A Qualidade do Ensino Médio no Brasil: o papel do gestor. Sergio Firpo, Professor Titular da Cátedra Instituto Unibanco do Insper 26 de julho de 2016

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1 A Qualidade do Ensino Médio no Brasil: o papel do gestor Sergio Firpo, Professor Titular da Cátedra Instituto Unibanco do Insper 26 de julho de 2016

2 % % Atendimento do Ensino Médio no Brasil Metas do PNE para o Ensino Médio: Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos. Elevar até 2024 a taxa líquida de matrículas no Ensino Médio para 85%. Porcentagem de jovens de 15 a 17 anos na escola - Taxa de atendimento Porcentagem de jovens de 15 a 17 anos matriculados no Ensino Médio - Taxa líquida de matrícula , , ,7 Meta 2016: 100% ,2 Meta 2024: 85% Fonte: Fonte: IBGE/Pnad.

3 Fluxo no Ensino Médio O abandono e a reprovação atingem quase 20% dos jovens matriculados no Ensino Médio. Fonte: Anuário Brasileiro da Educação Básica 2016 (Todos Pela Educação).

4 Distribuição do Ensino Médio entre Redes Fonte: Anuário Brasileiro da Educação Básica 2016 (Todos Pela Educação).

5 Qualidade do Ensino Médio relativa a outros países: Desempenho do Brasil no PISA Fonte: Anuário Brasileiro da Educação Básica 2016 (Todos Pela Educação).

6 Evolução da Qualidade da Educação por etapa e rede Percentual de alunos com nível de proficiência esperado ou acima, por disciplina e série Língua Portuguesa 5º ano Fundamental 35,5 26,6 40,0 45,1 Língua Portuguesa 9º ano Fundamental 31,8 19,5 27,0 28,7 Língua Portuguesa 3ª série Médio 39,7 22,6 29,2 27,2 Matemática 5º ano Fundamental 21,4 18,7 36,3 39,5 Matemática 9º ano Fundamental 16,7 13,0 16,9 16,4 Matemática 3ª série Médio 17,9 10,9 10,3 9,3 Fonte: Anuário Brasileiro da Educação Básica 2016 (Todos Pela Educação). Ideb, total e por rede Total 3,4 3,7 3,7 Rede pública 3,1 3,4 3,4 Meta 2013: 3,9 Meta 2021: 5,2 Rede privada 5,6 5,7 5,4 Fonte: MEC/Inep.

7 Pagando por Qualidade no Ensino Médio: o setor privado Pais e alunos se preocupam com a qualidade do ensino. Existem diversas evidências empíricas no mundo e algumas para o Brasil de que pais estão dispostos a pagar mais por escolas de maior qualidade. Para o Brasil, Firpo, Ponczek e Possebom (2015) mostram que as mensalidades das escolas de Ensino Médio são fortemente correlacionadas com rankings locais do ENEM. Um pulo de uma posição mediana para o topo do ranking local permite escolas cobrarem até 17,5% a mais no EM.

8 Qualidade do Ensino Médio e Gestão: o setor privado (i) A divulgação do ENEM por escolas no meio da década passada afetou o mercado das escolas particulares. Camargo, Camelo, Firpo e Ponczek (2016) mostram que escolas que tiveram ENEM divulgado quando comparadas com as que não o tiveram divulgado têm distintos desempenhos futuros de seus alunos. No curtíssimo prazo (em dois anos) não há efeito composição, nem de mudanças de insumos escolares. Mas o desempenho dos alunos das escolas com ENEM divulgado aumenta em 15%, sobretudo entre aquelas escolas com ENEM abaixo do ENEM mediano.

9 Qualidade do Ensino Médio e Gestão: o setor privado (ii) Esse efeito é ainda maior em escolas particulares localizadas em regiões metropolitanas em que o mercado escolar é mais competitivo. Não há efeito da divulgação do ENEM sobre escolas públicas. Incentivos de mercado parecem importar. Mecanismos que geram os efeitos parecem apontar para mudanças de gestão escolar nas escolas particulares.

10 Gestão escolar nas escolas públicas Evidências de que estratégias de gestão da escola pode afetar o desempenho dos alunos. Tavares (2014) analisou um programa piloto de gestão implantado em escolas públicas estaduais de São Paulo, e encontrou resultados na proficiência dos estudantes, equivalente a elevar o aprendizado do aluno médio em quase 40%. Como afetar gestão escolar num ambiente em que os incentivos de mercado não estão presentes? Para escolas no Reino Unido, Iftkhar Hussain (2009) mostra que avaliação negativa tem impacto sobre a carreira dos gestores escolares, pois reduz salários futuros. Para o Brasil, gestores da rede pública não têm mesmos incentivos que os da rede privada. Incentivos para melhoria da gestão escolar visando aumento de aprendizado precisam ser diferentes no sistema público.

11 O Jovem de Futuro (JF) O Instituto Unibanco (IU) desenvolveu diversas ações para aumentar a qualidade da gestão escolar nas redes públicas de ensino médio. O Jovem de Futuro (em suas várias e mais recentes versões) é um programa que provê os instrumentos de gestão necessários aos diretores de escolas públicas. Há capacitação para uso das ferramentas de gestão, com contínuo acompanhamento e monitoramento de supervisores da rede. Gestores passam a planejar, olhando para metas de desempenho acadêmico dos alunos a serem alcançadas.

12 JF: Resultados e Mecanismos Com implantação aleatorizada do programa, foi possível testar o efeito do JF sobre desempenho. Paes de Barros e co-autores (2015) mostram que o efeito do JF foi de 5 pontos na escala SAEB. Ainda não se sabe ao certo qual o principal mecanismo pelo qual o JF afeta o desempenho final dos alunos. Firpo e Bacalhau (2016) investigaram, a partir de questionário junto aos gestores, como efeitos variam conforme grau de adesão a cada uma das etapas previstas para a plena utilização das ferramentas de gestão. Resultados preliminares apontam que em escolas que foram capazes de planejar e de implantar seus planos de ação, efeitos foram maiores. Esses resultados apontam ainda para relevante papel dos supervisores, o que requer mais aprofundamento.

13 IU e o Think Tank em Economia da Educação Em processo de permanente transformação, o JF é objeto de detalhada análise no Think Tank (TT) em Economia da Educação do IU. Tenta-se entender quais dos seus componentes são os mais efetivos sobre desempenho e quais são os potenciais subprodutos, alguns indesejados da intervenção. O modelo do TT permite que se faça avaliação de impacto causal do programa e mapeamento dos mecanismos por meio de um modelo integrado entre pesquisadores, formuladores e coordenadores do JF, gestores e supervisores.

14 Cátedra Instituto Unibanco: agenda de pesquisa Por dentro do JF: Papel dos supervisores no clima e gestão escolares; Heterogeneidade dos efeitos: o papel das condições iniciais; Heterogeneidade dos efeitos: adesão diferenciada e escolhas dos gestores; Efeitos de longo prazo do JF sobre emprego e renda. Por dentro do Ensino Médio: Ensino Médio Técnico: remuneração e empregabilidade futuras; Ocupações de Ensino Médio, evolução salarial e produtividade; Qualidade do Ensino Médio e efeitos de longo prazo sobre salários e escolha setorial.

15 Obrigado!

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