrado das correlações entre os construtos (variância compartilhada). A validade discriminante foi considerada presente quando as variâncias extraídas foram maiores do que as variâncias compartilhadas (Hair, et al., 2009) Aspectos éticos Este estudo utilizou dados do ELSA-Brasil que teve seus protocolos submetidos e aprovados pelos Comitês de Ética em Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP). Todos os participantes foram orientados através do termo de consentimento livre e esclarecido e o assinaram antes da coleta de dados. O presente projeto foi submetido e aprovado pelo CEP da Escola Nacional de Saúde Pública sob o CAAE nº

58 4 - Resultados Características da população em estudo A população de estudo tinha em média 52 anos (DP=9,0) pouco mais da metade eram mulheres; 12,7% tinham ensino fundamental e 52,6% tinham ensino superior ou pós-graduação. A renda domiciliar média per capita dos participantes era de 4,2 salários mínimos (DP = 3,5 salários mínimos), conforme valor vigente na época do estudo (cada salário mínimo correspondia a R$415,00), e 80,1% eram funcionários ativos. Por se tratar de um estudo multicêntrico, cotas de participantes foram estabelecidas para cada centro de investigação, sendo que São Paulo foi responsável por 33% e Minas Gerais por 20% dos participantes (Tabela 1). Tabela 1 Características sociodemográficas da população Elsa-Brasil. Variável n % Idade categorizada , , , ,5 Sexo Masculino ,6 Feminino ,4 Escolaridade Fundamental incompleto 894 5,9 Fundamental completo ,8 Ensino médio completo ,6 Ensino superior ,0 Pós-graduação ,6 Situação funcional Ativo ,1 Aposentado ,9 Renda per capita Baixa (de 25,62 até 726,13) ,65 Média(726,14 até 1.348,63) ,64 Alta( até 2.282,25) ,65 Muito alta (2.282,26 até 7.884,50) ,06 Cor da pele Preta ,9 Branca ,6 44

59 Variável n % Parda ,8 Amarela 374 2,5 Indígena 157 1,04 Situação Conjugal Casado ,10 Divorciado/Casado ,21 Viúvo 628 4,16 Solteiro ,23 Outros 495 3,28 Centro de Investigação BA ,4 ES ,0 MG ,6 RJ ,8 RS ,6 SP , Caracterização das subamostras Observa-se, através da descrição das subamostras, que os participantes não diferem substancialmente quanto as suas características sociodemográficas, condição importante para que a estrutura fatorial não seja afetada entre os grupos (Tabela 2). Tabela 2 Variáveis socioeconômicas das subamostras Variável 1ª Subamostra 2ª Subamostra 3ª Subamostra n % n % n % Idade categorizada , , , , , , , , , , , ,92 Sexo Masculino , , ,8 Feminino , , ,20 Escolaridade Fundamental incompleto 355 5, , ,00 Fundamental completo 375 6, , ,51 Ensino médio completo , , ,17 Ensino superior , , ,44 Pós-graduação , , ,88 Situação funcional Ativo , , Aposentado , Renda per capita 45

60 Variável 1ª Subamostra 2ª Subamostra 3ª Subamostra Baixa (de 25,62 até 726,13) , , ,4 Média(726,14 até 1.348,63) , , ,4 Alta( até 2.282,25) , , ,0 Muito alta (2.282,26 até , , , ,50) Cor da pele Preta , , ,84 Branca , , ,99 Parda , , ,45 Amarela 145 2, , ,65 Indígena 55 0, , ,08 Situação Conjugal Casado , , ,36 Divorciado/Casado , , ,63 Viúvo 226 3, , ,36 Solteiro , , ,28 Outros 192 3, , ,37 Centro de Investigação BA , , ,16 ES 411 6, , ,80 MG , , ,86 RJ , , ,58 RS , , ,58 SP , , , Descrição dos itens da escala Resource Generator Os itens da escala Resource Generator apresentam altas taxas de respostas afirmativas, sendo que a proporção de participantes que referiram ter acesso para a maioria dos diferentes recursos componentes da escala foi maior do que 70% (Tabela 3). O item três possuir um carro apresentou frequência muito alta (99,9%), e foi excluído das análises posteriores por não apresentar poder discriminativo. Para os outros itens foi possível encontrar variabilidade na frequência de respostas afirmativas dos itens. 46

61 Os itens mais frequentes foram conhecer alguém: que tenha se formado no segundo grau (99,0%), que possa trabalhar com um computador (99,4%), que possa discutir candidato nas eleições (97,2%) e que possa emprestar dinheiro (96,9%). Somados a estes itens, outros referentes a atividades do dia-a-dia (itens 21, 22 e 30) poderiam ser acessados por 93% dos participantes (Tabela 3). Frequências mais baixas de respostas positivas (menos de 70%) foram encontradas em itens que conectam os indivíduos de maneira mais ampla, com outras esferas da vida, como conhecer alguém que possa conseguir um emprego (56,7%) e conexões com a mídia e a política (66,3% e 59,3%) (Tabela 3). Quanto à forma de acesso os familiares foram mais frequentemente referidos. Desta forma nenhum item foi acessado de forma mais frequente por um conhecido, e apenas cinco itens foram acessados de forma mais frequente por amigos, Destes cinco, três correspondem aos itens com menores frequências de acesso (itens 10, 17 e 19). Quase todos os itens que apresentaram uma distribuição mais dividida entres as formas de acesso (com o acesso pelos familiares em torno de 50%) estão relacionados a recursos não-materiais, como conselhos e consultorias (itens 12, 16, 18, 27 e 31), com exceção do item 1 que descreve uma habilidade pessoal (Tabela 3). Tabela 3 Frequência de acesso aos itens da escala Resource Generator Variáveis Conhece alguém que (possa)... % sim Se sim, acessado através de familiar (%) amigo (%) conhecido (%) 1. consertar um carro, uma bicicleta, etc. 82,1 40,37 27,67 31,95 2.possua um carro 99,9 87,74 10,33 1,93 3. habilidade consertar equip. doméstico 80,1 57,35 24,29 18,36 4. fale uma língua estrangeira 86,0 63,60 27,09 9,31 5. trabalhar com um computador 98,4 79,28 16,18 4,54 6. tocar algum instrumento musical 89,2 59,26 30,00 10,74 7. leia livros de literatura 89,6 74,85 19,66 5,49 8. Se formou no segundo grau 99,0 91,05 7,13 1,82 9. Leia revistas profissionais 82,8 66,69 25,13 8, ativista de partido político 66,3 23,28 43,15 33,77 11.tenha mais de R$ 2000 na poupança 83,5 76,43 18,11 5, trabalhe na Pref. ou gov. do Estado 84,1 51,47 33,29 15,24 47

62 13.ganhe mais de R$2.000 por mês 93,2 75,64 19,50 4, tenha casa de campo ou praia 89,6 52,88 36,48 10, contrate pessoas para trabalhar 83,9 61,88 25,39 12, conheça sobre leis e reg. do governo 81,2 49,56 34,89 15, contatos com imprensa, rádio ou tv 59,3 27,00 42, conheça bem assuntos financeiros 75,9 47,52 35,29 17, arranjar emprego temp para família 56,7 25,39 39,25 35, dar conselhos a conflitos no trabalho 84,9 39,31 51,87 8, ajudar a fazer uma mudança de casa 93,4 66,23 28,29 5, ajudar em peq tarefas domésticas 93,5 78,68 14,42 6, fazer compra se estiver doente 92,3 89,42 9,39 1, facilitar internação ou exame 73,6 75,33 21,48 3, emprestar um dinheiro se precisar 96,9 84,77 14,53 0, abrigar em casa por uma semana 92,1 54,98 42,11 2, conselhos sobre conflitos na família 86,0 50,32 39,44 10, discutir candidato nas eleições 97,2 45,51 49,75 4, dar boas referências sobre emprego 92,6 84,75 12,70 2, tomar conta das crianças 96,8 68,98 29,33 1, conversar assuntos import. 77,6 46,81 42,49 10, Validade dimensional Primeira subamostra As análises exploratórias sobre o número adequado de fatores da primeira subamostra, tanto no que se refere à análise paralela (Apêndice B) quanto ao critério dos autovalores (Tabela 4), indicaram extração de quatro fatores, identificando-se diferença elevada (quatro vezes mais) entre o primeiro e segundo autovalor. 48

63 Tabela 4 Autovalores para Análise Fatorial Exploratória da 1ª subamostra. Fator Autovalor 1 13, , , , , ,869 Na estrutura indicada com quatro fatores (Apêndice B) constatou-se que apenas um item apresentou carga superior a 0,4 no quarto fator. Dessa forma, optou-se pelo modelo que extraiu três fatores, levando-se em conta dois aspectos: seus indicadores de ajuste foram tão adequados quanto àqueles apresentados na estrutura de quatro fatores e sua estrutura fatorial apresentou cargas distribuídas de maneira a propiciar melhor defesa teórica das dimensões (Apêndice B). No entanto, identificou-se um item com carga cruzada (item 10) e três itens com cargas baixas (itens 12,19 e 31). Definido o número de fatores a serem extraídos, procedeu-se à inspeção das cargas fatoriais de acordo com os critérios de exclusão estabelecidos. Na estrutura fatorial com três fatores, três itens foram excluídos de forma iterativa: 31 e 19, por apresentarem cargas fatoriais < 0,4 (Tabela 5) e o item 27 por não apresentar similaridade teórica com a dimensão na qual ele apresentou maior carga. Tabela 5 Critérios de exclusão utilizados nos itens retirados na AFE iterativa da 1ª subamostra. Sequência de itens retirados Critério 31 Possa conversar assuntos importantes Carga principal com valor < 0,4 19 Arranjar emprego temporário para família Carga principal com valor < 0,4 27 Dar conselhos a respeito de conflitos na família Falta de afinidade teórica com a dimensão indicada na AFE 49

64 Conforme se pode observar (Tabela 6), após a exclusão dos três itens mencionados, a estrutura fatorial reuniu na primeira dimensão apenas dois itens relativos a um tipo de assistência caracterizada por habilidades pessoais, sendo nomeada de habilidades simples. A segunda dimensão reuniu itens referentes a habilidades políticas, financeiras e relacionadas a pessoas influentes e com alta escolaridade, e foi nomeado como prestígio e educação e por último, a terceira dimensão reuniu itens relacionados ao apoio em situações diversas e foi nomeada neste estudo como apoio social. Tabela 6 Cargas padronizadas e índices de ajuste da análise fatorial exploratória (modelo A) e da análise fatorial confirmatória da primeira subamostra. Variáveis AFE AFC F1 F2 F3 F1 F2 F3 Uniq 1. consertar um carro, uma bicicleta, etc. 0,604-0,02 0,208 0,523 0, habilidade consertar equip. doméstico 0,436 0,263 0,201 0,952 0, fale uma língua estrangeira -0,05 0,886-0,116 0,769 0, trabalhar com um computador 0,173 0,725-0,046 0,716 0, tocar algum instrumento musical 0,280 0,587 0,017 0,657 0, leia livros de literatura -0,036 0,843-0,036 0,792 0, Se formou no segundo grau 0,006 0,680-0,027 0,648 0, Leia revistas profissionais 0,012 0,725 0,071 0,767 0, ativista de partido político 0,416 0,640-0,128 0,635 0, tenha mais de R$ 2000 na poupança -0,13 0,767 0,094 0,791 0, trabalhe na Pref. ou gov. do Estado 0,315 0,461-0,006 0,528 0, ganhe mais de R$2.000 por mês -0,038 0,824 0,007 0,806 0, tenha casa de campo ou praia 0,123 0,656 0,055 0,714 0, contrate pessoas para trabalhar 0,098 0,719 0,060 0,773 0, conheça sobre leis e reg. do governo 0,240 0,716 0,013 0,769 0, contatos com imprensa, rádio ou tv 0,310 0,676-0,004 0,737 0, conheça bem assuntos financeiros 0,231 0,640 0,096 0,756 0, dar conselhos a conflitos no trabalho 0,161 0,098 0,638 0,724 0, ajudar a fazer uma mudança de casa 0,117 0,012 0,688 0,673 0, ajudar em peq tarefas domésticas 0,002 0,122 0,683 0,748 0, possa fazer compra se estiver doente -0,075-0,022 0,766 0,670 0, facilitar internação ou exame -0,068 0,374 0,461 0,795 0,369 50

65 Variáveis AFE AFC 25. emprestar um dinheiro se precisar -0,175 0,238 0, abrigar em casa por uma semana 0,110-0,048 0, discutir candidato nas eleições 0,009 0,272 0, dar boas referências sobre emprego -0,015 0,106 0, tomar conta das crianças 0,017 0,238 0,660 Índices de Ajuste Comparative fit index (CFI) 0,982 0,971 Tucker-Lewis index (TLI) 0,976 0,968 Root mean square error of approximation (RMSEA) 0,772 0,403 0,749 0,439 0,747 0,441 0,726 0,473 0,847 0,282 0,024 (0,023;0,026) 0,028 (0,027; 0,029) No passo seguinte, testou-se a adequação da estrutura dos itens em três fatores, após a exclusão dos itens de maneira iterativa, através da AFC. O agrupamento de itens e suas respectivas cargas, assim como os índices de ajuste podem ser observados na Tabela 6. O índice de ajuste comparativo (CFI) e o índice de Tucker-Lewis (TLI) apresentaram estimativas acima de 0,95 e o RMSEA foi 0,028 (IC=0,027; 0,029). Na Tabela 7, acima da diagonal principal, estão representados os valores do quadrado das correlações entre os fatores. Abaixo da diagonal, encontram-se os valores da correlação entre as dimensões. Comparando os valores do quadrado das correlações entre as dimensões contidos nesta tabela com os valores das AVEs de cada dimensão contidos na Tabela 8, observa-se que a dimensão prestígio e educação (fator 2) não apresentou validade discriminante satisfatória, visto que o valor da variância média extraída dessa dimensão (0,53) foi menor do que o quadrado da correlação com a dimensão apoio social (0,55). 51

66 Tabela 7 Correlações entre as dimensões e o quadrado das correlações entre fatores da primeira subamostra. Dimensões Hab. Simples Prestígio e Educ. Apoio Social Habilidades Simples 0,26 0,22 Prestígio e educação 0,51 0,55 Apoio social 0,47 0,74 Os valores da confiabilidade composta e da variância média extraída foram utilizados como medidas de validade convergente (Tabela 8). Os itens foram consistentes em cada dimensão, já que apresentaram cargas maiores que 0,70 na maioria das vezes e todos os itens ultrapassaram o valor mínimo de referência (>0,50). De acordo com os resultados da variância extraída, a validade convergente foi satisfatória (valor de referência >0,50). O mesmo ocorreu com os valores da confiabilidade composta (valor de referência >0,70). Tabela 8 Confiabilidade composta e variância extraída da primeira subamostra. Dimensões Confiabilidade Composta Variância Média Extraída Habilidades simples 0,73 0,59 Prestígio e Educação 0,94 0,53 Apoio Social 0,93 0, Segunda subamostra As etapas realizadas com a primeira subamostra foram repetidas na segunda subamostra, ou seja, investigação do número de fatores a serem extraídos, análise fatorial exploratória iterativa e análise fatorial confirmatória. De forma semelhante aos resultados da primeira subamostra, a estrutura fatorial de quatro fatores foi sugerida por meio dos critérios estabelecidos (Tabela 9) (Apêndice C). 52

67 Tabela 9 Proporção da variância explicada pelo critério do autovalor. Fator Autovalor 1 13, , , , , ,869 No entanto, de forma semelhante aos resultados encontrados na primeira subamostra, constatou-se que todos os itens do quarto fator apresentaram cargas baixas (<0,4) ou cruzadas. Assim, novamente o modelo com três fatores apresentou indicadores de ajuste semelhante ao modelo com quatro fatores, além de dispor os itens em uma estrutura fatorial com cargas distribuídas de maneira a propiciar melhor consistência teórica com as dimensões. Houve um item com carga cruzada (item 19) e dois itens com cargas baixas (itens 27 e 28) (Apêndice C). Na análise iterativa os seguintes itens foram excluídos: o item 27, seguido pelo item 28 por apresentarem carga fatorial < 0,4 e o item 18, por apresentar carga cruzada entre os fatores. A seguir, os itens 31 e 19 foram excluídos por apresentarem cargas baixas (< 0,4) (Tabela 10). Tabela 10 Critérios de exclusão utilizados nos itens retirados na AFE iterativa. Sequência de itens retirados Critério 27 Dar conselhos a respeito de conflitos na família Carga principal com valor < 0,4 28 Possa discutir sobre candidato nas eleições Carga principal com valor < 0,4 18 Conheça bem assuntos financeiros Carga cruzada 31 Possa conversar assuntos importantes Carga principal com valor < 0,4 19 Arranjar emprego temporário para família Carga principal com valor <0,4 53

68 Ainda de forma semelhante aos resultados da primeira subamostra, a estrutura fatorial de três fatores foi sugerida pela AFE, após a exclusão dos cinco itens (Tabela 11). O primeiro fator reuniu os itens da dimensão de prestígio e educação. O segundo fator reuniu os dois itens da dimensão habilidades simples e por último o terceiro fator reuniu os itens da dimensão apoio social. Tabela 11 Cargas padronizadas e índices de ajuste da análise fatorial exploratória (modelo B) e da análise fatorial confirmatória da segunda subamostra. Variáveis AFE AFC F1 F2 F3 F1 F2 F3 Uniq 1. consertar um carro, uma bicicleta, etc. -0,005 0,518 0,212 0,538 0, habilidade consertar equip. doméstico 0,256 0,462 0,196 0,921 0, fale uma língua estrangeira 0,922-0,024-0,120 0,810 0, trabalhar com um computador 0,553 0,250 0,075 0,689 0, tocar algum instrumento musical 0,622 0,252-0,038 0,668 0, leia livros de literatura 0,786-0,003-0,005 0,775 0, Se formou no segundo grau 0,578 0,011 0,098 0,656 0, Leia revistas profissionais 0,739 0,076 0,000 0,756 0, ativista de partido político 0,601 0,321-0,080 0,639 0, tenha mais de R$ 2000 na poupança 0,841-0,228 0,060 0,810 0, trabalhe na Pref. ou gov. do Estado 0,417 0,339 0,003 0,532 0, ganhe mais de R$2.000 por mês 0,901-0,206-0,011 0,828 0, tenha casa de campo ou praia 0,692 0,149 0,006 0,739 0, contrate pessoas para trabalhar 0,684 0,076 0,080 0,766 0, conheça sobre leis e reg. do governo 0,639 0,185 0,051 0,736 0, contatos com imprensa, rádio ou tv 0,660 0,238 0,002 0,736 0, dar conselhos a conflitos no trabalho 0,107 0,213 0,561 0,717 0, ajudar a fazer uma mudança de casa -0,123 0,161 0,770 0,663 0, ajudar em peq tarefas domésticas 0,051 0,067 0,715 0,756 0, possa fazer compra se estiver doente -0,144-0,01 0,869 0,689 0, facilitar internação ou exame 0,314-0,132 0,556 0,814 0, emprestar um dinheiro se precisar 0,185-0,135 0,615 0,732 0, abrigar em casa por uma semana 0,003 0,083 0,780 0,772 0, dar boas referências sobre emprego -0,002-0,016 0,767 0,723 0,477 54

69 Variáveis AFE AFC 30. tomar conta das crianças 0,140 0,007 0,691 0,805 0,353 Índices de Ajuste Comparative fit index (CFI) 0,984 0,975 Tucker-Lewis index (TLI) 0,979 0,972 Root mean square error of approximation (RMSEA) 0,023 (0,021;0,025) 0,027 (0,025; 0,028) A etapa seguinte foi estruturar os itens da AFE de três fatores em um modelo a ser testado através da AFC. Ambos, (CFI e TLI) apresentaram estimativas acima de 0,95 e o RMSEA= 0,027 (IC=0,025; 0,028) (Tabela 6). Comparando os valores do quadrado das correlações entre as dimensões com os valores das AVEs de cada dimensão (Tabela 12 e Tabela 13), novamente observa-se que a dimensão prestígio e educação não apresentou validade discriminante satisfatória, visto que o valor da variância média extraída dessa dimensão (0,53) foi menor do que o quadrado da correlação com a dimensão apoio social (0,56). Tabela 12 Correlações entre as dimensões e o quadrado das correlações entre fatores da segunda subamostra. Dimensões Hab. Simples Prestígio e Educ. Apoio Social Habilidades simples 0,58 0,25 Prestígio e educação 0,34 0,56 Apoio social 0,75 0,50 Os itens foram consistentes em cada dimensão, já que apresentaram cargas maiores que 0,70 na maioria das vezes e todos os itens ultrapassaram o valor mínimo de referência (>0,50). De acordo com os resultados da variância extraída, a validade convergente foi satisfatória (valor de referência >0,50), o mesmo ocorreu com os valores da confiabilidade composta (valor de referência >0,70) (Tabela 13). 55

70 Tabela 13 Confiabilidade composta e variância extraída da segunda subamostra. Dimensões Confiabilidade Composta Variância Média Extraída Prestígio e Educação 0,94 0,53 Habilidades simples 0,71 0,57 Apoio Social 0,92 0, Terceira subamostra Nas etapas anteriores utilizamos duas subamostras para buscar um modelo através da AFE/AFC. Na primeira subamostra de forma iterativa foram retirados os itens que atendiam o critério de exclusão. Este procedimento resultou no modelo A (sem os itens 19, 27 e 31). De maneira independente analisou-se a segunda subamostra com a mesma metodologia e encontramos o modelo B, que apresentou os mesmos itens retirados do modelo A, acrescido da exclusão dos itens 18 e 27. Portanto esses modelos apontaram estrutura fatorial com padrão semelhante de cargas e igual número de fatores, e divergiram apenas em relação ao numero de itens excluídos. Assim para avaliar qual desses modelos melhor explica a estrutura fatorial da escala, esses modelos foram testados de forma confirmatória na terceira subamostra, dando prosseguimento a investigação da estabilidade da estrutura fatorial. A Tabela 14 apresenta os resultados da AFC do modelo A e B. É possível notar a semelhança entre a conformação das cargas fatoriais dos dois modelos, assim como nos indicadores de ajuste. Observamos também através da inspeção das cargas fatoriais, da AVE e da confiabilidade composta, que ambos os modelos apresentam validade convergente (Tabela 15). Tabela 14 Cargas fatoriais, variância residual (Uniqueness) e índices de ajuste da análise fatorial confirmatória dos modelos A e B, aplicada na subamostra 3. Variáveis AFC (modelo A) AFC (modelo B) F1 F2 F3 Uniq F1 F2 F3 Uniq 56

71 Variáveis AFC (modelo A) AFC (modelo B) 1. consertar um carro, uma bicicleta, etc. 0,555 0,692 0,553 0, habilidade consertar equip. doméstico 0,962 0,075 0,964 0, fale uma língua estrangeira 5. trabalhar com um computador 6. tocar algum instrumento musical 7. leia livros de literatura 8. Se formou no segundo grau 9. Leia revistas profissionais 10. ativista de partido político 11.tenha mais de R$ 2000 na poupança 12. trabalhe na Pref. ou gov. do Estado 13.ganhe mais de R$2.000 por mês 14. tenha casa de campo ou praia 15. contrate pessoas para trabalhar 16. conheça sobre leis e reg. do governo 17. contatos com imprensa, rádio ou tv 18. conheça bem assuntos financeiros 20. dar conselhos a conflitos no trabalho 21. ajudar a fazer uma mudança de casa 22. ajudar em peq tarefas domésticas 23. possa fazer compra se estiver doente 24. facilitar internação ou exame 25. emprestar um dinheiro se precisar 26. abrigar em casa por uma semana 28. discutir candidato nas eleições 29. dar boas referências sobre emprego 30. tomar conta das crianças Índices de Ajuste Comparative fit index (CFI) 0,968 0,794 0,369 0,802 0,357 0,704 0,505 0,695 0,516 0,659 0,565 0,662 0,561 0,801 0,358 0,807 0,349 0,666 0,557 0,676 0,543 0,766 0,413 0,770 0,408 0,662 0,562 0,666 0,556 0,802 0,356 0,809 0,345 0,507 0,743 0,506 0,744 0,806 0,350 0,811 0,342 0,741 0,451 0,749 0,439 0,786 0,382 0,791 0,375 0,788 0,378 0,771 0,406 0,758 0,426 0,744 0,447 0,770 0,407 * 0,753 0,433 0,756 0,428 0,648 0,581 0,648 0,580 0,717 0,486 0,723 0,477 0,703 0,506 0,708 0,498 0,819 0,329 0,826 0,317 0,766 0,413 0,774 0,402 0,765 0,415 0,768 0,411 0,804 0,354 * 0,728 0,470 0,732 0,465 0,829 0,312 0,829 0,313 Tucker-Lewis index (TLI) ,964 Root mean square error of approximation (RMSEA) 0,030 (0,029;0,032) 0,031 (0,030; 0,033) 0,967 57

72 Tabela 15 Confiabilidade composta e variância extraída do modelo A e do modelo B. Dimensões Confiabilidade Composta Modelo A AVE Confiabilidade Composta Modelo B AVE Habilidades simples 0,75 0,62 0,75 0,62 Prestígio e Educação 0,95 0,55 0,94 0,54 Apoio Social 0,93 0,57 0,92 0,57 Quanto à validade discriminante, os resultados dos dois modelos dessa subamostra continuam consistentes com os achados nas subamostras anteriores, apontando ausência de validade discriminante entre as dimensões de apoio social e prestígio e educação. Para o modelo A e para o modelo B, nota-se que a AVE da dimensão prestígio e educação (0,55 e 0,54 respectivamente) foi menor do que o quadrado da correlação com a dimensão apoio social (0,57 e 0,55) (Tabela 16). Tabela 16 Correlações entre as dimensões e o quadrado das correlações entre fatores do modelo A e do modelo B. Dimensões Prestígio e Educ. Modelo A Hab. Simples Apoio Social Prestígio e Educ. Modelo B Hab. Simples Apoio Social Prestígio e educação 0,30 0,57 0,29 0,55 Habilidades simples 0,55 0,24 0,54 0,24 Apoio social 0,76 0,50 0,74 0,50 58

73 Desta forma, considerando as semelhanças na estrutura fatorial de ambos os modelos, optou-se por eleger o modelo A como o modelo final, por ser mais conservador, mantendo-se maior número de itens e com indicadores de ajuste ligeiramente superiores. A Tabela 17 reúne os principais resultados apresentados no decorrer das três amostras. Tabela 17 Cargas fatoriais, índices de ajuste, variância média extraída e confiabilidade composta da análise fatorial confirmatória dos modelos aplicados nas três subamostras AFC Itens Modelo A (subamostra 1) Modelo B (subamostra 2) Modelo final (subamostra 3) Modelo B (subamostra 3) Dimensão 1 Habilidades Simples 1. consertar um carro, uma bicicleta, etc. 0,523 0,538 0,555 0, habilidade consertar equip. doméstico 0,952 0,921 0,962 0,964 Dimensão 2 Prestígio e Educação 4. fale uma língua estrangeira 0,769 0,810 0,794 0, trabalhar com um computador 0,716 0,689 0,704 0, tocar algum instrumento musical 0,657 0,668 0,659 0, leia livros de literatura 0,792 0,775 0,801 0, Se formou no segundo grau 0,648 0,656 0,666 0, leia revistas profissionais 0,767 0,756 0,766 0, ativista de partido político 0,635 0,639 0,662 0, tenha mais de R$ 2000 na poupança 0,791 0,810 0,802 0, trabalhe na Pref. ou gov. do Estado 0,528 0,532 0,507 0, ganhe mais de R$2.000 por mês 0,806 0,828 0,806 0, tenha casa de campo ou praia 0,714 0,739 0,741 0,749 59

74 AFC Itens Modelo A (subamostra 1) Modelo B (subamostra 2) Modelo final (subamostra 3) Modelo B (subamostra 3) 15. contrate pessoas para trabalhar 0,773 0,766 0,786 0, conheça sobre leis e reg. do governo 0,769 0,736 0,788 0, contatos com imprensa, rádio ou tv 0,737 0,736 0,758 0, conheça bem assuntos financeiros 0,756 * 0,770 * 19. arranjar emprego temp para família * * * * Dimensão 3 Apoio Social 20. dar conselhos a conflitos no trabalho 0,724 0,717 0,753 0, ajudar a fazer uma mudança de casa 0,673 0,663 0,648 0, ajudar em peq tarefas domésticas 0,748 0,756 0,717 0, possa fazer compra se estiver doente 0,67 0,689 0,703 0, facilitar internação ou exame 0,795 0,814 0,819 0, emprestar um dinheiro se precisar 0,772 0,732 0,766 0, abrigar em casa por uma semana 0,749 0,772 0,765 0, conselhos sobre conflitos na família * * * * 28. discutir candidato nas eleições 0,747 * 0,804 * 29. dar boas referências sobre emprego 0,726 0,723 0,728 0, tomar conta das crianças 0,847 0,805 0,829 0, possa conversar assuntos import. * * * * Índices de Ajuste Comparative fit index (CFI) 0,971 0,975 0,968 0,967 Tucker-Lewis index (TLI) 0,968 0, ,964 Root mean square error of approximation 0,028 0,027 0,030 0,031 (RMSEA) (0,027; 0,029) (0,025; 0,028) (0,029;0,032) (0,030; 0,033) Variância Média Extraída Dimensão 1 0,59 0,53 0,62 0,62 Dimensão 2 0,53 0,57 0,55 0,54 Dimensão 3 0,56 0,55 0,57 0,57 Confiabilidade Composta Dimensão 1 0,73 0,94 0,75 0,75 Dimensão 2 0,94 0,71 0,95 0,94 Dimensão 3 0,93 0,92 0,93 0,92 60

75 61

76 5 - Discussão Esta dissertação apresentou resultados da avaliação da estrutura dimensional da versão brasileira da escala Resource Generator em três subamostras da população da linha de base do ELSA-Brasil. No processo de tradução e adaptação da escala para o Brasil, algumas alterações foram necessárias, como por exemplo, a exclusão do item conhecer alguém que entenda sobre futebol que não apresentava validade de face para a cultura brasileira, além de pequenas alterações em função da forma de aplicação da escala (autopreenchida na Holanda e por entrevista no Brasil). Além disso, dois itens que não constavam na versão original, foram incluídos. Segundo o autor da escala (Van Der Gaag & Snijders, 2005) o construto capital social é fortemente dependente da cultura e do contexto social. Portanto, ele recomenda que adaptações locais acerca dos componentes de mensuração sejam feitas, o que pode envolver a inclusão de itens novos ou a retirada de itens pertinentes apenas em outros contextos. Portanto, um dos grandes desafios da construção e adaptação do instrumento Resource Generator é a escolha dos itens que irão compor a escala no contexto local. Para guiar esta escolha, estudos sociológicos são recomendados, pois eles podem auxiliar na identificação de quais recursos contemplam áreas significativas da vida dos indivíduos, recursos que representam metas individuais e recursos que sejam prováveis de serem disponibilizados pela rede social (Van Der Gaag, 2005). Além disso, a experiência do próprio pesquisador e a realização de grupos focais e entrevistas qualitativas são recomendadas. Um aspecto que chama a atenção nos resultados apresentados, diz respeito à alta frequência de respostas positivas para a maior parte dos itens componentes da escala avaliada. No estudo holandês esse aspecto tinha sido ressaltado como uma possível limitação da escala, em função de itens que captam aspectos muito amplos (Van Der Gaag, 2005). É interessante notar que as frequências de respostas positivas na população do ELSA-Brasil foram ainda mais altas que na população holandesa. Para exemplificar, observa-se na Figura 3 que o gráfico da distribuição holandesa se assemelha à normal com concentração à direita, enquanto que a brasileira é monotonamente crescente e fortemente concentrada à direita. 62

77 Parte destes resultados pode ser atribuída às diferenças entre as características socioeconômicas das duas populações, uma vez que a pesquisa holandesa foi conduzida na população geral, enquanto que a população ELSA-Brasil trata-se de uma coorte de servidores públicos. Figura 3 Frequência de itens acessados pelos participantes na escala Resource Generator aplicada na Holanda (Van Der Gaag & Snijders, 2005) e no ELSA-Brasil. 63

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